Aceita o desafio #Bounce4batten Portugal?

Bebendo uma bebida fresca, escutando ao fundo os sons das ondas na escuridão. Retirámo-nos para uma pequena cidade costeira. Encasulámo-nos no sofá com as nossas pernas entrelaçadas. Os nossos filhos dormem connosco. Temos um raro momento de silêncio juntos.

O meu marido segura na sua mão, a mão da nossa filha, envolvendo as suas duas grandes palmas em volta da mão macia da Mia. Hamish levanta a sua pequena mão e aperta-a  firmemente entre as suas. A sua mão pequenina dentro da sua. Beija-a gentilmente. Posso ver as lágrimas a formarem-se nos seus olhos enquanto ele se inclina, admirando-a a dormir pacificamente.

Quase sem emitir som, Hamish murmura, a sua voz quebra-se ligeiramente “Que desperdício“.

Ela é tão bonita.

Ela ter-nos-ia dado água pela barba!”,  gracejo levemente.

Hamish ri e relembramos a nossa filha de sete anos e espírito ferozmente livre. E como nunca procurou a aprovação de ninguém. Em comparação com seu irmão Toby.

Mia nunca foi de agradar os outros e sabia exactamente o que queria e como lá chegar. E fazia-nos rir a todos pelo caminho. Bem, a maior parte do caminho.

Desde o momento em que chegou ao mundo, foi uma bebé saudável e uma criança selvagem. Desafiou-nos e realizou-nos.

Recordamos com alegria a nossa menina confiante, divertida e aventureira antes de começar a ficar doente. Pouco antes de celebrarmos o 4º aniversário da Mia, os médicos confirmaram o nosso pior medo. O pior medo de todos os pais.

Estamos a falar de anos não décadas. Provavelmente a Mia não vai chegar ao ensino secundário“, disse ele. “Não há cura ou tratamento para a doença de Batten“.

Enrolados juntos no sofá, longe dos hospitais e do caos do diagnóstico da Mia, as nossas caras sorriem e os nossos corações elevam-se ao imaginarmos a pessoa maravilhosa, determinada que a Mia era suposto tornar-se. Não a criança que o meu marido segura nos seus braços agora. A Mia depende de nós para cuidar dela. É completamente dependente de nós todos os dias. Todo o dia. Toda a noite. Já não consegue falar, ver, comer ou mexer-se. E esta doença neurológica rara Tira-nos um bocadinho da nossa filha a cada dia que passa.

Ela deveria andar por aí a dar ordens ao seu irmão mais novo, a dar-me respostas acesas e a gritar pela casa. A dançar, a mascarar-se, a aprender a ler. A acelerar na sua bicicleta e a entregar-nos centenas de desenhos e projectos de trabalhos feitos com as suas mãos.

Passámos a tarde a rir-nos, apesar na nossa mágoa. A jogar às damas, a dançar com o Toby e a segurar a Mia nos nossos braços. E decidimos declarar este o melhor Sábado que já alguma vez tivemos.

A presença da Mia é preciosa. Quase sagrada. A sua vulnerabilidade é uma poderosa força. E a sua capacidade de comunicar o amor sem usar palavras é única para mim. Singular. Estar com a Mia é positivo de formas que eu não consigo racionalmente compreender. Ela é capaz de diminuir tudo o que é trivial e irrelevante. Para nos focarmos no que é realmente importante.

A Mia tem-me ensinado a ser mais carinhosa, paciente, a aceitar, a ser mais ousada, presente, mais generosa. Especialmente com os que são mais vulneráveis.

Eu não tenho palavras sábias acerca de como iremos viver sem a nossa filha um dia. Seja quando for esse dia. Suponho que iremos tentar lembrar-nos o quão profundamente amámos, o que sentimos ao abraçá-la.

E o privilégio, a alegria e a dor de ter uma filha tão bonita.

Texto original publicado em Your Zen Mama (com prefácio de Teresa Palmer), Tradução: M.J. Silva

Peta Murchison e a doença de Batten

Peta Murchison vive nas Northern Beaches de Sydney, com o seu marido Hamish, os seus filhos Mia e Toby e o seu adorado Labrador Bon Bon. Uma mãe dedicada a abrir a consciência  acerca da doença de Batten. A doença de Batten é uma doença genética degenerativa que afecta crianças saudáveis que conseguem cantar, dançar e saltar. As crianças afectadas começam a perder a sua capacidade de andar, falar, ver e sorrir. Não há cura para as crianças afectadas e eventualmente tira-lhes a vida. O conhecimento e pesquisa acerca desta doença rara são imperativos para encontrar uma cura. A filha mais velha de Peta, Mia, sofre desta condição.

Bounce4batten

‘Bounce4Batten’ foi lançado em 2014 pela família e amigos de Mia, com o intuito de consciencializar as pessoas de todo o mundo sobre esta doença. A Bounce4Batten desafia as pessoas a saltarem pela Doença de Batten e a postarem as fotos nas redes sociais. A alegria de saltar fez ressoar esta mensagem, e a reação foi fantástica. Passou da família para amigos, e amigos de amigos de amigos de toda a Austrália e outros mais distantes como Nova York, Singapura e Paris. Neste momento, estão a tentar entrar para o Guinness World of Records com o maior álbum do mundo de fotografias on line com os pés no ar.

Um dia em breve esperamos desempenhar um papel na busca de uma cura através do apoio à investigação.”

 Desafio #Bounce4batten Portugal

Agora chegou a vez de Portugal apoiar a Peta e a sua família. Se leu este artigo até aqui, acabou de ser desafiado a publicar uma foto sua ou dos seus filhos com os pés no ar, e com o hashtag #bounce4batten. (A principal regra é que os dois pés (ambos portanto) Têm de estar no ar!

Se pretender ajudar a família a entrar para o Guinness Book, então terá de fazer o upload de foto aqui

Então? Vai ficar de braços cruzados, ou vai tirar os pés do chão?

bouce4batten
#bounce4batten #uptokids

 

Instagram @bounce4batten

Facebook bounce4batten.com

Website http://www.bounce4batten.com

ImagemCapa@Julie Adams

 

As mães são a espécie mais fascinante e intrigante que irás conhecer. Na verdade, chegam a ser um bocado estranhas, é preciso tornares-te parte da “manada” para as compreenderes melhor (e mesmo assim, ui ui!).

Existem 10 síndromes que quase todas têm e que justificam os seus comportamentos peculiares (talvez não existam, mas tenta acreditar que sim, torna-se mais fácil lidar com elas).

10 síndromes que caracterizam as mães

1 – Síndrome do Sono de Golfinho

Tal como os golfinhos, que por não poderem adormecer no meio do mar ao longo do dia vão desligando alternadamente cada hemisfério cerebral durante 17 segundos, as mães que se vêem impossibilitadas de dormir várias horas seguidas vão poupando recursos ao manter  um hemisfério cerebral activado de cada vez. Isto pode explicar o motivo de não saberem onde estão as coisas (“viste onde pousei o creme da cara do bebé?“), o facto de repetirem a mesma coisa dezenas de vezes (“já tinha dito isto?“), a emissão de grunhidos em vez de respostas (hummmm), e as respostas que não se lembram de ter dado (“eu tenho a certeza que nunca disse isso“). O cérebro não está a funcionar em pleno, apenas metade está activada de cada vez, por isso haja compreensão (ou então fiquem vocês acordados a cuidar do bebé e irão ver o golfinho virar sereia).

2 – Síndrome das Celebrações Bizarras

“Fez cocó até ao pescoço, fiquei mesmo feliz por o ver tão aliviado“, “Pus o soro e era ranho a sair por todo o lado, que bom!“. Estas e outras frases são ditas diariamente por mães, eu própria já fiz danças da vitória que envolviam a macarena e o moonwalk por motivos destes. Sejamos sinceras – para quem vê de fora estas comemorações são muito maradas.

3- Síndrome do “Nem Contigo Nem Sem Ti”

Ora queremos que os nossos filhos acordem pois estamos cheias de saudades, ora olhamos fixamente para o relógio enquanto torcemos para que seja hora da sesta; ora queremos que vão brincar sozinhos, ora nos vamos meter nas brincadeiras; ora queremos que comecem a ser mais autónomos, ora tentamos fazer com que voltem a precisar de nós; ora temos vontade de os atirar janela fora (salvo seja), ora choramos por termos pensado isso e nos agarramos a eles enquanto fazemos promessas de amor. A maternidade é assim, uma montanha russa em que vamos do ponto mais alto ao ponto mais baixo (e vice-versa) em segundos. Por vezes sentimos que não sabemos o que queremos, queremos tudo e ao mesmo tempo não queremos nada – deixem lá, é da síndrome!

4- Síndrome do “Over and Out”

A comunicação das mães nos parques é das coisas mais hilariantes que existem:

– Olá, tudo bem?

– Sim e com vocês? (entretanto já um dos bebés correu para a ponta oposta do parque)

(passado 5 minutos)

– Connosco também. Ontem vi uma reportagem muito gira era sobre…(lá o bebé a puxa para o baloiço)

(passados outros 5 minutos volta a conseguir aproximar-se da amiga)

– …era sobre a amamentação no primeiro ano de vida.

– Ah, não vi, deu em que canal? (já nem consegue ouvir a resposta, é puxada para ir atrás de uma bola)

Acreditam que conseguimos passar uma tarde nisto? É verdade, uma conversa que na esplanada de um café duraria menos de 10m, no parque rende 2 horas. Se têm dificuldade em arranjar assunto e manter uma conversa, arranjem uma criança e vão até ao parque mais próximo.

5- Síndrome do “Será que?”

Apesar do síndrome de golfinho, as mães dedicam tempo e recursos à procura de respostas para várias questões criadas por si: “Será que ele devia entrar mais cedo/tarde para a creche? Será que lhe estou a dar uma boa educação? Será que devia dar-lhe mais/menos colo? Será que devia praticar outro tipo de alimentação? Será que sou boa mãe?Será…será…será?“. Estas e outras questões assombram a maioria das mães, surgem repentinamente e entram na festa sem serem convidadas; algumas causam um sentimento enorme de angústia e frustração. Embora de início seja difícil lidar com tantas incertezas, com o tempo vamos conseguindo responder com convicção a cada uma destas perguntas.

6- Síndrome de Doraemon (ou para quem se lembra, Sport Billy)

Lembram-se do Doraemon? Aquele gato azul vindo do futuro que tinha uma bolsinha mágica de onde tirava todo o tipo de objectos e engenhocas para ajudar o seu amigo humano Nobita. Pois é, as mães também têm este poder. Faz o teste – experimenta pedir um objecto qualquer a uma mãe, como uma chave estrela ou um palito, vais ver que depois de ela revirar a bolsa do bebé irá encontrar o que acabaste de pedir. Pensando bem, começo a achar que estas bolsas devem ter um fundo falso.

7- Síndrome do Nervo Óptico Latejante

“Já não mama? Ai, eu tinha leite suficiente para alimentar 5 bebés”.

“Ainda não fala? Os meus começaram a falar ainda eu estava no recobro”.

“Faz birras? Eu sempre consegui educar os meus para que não me fizessem passar vergonhas”.

Se repararem, enquanto as mães ouvem estas pérolas um dos olhos começa a ficar semicerrado e vai tremendo, enquanto aumenta e diminui de tamanho (não consigo escrever sobre isto sem que a síndrome dê um ar de sua graça). Esta síndrome é activada com questões descabidas, comentários inoportunos e comparações desnecessárias. Solução: não chatear as mães com conversas da treta.

8 – Síndrome do “Vou só comprar umas calças mas afinal volto com um saco de roupa de bebé”

Um título gigante mas que capta a essência da síndrome. Quantas de nós abrem o armário, reparam que precisam urgentemente de ir comprar umas calças, deslocam-se até ao centro comercial com esta missão e voltam cheias de sacos com roupa para o filho e sem uma única peça para si, inclusive sem as tais calças que tanto precisavam? Tão típico que até dói!

9 – Síndrome de Culpa

Infelizmente, a maternidade e a culpa andam frequentemente de mãos dadas. Essa culpa resulta da própria apreciação das mães, mas também lhes é frequentemente apontada pela sociedade. A criança come pouco? A culpa é da mãe que não faz sopas saborosas. A criança atira-se para o chão no hipermercado? A culpa é da mãe que não a soube educar. A criança adoeceu? A culpa é da mãe que não a agasalha convenientemente.  Os nossos filhotes têm cérebro e, consequentemente, vontade própria, logo nem tudo depende de nós. Além disso, “a culpa” também é nossa cada vez que eles sorriem, que cantam alegremente, que brincam livres, que mostram que são felizes – esta sim é uma “culpa” que nos vai marcar eternamente.

10- Síndrome do Sorriso Babado

Experimentem olhar para uma foto do vosso bebé e tentem não sorrir. Impossível! O mesmo se passa quando os vemos dormir, quando nos olham nos olhos, quando passam aquelas mãos gulosas pelos nossos rostos ou até enquanto se espremem para fazer cocó. Ao falarmos deles, até das coisas que nos agradam menos, acabamos por ficar com os olhos brilhantes e lá vem o sorriso babado. Nós amamos tanto estes seres pequeninos que quase tudo o que fazem nos enche de felicidade, às vezes nem conseguimos explicar o motivo de tanta alegria. Sinceramente, nunca sorri (e ri) tanto como desde que sou mãe.

imagem@weheartit

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A educação alimentar é essencial para a formação dos nossos filhos.

Uma criança bem nutrida apresentará um bom desenvolvimento físico, cognitivo e social, aumentando a probabilidade de vir a ser um adulto saudável e consequentemente feliz.

É óbvio que, criar hábitos alimentares saudáveis é um processo lento e muitas vezes ingrato, tendo em conta que, se há crianças que comem tudo com muita facilidade, há outras que desde bebés não dão tréguas neste capítulo.

Sei que muitos se estão a rever neste cenário. Por isso, quando os miúdos entram para o 1º ciclo, aos 6 anos, e já têm a capacidade (e alguns a experiência) de perceber que nem tudo o que se come é saudável, temos uma excelente oportunidade de através da Roda dos alimentos que estudam nas aulas, insistir na sensibilização da alimentação saudável.

É importante que se comece a pensar e a divulgar este tema a nível geral. Todos sabemos o difícil que é preparar lanches saudáveis e apetecíveis para os miúdos, para depois chegarem à escola e serem assediados com os lanches empacotados e carregados de açúcares e corantes que outros levam diariamente.

Foi nesta fase que os lanches dos meus filhos começaram a voltar intactos para casa. Porque não eram assim tão apetecíveis, nem tão “todos têm” como os dos restantes miúdos.

Confesso que esta situação me começou a “irritar”, porque saltar refeições é um dos piores erros a nível alimentar que se pode fazer, especialmente em fase de crescimento. Se eu não deixo os meus filhos saírem de casa sem tomar um bom pequeno almoço, e se tenho trabalho a planear menus para terem uma alimentação saudável e equilibrada em casa, não vou fingir que não percebi que, ou não lancharam de todo, ou partilharam lanche de outros miúdos, e aposto que não foi uma maçã!

Resolvi mudar de estratégia, e perceber o que deve conter um snack saudável em idade de crescimento.

Lanches saudáveis e práticos para os miúdos

Estas pequenas mas tão importantes refeições intermédias do dia-a-dia dos nossos filhos devem conter 2 a 3 alimentos dos seguintes grupos apresentados:

FRUTA
E LEGUMES

LACTICÍNIOS

FARINÁCEOS

FRUTOS
SECOS/SEMENTES*

– Fruta da época

– Um Hortícola como cenoura, tomate cereja, talos de aipo, etc.

– Leite

– Iogurte

– Queijo fatia

– Queijo barrar

– Queijo (dose individual Babybel)

– Fiambre (Pode substituir porque tem proteína, mas não tem o cálcio e
é muito processado

– Pão

– Tostas

– Gressinos

– Palitos Tostados

– Bolachas simples ou caseiras

– Cereais não açucarados

– Nozes

– Avelãs

– Amendoins

Amêndoas

– S.de  Linhaça

– S. de Sésamo

– S. de Girassol

– S. de Abóbora

*(no pão ou no iogurte)

 Bom, bom era que me aparecessem assim uns lanches saudáveis, práticos e prontos, que enfiasse na lancheira e Bingo!

Não foi preciso pensar muito, para que com base nos esquemas apresentados encontrasse soluções para fazer todos os dias lanche da manhã e lanche da tarde para três dos meus filhos, de forma simples e saudável. Fica o nosso menu semanal, que é alterado de semana para semana (geralmente troco uma ou duas coisas, e a ordem de acordo com o que tenho em casa)

Uptokids.pt

SEGUNDA

TERÇA

QUARTA

QUINTA

SEXTA

MANHÃ

Leite
simples, 1 fatia de pão de sementes com fiambre

1 fatia de
pão integral com queijo da vaca que ri fatias light

1 iogurte
sólido ou líquido e flocos de cereais integrais 

Avelãs, 1
pacote individual de leite simples, bolachas de água e sal

2 triângulos da vaca que ri, 2 tomates cereja, 2 bolachas simples

TARDE

1 peça de
fruta e palitos da vaca que ri

1 iogurte
liquido, talos de cenoura ou aipo, e um punhado de nozes

1 peça de
fruta e 2 queijinhos babybel Light

1 iogurte liquido e uma peça de
fruta 

Iogurte,
sementes (numa caixinha), talos de cenoura ou aipo

 

 

 

 

 

Em suma, o ideal será que as crianças comam fruta, leite, iogurtes e queijo meio-gordos e sem adição de açúcar, para além do pão e cereais. Assim, envio para os lanches pão com fiambre ou queijo fatiado, tostas ou palitos da Vaca que Ri, iogurte com fruta ou sementes, queijo babybel com avelãs, fruta com bolachas simples. Obviamente, para além destes alimentos junto sempre na lancheira água ou chá caseiro frio.

Numa casa com 4 crianças, sendo um deles bebé, precisava de arranjar um sistema prático que me tornasse mais fácil a questão dos lanches. Os queijos da vaca que ri são a solução ideal, porque são saudáveis e equilibrados, e segundo os meus filhos, “todos os amigos querem provar”

A verdade é que levar fruta e hortícolas para o lanche não parece muito atraente, mas desde que comecei a fazer os packs com os queijinhos da vaca que ri, e fiz o trabalho da educação alimentar em casa, deixamos de ter lanches boomerang! Os miúdos adoram quando mando os talos de aipo e de cenoura com os palitos da vaca que ri, porque rapam literalmente o queijo com eles. Acabam por comer verduras sem sequer reclamar. Até pedem para pôr na lancheira!

Agora, as lancheiras voltam vazias.

É certo que envio menos quantidade de comida, mas a variedade e os nutrientes estão lá.

Crianças saudáveis são crianças mais felizes.

 

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Os TPC estão a destruir os nossos filhos: a pesquisa é clara. É urgente banir os trabalhos de casa no 1º ciclo.

“Não há nenhuma evidência de que qualquer tipo e quantidade de TPC melhore o desempenho académico dos alunos do ensino básico.”

Independentemente da opinião do leitor sobre o tema TPC, esta declaração do investigador Harry Cooper é reveladora. Será que as horas de brincadeira perdidas, as lágrimas e todo o esforço e empenho dos miúdos têm sido em vão? Que milhares de famílias andam há anos a reboque dos TPC para nada?

Os TPC são uma prática tão enraizada que só recentemente alguns pais e educadores começaram a questionar o seu valor. No entanto, quando analisamos os factos, concluímos que os TPC têm benefícios, mas esses benefícios variam de acordo com a idade da criança.

Para crianças do 2º ciclo, a pesquisa sugere que o estudo num ambiente de sala de aula obtém resultados de aprendizagem, e que os TPC são apenas trabalhos extra.

Mesmo no 3º ciclo, a relação entre os TPC e o sucesso académico é mínima, na melhor das hipóteses.

Já no secundário, os TPC trazem benefícios, desde que a quantidade atribuída pelos professores seja moderada. Duas horas por noite é o limite máximo (dos máximos). Passado esse tempo, os benefícios são escassos. “A pesquisa é muito clara”, refere Etta Kralovec, professora de Universidade do Arizona. “A nível da escola primária, os benefícios são nulos.”

Para começar, vamos dissipar o mito de que estas conclusões são resultado de um punhado de estudos mal construídos. Na verdade, é exactamente o contrário: Cooper compilou 120 estudos em 1989 e outros 60 estudos em 2006. Esta análise abrangente de vários estudos não encontrou qualquer evidência de benefício académico no 1º ciclo. No entanto, confirmou um impacto negativo nas atitudes das crianças relativamente à escola. Mais preocupante, é saber-se que os TPC sempre têm um impacto sobre os alunos, mas é um impacto negativo. Uma criança que está a iniciar a sua vida de estudante merece, no mínimo, ter a hipótese de desenvolver gosto pela aprendizagem. Em vez disso, os trabalhos de casa nesta idade, fazem com que muitas crianças percam o gosto pela escola, pelos TPC futuros e pela aprendizagem académica. Uma criança que entra para a primária tem pela frente 12 anos de trabalhos de casa à sua frente, por isso, espera-lhe um longo caminho que não queremos que seja percorrido com esforço e sem gosto.

Desgaste das relações parentais.

Em milhares de casas em todo o país, as famílias debatem-se com os TPC todas as noites. Os pais pressionam e persuadem. As crianças, cansadas, protestam e choram. Em vez de se criarem vínculos e conexões, de se apoiarem uns aos outros no final do dia, muitas famílias encontram-se encurraladas no ciclo “Já fizeste os TPC?“.

Quando as crianças têm trabalhos de casa desde o 1º ano, é difícil de perceberem os objetivos de forma independente e, por isso, precisam da ajuda de um adulto para os realizarem. As crianças acabam por criar hábitos de estudo que dependem sempre do apoio de um adulto.  Muitas vezes, os pais assumem o papel do polícia dos trabalhos de casa, o que é uma função chata e não desejada, e que frequentemente acaba por perdurar ao longo dos anos do ensino básico. Além do mais, quando os pais assumem este papel, um dos propósitos dos TPC fica automaticamente comprometido: a responsabilidade.

Os defensores do método, referem que os TPC aumentam o sentido de responsabilidade, reforçam a matéria dada nas aulas, e criam uma ligação casa-escola com os pais. No entanto, os pais podem envolver-se, se quiserem, consultando livremente os cadernos diários e conversando com os filhos sobre o que aprenderam na sala de aula.

A responsabilidade é uma aprendizagem contínua, e que pode ser adquirida de diversas formas. Os animais de estimação são óptimos para desenvolver esta competência. A responsabilidade faz com que uma criança de 6 anos traga a lancheira e o casaco diariamente para casa. A responsabilidade faz com que uma criança de 8 anos se vista sozinha e faça a própria cama.

Quanto ao reforço das matérias dadas, há outras formas de o fazer sem ser com TPC obrigatórios e excessivos.

As prioridades não académicas, nomeadamente as relações familiares, a brincadeira livre e as horas de sono, são vitais para o equilíbrio e bem estar da criança. Estes factores têm um impacto direto na memoria, concentração, comportamento e aprendizagem da criança. A matéria é ou pelo menos deve ser reforçada diariamente na escola.

O tempo depois das aulas é preciso e essencial para o descanso da criança. O que resulta melhor do que trabalhos de casa é a leitura. Até podem ser os pais a ler em voz alta para os filhos numa fase inicial, e depois criar hábitos de leitura. A chave, é garantir que esta se torne numa actividade prazerosa. Se, depois de um dia de escola, a criança não quiser praticar a leitura, deixe-a ouvir uma história.

Quaisquer outros projetos enviados para casa devem ser ocasionais e opcionais. Se estes projetos não promoverem o interesse em aprender e consequente gosto pela escola, então não têm lugar no dia a dia de uma criança do 1º ciclo.

Sem qualquer benefício académico, há definitivamente coisas melhores para fazer no tempo a seguir às aulas.

Artigo publicado em Saloon, trazido e adaptado por Up to Kids®

imagem@emaze.com

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A capacidade de raciocínio é um puzzle complexo que mistura componentes genéticos e o ambiente onde crescemos.

Resolver uma equação. Compor uma sinfonia. Escrever um romance. Ganhar uma partida de xadrez. Inventar a cura para uma doença rara. O que têm todas estas situações em comum? São átomos de uma anatomia complexa: a inteligência. E, contudo, não me lembro da última vez que resolvi uma equação, não me sinto capaz de compor uma sinfonia, não me interesso pelo xadrez, sinto-me ainda longe de escrever um romance e muito mais ainda de encontrar a solução para uma doença rara. Nunca tinha pensado nisto desta forma e começo a ficar inquieto: serei menos inteligente do que pensava? Como podemos aferir a nossa inteligência?

O genoma, o ambiente e a comida como influenciadores do QI

Ainda que a alquimia da inteligência permaneça em grande parte um mistério, há dois ingredientes que sobressaem: a genética e o ambiente. Primeiro a biologia, depois a cultura ou a educação.

“Qual das componentes é mais importante? É uma falsa questão”, responde o biólogo da Universidade de Coimbra Hamilton Correia, que se tem dedicado ao estudo da inteligência e da sua importância na salvaguarda da espécie. “Se uniformizarmos os factores ambientais, então o que vai determinar a diferença de inteligência entre as pessoas é sobretudo o genoma. Se uniformizarmos a componente genética, então o que irá distinguir os indivíduos em relação à inteligência serão os factores ambientais”. O biólogo dá um exemplo: “Imagine que existiam dez bebés clones, com a mesma constituição genética. A partir deles podemos ‘criar’ dez indivíduos com uma diferença abismal nos resultados dos testes de QI. Isto porque os factores ambientais variaram significativamente entre eles durante o desenvolvimento.” Por exemplo, o tipo de alimentação durante os três primeiro anos de vida é fundamental para o “desenvolvimento da inteligência”.

Quem nasce lagartixa nunca chega a jacaré?

Muito menos consensual é a teoria do antigo inspector das escolas públicas britânicas Chris Woodhead, que no seu mais recente livro, “The Desolation of Learning”, coloca todo o peso da balança da inteligência no comportamento dos genes. Segundo o autor, os rapazes e as raparigas tendem a ser mais inteligentes se forem filhos de professores, advogados ou académicos. Quem foi menos bafejado pela genética será pouco inteligente, mesmo que tenha a melhor educação do mundo. “Porque é que temos a pretensão de pensar que conseguimos tornar uma criança mais inteligente do que aquilo que Deus a fez?“, perguntou durante uma entrevista ao diário britânico “The Guardian”.

Herdamos a nossa inteligência da mãe e não do pai (Outch!)

Segundo Correia, a influência da hereditariedade na inteligência faz-se sentir sobretudo pelo lado da mãe. “A maioria dos genes descobertos que quando mutados dão origem a deficiências cognitivas encontram-se no cromossoma X. Por esta razão, o sexo feminino é mais importante que o sexo masculino na transmissão da inteligência para a geração seguinte”.

Este facto explica uma realidade que pode parecer surpreendente: segundo um estudo realizado pelo biólogo no Departamento de Antropologia da Universidade de Coimbra, “os homens tendem a casar com alguém mais inteligente que eles, pois terão mais probabilidades de terem filhos inteligentes”. Ainda que o façam inconscientemente, a inteligência acaba por ser um importante critério de selecção sexual na espécie humana.

 

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Details

Era uma festa. Para um pequeno catita de 5 anos, uma das suas coisas preferidas (tirando comer uma banana, claro). Ele adora ver gente junta, feliz e de preferência rodeada de comida. Se no meio conhecer meia dúzia de pessoas novas, aí fica mesmo eufórico.

No meio de toda aquela alegria, apareceu na sala a chorar profundamente. Corri para ele e abracei-o. Estava a tentar perceber o que lhe tinha acontecido. Enquanto ele soluçava sem parar, entre meias palavras, consegui perceber que o seu chapéu colorido tinha voado para qualquer lado. Ele estava triste, mesmo triste. Do nada, apareceu uma senhora, cheia de boas intenções “Não precisas ficar assim! É só um chapéu. Vá, já chega de chorar. Deixa-me ver o teu lindo sorriso!” disse-lhe.

O pequeno catita ainda chorou mais. Ao ouvido dele, enquanto o abraçava, sussurrei “Chora. Chora tudo o que precisares. Eu percebo que estás mesmo triste, era o teu chapéu das aventuras, não era?” Ele chorou mais um bocadinho e quando estava preparado, fomos procurar o chapéu no jardim.

Ver alguém chorar faz disparar algum alarme bem profundo dentro de nós. Só queremos que pare. Mas chorar é um mecanismo que temos para libertar a emoção que estamos a sentir. É uma espécie de cura, de transformação do que nos aconteceu. É quando a emoção está a sair do corpo. O que a senhora lhe disse foi, de certa forma, que a emoção que ele estava a sentir não era adequada à situação. Era uma espécie de “o que estás a sentir não está certo”. É assim tão desconfortável para nós assistirmos às emoções “menos sorridentes” dos outros?

Os pensamentos, emoções e comportamentos da criança devem ser reconhecidos e, não engolidos. Devem ter espaço para existir. Porque eles estão lá na mesma. Se não vêm para fora…vão para dentro. Ficam lá, paradinhos à espera de uma nova oportunidade, mais segura, para saírem cá para fora.

Porque é que acham que muitos pais ouvem que os filhos são fabulosos na escola e em casa só fazem pilharias? Eles estão a exprimir todas as emoções que durante o dia tiveram de ficar escondidas. Estão a trazê-las cá para fora para serem transformadas.

E sabes porque o fazem apenas contigo?

Porque se sentem seguros. Porque sabem, bem lá no fundo, que gostas deles da pontinha das unhas dos pés ao cabelo mais comprido.

Sabem que não precisam de usar a máscara da menina bem comportada ou do melhor aluno da primeira fila. Podem ser simplesmente eles, com tudo o que vai lá dentro.

Como as pessoas falam pouco dos seus sentimentos, muitas vezes sentimos que somos os únicos que temos emoções que nos deixam assoberbados. Sentimos que estamos sós nisto tudo e, que talvez não seja certo sentirmos o que sentimos.

Se permitirmos aos nossos filhos sentir e comunicar o que vai lá dentro, damos-lhes a possibilidade de gostarem de cada cantinho seu, do mais escuro ao mais luminoso. Só assim podemos fazer crescer a sua autoestima, a sua capacidade de empatia e a inteligência emocional.

Ao não negar o que sentimos, tomamos consciência de que não somos as nossas emoções. Elas apenas ficam um pouco, e vão. Como uma nuvem que passa ou uma chuvada que dura apenas alguns minutos antes do sol brilhar de novo.

Se tivermos curiosidade em descobrir o que os nossos filhos estão a sentir, sem tentar resolver o problema, julgar ou controlar, apenas deixando que eles se exprimam, estamos a dar-lhes a oportunidade única de compreender e aceitar o seu mundo interior.

Tu tens um papel MESMO muito importante aqui. Sabes, quando eles são pequeninos, o seu cérebro ainda não está totalmente desenvolvido. As zonas do cérebro correspondentes à relativização das emoções e ao colocar os acontecimentos em perspectiva ainda estão no início da construção. O que domina é a parte do cérebro reptiliana, essa sim, totalmente desenvolvida, responsável pelas emoções mais cruas, como o medo, a raiva, a alegria e o choro.

Nós, pais, somos o sistema nervoso externo dos nossos filhos enquanto o outro ainda está em construção. Eles precisam de nós para os ajudarmos a lidar com os grandes sentimentos que os invadem. Somos nós que temos de lhes dar a mão e os ajudar a passar de um overload emocional para uma zona mais calma.

Passo a passo, enquanto ouvimos com empatia o que está acontecer com eles, vamos criando a ponte entre uma zona e outra. Uma ponte que um dia eles vão, finalmente, ser capazes de atravessar sozinhos.

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Não basta a uma criança ter uma inteligência suficiente e uma saúde satisfatória para que se possa desenvolver e adaptar.

Necessita também de uma sensibilidade desenvolvida e de capacidades relacionais que lhe permitam servir-se das suas capacidades físicas e intelectuais.

Um grande número de desadaptações sociais e escolares e de perturbações no comportamento têm origem em dificuldades afetivas. Começamos a compreender que, ao lado da idade cronológica e da idade mental, há uma idade afetiva que é a função do grau de maturação da sensibilidade e que essa maturação é intimamente solidária da maturação da líbido, ou seja, da vida relacional sexualizada, feminina ou masculina.

Se existe um meio onde a sensibilidade relacional desempenha um papel essencial, é a família e a escola. Os laços afetivos que se estabelecem entre pais e filhos são simultaneamente os mais profundos e os mais duradouros. O amor e o ódio, a ternura e a agressividade podem desenvolver-se nesse meio, excluírem-se ou coexistirem, com uma força muitas vezes insuspeitada.

Relações Humanas

Nenhuma relação humana compromete o indivíduo de uma maneira tão total e tão profunda. A relação conjugal dos pais confronta o homem e a mulher na sua mais íntima sensibilidade, ao mesmo tempo, corporal e psíquica. Põe à prova o seu grau de maturidade viril ou feminina. A paternidade e a maternidade põem em jogo os mais poderosos sentimentos. São eles que mais comprometem o indivíduo na afirmação de si mesmo.

A criança imatura, mergulhada no meio familiar e formada por ele, constrói-se interiormente em função das reações afetivas dos pais. Fraca e maleável, a criança é frequentemente tratada como uma “coisa” pelo adulto. Com o pretexto de que não passa ainda de uma criança é sobrecarregada com juízos e apreciações, fala-se dela sem reserva na sua presença como se ainda não existisse como ser humano, quando devíamos tratá-la com o mesmo respeito que se pode ter pela personalidade de um adulto.

A escola, constitui o lugar da primeira aprendizagem relacional no plano social. Conhece-se bem a importância educativa das relações afetivas alunos-professores e dos alunos entre si.

Mas o que não se sabe tão bem é que essas influências afetivas recíprocas não se desenrolam unicamente num plano consciente; elas atuam em profundidade, de um modo inconsciente e sem que os indivíduos o saibam. Essa influência, manifesta-se por vezes num sentido inverso ao do comportamento consciente.

Certa mãe escrupulosa e aparentemente bem intencionada dissimula uma agressividade não menos real que o seu aparente desejo de ajudar a criança.

Determinado pai aparentemente autoritário disfarça a ansiedade e a dúvida de si mesmo.

Determinada criança agressiva e com espírito de oposição busca  inconscientemente auxílio e carinho.

Determinado professor obedece a receios ou a agressividades que alimentam tensões e conflitos, angústia ou indisciplina entre os alunos.

Sensibilidade consciente e inconsciente

Entre o que a criança representa no inconsciente do adulto e o que este pode experimentar conscientemente, há muitas vezes uma considerável diferença. A criança no inconsciente é muitas vezes um símbolo revestido de agressividade, de angústia, de líbido ou de culpabilidade, sem que o educador tenha consciência disso. Destes dois modos de expressão –consciente e inconsciente – da sensibilidade, o mais atuante nem sempre é a sensibilidade consciente. A sensibilidade consciente de si mesma, dominada e elaborada pelo psiquismo do indivíduo, é menos exigente do que a sensibilidade inconsciente.

Esta última, devido à sua natureza profunda e inacessível ao domínio do indivíduo, continua compulsional e tirânica.  Pode ser recalcada, mas não dominada. Mantêm a sua intensidade e o seu poder animal. O inconsciente só conhece a lei da satisfação imediata. E essa violência instintual do inconsciente mantém-se enquanto não tiver sofrido, por intermédio da relação com o outro e pela mediação da palavra, o freio da realidade exterior. O poder absoluto enlouquece, dizia Platão.

O mesmo é dizer que o poder absoluto dos educadores não deve estar subordinado às exigências dos seus desejos inconscientes.

Por Paula Norte, psicóloga, para Up To Kids®

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Como desarmar uma birra é um dos maiores desafios dos pais. Fazê-lo com uma pergunta é possível!

As birras dos filhos e como ajuda-los a supera-las

Eu não li os livros todos de psicologia infantil, nem fiz nenhum curso de como evitar/interromper/acabar com uma birra. Mas à conta de episódio passado com a minha filha de 5 anos, aprendi uma “fórmula” para contornar as birras dos nossos filhos.

A minha filha entrou na escola e andava um bocado ansiosa.

Nas primeiras semanas percebemos que estava bastante nervosa e esse comportamento acabou por se refletir em casa: fazia birras com facilidade, até por coisas sem importância. De repente, tudo era um drama. Por indicação da escola, procuramos uma psicóloga infantil, para que a Alice pudesse falar sobre o que se estava a passar e percebermos o que podíamos fazer para ultrpassar esta fase.

De entre as várias dicas que a psicóloga Sally Neuberger nos deu, houve uma que retive exactamente por ter achado fantástica, e é sobre ela que vou aqui falar.

A psicóloga explicou-me que a criança tem de se sentir respeitada. Ou seja, devemos dar valor ao que está a sentir, mesmo que nos pareça uma birra pura. Assim, no momento de uma crise, uma criança a partir dos 5 anos de idade precisa de que a ajudemos a pensar e obter uma resposta sobre o que se está a passar.

Esta nossa valorização sobre o que a criança está a sentir e ao mesmo tempo o facto de incluí-la na solução da questão desmonta a birra em si.

Como desarmar uma birra com uma pergunta

No momento da birra – seja porque o braço da boneca saiu, porque está na hora de ir para a cama, porque os TPCs não correram com esperava ou porque não queria realizar uma tarefa – devemos olha-la nos olhos e perguntar num tom calmo :

“Isto é um problema grande, um problema médio ou um problema pequeno?”

Esta frase tornou-se mágica aqui em casa. E sempre que faço a pergunta e a minha filha me consegue responder. Em conjunto conseguimos encontrar uma solução para o problema.

Se for um problema pequeno é rápido e tranquilo de resolver.

Um problema médio, muito provavelmente será resolvido mas não nesse momento imediato e ela vai entender que há coisas que precisam de tempo para acontecer.

Se o problema for grave – e obviamente que grave na cabeça de uma criança não pode ser algo a ser desprezado mesmo nos pareça algo sem importância – talvez seja preciso mais conversa e mais atenção para que a criança entenda que há coisas que não correm exatamente como nós queremos.

 

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Fazia eu uma pesquisa para o trabalho quando me deparei com a página de uma celebridade estrangeira e os meus olhos foram parar à secção dos comentários.

Diga-se de passagem que não é uma celebridade consensual mas perdi a conta às vezes que li a mensagem: “Kill yourself!”.

Atrás de um monitor, anonimamente, todos são valentes, todos dizem o que querem e o que não devem. A maior parte das pessoas que escreveu aquelas linhas provavelmente não pesou o significado da sugestão. Afinal, estão a dizer a uma pessoa, um ser humano de carne e osso, que o mundo seria melhor sem ela. Que se se matasse era um favor que faria à humanidade. Por mais que tente, não compreendo. Li vários artigos, ao longo do tempo, sobre o suicídio de adolescentes. E existem miúdos que já se sentem pouco merecedores do ar que respiram e que muitas vezes são alvo de críticas duríssimas nas suas redes sociais, pelos seus pares, por outros que lhes desejam que se olhem ao espelho, que não saiam de casa, que lhes desejam a morte. Quero acreditar que não o desejam verdadeiramente, mas formulam esse pensamento. E há quem esteja fragilizado a ponto de ponderar: e se? E há quem o concretize.

Gostava que a minha filha, a quem tento educar com os valores de solidariedade, compaixão, bondade, nunca venha a dizer nada parecido a ninguém. Eu sei que há aquela fase parva que (quase) todos os miúdos vivem e que mais tarde os faz terem dificuldade em reconhecer-se. Sei que todos cometemos erros. Que já todos dissemos coisas de que nos arrependemos. Mas a regra nas redes sociais devia ser: diz apenas aquilo que serias capaz de dizer cara a cara

Talvez vivêssemos num mundo melhor.

Lá porque somos livres de ter uma opinião isso não significa que tudo o que pensamos deva ser dito em voz alta.

Às vezes bastava colocarmo-nos no lugar do outro.

Por isso sou contra todo o tipo de bullying.

O que é praticado diariamente por pais que insistem em chamar preguiçosos, burros, estúpidos ou gordos aos filhos.

Ao que se vive em alguns casais, com trocas de palavras feias, que deitam abaixo em vez de ajudar a caminhar em conjunto.

Ao que acontece no local de trabalho, em que as pessoas falam do que não sabem ou fingem saber só para que o colega não tenha uma oportunidade que merece.

Ao que está enraizado em todos os portugueses: que se acham no dever de formular a sua opinião quando ninguém a pede. Sobre tudo. Sobre todos.

O mundo precisa de menos ódios de estimação.

De menos rancor.

De menos críticas destrutivas.

O mundo precisa de mais amor.

É tão simples.

Basta amar.

imagem@weheartit

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A minha é letra é feia …

Letras tremidas…

Mal desenhadas…

De tamanhos diferentes…

Com dimensões gigantes ou minúsculas (ou ambas)…

Letras que voam ou que se enterram nas linhas base…

Uma escrita manual que ninguém consegue perceber…

“A letra feia” aparece e mantém-se…

Essa letra que todos caraterizam como feia (e na maior parte das vezes também a própria criança) começa a tornar-se um motivo de preocupação para pais e professores.

Será preguiça? Será pouco esforço? Ele (ela) nunca gostou de desenhar nem escrever.

A verdade é que ter a letra feia nem sempre é sinónimo de desleixo, pode ser uma dificuldade bem real e que deve ser analisada. Escrever manualmente é uma atividade complexa e depende intimamente do desenvolvimento e maturação de competências base, tais como:

  • Motricidade fina (precisão manual, destreza, competências manipulativas)
  • Perceção visual (figura fundo, relações espaciais, posição no espaço,..)
  • Motricidade global (postura, coordenação olho-mão, cruzamento da linha média, lateralidade…)

Estimular o desenvolvimento destas competências é importante para que a criança tenha bases suficientes para uma escrita eficaz. Atividades tais como o desenho, colagens, recortes, grafismos, gincanas, encestar, … fazem parte do processo de desenvolvimento e preparam a criança para a fase seguinte…a escrita.

Como perceber se existem dificuldades na escrita manual?

Sinais de Alerta

  • O seu filho apresenta uma escrita ilegível?
  • Mostra lentidão na execução das tarefas de escrita?
  • Sente-se muito cansado quando escreve? Sente dor (ex. nos dedos)?
  • Coloca pouco ou demasiado espaçamento entre as letras e palavras?
  • A escrita é feita de forma irregular?
  • As letras são mal formadas ou incorretas?
  • Faz pressão inadequada ou inconsistente (marcas muito claras/escuras/variáveis)?
  • Apresenta linhas com pouca precisão (tremidas)?
  • Demonstra pobre orientação em relação à linha de base?
  • Não respeita as margens?
  • Apresenta uma grande desorganização na página?

Se respondeu sim a qualquer das questões anteriores podemos estar perante uma situação de dificuldade na escrita manual e é importante que recorra a ajuda profissional.

Trabalhar a dificuldades na escrita manual de forma eficaz é trabalhar tudo o que causa essa dificuldade. Insistir em determinadas tarefas (ex. treinar o desenho de letra) sem desenvolver as competências base acaba por ser infrutífero podendo mesmo causar uma grande frustração na criança que por muito que se esforce não consegue corresponder às expetativas colocadas pelos pais e professores.

Analisar todas as áreas envolvidas na atividade bem como o desempenho na escrita manual é a forma de avaliação do terapeuta ocupacional que de acordo com uma avaliação global poderá aconselhar melhor tipo de apoio e estratégias que facilitem o desempenho do seu filho.

Se tiver alguma questão relacionada com esta temática poderá preencher o formulário de esclarecimento dúvidas.

Terei todo o gosto em poder ajudar!

 

Por Terapeuta Ocupacional Margarida Sabino

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