O Raposo, braco alemão de quatro anos, foi recebendo os sinais da chegada de um bebé com grande entusiasmo: mobília nova, objetos estranhos pela casa, cheiros diferentes, muitas visitas, a tutora em casa mais tempo, mais mimo…

A curiosidade levou-o inevitavelmente a explorar todas estas novidades, e um dia roeu a escova nova do bébé. Ficou de castigo fechado na varanda, nunca tinha ficado de castigo. Absorto no pânico, saltou. Saltou de um segundo andar, de uma altura de dez metros. Podia ter morrido; caído de uma altura como aquela deveria ter morrido, mas não. Sofreu um traumatismo craniano e uma hemorragia interna, ficou hospitalizado, passou vários dias a receber tratamentos em casa, e finalmente recuperou.

Com algumas mudanças simples na atitude e na rotina da família (Ver Dogs-and-Babies), o Raposo rapidamente percebeu que tinha sido sempre muito querido pelos seus tutores e que nunca tinha perdido o seu lugar. Poderia ter percebido mais cedo se tivesse sentido que também ele fazia parte da grande mudança.

Já fui acusada, e justamente, de educar os meus filhos como cães, e os meus cães como filhos. Em alguns aspetos, não são tão diferentes assim. Tanto as crianças como os animais de estimação encontram segurança e tranquilidade na definição da sua posição hierárquica, no conhecimento do papel inerente à sua posição na família, e na previsibilidade do quotidiano. Adoram previsibilidade. Sabem onde pertencem, o que se espera deles, e o que podem esperar dos outros. Com esta segurança, encaram confiantes e acima de tudo, calmos, as mudanças que possam surgir.

Hoje, o Raposo é um cão alegre que recuperou a sua paz. Não abandona a guarda do berço por um minuto, e assim continuará: incondicionalmente fiel à sua família que sempre o adorou, e ao seu novo irmão.

imagem@cdn.hu

Sou mãe e encarregada de educação de um menino que é um aluno de ensino especial por força de um diagnóstico de perturbações no espectro do autismo e, evidentemente, aos meus olhos é, e será sempre, um rapaz maravilhoso e surpreendente. (…)

Ler também Vestir a camisola do autismo

Não há verdadeiramente uma escola inclusiva para todos em que todos os alunos aprendem juntos, independentemente das dificuldades e das diferenças que apresentam.

Na prática existem dois pesos e duas medidas numa educação a preto e branco onde o branco é o ensino regular (um branco sujo pelas suas próprias carências) e o preto o ensino especial (educação especial) que se encontra fechado sobre si mesmo e prende as crianças que revelam necessidades educativas especiais a um regime quase único de Currículo Especifico Individual (CEI) que os exclui e discrimina dentro do sistema de ensino e lhes retira as oportunidades não só de adquirir os conhecimentos e capacidades que façam deles os cidadãos futuros que possam pretender ser, e que a nossa sociedade precisa, como lhes concede apenas um mero certificado de frequência escolar impeditivo de obterem as habilitações necessárias para escolher livremente a profissão ou o género de trabalho.

Estamos a perder a oportunidade de educar e formar cidadãos autónomos e capazes de contribuir para a sociedade e estamos a criar as condições para termos no futuro milhares de cidadãos dependentes da solidariedade familiar e social.

O que está a acontecer é uma verdadeira catástrofe social que ninguém quer ver nem ouvir e por isso se mantém oculta na sombra da ignorância. Como se as décadas de desenvolvimento do ensino especial em Portugal ainda não tivessem já revelado o que é preciso fazer.

Em todo o percurso escolar do meu filho sempre me foi sugerido, e até posso dizer que fui pressionada, a aplicar-lhe a medida de CEI mas sempre me recusei fazê-lo, precisamente porque nunca quis que ele ficasse apenas com um certificado de frequência que não lhe permitisse poder escolher o seu próprio caminho.

Talvez tivesse sido mais fácil para ele aplicar-lhe o CEI, mas não me arrependo. Pode ser mais difícil sem o CEI mas está numa sala de ensino regular a conviver com os seus pares, nas matérias em que está matriculado, e está a aprender e a evoluir nas suas capacidades e conhecimentos, ao seu ritmo e com os recursos que lhe são proporcionados. As dificuldades surgem precisamente na evolução das suas capacidades, (as dificuldades naturais por força do seu diagnóstico e as dificuldades provocadas pelo sistema de ensino) já que é obrigado a adquirir todas as competências do currículo comum do ensino regular beneficiando apenas das medidas educativas contempladas no programa educativo individual (PEI), o qual não é respeitado integralmente quanto ao apoio pedagógico personalizado, adequações curriculares individuais, adequações no processo de avaliação e tecnologias de apoio.

Muitos pais não encontram outra alternativa senão autorizar a aplicação da medida do CEI, pelos seus motivos próprios que compreendo, seja por cederem à pressão do sistema educativo, por não acreditarem que os seus filhos consigam evoluir ou por lhes ser evidente que não têm outra possibilidade. Um decisão que acredito que seja muito difícil de tomar e com certeza merecedora de muita ponderação. Grave é que, em muitos casos, essa decisão seja adoptada logo nos primeiros anos de ensino sem que os pais estejam devidamente informados e conscientes das consequências futuras e da dificuldade de reversibilidade da situação. Há muitos casos em que se arrependem mais tarde e depois é muito difícil voltar atrás, senão impossível, trazendo consequências desastrosas para o desenvolvimento dos seus filhos.

Existe outro caminho. Um caminho que permita aos alunos que careçam de ensino especial evoluir nas suas capacidades e conhecimentos, fazer as suas próprias escolhas, sem impor um rótulo único, e lhes permita ter um verdadeiro certificado de habilitações.

Para isso é preciso criar uma medida educativa adicional que permita a adaptação do currículo às necessidades educativas dos/as alunos/as, mais flexível do que a medida «adequações curriculares individuais» mas menos restritiva do que o estabelecimento de um currículo específico individual.

A educação especial não tem de ter apenas uma cor, uma medida… um rótulo. A educação especial deve ser diversificada e adaptada às necessidades de cada criança. (…)

Por isso, termino pedindo que abracem esta causa, que acredito ser digna da maior e melhor atenção, para o bem de todas as crianças que necessitam do apoio do ensino especial, que se encontram excluídos e discriminados no sistema de ensino, e que, por serem mais desfavorecidos, não têm voz para se fazer ouvir, e em ultima análise para o bem de todos.

Sofia Paço, criadora da petição “Pedido de alteração do regime jurídico da educação especial”

Apoie esta causa assinando a petição. Saiba mais e assine aqui.

imagem@shutterstock

 

“João, como autista que é não entende as coisas da mesma maneira que as outras crianças e por isso apenas precisa que as coisas lhe sejam explicadas de forma diferente para entender.
Mas para que esta luta tenha um final feliz é preciso vestir a camisola. Vestir a camisola do Autismo.
Não tenho vergonha e acima de tudo acredito nele e nas suas capacidades. Acredito que é capaz de tudo o que quer. E acima de tudo tenho muito orgulho de todas as suas pequenas e grandes conquistas.
Por isso luto, luto pelos seus direitos. Pode demorar um ano, dois anos, três anos, mas não desisto e não baixo os braços. Por muito cansativo e extenuante que seja, é preciso respeitar os seus direitos, mas acima de tudo respeitá-lo como ser.
Nem sempre é fácil, se é uma luta extenuante para mudar as mentalidades e trabalhar o preconceito e ainda lidar com uma criança autista diariamente.

Mas a verdade é que o que ele tem não é assim tão grave!

Ele apenas tem uma forma diferente de ver e entender as coisas. Apesar de todas estas dificuldades, a verdade, e já disse em post anteriores, é que uma criança autista permite-nos descobrir emoções que, muitas vezes, não sabíamos possíveis de sentir.

Chorei de felicidade na primeira vez que deu um chuto na bola, chorei de felicidade cada vez que acrescentava uma palavra nova ao seu vocabulário num contexto correto, sem ser ecolalia… Emociono-me em cada pequena conquista, em cada beijo, em cada abraço.

Ser mãe de um autista, no meu caso, como mãe do João, é viver intensamente quando me pede para dançar com ele, quando me chama a atenção para não gritar, quando cuida do seu mano assumindo um papel de irmão mais velho.
É verdade que ser mãe de um autista é estar sempre a lutar.
Lutar para que percebam o que é o autismo, lutar para que tenham capacidade de respeitar a sua própria forma de estar, viver, entender e aprender. É viver indignada com as faltas de apoio, com a falta de legislação adequada, de conseguir conciliar trabalho profissional com todas as consultas de acompanhamento necessárias, todas as reuniões de escola que são necessárias para exigir o respeito pelos seus direitos, para que não seja só mais um número. É trabalhar muito, é lutar muito, é chorar muito, mas também rir muito. É tudo vivido com muita intensidade. Mas sou muito feliz e muito, muito orgulhosa por toda a sua força e tudo aquilo que apenas ele me consegue fazer sentir.

Não acredito na teoria de que ter um filho autista é um presente, que só é “dado” a mães consideradas especiais.
Enquanto todas as mães falam da felicidade de ver os seus filhos a darem os primeiros passos, as primeiras palavras, de aprender a comer sozinho… Tudo isto até aos 2/3 anos, a mãe de um autista vê as suas conquistas dia a dia, ao longo de toda a sua vida, para o resto da vida. Mas também vejo o meu filho a fazer e conquistar coisas que todos dizem ser impossíveis. É um orgulho gigante e muito verdadeiro.

Na verdade, ser mãe de um autista é também passar a ver o mundo de uma forma diferente, aprender a ter mais paciência, a ser mais mãe a toda a hora. Permitiu-me também aprender a lidar com meus outros filhos, falo com eles sempre a olhar nos seus olhos, a dar mais atenção aos pormenores, e consigo ver e identificar a felicidade nos olhos de cada um. Aprendi a olhar com os olhos do coração. Tanto para os meus filhos, como para todas as outras crianças, pois todas as crianças são mágicas e as crianças “diferentes” também têm a sua magia. São doces e encantadores.

Não é preciso ter pena, apenas apoio e compreensão. Existe uma infinita felicidade em cada gesto, em cada palavra, em cada olhar do coração. Que todos consigam sentir, viver e ver uma criança autista, como eu consigo ver o meu João por dentro e sentir o seu coração… E acima de tudo que consigam ver o futuro maravilhoso que vejo para o meu menino João autista. Porque esse futuro maravilhoso é possível. Depende de mim, depende de nós, depende de todos!

E hoje choro estupidamente de felicidade, quase histérica por mais esta conquista.”

 

Por Sofia Paço, criadora da petição “Pedido de alteração do regime jurídico da educação especial”

Apoie esta causa assinando a petição. Saiba mais e assine aqui.

imagem@phillymag.com

A saúde e o equilíbrio de um indivíduo estão intimamente ligados ao seu ritmo. Na criança mais ainda,pois está a aprender a entender o mundo e quem estabelece este ritmo, na infância, são os pais ou cuidadores.

Nos primeiros 7 anos de vida, a criança  desenvolve-se muito. Na parte física, por exemplo, ganha muito peso e cresce bastante. Sabemos que durante o sono a criança desenvolve-se ainda mais, então é essencial que durma bastante, de preferência durante a noite.

Hoje em dia, há uma grande dificuldade em alcançar uma rotina natural do DIA e da NOITE como antigamente. As horas de sono, por exemplo, têm diminuído bastante segundo diversos estudos, principalmente depois da chegada da luz elétrica. Agora, com a incidência dos tablets, celulares, televisão etc., nem nem se fala. Toda esta tecnologia de luz tem roubado muita vitalidade, principalmente às crianças, que precisam de muitas horas de sono e também de uma rigorosa rotina na alimentação.

Ler também, O seu filho tem medo de ir dormir sozinho? 8 dicas para ajudar

No caso dos bebés, para um bom funcionamento natural do organismo, eles alimentam-se, digerem, repousam, para depois se alimentarem novamente. Se esta rotina não é bem feita e orientada pelos pais, o processo digestivo fica sobrecarregado, gerando um mal-estar e cólicas no bebê, que por sua vez não consegue adormecer, criando o chamado efeito dominó.

Ler também, Alimentação do bebé | 1º ano de vida

Não é à toa que um bebê bem NUTRIDO é um bebé que tem sua hora de comer e de dormir respeitadas, afinal uma criança com sono e cansada não terá o mesmo prazer em alimentar-se. Da mesma forma, uma criança com fome –ou com uma digestão difícil por estar sobrecarregada– não conseguirá relaxar para um sono tranquilo. Estes fatores devem ser considerados em todas as idades, não só para os bebés.

A criança precisa deste ritmo não só para suas necessidades orgânicas, mas também para suas necessidades emocionais.
Se a criança reconhece que a vida tem um ritmo, que o sol se levanta e se põe, que existem as estações de ano, que o seu aniversário se repete todos os anos na mesma época, terá uma segurança emocional que se deve à previsibilidade.

Ou seja, se a criança sabe que as coisas acontecem e que não tem que gritar, ou de ficar ansiosa para conseguir algo, todo seu entorno caminhará de forma mais harmoniosa, inclusive sua alimentação.

Por Dr. Antônio Carlos de Souza Aranha, para Nutrifilhos

imagem@sorcaba

A infância é uma fase crucial de aquisição de diversas competências motoras, cognitivas e sociais. Competências que permitirão, a seu tempo, inúmeras conquistas pessoais e profissionais.

Neste sentido, a infância é a fase em que os pais devem estar mais atentos a todas as conquistas da criança, conseguindo assim despistar discrepâncias no seu desenvolvimento. É tão simples quanto observá-lo, de forma informada, enquanto brinca, come ou experimenta o ambiente que o rodeia, tendo em conta alguns aspetos que vamos abordar.

A monitorização do desenvolvimento infantil é uma ferramenta chave para identificar se a criança está a adquirir as competências previstas em cada etapa do desenvolvimento. Este controlo, além de permitir a resolução de atrasos identificados, é também tranquilizante para os pais que, observando o seu filho conscienciosamente, vão adquirir um conhecimento aprofundado sobre as suas capacidades.

Para promover um desenvolvimento infantil saudável para o seu filho deve ter em atenção:

  1. Ritmo
    Cada criança tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento. Esse ritmo deve ser respeitado para uma eficiente aquisição de cada competência. Para adquirir competências a criança tem de passar por várias passos – observar/sentir necessidade, imitar/experimentar, realizar e compreender – e em cada passo a criança precisa do seu tempo para o poder ultrapassar, não se podendo saltar ou acelerar o processo.
  1. Sequência
    A criança deve atravessar cada etapa de desenvolvimento segundo uma sequência regular. Isto significa que as fases de desenvolvimento são sequenciais.
    Esta sequência ocorre pela complexidade crescente das ações a realizar, que implicam a aquisição prévia de competências mais simples.
    É difícil conceber que alguém consiga aprender a atar os sapatos sem antes dominar a preensão dos atacadores apenas com o polegar e o indicador.
  1. Dependência vs Autonomia
    Para a criança ter um desenvolvimento saudável tem de vivenciar uma dinâmica de dependência e autonomia. Experimentar a segurança que a resposta dos pais às suas necessidades lhe aporta, sem prejuízo da necessária autonomia que lhe possibilitará explorar, tentar e errar.
    É fundamental encontrar um equilíbrio entre a necessidade da criança de descobrir o mundo que a rodeia e de se sentir segura de que nada de grave lhe acontecerá.
    A pergunta que se deve fazer neste caso é: o risco é demasiado grande ou devo deixar o meu filho correr, explorar e eventualmente ter uma pequena queda?
  1. Estímulos
    O desenvolvimento infantil dá-se à medida que a criança vai crescendo e se vai desenvolvendo de acordo com o meio onde vive e os estímulos que dele recebe. Através destes e da interação com os objetos, com os outros e com o meio, a criança descobre, interpreta e compreende o mundo, ao mesmo tempo que desenvolve as suas capacidades motoras, cognitivas, emocionais e sociais. A criança, ao não ser estimulada ou motivada no devido momento, terá mais dificuldades na aquisição das competências adequadas à sua faixa etária.
  1. Afeto
    Por último, mas da maior importância, é o afeto.
    A qualidade das relações na primeira infância é a base para todo o desenvolvimento da criança enquanto ser humano. São o fundamento para o ser. É assim que a criança ganha confiança e auto-estima e por conseguinte coragem para experimentar o mundo que a rodeia.
    Crianças a quem não é dado um ambiente familiar afetuoso e a quem não seja dado um reforço positivo quando realizam uma tarefa, têm tendência a ser mais tímidas e inseguras. Por outro lado, as crianças a quem é dito “boa, fizeste um bom trabalho” têm tendência a ser confiantes e a enfrentar desafios de forma mais autónoma.

É importante manter-se atento ao desenvolvimento do seu filho, monitorizando-o para que não tenha ansiedades e receios desnecessários.

Pensar em avaliar o desenvolvimento do seu filho pode ser um pouco assustador. Porém, é na avaliação do desenvolvimento infantil que é possível determinar se está tudo a correr dentro da normalidade ou se é preciso ter atenção em relação a algum dos fatores de desenvolvimento.

A avaliação formal pode ser realizada após os pais terem identificado alguma discrepância no desenvolvimento normal da criança ou pode resultar apenas do desejo de que a monitorização do desenvolvimento do seu filho seja feita por um profissional.

Mas convém ter sempre presente que os pequenos atrasos no desenvolvimento, além de poderem não ter significado, podem ser rapidamente corrigidos por uma boa estimulação e um ambiente positivo.

Por Ana Ferreirim Lopes, Psicomotricista na +Eu Desenvolvimento Humano

 

Todos nós sabemos que organização facilita e agiliza o nosso dia-a-dia, o quanto são importantes e essenciais a criação de hábitos e rotinas diárias, para que as crianças tenham uma vida regrada e disciplinada e assim consigam de uma forma mais independente, enfrentar o mundo quando forem adultos.

A organização é uma qualidade que deve ser incutida e realçada nos mais novos e claro, nós pais, temos que dar o exemplo. A probabilidade do seu filho ser organizado é muito maior se você for uma pessoa organizada, até porque eles tendem a copiar o que os pais fazem.

Os pais têm muitas vezes erradamente, a tendência de fazerem certos trabalhos delegados às crianças, até porque muitas vezes não têm paciência para esperar que a criança acabe determinada tarefa, prejudicando assim o desenvolvimento da própria criança.

Para que as crianças aprendam a ser organizadas em casa são necessários dar alguns passos fundamentais.

  • Estabeleça uma rotina diária e siga-a, isto vai criar na criança estabilidade e segurança.
  • Tenha o cantinho de estudo organizado e só com o material de estudo necessário, de maneira a que não haja lugar a distrações. Depois de fazerem os deveres incentive as crianças a prepararem a mochila para dia seguinte e certifique-se que tudo está em ordem (caso sejam pequenos).
  • Tenha as roupas e brinquedos das crianças de fácil acesso, organizadas de uma maneira funcional e prática de modo, a que com o tempo possam ser totalmente autónomas.
  • Sempre que for organizar as roupas e brinquedos peça ajuda às crianças. Explique-lhes que os brinquedos e roupa que estiverem em boas condições são para doar a Instituições e assim fazerem outras crianças felizes. É importante criarem o sentimento de solidariedade desde novos.
  • Ensine à criança a importância do tempo, e incentive-a a aproveitá-lo de uma maneira eficaz e inteligente, explicando-lhe através de exemplos que se o tempo for bem gerido mais tempo há para a diversão e para fazerem o que lhes apetecer.
  • Envolvê-los e incentivá-los nas atividades domésticas é fundamental, para assim, adquirirem um certo grau de responsabilidade e independência, tais como, guardar os brinquedos quando acabar de brincar, começar a fazer a cama, deitar a roupa suja no cesto, em suma pequenas tarefas que devem ser obrigatórias e penalizá-los caso não sejam executadas.
  • Torne as tarefas divertidas, criando jogos e brincadeiras para que os afazeres sejam uma diversão e não uma “chatice”, use a sua criatividade!

Todas estas dicas, regadas com muito amor = crianças felizes e organizadas!

São polícias, cozinheiros, elefantes e piratas, bailarinas, fadas, borboletas e moranguinhos.

São e querem ser tantas coisas, quanto o tamanho da imaginação e dos sonhos o permitir.

No Carnaval, como diz o ditado “ninguém leva a mal”.

É tempo de pequenos e graúdos se mascararem, assumirem diferentes papéis e brincarem!

Como tal, não há melhor altura que esta, para abordarmos um tema, que no fim de contas tem o mesmo peso de diversão e seriedade.

Falamos do Brincar ao Faz de Conta!

Por volta dos dois anos de idade, à medida que a criança se vai tornando autónoma no uso das competências linguísticas, emocionais e relacionais, vai começando a estabelecer associações entre as suas ideias e aquilo que observa em seu redor. Todas estas alterações e aquisições vão reflectir-se na tarefa mais importante da infância, o brincar.

Assim, se até aqui a criança brincava com os objectos, com uma atitude meramente exploratória, sem um objectivo definido ou sem lhes atribuir uma utilidade especifica ou simbolismo, começa agora a demonstrar uma intenção no uso dos objectos, revestindo as brincadeiras de lógica e significado.

A criança observa o mundo em seu redor, imita o que vê, principalmente as interacções entre nós adultos, e replica o que entende das observações que faz , nas suas brincadeiras.

Brincar ao Faz de Conta, possibilita à criança, a construção de um mundo real. Através da reprodução de situações sociais que permitem aos mais pequenos uma maior compreensão do mundo, mas também deles próprios.

A criança usa o seu mundo imaginário, para compreender o mundo real em que vive, através da representação de papéis.

Assim, um dia brincam aos médicos, outro às mães e aos pais e no dia seguinte aos polícias e ladrões.

Não devemos por isso, achar que esta é apenas mais uma fase.

Na verdade, devemos dedicar um tempo diário para comprar um bilhete, entrar no avião e viajar até ao mundo do faz de conta com os nossos filhos.

Devemos estimular estas brincadeiras, sem receios e sem preocupações e viajar até ao mundo do faz de conta.

O importante é não deixar esta fase passar sem nela participar.

E olhe que é mais simples do que imagina!

A sua cozinha pode transformar-se num restaurante ou supermercado, o sofá pode ser um autocarro, os lençóis uma tenda de campismo e uma caixa de sapatos pode ser um computador de última geração.

O brincar ao faz de conta, é uma etapa importantíssima no desenvolvimento da criança. A criança desenvolve a imaginação, a capacidade de planear e de estabelecer objectivos. Aprende a encontrar soluções para diferentes problemas, a definir e interiorizar regras sociais e expressar sentimentos. Estas competências são fundamentais para uma vida autónoma e saudável.

Por isso, vamos lá!

Grandes e pequenos mascarem-se, assumam as princesas ou o super herói que há dentro de vocês e brinquem!

 

imagem@dadlogic

As vivências no contexto familiar e, mais concretamente, o relacionamento com os pais é determinante para as crianças aprenderem a lidar com as emoções.

É no seio familiar que surgem, normalmente, os primeiros conflitos e onde as crianças são colocadas à prova na regulação das suas próprias emoções, para que estas não comandem as suas atitudes, numa desgovernada ultrapassagem de limites.

Muitos pais queixam-se sobre a difícil capacidade dos seus filhos gerirem a frustração, quando não lhes dão aquilo que pretendem, quando não lhes proporcionam uma atividade na hora que desejam ou mesmo quando lhes pedem que interrompam ou terminem aquilo que que lhes está a dar prazer para fazerem uma outra qualquer tarefa que não lhes agrada. O habitual descontrolo vivido em muitas casas é resultado de um processo de aprimoração da inteligência emocional que está ainda em construção. Portanto, ainda que estas situações sejam desagradáveis ou mesmo muito desgastantes, são muito necessárias para ajudar o seu filho a desenvolver as suas habilidades emocionais. Por outras palavras, os conflitos lá em casa são ótimas oportunidades de treino, pelo que não as desperdice!

Ainda que a genética possa ter um palavra nesta questão e os pais com padrões emocionais mais instáveis possam constituir “fator de risco”; a verdade é que pode aproveitar conflitos para ajudar o seu filho a tornar-se um expert emocional! E já desde a primeira infância, uma fase de desenvolvimento marcada pelo aumento da mobilidade e dependência da criança, em que a criança pode ensaiar as suas competências emocionais.

Sempre que os pais se mantêm regulados, firmes e confiantes (transmitindo segurança e clareza nas suas mensagens) ajudam os seus filhos a regular-se em conflitos, com impacto a curto e longo prazo! De forma contrária, quando os adultos reagem de forma brusca ou irritada para com os seus filhos estão a aumentar a probabilidade destes também agirem impulsivamente e apresentarem mais birras do que seria de esperar na sua idade.

Pai e mãe sejam modelos de emoções e reações!

  1. ALERTA VERMELHO: ajude o seu filho a identificar quando está sob o controlo de uma emoção como a zanga ou frustração;
  2. STOP: ajude o seu filho a controlar o primeiro impulso, que pode ir desde um descontrolo verbal (dizer algo sem pensar, gritar) a um descontrolo físico (agredir, partir objetos). Sempre que sentir a “onda” do impulso imagine um grande sinal de STOP e esse é o momento para se distrair de forma a diminuir a intensidade da emoção e aliviar pressão, “baixando a temperatura”!
  3. BAIXAR A TEMPERATURA: ajude o seu filho a regular e acalmar estados emocionais descontrolados: afastar-se um pouco, sentar-se num local confortável e respirar lenta e profundamente; contar de 50 até 0, ouvir uma música que o acalme, caminhar e apanhar um pouco de ar, pensar em algo que gosta de fazer… ou outros recursos internos que funcionem bem em momentos como estes;
  4. NÃO AGIR DE CABEÇA QUENTE: ensine o seu filho a não tomar decisões em momentos de zanga, raiva, irritação ou frustração; pelo contrário, a encontrar soluções, apenas nos momentos em que está calmo e sereno. É preciso existir um intervalo de tempo entre o sentir e o agir;
  5. REFLETIR: sobre as razões que o fizeram perder o controlo do que estava a sentir. Este é um excelente momento, para pais e filhos partilharem aquilo que sentiram no momento em que se iniciou o conflito.

Atenção, vontade e empenho são fundamentais para interromper padrões de comportamento impulsivo e desenvolver boas habilidades na forma como se lida com os conflitos. Agora nunca se esqueça que isto é um trabalho em equipa e começa de cima para baixo. Lembre-se que pode transmitir ensinamentos valiosos, normas e máximas de vida importantíssimas ao seu filho… contudo, ele vai sempre seguir o seu exemplo!

imagem@flickr

A sobrecarga escolar e social das crianças é uma preocupação crescente para os pais e educadores. Dos diversos artigos de especialidade que li, a opinião da maioria dos educadores e psicólogos é unânime: as crianças precisam de menos  brinquedos e mais tempo com os pais, precisam de menos trabalhos de casa e mais tempo de brincadeira, precisam de menos individualismo e mais tempo para sociabilizar com os amigos, menos tempo entre paredes e mais tempo no exterior.

Em primeiro lugar, as crianças precisas de ser crianças.
As crianças precisam de ser felizes para poderem crescer saudáveis e terem capacidade de assimilar uma educação sólida que começa em casa, continua na escola, e passa por todos os hobbies e experiências vividas. As atividades extracurriculares, principalmente quando são escolhidas pela criança, são também extensões desta aprendizagem. Mas não nos prendamos à ideia de que as crianças têm imenso tempo de brincadeira porque têm atividades todos os dias. Essas atividades, e que considero de extrema importância para o desenvolvimento da criança (mais uma vez reforço que parto do principio que a criança gosta e quer realizar a actividade e não lhe é imposta pelos pais) fazem parte de uma rotina associada às obrigações e afazeres. O meu filho adora as suas aulas de teatro, mas quando chega a casa, antes de fazer os TPC quer brincar um bocadinho porque sente que teve o dia todo preenchido com obrigações. De seguida, as tarefas de casa a realizar antes do dia acabar: os banhos, os TPCs, o Jantar, a hora de ir para a cama que já começa a atrasar… Tudo isto causa algum stress nas crianças principalmente quando nós, pais, começamos a ver a rotina a descarrilar e, inconscientemente, pressionamos (nem sempre da melhor forma), os nossos filhos a viverem num ritmo que não é aconselhável para a idade.

Depois, quando temos tempo, muitas vezes, queremos que os miúdos se entretenham com gadgets ou televisão (porque de outra forma estão aborrecidos) para podermos, também nós, fazer qualquer coisa que andamos a adiar há tempo demais, nem que seja relaxar cinco minutos! E que exemplo transmitimos aos nossos filhos? Será que com tanta obrigação estamos a criar reféns de uma educação programada e dependente dessas rotinas? Ou saberão os nossos filhos fazer uma pausa e usufruir dos pequenos prazeres do dia a dia?

O famoso psiquiatra brasileiro Augusto Cury, que lançou recentemente uma versão do  livro Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século, numa conversa sobre os desafios de se criar filhos hoje em dia, não poupou críticas à forma como a família e a escola têm educado os miúdos.

Deixo-vos os 8 pontos essenciais assinalados pelo especialista:

«Excesso de estímulos
“Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema ‘bateu, levou’, e a desenvolver altruísmo e generosidade.”

Geração triste
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.”

Dor compartilhada
“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações.”

Intimidade
“Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais.”

Mais brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”

Parabéns!
“Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.”

Ler também O pricípio da Caneta verde

Conselho final para os pais
“Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?”  »- Liliane Prata, em M de Mulher – 

imagem@psychone

Noite de sexta-feira, por volta das 21h30. Antes de ir para a cama, a pequena de 5 anos avisa-me solenemente: “Mãe, amanhã quero acordar muito cedo.

Sabendo que não havia nenhuma razão de força maior para acordar muito cedo num Sábado de manhã (não íamos para lado nenhum), perguntei: “Porque, filha?

E a resposta veio com ainda mais seriedade: “Porque não quero chegar atrasada!“.

Não consegui esconder o sorriso. Pensei… isto dava mais jeito se fosse nos dias da semana (nem que de propósito, pois tínhamos passado os dias da semana atrás dela para se despachar a horas com estratégias de todos os tipos, sem grandes sucessos).

Mas explicou-me com muita responsabilidade, que ela não queria chegar atrasada para um encontro com uma amiguinha que vai ter no próximo dia a tarde e para qual estava muito ansiosa. D’ai ter que acordar bem cedo para estar pronta.

E percebi que, afinal, as estratégias tinham, de facto, resultado.
Quando parece que não resulta, resulta

Ela sabe que deve acordar mais cedo se quer chegar a horas. E aplica quando ela considera melhor. Não quando eu quero.

imagem@wallpapper.criançafeliz