Dos tempos de internamento, lembro-me de entrar nos quartos e encontrar mães com poucas horas pós-parto, na maioria das vezes doridas, cansadas, inseguras com o seu novo papel de mãe e às voltas com a amamentação, que afinal não está a ser tão fácil como tinham pintado! A juntar a este cenário lembro-me de quartos cheios de visitas (Família, amigos e lamentavelmente por vezes até conhecidos)

Por onde anda o bom senso?

Recentemente ao substituir uma colega fui “matar” saudades ao internamento de obstetrícia. E como é meu habito, lá fui eu, entrando de quarto em quarto para me apresentar e conhecer as mães que iam estar sob os meus cuidados naquela tarde. Ao entrar no 3º quarto deparei-me com uma família inteira e devia de ser, mesmo, a família toda (pois eram muitos), em cima da cama da Puérpera. O objectivo era fazer uma foto com o famoso pau da Selfie. No meio estava a recém-mãe, com o bebé nos braços, tentando sacar um sorriso das suas entranhas, um sorriso que se negava a sair. Já tinham saído bastantes coisas do seu corpo, nas últimas horas…

Ajuda, foi o pedido que vi nos olhos daquela jovem mãe! De repente senti que entrei naquele quarto para a salvar!

Visitar o bebé | Avisar que o bebé nasceu
É habitual, aconselhar nas minhas aulas, o casal, para que combinem previamente, quem vão avisar que o bebé nasceu. Há duas hipóteses: ou avisam apenas aquelas pessoas que são muito importantes (pais, irmãos e avós). Pessoas a quem a qualquer hora se pode pedir, para saírem e deixarem a mãe e o bebé sozinhos; Ou avisam todas as pessoas da lista telefónica do casal, mas são bem claros, enviem uma mensagem que informe que o bebé nasceu e que agradecem visitas só a partir do dia X.

Claro que o nascimento é um momento de alegria para a família e para os amigos! Melhor ainda é encontrar no quarto da recém-mãe o amigo que já não via há quase dois anos. E porque não colocar a conversa em dia? PORQUE NÃO!!! Porque esta recém-mãe quer é que lhe tirem as dores, que o seu bebé pegue de uma vez por todas  no mamilo sem a sensação que o vai arrancar.

Quer tomar um duche, sem o risco de alguém entrar pelo quarto a dentro e dizer – Surpresa!!!

Já tiveram filhos? Provavelmente revêm-se nestas histórias e percebem lindamente o que digo.

Se não tiveram, vou tentar explicar com as palavras da mãe que salvei da  selfie. Palavras que saíram entre soluços:

– Parir dói (nem imagino se tivesse sido cesariana)! Já não durmo há duas noites, estou cansada! Disseram-me que é importante adaptar o bebé à mama nas primeiras horas, mas se tenho meia dúzia de pessoas a olhar para mim, não consigo concentrar-me e não me sinto confortável em me expor desta maneira! Será que a “malta” não se dá conta, esta camisa é horrível, estou praticamente despida! Não paro de suar, não paro de sangrar… não quero que vejam os restos do meu parto na minha cama…

Meu Deus, só me apetece chorar. Aliás, apetece-me  gritar, amiga, tia, prima, vizinha, gosto muito de vocês, mas agora não é o momento, para falarmos sobre a vossa próxima viagem, nem para ouvir conselhos de “experts” em bebés! Agora NÃO!

Se este texto já vos chega tarde, e já fizeram a visita da “praxe” espero que:

  • Tenham colocado o telefone no modo silencio, o ideal era terem desligado, para não correrem o risco de atender alguma chamada em plena visita
  • Não tenham levado crianças (pior ainda … doentes)
  • A visita tenha sido curta, não mais do que 15m
  • Tenham saído do quarto, com as restantes visitas, quando entraram médicos ou enfermeiros. É o que se chama: Respeito!
  • Não tenham tirado fotos ao bebé ou à mãe sem consentimento, muito menos publicá-las em qualquer rede social
  • Tenham lavado as mãos antes de entrar, mesmo que não tenham tido contacto com o bebé
  • Não tenham insistido para pegar no bebé o colo.
  • Não tenham feito comentários sobre a má cara que a recém-mãe tem ou a palidez ou pior ainda sobre o tamanho da sua barriga

Para além de tudo, não façam julgamentos sobre a opção que a jovem mãe tomou em amamentar ou não o bebé. Frases do tipo: – “Acho que o bebé está com fome” ou -“provavelmente é o teu leite que é fraco” , são desnecessárias!

Continuação em Visitas a casa de um recém-nascido, não Obrigada!

 

Querida filha,

Mais uma vez me dirijo a ti na calma dos dias, pensando naquilo que viverás, à distância do tempo que não controlo.

É-me permitido imaginar, até planear, mas tenho plena noção de que o teu futuro a ti pertence. Que a pessoa que serás terá a minha influência naquilo que conseguir para te tornares boa, decente, correcta, feliz, mas no restante estarei sentada na plateia a assistir ao espectáculo que vais dirigir com aquilo que te dei, mas principalmente com aquilo que farás do que o mundo te der e fizer de ti.

Seja como for há coisas que, inevitavelmente, vais experienciar. Boas e más.

Vais fazer planos e ter a certeza absoluta daquilo que queres e ver a vida fazer-te mudar de direcção uma e outra vez.

Vais ter várias conversas com o espelho. Farei os possíveis para que o teu reflexo seja sempre algo positivo.

Vais conhecer muitos professores, para grande parte deles serás apenas mais um aluno na lista, mas se tiveres sorte conhecerás aquele que reconhece a tua luz e puxa por ti para que a deixes brilhar.

Vais sentar-te na melhor cadeira do melhor cinema e, mesmo assim, ter alguém atrás de ti que se esquece do telemóvel ligado durante a sessão, que insiste em cochichar num volume obsceno, que te dá pontapés nas costas constantemente ou que come pipocas de boca aberta depois de demorar cerca de vinte intermináveis segundos a encontrá-las no fundo do balde. Ou todas as anteriores.

Vais desejar que não te estejam sempre a perguntar como está a correr a escola, e as notas como vão ser. Ou pelos namorados. E aquela amiga que deixaram de ver lá por casa (e que, como é óbvio já não é tua amiga!).

Vais desejar ter mais tempo para fazer praticamente tudo: dormir, fazer os testes, estar com os amigos, namorar, viajar, estar de férias.

Vais perguntar-te sobre o que é certo e o que é errado e por que é que as pessoas insistem em ver tudo em preto e branco quando o mundo tantas vezes tende a ser cinzento.

Vais assistir a violência e perceber o que isso desperta dentro de ti.

Vais querer ver menos os teus pais até que quererás vê-los mais vezes.

Vais lembrar-te para sempre da tua primeira conquista plenamente consciente.

Vais arrepender-te de ter usado o dinheiro da mesada naqueles ténis que querias tanto, mas que só tinham no número abaixo do teu e compraste na mesma.

Vais sentir-te injustiçada uma série de vezes até que a tua maturidade te permita olhar o mundo com outros olhos e te faça ver como tens sorte em estares rodeada das pessoas que estás e de viveres no país onde vives.

Vais olhar para as matérias da escola e acreditar que nunca na vida irás pô-las em prática – até que isso aconteça diariamente quase sem dares por isso.

Vais continuar a pedir desejos às estrelas cadentes, mesmo quando já não tiveres idade para isso.

Vais apaixonar-te uma e outra vez, de várias maneiras, por várias pessoas e achar que não vais recuperar de um coração partido, até estares outra vez apaixonada e achares que daquela vez nem contou porque agora é que é.

Vais entrar no mar à noite mesmo contra todos os avisos dos teus pais.

Vais emocionar-te com coisas simples.

Vais redescobrir memórias há muito escondidas dentro de ti.

Vais desiludir-te de morte com os outros e algumas vezes contigo mesma.

Vais ter amigos brutais e outros que ninguém vai perceber o que têm em comum.

Vais usar roupa que mais tarde te envergonhará.

Vais achar que estás sempre esquisita nas fotografias ou que aquela que a tua mãe insiste em dizer que adora é simplesmente horrível.

Vais fazer promessas que deixarás por cumprir.

Vais levar uma tampa.

Vais dar algumas tampas.

Vais quebrar regras.

Vais ouvir bons conselhos. Vais ouvir maus conselhos. Vai chegar a altura em que não vais ouvir conselhos de ninguém. Mais tarde serás tu a dar conselhos.

Vais viver muitas coisas que eu vou ver, algumas que me vais contar, tantas que eu nem sequer sonharei e outras tantas que não estarei por perto para assistir. Espero que a lista tenha maioritariamente coisas boas.

Que se um dia escreveres uma lista desta aos teus filhos haja alguns itens que se possam riscar. Se bem que acho que o comportamento das pessoas no cinema vai ser uma constante. Não é defeito do ser humano, é feitio. No cinema, como na vida, tudo se resume a uma escolha. Que pessoa queres ser? A que dá pontapés na cadeira da frente ou a que se senta confortavelmente e assiste ao seu filme sem perturbar ninguém?

Só o tempo o dirá, minha querida.

E que o tempo seja bom para ti.

Um beijo,

Mãe.

Há dias deparei-me com uma imagem na internet, daquelas com mensagens inspiradoras, cujo título era The Four agreements, por Don Miguel Ruiz. É uma imagem que se tornou viral devido aos sábios dizeres deste autor. Trata-se de um excerto do Best Seller  que, talvez devido à constatação do óbvio ou ao discernimento do trivial, milhões de pessoas se identificaram e partilharam a mensagem.

Nós acreditamos que estes princípios podem e devem ser lidos e relidos na vertente da parentalidade. Deixamos aqui a mensagem The four Agreement, interpretado por uma mãe (zelosa) e educadora:

“1. Sê impecável* com a tua palavra

Fala com integridade. Diz apenas aquilo que pretendes dizer. Evita usar a palavra para dizer mal de ti próprio ou para falar sobre a vida dos outros. Usa o poder da Palavra para dizer a verdade e espalhar o amor.”

Este é um principio fundamental quando nos tornamos pais. A integridade só se aprende através do exemplo. Temos de ensinar-lhes a nunca se arrependerem de ser honestos. O Chico-espertismo e a mentira têm perna curta.
Temos de ensinar o valor da Palavra aos nossos filhos, afinal, essa é a arma mais poderosa que lhes podemos dar sem quaisquer custos!

“2. Não leves tudo a peito

Nada do que os outros fazem é por tua culpa. O que os outros dizem e fazem é uma projecção da sua própria realidade, dos seus sonhos. Quando te tornares imune às opiniões e acções alheias, deixarás de ser vítima de sofrimentos desnecessários.”

As crianças são genuínas, e como tal são muitas vezes cruéis, principalmente com os pares. Vamos ensinar os nossos filhos a relativizar. A perceber o que é dito por maldade ou por ingenuidade. O que é pessoal ou da boca para fora. Uma auto-estima sólida é essencial para fazer esta triagem de forma imediata. Uma criança segura, não leva a peito maldades gratuitas, poupando-se assim a situações futuramente angustiantes.

“3. Não faças suposições

Encontra a coragem para fazer questões e para expressar aquilo que realmente queres. Comunica com a maior clareza possível para evitar mal-entendidos, tristezas e dramas. Só este princípio pode transformar a tua vida por completo”

Converse com os seus filhos. Não suponha que a escola está a correr bem, ou que eles se sentem integrados, ou que têm muitos amigos. Não suponha que percebem com facilidade a matéria, ou que são preguiçosos, ou que têm dificuldades de concentração.

Tente saber o que se passa. Converse diariamente. Faça perguntas que estabeleçam diálogo. Pergunte quais as três melhores e piores coisas do dia. Pergunte pelo João, se ainda está doente. O que é que os amigos disseram da sua borracha nova do Star Wars. Pergunte se têm dificuldades e diga-lhes que pode estudar com eles. Não os deixe ficar perdidos. Cabe aos pais ir ao encontro dos filhos. Cada dia que passa sem estabelecer um diálogo de qualidade é um dia que as suas suposições aumentam. E não se esqueça que, na maioria das vezes, essas suposições vão exatamente na direção oposta ao que se passa na realidade.
“4. Dá sempre o teu  melhor

O teu melhor irá alterar-se de situação para situação; será diferente quando estiveres doente ou saudável.
Sob quaisquer circunstâncias, dá simplesmente o teu melhor, e evitarás auto-avaliações, abusos de ti próprio e arrependimentos.”

Hoje em dia existe um elevado espírito competitivo entre as crianças. Obviamente, há sempre miúdos que se estão pura e simplesmente a borrifar para isso. Mas a grande maioria compete. Nas notas, no desporto, nos brinquedos que têm, nos gadgets, etc.

É de facto importante ensinarmos a dar o seu melhor. Mas é importante explicar que o seu melhor é relativo. Não é uma constante. Temos de ensinar os nossos filhos a dar o seu melhor de acordo com a situação, com o ambiente, com o material disponível, etc.
É igualmente importante ensinar que se não há cão caça com gato. Isso vai obriga-los a ser criativos e engenhosos. Que se lhes derem limões, façam limonada. Isso vai desenvolver a capacidade de adaptação e ensinar a saber lidar com a adversidade.

Dar o seu melhor é dar o melhor possível de acordo com as condições criadas. Se o fizerem, a mais não são obrigados. E isto é válido também para os pais e as mães.

 

Acordos em  “The Four Agreements: A Practical Guide to Personal Freedom”, de Don Miguel Ruiz,
texto por Up To Kids®

imagem@plaengeblog

Mais do que resoluções de ano novo, acho mais gratificante fazer uma retrospectiva do que fica agora para trás.

Há um ano já era mãe, mas era mãe de um bebé de quatro meses e meio. Tanto mudou que parece que passou meio século.

Vi a minha filha aprender a sentar-se, a gatinhar, a agarrar objectos, a divertir-se a conhecer novos sabores. Hoje é difícil segurá-la quieta, quase voa, vê em tudo uma brincadeira e transformou-me numa pessoa mais séria e mais divertida. Em igual proporção.

Há um ano eu não sabia muitas (demasiadas) coisas. Hoje sou melhor pessoa, melhor mãe, melhor mulher.

Descobri que é possível amar cada dia mais mesmo quando achamos impossível o nosso coração esticar mais um milímetro que seja.

Descobri que tenho muitos mais defeitos e tanta, mas tanta vontade de melhorar – e de esconder melhor aquilo que não consigo mudar e que é negativo para mim e para os outros.

Que é possível conciliar as tarefas mais inusitadas – como manicure fresca, lavar um ou dois pratos com o verniz a secar e ainda acudir ao bebé que está a chorar no berço – e ficar com as unhas impecáveis no final.

Que perguntamos muitas vezes as mesmas coisas pela delícia de ouvir vezes sem conta a mesma resposta.

Que ouvir “mamã” a meio da noite não me dá vontade de arrancar os cabelos – pode até fazer com que percorra a casa de cabelo desgrenhado e em piloto automático, mas com o coração mais quente.

Que as rotinas são essenciais para as crianças, mas também nos sabem bem a nós – por exemplo, entre a creche e a nossa casa há três paragens obrigatórias, faça chuva ou faça sol: primeiro o banco da paragem de autocarros (que era rasteiro ao chão e a minha filha adorava sentar-se e chegar com os sapatos à pedra da calçada), segundo a tampa de saneamento que está no passeio antes da nossa última curva e que tem centenas de estrelas em relevo (as coisas que inventamos para os entreter são de outro mundo), e que é um verdadeiro céu debaixo dos nossos pés, e o canteiro das flores roxas e vermelhas – a delícia da Mariana, que se despede delas com beijinhos e mil acenos. Se, por algum motivo, não fazemos este percurso, é como se faltasse alguma coisa ao nosso dia.

Descobri também como o tempo é precioso. E não o tempo de descanso, que o corpo acaba por se habituar, mas o tempo que temos entre mãos para dividir por tudo o que temos para fazer – e aqueles a quem queremos dedicá-lo.

Que muitas dúvidas, com esse precioso tempo, se transformaram em certezas. Outras certezas deram lugar a factos mais sensatos e outras ficaram mais aprofundadas. E novas dúvidas surgem todos os dias, para que o ciclo nunca se interrompa.

Que quero continuar a fascinar-me com a minha filha sempre, em todas as fases. Que não quero perder o rasto de quem ela é, de quem ela eventualmente se tornará. Porque ela faz de mim uma pessoa melhor pelo simples facto de existir e eu quero retribuir essa dádiva que ela é – respeitando a sua individualidade, o seu espaço, o seu tempo, o seu crescimento e intrometendo-me apenas naquilo em que possa contribuir de forma positiva.

Ora aqui está a minha resolução, no final das contas. Para 2016 e para o resto das nossas vidas.

A mais um ano de aprendizagem, de tanto amor, de todos os sonhos.

Mãe.

imagem@weheartir

E se existisse um livro que além de letras para leres e imagens para viajares na história tivesse também espaço para fazeres tu os desenhos e tornavas-te no próprio ilustrador, e quem sabe até o narrador ou o escritor desta história! E se esse livro fosse composto por vários textos, várias histórias todas diferentes, sem qualquer ligação entre si?
No Livro “Histórias minhas, desenhos teus” podes finalmente ir até onde a tua imaginação te levar. Podes desenhar um OVNI recheado de extra-terrestres que desceram à terra para conhecer a tua personagem favorita! Ou podes fazer uma máquina do tempo e regressar tantos que até um DINOSSAURO aparece no teu livro.
Tudo a teu gosto. Como sempre quiseste!

SINOPSE

Os livros são objetos que eternizam momentos, vivências e sentimentos. Este livro consiste num conjunto de textos, alguns dos quais com características “non sense”, que exploram os casos especiais de leitura. Pretende-se que este livro não seja explorado de forma solitária.
É um livro, não só para ser lido, mas para ser partilhado e vivido.
Esta pode ser uma oportunidade para alunos e professores, pais e filhos, juntos, darem largas à imaginação e explorarem não só os textos, mas também as ilustrações, criando um livro que será único. 

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INSTRUÇÕES
Este livro, que agora é teu,foi começado por mim, mas foi de propósito que não o acabei.

E porquê? Perguntas tu! 

Porque eu gostava que este livro se tornasse único e nosso.

O que eu quero dizer com isto é que terás oportunidade de o acabar, dando largas à imaginação e ilustrando os textos que faltam.

Para além disso, quero desafiar-te a fazê-lo sem que utilizes os materiais habituais. 

Que tal experimentar os lápis de cera, as aguarelas ou até as canetas de acetato? Não te esqueças que a criatividade permite-nos inventar, criar e sonhar, ela não tem limites ou barreiras…aceitas o desafio?!

Todos vamos querer ver o teu livro terminado!


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FICHA TÉCNICA
Autor: Andreia Reis
Data de publicação: Junho de 2015
Número de páginas: 48
ISBN: 978-989-51-5044-1
Colecção: Literatura Juvenil
Género: Conto Infantil

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Alguns estudos demonstram que os bebés no útero materno, além de crescerem e se desenvolverem, são capazes de aprender. Graças a novas tecnologias, como é o exemplo das ecografias 3D, é possível obter-se imagens das competências que os bebés adquirem durante o decorrer da gestação. O reflexo da sucção, a ingestão, o toque… são algumas das ações que o bebé começa a fazer de modo a desenvolver os seus sentidos.

Segundo um estudo da Universidade de Helsínquia (Finlândia) os recém-nascidos podem inclusivamente reconhecer pseudopalavras (i.e. um termo que não existe no léxico, embora possa ser pronunciado) aprendidas durante a gestação. Neste estudo, os investigadores utilizaram sensores encefalográficos de modo a registar a atividade cerebral dos bebés na área responsável pela memória. Esta investigação foi realizada com grávidas que se encontravam no último trimestre da gravidez. Durante o decorrer da mesma, a gestante deveria reproduzir várias vezes por semana uma gravação com sons e vozes humanas. Após o nascimento, os bebés foram submetidos à escuta da mesma sequência de sons e demonstraram uma reação neuronal de reconhecimento, o que não aconteceu com os bebés do grupo de controlo.

Uma investigação das universidades de Durham e Lancaster, em Inglaterra, descobriu que os bebés, no útero materno, já bocejam. Também através de ecografias 4D obtiveram imagens que demonstram que o bebé começa a bocejar desde muito cedo no período gestacional.

O bebé também “brinca” dentro da barriga da mãe – move-se, dá pontapés e brinca com o cordão umbilical (agarra-o, coloca-o na boca e puxa-o). É devido a todo este “treino” que o recém-nascido possui força para pegar no dedo do adulto, quando este o coloca junto do bebé.

Chuchar no dedo da mão ou do pé é também uma forma de aprendizagem, preparando o recém-nascido para a alimentação.

A vida intrauterina é um mundo magnífico e, embora ainda muitos factos estejam por descobrir, os avanços científicos e tecnológicos aproximam-nos cada vez mais desde mundo anteriormente desconhecido. Contudo, muitas questões estão ainda por ser respondidas.

No plano emocional, por exemplo, existem já algumas investigações que demonstram como os bebés sentem determinadas emoções e são capazes de perceber quando a mãe se encontra em estado de alerta. Deste modo, e neste momento tão importante da vida da futura mamã, esta deverá cuidar de si e repousar quando necessário, comportamentos vitais para que este fenómeno aconteça com menos frequência.

O fantástico mundo do ser humano começa no útero materno e a consciência deste princípio é fundamental para que o bebé se encontre bem, tanto a nível físico como emocional.

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É egoísmo uma mãe pensar primeiro em seu bem-estar e felicidade antes de pensar nos filhos? Veja porque isso é a coisa certa a fazer.

A diva Gisele Bündchen declarou à revista Sunday Times Style

É muito importante nutrir-se, cuidar de si mesma. Não dizem no avião que o adulto tem que colocar a máscara de oxigénio primeiro em si próprio e, de seguida, colocá-la no seu filho? Então, eu acho é assim mesmo, devo cuidar primeiro de mim para ser uma boa mãe.”

E está certíssima. O médico húngaro Gabor Maté, autor de livros sobre relacionamentos entre pais e filhos, no programa de rádio “democracia já”, declara que “a maioria de seus pacientes tem ótima disposição, não apresentam raiva observável, colocam as necessidades de todos antes de sua própria e são geralmente muito autocríticos. Esses pacientes também têm dificuldade em estabelecer limites pessoais com os outros. É muito difícil para eles dizer ‘não’. Essas qualidades são o que muitos adultos associam a ser bons pais para os filhos.”

Mas, como assim? As mães não devem pensar primeiro nos filhos? Isso mesmo. Não devem e aqui estão 6 boas razões para as mães pensarem primeiro em si:

1. As mães precisam de ser felizes

Embora a alegria das mães sejam os filhos, não devem ser a única alegria. Mães felizes, filhos felizes. E para isso a mãe deve primeiro cuidar de sua própria alegria, cuidando de seu espírito, seu lazer e das coisas que gosta de fazer como uma “renovação”. Os filhos refletirão essa alegria. Portanto, se quer ter filhos felizes, cuide da sua felicidade primeiro.

 

2. As mães precisam ser saudáveis

Cuidar primeiro da saúde da mãe é fundamental para que esta possa enfrentar as inúmeras viroses e outros problemas infantis e ainda cuidar da casa ou trabalhar fora. Uma mãe deve ter saúde suficiente para cuidar de uma (ou mais) criança doente por toda uma noite, se for preciso. Essa saúde já deve começar bem antes das crianças nascerem. Uma mulher saudável, terá uma gestação saudável e filhos saudáveis. E a mãe que se trata, se alimenta bem, evita substâncias nocivas e faz exercícios está dando aos filhos um modelo de saúde que eles levarão para sempre.

 

3. Deve deixá-los ser autónomos

Uma mãe não deve fazer tudo pelos seus filhos, isso será altamente prejudicial para eles. Ensine-os a cuidar das suas coisas, a apanhar o que desarrumam, a lavar seu próprio prato, a tomarem banho sozinhos, vestirem-se para a escola e cuidarem uns dos outros. À medida que crescem devem aprender a cozinhar, lavar e passar sua própria roupa e outras habilidades. Isso não é egoísmo e nem tampouco aproveitar-se do serviço das crianças. Isso além de aliviar a carga da mãe, prepara os filhos para serem auto-suficientes.

 

4. As Mães precisam de amigos

Tenha tempo para cultivar as amizades. Se o seu dia acaba em torno dos filhos e da casa, algo vai faltar para o seu equilíbrio. Se tudo está bem em casa, o seu marido pode cuidar das crianças para que você possa sair com as amigas. Depois você devolve a gentileza deixando-o ter uma noite com os amigos.

 

5. Evitar o sentimento de culpa

As mães sentem-se culpadas. Não importa pelo quê, vão sempre encontrar uma razão para se sentirem culpadas. Segundo um estudo publicado no Jornal The Telegraph, 8 em cada 10 mães que trabalham fora, sentem-se culpadas por deixar a criança em casa, e 3 em cada 10 pais também. No entanto, a diferença da culpa é gritante entre as mulheres.

Todas sabemos como é difícil fazer isso, mas a culpa certamente não ajudará em nada. Só piora a criação dos filhos nos fazendo querer dar-lhes desastrosas compensações.

Se sente que não pode livrar-se da culpa, a mãe deve deixar o trabalho e ficar com os filhos, se possível.

 

6. Mães devem ter auto-compaixão

Ser uma mãe “boa” significa preservar suficiente auto-compaixão para satisfazer as suas próprias necessidades como pessoa. Isso significa que quando evita a autocrítica, o cobrar-se sem medidas, a sua saúde emocional será favorecida, o que é essencial para ser a boa mãe que deseja ser.

Tente eliminar do seu vocabulário a palavra “deve” para começar “Eu deveria ficar acordada até tarde a lavar a louça e a preparar tudo para amanhã”. Quem disse? Por que não tentar dormir o suficiente para acordar bem-disposta, renovada e cuidar de tudo isso?

Ser mãe é algo maravilhoso, não temos que transformar num martírio sem fim. Cuide de si mesma como se você fosse sua filha. Faça uma lista de todas as boas coisas e vitórias que gostaria que seus filhos alcançassem e comece a tentar alcançar essas coisas para si mesma. Assim será ainda melhor mãe do que já é.


Em familia.com.br

imagem@pinterest

Que exemplo somos?

Há dias difíceis. Dias em que mal temos paciência para nós, mas é importante lembrar que estamos a construir mundo, o mundo das nossas crianças. O mundo em que se vão formar, em que estão a ganhar raízes para serem gente, em que estão a aprender a relacionar-se com os outros e, acima de tudo, consigo mesmos.

Eu própria sou uma mãe que às vezes tenho de respirar fundo, lembrar-me que a minha filha é um bebé, que não compreende tudo e que estou a aprender com ela mas, principalmente, estou a ensiná-la. E é isso que me faz tentar ser melhor, agir melhor, ter mais paciência, agir segundo a velha máxima de tratar os outros como gostaria que me tratassem e, mais importante ainda, tratar a minha filha como gostaria que os outros a tratassem.

Não temos de ser sempre exemplos perfeitos porque erramos, somos humanos e isso dota-nos de uma falibilidade com que também aprendemos. Mas podemos sempre tentar mais.

No outro dia, na sala de espera para entrar para a consulta de pediatria, estava um casal com um bebé de cerca de um ano. O bebé estava no carrinho e todas as outras crianças da sala estavam no chão, a explorar o espaço, a brincar na área preparada exactamente para isso com material lúdico para os miúdos. O bebé, encantado com aquela agitação, pedia à sua maneira para descer do carrinho. Esticava os braços a pedir que o tirassem dali. A certa altura, começou a choramingar. A mãe, visivelmente enfadada, acabou por o tirar do carrinho, olhou-o nos olhos ainda ao colo e disse-lhe, altiva: Estou a tirar-te daqui porque quero e não porque estás para aí a choramingar.

Já muito se falou de os pais, principalmente as mães, se julgarem muito. Tento não o fazer, mas naquela situação custou-me. Senti que aquela criança deve ser educada naquela base, que apesar de não saber comunicar de outra forma, lhe vão dando permissão para umas coisas e não outras porque querem e não porque isso a deixa feliz (à criança). Pensei que provavelmente até pode ser um bebé que chora muito (não parecia, mas nunca sabemos o que se passa nas vidas dos outros…), que os pais pudessem ter tido uma noite difícil, que estivessem cansados. O seu comportamento é desculpável mas não posso dizer que seja – para MIM – o ideal. Tive vontade de me aproximar e dizer que dava um olhinho enquanto ele brincava com a minha filha, para eles ficarem descansados, mas sei que isso não seria bem aceite.

Há uma semana, no parque onde costumo levar a minha filha ao final da tarde, estava uma rapariga mais velha, com os seus sete anos, a correr contente e feliz, de um lado para o outro. A mãe estava fora do recinto do parque, ao telemóvel, irritada. Dizia-lhe para andar e não correr, para não subir ao escorrega, que tinha os sapatos cheios de pó (inevitável quando o chão é feito de pedrinhas), que estava corada, a transpirar e se ia constipar, que mania que ela tinha de andar sentada no chão. Pensei imediatamente que a miúda estava a fazer tudo o que era suposto: a brincar com os equipamentos, não estava a aborrecer ninguém, estava tão feliz e divertida e tudo isto a brincar sozinha. E mesmo assim a mãe não estava satisfeita. Como já disse, há dias em que não temos cabeça, não estamos disponíveis. Temos direito a esses dias. Mas se sabemos que é assim, então é uma questão de optar por os levar para casa e os deixar brincar com coisas que não necessitem de companhia e acompanhamento. Mais fácil dizer que fazer? Provavelmente. Provavelmente também, aquela mãe mesmo tendo um dia mau – que era visível que estava a ter – preferiu levar a filha ao parque, já que não tinha culpa do seu mau dia. Mas depois não conseguiu relaxar, não se deixou levar pela energia positiva dela. Pena.

Estes são dois exemplos daquilo que vejo e me deixa a pensar. Como será que a minha relação com a minha filha é vista por quem está de fora? Mais importante, como é vista por ela?

Tento, mesmo com todos os meus defeitos, que as coisas boas sejam sempre em número superior às coisas más, que a mensagem que passa seja a mais positiva possível.

Às vezes não consigo. Fica a nota mental para que seja a excepção.

Podemos sempre ser melhores pais.

Os nossos filhos agradecem.

imagem@weheartit

Quando nos preparamos para ter o primeiro filho tentamos saber, junto dos amigos mais próximos e familiares, aquilo que seria importante sabermos antes de avançar para essa nova etapa, essa tão esperada aventura. O que esperar? Como vai ser? Como me posso preparar?

Quando engravidamos já não precisamos de pedir conselhos, pois assim que a barriga “aparece”, estes são-nos oferecidos de bandeja, como se estivéssemos numa fila única de aconselhamento parental.

Aqui fica um vídeo que resume aquilo que eu gostaria de ter sabido antes de ter filhos.

Nada contra as miúdas que conseguem perfeitamente sacar daqueles calções que mostram metade do rabo sem terem nem frio nem um buraquinho que seja de celulite. Nada contra, mas podiam ir todas parar debaixo de um camião da Luís Simões. Brincadeira. Não há cá ressabiamentos e essa é a primeira coisa que só nós, mães, sabemos.

Não há tempo para mesquinhices.
O quê? Aquela colega do trabalho disse que o outro afinal tinha comentado que tínhamos saído mais cedo, mas ela própria chegou 1 hora mais tarde e tem “consultas” toda as sextas à tarde? Who cares. Tenho vida pessoal, tenho família, não preciso de coisas que não têm valor para ocupar o meu tempo.
Afinal, o tempo dá para tudo.
Só nós sabemos o quanto o tempo estica. 24 horas dão para muito. Conseguimos trabalhar, abraçar de uma maneira como só as mães abraçam os filhos, tratar de coisas da casa, quase dormir e, mesmo assim, no dia seguinte, saímos de casa como “se não se tivesse passado nada” e aparentemente flawless.
Chorar ajuda.
Já não é um drama enorme termos vontade de chorar. É um direito. Temos e devemos que chorar. Estamos cansadas, temos saudades, estamos felizes, estamos histéricas, estamos eléctricas, estamos apaixonadas, estamos esperançosas, estamos grávidas outra vez… Chorar é bom e já todas sabemos disso.
Respeitamos mais outras mães.
Finalmente percebemos o quão stressante é termos de desempenhar tantos papéis na nossa vida, agora que somos mães. Sabemos lá se a mãe do outro departamento tem o filho doente ou, se calhar, se nem conseguiu vê-lo ontem por trabalhar tanto? Todas as mães têm direito a ter um bocadinho de mau feitio.
Ser imperfeita é perfeito.
Já conseguimos entender que não somos capazes de tirar 20 a tudo. Há sempre algo que não vai correr como queríamos, há sempre horários que vão sair furados, dias que não correm bem, dias que parecem mais curtos. Ser mãe é saber priorizar. E sabemos perfeitamente o que está no topo da pirâmide. Além de que faz bem não passar a pressão do perfeccionismo para eles.  Faz-se melhor ainda para a próxima. Amor é que não falta de certeza.
Temos uma cabeça incrível.
Antes de sermos mães já tínhamos reparado que temos uma capacidade grande para empilhar tarefas, agora ainda mais. O malabarismo que esta nova profissão pede é extremamente exigente e nós conseguimos fazê-lo. Nunca aproveitámos tanto do nosso cérebro. Também conseguimos fazê-lo por termos o coração tão  bem preenchido, certo?
Dormir é sobrevalorizado.
Dormir 12 horas seguidas a um domingo? Isso acontecia? Se rezamos para que eles comecem a sair da cama sozinhos, aprendam a fazer o seu próprio pequeno almoço e ponham no Panda sozinhos? Sim. A verdade é que, mesmo privadas de sono, conseguimos sobreviver, trabalhar, amar e chegar a casa e, ao final do dia, sentimo-nos super-mulheres. E, até aproveitamos melhor as poucas horas que dormimos para DORMIR a sério.
Somos mais bonitas agora.
Verdade. Somos mulheres completas, ocupadas, com rumo e resolvidas. Até nós nos casaríamos connosco.
Somos as maiores! E quanto às miúdas dos calções, hão de cá chegar (e são muito bem-vindas) e vestir esses calções aos vossos bebés quando tiverem 3 meses, que é esse o tamanho deles.
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