A todas as Marias do mundo

Em tempos tive uma colega de trabalho que me parecia totalmente desorganizada e talvez um pouco obsessiva.

Na altura eu não tinha filhos e ela tinha dois em idade escolar.

Nunca chegava a horas. Aparecia sempre com alguns minutos de atraso, o que na minha cabeça não fazia qualquer sentido. Todos os dias havia um drama; ou eram as notas dos putos, o carro avariado, o ex-marido que não colaborava, uma consulta médica, a mãe ou a avó ou o cão ou o gato….

Hoje, por um comentário de uma colega de equipa percebi que agora sou eu a Maria.
Não chego atrasada porque felizmente tenho a ajuda do meu marido, mas nunca, nunca mais vou desvalorizar 30 segundos que seja.

Uma birra matinal, um xixi à última da hora, um abraço mais prolongado na despedida no colégio.
E sim, eu sou a pessoa que treme quando recebe um telefonema da educadora, mesmo quando é só para dar um recado.

Sou a pessoa que todos os dias tem mil e quinhentas coisas em que pensar. Almoço, escola, férias (meu Deus as férias!) horários, roupa, calendário das festas de anos, prendas para as festas de anos…
E muitas vezes tenho de sair mais cedo – são consultas médicas, festas de fim do ano, avaliações (e o mês de Agosto!?).

Eu sou a Maria!

A que coloca os filhos em primeiro lugar. A que tinha uma carreira e agora tem um emprego. A que saía todos os fins-de-semana e tinha uma vida social preenchida e agora foi promovida a motorista em part-time.

Eu sou a Maria! A que às vezes está perfumada e maquilhada e outras usa o cabelo apanhado porque não teve tempo de se pentear.

Eu sou a Maria, a que suporta os olhares reprovadores dos colegas sem filhos ou daqueles que já não se lembram quando tiveram filhos pequenos.

A que se contenta por ter um emprego. Porque eu sei que a minha verdadeira carreira, o que faço bem e que me dá maior retorno e prazer não acontece no horário das 9:00 às 18:00.
Eu tenho duas filhas e sei que, um dia, também elas terão esta capacidade maravilhosa de serem mulheres, mães, amantes, terem um emprego (com sorte uma carreira), gerir uma casa, controlar o choro, os nervos, a vontade de gritar ou desistir…, porque todos os dias ao acordar também elas serão Marias no seu tempo, e vão poder olhar para o rosto de seres maravilhosos e pequeninos e ter um grande motivo para sorrir e viver.

 

O que eu quero que os meus filhos se lembrem

Muitas vezes sinto que estou a dar cabo desta coisa chamada maternidade. Há dias que estou tão cansada que não consigo ter um pensamento coerente, quanto mais dizer uma frase com sentido. Estou cansada de mais para brincar com meus filhos. A minha paciência esgotou-se. Sinto que se mais alguém me pedir mais alguma coisa vou ter um ataque de nervos.

Passo os dias atrás dos meus filhos: “Toma o pequeno almoço!”, “Apanha as meias do chão!”, “Faz as pazes com o teu irmão!”, “Para de enfiar papel higiénico no lavatório!”, Por amor de Deus, faz pontaria para não fazeres xixi na tampa da retrete!”  Que cansativo!

Às tantas questiono-me se lhes estarei a proporcionar uma boa infância. Estaremos realmente a criar memórias? 

Quando eles tiverem a minha idade, o que será que lhes ficará na memória sobre a infância? E sobre a mãe?  Será que me vão ver apenas como a pessoa que os alimentou, que lhes deu deu ordens e lhes limpou o nariz? Ou como uma mãe que lhes trouxe felicidade imensa, que tinha sempre ideias giras para partilhar, que foi divertida e brincalhona, atenciosa e gentil?

Tenho a certeza de que se vão lembrar um pouco de tudo. 

Pelo menos, é assim que eu me lembro da minha própria infância e dos meus pais. Lembro-me dos gritos, das lágrimas, das preocupações. Mas há certos momentos que ainda estão guardados religiosamente na minha memória, momentos de pura felicidade e conexão. E espero conseguir dar alguns desses momentos aos meus filhos.

Eu quero que os meus filhos me vejam em primeiro lugar, como uma mãe, mas também como uma mulher, como um ser humano imperfeito com todo este amor incondicional livre e sem pretensões.

Eu sei que ainda faltam alguns anos para que a infância dos meus filhos se torne em memórias distantes. E (bate na madeira) espero, com todas as minhas forças, ainda estar presente em muito anos do crescimento deles. 

Quando penso na nossa vida agora e naquilo que quero que fique na memória dos meus filhos é tudo muito simples e pouco concreto. São pequenas coisas que não consigo dizer por palavras mas que espero que eles estejam a ”apanhar” e a arquivar tudo.

Meus queridos filhos, vou escrever-vos algumas das coisas que quero que se lembrem de mim.

Eu quero que se lembrem das noites em que eu disse repetidas vezes que estava cansada de mais para fazer qualquer coisa divertida mas às 7h da tarde de sábado vestimos os casacos por cima do pijama e fomos à rua comprar guloseimas e sentamo-nos na varanda a comer e sentir a magia da noite.

Que se lembrem das vezes que vos pegava ao colo como se fossem bebés, sempre que estavam doentes. Como vos embalava nos meus braços, enquanto vos cantava as vossas músicas preferidas numa espécie de sussurro e desafinação num tom baixo de mais, até que adormecessem com a cara encostada ao meu peito, ao meu coração. Details

Quando tiveres filhos, não sejas esse tipo de mãe. Não sejas a mãe que…

Eu ainda não tenho filhos, mas adoro crianças e faz parte do meu plano de vida um dia constituir família. Não preciso de me casar de véu, grinalda e flores de laranjeira. Basta que encontre o amor verdadeiro. Claro que, não significa que seja para toda a vida! Eu adoraria, mas sejamos realistas… vivemos, cada vez mais, numa época em que tudo é tão efémero, instantâneo, ao momento, à flor da pele, que já não ponho as mãos no fogo por relação nenhuma. Exepto as relações mãe/pai e filhos. Essas acredito que sejam eternas. Mesmo quando há zangas, mesmo quando vivem separados, mesmo quando estão à beira da exaustão.

Porque o amor pelos filhos é (dizem) incondicional.

Sou o tipo de tia que sempre que posso fico com os meus sobrinhos. Gosto de passar tempo com eles. Sei que a mãe muitas vezes não consegue dar-lhes a atenção que gostaria… na verdade é muito injusto: quando se tem tempo disponível, ainda não se tem filhos; depois dos filhos nascidos, as mães não têm tempo para nada. E vivem numa roda viva a fazer das tripas coração para conseguirem o que elas próprias consideram os mínimos diários para o bem estar dos miúdos e da família. São as mães “heróis”.

Eu ainda não tenho filhos, mas adoro observar as dinâmicas de uma família.

Sei que, um dia, quando também eu for mãe, terei uma perspectiva totalmente diferente sobre o assunto. Sei que agora não sei nada sobre maternidade e que, provavelmente, um dia hei-de engolir estas palavras. Eu espero que um dia eu leia estas linhas e aprenda com o meu “eu” antes de ser mãe. Por isso, aqui deixo, de uma mulher sem filhos para as mães experientes, polivalentes e exaustas, as minhas reflexões para reler dentro de uns anos, quando também eu for mãe.

Quando tiveres filhos, não sejas esse tipo de mãe

1. Não sejas a mãe que está sempre agarrada ao telemóvel.

Se há coisa que me inquinita é uma mãe numa fila de espera com crianças, e a jogar/falar no telemóvel. Sim, é uma seca esperar… por isso, para os miúdos também é. Aproveita para conversar com eles, fazer jogos de mãos, aprender aquela música que cantam no colégio, ou ensinar-lhes um jogo qualquer. Treinem rimas, digam o nome dos países ou das cores ou de animais. Para cada idade um comportamento diferente. Aproveita os tempo mortos para conectar com os teus filhos.

2. Não sejas a mãe que entrega o telemóvel de mão beijada, só para sossegares a cabeça.

Claro que é na sequência da situação anterior: é tão mau uma mãe pôr-se a jogar deixando os filhos a olhar para o tecto, como entregar-lhes o telemóvel, para poder ficar a olhar para as unhas, sossegada.

3. Não sejas a mãe que promete e não cumpre

As crianças acreditam piamente no que as mães dizem. Se não consegues fazer qualquer coisa não prometas. As expectativas criadas pelas crianças são bastantes elevadas, e a desilusão torna-se muito grande. Eu que o diga.

4. Não sejas a mãe que exige demais dos filhos

As crianças, em primeiro lugar, precisam de ser crianças. Precisam de brincar, de fazer disparates, de rir de patetices, de sonhar, de vestir as calças ao contrário, e de entornar o copo de água ao jantar mais vezes do que aquilo que querias. Dá-lhes tempo. Quando crescerem nunca voltarão a ser crianças. Aproveita o agora.

5. Não sejas a mãe”Eu avisei-te!”

Tenta ser a mãe que previne de forma positiva e que consegue de facto evitar o acidente. Gritar “Pára de correr que vais cair” , entra a 100 e sai a 200 nos sensores de uma criança com a adrenalina a fervilhar. Experimenta ir ter com o teu filho e pará-o. Acalmá-lo. Explicar-lhe que se continua a correr  pode cair e magoar-se. Ou então não digas nada. Deixa-o estar. Deixa-o correr. As crianças precisam de aprender quais os seus limites e para isso, por vezes têm de cair. Mas em qualquer uma das situações, diz-lhe que se cair estarás lá para o apoiar.

6. Não sejas a mãe que grita com os filhos por dá cá aquela palha

Todos temos maus dias. Mas vejo, muitas vezes, as mães a descarregarem nos filhos por tudo e por nada. Se chegam atrasados à escola, é porque ele demorou muito a vestir-se. Se te enganas no caminho quando vais no carro, é porque ele ia a conversar. Se não trouxeste o troco do café, é porque ele não parava quieto. Esquece, assume as culpas. Tu é que tens de acordar mais cedo; tu é que tens de pensar antes de arrancar com o carro e definir o caminho; Tu é que tens de levantar o troco do café independentemente de tudo! Tu, Tu e Tu. Ok, eles desestabilizam? Deal with it! Mas sem gritos.

7. Não sejas a mãe que avia 3 palmadas à criança para aliviar a tensão de cima dos ombros

Os filhos têm o condão de tirar as mães do sério. Mas tenta responder com atitudes positivas. Explica o bem e ensina-o a agir corretamente. As crianças aprendem através do exemplo, e mais facilmente com amor do que com palmadas. Dá uma chance aos abraços. Mesmo quando te apetece avançar para o disparate. Verás que a atitude deles será diferente e irá ao encontro da tua.

8. Não sejas a mãe que diz mal dos outros à frente dos filhos

Vais no elevador com a vizinha de cima, e a criança pergunta “Oh mãe, é esta a gorda que anda de saltos altos em casa?”
Cuscar e dizer mal à frente das crianças não só é um péssimo exemplo como é uma má jogada: os miúdos não têm filtros, e à primeira oportunidade vão falar onde não devem, criando situações, obviamente muito desagradáveis (Ver ponto 6. – A culpa é tua porque falaste demais)

9. Não sejas a mãe que ignora os filhos

Um coisa é criar crianças autónomas e dar-lhes espaço e ferramentas para tal. Outra coisa são as mães que no pretexto da sua atitude “prá frentex” de deixar que a criança faça tudo sozinha, se acomodam numa maternidade preguiçosa. Se a criança pede ajuda para colorir o desenho ou acabar de montar o Lego, dá-lhe atenção. Mesmo quando sabes que eles conseguem concluir a tarefa sozinhos. Muitas vezes estão cansados e precisam de atenção. Dá-lhes essa atenção.

10. Não sejas a mãe que não tem tempo para os filhos.

Os teus filhos precisam de ti. Não é dos avós, da professora, dos carros de bombeiro e das bicicletas. Não é das viagens, dos chocolates do aeroporto, nem dos passeios de barco ou mota de água. É dos pais.  Eu sei que também precisas de ti e mereces esse tempo. Para sair com amigos, ir ao cinema, aos concertos e beber um copo.

Precisas disso para estar bem, e se estiveres bem terás mais disponibilidade emocional para os miúdos. Mas podes fazer tudo isso e conversar diariamente com os teus filhos, apoia-los incondicionalmente, beijá-los de manhã e à noite, confortá-los sempre que preciso, e dizer-lhes que os amas até ao fim dos teus dias.

Se não, corres o risco de amanhã acordar e teres um desconhecido de 14 anos dentro de casa.

Por isso, lembra-te:

de alguém que não tem filhos e ainda vive muito o papel de filha; de uma tia que ama os seus sobrinhos como se não fosse possível gostar de alguém mais que isto, não sejas a mãe que acaba de ler isto e desvaloriza cada palavra porque eu ainda não tenho filhos.

Faz um pequeno exercício: conta quantas das alíneas anteriores correspondem às tuas atitudes com os teus filhos, e faz o balanço.

E quando eu tiver os meus filhos, espero que haja alguém de fora que me de um abanão sempre que for preciso, e me digam: não sejas “A mãe que…nunca quiseste ser”

 

 

 

 

 

Pura e simplesmente Mãe. Mãe cansada.

Ontem à noite o meu filho de 4 anos foi para a minha cama.
Dormiu lindamente.
Eu não dormi, claro. Dormir com um miúdo de 4 anos é como dormir com uns ponteiros de relógio. À medida que a noite avançava, acordava inevitavelmente com um pé na cara, depois uma mão, e passado uma hora outra vez os pés!
Acordei cansada. Aliás, mais do que cansada, acordei de rastos.
Ele acordou feliz.
“Adoro-te mãe!”
Ele não tem noção de quão cansada eu fico por ele vir dormir comigo, nem como ficam as minhas costas, e que na verdade quando acordamos eu só queria dormir mais cinco minutos.
Ele só fica grato e feliz por olhar para mim.

E tu?Também és uma Super Mãe cansada?

Acordas a desejar que o dia tivesse mais horas? Fazes tudo até à exaustão extrapondo aquilo que julgavas ser os teus limites?

Trabalhas? Lidas com miúdos que passam a vida a discutir sobre de quem é a vez de jogar? Questionas-te se aquilo que fazes diariamente faz ou não a diferença na tua família? Estás farta de viver diariamente a mesma rotina?
Às vezes ser mãe significa, simplesmente, estar sempre cansada.
Às vezes ser mãe significa sentir um vazio de solidão. Como se ninguém se apercebesse daquilo que fazes. Do teu trabalho “invisível”. Na verdade ninguém sabe que eu dormi uns sólidos 43.7 minutos de sono a noite passada, a não ser vocês, e porque eu escrevi aqui.

A maternidade é tão entregue a si própria e tão fechada nas nossas casas que é geralmente subvalorizada.

Nós trabalhamos. Nós passamos o dia a cozinhar, e às vezes pratos diferentes para as idades diferentes dos filhos. Às vezes cozinhamos mais que uma vez o mesmo prato porque deixamos queimar o primeiro.

Apanhamos pequenos brinquedos e peças de lego do chão, e perguntamo-nos de onde vem tanta coisa. Dobramos toalhas, emparelhamos meias, marcamos consultas e falamos com os médicos. Limpamos impressões digitais das paredes. Primeiro com um toalhete, e se não sair vai de esponja mágica, ou detergente em spray.

Lavamos caras e mãos pegajosas (também pode ser primeiro com um toalhete para disfarçar), ajudamo-los com os TPC, arrumamos a cozinha, limpamos o micro-ondas depois de um miúdo de 9 anos aquecer qualquer coisa durante tempo de mais. Saímos para trabalhar, voltamos do emprego, apanhamos miúdos no colégio, trabalhamos em casa, somos mães todo o dia, fazemos tudo o que nos compete, e depois vamos para a cama dormir.
Podem sempre argumentar que a maternidade é assim, e que ao longo dos tempos todas as mães fizeram isto.
Mas sabem que mais? Pois fizemos. Desde o princípio dos tempos, as mães sempre se levantaram de manhã, tiveram de lidar com os assuntos dos seus filhos, com problemas financeiros, com problemas das escolas, problemas de saúde, e por aí fora.

Mas lá porque sempre foi assim, não significa que a maternidade não seja honrada e celebrada.

A Maternidade e a paternidade são algo extraordinário. Não são só arco-íris e dias de sol, e póneis cor-de-rosa a saltar de mãos dadas nas nuvens. É algo real, que acarta muita responsabilidade e que é diariamente difícil e desafiante. Pequenas coisas que achávamos não valorizar muito, podem por vezes levar-nos aos limites – basta meter um filho nosso ao barulho. Como é que uma “coisa” que que nos dá tantas alegrias e nos pões constantemente de sorriso na cara a soltar umas gargalhadas parvas do nada,  de repente nos faz querer arrancar o cabelo da própria cabeça?

Saímos de casa de manhã para ir trabalhar. Fazer aquilo que somos. Sorrimos para outras mães da pré-escola e pedimos os nossos cafés cheios ou pingados ou como gostamos de tomá-los e sorrimos. Pegamos no carro ou vamos de transportes para o nosso local de trabalho e cruzamo-nos com outras mães com crianças e sorrimos.

A questão é: não estás sozinha. Ouviste? Não. Estás. So – zi – nha.

As outras mães no pré-escolar, no café, nos transportes, no supermercado, nas consultas médicas, em todo o lado que andas e passas podem estar tão cansadas como tu. A questionarem-se sobre a maternidade. E no entanto, a fazer das tripas coração pelos seus filhos.

Então, hoje eu levanto-me para homenagear todas as mães cansadas e no entanto fantásticas na maternidade.

A mãe que sofre de privação de sono.

A mãe que precisa de ser encorajada.

A mãe que trabalha, e trabalha, e trabalha para a sua família e no entanto ninguém dá valor.

A mãe com 3 crianças com menos de 4 anos.

A mãe do recém-nascido que não que comer ou dormir.

A mãe dos adolescentes que fica acordada até tarde à espera que cheguem.

A Ti mãe. Pura e simplesmente Mãe.

A maternidade é uma viagem dos bravos. Sempre foi um acto de bravura criar crianças independentes que esticam os limites, que nos derretem o coração e que amaremos para sempre mesmo quando nos levam à loucura.
Porque é isto que andamos a fazer. Mesmo nos dias mais cansativos.
Tu. A mãe incrível, brava, poderosa, que sofre de privação de sono, fantástica e cool, andas a criar Humanos.

Haverá algo mais importante e gratificante no planeta?

Aliás, quem precisa de dormir, certo?

(Hoje o melhor é pedir logo dois cafés e beber de penalty….)

 

imagem@tumbrl

Por Rachel M. Martin, no blog Findingjoy, publicado por Huffingtonepost

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Querida mãe perfeita dos comentários no FB :

Em primeiro lugar quero agradecer-te por apareceres para nos dizer que tu e os teus anjinhos fofos são tão melhores do que nós, as mães desmazeladas, preguiçosas, indisciplinadas, cujos filhos são insuportáveis e descontrolados.

Quando Deus te criou, deve ter partido o molde.  Nem sempre podemos vislumbrar a perfeição. Os teus comentários típicos de “Os meus filhos nunca fariam isso”, ou “Eu não sei o que isso é” ou “Os meus bebés sempre dormiram a noite toda” ou “Podias ser melhor mãe se…” acrescentam imenso às conversas de mães e realmente são uma inspiração. Obrigada.

Eu só tenho uma pergunta a fazer-te: tens algum problema? Alguma necessidade de diminuir os outros? Achas mesmo que és melhor que as restantes mães?

E já agora gostava de perceber se tens amigos na vida real, ou se a tua vida social se limita a largar bombas no meio de estranhas. Só pergunto porque tens uma sensibilidade social de um camião tir a despistar-se.

Isto pode parecer um choque para ti, mas criticar outras mães quando:

a) Não tratam mal os filhos;

b) Estão a dar o seu melhor;

c) Desabafar, pode ser e, é um pedido de ajuda;

… faz de ti uma idiota. Dar palpites que não ajudam é desnecessário e idiota. Sabias que ser-se idiota é ainda pior do que ser-se uma mãe inexperiente a tentar melhorar e aprender?

Vou só atirar uma para o ar: será que só tens um filho?

Sabias que é possível teres um ou dois filhos que não dão trabalho nenhum e de repente teres um diabo da Tazmania nas mãos?

A comunidade de mães do FB está morta para que sejas presenteada com um filho que te desafie de alguma maneira, só para perceberes o quão desesperante é alguém te apontar o dedo quando estás a fazer o teu melhor.

*Para aquelas mães que lhes “calhou” um terrorista logo à primeira: respect. Aguentem-se, força. Há-de melhorar.

Querida mãe perfeita,

se o teu anjinho amoroso tem menos de 1 anos de idade, pára de fazer comentários. Os bebés não se comparam com crianças de 2 anos ou com crianças mais velhas, quando falamos daquilo que te podem (literalmente) atirar à cara.

Qualquer mãe de 3 ou mais filhos pode explicar-te que há crianças que nascem completamente zens e a sua primeira palavra é Ghandi, e outras rebentam as águas num golpe de Karate e fazem logo xixi para cima da primeira enfermeira que lhes pega ao colo.

Isto é mais complexo do que Natureza Vs Genética: sabes que pareces uma cabra mal-intencionada quando largas as tuas bombas nos comentários dos posts?

Não és interpretada como um ser superior ou óptima mãe, mas sim como mesquinha e idiota. Todos os pais têm dias bons e dias maus. A diferença é que estas a atirar os teus dias bons à cara da mães que estão a ter um mau dia. Essa é que é essa.

Eu só estou a tentar ajudar…” Yeah right. Se quisesses mesmo ajudar ou dar alguma sugestão construtiva, conseguias fazê-lo.

Continua a julgar e a dizer ao mundo o quão maravilhosa és enquanto mãe.

Lembra-te apenas que, na verdade, estás realmente a dar-nos uma lição sobre parentalidade: nós não queremos que os nossos filhos cresçam como tu.

Caso não tenhas filhos faz-nos um favor e esbofeteia-te. Dares palpites baseando-te no que vês na TV, ou baseado na experiência que tens com primos e sobrinhos, ou até nas tuas memórias de infância, é como achares que podes desvendar um crime porque costumas assistir ao CSI.

Todos nós temos as nossas opiniões silenciosas sobre a forma como as outras mães gerem a educação dos seus filhos. Mas as pessoas inteligentes conseguem não opinar, porque, no limite, não sabemos como é a vida destas mãe e não estamos lá todo o santo dia.

A não ser que queiras realmente ajudar positivamente, não cagues sentenças só para te enalteceres.

Isto não é um concurso.
As mães agradecem.

 

Bunmi Laditan, para Scary Mommy
traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®

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És mãe a tempo inteiro? O que é que fazes todo o dia?

Aconteceu-me duas vezes esta semana, e nos dois casos com mulheres. Todas as pessoas deveriam valorizar mais as mães a tempo inteiro mas, especialmente as mulheres, deveriam apoiar-se e proteger-se umas às outras!

Na semana passada, eu estava na farmácia e uma conhecida cumprimentou-me:

-“Olá, Matt! Como estão os miúdos?”
-“Ótimos! Está tudo bem, obrigado.”
“Que bom. E a tua mulher? Já voltou a trabalhar?”
-“Bem, ela trabalha imenso a cuidar da casa e dos miúdos. Mas não vai voltar ao mercado de trabalho, se é isso que queres saber..
“Ahh! Que giro! Isso deve ser bom!”

“Giro? É muito trabalho e muito duro. Compensador? Sim. Giro? Nem sempre.”

Essa parte eu não disse. Só pensei num silêncio presunçoso e subversivamente condescendente.

O próximo incidente ocorreu hoje no café. Tudo começou de forma semelhante; uma conversa amigável sobre como as coisas estão, e que tal os bebés. A conversa rapidamente descarrilou quando a mulher me esmurrou com esta deixa:

“Então a tua mulher vai ficar em casa permanentemente?”
“Permanentemente? Sim…, nos próximos tempos vai ficar em casa com os miúdos, sim…”
“Pois, o meu filho tem 14 anos agora. Mas eu tive uma carreira o tempo todo, também. Eu não consigo  imaginar-me  a ser uma dona de casa. Ficava tão impaciente…. (Riu-se) O que é que uma dona de casa faz o dia todo?”
“Oh, absolutamente tudo. O que Tu fazes o dia todo?”

“… Eu? Er.. Eu trabalho!”
“A minha mulher  nunca pára de trabalhar. Estamos a meio da tarde a beber café. Tenho certeza de que ela gostaria de ter tempo para sentar e beber um chá. É bom ter uma pausa, não é?”

A conversa terminou menos amigável do que começou.

Bem, eu não vou difamar as mulheres que trabalham fora de casa.

Eu entendo que muitas são forçadas a isso porque são mães sozinhas ou porque uma só fonte de rendimento não é suficiente para dar resposta às necessidades financeiras da sua família. Ou simplesmente optaram por trabalhar porque é isso que elas querem fazer. Tudo bem. Eu também entendo que as maiorias das mulheres “no activo” não são rudes, pedantes e presunçosas como estas duas!

Mas agora não estou numa de alinhar os  chakras e fumar um cachimbo da paz. Apetece-me dar um chuto na nossa sociedade materialista e dizer: “Mete os pontos nos is!!”

Esta conversa nem sequer deveria existir.

Não é preciso explicar porque é que é acho de loucos uma pessoa – especialmente  outra mulher (?) – ser tão arrogante para as mães a tempo inteiro.

Será que somos realmente tão superficiais? Será que estamos realmente tão confusos? Será que somos realmente a primeira cultura na história da humanidade a não conseguir entender a glória e a seriedade da maternidade? Os pagãos divinizaram a Maternidade e transformaram-na em uma deusa. Nós fomos noutra direção. Tratamos a maternidade como uma doença ou um obstáculo.

As pessoas que mergulham completamente neste trabalho ingrato e cansativo, mas extremamente importante na educação dos nossos filhos, deviam ser colocadas num pedestal. Devíamos admirá-las como admiramos cientistas que constroem foguetões ou heróis de guerra.

Estas mulheres estão a fazer algo de belo e complicado, desafiador e assustador, doloroso, alegre e essencial.

O que quer que estejam a fazer, estão sempre a fazer alguma coisa, e nossa civilização depende delas para o fazerem bem. Quem mais pode dizer uma coisa dessas? Que outro trabalho acarreta tamanhas consequências?

É verdade…  ser mãe não é um emprego.

Um emprego é uma função que desempenhas numa parte do dia e quando acaba o horário paras e vais para casa.

Tens um salário. Tens sindicatos, benefícios e tempo de descanso. Eu tive muitos empregos. Não é nada de espetacular ou místico. Eu não percebo muito bem porque elevamos a “força de trabalho” a um estado sagrado. De onde veio esta ideia? Do Manifesto Comunista? Ter um emprego é necessário para alguns – é para mim – mas não é libertador nem dá poder. Seja qual for o teu trabalho. És dispensável. És um número. Um cálculo. Um servo
Podes ser substituído, e serás substituído eventualmente.

Estou a ser muito drástico? Não, estou a ser realista.

Se as mães desistissem  do papel de mãe muitas vidas ficariam viradas do avesso (incluindo a minha). Asociedade iria sentir, e muito. As consequências seriam sentidas por gerações. Se elas largassem o emprego como analistas de computador, seriam substituídas em quatro dias e ninguém se importaria. Isto é válido para mim e para ti. Temos liberdade e poder em casa, não no escritório. Mas nós somos autênticos zombies, por isso não nos apercebemos disto.

Sim, a minha mulher é SÓ uma mãe.

SÓ.
A minha mulher SÓ trouxe vidas ao universo, e SÓ forma, molda e cuida dessas vidas.
A minha mulher SÓ gere, dirige e mantém o funcionamento da casa, enquanto trata de crianças que SÓ contam com ela para tudo.
A minha mulher SÓ ensina os nossos gémeos a serem bons seres humanos e, à medida que crescem, SÓ lhes irá ensinar TUDO. Da moral aos costumes, do alfabeto à higiene, da educação à brincadeira, etc.
A minha mulher é SÓ o meu alicerce espiritual e a rocha onde a nossa família se apoia.
A minha mulher é SÓ TUDO para todos.
E a sociedade SÓ iria desmoronar-se se a minha mulher e todas as mães como ela falhassem em qualquer das tarefas que descrevi.

Sim, ela é SÓ uma mãe. O que é algo como olhar para o céu e dizer: “Ah, é SÓ o sol.”

É claro que nem todas as mulheres podem ser mães a tempo inteiro.
Uma coisa é reconhecer isso. Outra bem diferente é pintá-lo como o ideal. Chamá-lo de ideal, é alegar que o ideal seria que as crianças passassem menos tempo com suas mães. Isso é uma loucura. Pura loucura. Isso não é o ideal e nem tão pouco neutro. Quanto mais tempo uma mãe puder passar com seus filhos, melhor. É melhor para eles, melhor para suas almas, melhor para a comunidade, melhor para a humanidade. Ponto final.

Enfim, é provável que as mães a tempo inteiro tenham algum tempo livre.

Mas as pessoas que trabalham fora de casa também têm tempos mortos e livres. Na verdade, há muitos trabalhos que consistem principalmente de tempo de ocio, com pequenas empreitadas de atividade aqui ou ali. De qualquer forma eu não quero entrar  numa discussão sobre quem é “mais ocupado”.

Parece que valorizamos o nosso tempo tão pouco que quantificamos o nosso valor com base no pouco tempo temos. Ou seja, temos idolatrado o “estar ocupado”, e confundindo-o com o que realmente é “importante”.

Podemos estar ocupados sem ser importantes, assim como podemos ser importantes mas não estar ocupados. Eu não sei quem anda mais ocupado e nem me interessa. Não importa! Acho que posso dizer que nenhum de nós é tão ocupado quanto pensamos que somos. De qualquer forma , por mais ocupados que estejamos, será sempre mais do que aquilo que deveríamos estar..

Recebemos um monte de informações equivocadas na nossa cultura. Mas, quando tudo estiver dito e feito, e nossa civilização se desfizer em cinzas, o que mais nos lamentaremos é a forma como tratámos as mães e crianças.

 

Em The Matt Walsh Blog, Twitter: @MattWalshRadio
traduzido e adaptado por Up To Kids®

imagem@joeyfullystated

(Advertência: Este texto não deve ser lido por todas as pessoas! É exclusivo e recomendado só para aquelas que serão, muito provavelmente, as melhores mães do mundo.)

Não, não é verdade que as mães sejam serenas, macias e bucólicas, quase sempre. E que, seja diante do que for, reajam num tom ameno, almofadado e cheio de açúcar, sem sequer gritarem, esbracejarem e esconjurarem todos os descuidos que, sempre que elas são dedicadas e atentas, abundam numa casa. As mães saudáveis têm o direito (milenar!) a esganiçar-se, sim senhora! (Aliás, mães esganiçadas são um património imaterial da Humanidade; como se sabe.) E têm o direito a ameaçar que, um dia, se vão embora e “aí sim, vocês vão ver a falta que vos faço!”. E por mais que não esperem que ninguém as leve a sério, como é óbvio, agradeciam que toda a gente da família ficasse, pelo menos, em… estado de choque (!!!) diante de um grito como esse, em vez de permanecer em silêncio – entre o divertido e  uma atitude do género: “Ela fica tão gira quando está com mau génio!” – como se nada, na gritaria duma mãe, valesse para o que quer que fosse! Aliás, as mães (saudáveis, é claro) estão fartas e saturadas da sua função de mãe nunca ter nem domingos nem feriados! Nem ser considerada para efeitos de reforma, de banco de horas – a reverter em seu favor, aos fins de semana – ou com mais dias de férias, como devia ser!

Afinal, quem é que levanta as crianças, todos os dias, e se dispõe ao papel (maléfico!) de as proibir de dormir mais cinco minutos, e se esgadanha contra os seus dedos papudos que reclamam “mais desenhos animados já!”? E quem é que as apressa a vestir e as obriga a engolir o pequeno almoço, quase sem respirar? E quem é que as intima a lavar os dentes (depressa!), antes de as ameaçar que vão de cuecas para a escola se não descerem (a correr!) para o carro para que, depois de esbracejarem contra o trânsito, irem numa correria deixar a miudagem, que cansa, só de ver? E quem é que deve sofrer de dupla personalidade e, depois dos ataques de nervos  de todas as manhãs, passa da fúria de leoa à maior de todas as ternuras e pespega um beijo inimitável, e dá um sorriso cheio de luz, e abraça, e diz “a mãe ama-te tanto!!!!”, enquanto aconchega os caracóis, e chama “príncipes” e “princesas” a crianças normais e ensonadas?  As mães!

E quem é que sai mais cedo do trabalho e, cidade acima/cidade baixo, anda numa “roda viva” entre a escola, a piscina, o inglês, o futebol e a música, e transforma o porta-bagagens dum automóvel numa parafernália de mochilas, flautas, chuteiras, lanches, touca, toalha e óculos, e ainda tem tempo para as perguntas mais tolas que só as pessoas bondosas conseguem fazer (como, por exemplo: “Como é que correu a escola?” ou “O que foi o almoço”) e – oh canseira! – fica parecida com a Cruela sempre que uma criança responde: “correu bem” ou “não me lembro”?… As mães!

E quem é que, depois do trabalho, barafusta o tempo todo contra os trabalhos de casa mas que, ainda assim, franze a sobrancelha e – com um orgulho mal disfarçado – diz, num tom solene mas, todavia, aconchegado: “Eu não sei como é… Se eu não estiver sempre ali ao pé, ele não faz nada!…”?
As mães?

E quem é que tem a mania de dizer: “O meu filho não gosta de ser contrariado!” para justificar as 200 vezes que se chama uma criança para saltar para o banho, as outras 200 que são precisas para a convencer a deixar os desenhos animados para vir jantar, não esquecendo mais 200 suplementares em que  repete, devagarinho: “Come a sopa!” e acaba a ribombar: “Despachas-te ou não?…” antes de lhe dizer: “Abre lá essa boca, já!” (enquanto despeja as últimas colheres de sopa pelas goelas dum filho)? As mães!

E quem é que, diante do lado mais demagógico duma criança (quando diz “Eu não sei” ou – “à Calimero” – se lamenta: “Eu não faço nada bem feito”) começa devagarinho: “Oh, meu pequenino: não sejas pateta… Vá… A mãe gosta tanto de ti!…” e, quando os interessados esperariam que em direitos adquiridos nunca se mexesse, e insistem só com mais um “não sou capaz” (é só mais um…) acaba a berrar, num tom amigo dos trovões: “Mas onde é que tu tens a cabeça?…” As mães!

E quem é que faz o jantar, e tem a mania de achar que a sopa é importante, e que o peixe torna as crianças inteligentes, e que os vegetais fazem os meninos crescer, e as cenouras tornam os olhos bonitos, e as batatas fritas não prestam, e que a Coca-Cola torna as crianças mais redondinhas, e que o açúcar faz cair os dentes, e não deixa comer bolachas antes do jantar, nem pizza dia sim/dia sim?
As mães!

E quem é que, enquanto apanha os brinquedos que se atropelam pelo chão, mais a roupa que se amontoa na cadeira, mais a outra que se escondeu, (por iniciativa própria, logo se vê…) atrás do armário, e fiscaliza a mochila e os cadernos, e põe a roupa, esticadinha, para o dia que lá vem, e descobre pacotes de leite vazio onde não deviam estar, e embalagens de bolachas que – vá lá saber-se porquê – se refugiam no quarto das crianças, e enquanto arruma tudo, um dia atrás do outro, repete e repete e repete:  “Mas será que tu nunca arrumas nada, é?..”   E quem é que nos seus piores dias de arrumadeira, pergunta, com um desvario quase sindical:  “Mas achas que há empregadas cá em casa, é?…”
As mães!

E quem é que vai à escola e, enquanto conversa com as outras mães sobre os caprichos das crianças (como se fossem toques muito pessoais que a personalidade “muito vincada” de cada uma as leva a ter) se prepara para ser repreendida, por alguns professores, e tem de ouvir: “ Mas… está tudo bem lá por casa?” (sempre que as crianças acham enfadonhas muitas aulas, por exemplo) ou, nas alturas de pior karma, é advertida para a necessidade de dar mais apoio à pequenada “porque eu tenho 28 alunos e não chego para tudo?…” As mães!

E quem é que não perde a compostura e, antes de fingir que deita os olhos para a televisão, enquanto pestaneja, ainda se esparrama na cama e conta histórias e, para se desintoxicar do papel de “chata oficial lá de casa”, sente que aqueles minutos de namoro, antes do sono, são os únicos em que não tem de ser mandona e refilona e tudo o mais que toda a gente espera que só as mães consigam ser e, quando dá conta, adormeceu, mais outra vez, na cama de um dos filhos, e é repreendida (e muito bem…) por esse desvario? As mães, claro.

Mas, afinal, o que é querem mais das mães? Que elas não se esgotem? Que não exijam ter o direito a ser mimadas e, por mais que ninguém diga isso, que queiram, pelo menos, mais um miligrama de amor e outro de carinho do que aqueles que as crianças dão ao pai? E que não sejam vaidosas? E que sejam discretas e se anulem com se o aquilo que mais desejassem é que ninguém desse por elas?

Por isso mesmo, que em relação a tudo o resto seja “ano nova, vida nova”, ainda vá. Mas em relação ao jeito muito especial de todas as mães eu espero é que nada deixe de ser como é. É claro que ninguém tem dúvidas que as mães “estragam” as crianças, sim! Mas que não haja quem ouse imaginar que as queremos doutro modo. Nós – os filhos, os pais e os avós, todos juntos, adoramos – no fundo – que elas sejam assim!

Por Prof. Eduardo Sá, na revista Pais & Filhos, em 9.06.15

imagem@sonhosedevaneios

Desde que sou mãe que aprendo coisas novas a toda a hora. Num único fim-de-semana eu consigo aprender como curar uma ferida, como fazer bonecas de papel ou como fazer uma refeição sem legumes (visíveis).

Partilho convosco 6 coisas que aprendi com a minha filha de 3 anos e que acho que podem facilitar bastante a vida de todos os pais:

1- Verde não é uma boa cor: futebolismos à parte, toda a comida verde é má. A minha filha não pode ver nada verde no prato. Sejam vegetais, fruta, molhos, massas… Bem, se lhe derem um bolo verde ela vai pensar por uns momentos, mas provavelmente vai acabar por dizer que não gosta, mesmo sem provar.

2- Crianças com privação de sono são MESMO do pior: quando a minha filha não dorme bem à noite ou quando ela faz saber a toda a gente que já é uma menina crescida e que não precisa de dormir a sesta, já sei que terei o resto do dia arruinado. Quando isto acontece podem-se preparar para um dia de birras, gritos, corridas loucas e muitos “eu não quero” ou “eu não faço” (pelo menos cá por casa é assim).

3- Viagens em família são um projecto complicado: viajar com uma criança pequena exige uma grande preparação e muitos truques. Quando planeamos algo deste género não nos podemos esquecer de preparar: jogos, brinquedos, brinquedos com sons, brinquedos com luzes, lápis de cor, lápis de cera, papel, papéis coloridos, autocolantes, bonecas, carros, bolas… Ah, e não se esqueçam de levar alguns snacks e que tenham pouco açúcar, porque não vão querer uma criança excitada pelo consumo de açúcar durante toda a viagem.

4- Rotinas são muito importantes: não é novidade que as crianças precisam de dormir e comer a horas. Elas não podem esperar muito tempo e os pais precisam conhecer as necessidades de cada criança. O que eu não sabia, antes de ser mãe, é que algumas crianças se transformam em pequenas feras se não as alimentamos a tempo ou se deixamos a hora de dormir passar. Acreditem, pode ser mais complicado do que parece.

5- Esperar não é uma capacidade infantil: juro que costumava pensar que se eu pedisse a uma criança pequena para se sentar e esperar um minuto ou dois ela o faria. É só um minuto! Não. A minha filha ensinou-me que esperar não é um conceito que crianças de dois ou três anos entendam. Eles estão, quase sempre, com demasiada energia e não conseguem sentar e esperar.

6- Estas pequenas criaturas conseguem ser as criaturas mais amorosas do mundo: na verdade, viver com crianças e ser pai ou mãe é uma experiência incrível e eu tenho aprendido que a vida pode ser mais colorida, mais doce, mais sumarenta, mais divertida e pode ter um significado muito maior quando os mais pequenos estão por perto.

Por Tânia Almeida, para Up To Kids®
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imagem @lemonlimeadventures

As mães são uma classe muito sensível.

Habituam-se a ser mulheres, amigas, conselheiras, orientadores de uma casa que transformaram em lar, confidentes, apaziguadoras, juízes e principalmente mães, e  talvez por isso sejam campeãs a atirar outras mães para o banco das rés no tribunal da maternidade. Porque a mãe é que sabe mas cada uma à sua maneira.

Esta geração de mães, na qual a minha mulher está inserida, é a mais irritante, competitiva e opinativa de todos os tempos. Hoje em dia, quando o tema são os filhos ou maternidade, a margem para fazer conversa sem que alguém se sinta ofendida é muito curta. Tem de se escolher muito bem as palavras usadas e com a quantidade de informação acessível na net (nem sempre fidedigna) e a troca de ideias nas redes sociais e fora delas, não há mãe que resista a não dar palpites sobre educação, maternidade ou amamentação a qualquer mamífero com uma cria ao colo.

Obviamente que não estou a dar novidade nenhuma quando vos digo que num grupo de mães não se pode sugerir que alguém está a fazer algo errado, ou não se pode insinuar que ser mãe a tempo inteiro não é um emprego a sério, nem que o leite adaptado é pior/melhor que leite materno. Não se pode sugerir que ter dois filhos é mais fácil que ter apenas um, e nem pensar em dizer que usar sling é melhor/pior que usar carrinho.

Algumas mães defendem-se com unhas e dentes, outras apenas se manifestam corporalmente – um suspiro mais prolongado, um revirar de olhos ou até um levantar de sobrancelhas. Nem on-line podemos fazer um comentário sem que tenhamos dezenas de mães assustadoras de olhos postos no post (ou comentários menos próprios…)! O melhor mesmo é abstermo-nos de comentar.

Infelizmente, quando também somos pais, é quase impossível não falar sobre o tema, e não estamos, obviamente, imunes a meter o pé pela argola.

A pensar nisto fiz uma pequena lista das coisas que se pode dizer a qualquer mãe sem gerar “fricção”:

  1. Bom dia
  2. São tão giros!
  3. Sim
  4. Deixa estar que eu agarro a porta
  5. Estão tão crescidos!
  6. Estás ótima!
  7. Como é que consegues fazer tudo?
  8. Como achares melhor.
  9. Grátis
  10. Mais vinho?

E é, basicamente, isto. Porque as mães são uma chatas. E ter filhos é uma chatice. O que não quer dizer que não valha a pena.

Aliás, os miúdos são fantásticos. Bem… os meus são fantásticos! Os teus são irritantes e indisciplinados e não sabes educa-los.

Desculpa,

Quero dizer “Estão tão crescidos”
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=Me9yrREXOj4]

 

Baseado e adaptado por Up To Lisbon Kids®
do original 
The Only 8 Things You Can Safely Say to Parents, publicado no Scary Mommy

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Carta de uma mãe aos filhos

Um dia vão perceber o porque desta minha luta contra o tempo…
Crescem de dia para dia sem o meu consentimento.
Assim como vos crescem os pés e os sapatos deixam de servir, cresce o meu amor por vocês, amor desmedido, ilimitado…
Sou egoísta… que egoísmo o meu querer-vos só para mim.
Pergunto-me se estou a fazer um bom trabalho.
Procuro sempre ser melhor – fazer melhor é o maior desafio da minha vida.

Preparar-vos para o mundo.

Dei-vos asas mas estou aqui para vos ensinar a voar, para vou amparar as quedas e serei sempre o ninho onde podem pousar.
Pulem, corram, sonhem, fantasiem, desenhem, pintem, cantem, gritem, brinquem! Brinquem muito, brinquem tanto, tenham uma infância cheia de brincadeiras e aventuras para sempre a recordarem.
Cresçam ao vosso tempo, sem saltar nenhuma fase.
Falem, desabafem comigo. Tentarei dar-vos os melhores conselhos.
Não tenham medo de errar.
Sigam os vossos instintos, mas pensem duas vezes antes de agir. Por vezes é bom agir de impulso mas pode ter consequências, percebem nesta pequena frase a dualidade da vida? O quanto por vezes pode ser complicada? Ter duas escolhas? Que podemos seguir dois caminhos? Espero conseguir ensinar-vos qual o vosso caminho.
Não tenham medo de arriscar, façam o que gostam, escolham o que gostam, descubram a vossa vocação e tenham a profissão dos vossos sonhos, experimentem coisas novas, sempre aprendendo, vivendo, ampliando os vossos limites, transformando o vosso mundo.

Rir é bom, mas chorar por vezes também é.

Não faz mal chorar, não tenham vergonha de chorar, não se fechem em vocês próprios.
Faz mal esconder o que sentimos.
Sorriam muito por favor.
Não posso impedir que tenham problemas, tristezas e decepções, mas desejo que saibam vencê-las para depois valorizar os momentos bons.
Sejam responsáveis, pacientes, bondosos, generosos, sinceros, humildes.
Peçam desculpa se errarem – pedir desculpas e perdoar os outros, às vezes, é difícil, eu sei.
Preservem os bons amigos, não se deixem levar pelos outros – pensem por vocês.
Se caírem, levantem-se e comecem de novo, façam as vossas escolhas e quando elas não forem bem feitas, sejam resilientes e aprendam com os vossos erros.

Confiem em vocês, não desistam. Sejam persistentes.

Façam por serem respeitados e respeitem os outros.
Defendam aquilo que acreditam.
Aprendam a ouvir pontos de vista diferentes.
Observem à vossa voltam.
Valorizem aquilo que têm.
Olhem para as pessoas sempre do mesmo modo, independentemente do sexo, raça, classe ou religião.
Não guardem rancor nem deixem nada por dizer – Atenção, sinceridade e frontalidade é diferente de arrogância e prepotência.
Orgulhem-se dos pequenos feitos que forem conquistando pelo vosso esforço.
Aproveitem a vida, aproveitem tudo o que a vida vos proporciona, mesmo as coisas que são (quase) um dado adquirido, as coisas simples, as coisas pequenas da vida.
Nunca se esqueçam de, primeiro, amar a vocês mesmos.
Sejam amigos um do outro.
Sejam felizes!
Estarei aqui sempre por vocês e para vocês.
Com amor
Mãe

 

Por Vanessa Muchagata, originalmente postado em Crónicas de Uma Grávida acamada,
adaptado por Up To Lisbon Kids®
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