Como elogiar os nossos filhos

O elogio, sentido e verdadeiro, está na base da construção de uma auto-estima sólida e duradoura.

Como as primeiras testemunhas das pequenas conquistas dos nossos filhos, é da nossa boca que ouvem os incentivos que mais importam.

Uma criança que cresce sentindo que os seus actos importam será um adulto mais consciente não só das suas capacidades, mas também do mundo que o rodeia: mais aberto a sentir-se como parte de um todo, uma parte importante e construtiva.

Sou adepta do elogio, mas acredito que nem todo o elogio é benéfico e é por isso que devemos pensar antes de o proferir.

Por exemplo, dizer constantemente aos nossos filhos como são inteligentes pode passar-lhes a sensação de que isso lhes basta. De que como são inteligentes não terão de se dar ao trabalho de fazer certas coisas porque já têm como dado adquirido essa característica intelectual. No caso acho mais responsável elogiar o esforço, o trabalho e perseverança que a criança teve para alcançar o objectivo.

Devemos exaltar a sua coragem quando têm de ultrapassar um obstáculo.

Elogiar a forma como ficam bem vestidos, mas deixar claro que não é a forma como estão vestidos que faz deles pessoas mais ou menos bonitas.

Incentivar a empatia, elogiar a amabilidade para com o próximo.

Promover a partilha e dirigir sempre uma palavra de apreço quando essa partilha acontece sem intervenção externa.

Evitar expressões como “sabes tudo” porque naturalmente, apesar das nossas boas intenções, está longe de ser verdade e pode passar-lhes uma sensação de superioridade em relação aos outros que não é saudável.

Elogiar a dedicação que aplicam a uma tarefa, mesmo que os objectivos não sejam alcançados – na vida importa muito mais sermos humanos que máquinas, que competem entre si e acabam por se perder no caminho, esquecendo-se que na maior parte das vezes o mais importante é aproveitar a viagem.

Este é um trabalho em construção que faço diariamente com a minha filha.

Dou por mim a pensar antes de falar e, algumas vezes, depois de já o ter feito, tentando analisar o impacto que as minhas palavras possam ter nela.

Porque as eles lhes escapa pouco. Ainda ontem me dizia “mãe, aquele senhor tem sapatos de salto alto, são sapatos de menina”. E eu, atenta às questões de género e à importância da liberdade de expressão, respondi ”vou-te contar um segredo: os rapazes podem usar os sapatos que quiserem e as meninas também podem usar os sapatos que quiserem. O importante é estarem confortáveis com quem são e serem felizes”. Respondeu-me ela “Ai é? Então por que é que de manhã não me deixas usar os sapatos que eu quero?”. ?

Eles são atentos, eles ouvem e absorvem, eles imitam-nos, eles aprendem connosco.

Neste crescimento contínuo entre pais e filhos a nossa missão é a de ensinar o melhor que sabemos.

E isso também passa por saber quais as palavras que os servirão melhor no futuro.

Um futuro que todos queremos que seja brilhante. Seja lá o que isso for para cada um de nós.

Ontem ouvi-te a falar com uma amiga sobre como são difíceis os dois anos!

Fiquei feliz. Pensava que não compreendias e fiquei muito feliz por saber que percebes o quão difícil são os dois anos.

Não é à toa que chamam a adolescência dos bebés, porque é mesmo isso. É uma fase de descobertas e de mudanças.

É a fase em que descubro que afinal também tenho vontades, também tenho direitos e acredita que é muito difícil para mim tentar controlar a forma como me expresso. E é por isso que há as birras, mãe.

É que, agora que descobri que posso fazer e mexer em muitas coisas, é quando me proíbem mais de as fazer e eu não percebo porquê.

Eu não te quero chatear…

Gosto muito mais quando estamos os dois a brincar em sintonia. Às vezes não percebo porque é que não posso brincar com tesouras, ou atirar água um ao outro… Fizemos isso na praia lembraste? E tu riste-te. Eu gosto tanto quando te ris comigo, mãe. Não percebo porque é que quando te atirei com a água em casa no outro dia ao jantar, ralhaste comigo.

Sabes mãe, também não percebo porque é que temos de ir para a cama. Estamos tão pouco tempo juntos. Gostava que ficássemos a brincar os dois para sempre, sem nunca ter de dormir.

Mas acho que isto faz parte da descoberta. Ainda estou a tentar descobrir o que posso ou não fazer para que fiques sempre a sorrir comigo sem te zangares.

Por isto é que fico feliz que percebas o quão difícil são os dois anos, e tudo aquilo que está a mudar.

Já queres que eu coma sozinho e sem entorna. Mas às vezes distraio-me e fico a brincar com a comida. Mas temos que comer depressa não é? Tu estás sempre a dizer para me despachar…

Agora também tenho que fazer xixi como tu e o pai, quando até agora podia fazer na fralda que simplesmente tu trocava. Eu tento mãe, mas às vezes quando estou a brincar não quero parar e depois zangaste comigo.

E antes, quando nos zangávamos, deixavas-me usar a minha chucha e o meu boneco. É que, sabes mãe, eles são meus amigos e ajudam-me quando estou triste. Ajudam para que tudo fique bem. Não percebo porque é que agora estás sempre a esconder a minha chuchinha e o meu boneco…

Ah e mãe, só mais uma coisa… Eu gostava tanto de beber o leitinho quentinho ainda na cama no biberon… Não me obrigues a ir para a mesa beber na caneca…

Não tenhas pressa que eu cresça. Não dizes sempre às tuas amigas que o tempo passa a correr? Então aproveita-o!

Mas, mãe, só queria dizer que fico muito feliz que percebas como os dois anos são difíceis para mim. Obrigada pela tua paciência!

 

Do teu filho

 

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Deixem-me chorar!

Entrei no elevador, um elevador grande, de um prédio grande, cheio de espelhos grandes.

Em cada piso, vários consultórios, muitos médicos, muitas batas e muitas coisas desconhecidas e assustadoras.

Ele não tinha mais de 5 anos, escondido atrás da mãe. Já o tinha visto antes de entrar. Reparei como estava assustado. Tinha o corpo retraído, os olhos colados no chão e o soluço preso na garganta.

Antes do piso 1, começou a chorar. Era um choro encolhido, sem espaço, que não libertava todo o turbilhão interior. A mãe começou a pedir para ele parar. Schhhh! Schhhh! Como se o choro fosse uma falta de educação. Algo não permitido e incomodo. O rapazinho tentava engolir o próximo soluço, mas todo o corpo pedia um choro profundo. Todo o corpo pedia uma forma saudável de expressar o que ia dentro dele.

Sem aviso, a mãe virou-se para mim e pediu desculpa. Pediu-me desculpa por o filho estar assustado, e a chorar. Hã???

Nunca ninguém me pediu desculpa por ter a música alta demais, por atirarem um papel pela janela do carro, ou por passarem à frente só porque lhes apeteceu. Coisas que para mim fariam algum sentido serem seguidas de um “Desculpe”. Mas ali… fiquei atónita. Quando voltei a ter reação disse “Não tem de pedir desculpa, chorar faz bem. Todos precisamos de chorar.” Desta vez, foi ela que ficou atónita.

Para grande alívio da senhora, chegaram ao seu destino, não fosse eu desatar a chorar no elevador. Pisquei o olho ao rapazinho, continuei o meu caminho mas o episódio ficou comigo. Fiquei a pensar na forma como lidamos com o “CHORAR”.

Quando vem do bebé, encaramos como uma forma de comunicação, um pedido de ajuda, algo que devemos amparar emocional e fisicamente. No entanto, parece que com sorte só podemos chorar no máximo até aos 6 anos…

Quando o meu filho entrou para a primária, de um dia para o outro, o cenário mudou.

Logo nos primeiros dias de aulas, no meio das suas intermináveis corridas, espatifou-se no recreio. Quando o fui buscar, estava arranhado de cima a baixo. Claro que quando me viu, apesar do episódio ter acontecido algumas horas antes, voltou a chorar. Uma descarga emocional natural perante um adulto de referência.

A auxiliar veio logo explicar com ternura “Já lhe disse que não é preciso chorar, que ele agora está na primária e já é crescido.” Hã??? “Curioso, eu tenho quase 40 anos e choro sempre que preciso. Já não chora?” perguntei com um sorriso. Auxiliar atónita do outro lado.

Não percebo porque há tamanha diferença na aceitação do riso e do choro. São os dois fundamentais para digerir emoções e expressar sentimentos. Os dois estão ligados como o sol e a chuva. Cada um com funções distintas mas igualmente importantes. A sua dança alternada cria o equilíbrio e, como o arco-íris, podem aparecer juntos no maravilhoso chorar a rir.

O choro acompanhado (quando a criança está a chorar mas sente-se totalmente apoiada) é profundamente curativo, ajuda a libertar tensão, medo, frustração, raiva, tristeza. A criança sabe que está segura para entrar em contacto com essa parte mais escura e lamacenta, que nós estamos ali, mesmo à mão. Essa segurança permite-lhe lidar com emoções peludas e crescer emocionalmente.

Não chorar não significa que está tudo bem. Significa que há um mar de lágrimas preso numa barragem que vai enchendo em vez de a água ir fluindo para onde precisa. Nunca peças desculpa por chorar. É esta água salgada e doce que nos faz ser humanos.

 

“Do not apologize for crying. Without this emotion, we are only robots.” Elizabeth Gilbert

image@mãecatita

 

A educação dos nossos filhos começa em cada um de nós, pais.

“De onde tirámos a ideia louca de que para conseguirmos que uma criança seja boa, primeiro devemos fazê-la sentir-se mal?” A famosa frase da norte americana Jane Nelson, uma das mentoras da Disciplina Positiva, dá que pensar.

Vivemos um dia a dia tão frenético que nos resta pouco tempo para dedicar ao que deveria ser a nossa principal prioridade: a família. E quando os nossos filhos se “portam mal”, é mais fácil reagir com um grito, um castigo ou pior, uma palmada. E que tal começar por tentar perceber qual a razão por detrás dessa conduta? E se eu lhe disser que há alternativas, bem mais… positivas?

O que é a Disciplina Positiva?

Todas as crianças querem sentir-se importantes. E têm o desejo de pertencer.  À família, à escola, à equipa de futebol, ao grupo de amigos.

Disciplina Positiva não é mais do que um modelo educativo que permite entender o comportamento das crianças e oferece ‘ferramentas’ para actuar, sempre de forma positiva. Ou seja, com firmeza mas com afetividade ao mesmo tempo, sem autoritarismos ou controlo excessivo, mas sem permissividade. Baseia-se, pois, no respeito mútuo e na cooperação. A Disciplina Positiva permite também aos pais ajudar os mais novos a desenvolverem competências básicas para enfrentar o mundo lá fora. E um sentido de responsabilidade apurado.

Autoconhecimento, uma ‘arma’ poderosa para a Disciplina Positiva

A educação dos nossos filhos começa em cada um de nós, pais. Para podermos mudar comportamentos nos nossos filhos é preciso, primeiro, olharmos para nós próprios. E percebermos o que está mal e o que podemos mudar. Melhorar. Chama-se a isto autoconhecimento.

A maior responsabilidade de todas é clara: educar. Sem culpa, com amor, respeito, firmeza e amabilidade.

Sei que vou continuar a errar, neste caminho tão maravilhoso e desafiante da paternidade.

Mas eu aceito o desafio, e você?

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A casa é a primeira escola e os pais são os primeiros professores

 

Não, eu não educo os meus filhos para o feminismo.

Eu educo-os para serem corajosos, independentes, honestos e para que se respeitem e respeitem os outros.

“- Mãe, estás a fazer o jantar porquê? É o pai que costuma fazer o jantar.”

Quando alguém diz que os rapazes devem ser educados para o feminismo eu hesito entre bater com a cabeça na parede ou respirar fundo e perguntar como é que funcionam as coisas lá em casa.

Eu explico, sou mãe de um rapaz e de uma rapariga e ambos recebem a mesma educação e o mesmo exemplo. E o exemplo começa pela igualdade e o respeito entre o pai e a mãe. Em nossa casa o aspirador e o pano do pó não são propriedade da mãe, o pai lava a loiça, faz o jantar, vai às compras, leva os miúdos à escola e ao médico e trabalha, como a mãe. Não existem tarefas da mãe e tarefas do pai. Não existe a figura autoritária do pai e a figura permissiva da mãe. Não existem ameaças físicas nem psicológicas, não existe violência física nem verbal. Nunca é demais lembrar que filhos que crescem em ambientes abusivos têm grande probabilidade de se tornarem adultos agressores.

As crianças são esponjas e o respeito pelos outros e por si mesmas ensina-se pelo exemplo, por terem uma mãe que trabalha, que é independente, que se respeita e é respeitada e por terem um pai que se rege pelos mesmos princípios.

Recuso-me a educar o meu filho como futuro agressor e a minha filha como futura vítima.

Eu educo-os para serem corajosos, independentes, honestos e para que se respeitem e respeitem os outros. E estes não são princípios exclusivos do feminismo. São pilares básicos para uma sã convivência em sociedade, sem discriminações ou abusos de qualquer género.

Hoje são crianças de três e cinco anos, cujas questões nos aparecem na medida da idade que têm. Outras irão surgir com o tempo, como o valor do seu corpo, a não discriminação das mulheres no local de trabalho, a violência, o assédio, mas se as bases estiverem lá, tenho esperança de que se irão tornar em adultos responsáveis e respeitadores dos outros. E a esperança também entra nestas contas. Os pais fazem a sua parte. Esforçam-se para serem um bom exemplo, com ações e não apenas com palavras, e o resultado será uma mistura desse exemplo, da personalidade dos filhos e de uma boa dose de sorte.

Por isso, não! Não educo os meus filhos para o feminismo. Educo-os para o humanismo.

5 Pontos de Partida para Pais de crianças com NEE

Redundância à parte, uma vez pais, para sempre dentro do mundo da parentalidade!

Com ou sem crianças com nee, a parentalidade (tal como aparece no dicionário) implica “todas as funções ou atividades desenvolvidas pelos progenitores ou cuidadores com vista ao saudável e pleno desenvolvimento da criança a seu cargo“.

Dependendo da cultura, da idade, do contexto familiar, da criança, entre outras condicionantes, aqueles que estão já no mundo da parentalidade e querem fazer parte dele procuram saber como poderão ser os melhores pais do mundo para a sua criança, de forma a serem felizes e a contribuir para o desenvolvimento “saudável e pleno” da sua criança. Tal como todos os pais, também os pais de crianças com necessidades especiais procuram a melhor forma de educar, apoiar e contribuir para o desenvolvimento e felicidade dos seus filhos tendo sempre em consideração as suas necessidades e dificuldades! No entanto, como qualquer outro pai/mãe, com as preocupações, desilusões e as ansiedades do dia-a-dia, estes pais procuram muitas vezes por uma “luzinha” que os ajude a iniciar ou retomar o caminho da sua parentalidade positiva e promotora de felicidade na sua família!

Ready, set, go!

Assim, ficam aqui 5 pontos de partida para os pais de crianças com NEE que se comprometam com a viagem no mundo da parentalidade:

  • Não se foquem nas “normas parentais” habituais. Algumas serão possíveis de utilizar como ferramenta na vossa família, mas outras não serão adequadas. Não porque não são merecedoras ou porque não as saberão utilizar, mas porque não irão adequar-se à vossa criança, às suas necessidades e às suas dificuldades. E isso não tem mal nenhum! O importante é que adaptem as normas “habituais” de parentalidade à vossa criança, ao seu desenvolvimento e à vossa família!
  • Procurem junto de pediatras, médicos especialistas, terapeutas e equipas multidisciplinares informação credível e coerente sobre a problemática do seu filho, estratégias a utilizar, adequações, entre outras. Organizem essa mesma informação e falem sobre a mesma com os vossos familiares mais próximos, professores/educadores ou outras pessoas que sejam significativas na vossa família e na vossa rotina. É importante que todos estejam sensibilizados, conscientes e em sintonia com vista ao melhor para a criança.
  • Aceitem a criança e a sua verdade para que as vossas expetativas estejam de acordo com o ritmo da criança, a criança que é real e pertence à vossa família. Deparar-se com uma nova realidade ou um lapso nas suas expetativas como pai/mãe poderá levar a sentimentos de tristeza, revolta, culpabilização ou negação. No entanto, não se deixem ficar com esses sentimentos pois não ajudarão a vossa criança, e ainda antes disso, não vos ajudará. Há quem diga que é importante fazer um processo de “luto”, eu falo em processo de reflexão em que as expetativas, os sonhos e os projetos de vida podem ser reinventados ou reajustados à vossa criança e à vossa família.
  • Foquem-se no positivo e criem oportunidades de sucesso para a vossa criança. Façam-na sentir confiante e capaz, incluída numa família que a valoriza e a apoia acima de tudo. Não se esqueçam que a valorização dos pontos positivos e das pequenas e grandes conquistas ajudam na harmonia e felicidade da vossa família.
  • Não esperem perfeição ou passo-a-passo do que é esperado para a idade da criança. Esperem sim, felicidade e progresso para a vossa criança, felicidade e progresso enquanto família de alguém tão especial, que terá de certo um pouco para vos ensinar a cada dia que passa.

Acredito ser uma viagem atribulado, difícil até de saber por que ponto de partida iniciá-la, mas lembrem-se que todas as viagens têm um ponto de partida. Comecem pelo ponto que faz mais sentido para a vossa família ir sempre junta! <3

image@shutterstock

Por Beatriz Pereira, BLOG “MAIS Q’ESPECIAL”

O tempo de qualidade é feito de rotinas, de momentos simples, de gargalhadas, de conversas, de amor, todos os dias.

Existe um mito que diz que os pais não passam tempo de qualidade com os filhos. E o que é isso do tempo de qualidade? Mais uma merda que alguém inventou para encher os pais de culpa. Como se o tempo de qualidade fosse apenas feito de experiências épicas ou de pais sentados no chão a brincar com os filhos de cronómetro na mão.

Não é.

Tempo de qualidade é quando estamos a tomar o pequeno-almoço no sofá e temos os miúdos à nossa volta a comer do nosso pão. É quando o pai está a pentear a mais velha com a delicadeza que eu não tenho, enquanto o mais novo lava os dentes sozinho. É vê-los a descer as escadas ao colo do pai e eu a pedir para falarem mais baixo porque os vizinhos estão a dormir.

Tempo de qualidade é quando chegamos a casa e os deixamos ver a Patrulha Pata e o Ruca e a Masha, enquanto o pai faz o jantar e eu lhes preparo o banho.
É dar banho aos dois ao mesmo tempo, lavar a cabeça dela, enquanto ela lava a cabeça do irmão, é tirá-los do banho e vesti-los na nossa cama.
Tempo de qualidade são as conversas com a mais velha durante o jantar ou quando jogamos à bola na sala antes de eles irem para a cama.
É estarmos as duas no sofá a colar cromos na caderneta da Bela e o Monstro ou vermos o E. T. até ao fim ou quando ela nos diz que sabe cantar em inglês as músicas do Música no Coração.
Tempo de qualidade é vê-los correr na praceta a chamarem os gatos da rua ou irmos ao parque dar pão aos patos. É vê-lo destemido a descer o escorrega pela primeira vez. Ou vê-la de caracóis ao vento no baloiço que a leva até à lua.

O tempo de qualidade é feito de rotinas, de momentos simples, de gargalhadas, de conversas, de amor, todos os dias.
Era bom que percebessem isso e deixassem de lixar a cabeça aos pais. Esta merda já é difícil o suficiente sem dedos apontados.

Pais e Mães Mediadores de Serviço – Conflitos entre irmãos

Quando temos mais do que um filho queremos que, acima de tudo, os irmãos sejam amigos. Acreditamos que serão companheiros para a vida. Que juntos irão conquistar o mundo, partilhar brinquedos e experiências e ser inseparáveis para todo o sempre.

Mas a verdade é que, nem sempre as relações são perfeitas. Aliás, o mais usual é haver zangas e disputas, e ora serem os melhores amigos, ora não se podem ver pintados de cor-de-rosa.

Quando digo que tenho 4 filhos, perguntam-me logo se eles se dão bem! Óbvio que é um factor extremamente importante para todos os pais.

Joana Sardinha Zino, Advogada exercendo maioritariamente na área do direito da família, como mãe sentiu a necessidade de encontrar estratégias para evitar e resolver conflitos entre os irmãos.  Percebeu que o problema era geral em todas as famílias, e começou por desenvolver técnicas de mediação de conflitos com os seus filhos, há cerca de dois anos. Conjugou o know how da profissão com a  sua experiência de mãe e os resultados foram visíveis.

“O meu maior sonho sempre foi ser mãe e ter vários filhos, assim seguidos, como tenho… para que fossem amigos e para que se acompanhassem ao logo das suas vidas!! Até aqui tudo ok. Confere com a realidade! Mas a questão é que ninguém me avisou que eles também se iam pegar muito, que se iam zangar e que não iam querer partilhar… 

Os conflitos existem

Nenhuma relação é isenta de conflito e os conflitos entre irmãos e em família “fazem parte”, todos sabemos disso, mas, deixam de ser normais, quando alteram estados de espírito, alteram a dinâmica e comprometem a harmonia e os programas familiares. Foi quando isso começou a acontecer, que senti necessidade de trazer para dentro de casa algumas das técnicas e estratégias da minha profissão, enquanto mediadora de conflitos (familiares, civis e escolares) e comecei a observar como os miúdos começaram a ganhar maiores competências de negociação e gestão dos seus problemas, e eu pude ter mais descanso!”

Pais e Mães Mediadores de Serviço

O projeto “Pais e Mães Mediadores de Serviço” nasce da vontade de transmitir as técnicas, as ferramentas e os benefícios da mediação, e aposta no desenvolvimento de competências de cooperação para a prevenção de conflitos, a negociação, a cooperação, a comunicação positiva e a criatividade na resolução de “problemas”!

“Foi por esta paixão pela mediação que desenvolvi o projeto Pais e Mães Mediadores de Serviço – a mediação de conflitos entre irmãos e em família, para que mais Pais pudessem ficar a conhecer estas técnicas.

O que se pretende é que os pais fiquem a conhecer quem são os seus filhos perante o conflito. A mais-valia de desenvolver junto destes competências de cooperação para a prevenção de conflitos, o poder das técnicas de negociação, a comunicação positiva e dar algumas dicas criativas na resolução de “problemas” através das técnicas de mediação, ficando estes a conhecer o processo de mediação, como fazer acordos e como aplicá-lo em suas casas!

A prevenção do conflito

Considera-se assim muito importante desenvolver com os mais novos estratégias que lhes permitam crescer lidando de forma construtiva e positiva com os seus conflitos, promovendo a gestão dos mesmos.”

Joana defende que “As crianças aprendem a fazer paz, quando perante um conflito  expressam as suas necessidades, conseguem ver as várias perspectivas, conseguem negociar e conseguem chegar a um acordo que seja satisfatório para todos, um ganha-ganha.

Por isso, todo o tempo e empenho que possamos dedicar quer na prevenção, quer na mediação e resolução dos conflitos, será muito bem empregue.”

Tendo sido a primeira em Portugal a aplicar a mediação na gestão de conflitos entre irmãos, o projeto ganhou asas, e neste momento já podemos encontrar nas redes sociais a Página “Pais e Mães Mediadores de Serviço”, para que todos possamos aprender a aplicar estas técnicas dentro das nossas casas.

“A educação para a gestão positiva dos conflitos contribui para o desenvolvimento de um espírito de cidadania baseado no respeito mútuo e fundado no diálogo e contribui para termos miúdos desencucados, abertos ao diálogo, criativos, confiantes e capazes de criar memórias muito felizes e fazer da vida uma festa!

É esse objetivo… e os pais terem descanso… está claro!”

 

Joana Sardinha Zino, 39 anos, mãe da Carminho, Domingos e Graça, com 11, 9 e 7 anos. Advogada, exercendo maioritariamente na área do Direito da Família, Mediadora de Conflitos nos Julgados de Paz, Mediadora Familiar, Mediadora Escolar e Formadora.

 

A minha experiência com o sono

Muitas vezes acho que nos fechamos demasiado sobre os nossos próprios problemas e temos alguma dificuldade em olhar em volta. E devíamos fazê-lo, para nosso próprio beneficio, porque assim conseguiríamos relativizar algumas situações.

Há uns tempos uma amiga recém mamã queixava-se que a sua bebé de três meses acordava durante a noite (à meia noite, às três e às seis) e dizia-o como se isso significasse que toda a sua existência fosse super dolorosa. E não deixa de ser, porque aqueles pais acordam duas vezes à noite (para mim as seis já contam como manhã…) e isso significa um descanso interrompido com todas as consequências que daí advém.

E eu fiquei a pensar no meu caso: durante dois anos e meio a minha filha acordou religiosamente todas as noites. Não teve aquela fase do “depois isso passa”, porque deveria ter acontecido ainda com alguns meses. Não, ela chegava a acordar três e quatro vezes já crescidinha. O meu corpo habituou-se, por mais que pudesse custar no dia seguinte – e custava, principalmente depois de voltar a trabalhar. O cérebro teve de se adaptar e eu, enquanto mãe e mulher, aprendi a gerir estas interrupções do sono sem nunca colocar um peso nem culpa na minha filha. Se ela precisava eu estava lá, como estou sempre, como estarei sempre. Mas a minha filha chamava, mamava, voltava à cama e dormia de imediato. E fui sempre agradecida.

Há crianças que não conseguem adormecer cedo.

Há crianças que acordam durante a noite e não voltam a dormir.

Há crianças que dormem tão pouco tempo que chega a ser impressionante como conseguem ser funcionais.

Tive uma colega de trabalho que partilhava a rotina lá de casa, durante três anos (depois perdi o rasto a esta situação) o filho acordava a meio da noite. Tinha já uma escala estabelecida, um dia ia lá ela, no outro o marido. E assim conseguiam ir dormindo, mais ou menos melhor do que se fosse lá sempre o mesmo. E eu lembro-me de pensar, ainda sem filhos, que devia ser muito difícil conseguir estar bem, pensar com clareza, trabalhar com competência, ter sentido de humor e boa disposição, não resmungar a qualquer interação humana. Admirei-a naquele momento, como continuo a admirar, porque ela conseguia fazer tudo isso, não dormindo uma noite seguida há três anos.

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Respirar Gratidão Pelas Crianças

Embora a gratidão tenha uma vibração própria, a gratidão pulsa na frequência do amor.

Quando respiramos gratidão, respiramos amor.

Um dos maiores motivadores de bem-estar, a gratidão é uma das fontes mais poderosas de conexão.

Como pais, podemos ser aprendizes incessantes, se estivermos dispostos a ouvir e a observar profundamente.

São-nos oferecidos dons preciosos e vulneráveis ​​que devemos respeitar com todo o coração, com todos os nossos actos.

A conexão profunda às vezes pode parecer um desafio. A maneira como somos programados para entender as crianças – influenciadas pela nossa própria cultura e criação – bloqueia a verdadeira percepção do reino das crianças.

Todos os dias, tentamos ao máximo orientar nosso barco na direcção amorosa e gentil, mas às vezes nosso piloto automático engana-nos e leva-nos de volta ao tipo de pais que não queremos ser.

Há momentos em que questionamos as nossas capacidades como pais, sentimos arrependimento, culpa, vergonha. Às vezes, simplesmente não entendemos porque é que não podemos ser sempre os pais que queremos ser. De tempos em tempos, experimentamos momentos de desespero. Mas, de alguma forma, temos que encontrar uma maneira de voltar e segurar o volante. Às vezes é apenas uma fracção de segundo que temos.

A gratidão ajuda-nos a colocar nosso barco de volta à nossa rota. A gratidão ajuda-nos a reconectar com nossos filhos. E com a situação com que estamos lidar.

E à medida que praticamos mais e mais gratidão, essas reconexões não são fragmentadas. Eles começam a acontecer instantaneamente.

A gratidão tem poderes profundamente misteriosos e infinitos.

Orientar os nossos filhos faz parte de nossa missão como pais. No entanto, orientar os nossos filhos também significa permitir que as crianças liderem o caminho. Permitindo-nos aprender com a sua sabedoria. As crianças sabem muito mais do que se manifestam para o  exterior.

Praticar a gratidão ancora soluções construtivas ao lidar com nossos desafios. Exercer gratidão diariamente ajuda-nos a reformular e crescer a partir de nossas experiências.

A gratidão encoraja aceitação e flexibilidade.

Uma vez que recebamos a gratidão junto com nossa respiração natural, a gratidão renova sua pulsação como um movimento abstrato puro e simples, e expande seu poder em uma parte intrínseca do nosso DNA.

Então a gratidão expande-se no ar que inspiramos e expiramos espontaneamente. E quando respiramos gratidão, amplificamo-la em todo o nosso ambiente.

Escreva ou apenas pense, neste momento, em cinco coisas sobre seus filhos pelos quais você é grato. E todos os dia pratique esse exercício.

Quando começamos este simples hábito, começamos a compreender a mudança imediata que acontece no nosso cérebro. Quando somos gratos, tornamo-nos mais conscientes das coisas verdadeiramente importantes. As nossas prioridades da vida prática são reformuladas.

Quando somos gratos, tocamos a energia do amor. E conectarmo-nos com o amor é conectarmo-nos com bondade e sabedoria. E é aí que começamos a libertar-nos da necessidade de controlo.

Quando sentimos um profundo apreço por termos os nossos filhos nas nossas vidas, os nossos olhos mudam. Os nossos olhos mudam de uma forma que acabamos por expandir a nossa percepção da verdade sobre as crianças. Sobre o que eles estão a tentar comunicar. Começamos a perceber que quando choram ou se revoltam, há sempre uma motivação para essa emoção. Mesmo que nós não a consigamos ver. E passamos a perceber que a criança precisa de ajuda. E não de uma repreensão ou de um castigo.

O nosso trabalho como pais é aceitar os nossos filhos como eles nos são apresentados.

O nosso trabalho como pais é nutrir quem os nossos filhos são.

É incentivá-los a serem sempre fiéis a si mesmos.

E essa é outra das lições que a gratidão nos ensina. A gratidão ensina-nos a aceitar o que é. Como é. Apesar do que é. O que nos faz sentir bem. O que nos deixa desconfortáveis. O que move nossas emoções mais profundas. O que move o núcleo de nossas crenças.

Tudo começa a fazer sentido no momento em começamos a respirar gratidão. O que lemos aparece-nos no momento exacto em que precisamos de lêr. Com quem nos cruzamos, aquilo por que passamos traz consigo uma lição secreta a ser aprendida.

Primeiro temos que SER. Então estaremos prontos para DAR. Só então podemos RECEBER.

Os nossos filhos são coração, corpo e alma. Assim como nós somos. E sermos gratos por eles ajuda-nos a enxergar os desafios com uma mentalidade diferente. Ajuda-nos a olhar para eles de uma perspectiva diferente.

Sermos gratos pelos nossos filhos ajuda-nos a perceber que há coisas sobre as quais temos pouco controlo.

Respirar gratidão pelos nossos filhos estimula-nos a ser mais amigos e parceiros, sermos mais pacientes, resilientes e mais gentis nos momentos mais desafiadores.

Quando inserimos o ato de sermos gratos por tudo o que acontece nas nossas vidas, começamos a abraçar cada experiência como uma oportunidade de crescer e evoluir. Isso traz à consciência coisas que precisamos de trabalhar dentro de nós mesmos.

Traz consciência de que cada circunstância é um presente.

Quando respiramos gratidão pelos nossos filhos, criamos uma nova consciência. Também aprendemos a ser mais cuidadosos com as nossas palavras, com o nosso tom. Com as nossas acções.

Mas além de tudo isso, ensinamos os nossos filhos através do nosso exemplo, a sermos gratos e a valorizar-se a si mesmos como indivíduos, apreciando as suas experiências como uma contribuição para quem eles são.

Respire gratidão pelos seus filhos todos os dias.

E isso trará benefícios para sua vida e para sua família durante toda a sua vida e além dela. Porque isso fará parte do legado que seus filhos transmitirão ao mundo e que, esperamos, se espalhe pelas próximas gerações.

A gratidão pulsa na frequência do amor.

E quando respiramos gratidão, respiramos amor.