Chumbar de ano, falhar e errar!

Sinónimos do ponto de vista dos pais, habitualmente. E isto porque pais, filhos e escola é uma relação triangular que envolve receios e, por norma, muitas expectativas.

Como forma de reduzir os receios parentais, aumenta-se a necessidade de que os filhos tenham uma carreira académica de sucesso. Isto é, quando os filhos brindam os pais com boas notas constantes, além do orgulho sentido, os pais vivem uma preocupação a menos (já que educar vai suscitando sempre algumas). E isto, do ponto de vista dos filhos, traz por norma a carga das expectativas. Os filhos vão sendo muito elogiados pelos resultados, a família e amigos próximos reforçam os elogios e, sem que muitas vezes uns e outros se apercebam, já todos têm a expectativa da manutenção daquele estatuto e o próprio aluno vai percebendo que “este registo agrada… se vacilar e baixar as notas, agradarei ou não…”.

Afinal, que representação acarreta, emocionalmente, uma carreira académica brilhante, desde cedo?

Sucessos sucessivos e consequentes reforços positivos podem facilmente conduzir ao medo de falhar – o medo de errar. Os famosos “chumbos”!

No fundo, os filhos tendem a sentir sempre alguma expectativa sobre a sua prestação escolar. Uns esforçam-se por corresponder a essa expectativa e podem até vivê-la com ansiedade, bailando ao som da falha como possibilidade legítima (e evitando-a a todo o custo, mas sem desistir); outros a quem a possibilidade de não corresponder à expectativa os trava, logo na casa de partida, e nem tentam a sorte “ao jogo”.

Falhar e tentar de novo, faz parte do percurso de vida de todas as pessoas. As falhas têm a vantagem de nos ensinar novos caminhos, permitindo-nos renovar experiências e, com isso, crescer e criar autonomia emocional. Incutir aos filhos o trajeto das boas notas; o objetivo do quadro de honra é enviesar a realidade.

Na vida real, o caminho não é sempre sereno, as surpresas não são todas agradáveis, os objetivos não são todos cumpridos e os resultados das circunstâncias vividas nem sempre serão um fruto apetecido. Logo, permitir aos filhos espaço para falhar sem zangas, é criar a oportunidade de se confrontarem com essa frustração, originando um trabalho de gestão interna de tolerância ao erro, com consequente aprendizagem. É, acima de tudo, retirar-lhes o medo de errar!

Pode, depois, criar-se a dúvida sobre onde fica o limite de não exigir boas notas, mas ensinando que tem de haver empenho e algum esforço. E a resposta a essa dúvida é a atitude. A atitude de exigir responsabilidade, no entanto sem demonstrar reatividade emocional aos resultados académicos obtidos:

  1. As notas são a única e necessária recompensa que os filhos têm como fruto do esforço investido no estudo.

Os pais devem demonstrar que a felicidade/orgulho sentido, é consequência daquilo que o próprio filho sente. Exemplo perante uma boa nota: “Que bom que estás contente! Fico tão feliz quando estás assim. E sei que é muito bom vermos o nosso esforço glorificado. Estudaste, conseguiste!”.

Perante uma nota negativa: “Como é que te sentes com o teu resultado?” (esperar a reação) “O que achas que podes fazer (ou “podemos fazer”, de acordo com a idade ou nos casos em que os pais possam sentir assim) para mudar este resultado?”

Evitar demonstrar preocupação com os resultados negativos, para controlar o sentimento (dos filhos) de “eu não agrado”, que muitas vezes conduz a um outro sentimento destrutivo “eu não sou capaz”.

  1. O desinvestimento escolar dos filhos, que culminará no insucesso escolar, não é necessariamente uma decisão voluntária.

Os pais devem lembrar-se disto, como forma de evitar rótulos (nomear defeitos). A esta atitude, segue-se tensão na dinâmica familiar, sem quaisquer alterações desejadas no que é sentido como o foco do problema.

É necessário um auxílio especializado para auscultar as razões.

  1. Relembrar sempre que o inverso de alunos “quadro de honra” não são maus alunos e, acima de tudo, não são maus filhos, nem filhos problemáticos.

Podem, simplesmente, ser filhos que não focam nas matérias escolares toda a sua energia, podendo isso até ser uma mais valia. Um foco absoluto no estudo, retirará tempo e capacidade para desenvolver outras áreas tão ou mais importantes na nossa condição de humanos: como a área emocional, onde está implicada a necessidade e capacidade de comunicação e relação com o outro.

  1. Alunos não devem ser reforçados pelas suas notas positivas ou negativas

As boas notas são o único reforço positivo necessário ao investimento de tempo implicado no estudo.

As más notas, ou mesmo negativas, deverão ser motivo de reflexão entre pais e filhos, sem que implique reações emocionais desagradáveis. Isto evitará a criação de expectativas e, sobretudo valorizará a crença de que, além de os pais serem interessados, atentos e envolvidos nas vidas dos filhos, as notas não têm qualquer influência no amor incondicional pelo qual se pauta a relação pais-filhos.

Os filhos devem estudar porque esse é o seu trabalho e porque os ajudará a conseguir com maior facilidade assimilar a matéria que virá a seguir. E esta é a única exigência-base que os pais devem colocar na relação, em termos do percurso académico.

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Pode parecer estranho. Muitas vezes uma condição cerebral incompreendida. Não é preguiça mental nem falta de motivação. É considerado uma perturbação neurológica. Afeta especialmente a capacidade de entender, trabalhar com números e conceitos matemáticos. Se for o caso do seu filho, não desespere! Há formas de o ajudar.

Conheça os sinais da Discalculia  Uma criança com esta perturbação tem dificuldade em quantificar as coisas. Tende a apresentar dificuldades ao nível da perceção real entre o número e a quantidade. Como se 8 canetas fossem 15 ou 20. Apresenta dificuldades em compreender, por exemplo, que 8 é o mesmo que 4+4, ou 7+1.

São sinais que podem indiciar uma disfunção neurológica. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as probabilidades de a ajudar.

Preste atenção ao comportamento do seu filho – Tome notas. Observe e registe as suas dificuldades. Tenha em conta que a Discalculia pode causar várias dificuldades, não apenas ao nível dos conceitos matemáticos. Esta Perturbação Específica do Cálculo também tende a manifestar-se através de dificuldades na noção do tempo e nas medidas de grandeza.

Discuta a vida escolar – Pergunte ao professor de matemática se o seu filho tem manifestado problemas na aprendizagem dos conceitos. Se a resposta for afirmativa, pergunte se está a implementar estratégias de ensino compensatórias. Os apoios informais também podem ser um importante contributo.

Crianças com Discalculia costumam ainda apresentar outras dificuldades de aprendizagem e também, de atenção. Considere solicitar uma avaliação educacional (nas áreas da psicologia e/ou psicopedagogia). As informações obtidas podem ajudar o seu filho. Marque de seguida uma reunião na escola. Apresente as respetivas conclusões aos professores que poderão ponderar a criação de um Plano de Educação Individualizado.

Fale com o médico do seu filho – Discuta todas as dúvidas e preocupações, sem a presença da criança. Transmita ao pediatra as notas diárias que foi recolhendo. Questione as opções de tratamento, incluindo a terapia psicomotora. Alguns alunos com discalculia têm dificuldades visuo-espaciais na leitura e escrita de números. Não se sabe, ao certo, qual a causa concreta da Discalculia. Alguns investigadores acreditam que poderá estar relacionada com vários fatores: herança genética, lesões cerebrais, nascimento prematuro, pouco peso e, por exemplo, exposição ao álcool durante a gestação.

Discalculia dura para a vida mas não impede o sucesso profissional. É possível minimizar as dificuldades com o acompanhamento certo e estratégias compensatórias. Todas as crianças com este distúrbio podem destacar-se em outras áreas.

Explore as capacidades do seu filho. Poderá surpreender-se.

Educar uma criança significa conduzir a criança, o que prossupõe uma relação entre um adulto, que sabe conduzir, e uma criança, que precisa de ser conduzida, de um patamar de saber insuficiente para um de conhecimento aumentado. Esta relação deve ser benéfica para a criança e não deve ser assente na crença de que o adulto conduz altivamente a criança e que esta se deixa conduzir passivamente.

Aprender tem origem na palavra apreender que implica o uso das mãos. Aprender vem de prender, isto é, de ligar, unir o que estava separado. Com as mãos se estabelece ligações afectuosas, o primeiro aprender que temos na vida veio do agarrar afectuoso das nossas mães.

As primeiras aprendizagens são feitas pelas interacções afectuosas entre a mãe e o seu bebé.

Para uma criança estar disponível para as aprendizagem escolares e para que possa ter sucesso, os saberes básicos tem de estar consolidados. Estes saberes assentam no diferenciar entre o que é presença e o que é a ausência; entre o bem-estar e o mal-estar; entre o feio o belo; entre o bom e o mau, entre o amor e o ódio, entre construir e destruir; entre verdade e mentira; entre liberdade e opressão; entre mulher e homem; entre pais e filhos; entre gratidão e inveja; entre o que causa mal-estar e o que causa alivio, entre outros.

Os saberes básicos transformam-se em aprenderes fundadores que devem ser feitos sempre através de interacções afectuosas, pois são saberes que provocam muitas angústias e se estas não forem contidas, em vez de estimularam o crescimento paralisam-no. Em vez de termos um aprender claro que promove o crescimento saudável das crianças temos um aprender confuso que vai comprometer o crescimento e o desenvolvimento saudável da criança. Esta vai ficar presa nesse nível onde surgiu a confusão.

Quando os aprenderes da vida ou aprenderes fundadores ficam bem consolidados, a criança está preparada para os aprenderes escolares. Se houver uma falha num aprender isso implica que houve falhas anteriores nas dimensões de acolhimento, suporte, contenção, organização e estimulação no processo educativo da criança.

Não podemos esquecer que existe uma ligação entre a saúde mental e a saúde pedagógica e aceitar que para aprender bem é preciso pensar bem, e para pensar bem é preciso estarem completos os aprenderes fundadores baseados em distinções de afetos.

Quando as confusões da criança diminuem, as angústias ficam suportáveis, a tristeza atenua-se, o pensar torna-se mais claro e eficaz, os aprenderes quer escolares quer os básicos, acontecem. A criança que consegue pensar bem aprende bem e o aprender bem leva a um pensar ainda melhor.

Segundo João dos Santos a educação deve inspirar-se numa pedagogia de relação. A escola se proporcionar um ambiente de pedagogia de relação poderá criar condições para desbloquear aprenderes fundadores que ficaram bloqueados. João dos Santos e os seus educadores acreditavam que quando criavam um ambiente de acolhimento em que a criança, desvalorizada e bloqueada, sentia que existia um interesse real por ela enquanto pessoa, fazia com que a criança se valorizasse aos seus próprios olhos centrando-se nas suas habilidades e capacidades atuais, e não nas suas dificuldades, insuficiências e insucessos. Este bom acolhimento permitia retomar a aprendizagem dos aprenderes fundadores que falharam ou ficaram bloqueados.

Uma pessoa só aprende quando encontra suporte e contenção suficiente e sobretudo se se sentiu estimulado. As crianças na escola precisam de encontrar professores que lhe ofereçam suporte, contenção e estimulação.

A escola deve ser vista pela criança como um local de aventura onde o professor é o guia.

A família e a primeira responsável pela consolidação dos aprenderes fundadores quando estes falham vai ser difícil para a criança aprender os saberes escolares. Por isso família e escola devem caminhar lado a lado.

Joana Duarte, psicóloga clínica

imagem@rte.it

Aprendemos a falar com meses de idade e a ouvir quando estamos ainda na barriga da mãe. O nosso olfacto desenvolve-se também na mesma altura. No entanto, um dos nossos sentidos mais importantes só se desenvolve na sala de aula.
São os professores que nos ensinam a olhar. A observar o mundo que nos rodeia, a perceber a vida, as oportunidades. A entender como as coisas funcionam (ou deveriam funcionar).

É na sala de aula que as crianças aprendem a ler – talvez um dos maiores poderes já dados ao ser humano. E quando uma criança aprende a ler, cria asas.

É na sala de aula que as crianças aprendem a primeira letra do alfabeto e aprendem a junta-la a todas as outras. São os professores que ensinam às crianças a importância da comunicação e como as palavras têm vida.

É na sala de aula que os miúdos sonham em seguir os exemplos dos seus professores, talvez já sabendo que a educação pode mudar o mundo. O meu, o teu, o de todos os que nos rodeiam.

Vivemos numa sociedade de classes – o que torna tudo mais desequilibrado. Para piorar o quadro negro da educação as escolas públicas sofrem o peso da incapacidade dos políticos, bem como das suas genialidades para nos tirar o dinheiro dos quadros, dos giz, dos lanches, do inglês e do salário de quem possibilita que tudo isto aconteça.

As crianças que sonham um dia partilhar o que aprenderam ainda não sabem o que há por trás do sorriso de quem as olha com afecto desde o primeiro dia de aulas. Atrás do amor que sustenta a missão do professor – e que é certamente o que o faz continuar, há uma vida dura e cheia de recomeços.

Os salários que não chegam para as contas, a falta de estrutura para trabalhar, o peso de levar às costas a responsabilidade de educar crianças que já nascem destinadas ao fracasso e a dificuldade de convencê-las de que isso não tem de ser verdade. Será simples a missão de quem educa?

Precisamos de assumir esta luta em conjunto com os professores e educadores, com os directores das escolas e os orientadores e procurar uma solução como quem procura a cura de uma doença. O défice na educação é a doença da sociedade e quem morre não somos nós, mas os sonhos daqueles que ocuparão as Câmaras e todos os outros cargos por aí.

Se a educação não pode salvar o mundo, quem mais o fará?

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Por Ju Farias, em A soma de Todos os afetos

Dificuldades de Aprendizagem: Avaliar e Intervir

Muitas crianças, adolescentes e jovens passam por situações de dificuldades de aprendizagem. Estas podem ser ligeiras, moderadas ou graves, temporárias ou contínuas ao longo do tempo, gerais ou específicas de alguma(s) disciplina(s) ou matéria(s). Em alguns casos, essas dificuldades estão associadas a um diagnóstico ou perturbação – por exemplo, dislexia, discalculia, hiperatividade, défice de atenção, perturbações do espetro do autismo, perturbações de desenvolvimento, défices cognitivos, paralisia cerebral, síndrome Down, etc – a outras questões sócio-emocionais do aluno ou mesmo a variáveis contextuais, que remetem para a integração, bem estar e envolvência do aluno na turma e na escola.

Assim, e existindo uma tão grande diversidade de situações, o primeiro passo para uma intervenção de qualidade no âmbito das dificuldades de aprendizagem passa por uma boa avaliação de cada caso. Por avaliação entende-se não só a aplicação de testes e provas que permitem a caraterização das funções cognitivas do aluno e aceder ao seu perfil de aprendizagem, como a observação atenta da situação e a capacidade de ler a criança ou jovem em questão, procurando compreendê-lo enquanto pessoa e não só enquanto aluno. Através da avaliação, procura-se também perceber as causas do insucesso do aluno, reunindo-se um conjunto de informação muito importante para preparar a intervenção.

De referir que uma boa intervenção deve passar por uma abordagem flexível, assente na criança/adolescente e nas suas necessidades e incluir a escola e a família. Em alguns casos, a intervenção com a escola pode ser preponderante uma vez que podem existir fatores de sala de aula ou relacionais (aluno-aluno; aluno-professor) a contribuir para o problema. Em outros casos, a intervenção com os pais, e a orientação e acompanhamento destes são especialmente importantes, na medida em que através da melhoria/alteração de algumas práticas educacionais se podem conseguir progressos importantes. De qualquer modo, e em qualquer situação, o trabalho individual com o aluno é fundamental.

Intervenção centrada no aluno

A relação que se estabelece entre o técnico e a criança/jovem é determinante para o sucesso da intervenção. O técnico deve investir no conhecimento e compreensão do sujeito com quem vai trabalhar, investigar as suas áreas de interesse, gostos e preferências, interessar-se pela sua vida para além da escola e das dificuldades de aprendizagem, em suma, participar do seu mundo, criar elos. É muito importante que a criança/jovem se sinta confortável e motivada ao longo da intervenção e que se implique nesta com tanta intensidade quanto lhe for possível. Para o efeito, as sessões devem ser organizadas de modo a ser apelativas e motivantes, para além de trabalharem as áreas que interessa promover. Neste sentido, o ideal são tarefas variadas e desafiantes, se possível com alguma componente lúdica ou de jogo e, quando viável, enquadradas em algo motivante para a criança/jovem e que lhe desperte entusiasmo.

Por fim, é muito importante que ao longo da intervenção o técnico tenha bem presente os objetivos para cada criança/jovem – competências a desenvolver, áreas da cognição a promover – e que esteja familiarizado com as estratégias e modelos teóricos de atuação mais indicados e favoráveis para cada situação. Conciliar uma boa intervenção do ponto de vista técnico com a capacidade de motivar e envolver a criança/jovem e de lhe devolver a confiança e a segurança são os grandes desafios que estes casos lançam.

Por Sandra Farropas

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“O erro é fonte de aprendizagem”

Em 2011 tive o privilégio de conhecer a Dra. Renata Jardini, no curso “Alfabetização e Reabilitação das Perturbações da Leitura e Escrita”, em Lisboa. Uma profissional dinâmica, sábia e com um brilho nos olhos quando fala do Método por si criado – o famoso Método das Boquinhas! Um método que nasceu e foi crescendo graças às dificuldades das crianças, aos seus erros, às suas respostas. Facto que foi dando corpo a um dos chavões do Método: “O erro é fonte de aprendizagem”.

Quando vi o programa do curso, pensei: “Tem tudo a ver comigo!”

A energia da Dra. Renata e o seu entusiamo são realmente contagiantes e as bases teóricas do método e tudo o que ele envolve fazem todo o sentido. O trabalho dos pré-requisitos essenciais à leitura e escrita é muitíssimo completo e inicia-se logo no Jardim de Infância de forma lúdica, natural e estruturada.

Será o Método das Boquinhas apenas uma abordagem à aprendizagem recorrendo a bocas (articulemas)? Muitos poderão pensar que sim, mas é MUITO MAIS DO QUE ISTO!

O Método das Boquinhas existe desde 1997 e é um método multissensorial, fónico-visual-articulatório, sendo creditado pelo Ministério da Educação brasileiro como tecnologia educacional.

Atualmente a obra de Boquinhas conta com inúmeros artigos científicos, variadíssimos livros publicados, com diversos materiais de apoio, 13 Jogos (Jardini), e dois conjuntos de Banners para utilização em salas de aula, consultórios e/ou domicílio. Um desses jogos, o Lince de Boquinhas está já validado como Protocolo Lince de Investigação Neuroliguística – PLIN (2012), para utilização clínica e pedagógica, para deteção precoce de perturbações de aprendizagem. Mais recentemente, em setembro de 2016 foi editado o primeiro livro adaptado para o português europeu – “Aprender a ler e a escrever com o método das boquinhas” (Caeiro, Mafalda e Jardini, Renata).

Por ser um método multissensorial, estimula a região pré-frontal do cérebro, onde a imagem articulatória do som (articulema) se forma. O facto de incentivar a criança / adulto a consciencializar-se e a sentir todo o processo que envolve a produção de um som (desde a imagem da boca, ao som – fonema –; à forma como é articulado), estimula a memória imediata (loop fonológico) e de longa duração (loop articulatório), bem como a atenção e a cognição de um modo geral, melhorando as capacidades fonológicas de quem o utiliza.

Poderá funcionar apenas como ferramenta de conversão grafo-fonémica, complementando outros métodos ou como método de alfabetização, usado na íntegra. Começa logo no Jardim de Infância e estende-se até à idade adulta, podendo ser aplicado a crianças com e sem dificuldades ou perturbações. Aliás, por apelar a múltiplas entradas é um método que chega às mais variadas crianças, respondendo de forma mais eficaz às suas necessidades. Porquê usar métodos que não resultam com esta ou aquela criança? Não valerá a pena, nem que seja por uma criança, optarmos por uma metodologia que chegue a todas?

Ao longo da metodologia, vamo-nos apercebendo da grandeza humana que está por detrás… Nos manuais, encontramos atividades cruciais ao desenvolvimento e preparação das crianças / alunos, estimulando as mais diversas áreas: atenção, consciência corporal, processamentos auditivo, visuo-espacial, consciência fonológica e fonoarticulatória, desenvolvimento cognitivo… Um processo de aprendizagem, no qual as crianças são também levadas a respeitar o outro, a aceitar as diferenças, a aprender com os erros, não tendo medo de os fazer.

Um mundo onde a aprendizagem é realmente aprendizagem, porque é sentida, vivida, experienciada, por isso, armazenada!

Com o intuito de aprofundar os meus conhecimentos no Método, tenho procurado estudar mais o mundo da leitura e escrita, fiz formação na área (inclusive no Brasil), acompanho grupos em escolas (com os quais procuro pesquisar os benefícios do Método no seu desenvolvimento) e oriento Educadores e Professores neste âmbito. Para uma melhor monitorização do meu trabalho, recebo supervisão constante da Dra Renata Jardini.

Sou multiplicadora (representante) do Método das Boquinhas desde novembro de 2012. Uma conquista que me deixa muito feliz e que exige continuidade.

Um multiplicador / representante é alguém que está apto a formar e orientar outras pessoas no método, ajudando à sua divulgação e contribuindo para o seu crescimento.

Em Portugal já ocorreram diversas formações, em Lisboa, Faro e Porto. O feedback dos formandos tem sido muito bom! Sinto que as pessoas gostaram e que, acima de tudo, perceberam que há aqui algo novo, profundo e que… RESULTA!

Acredito, pelos resultados observados e obtidos ao longo deste tempo, que esta nova abordagem é uma mais valia para a Educação Portuguesa!

Em Portugal, precisamos de mudanças, de algo novo e seguro, fácil de aplicar, que melhore a auto-estima de alunos e professores / Educadores.

 

Por Mafalda Caeiro Terapeuta da Fala – Representante do Método das Boquinhas, em Portugal.

Renata Jardini – autora do Método das Boquinhas.

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Contributos da Música na Maternidade

A utilização da musicoterapia, não é uma terapia nova. A sua existência remonta à antiguidade, embora não sejam precisas as suas origens.

Nos meados de 1800, Florence Nightingale reconheceu o poder da música nos hospitais. Pretendia ajudar os soldados (atingidos na guerra da Crimeia) no seu processo de recuperação. Ela observou os efeitos que os diferentes tipos de música provocavam nos doentes. Utilizou instrumentos com um som contínuo, que geralmente provocavam um efeito benéfico nos pacientes e instrumentos que produziam outros tipos de som provocando o efeito oposto.

Quer em França, quer nos EUA, a musicoterapia é uma prática muito divulgada, no entanto no nosso país ainda é pouco utilizada.

A terapia através da música pode ter vários efeitos no organismo. Por exemplo: anti-neurótico, anti-stress, sonífero, tranquilizante, regulador, analgésico, anestésico, equilibrador do sistema cardiovascular e do metabolismo.

Está demonstrado através de estudos científicos que os efeitos da musicoterapia podem ser utilizados nas diversas áreas da saúde, nomeadamente na área da maternidade.

O nascimento é o momento em que se dá a separação de dois seres. Dois seres que partilharam uma relação de intimidade durante nove meses. Assim o parto não é somente um processo fisiológico mas também um processo social.  Neste processo existem alterações nas relações entre mulher/família e o meio onde está inserida. (Martins; Mira; Gouveia; 2007:46).

Estudos realizados com a ajuda da ecografia e sob a análise de psicanalistas, revelaram que o feto é um ser que ouve, compreende, sente e reage. Demonstra ser sensível ao tom de voz, suave ou agressiva, reage também aos barulhos intensos e ao estado emocional do ambiente externo. Às vinte semanas este responde ao som e á melodia.

Quando a mãe comunica com o feto, este reconhece o timbre emocional da voz da desta.

Assim, ao ouvir musica calma, o desenvolvimento do feto é influenciado de uma forma positiva.

A forte ligação entre o som/música e memória/aprendizagem pré-natal tem sido demonstrada em experiências formais, observação dos pais, relatórios clínicos e relatos na primeira pessoa. A música, o som e o desenvolvimento humano estão intimamente ligados.

Na memória de um bebé são guardadas todas as sensações que lhe foram transmitidas pela mãe ao longo da gravidez. O feto ao ser sensível às ondas sonoras, sentir-se-á mais calmo se no decorrer do trabalho de parto, a mãe lhe proporcionar melodias que lhe são familiares. Compositores clássicos, tais como Bach, Vivaldi, Mozart e Strauss são os mais solicitados devido às suas melodias orquestradas e agradáveis. No caso do rock e Samba os seus sons fortes e agressivos dificultam a interacção da mãe e bebé.

O ambiente da sala de partos para os casais poderá ser considerado como estranho. Assim a música (principalmente a escolhida por estes) poderá reduzir o stress e a ansiedade. A utilização da música poderá ser considerada como um fenómeno que ajuda a encontrar no trabalho de parto uma experiência menos traumática e o mais agradável possível.

Para Browning (2000), a utilização da música durante o trabalho de parto traz benefícios. Ou seja, ajuda na respiração, relaxamento, distracção/controle da dor.

Phumdoung, Good (2003) acrescenta que a música pode ser utilizada no início do trabalho de parto, tendo como objectivo ajudar as mulheres a encarar as contracções de uma forma mais relaxada.

A música escolhida pelos pais torna todo o processo mais pessoal.

Assim, o bebé chega e este mundo com música, sons e vozes que lhe são familiares. O nascimento torna-se um momento especial e o som musical preferido dá-lhe mais beleza. Todo este processo é vivenciado de uma forma única e estimulante.

A dor e o prazer aparecem como duas formas distintas e relacionadas no decurso do nascimento. Assim a música pode revelar tanto o esforço físico como a alegria do momento. Os benefícios da musica podem ser empregados tanto durante o parto vaginal, com ou sem analgesia, como durante uma cesariana.

Em suma, a utilização da musicoterapia é um aspecto importante para a distracção e o relaxamento da mulher. Focar a atenção na música faz com que se abstraia do ambiente envolvente, encarando o trabalho de parto como um fenómeno de tempo limitado que lhe irá oferecer alegria e felicidade.

 

Por Ana Filipa Ferreira,  Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstetrícia

Passamos tanto tempo a receber e a transmitir informações através da linguagem escrita que esta nos parece quase tão espontânea como a comunicação oral. No entanto, não há nada de natural na leitura. Não existe no cérebro nenhuma região especialmente dedicada à descodificação de símbolos que representem palavras. Trata-se de uma habilidade tão complexa que o nosso cérebro tem de se adaptar, criando um circuito que envolve as áreas – visual, auditiva e de linguagem.

A maior parte dos adultos não se lembram de como foi lento e trabalhoso o processo de aquisição da capacidade de leitura.

O facto é que essa transformação no cérebro não acontece e nem pode acontecer de um momento para o outro. É um trabalho de desenvolvimento e aquisição de conhecimentos por etapas que, por ansiedade dos pais e muitas vezes incentivo dos educadores, tem vindo a ser antecipado.

Não seria lógico concluir que, por se tratar de algo complexo, quanto mais cedo aprendessemos a linguagem escrita, melhor e mais fácil seria?

Sim e não: se considerarmos que o contacto com os livros, as brincadeiras de consciência fonológica, as histórias e as rimas recitadas e cantadas criam ligações no cérebro que serão importantes para a aquisição da capacidade de leitura, então este processo deveria começar cedo. Mas seria só mesmo esta fase em que se desenvolvem as conexões necessárias para que a leitura possa ser entendida com maior facilidade.

Já a alfabetização propriamente dita, para acontecer com tranquilidade e sucesso, deve esperar que as etapas anteriores estejam muito bem construídas e assimiladas. No entanto, grande parte das escolas (e muitos pais) esperam que as crianças cheguem aos 6 anos a saber ler e escrever.

Nessa idade, regra geral, as crianças ainda não estão neurologicamente prontas para começar a ler. Há áreas do cérebro envolvidas na leitura, como o giro angular, que não estão suficientemente desenvolvidas para que a descodificação faça algum sentido.

Por volta dos 4 anos muitas crianças memorizam letras e sílabas, reproduzem palavras inteiras e escrevem o seu nome – o que não significa que estejam a compreender o processo de leitura. Trata-se de memorização simples. Na verdade, nessa idade elas têm uma memória excelente, mas regra geral, não estão maduras para entender a linguagem escrita.

Maturidade da criança

Estudos mostram que essa maturidade, geralmente, ocorre entre os seis e os sete anos, quando acontece o que o neurocientista cognitivo Stanislas Dehaene chama de “revolução mental” no seu livro Os Neurónios da Leitura , da Penso Editora.

A “Revolução mental” é a fase em que a criança começa a perceber que a palavra pode ser dividida em diferentes fonemas. No entanto, não existem dois cérebros iguais, e haverá sempre variações na facilidade com que cada um se familiariza com a linguagem escrita, o que traz à escola o desafio de conhecer e respeitar o ritmo de cada aluno.

Assim, antes de estabelecer a chamada consciência fonológica, forçar a alfabetização é uma perda de tempo.

Este período de tempo pode ser muito bem aproveitado – as crianças em idade pré-escolar estão em pleno desenvolvimento da consciência metalinguística e ampliam diariamente o seu vocabulário.

Estudos mostram que, aos 3 anos de idade, as crianças têm a capacidade de absorver  a até 20 palavras novas por dia, enquanto assimilam naturalmente as complexas regras gramaticais. Em vez de forçar um cérebro ainda imaturo a relacionar letras a sons, estes miúdos podem (e devem) exercitar a linguagem oral e suas habilidades metalinguísticas de forma a familiarizarem-se com a complexidade das construções sintáticas que o seu idioma oferece.

Muito mais importante do que começar a ler cedo, é começar a associar a leitura a algo agradável e prazeroso e não a um desafio penoso. Para isso, é necessário que os pais e educadores respeitem o ritmo e a maturidade de cada criança para que possam então, iniciar a alfabetização com sucesso.

 

Artigo de Michele Müller, Jornalista especialista em neurociências e neuropsicologia, publicado em Brasilpost

 

imagem@AIA Austin

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Adaptação na escola

Querida mãe (e ou pai) cujo filho está a fazer a adaptação na escola:

Prepara (e prepara-te) esta nova etapa sem medos (o que não é o mesmo que dizer que não tenhas receios).

Tenta perceber todas as mudanças para que quando o teu filho for confrontado com elas possas saber do que se trata e explicar-lhe o porquê de as coisas serem como são.

É natural que percas algumas horas de sono por causa das novas actividades, dos novos cuidadores, da nova carga de trabalhos que o teu filho vai ter, da alimentação e por aí fora. Permite-te ter as tuas dúvidas mas tenta resolvê-las a todas com tranquilidade.

A adaptação dos nossos filhos a uma nova realidade é também uma adaptação dos pais a essa mesma situação. Se fizeres a tua parte, isso irá facilitar a parte que cabe aos teus filhos.

Dito isto, há uma lista de coisas que deves tentar não esquecer:

– O teu filho é fantástico (e tem nele a capacidade de “enfrentar” o mundo, ou não foste tu quem lhe deu todas essas ferramentas?).

– O teu filho vai ter de se habituar às novas rotinas.

– Vai ter de conhecer as pessoas para ter a possibilidade de criar empatia com elas. Não esperes que goste de toda a gente (quando nem tu, que és adulto, o fazes).

– Dá-lhe tempo.

– Ouve-o.

– Tranquiliza-o.

– Aprende o que ele está a aprender para se sentir acompanhado.

– Desdramatiza. Não adianta chorarem juntos, isso vai acrescentar uma carga dramática emotiva negativa a uma mudança: que ao longo da vida acontecerá múltiplas vezes e que deve desde já ser vista como a oportunidade de algo novo e melhor.

– Participa.

– Não desvalorizes os sentimentos do teu filho: se está a partilhar o que sente aprecia esse momento.

– Está atenta aos sinais, sejam eles positivos ou negativos.

Acima de tudo, respira fundo. Daqui a uns meses vai parecer que as peças estiveram sempre tão bem encaixadas que vais sentir que este início aconteceu numa outra vida: ou pelo menos é este o meu desejo e o meu voto de que tudo corra bem.

Afinal, mudar é evoluir e ser mãe (pai) é crescermos com os nossos filhos.

Este é só mais um degrau e cabe-nos a nós subi-lo da forma mais natural possível.

 

 

imagem@Tu Chique, Coleção Outono/Inverno 2016®

Um dia ensino-te…

Um dia ensino-te a importância de saber perdoar;
A assumir as tuas responsabilidades;
A pensares nos outros e não só em ti.

Um dia ensino-te que nem todo o friozinho na barriga é amor;
Que há pessoas que nunca irás esquecer, independentemente de a vida vos afastar irremediavelmente;
A rir das tuas fragilidades.

Um dia ensino-te que nem todo o ciúme é saudável;
Que a confiança se constrói pouco a pouco mas que se pode acabar num ápice;
Que por te terem magoado uma vez não significa que todas as outras pessoas o façam.

Um dia ensino-te a aproveitar os abraços que dás a quem amas;
A valorizar os raros momentos em que podes fazer exactamente aquilo que queres;
A não olhares apenas para o teu umbigo.

Um dia ensino-te que nem toda a mentira tem perna curta;

Que nem toda a verdade tem de ser dita;
Que ganhas muito mais se pensares antes de falar.

Um dia ensino-te que não tens de gostar de toda a gente, mas a todos deves respeito;
A aceitar que nem toda a gente goste de ti;
A não transformar esse facto na luz orientadora do teu caminho.

Um dia ensino-te que há amigos que se amam como a irmãos;
Que há viagens que não se repetem;
Oportunidades que não voltam.

Um dia ensino-te que há certezas que viram dúvidas;
Que não há problema em mudares de opinião;
Que não deves envergonhar-te por não pensares como a maioria.

Um dia ensino-te que a curiosidade é um dom;

Que a felicidade é, basicamente, estarmos aqui e agora;
Que o único responsável por te fazer feliz és TU!

Um dia ensino-te que mesmo quando tudo parece estar a correr-te mal o mundo não está contra ti – apenas te cabe olhar esse mundo com outros olhos para que consigas encontrar um novo rumo;
A não julgar pelas aparências, a não teres preconceitos;
Que nunca saberás tudo sobre toda a gente.

Um dia ensino-te que te vais desiludir com as pessoas mais insuspeitas – e isso faz parte;
Que o amor é uma dádiva e serás uma sortuda se o conseguires ver à tua volta;
Que todas as histórias têm duas versões e deves procurar que a tua seja a mais fidedigna.
Que não deves esperar dos outros exactamente aquilo que dás, sob pena de viveres numa insatisfação permanente.

Ensino-te que há memórias que te irão acompanhar para sempre, por isso procura construir mais momentos bons que maus;
Que por mais que olhes para trás não podes mudar o passado – aceita-o.
Que és a dona das tuas conquistas e dos teus erros.

Um dia ensino-te a valorizares as tuas melhores características e a não chamares a atenção dos outros para os teus defeitos.
Um dia ensino-te que o dinheiro não é tudo;
Que um verdadeiro amigo às vezes é tudo o que precisas;
Que a vida é demasiado curta para culpares os outros por algo que nunca conseguiriam fazer (ou agir) de outra forma.

Um dia ensino-te a amar os livros;
A não responderes a tudo o que te dizem – tantas vezes o melhor é deixar passar e não dar importância;
A ser boa, a não esquecer as tuas origens, a tua família.

Um dia ensino-te a não usares o poder como arma;
A amares-te;
A amares o que a vida tem de bom.

Ensino-te a aceitares todas as tuas cicatrizes;

A procurar o equilíbrio;
A não maltratar os outros, a tratá-los sempre com educação e, aos que precisam, com compaixão.

Um dia ensino-te a saltar mesmo quando sentes medo (para que possas sentir que és quem és e estás onde estás pelo que fizeste mais do que pelo que deixaste de fazer);
A filtrar tudo o que é negativo.
A não te ires abaixo quando estás “sozinha” nas tuas convicções.

Um dia ensino-te a teres orgulho em ti e nos teus.
Que é normal questionares-te.
Que podes tudo, basta trabalhares para isso.

Sei que só serei responsável por te ensinar uma pequenina parte destas lições. A vida encarregar-se-á do restante mas, mesmo assim meu amor, nunca te esqueças que os teus dias são o que fazes com eles, os problemas têm a proporção que lhes dás, que uma atitude positiva é meio caminho andado para seguires em frente.

Um dia ensino-te a voar – com um mapa desenhado nas costas com a ponta dos meus dedos, para que possas regressar sempre.

A mãe deseja-te a melhor e mais rica das viagens.

 

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