“As Educadoras de Infância vivem um desafio ao nível das relações interpessoais materializado na dinâmica Educadora-Auxiliar, uma máquina que tentam ter sempre oleada.”

Somos Psicólogos, somos Pais, somos Formadores e desempenhamos um trabalho forte no Desenvolvimento de Competências, onde as Educadoras de Infância são um dos fascinantes públicos com quem trabalhamos. Também trabalhamos Professores, Pais e Alunos, claro. Ensinamos muitas pistas práticas nas (trans)Formações e Worshops Brilhantes, mas naturalmente, também aprendemos muito com as Educadoras de Infância.

Aprendemos de forma fantástica com a sua postura. Alguns dos ensinamentos, nem conseguimos colocar por palavras. Elas são assombrosas, como todas as pessoas que sonham e acreditam no seu trabalho.

Hoje é sábado, não há Escola, nem Pré-Escolar…pode ser uma boa hora para relembrar:

  1. A Educação Pré-Escolar não é Escola. (E ainda bem) É fundamental, porque é a preparação, o lançar das bases emocionais e sociais.
  2. Atenção Pais! Deixem as crianças terem as suas próprias conquistas. As Educadoras de Infância ensinam-nos que cada vitória é uma pedra para a auto-estima da criança.
  3. As Educadoras são muito ativas no delinear estratégias, para não serem “queimadas etapas”. As crianças têm os seus ritmos, os objetivos devem ser esgrimidos com gentiliza e sabedoria.
  4. Por vezes, certos pais, (uma minoria, sejamos optimistas), ainda não entendem a profundidade deste trabalho. Um trabalho onde a relação entre as crianças é uma base incrível!
  5. As crianças são todas diferentes e nas inter-relações que surgem, há muito valor para ser capitalizado.
  6. “OCEPS” não é um palavrão esquisito, são as Orientações Curriculares para a Educação Pré-Escolar . Estas foram recentemente remodeladas para estarem mais de acordo com a realidade cultural e histórica.
  7. Para as crianças evoluírem, as Educadoras de Infância reúnem muito e trabalham em equipa, planificando e estando sempre à procura de novas ideias.
  8. Por vezes, pensam que os Pais ficariam de boca aberta se pudessem espreitar o dia-a-dia das suas crianças. Elas superam-se, elas cantam, elas brincam, elas defendem-se, e, como não podia deixar de ser, elas também atacam.
  9. As Educadoras de Infância vivem um desafio ao nível das relações interpessoais materializado na dinâmica Educadora-Auxiliar, uma máquina que tentam ter sempre oleada.
  10. As Educadoras de Infância, trabalham inseridas numa instituição com as suas regras, planos e direções. Isto é bom. Mas também pode ter factores negativos, quando a direção limita a sua ação.
  11. Embora possa ser complicado para alguns Pais, o progresso de cada criança é individual. Não é suposto avaliar nem classificar a criança na Pré-Escolar.

Assim, Pais, reforcemos todos este fascínio por esta profissão que vai deixar marcas positivas no desenvolvimento das nossas crianças.

Deixamos em sua homenagem e para inspiração dos Pais, estas palavras:

O importante é ler, escrever e contar
O importante é ter, olhar e ouvir
Mas o mais importante, é ainda mais que isso
O mais importante, é ainda mais que isso

Há que recuperar o espaço para sonhar, cantar e brincar
Porque crescer não é apenas para o ar
Queremos crianças a crescer no interior,
onde o crescer atrai esperança e valor

O mais importante é crescer em relação, viver nas diferenças
O importante é crescer e saber que o importante é
Ser, observar e escutar   
O mais importante é ser, observar e escutar

imagem@rodavivagoiana

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Bullying – O que é já eu sei! Quero é saber… o que posso fazer!

São cada vez mais os pais que nos chegam assustados, sem saberem o que fazer e como ajudar os seus filhos perante situações de bullying. Em primeiro lugar precisamos saber sobre o conceito para conseguir distingui-lo das desavenças e zaragatas normais entre as crianças e adolescentes. Só assim é possível estar atento e agir eficazmente.

Estamos a falar de bullying quando uma criança é exposta a ações negativas por parte da mesma pessoa ou grupo, de forma intencional, repetida e contínua ao longo do tempo. O bullying pode assumir diversas formas, tais como, violência física, emocional, cultural, do tipo racista, ciberbullying. Os estudos dizem-nos que os rapazes tendem a utilizar com maior frequência a agressão física como método. Já as raparigas frequentemente optam por a agressão sob forma indireta, através da humilhação, “maldizeres”, boatos.

É importante não esquecer que os desentendimentos entre crianças são conflitos normais no desenvolvimento sendo que por norma resolvem-se rapidamente. O bullying não faz parte do desenvolvimento normal das crianças, é uma forma grave, intencional e continuada da agressão! Ser vítima pode deixar marcas na vida de uma criança. Pode levar ao desenvolvimento de medos, sentimentos de inferioridade, ansiedade. Em casos mais graves pode até levar a autoagressões ou até mesmo ao suicídio.

Deixo-vos alguns sinais, podem estar associados a situações de bullying: esteja atento a alterações de humor; a maior dificuldade na atenção/concentração; medos; pesadelos e dificuldades em dormir; baixa autoestima; recusa em ir para a escola (constantes dores de cabeça, de barriga….); roupa e material perdido ou estragado; nódoas negras, hematomas.

O que se pode, então, fazer?

Na realidade cada pessoa pode fazer a sua parte. Eis algumas dicas sobre o que podem e devem fazer com os vossos filhos:

  • Conversar abertamente com os filhos sobre o bullying incentivá-los a contarem os problemas sem julgamentos ou criticas;
  • Conhecer os amigos dos filhos, saber o que estão a fazer, onde e com quem estão;
  • Evitar os programas e jogos que apelem à violência;
  • Conversar com os professores, diretores de turma e conhecerem a situação escolar dos filhos (rendimento escolar, amizades, comportamento…);
  • Estar informado sobre o regulamento da escola aquando situações de violência;
  • Promover atividades, do interesse dos filhos e que fomentem a cooperação, solidariedade, partilha;
  • Ensinar as regras sociais e promover a resolução de conflitos sem violência ou agressão.

Na escola pode ser igualmente importante refletir em conjunto com os alunos sobre o bullying, criando dinâmicas que promovam a valorização de si e dos outros, desenvolvimento do autoconceito, assertividade, trabalho ao nível das competências pessoais e sociais.

Não podemos esquecer que se a criança estiver a ser vítima de bullying temos por obrigação protege-la. E por isso, deve sempre denunciar ao conselho executivo da escola! Escola e pais devem enfrentar o problema juntos. A situação denunciada deve ser acompanhada e o agressor deve sofrer uma consequência disciplinar adequada, de forma  a que a segurança da vítima seja garantida. As consequências têm de ser justas, adequadas à idade, imediatas e de fácil monitorização (ex.: serviço comunitário dentro da escola…). Não se esqueça, nunca desvalorize a queixa nem a considere exagerada! Deve-se averiguar a veracidade e agir em conformidade. A criança deve ser ouvida e apoiada pelo adulto. Tente manter-se calmo e paciente. Não a culpe por ela não se defender, opte por elogiar a coragem que teve em denunciar.

Escola e pais devem estar atentos e intervir de forma imediata! Diariamente monitorize para perceber se as agressões terminaram (não faça um questionário…apenas 2 ou 3 questões). Não incentive a retaliação. A criança deve enfrentar o agressor sem utilizar os mesmos comportamentos de que foi alvo. Agressor e vítima devem ser referenciados para apoio psicológico e/ou outros adequados à situação (exemplo: comissão de proteção de crianças e jovens em risco, polícia…).

Quer na escola quer na família podem ser desenvolvidas algumas dinâmicas e/ou tarefas anti-bullying:

  • divulgação do bullying (cartazes, teatros, trabalhos de grupo, filmes);
  • transmitir, ensinar e refletir sobre a resolução de conflitos (manter a calma, descrever a situação – antes e depois, identificar sentimentos, procurar soluções, escolher a solução adequada);
  • ajudar as crianças a identificar os agressores, a quem recorrer, trabalhar os sentimentos e emoções;
  • realizar atividades sobre a amizade (exemplo: o que é um amigo? Como podemos ser amigos? Como demostras?)

Lembre-se que não podemos mudar o mundo nem solucionar todos os casos mas podemos e devemos ter um papel ativo. Saber e nada fazer é uma forma errada de ajudar. Mudar simplesmente o aluno (seja ele a vítima ou o agressor) de escola não é solução! Existem caraterísticas que (sem serem trabalhadas) se irão manter no aluno/a mesmo que mude de escola.

Tenha presente que maltratar o agressor não resolve a situação e, na maior parte das vezes, apenas serve para fomentar ainda mais a violência ou para que o agressor desenvolva estratégias ainda mais elaboradas. Embora não seja fácil criar empatia com os agressores, é possível ajudá-los a lidar com os seus sentimentos e a alterarem os seus comportamentos. O bullying é um comportamento aprendido e por isso pode ser alterado!

Estou disponível para qualquer dúvida e/ou questão.

Por Ana Filipa Ricardo, Psicóloga para Up To Kids®

imagem@topnews.br

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Bullying? Qual bullying?

Uma criança não nasce para estar sentada a ver televisão ou agarrada aos gadgets. Uma criança não quer estar calada o tempo todo.

Uma criança saudável é espontânea, barulhenta, inquieta, emotiva e colorida

As crianças gostam de se mexer, de explorar, de experimentar coisas novas, criar aventuras e descobrir o mundo que as rodeia. Estão a aprender e são como esponjas, são brincalhonas natas, caçadoras de tesouros e potenciais furacões.

As crianças são livres, são almas puras que tentam voar e não querem ficar num canto amarradas ou com algemas. Não as façamos escravas da vida adulta, da pressa e da nossa escassez de imaginação.

Não as apressemos para o nosso mundo de desencanto. Tentemos potencializar a sua capacidade de se surpreender. Precisamos de garantir que tenham uma vida emocional, social e cognitiva rica de conteúdos, de perfumes de flores, de expressão sensorial, de alegrias e de conhecimentos.

O que se passa no cérebro de uma criança quando brinca?

Brincar traz benefícios para as crianças a vários os níveis (fisiológico-emocional, comportamental e cognitivo).
De facto, podemos falar de diversas repercussões inter-relacionadas com o brincar:

  • Regula o estado de ânimo e ansiedade das crianças
  • Favorece a atenção, a aprendizagem e a memória.
  • Reduz a tensão dos neurónios, favorecendo a tranquilidade, o bem-estar e a felicidade.
  • Magnifica a motivação física, e graças a esse factor, os músculos reagem dando mais motivação para continuar a brincar.

Isto favorece um estado ótimo para a imaginação e a criatividade, ajudando-as a aproveitar a fantasia que as rodeia.

A sociedade tem vindo a alimentar a hiperparentalidade, ou seja, a obsessão dos pais para que seus filhos alcancem habilidades especificas que garantam uma boa profissão no futuro. E enquanto sociedade e educadores, acabamos por nos esquecer de que o valor humano não se mede pelas avaliações escolares, e que se não abrandarmos o nosso empenho de priorizar os resultados, estamos a descuidar algumas habilidades de grande importância para a vida.

Os nossos filhos são pessoas pequenas que precisam de ser amadas independentemente de tudo. Não se definem pelas suas conquistas nem fracassos, mas sim por elas mesmas, únicas por natureza.

Enquanto crianças não somos responsáveis pelo que recebemos na infância mas, como adultos, somos totalmente responsáveis pelo que proporcionamos aos nossos filhos.

Simplificar a infância da criança, educar bem

A expressão “cada pessoa é única” precisa urgentemente de ser interiorizada. É uma expressão muito aplicada, mas na prática o que se verifica é uma tentativa de educar todas as crianças segundo as mesmas regras.
Este erro é muito generalizado, muito comum e nada coerente com a expressão oral aplicada.

Kim Payne, professor e orientador norte-americano, afirma que estamos a criar os nossos filhos com base em quatro perigosos pilares:

  • Excesso de Informação
  • Excesso de coisas
  • Excesso de Opções
  • Excesso de Velocidade

Impedimo-los de explorar, refletir ou libertarem-se da pressão imposta pela vida quotidiana. Estamos a empanturra-las de tecnologia, de brinquedos e de atividades escolares e extracurriculares.
Estamos a distorcer a infância e, o que é mais grave, é que estamos a impedir os nossos filhos de brincarem e de se desenvolverem.

Atualmente, as crianças passam menos tempo ao ar livre (muito menos). Por quê? Porque as mantemos “entretidas e ocupadas” noutras atividades que achamos mais necessárias, procurando que fiquem limpos e não se sujem de barro. Isto é inaceitável e, acima de tudo, extremamente preocupante. Analisemos algumas razões pelas quais precisamos mudar:

  • O excesso de higiene aumenta a possibilidade de que as crianças desenvolvam alergias, tal como demonstrou uma pesquisa do hospital Gotemburgo, na Suécia.
  • Não permitir que brinquem ao ar livre é uma tortura que enclausura o seu potencial criativo e de desenvolvimento.
  • permitir que se mantenham colados aos gadgets é tremendamente prejudicial a nível fisiológico, emocional, cognitivo e comportamental.

Podíamos continuar, mas realmente neste ponto, acredito que a maioria de nós já tenha encontrado inúmeras razões que mostram que estamos a destruir a magia da infância.

Como afirma o educador Francesco Tonucci:

“A experiência das crianças deveria ser o alimento da escola: a sua vida, as suas surpresas e as suas descobertas. O meu professor pedia sempre que esvaziássemos os bolsos antes da aula começar. Porque estavam cheios de testemunhas do mundo exterior: bichos, cordas, cromos, berlindes, etc que seriam potenciais distratores durante a aula. Atualmente devíamos fazer o oposto: pedir às crianças esvaziassem os bolsos na mesa da sala de aula. Assim seria possível integrar as crianças com os seus conhecimentos e trabalhar à sua volta”.

Esta, sem dúvida, é uma forma muito mais sadia de trabalhar, de educar e de garantir o seu sucesso. Se em algum momento nos esquecermos, deveríamos ter a seguinte nota mental muito presente: “Se uma criança não precisa de tomar banho com urgência mal entra em casa, é porque não brincou o suficiente”.

Esta é a premissa fundamental de uma boa educação.

 

Por Raquel Brito, publicado em A mente é maravilhosa

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Brincar devia ser obrigatório

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É urgente ensinar as crianças a aprender a brincar

 

Há um ano atrás vivia num piloto automático! Estoirada! Desesperadamente estoirada! Trabalhava 14 horas por dia, 6 dias por semana.

Por vezes, as semanas terminavam e recomeçavam sem intervalo e longe de algum aroma domingueiro.

Parar era palavra que não fazia parte do meu vocabulário! Nem para fazer refeições “decentes”, o que dificultou, de certo modo, a minha relação com a balança!

Insatisfeita com o passado, demasiado amedrontada com o futuro, com prioridades mal definidas e com um péssimo defeito de não saber dizer “não”, o presente ia escapando no desenrolar de cada ciclo circadiano. O presente que é, na realidade, o único tempo em que vivemos!

Esta história também é a sua história? Ou também já foi a sua história?

Porque, para mim, o mais incrível é perceber que o viver sem pausas se tornou “normal” para a nossa sociedade!

Valorizamos a azáfama e a correria! Não fazer nada é visto como “preguicite aguda” e as agendas preenchidas são atribuídas às pessoas que são consideradas “importantes”. Enchemos os nossos intervalos das tarefas com passatempos, os Domingos com actividades e os Sábados com jantares, sem percebermos a esterilidade que é uma vida ocupada demais (como Sócrates já dizia!).

Pausa!

Precisamos de pausas!

Precisamos viver as pausas!

Por favor, alguém carregue na pausa!

Precisamos perceber que as pausas fazem parte da vida!

A noite é pausa e o inverno também.

Parar não é interromper. Muitas vezes, persistirmos em não parar é que se revela numa grande e redonda interrupção!

Parar também não é um dia de distracção, mas sim um momento de atenção. Parar é ser atencioso connosco e com a vida!

As pausas são essenciais para a saúde de tudo aquilo que é vivo!

Em Salmos (livro da Bíblia) existe uma palavra que aparece vezes e vezes: Selah. E Selah significa pausa para meditar. É nesse momento de pausa e meditação que existe crescimento. É nesse tempo que se percebe o sentido da caminhada. É a pausa que nos mostra quando algo terminou e quando algo vai começar.

O inicio do ano é uma pausa!

Que neste inicio de ano consigamos parar e repensar a velocidade em que vivemos.
Que esta pausa nos dê tempo, energia, relacionamentos, realizações e oportunidade de nos descobrirmos!
Perdoemos o passado, desfrutemos do presente e entreguemos o futuro nas mãos de Deus! E que quando a culpa começar a querer invadir os nossos pensamentos (porque a dinâmica imparável do mundo vai colocar-nos esta carga em cima), que nos lembremos que até Deus descansou depois de ter feito este lugar fantástico onde nós vivemos!

Por Sara Ribeiro

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Então, estragaste o teu filho com mimo?

Dar mimo é uma das melhores coisas que podemos dar aos nossos filhos. Transmite-lhes segurança, autoconfiança, ensina-os a ser afectuosos e a aceitar o afecto. Anima-os nos dias tristes e dá-lhes aconchego para a noite. Segundo o pediatra Mário Cordeiro, “não há mimo a mais” O mimo é sempre positivo. No entanto é importante saber distinguir o mimo de outras situações que muitos pais recorrentemente confundem com mimo. Falamos de chantagem emocional, de subornos, de promessas em troca da realização de qualquer tarefa que seria suposto a criança realizar sem contrapartidas. Esta situação permite que a criança ganhe força, e se torne num pequeno Hitler dentro da sua casa. Manipula os pais para comer, para se vestir, para tomar banho e para ir dormir. E os pais, cansados, acabam por ceder porque só querem que as coisas fiquem feitas e que o menino seja feliz.

“Não há mimo a mais” | Pediatra Mário Cordeiro

Se não há mimo a mais, podemos (e devemos) andar com os nossos bebés ao colo, dormir com eles, dar-lhes banhos prolongados, ler e cantar para eles até adormecerem, beija-los nos pés e nas pálpebras sempre que quisermos sem os “estragar de mimo.” Mas como é óbvio, não podemos fazer isso quando eles tiverem 16 anos. Nem 6. Porque a nossa função de pais, além de criar crianças felizes é criar adultos capazes. E para isso, a autonomia tem de começar desde cedo a ser trabalhada. Com a autonomia as regras, os limites e as responsabilidades. Sempre com muito amor e muito mimo, mas com firmeza para não descambar. Porque nos arriscamos a que o nosso bebé se transforme numa criança malcriada.

É fácil apontar os miúdos “mimados” na escola ou no parque, mas conseguiremos ter um olhar crítico sobre os nossos filhos?

A Pop Sugar fez uma lista de 10 sinais evidentes para perceberes se o teu filho é “um mimado”?

  1. Faz birras por tudo e por nada
    Já todas passamos por uma birra em casa ou no supermercado, mas se o teu filho usa este trunfo sempre que quer alguma coisa quer dentro de casa, quer na rua, então este é um bom indicador de que possa ser um mimado.

    birras

  2. Nunca está completamente satisfeito
    As crianças mimadas não ficam satisfeitas com o que têm e querem sempre ter o que vêem nos outros.

    Crianças instisfeitas

  3. Não ajuda nem que ajudar nas tarefas.
    São poucas as crianças voluntariosas nas tarefas domésticas. Mas a partir de uma certa idade já devem estar habituados a ajudar a arrumar os seus brinquedos e quartos entre outras coisas. Um mimado não quer ajudar em tarefa nenhuma, e se for preciso usa o trunfo birra para se escapar a esta obrigação.

    Tarefas domésticas e as crianças

  4. Tenta controlar os adultos
    As crianças mimadas não distinguem os pares dos adultos e esperam controlar os pais como muitas vezes controlam os pares.Controlar os pais
  5. Não partilham
    A partilha é um conceito difícil para uma criança adquirir, mas a partir dos 4 anos, e aprendendo através do exemplo, as crianças devem estar aptas e gostar de partilhar com os amigos e irmãos.
    Crianças que não partilha
  6. Tens de implorar para que realize uma tarefa
    Os pais são figuras de autoridade a quem as crianças devem obedecer quando lhes é feito um pedido. Não é suposto implorares ao teu filho para que realize uma tarefa.

    Implorar aos filhos

  7. Ignora-te
    Nenhuma criança gosta de ouvir a palavra “não”, mas se o teu filho te ignora não é bom sinal.ignorar os pais
  8. Recusa-se a brincar sozinho
    Aos 4 anos, uma criança deve estar disposta (e capaz) de brincar sozinha por um período de tempo. Exigir sempre a presença de um pai ou amigo para brincar nem que seja por 5 minutos demonstra sua necessidade de atenção.Crianças mimadas
  9. Tens de suborna-lo
    Os pais não devem ter que subornar os filhos quer seja com dinheiro, brinquedos, ou doces para que realizem tarefas rotineirasSubornar s filhos
  10. Envergonha propositadamente os pais em público
    Um deslize aqui e ali é normal, mas quando uma criança envergonha propositadamente os pais em público para obter atenção, a situação vai para lá de um ato isolado passando a ser uma atitude manipuladora de criança mimada.

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10 coisas que devemos dizer aos nossos filhos sem medo

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imagens@shutterstock

São palavras e expressões que são fundamentais para o desenvolvimento das crianças. Para dizer e repetir sem medo.

Se antigamente era comum os pais serem mais severos com os filhos, gritarem e até usarem a força física como forma de educar, hoje a maneira de impor limites e mostrar de quem vem a última palavra é outra (ainda bem!). Por aqui incentivamos o diálogo e uma postura firme mas nunca violenta.

Há tempos publicamos um artigo sobre “Como comunicar com os filhos de forma positiva e eficaz”.

Hoje, partilhamos este texto que destaca as palavras ou expressões que devemos dizer aos nossos filhos sem medo:

Não

Palavra simples, direta, objetiva, mas que representa muito no processo de desenvolvimento das crianças. O “não”, quando bem aplicado, tem efeito vitalício na vida das crianças. É usual os pais ficarem inseguros ao dizer Não. Afinal, ninguém quer ouvir de um filho frases como “Já não gosto da mãe”, ou “São os piores pais do mundo”. Mas, existem situações que não são negociáveis e certos comportamentos são inaceitáveis. Portanto, não podemos ter medo de pronunciar essa palavra quando percebermos que a situação pode sair do controle.

Sim

Outra palavra simples, mas de grande valia. Mais do que representar uma permissão, o “sim” transmite confiança à criança, mostra que estamos de acordo numa determinada situação. É claro que, da mesma forma que o “não”, o “sim” também tem o seu lugar. Por exemplo, se estão numa festa e o teu filho te pede para comer doces ou beber refrigerantes – sendo uma situação esporádica, a resposta pode ser positiva. Nestes casos é importante deixar claro que existem situações em que é permitido comer doces e beber refrigerantes e que esse sim não é extensível ao dia-a-dia. O bom uso do sim, também é importante para a disciplina.

Ou

Existem momentos na vida em família em que é preciso dar opções às crianças. Nestes casos o uso do “ou” é fundamental. O Ou dá-nos opções e saber escolher é um dos degraus para o desenvolvimento da autonomia, no entanto, uma autonomia supervisionada por nós. Por exemplo, se a tua filha quer ir vestida de princesa da Disney num casamento (quem nunca passou por isso?), podes propor algumas opções de vestidos. Quem vai escolher é ela, mas com a tua autorização.

A mãe não sabe

Ninguém sabe tudo, que bom! E quando nos tornamos mães/pais este facto não se altera em nada. Existem perguntas ou situações que os filhos nos fazem e que nós não temos resposta. Não tenhas medo de dizer “a mãe não sabe”, no entanto, é preciso sinceridade. Se te perguntam algo que não tens a menor ideia do que significa, responde: “Agora eu não tenho a resposta para essa pergunta, podemos investigar isso juntos? “ – Assim não só instiga a vontade e curiosidade de saber mais sobre algo, como tb cria uma atividade conjunta, ou “Agora eu não consigo decidir isso, filho. Vamos falar com o teu pai para sabermos a melhor forma de resolver essa situação? “. Admitir que não sabemos, e que também temos de pedir ajuda, é o primeiro passo para a aprendizagem.

Agora não é a melhora altura para falarmos sobre isso

Pode até parecer uma frase má para dizer às pessoas que mais amamos no mundo. Mas há momentos em que é melhor não falar do que explodir e dizer tudo e um par de botas, e da pior forma. Dizeres-lhe que naquele momento não queres falar com o teu filho, não fará com que ele pense que não gostas dele, antes pelo contrário. Quando perceberes que estás naquele momento de ebulição em que te vais transformar em Godzila , opta por dizer com calma que estás zangada/chateada e não vais falar com ele nesse momento. É honesto, verdadeiro e educativo. (Isto não se aplica a bebés e crianças muito pequenas)

Desculpa

Mesmo quando nos apercebemos que a situação está a sair do controle e nos afastamos, muitas vezes escapa-nos um grito ou exageramos na abordagem com os nossos filhos. Acontece a todos. Se viste que exageraste no “responso”, pede desculpas. Explica que, às vezes, também te descontrolas. O mundo precisa de pessoas que saibam pedir desculpa e pessoas que saibam perdoar. Pedir desculpa e perdoar transmite empatia, solidariedade e alivia a culpa (aos dois).

Obrigado

A famosa palavra mágica que tanto obrigamos a dizer também tem de ser dita por nós. Gratidão é (ou deveria ser) um dos princípios básicos para a convivência social. Quando o teu filho ajudar a pôr a mesa agradece. Quando se comportar ou mostrar que aprendeu algo, agradece. Agradece por tudo, e agradece-lhe também por ser como é.

O que é que achas?

As crianças estão em desenvolvimento e ainda não têm muita noção da forma como as coisas funcionam, mas isso não quer dizer que não tenham opinião ou personalidade. É muito comum subestimarmos a opinião dos nossos filhos acreditando que nós somos os donos da verdade. Enquanto estiverem a conversar, pergunta-lhe o que é que acha da escola, da professora, das aulas de natação. Isso estreita o vínculo familiar e possibilita que desenvolva a sua forma própria de ver o mundo, desenvolvendo a confiança em si próprio.

Ajuda-me

Ninguém vive sozinho, pedir ajuda é perfeitamente normal. Toda a gente precisa de ajuda e se temos filhos a quem podemos recorrer, ainda melhor. Existem diferentes formas de pedir ajuda às crianças e todas são benéficas para a relação. Podes pedir que guardem os brinquedos do quarto, ajudem a pôr a mesa ou apenas brinquem em silêncio por alguns momentos. Isso mostra que existe companheirismo e compreensão entre vocês.

Amo-te/Adoro-te/Gosto de ti até à lua

Esta não precisa de explicação. Diz sempre que quiseres, alto e em bom som.
É bom para quem diz e para quem ouve. Os nossos filhos agradecem.

 

Por Márcia Orsi, psicóloga especialista em Intervenção Familiar, para Pais & Filhos Brasil,
adaptado por Up To Kids®

imagem@Kingofwallpapers

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A sorte de (nascer, crescer e) acordar num país sem guerra

Ontem antes de adormecer conversávamos sobre a sorte de podermos fechar os olhos descansados, tendo um tecto sobre as nossas cabeças, um cobertor para afastar o frio, um quarto só para nós e a nossa filha no quarto ao lado com as mesmas comodidades. E a acrescentar a isto saber que podemos adormecer sem receio de acordar com o nosso mundo de cabeça para baixo.

As imagens, notícias e relatos que nos chegam de Alepo, na Síria, não deixam ninguém indiferente. Não consigo esquecer a imagem de uma menina de uns dois anos, idade da minha filha, com os olhos cheios de terror, a pele coberta de pó e sangue que lhe caía não se sabe bem de onde, porque o seu cabelo revolto escondia as feridas. As superficiais, é claro, porque as outras estão marcadas para sempre a um nível muito mais profundo. Refiro-me a ela como uma menina, mas ela deixou de ser criança. Não brinca, não sonha, não ri, assistiu a coisas que muitos adultos (felizmente) nunca terão de ver na vida e acima de tudo perdeu a inocência. O terror que tem nos olhos, a incapacidade de chorar, de expressar naquela idade o que está a sentir deixou-me o coração do tamanho de uma ervilha. Aquela menina perdeu toda a família. Não tem ninguém que possa dar-lhe colo, o que seria nesta altura provavelmente suficiente para a fazer crer que é humana. Não há nenhum tio, irmão, amigo, mãe ou pai, que lhe sussurre ao ouvido que vai passar, vai correr tudo bem. Ninguém que a abrace e lhe faça chegar calor, o bater de um coração próximo que ajude o seu a continuar a bater. Que futuro tem uma criança sozinha no mundo? Que futuro tem uma criança a quem é negado amor? Esperança? Educação? A quem provavelmente levarão para longe da terra que conhece como sua, onde há apenas ruínas e corpos no chão? Que terá de trabalhar apesar de ter idade para brincar? Que será abusada, violada, maltratada? Que morrerá antes de conseguir perceber que a infância não é nada disto?

Todos os dias acordamos, tomamos banho, tomamos o pequeno-almoço em família, brincamos e levamos a miúda à escola. Vamos trabalhar e corra o dia bem ou mal iremos busca-la, beijá-la e abraçá-la, perguntar-lhe como foi o seu dia, ouvir as novidades, fazê-la rir e rir com ela. Brincar no jardim enquanto comemos fruta. Voltar a casa e ler uma história, fazer um puzzle, ver desenhos animados na televisão. Dar-lhe banho, vesti-la e penteá-la, dar-lhe jantar, contar uma história, dar um beijo de boa noite e deitá-la. Desejar-lhe bons sonhos.

Na maior parte dos dias não nos apercebemos da sorte que temos, da sorte que ela tem por ter nascido aqui. Num país em paz, apesar de todas as suas dificuldades. A minha filha é uma criança feliz. Tem colo. Não está sozinha. Tem mais do que precisa, felizmente. Tem quem cuide dela.

Mas aquelas crianças, na Síria e em todos os outros países que vivem em guerra, todas as centenas de milhares de crianças que foram arrancadas da sua vida, da sua terra pela sede de dinheiro e de poder, que têm de assistir ao que de pior o ser humano tem e faz, que vêem os seus heróis morrer em vão, não têm essa sorte. Vivem num inferno. Alguns terão o privilégio de ser resgatados para uma vida melhor. Outros terão a ajuda dos muitos voluntários que doam o seu tempo e a sua vida em prol dos outros. Alguns terão a oportunidade de estudar, de se tornarem alguém, de mais tarde poderem ter um papel activo na mudança de mentalidades, na luta pelos direitos humanos.

Tomamos a nossa vida como garantida.

Este Natal, enquanto estivemos com as nossas famílias, à volta da mesa, quantos de nós estivemos verdadeiramente gratos?

Por os nossos problemas, maiores ou menores, não se poderem comparar com os das crianças de que aqui falo?

Porque o Natal é pensar mais nos outros do que em nós (e assim deveria ser durante todo o ano) e é uma boa época para fazer algo por eles.

Procurarmos informação.

Darmos a ajuda que está ao nosso alcance.

Ensinar as gerações que serão o nosso futuro a importância do diálogo, da tolerância, do respeito pela vida e dignidade de quem nos rodeia.

A serem gratos. A crescerem conscientes do privilégio que têm. A serem adultos que dão mais do que recebem.

Nesta época de Natal o meu coração está com todos os que amo e pensarei em todas as crianças que só colocariam uma coisa na sua lista de Natal: Paz.

Porque com ela vem tudo o resto.

Ontem à noite, antes de fechar os olhos para dormir, agradeci a sorte que tenho por viver num país sem guerra.

Esta noite não me esquecerei de fazer o mesmo.

imagem@Weheartit

“Então as aulas acabam as 16.30, correto?”

“Sim, mas depois ele segue para o ATL”

“Certo, e se marcássemos a sessão para as 18.00 então?”

“Não pode ser, ele a essa hora está a ir para a natação…”

“Então, a que horas poderia ser?”

“Não sei, mas provavelmente entre a aula, o balneário e o trânsito… Por volta das 19.30?”

“A essa hora o serviço já está a fechar e possivelmente fica muito tarde para depois o menino sair daqui as 20.30 e ainda ir jantar, brincar um pouco e dormir… Se calhar a outro dia da semana, o que acha?”

“É um pouco indiferente sabe, é que tem a natação as terças e quintas, depois tem o futebol às quartas e sextas, e tem dias em que depois ainda tem o piano e a explicação… Normalmente só estamos a jantar as 21… E é sempre uma correria, fica impossível a correr de um lado para o outro… Estar na cama às 22.00 é sempre um desafio…”

“Então quando é que ele brinca?”

Silêncio…

Esta conversa não é nenhuma conversa em particular, mas podia ser tanta conversa que tenho tido com diversos pais neste início do ano. Praticamente todos. Quase todos os pais que contactei no início deste ano letivo me disseram que o horário que preferiam seria o horário das 19.00 às 20.00, dado à indisponibilidade das crianças.

Então decidi fazer algumas contas: a maioria das crianças está na escola a ter aulas entre as 8.30 e as 16.00, sobrando depois o lanche que dura até as 16.30. Após este período costumam ir diretos para o centro de estudos ou para o ATL onde ficam, de novo a estudar, a fazer TPC ou outras tarefas académicas, até as 18.00. Após este período quase todos eles costumam ter atividades desportivas ou culturais que se prolongam até as 19.30. Se analisarmos bem estamos a pedir às nossas crianças que tenham um dia de trabalho entre as 8.30 e as 19.30. Isto significa 9 horas de trabalho intensivo, a crianças que frequentemente não têm mais do que 10 anos.

Pior, ainda pedimos isto às nossas crianças obrigando as mesmas a estar a maioria do tempo em silêncio, paradas e concentradas. E quando no final do dia a energia extravasa questionamos sobre o porquê.

A realidade é que algures no tempo nos esquecemos do que significa ser criança e da sua principal obrigação: brincar. Hoje tenho crianças em consulta que não sabem escolher uma brincadeira, que não sabem dizer qual o seu jogo preferido ou qual a parte da semana que gostaram mais.

Apesar de termos anos de investigação em educação e desenvolvimento infantil, continuamos a querer a toda a força que as nossas crianças sejam pequenos adultos que obedecem a horários laborais.

Compreendo e aceito perfeitamente a necessidade de praticar atividades extracurriculares. Aliás, enquanto terapeuta até aconselho diversas segundo o perfil das crianças e comprometo-me a falar deste tema com mais calma futuramente.

Mas temos de nos lembrar que estas atividades, junto com um ATL e uma escola não podem roubar o tempo de exploração de uma criança. Como já aqui disse, a criança aprende a explorar o ambiente, e esta estará altamente condicionada se  não lhe for permitido sair para o meio envolvente.

Outro problema prende-se com a formação da personalidade da criança. A criança precisa de não fazer nada. Este tempo é fundamental para que ela aprenda a tomar decisões sobre o que quer fazer. É preciso deixar as crianças aborrecerem-se para que estas mesmas crianças aprendam do que gostam de fazer e o que gostam de explorar, sem que isto lhes seja imposto por um horário rígido e sem tempo para ela própria.

Ainda, é impossível pedirmos a crianças que aprendam quando o cérebro delas está constantemente em esforço. A nós adultos acontece o mesmo. Quando temos um dia inteiro de frente para um ecrã torna-se altamente difícil estar concentrado e ser produtivo e nós já temos mecanismos que nos permitem lidar com esse tipo de frustração. Mas se para nós é difícil, imaginem para uma criança que ainda está a aprender a regular-se.

Sei que as obrigações do quotidiano e dos nossos horários condicionam os das crianças. Mas vamos permitir que as crianças tenham o direito a ser crianças, ou teremos uma geração de adultos que não vai compreender o quão bom é brincar.


Veja o vídeo: Melhores recreios, melhor rendimento escolar!

Filhos perfeitos, crianças tristes: a pressão da exigência

Os filhos perfeitos nem sempre sabem sorrir, nem conhecem o som da felicidade.

Temem cometer erros e nunca alcançam as expectativas elevadas dos seus pais. A sua educação não se baseia em liberdade e reconhecimento mas sim na autoridade de uma voz rígida e exigente.

Segundo a APA (American Psychological Association) a depressão nos adolescentes é atualmente um problema muito grave. Uma exigência desmedida por parte dos pais pode derivar facilmente na falta de autoestima, ansiedade, e num elevado mal-estar emocional.

É preciso salientar que essa exigência na infância deixa marcas irreversíveis no cérebro do adulto. O indivíduo cresce a achar que nunca é suficientemente competente ou perfeito no cumprimento dos ideais que lhe foram incutidos. É preciso cortar esse vínculo limitante que veta a nossa capacidade de sermos felizes.

Filhos perfeitos: quando a cultura do esforço é levada ao limite

É frequente ouvirmos que vivemos uma cultura que baseia a sua educação na falta de esforço, na permissividade e na pouca resistência à frustração.
No entanto, esta constatação não é de todo verdadeira, principalmente em tempos de crise em que os pais procuram a “excelência” dos filhos.

Se uma criança obtém 17 valores em matemática é pressionada para alcançar um 20. As suas tardes são preenchidas com aulas extracurriculares e seus momentos de ócio são limitados à procura do desenvolvimento de competências. Na maior parte das vezes isto resulta em crianças stressadas, esgotadas e vulneráveis.

“The Price of Privilege” é um livro interessante publicado pela doutora Madeleine Levine. Explica que a necessidade de educar filhos perfeitos e aptos para o futuro, culmina em criar filhos “desligados da felicidade”.

Consequências por exigir demais das crianças

Enquanto pais e educadores devemos ter em consideração que educar os nossos filhos na cultura do esforço tem um limite.

A barreira, que deveria ser intransponível é a de acompanhar a exigência com  uma igual ou superior dose de amor incondicional.

Por outro lado, os nossos filhos perfeitos serão crianças tristes que evidenciarão as seguintes dimensões:

  • Dependência e passividade

Uma criança habituada a receber muitas ordens deixa de decidir por conta própria. Assim, procurará sempre a aprovação externa e perderá a sua espontaneidade e a sua liberdade pessoal.

  • Falta de emotividade

Os filhos perfeitos inibem as suas emoções para se ajustarem ao que “tem que ser feito”e toda essa repressão emocional traz graves consequências a curto e longo prazo.

  • Baixa autoestima

Uma criança ou um adolescente habituado à exigência externa não tem autonomia nem capacidade de decisão, desenvolvendo uma autoestima muito negativa.

A frustração, o rancor e o mal-estar interior podem traduzir-se muito bem em instantes de agressividade.

A ansiedade é outro fator característico das crianças educadas na exigência: qualquer mudança ou uma nova situação gera insegurança pessoal e uma elevada ansiedade.

Pais exigentes Vs pais compreensivos

A necessidade de educar “filhos perfeitos” é uma forma subtil e direta de dar ao mundo crianças infelizes. A pressão da exigência irá acompanhá-las sempre, principalmente se a sua educação for baseada na ausência de estímulos positivos e de afeto.

Fica claro que como mães/pais todos queremos que nossos filhos tenham sucesso, mas acima de tudo que sejam felizes.

Ninguém quer que os filhos desenvolvam uma depressão na adolescência ou que sejam tão exigentes consigo próprios que não se permitam a aproveitar, a sorrir ou cometer erros.

Características gerais

  • Os pais muito exigentes e excessivamente críticos apresentam uma personalidade insegura que precisa de sentir controlo sobre tudo.
  • Os pais compreensivos “impulsionam” seus filhos para a conquista, permitindo explorar, sentir e descobrir. São guias e não colocam fios nos seus filhos para movê-los como marionetes.
  • O pai exigente é autoritário e leva um estilo de vida rigoroso, com horários definidos e invioláveis. Indica regras e decisões para economizar tempo através do “porque eu sei que é melhor para ti”, ou “porque eu sou o teu pai/mãe”.

Concluindo: educar é exercer a autoridade, mas com bom senso. É usar o afeto como antídoto e a comunicação como estratégia.

 

Por Valeria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

imagem@etsy

O menino que era uma menina

Muito se tem falado, muitíssimo além fronteiras, sobre a questão de género. Sobre crianças que estão em transição desde muito novas com o acompanhamento dos pais e outras que só já em adultas o fizeram.

É um assunto delicado e importante.

Um assunto tão sério que entra para o topo da lista do: e se fosse comigo? Sinceramente não tenho respostas. Sei que se acontecer connosco tudo faremos para ouvir, para compreender, para orientar, para ajudar. Para aceitar. Mas falar de fora é fácil. E aqui fica uma palavra para todos os pais que lidam com este e com outros desafios diariamente.

Porque amar um filho é ter de estar pronto para o que ele traz consigo quando chega a este mundo. Todas as suas características, todas as suas decisões. Quer concordemos ou não. Quer esteja ao nosso alcance ajudar ou não. Quer possamos compreender ou não.

E falo deste assunto porque há uns dias estavam no jardim dois irmãos a brincar. Meteram-se com a minha filha e um deles, o mais velho, fartou-se de conversar. Está naquela idade engraçada em que todas as interacções com os adultos são uma oportunidade de mostrar o que sabem, o que aprenderam, os temas que dominam. E foi o que aconteceu: a Mariana no baloiço com o pai a dar balanço e este miúdo de volta deles a conversar. Sobre basquete, sobre futsal, sobre as competições, sobre como era melhor que o irmão mais novo em todas as modalidades, sobre como conseguia finalmente fazer alguns passes que o pai lhe tinha ensinado. Sobre clubes e por aí fora. Estiveram quase uma hora na conversa quando o irmão mais novo corrige e diz: ela é uma menina, eu é que sou um rapaz.

Para defesa do pai, que ficou como os desenhos animados japoneses, com uma gota gigante junto à testa, devo dizer que o menino, que afinal era menina estava com a farda da escola. E essa farda era pullover e calças. E o cabelo estava cortado curto. Depois desta correcção conseguimos ver traços femininos, é verdade, mas apenas porque estamos a ver com atenção.

Pode ter-se tratado apenas de uma menina Maria rapaz, mas pelos momentos em que estive a observar sem interagir directamente diria que não é o caso. Pode não estar em transição, mas acredito que irá acabar por fazê-lo. E não é por os assuntos falados serem tipicamente associados aos rapazes (sempre me deixou bastante irritada a tendência para dizer que os meninos só usam azul, não brincam com bonecas e gostam de futebol; que as meninas têm de se sentar direitas, não lhes fica bem fazer desportos masculinos e brincar com carros. Sou totalmente contra o estereótipo, acho que não é nenhuma destas coisas que faz um rapaz ser mais ou menos masculino e o mesmo acontece com uma rapariga). Ainda assim, sei que as raparigas e os rapazes são diferentes. Nem melhores nem piores, são diferentes. Os seus códigos genéticos fazem com que se comportem de maneiras diferentes (quantas vezes, e impensadamente, disse que a minha filha é um rapazinho autêntico por ser aventureira, não ter medo das brincadeiras mais perigosas, etc). Muito é imposto socialmente, mas um rapaz e uma rapariga são diferentes e não apenas no que diz respeito ao seu aparelho sexual e reprodutor.

E é por isso que é tão complexo lidar com uma criança que sente que nasceu no corpo errado. Que se sente infeliz com o invólucro com que é obrigado a viver, com as expectativas que são criadas para si.

Parte-me o coração saber que há milhares de pessoas que cresceram a sentir-se erradas, sozinhas, incompreendidas, em depressão profunda. Que foram julgadas, que tiveram de se esconder. Que viram os seus gestos serem confundidos com orientação sexual quando não é disso que se trata. E se se tratasse não haveria problema nenhum. Ou não deveria haver.

Nos dias de hoje nós, os pais, temos mais obrigações para com os nossos filhos do que os pais de antigamente (porque muito do que hoje se discute era antes tabu, ainda que existisse).

Devemos-lhes respeito.

Afecto.

Compreensão.

Amor.

Tempo.

Respeito (sim, outra vez).

E isso nem sempre é fácil, mas sou adepta convicta da comunicação.

Pais e filhos que comunicam serão sempre mais felizes. Mesmo que para lá chegarem tenham de percorrer um longo caminho. Porque todas as aprendizagens contam.

E devemos agradecer todas elas.

 

 Desafio de Igualdade