Afinal as mães não envelhecem

Escrevemos muito sobre os filhos, sobre os sentimentos que temos por eles e o que significa para nós ter aqueles dois olhinhos pequeninos ali, primeiro ao nível das nossas pernas, depois da cintura, depois do peito, e sempre a subir… olhos tão curiosos e brilhantes, bonitos, risonhos, e desdobramos-nos em mil temas sobre a responsabilidade de os ensinar a viver, de os fazer crescer até que se tornem adultos, completos, felizes, enfim, futuros cidadãos que criamos com enlevo e com a esperança de que queiram bem aos outros, e que nos queiram sempre bem, a nós.
E escrevemos muito sobre nós, e o que é ser mãe, a gravidez e o parto, a complexa metamorfose do corpo, o peito que descaiu, o casamento que esfriou, o trabalho que se empina na secretária, a vida de todos os dias envolta em mil tarefas domésticas chatas e rotineiras, e o que isto nos custa a cumprir.
E como custa!

Mas hoje faço diferente.
Hoje decido afastar-me de mim, da minha filha, da minha maternidade e dos meus pequenos tormentos diários, e encosto o meu corpo ao corpo da minha mãe, para lhe sentir o calor, a vida pulsada que me envolveu e me criou, e que me ajuda todos os dias, na difícil tarefa de me manter à tona como mulher e como mãe, mas sobretudo que nunca me abandona como filha.

A minha mãe fez 61 anos.
É praticamente impossível acreditar que a nossa mãe faça anos, quanto mais 61.

Quando eu era só filha, ouvia muito dizer que para as mães os filhos nunca crescem.
É uma tremenda injustiça pensar nisto unilateralmente, já que eu, como filha, também creio que a minha mãe nunca envelhece.
Parece-me que para ambos, mães e filhos, houve um momento lá atrás que ficou cristalizado no tempo. Houve ali um segundo em que o tempo das mães e dos filhos parou, exatamente no mesmo momento.
E para ali ficaram os dois, para sempre.
Para mim, a minha mãe está lá atrás, naquele tempo, e quando a procuro, vou ainda ao encontro duma mãe muito alegre, que me abria tomates com sal, e segurava sedutora o seu cigarro pequenino com mãos sapudas, mesmo que por estes dias a encontre pachorrenta, com uma mão segurando uma cara redonda e com a outra fazendo festas num gato, tão lânguido como ela.
Continuo no entanto sorvendo dela os ensinamentos de outros tempos, agora com mais atenção, com mais cuidado, mas gosto de pensar que tenho a mãe que sempre tive, e que tenho a mesma mãe de sempre.
A minha mãe não envelhece e não está velha. Coleciona os anos, as vivências, as durezas da vida, mas é ela, aquela mãe.
Outros há, que ilusionados pela torpeza da maternidade vêm dizer que só quando uma mulher se torna mãe é que descobre e entende, finalmente, a importância da sua própria mãe.
Discordo.
Esta descoberta, que muitos atribuem erradamente à maternidade, é feita ao longo de toda a vida com o apurar e o afinar dos ensinamentos filiais, que desde criança fomos sorvendo.
Creio que a maior descoberta de uma mulher não é a maternidade, mas sim a descoberta do amor filial que consegue sentir pelos outros, que consegue dar aos outros, filhos ou não, e que sem se aperceber aprendeu com a sua mãe.
É no fundo a mãe que nos ensina como amar.
E ninguém ensina como ela.

Percebo porque escrevemos tanto sobre os filhos, e sobre nós.
Uma vida inteira não chegaria para (des)escrever as palavras minha-mãe, o que me fez a mim, o que fez por mim.
De todas as vezes que me senti na escuridão (da imaturidade), na loucura (da idade), no desespero (do amor), no desconhecido (da maternidade), e na incerteza (da vida), foi ela que me deu as ferramentas para que eu conseguisse abrir as minhas janelas, e muitas das vezes abriu-as ela por mim.
Crescemos juntas, as duas, a minha mãe e eu.
Somos as duas da mesma idade, porque somos só uma.
Lá atrás naquele tempo.

Quem é ela?

Sou eu.

 

imagem capa@iheartinspiration.com/

É sabido que, quando se fala de assuntos relacionados com a maternidade e parentalidade há sempre opiniões divergentes relativas às opções de cada mãe/pai.

Há quem defenda a amamentação até aos 523 meses, há quem opte por amamentar até aos 6 meses, e há quem opte por não amamentar. Há quem queira amamentar e não pode ou não consegue.

Há quem dê colo a vida toda, outros defendem que não se deve dar colo.

Há quem deixe os bebés a chorar até “aprenderem” a dormir sozinhos, há adeptos do co-sleeping.

Há mães que optam por ficar em casa com os miúdos. Há mães que não estão para ai viradas. Há mães que queriam ficar em casa e não podem.

Há quem diga que “uma palmada na hora certa nunca fez mal a ninguém!”, há (cada vez mais) pais contra a palmada, considerando ser um ato de violência física e emocional para as crianças.

Poderíamos continuar a listar as 1001 diferenças entre pais e mães de todo o mundo, mas no fim, o que todos queremos é o bem estar dos nossos filhos. E apesar das diferenças, os Pais, são um dos grupos mais compreensivos e consequentemente cooperantes quando se trata do bem estar dos nossos filhos, ou dos filhos alheio!

Porque, independentemente das opções dos pais, uma criança é sempre uma criança.
E independentemente das nossas opções, em primeiro lugar somos pais!

 

 

10 coisas que TODOS os homens devem saber Quando a mulher se torna mãe

Quando se sai do hospital com um bebé nos braços, todos os pais de primeira viagem tentam encontrar nalgum lugar, o manual de instruções para saber manusear o bebé só que, infelizmente, esse manual tão desejado não existe.
Enquanto o manual de instruções do bebé é algo procurado desde o primeiro minuto de existência da criança, um manual de instruções para o pai aprender a lidar com a “nova” mulher, está longe de ser habitualmente solicitado… Até um determinado momento.

Quando nasce um bebé, nasce também uma nova mulher. Temos que reconhecer, nunca mais seremos as mesmas! Tudo muda e os nossos maridos geralmente ficam perdidos no meio de tanta mudança.

A pensar nisso, resolvi fazer uma lista de 10 coisas que todos os maridos devem saber depois que a sua mulher se torna mãe:

1. A mulher sente-se feia.
Há tantos sentimentos em conflito sobre a forma como a mulher se sente naquele momento com o seu corpo, que nenhum homem imagina.
Por um lado, a mulher realmente acredita que é uma das criaturas mais incríveis do mundo porque gerou um ser humano, mas por outro lado, sente-se muito mal com o resultado de tudo isso. Complexos, eu sei!
A barriga (uma das partes do corpo que a mulher mais preza) foi esticada e só Deus sabe como não rebentou. Se ganhou estrias então, o caso fica mais grave. Ganhou peso, coisa que mulher nenhuma gosta, e provavelmente, na reta final da gravidez, inchou e ganhou algumas manchas na cara. Qual é a mulher que gosta de se sentir marcada e inchada?
O peito é relativo: há mulheres que amam ter ficado com mais peito (as que tinham pouco) e há outras que ainda levam com uma sobrecarga de peso na coluna, pois já eram avantajadas antes de engravidar.
Ou seja, parte física deste processo, muito subtilmente aqui apresentado, é de deixar qualquer mulher deitada numa cama a chorar durante algum tempo.
O que o pai pode fazer
Nunca deixar de elogiar a sua mulher, no entanto sem grandes exageros, pois muito provavelmente a sua mulher não é cega e sabe bem o que está a acontecer com o seu corpo.
Quando a elogiar, olhe-a olhos. Toque nela, mas toque com carinho. Nunca deixe de olhar de frente para ela. Quando lhe perguntar algo sobre o seu corpo, responda a verdade. Se ela tiver acima do peso, diga-lhe que ela logo irá voltar ao normal. Que o seu corpo está assim porque ela lhe deu o maior presente que poderia ter dado, e que isso, nesse momento não interessa para nada.

2. A mulher está obcecada pelo bebê
É só isso.
No inicio a mulher está a assimilar tudo o que está a acontecer à sua volta e a adaptar-se a esta nova realidade com um bebé em casa. É provável que tenha umas breves crises de choro (o famoso baby blues) pelas mudanças irreversíveis que a sua vida sofreu. A mãe, está agora completamente obcecada pelo bebé pois vive em função das suas necessidades.
Nos intervalos entre mudar fraldas e alimentar o bebé, a mãe só vai querer ficar a olhar para ele e a tirar fotos e postar nas redes sociais. Tudo gira literalmente em torno do BEBÉ!
O que o pai pode fazer
Esperar pacientemente que essa fase passe. Essa obsessão faz parte de todo o processo de adaptação. É também o instinto materno a gozar a cria. Simplesmente não se consegue controlar.

3. A mulher está com medo
É tudo novidade, como já se sabe, mas muitas vezes para a mãe é assustador lidar com tanta coisa. Neste momento, a coisa mais importante é “não errar”, e muitas vezes aquilo em que a mulher acredita fica seriamente comprometido pelos palpites alheios.
É como uma prova de exame.
A mulher ficou nove meses a preparar-se e a estudar, e agora chegou a hora da verdade: está a ser avaliada por ela mesma, antes de tudo e todos e cobra-se o tempo todo. Permitir-se a errar está fora de questão. Para ajudar à festa,toda a gente dá palpites, o que pode ser bom, mas é MUITO sufocante. Principalmente quando se trata de pessoas com que se tenha uma relação delicada (geralmente a sogra). A presença das pessoas de certa forma a intimida e  deixa mais stressada,
O que o pai pode fazer
Dizer-lhe que isso é tudo hormonal, não vai ajudar nada… aliás, vai piorar! Não seja mais uma pessoa a analisar, cobrar e julgar. Saiba que a sua mulher está a dar o melhor que pode e sabe e precisa de todo o seu apoio, carinho e compreensão. Vocês são uma equipa!
Se não perceber nada daquilo que se passa, e achar tudo uma loucura, lembre-se que faz parte e vai passar.
Transmita-lhe confiança. Diga-lhe que errar é normal, e que o importante é estarem juntos nesta aventura e que tem a certeza que ela é a melhor mãe que poderia ter escolhido para os seus filhos. E não se esqueça, diga isso sempre olhos nos olhos (como nos brindes, ou…) e sempre que puder toque nela com carinho. Um abraço e uma boa conversa ajudam bastante.

4. A mulher está sempre na defensiva
Imagine como está a cabeça desta mulher. Todo a gente tem um palpite a dar. A mãe acha que deve recomeçar já a trabalhar, a sua tia acha que não está amamentar em condições, a amiga que teve filho 5 semanas antes está sempre a querer dar uma opinião porque está um “nível” mais a frente, a  sogra a quer ser também mãe do bebé… não é nada fácil e a defesa é ficar na defensiva.
O que o pai pode fazer
Ficar sempre ao lado da sua mulher é o melhor a fazer. Quando ela tiver calma, subtilmente mostre que estão a tentar ajuda-la e que não precisa estar tanto na defensiva, mas faça isso quando o terreno estiver seguro.

5. A mulher não pode zangar-se com o bebé.
Logicamente, a nova mãe sabe que o grande culpado por ela não dormir, não se arranjar, não conseguir sequer sociabilizar, é o bebé, mas não vai descarregar nele a raiva. Ele é apenas um bebé e a mãe sabe disso! Quem está mais próximo costuma pagar por tudo e por nada.
O que o pai pode fazer
Infelizmente o conselho que tenho a dar não é algo que o vá agradar muito, mas é o único que sei que vai funcionar de verdade. Seja um saco de pancada, pelo seu filho e pela sanidade mental da sua mulher. Essa fase também passa. Tente fazer mais exercício para libertar o stress acumulado!

6. A mulher não tem nada para vestir.
Este ponto é mais frustração que tristeza. A mulher estava farta de vestir roupas de gravida, que geralmente não costuma ter muita variedade e tira aquele glamour feminino. Acaba de ter bebé e nem as suas roupas de antes da gravidez lhe ficam bem. Nada lhe serve. E para piorar, ela recusa-se a comprar roupa pois na sua cabeça, mais dia menos dia vai voltar ao normal.
O que o pai pode fazer
De fato, não tem muito a fazer. Elogia-la como mãe talvez desvie a atenção do guarda roupa. Estimule-a a fazer uma boa alimentação, a tomar muita água e a amamentar o bebé(se tiver leite e conseguir), pois a amamentação ajuda a emagrecer mais rápido.

7. A mulher precisa de proteção.
As mulheres querem sempre que os seus homens sejam os seus protetores, mas acho que essa necessidade vai muito além quando ela se torna mãe. A mulher precisa que você seja a barreira entre ela e o mundo exterior.
Se não estiver disposta a receber convidados, ela precisa que seja você a negar essa visita por exemplo. Coisas que antes resolvia, neste momento o pai tem de se chegar à frente.
O que o pai pode fazer
Para o caso de acontecer algum imprevisto que a deixe mais tensa, o ideal é decorar e repetir sempre que for preciso:
Deixa que eu resolvo, querida!

8. A mulher precisa de permissão para descansar.
A maioria das mulheres vai para a maternidade a acreditar que pode fazer tudo. Que todas as outras mães com casas sujas e bebés histéricos estavam a fazer qualquer coisa errada.
O complexo super-mulher-mãe leva ao esgotamento muito rápido. E o pior é que a maioria das mães se recusa a admitir que chegou ao limite.
O que o pai pode fazer
“Dê-lhe permissão” para que a sua mulher descanse. Saliente que ela precisa de dormir uma sesta ou assistir um pouco televisão para relaxar sempre que o bebé dormir. Se ela tentar argumentar, lembre-a de que você a está simplesmente a protegê-la… de si mesma.

9. A mulher precisa que lhe perguntem se ela precisa de alguma coisa.
Eu já fui mãe e reconheço a importancia disso. As pessoas podem ter tido experiências com outras mães e tal, mas cada mãe tem o seu ritmo e jeito de ser, e ela gostará mais se lhe perguntarem do que ela realmente está a precisar do que invadam a sua vida sem perguntar.

10. A mulher ainda te ama.
Adora ver que você também se tornou pai. Ela adora ouvir da sua boca como esse novo ser humano está mudando você. Ela adora que este pequeno ser humano tenha as suas orelhas e pés. Pode não parecer lógico, mas cada vez que você se relacionar com aquele bebé, estará a ligar-se cada vez mais a ela. Ver você se transformar num Pai na primeira fila do filme da vida dela, não tem preço e acredite, em 6-8 semanas as coisas começam a melhorar.

 

 

No dia em que te vi pela primeira vez eu ainda não sabia que ia passar noites a aninhar-te nos meus braços a sussurrar-te ao ouvido “o papão foi embora”… Nem que, por fim quando adormecesses, apesar de fatigada, eu ia continuar a vigiar o teu sono para garantir que afugentava esse monstro que nasce do escuro para assustar os bebés pequeninos…

Eu ainda não sabia que ia chorar mais do que tu no dia em que te deixasse pela primeira vez no berçário, por não poder continuar a ser eu a acordar-te da sesta com mimos de mãe e papas morninhas, como tu tanto gostavas e eu tão bem sabia fazer…

No dia em que te vi pela primeira vez eu ainda não sabia o quanto custava ver-te febril, com cólicas ou com qualquer outro mal-estar que eu não pudesse transferir para mim, para te poupar a ti das tuas primeiras dores do mundo…

Nem como seria o desespero por deixar de te ver por um segundo no supermercado, nem que esta sensação apenas se dissiparia quando eu te visse ao colo do teu pai ou mesmo atrás de mim, meu docinho, que o medo de te perder é capaz de cegar uma mãe…

Eu ainda não sabia que viria a sentir uma vontade secreta de dar um beliscão àquele miúdo da tua sala que te mordeu e puxou o cabelo, deixando-te a chorar e com medo de voltar à escola no dia seguinte…

Eu desconhecia que a cada queda que desses seriam também os meus joelhos a ficar esfolados.

Eu desconhecia que por cada vez que me falasses acerca dos teus medos, também o meu coração ficaria pesado com receios e inseguranças por não poder ser eu a enfrentar por ti tudo de mau que a vida traz…

Eu ainda não sabia nada disto no dia em que te vi pela primeira vez.

Tal como agora também ainda não sei o que está para vir.

Mas desde o primeiro dia que te vi eu soube que, para o bem e para o mal,  irei estar sempre ao teu lado para te dar a mão cada vez que a vida não seja tão justa como deveria ser.

Que por ti vou afugentar todos os monstros que surjam da escuridão, vou chorar ao teu lado sempre que sentires uma ponta de tristeza, vou suportar todos os apertos que o meu coração de mãe sentir, vou esfolar os meus joelhos e o meu coração também… Porque tu estás em primeiro lugar e não há ninguém no mundo inteiro que seja tão especial para mim como tu és.

Hoje e sempre.

Coração da minha vida.

Dedicado a cada um dos corações da minha vida, para quem todos os dias olho como se fosse a primeira vez.

2014 chegou ao fim, e a Up To Lisboa Kids quer agradecer a todos os leitores por terem feito parte desta nossa aventura. Obrigada por nos lerem lido, seguido e partilhado. Obrigada por gostarem de nós. <3

Em 2015 continue connosco. Saia mais. Veja mais espetáculos. Leve os miúdos a workshops. Não perca uma exposição. Siga os programas gratuitos. Participe nos nossos passatempos. Desça um escorrega. Aplauda uma peça de pé. Vá a um concerto infantil. Passeie de elétrico. Suba ao Padrão dos descobrimentos. Perca-se em Alfama. Vá ao Planetário ao Domingo de manhã. Ande de bicicleta na promenade de Belém. Coma um pastel. Façam pizzas ao almoço. Compre mais livros. Observe as boas ilustrações. Vá ouvir um conto. Ou vá ver uma curta. Descuide a rotina. Seja espontâneo. Vá a uma exposição de banda desenhada. Dê pão aos peixes no lago à frente do Aquário Vasco da Gama. Vá a um bailado. Coma castanhas na rua. Uma fartura nos carrosséis. Grite numa peça de improviso. Salte no parque. Veja um clássico na Cinemateca Júnior. Continue connosco. Estas são apenas algumas das sugestões que irá encontrar nas nossas páginas. Inspire-se nos nossos artigos. E se gostar partilhe. Nós agradecemos.

Os nossos números e os mais lidos

Em 2014 tivemos 2 milhões e meio de visitas, ao longo de 491 posts. O post mais visto foi publicado no dia 25 Fev’14 e teve 79,349 visualizações.

Fomos lidos em 196 países do mundo, sendo Portugal o grande líder das nossas audiências, seguido pelo Brasil, Uk, Angola, Moçambique, EUA, Austrália, etc.

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Fomos convidados para ir à TV duas vezes. E fomos.

Construímos ligações, criamos parcerias, fizemos amizades.

O post mais visto teve 281,112 visualizações, e caso lhe tenha escapado ou queira reler algum artigo fica aqui a lista dos mais lidos em 2014:

7 atitudes dos pais que irão impedir os seus filhos de se tornarem lideres

Carta de um pai para a sua filha

A verdade sobre ter um terceiro filho

Se, antes de ter filhos, eu soubesse…

Carta às mães mais que perfeitas

A influência dos elogios no desempenho das crianças

7 segredos para criar crianças mais felizes

És definitivamente uma mãe quando

O que deve saber uma crianças de 4 anos

Quando eu tinha 7 anos a minha mãe esperava-me sempre ao final do dia no portão da escola. Duas vezes por semana íamos a pé até à baixa para eu ter aulas de solfejo. Nesses dias ela esperava-me com um copo de leite morno com chocolate que me dava energia para a caminhada. Ainda hoje quando bebo leite com chocolate àquela temperatura fecho os olhos e recordo-me da mão da minha mãe na minha pelas ruas da cidade…

No verão, quando as férias chegavam, íamos sempre em família dar uma volta à feira de Santiago e quando voltávamos a casa, eu estava tão cansada que mal conseguia manter os olhos abertos. Nessa altura, a minha mãe deitava-me na cama, vestia-me o pijama e passava uma esponja húmida sobre os meus pés empoeirados antes de me dar um beijo de boa noite. E eu achava que aquela esponja só podia ser mágica para me fazer sentir tão bem.

No tempo frio a minha mãe aconchegava-me à cama para se certificar que só a minha cabeça ficava a descoberto. E então levantava o colchão de lado e em baixo para melhor prender os lençóis e os cobertores enquanto eu me imaginava num barco no meio de uma tempestade em alto mar.

ARTIGO RELACIONADO | AMOR DE MÃE

E disso também nunca mais me esqueci.

Olhei para ti enquanto brincavas. Tentei recordar-me de mim própria quando tinha a tua idade e todas as memórias me levaram à minha mãe. A minha mãe era uma boa mãe. Talvez na altura eu não tenha tido a capacidade para perceber o alcance destes pequenos gestos mas hoje, a esta distância, sei ver tão bem o quanto ela me amou a vida toda e que estes eram gestos de amor maiores que o tempo que me separa deles.

Gestos de amor que guardarei para sempre no meu coração.

Olhei para ti enquanto brincavas, e perguntei-me que gestos de amor meus levarás para a vida. Serão feitos de sabor a chocolate, do toque de uma esponja ou do aconchego de uma cama? Olhas para mim e eu sorrio. Devolves-me o sorriso e continuas a brincar. Não sei que memórias guardarás dos teus 7 anos, da tua infância ou da tua mãe.

Mas como sei que este meu sorriso embevecido nunca seria capaz de disfarçar o amor que sinto por ti, tenho a certeza que pelo menos esse levarás contigo. Bem guardado na memória do teu coração.

imagem capa@dengodefeen

Quando somos crianças há frases que não suportamos ouvir.

Frases que já ouvimos tantas vezes que nos provocam aquele arrepio da espinha, em forma de “acabou a conversa”. São lugares comuns a que nós já nos habituamos e não surtem qualquer efeito a nível do nosso comportamento ou desempenho futuro. Uma espécie de “enche chouriços” de diálogos perdidos entre pais e filhos.

Frases que nos cansamos de ouvir, e que sabemos e juramos que nunca iremos dizer aos nossos filhos.

Até que nos tornamos pais. E sem percebermos porquê, ou que raio de circuito interno é que nos faz isto, mas quando damos por nós, abrimos a boca e sai um dos nossos pais (às vezes até os dois e em coro!)

E nesse momento apercebemo-nos que nos tornámos oficialmente nos nossos pais!

Estas são 12 das frases que jurei nunca dizer aos meus filhos. E vocês?

1. Eu também não gosto de muita coisa e tenho de aguentar…

Esta é uma frase clássica de resposta aos filhos e que funciona com desabafo silencioso de insatisfação pessoal. É aplicada em diversas situações – uma espécie do “Temos pena” da atualidade.-“Mãe, não goto das batatas” –Eu também não gosto de muita coisa e tenho de aguentar… (enquanto como os restos dos pratos, porque não me posso dar ao luxo de deitar comida fora)
-“Mãe, não gosto da professora.” –Eu também não gosto de muita coisa e tenho de aguentar…( o meu emprego, o meu patrão, o colega que come cebola frita a meio da manhã, porque não me posso dar ao luxo de ficar desempregada)

2. Não vou dizer outra vez!

Esta funciona apenas de reforço. Dizemos sempre mais uma vez, e normalmente logo de seguida:
“Jantar!! Vamos jantaaaaar!!! Não vou dizer outra vez; “todos para a mesa imediatamente! … Lavar as mãos e jantar!”

3. Queres vir por uma orelha?

Normalmente quando dizemos isto já estamos mesmo com a mão na orelha da criança, que vem naquela posição de cabeça de lado para não doer tanto, e vai andando ao nosso ritmo, sem sequer chegar a haver efectivamente puxão doloroso da dita!

4. Queres que te dê uma razão para chorar a sério?

É o mesmo que “Estás aqui estás a apanhar”. Aplica-se sempre que há birras ou choro fácil. É o remédio santo para as lágrimas de crocodilo. “se queres chorar, choras com vontade” (…e já agora no quarto sff)!

5. Só tenho duas mãos!!

As mães aguentam muita coisa e conseguem desdobrar-se em tarefas, mas há situações que são humanamente impossíveis! O jantar está ao lume e estou a dar banho ao do meio que atrasa com histórias intermináveis sobre o que aconteceu na escola, o mais velho está a fazer os trabalhos da escola e vou espreitando para ver se não se distraiu a brincar, e de repente ouço: “Já fiz cócooooóóóóóó!!!, Já fiz cóc….” Aqui impõe-se:JÁ VOU, SÓ TENHO DUAS MÃOS”

6. O teu mal é sono!

Frase aniquiladora de choro fácil, birras, caprichos e desejos. Quem nunca disse que atire a primeira pedra.

7. Não andes descalça! Tira o cabelo da cara…! Veste o casaco! Não roas as unhas! …blá, blá, blá

Pffff, coisas com que eu NUNCA iria embirrar com os meus filhos…

8. Acabou a conversa / Nem mais um pio!

O cansaço dos pais faz com que muitas vezes já não tenham quaisquer respostas válidas nos universo infantil, para as consecutivas perguntas/respostas das crianças. Os diálogos tornam-se exaustivos e saturantes. E quando os filhos não aceitam as nossas decisões, têm uma capacidade de argumentar horas a fio. Ao que temos de terminar a conversa rapidamente, e já não queremos ouvir sequer mais um “mas”. É aqui que, no desespero, nos sai o “Nem mais um pio!”,… e qual é a criança que resiste a não dizer “Pio” a seguir?

9. Se ele saltar para um poço, também saltas?

Quando os nossos filhos insistem em fazer todas as tontices que os amigos fazem…

10. Com tantas crianças a morrer à fome…

Não funcionava comigo e não funciona com os meus filhos: então porque raio me continua a sair esta frase?

11. Porque sim/não não é resposta”

Details please! Não nos cortem a curiosidade com um porque sim/não. Nós queremos saber o que vos vai na cabeça para podermos ajudar. E um porque sim, não nos adianta nada!

12. Porque sim, ou porque eu digo!

Claro que é resposta. Eu sou a mãe e eu é que mando!

 

Por Up To Kids®, com frases enviadas por várias mães, redigido por Madalena Brandão

Peço desculpa.

Para o homem por quem me apaixonei nos tempos em que não tinha preocupações, para os meus filhos que tornam a vida mais colorida, para a minha família que faz com que tudo seja mais fácil e fluido com o seu apoio incansável, e para os meus amigos que descurei há tempo demais, eu peço desculpa.

Peço desculpa por ter gritado.

Peço desculpa por ser rabugenta.

Peço desculpa por não ser tão divertida como já fui.

Peço desculpa por chorar.

Peço desculpa por nem sempre conseguir ver o lado bom.

Peço desculpa por não rir como costumava fazer.

Às vezes depois de trocar um milhão de fraldas e de ficar acordada toda a noite preocupada com um dos meus filhos; às vezes depois de ficar sem Tylenol e me esquecer de uma consulta médica; às vezes depois de não conseguir convencer o meu filho de 2 anos a comer a sopa ou o bebé a parar de chorar; às vezes, depois de responder 17000 vezes a “porquês” naquele dia que estou com uma enxaqueca gigante – às vezes é difícil ver o lado bom das coisas e é difícil ter uma perspectiva racional da nossa vida.

Eu não quero inventar desculpas para nada. Os meus filhos têm meses e 2 anos. Eu já nem sequer sou uma mãe recente. Mas sou uma mãe de duas crianças muito pequenas que ainda não tem noção do que está a fazer. Ainda estou a aprender a ser mãe. Ainda estou a navegar pelo labirinto da maternidade. E faço muitas asneiradas.

Eu não quero inventar desculpas. Mas com este pedido de desculpas eu quero que saibam que esta mulher com poucas horas de sono, distraída, rabugenta, impaciente e esquecida, não é a mulher que eu pensava vir a ser.

Eu gostava de continuar a ser aquela mulher que vos fazia rir porque estava sempre divertida. Eu gostava de continuar a ser aquela mulher que não se preocupava com as consequências – a diversão em primeiro lugar! Eu gostava de continuar a ser aquela mulher que me ria como se não houvesse amanha com uma piada seca qualquer. Eu gostava de continuar a ser aquela mulher confiante que acreditava em si própria e acreditava que tudo iria sempre acabar bem. Eu gostava de continuar a ser aquela mulher que tinha a energia, paciência e criatividade para tornar a vida ainda mais divertida.

Talvez um dia, eu a encontre novamente.

Mas, neste momento, ela está perdida. Deixou-se derrotar pela mãe que está cansada e preocupada. Deixou-se derrotar pela mãe que apenas quer uns dias de descanso.

Por isso, tenham paciência, sorriam e continuem a acreditar em mim. Eu nem sei se mereço, mas dêem-me mais uma hipótese.

A outra mulher estará de volta qualquer dia.

Por Kiran Chug, para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids

Às vezes choro por ti, meu querido.

Choro porque o mundo é tão grande e tu és tão pequeno que fico preocupada. Sim…, como eu me preocupo com a tua pequenez neste mundo imenso.

Choro porque és tão grande e eu sou tão pequena e quanto maior te tornas para mim, mais pequena eu me torno para ti e fico preocupada. Oh meu Deus, como eu me preocupo com a minha pequenez no teu mundo imenso.

Às vezes choro porque este amor é tão grande e o meu coração tão pequeno. E um coração repleto de amor, estranhamente, sofre  como um coração partido.

Às vezes choro porque fico emocionada com a tua beleza. Choro porque fico emocionada com a tua força.

Às vezes choro porque desde que tu existes eu desisti de uma parte de mim e embora, mesmo que pudesse eu não mudasse nada, às vezes sinto-me completamente perdida.

Choro porque a tua pele é tão macia e os teus olhos tão brilhantes e a tua alma é tão nova e o teu coração é tão aberto e eu sinto-me triste. Sinto-me triste porque eu sei que a essa inocência vai desaparecer de dia para dia enquanto cresces e passas por episódios estúpidos e desnecessários que eu não posso prevenir, porque és dolorosamente humano, como todos nós.

Às vezes choro porque precisas de ajuda e não há nada ao meu alcance que possa fazer.

O sentimento de impotência nos pais, é pior do que uma tortura, um pesadelo interminável ou o pior filme de terror de sempre.

Às vezes choro porque tenho de vestir a pele de adulta todos os dias. Porque a mãe, agora sou eu. E ser adulta e lidar com o sentimento de impotência ao mesmo tempo não é nada confortável!

Às vezes choro porque me sinto tão estupidamente cansada, não é com sono, mas sim cansada, que não consigo fazer nada. Nem sequer dormir.

Às vezes eu choro, porque sinto Deus sempre que te ouço a rir.

Choro porque o simples facto de existires é tão maravilhosamente bom, que não há risos nem gargalhadas que expressem a felicidade que sinto.

Às vezes choro porque todas estas coisas – as preocupações, as tristezas, a beleza, o ser adulta e tudo o resto, por vezes, é areia a mais para a minha camioneta. É muito mais do que eu consigo lidar. E tem de transbordar por algum lado.

Então, às vezes choro por ti. E por mim. E por este mundo imenso. E por milhares de outras terríveis e maravilhosas razões que não irás perceber até teres filhos. E te tornares um Pai.

Às vezes choro por ti, meu querido.

Mãe

 

Por Annie Reneau para Scary Mommytraduzido e adaptado por Up To Kids®

 

Todos os direitos reservados.

Nota:

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Quando engravidamos a primeira vez, as mães que nos rodeiam, quer sejam amigas, conhecidas ou perfeitas estranhas, têm sempre um conselho para nos dar. Não sei se, querer instruir as outras mulheres fará parte do instinto maternal, como se fossemos enviadas numa missão especial com o objetivo de proteger todos os recém-nascidos das garras de uma mãe inexperiente. Ou se queremos apenas mostrar que sabemos mais, característica própria da vaidade do sexo feminino.

Mas o facto é que a maior parte dos conselhos que me deram foram inúteis e vazios. “Dorme tudo agora, que depois não tens tempo”,aproveita bem que eles crescem num instante”. Eu já me cruzei com estas mães. Eu sei que vocês também, e eu sei que muitas vezes já nos tornamos nelas.

As mães, por natureza são um ser controlador e possessivo. Há muitas que assumem: “Eu sou muito mãe-galinha!”… Será só isso?

Se há algum conselho que eu posso dar, e que aprendi com a experiência é:

“ Não queiras ser uma control freak 

Tudo começou quando nasceu o nosso primeiro filho. Eu amamentei sempre, por isso, quando ele acordava à noite habituei-me a ir lá. Nem sempre era para mamar. Mas era sempre eu que me levantava. Enquanto habituava o meu filho a ter a mãe para o aconchegar sempre que chorava, habituava o meu marido a dormir ferrado ao som do choro de um bebé.

Durante o dia, dava dicas úteis ao meu marido porque como eu passava mais tempo com o bebé… achava que eu é que sabia o que era e como era melhor.!

Sempre mudei as fraldas porque achava que o pai nunca punha o creme certo a seguir ou a fralda não ficava bem presa como quando era eu a trocar. Acabava por sair xixi. O bebé ficava com soluços e eu teimava que só eu é que o sabia ajudar nos soluços. Mudava-lhe a roupa, e às vezes punha-a de parte para o pai vestir. Mas ele não sabia como apertar os cueiros e, por vezes, vestia as costas para a frente.

Sempre achei que era melhor eu ir ver e dar uma ajuda.

Porque eu é que sei o que é melhor para o meu filho, como ele gosta de se deitar, de arrotar e quais a rotinas dele. O pai pega-lhe ao colo. Eu digo-lhe que tem de agarrar a cabeça do bebé. Ele diz que sabe, mas nem sempre agarra. Eu estou sempre lá, a dizer o que fazer, como o fazer, e quando o fazer.

Oito anos depois, temos três filhos e eu estou grávida do quarto. Acordamos de manhã cedo, muito cedo. O pai vai fazer a barba e tomar banho. Eu acordo os miúdos e ponho-os a fazer xixi e a lavar a cara.

Escolho as roupas conforme as actividades escolares de cada um porque eu é que estou a par dos horários deles. Ajudo-os a vestir. Os mais velhos já se vestem sozinhos por isso dou-lhes a roupa e vou tratar do mais novo. Quando volto ainda estão a calçar as meias. Visto todos rapidamente.

Preparo o saco ou mochila de cada um porque só eu é que sei o que é para levar cada dia. Os miúdos nem me deixam pensar “que dia é hoje” para saber o que colocar nas suas mochilas. Enchem-me os ouvidos de histórias sobre os seus sonhos, e perguntas sobre como será este dia. Sobrepõem-se aos gritos para se fazerem ouvir. Tenho de recorrer telemóvel para saber a que dia estamos: o telemóvel não está onde era suposto. Algum deles já andou a jogar de manhã no meu telefone. Acordam a pensar em gadgets…  Fecho as mochilas.

Preparo almoço para um, e snacks para os mais novos, que gostam de petiscar uns cereais ou bolachas quando chegam ao colégio e ainda estão lá poucas crianças. É muito cedo. Mochilas preparadas, sacos das actividades fechados, cesto e lancheiras à porta. Já tomaram o pequeno-almoço, o pai deu um iogurte, preparou um pão de leite a cada um e fica a ver as notícias enquanto toma, também, o seu pequeno almoço.

Vai tudo para a casa de banho lavar os dentes. Eu vou lá conferir que ficam bem lavados. As perguntas e conversas são contínuas. Discute-se porque é que um leva mais cereais para a escola do que os outros (levam todos o mesmo), e quem é que joga primeiro consola quando chega a casa, sendo que só podem jogar ao fim de semana.

Finalmente saem de casa. O pai leva-os ao colégio todos os dias. São 8h00 e só me apetece voltar para a cama. Tomo o meu pequeno-almoço de pé, tomo banho e saio. Quando me sento no computador começo a ler os e-mails do colégio. Aponto datas de reuniões, datas de inscrições, data da festa de despedida das professoras de um, data da festa de ginástica de outro. O meu calendário enche-se de compromissos socio-escolares dos meus filhos. Sinto-me a adormecer no computador. Paro para beber um café. Começo a trabalhar e a manhã vai a meio.

A seguir ao almoço, retomo os e-mails. Tenho de dar resposta aos convites para as festas de aniversário. Articular os horários e disponibilidades para os levar e buscar. Antecipar se estamos cá nesses fins-de-semana e se eles podem aceitar os convites. Tenho de conhecer as crianças da sala de cada um para poder comprar os presentes de aniversário. Saber o que cada um gosta. As férias aproximam-se. Tenho de começar a planear os ATL em que os vou inscrever. O melhor seria mandar todos juntos, tenho de pesquisar bem! Já comecei a pensar onde serão as festas de aniversário este ano, e estou atenta aos sites específicos para tirar ideias dos temas e decors.

Não tirei o jantar de manhã antes de sair da casa (Como é que é possível). Tenho de tratar disso mal chegue para descongelar qualquer coisa. Às 16h00 tenho de sair de onde esteja para ir busca-los à escola. São três escolas, a volta é longa, e à tarde há sempre trânsito. Chegamos a casa. Há trabalhos de casa para fazer e banhos para dar. Esqueço-me do jantar. Peço ao pai para ir buscar uma pizza. Ele fica à espera que eu encomende a pizza, e que lhe diga a que horas está pronta, porque está habituado a não ter de pensar sequer o que é que cada um gosta de comer. E como em tudo o resto cá em casa, fica à espera de ordens para realizar tarefas.

Porque eu o habituei assim, e já não tenho como mudar esta rotina. Para mim é tarde demais, mas para quem ainda vai começar a ter filhos, para quem ainda está grávida eu posso dar este conselho: não sejam controladoras, não sejam possessivas, os filhos são dos dois. Deixem o pai da criança tratar das coisas.

À sua maneira, imperfeita e trapalhona. Deixem-no aquecer o leite, à próxima já vai acertar na temperatura. Se o xixi sair da fralda ele vai perceber que está mal posta. Ou não, e terá de mudar mais vezes, mas nenhum mal virá ao mundo. Deixem os pais comandarem e escolherem as roupas. Controlar o dia das actividades, e saberem qual é a gaveta das meias de desporto dos miúdos. Deixem-nos aprender a vestir um fato de ballet às meninas, e saber qual o material que se leva para a natação.

Quando o virem com o bebé calem a boca, fiquem sossegadas e deixem-no encontrar soluções. Assim não vão tornar-se em robots programados para cumprir ordens específicas.

E vocês vão acabar por desfrutar mais a longo prazo do vosso descanso! Acreditem.

Um dia mais tarde vão agradecer-me!