Que bom ver-te ser criança!

Meu amor,

É tão bom ver-te ser criança.

Rir afastada enquanto saltas nas poças, trepas às árvores, corres atrás de uma bola.

Dar-te colo quando te magoas e me explicas como aconteceu.

Ouvir-te cantar músicas diferentes todos os dias, aprender as que consigo apanhar.

Dar-te a mão para andares em cima dos muros e no fim saltares vitoriosamente para o chão.

Dar atenção às tuas perguntas, tão típicas, como a de hoje de manhã em que viste as fotografias em que o pai e eu estamos com os avós e perguntaste onde estavas tu.

Ouvir-te enquanto imaginas teorias estranhas e olhar-te para as perceber, receber uma careta porque te perdeste no teu raciocínio.

Ensinar-te pequenas coisas e bater palmas com as que vais aprendendo sem que dê conta.

Fazer-te as vontades que fazem parte, ter de lidar contigo quando digo que não a alguma coisa.

Observar-te a construir castelos de tudo um pouco, a ensinares os teus bonecos a portarem-se bem, a divertires-te quando encontras na rua quem gostas.

Receber o teu abraço mesmo quando não o peço, dar-te colo mesmo quando não preciso, enquanto consigo fazê-lo.

Embalar-te e fazer-te festinhas no cabelo quando estás a adormecer junto a mim.

Ver-te mergulhar sozinha na piscina e procurares-me com os teus olhinhos quando emerges para veres as minhas palmas.

Mostrar-te a diferença entre ser bom e ser mau, aproveitar todos os momentos para livrar os nossos dias das maldades gratuitas, mesmo que isso signifique não pisar um carreiro de formigas.

Partilhar contigo e ver-te a partilhar com os outros.

Deixar-te correr na areia e ouvir-te pedir para continuares no mar, que tanto adoras.

Ler-te histórias antes de dormir. Todos os dias a mesma, por mais ou menos um mês e meio (já sabemos que é assim…).

Dar contigo os bons dias ao sol diariamente, mesmo que ele esteja escondido atrás das nuvens.

Ouvir-te dizer que gostas de mim antes de dormir, como se fosse o nosso mantra.

Olhar em frente e ter esperança no futuro porque ele é feito de crianças como tu: livres, boas, cultas, educadas que darão o seu melhor para que outras crianças que não tiveram a mesma sorte, os mesmos direitos e privilégios sintam que vale a pena viver neste mundo.

Feliz dia da criança, meu amor.

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Terapia da fala em crianças: Sinais de alerta dos 3 aos 6 anos

Se até aos 2 anos a necessidade de Terapia da Fala em crianças pode não parecer clara para as famílias, quando a criança ingressa na creche ou no pré-escolar, os sinais de alerta começam a ser bastante mais evidentes.

Entre os 3 e os 4 anos, já é esperado que a criança tenha um vocabulário expressivo superior a 500 palavras, utilize, pelo menos, algumas frases simples e seja capaz de compreender ordens e pedidos complexos. Devem também começar a compreender o significado de pouco/muito ou grande/pequeno e responder, como também perguntar, questões “o quê?” e “onde?”.

Numa fase anterior, muitas crianças utilizam muito os gestos como uma forma de suporte ao discurso, algo que já não deverá acontecer nesta faixa etária. O mesmo acontece com os monólogos que as crianças muitas vezes fazem e que, nestas idades, já deverão passar a ser conversas em que é respeitada a regra de turnos de conversação – primeiro fala uma pessoa, depois a outra.

Um dos grandes sinais de alerta que também surge nesta fase é o facto de os estranhos não compreenderem a criança. É normal que a família e os amigos próximos já tenham aprendido a “decifrar” o que a criança diz – muitas vezes, nem se apercebendo de que ela não fala corretamente – mas, quando alguém que não lida frequentemente com a criança, não é capaz de a perceber, podemos estar perante a necessidade de intervenção em Terapia da Fala.

Entre os 4 e os 5 anos, a criança já deverá ser capaz de utilizar a Linguagem em contexto social, dialogando com a família mas também não sendo oposta ao contacto com estranhos. Já é esperado que saibam nomear as cores primárias e que respondam a questões mais complexas, como “o que é?”, “porquê?”, “como?” e “quanto?”.

Na faixa etária dos 5 aos 6 anos, encontramo-nos na fase de início do 1ºciclo, altura em que, caso existam ainda dificuldades, é absolutamente crucial que sejam superadas o mais precocemente possível, sob o risco de criar mais dificuldades futuramente, como na aprendizagem da Leitura e da Escrita. Nestas idades, é muito comum que a criança ainda não articule corretamente todos os sons da fala (ou acrescente/omita/troque por outros). No entanto, é por volta dos 5 anos que todos os sons devem estar adquiridos e, quando a criança não faz esta aquisição sozinha, pode precisar de um apoio profissional.

Quando a criança ainda não é capaz de contar histórias ou explicar como foi o seu dia, ainda não usa frases complexas, não usa pronomes possessivos (“é meu/é teu”) ou não compreende noções de espaço e tempo, também estamos perante a possibilidade de dificuldades ao nível da Linguagem.

Nesta, como em todas as idades, a prevenção é a palavra de ordem, permitindo à criança fazer todas as aquisições sem chegar a ter repercussões. Através de uma “brincadeira” estruturada, com vista aos objetivos traçados, a criança vai tomando consciência dos sons e das diversas componentes da Linguagem, também com a ajuda dos pais, que recebem estratégias personalizadas e direcionadas para as dificuldades específicas do seu filho, para que o trabalho tenha continuidade em casa.

Se reconhecer algum destes sinais de alerta, a Ipsis Verbis oferece a realização de um rastreio gratuito em que, de forma imediata, os pais ficam a saber se existe necessidade de uma avaliação e posterior intervenção. Todas as sessões são completamente personalizadas, baseadas no gosto da criança e, sempre que possível, realizadas com base na “brincadeira”.

A Ipsis Verbis atua ao domicílio e em escolas, no distrito de Lisboa.

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

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Importância dos Rastreios em Terapia da Fala

Há dias ia na rua e sem querer ouvi a conversa entre dois rapazes:  “Olha que essa tem filhos. Tens de ter cuidado com as mulheres hoje em dia: têm todas filhos atrás.” Fiquei indignada ao ouvir um discurso tão machista e cheio de preconceito. Infelizmente para nossa “linda e justa” sociedade, a mulher que tem filhos seja ela divorciada ou mãe solteira, não merece ser amada, respeitada e valorizada.

Este facto fez-me lembrar a história de uma mulher que tive o prazer de conhecer, muito inteligente e bonita por sinal. Sempre foi dedicada à família, uma esposa amorosa e fiel, mas numa das voltas que a vida dá o marido abandonou-a com três filhos pequenos e resolveu “curtir a vida”, se não me engano um deles era recém-nascido na altura. A vida dela ficou do avesso quando se viu sozinha, desamparada, com filhos e muitas, muitas contas para pagar.

Calculo que não deva ser nada fácil ouvir da boca da pessoa que se ama que deixou de gostar de ti, que tu não vais ser feliz com mais ninguém porque tens três filhos e que nenhum homem  irá dar valor a uma mulher assim.  Deve ser difícil ser fintada pelo próprio companheiro, o pai dos teus filhos, pai este que não paga as pensões, não sustenta os filhos e nem se preocupa em cumprir seu papel de progenitor.

Esta mulher – a separada, a largada ou a cheia de filhos, como muitos costumam chamar – ficou sem chão mas não desistiu. Esta mulher levantou-se com toda coragem para lutar, para vencer as dificuldades, as derrotas, as humilhações e principalmente com o objetivo de dar a volta por cima.

Existem muitas mulheres nesta situação que são muito mais “homem” que muitos homens que aí andam. As verdadeiras guerreiras, dignas de se tirar o chapéu, que merecem todo respeito e uma oportunidade de serem felizes novamente.

Infelizmente o preconceito de muitos, como estes dois com quem me cruzei na rua, as priva desse direito. A vida muitas vezes rouba-nos os sonhos, mas pior que isso são as pessoas que ainda insistem através do preconceito em arrancar dessas mães a sua dignidade, o seu respeito, o seu direito de recomeçar e de ser feliz.

É muito fácil apontar o dedo, julgar, condenar, ridicularizar e culpar o próximo. O difícil mesmo é estar no lugar da pessoa, é ter que superar as barreiras fazendo do passado a escola do presente. O difícil é superar-se a cada dia, é deixar o preconceito e abrir os olhos e o coração para o que realmente tem valor.

Ser divorciada, separada ou mãe solteira não é nenhum crime. Crime é não ser capaz de amar alguém que só sofreu por amar demais.

Por  Irailde Santana em A mente é maravilhosa

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Este é um assunto que afecta imensos casais, que é fortemente abordado na literatura, contudo na realidade parece não afectar ninguém pelo menos até se tornar público que a Maria e o João se separaram.

A diminuição da felicidade que a relação conjugal nos traz, habitualmente tratada por satisfação conjugal, continua a ser um tema tabu que funciona como uma pescadinha de rabo na boca – ao não ser falado faz com que as pessoas sintam que não é suposto falar sobre isto, logo ninguém toca no assunto.

Por que é que são poucos os casais que assumem que o nascimento do bebé os afastou? Penso que existem vários motivos – entre sentirem que estão a culpar o bebé, algo tão positivo nas suas vidas, por um acontecimento negativo; passando pelo sentimento de vergonha em admiti-lo (se ninguém fala no assunto é porque somos o único casal a passar por isto); até à crença que desenvolvemos de que as famílias têm de ser felizes quando nasce um bebé, tal como a Disney nos ensinou nas suas histórias.

São vários os estudos que confirmam que nos primeiros anos de vida o bem-estar do casal é inferior comparativamente a casais da mesma idade que não têm filhos. Não se preocupem, existem boas notícias: à medida que as crianças crescem o nosso bem-estar torna-se superior ao desses casais sem filhos (Toma! Vai buscar!). Resumindo, com o tempo vamos sentir-nos melhor, só precisamos disso mesmo – de tempo!

Nos primeiros tempos de vida do bebé dedicamo-nos quase em exclusivo a ser mães. Aprendemos a ser mães, a fazer actividades de mães, a conciliar as novas tarefas com outras (domésticas) que já desempenhávamos, a centrar o nosso tempo e recursos no bebé. Naturalmente, investimos tanto neste papel que deixamos de ter vontade, paciência e/ou energia para cuidar igualmente dos outros papéis que protagonizamos. Geralmente, a Mulher fica esquecida e com ela leva as memórias dos motivos pelos quais o nosso companheiro já nos fez tão felizes. Quanto mais permitimos que esse afastamento aconteça, mais sentimos que perdemos pontos em comum e passamos a vê-lo como o bebé o vê – apenas como pai.

Enquanto alguém que passou por tudo isto na “pele”, gostava de vos deixar algumas palavras de ânimo e dicas que talvez possam ajudar:

1- Vocês não estão sozinhos!

Acreditem que mais perto do que imaginam existe um casal a passar pelo mesmo, a sentir essa tristeza por já não sentir uma ligação tão forte entre si. Aceitem esses sentimentos, tentem perceber porque surgem, será mesmo que a pessoa mudou ou o meu estado de sonolência/cansaço/irritação é que não me permite vê-la da mesma maneira?

2- Conversem, conversem e conversem!

Claro que para as mulheres isto é mais fácil (um dia venho contar-vos porquê), mas existem timings em que falar se torna mais fácil, tentem encontrá-los e, sem apontar dedos e culpar ninguém, procurem dizer apenas o que sentem.

3- Partilhem, se possível, com alguém que vos aceite.

Por vezes, quando não exprimimos o que sentimos, nem partilhamos a nossa visão sobre as situações, tudo parece mais negro. Damos por nós a achar que não existem alternativas para o comportamento daquela pessoa (fez isto com aquela intenção, sem dúvida); este tipo de pensamento, conhecido por pensamento preto ou branco, leva-nos a ver as coisas de forma absoluta, quando por vezes existem outras justificações bastante razoáveis. Além disso, falarmos com outras pessoas ajuda-nos a perceber que como nós – numa fase menos boa – existem muitos.

4- Invistam em vocês como casal.

Confesso-vos que dei este passo com muitas reticências, só de me imaginar a ir jantar enquanto a minha filha, embora aos cuidados da excelente avó que tem, ficava a chorar, sem saber da mãe, partia-me o coração e trazia grandes sentimentos de culpa (que tipo de mãe és tu que faz isto à filha?). Na verdade, ela não só não chorou, como eu me diverti imenso. Durante o jantar quase que senti que estava a  conhecer o meu companheiro pela primeira vez; no meio de tudo esqueci-me de tantas características positivas que ele tem (se não há partilha de novos momentos, que por sua vez criam novas memórias, como podemos continuar a conhecer-nos?). Posto isto, apostem nestes momentos, mesmo que não tenham a minha sorte e o bebé chore durante 1 hora, acreditem que quando voltarem para junto dele se vão sentir pais mais felizes, revigorados e, por conseguinte, mais disponíveis para abraçar os desafios da parentalidade – vejam isto como um investimento.

5- Procurem ajuda profissional.

Se sentem que já tentaram de tudo e que a relação tende a piorar, procurem um psicólogo que faça terapia conjugal. Acreditem, imensas pessoas recorrem a este tipo de terapia, não tenham complexos. O que existe de errado em fazer de tudo para ficarmos com a pessoa que amamos?!

Espero que consigam continuar a aprender a ser pais, mas que possam, em simultâneo, reaprender a ser um casal, agora com mais papéis e desafios.

 

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Será possível vencer as birras dos nossos filhos?

As birras das crianças podem ser uma verdadeira dor de cabeça para pais e cuidadores.

Em situações mais graves as birras podem interferir significativamente no quotidiano de pais e filhos, visto que simples tarefas como ir ao supermercado podem ser uma tormenta!

É importante compreender o fenómeno das birras considerando o período desenvolvimentista em que as crianças estão.

Entre os 2 e os 5 anos é expetável que surjam algumas birras, o que se justifica em grande parte pelas características cognitivas típicas destas idades. Nesta fase o pensamento das crianças é caracterizado por algum egocentrismo, isto é, tendem a perceber as situações apenas do seu ponto de vista e não se colocam no ponto de vista das outras pessoas, nomeadamente dos pais ou demais cuidadores. Experienciam a mesma dificuldade face à capacidade para anteciparem e compreenderem os sentimentos dos outros – leitura da mente. Desta forma, as crianças centram-se nos seus próprios interesses e negligenciam as regras impostas pelos adultos.

Assim, as birras fazem parte do processo de desenvolvimento e aprendizagem de uma criança, sendo necessário estabelecer regras e limites claros que permitam estruturar o seu quotidiano e compreender o mundo que as rodeia, bem como, ajudá-las a gerir o sentimento de frustração.

Assim, deixamos aqui 10 dicas para vencer as birras.

10-dicas-para-vencer-as-birras

1.Implemente regras claras

Quando se dirige a um sítio público, apresente-lhe as consequências positivas e negativas decorrentes do seu comportamento. Antes de entrar numa loja, estabeleça contacto visual com o seu filho e exponha de forma clara o comportamento que espera e o que vai acontecer como resultado: “Quando entrarmos na loja, quero que fiques ao pé de mim. Não foges para lado nenhum. Se ficares ao pé de mim, divertimo-nos e depois tens uma recompensa. Se não ficares ao pé de mim, vais fazer uma pausa para o carro.” Confirme que o seu filho percebeu as instruções, fazendo-o repeti-las.

2. Dê apoio ao seu filho

Ao entrar num local público, comece imediatamente a comentar de modo positivo o comportamento do seu filho. “Obrigado por ficares ao pé de mim. Gostei muito.” Continue a reforçar a atitude do seu filho com frequência.

3. Seja firme

As birras das crianças podem ser muito poderosas e por diversos motivos os pais são tentados a ceder. Em lugares públicos os olhares dos outros são muitas vezes motivo de incómodo para os pais. Noutras situações de maior cansaço, ou indisponibilidade emocional para “lutar” contra as birras, a saída mais fácil parece ser mesmo ceder. Tente ser firme e consistente nas regras que implementou, caso contrário, a tendência será para que a criança tente sempre contornar as regras na esperança que os pais cedam às suas vontades.

4. Mantenha calma

Pode ser muito difícil lidar com situações de birra e a calma nem sempre prevalece. É importante que não se exalte quando o seu filho faz uma birra e que lhe dê um exemplo adequado de como gerir emoções. Se queremos que a criança aprenda a lidar com a frustração e com as emoções de valência negativa, o adulto deverá constituir um modelo de comportamento.

5. Use a pausa, se necessário

Assim que o seu filho começar a violar as regras, pode pegar-lhe na mão com firmeza e levá-lo até ao carro (ou canto da loja) para uma pausa de cinco minutos.

6. Não preste atenção à birra

Na presença duma birra, o passo essencial é não satisfazer o pedido da criança. Se o fizer, estará a dizer à criança que o seu mau comportamento lhe oferece privilégios. Em vez disso, afaste-se da criança e ignore-a. Se não for capaz de tomar esta atitude, retire a criança do espaço em que se encontra. Leve-a para casa e coloque-a numa divisão da casa sem distrações, onde possa refletir acerca do seu mau comportamento. Não lhe dê atenção, nem procure dar nenhum sermão à criança nesta altura, pois o seu estado emocional de exaltação não o vai permitir.

7. Quando a birra terminar, converse com o seu filho

Explique-lhe com clareza que este tipo de comportamentos não leva a nada. Poderá aplicar um pequeno castigo, de acordo com a regra que havia estipulado. Não ameace, aplique o castigo! Seja consistente, se não o fizer, a criança poderá aproveitar-se desse facto para obter mais recompensas. Se decidir aplicar um castigo, faça-o imediatamente a seguir ao mau comportamento. Se deixar passar muito tempo, a criança deixará de associar o castigo a esse comportamento em concreto, pelo que o castigo deixará de ter o efeito pretendido.

8. Planeie de forma adequada a sua rotina

Para evitar confusões e brigas constantes, planeie a sua rotina, e evite levar o seu filho para locais onde se desestabilize frequentemente.

9. Esteja atenta ao comportamento do seu filho

Se as birras não faziam parte do comportamento do seu filho e nota que têm vindo a surgir com mais frequência, esteja atenta! Tente perceber se algo mudou na sua rotina, no seu comportamento na escola ou noutros contextos. As birras poderão ser um reflexo de instabilidade emocional provocada por outras problemáticas.

10. Procure ajuda profissional

Se as birras assumem presença constante no vosso quotidiano, a sua frequência e intensidade já ultrapassaram o que seria normativo em termos de  desenvolvimento, até já utilizou diversas estratégias aqui apresentadas e não vê melhorias no comportamento do seu filho, o melhor será mesmo procurar aconselhamento junto de um profissional, nomeadamente de um psicólogo infantil, que o poderá ajudar a compreender as causas das birras, ajudá-lo a alcançar maior estabilidade emocional e capacidade de auto-controlo, ajudando também os pais a lidar mais eficazmente com este problema e a modificar possíveis fatores de manutenção do mesmo.

 

Artigo das Psicólogas Carla Pereira e Sandra Alves

imagem@linkedin

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Vivemos em tempos de mudança.

Desde sempre me lembro de haver aquelas notícias que os meus pais evitavam que espreitássemos na televisão quando éramos crianças. Infelizmente desde sempre me lembro de haver cenários de guerra, espalhados um pouco pelo mundo, com as respectivas imagens de violência que naturalmente lhe estão associadas.

Hoje em dia mudaram-se os homens mas há muitas guerras que se mantém. Todos os dias nos chegam relatos de ataques suicidas, de bombas, de explosões, seja no Iraque, na Síria, no Médio Oriente. Lamentamos as mortes, consternamo-nos com o facto de serem uma presença diária na nossa existência, rezamos baixinho pelas famílias que perderam os seus, pelas tantas vidas que vivem tudo isto de perto sem lhe poder escapar e… continuamos a cortar os legumes para a sopa, esperamos pela música que vem a seguir na rádio, abraçamos um pouco mais os nossos filhos.

Desde 2011 que convivemos mais de perto com outro tipo de guerra, o terrorismo. E lamentavelmente ele tem vindo a ganhar terreno e a chegar mais perto, a deixar-nos a pensar duas vezes “e se”. Quantos de nós não conhecem alguém que esteve perto do inúmeros ataques que se têm vindo a desenrolar ao longo dos últimos anos, meses, semanas? Quantos de nós não pensaram que foi por uma questão meramente de calendário que não foram atingidos?

Hoje acordei com as notícias do ataque em Manchester. Mais uma vez, aqui tão perto. E as circunstâncias enojam-me porque consigo imaginar as famílias que estavam a sair do recinto do concerto, as crianças cujo sonho de ver o seu ídolo acabava de ser realizado. Tenho amigas cujas filhas ansiavam pelo concerto de Junho, em Lisboa, da mesma artista. Concerto esse que não vai acontecer. Ontem, numa noite que deveria ser de celebração centenas de famílias ficaram dilaceradas, perderam os seus. Hoje as minhas amigas terão de explicar às filhas menores por que motivo não vai haver concerto. Por que motivo a raiva de uns colide com a vontade de paz de outros.

Há dois meses, estava eu num concerto no Meo Arena e pensei para mim mesma: “se acontece alguma coisa é impossível sairmos daqui”. Conheço pessoas que viajam de avião quase semanalmente e tento afastar do pensamento as probabilidades de acontecer alguma coisa, porque estas já não são tão ridículas como há uns anos.

É exactamente assim que funciona o terrorismo. Espalhando medo, terror. Pondo-nos a olhar por cima do ombro, a evitar algumas coisas que faríamos com a maior das naturalidades. Fazendo-nos andar de metro correndo um risco enorme, obrigando à colocação de pilares de cimento nas comemorações do centenário de Fátima, para evitar um ataque através de camiões.

E tudo isto é tão triste, porque significa que mesmo nós dizendo que não temos medo, temos. E temos de educar os nossos filhos para uma realidade em que a guerra se faz de outra forma, com recurso a outros meios, em cidades e países em paz.

Temos de lhes ensinar a tolerância, o respeito, temos de os educar a conviver com a triste e dura realidade de que apesar de sermos bons haverá sempre quem seja mau e nos deseje mal simplesmente porque pensamos de forma diferente.

Há uns anos ponderava se faria sentido trazer filhos a um mundo cada vez pior, mas aí não venceu o terrorismo.

Porque o mundo pode lidar com novos desafios, mas é infinitamente melhor do que quando os meus bisavós cá estavam. E porquê? Porque o ser humano também faz e é capaz de fazer coisas fantásticas.

De amar ao próximo de uma forma que choca exactamente esses terroristas que se mantém à distância e enviam os outros em seu nome para se sacrificarem.

Somos mais e melhores.

Temos medo, sim, mas isso não nos fragiliza. Ajuda-nos a pensar em novas ferramentas. Ajuda-nos a pensar em como poderemos chegar ao dia em que o poder que importa é o do amor.

Um dia chegaremos lá.

Até lá, ensinemos as nossas crianças que o medo faz parte. A violência existe. Mas existe também o amor. A união. A fé num mundo melhor.

Diria que neste campo as contas estão saldadas.

imagem@weheartit

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I HAVE A DREAM, Sérvia 2015

Crianças chegam sozinhas à Europa

O formigueiro começa e vai crescendo nos pequenos e nos graúdos.

É o Verão a chegar! Prepare a família a rigor para a tão aguardada época.

Férias de verão rimam com praia. Mas também com campo. Há dicas transversais aos dois cenários. Para além dos habituais cuidados a ter – e nunca é demais relembrar – tais como a atenção a ter com as horas de exposição ao sol (até ao meio-dia, e após as 16h), a necessidade redobrada com a criança na praia (perigo de afogamento ou de se perder) e de ingestão de água, deixamos,  para os mais pequenos, os essenciais de Verão:

  • roupa fresca, com materiais naturais (bodies de manga curta, túnicas, calções largos, vestidos, t-shirts, tapa-fraldas, etc). Para as noites de menos calor, leve um ou dois casacos de malha.
  • sandálias confortáveis e flexíveis, que permitam boas caminhadas
  • fato de banho, calção de praia, fralda de natação («swim nappy»).
  • chapéu com abas bem largas, que protejam as meninges. Opte por um chapéu de algodão e/ou cânhamo, dado que são matérias-primas mais frescas.
  • protetor solar fator 50+. Vale a pena apostar num protetor solar mineral biológico, cuja acção é de barreira física da pele, em vez de ser por degradação do produto no interior da pele.
  • kit de cremes de bebé em tamanho de viagem (creme para a fralda, creme de rosto, óleo)
  • toalha de praia
  • capa respirável para o ovo/cadeirinha do carro – existem capas próprias, com uma camada interior que permite que o ar passe facilmente, evitando a transpiração. Existe também uma versão mais económica de capa protetora, que serve apenas para o assento em si e cuja ação é essencialmente proteger contra a fuga do xixi ou eventual transpiração na zona do rabinho.
  • brinquedos de praia apropriados para a idade – estes brinquedos vão servir durante verões consecutivos (e até poderá usá-los na Primavera ou no Outono, num jardim ou parque infantil), pelo que vale a pena investir num bom balde, uma boa pá, entre mais um ou outro briquedo. O  plástico ecológico será a melhor opção, dado que não transmite materiais tóxicos para a pele da criança. Ao mesmo tempo, se for resistente, dificilmente se partirá. Compensa, em vez dos sucessivos baldes e pás que se partem devido à fraca qualidade.
  • Se a criança estiver preparada, então aproveite a chegada do verão para iniciar o desfralde. Existem cuecas de treino giras e com materiais não tóxicos – reutilizáveis, à base de algodão e bambu.

Finalmente, porque todos os anos surgem casos de crianças que se perdem na praia, partilhamos um método que já circulou pelas redes sociais – na esperança, porém, de não ser necessário recorrer. Se detetar alguma criança perdida na praia, coloque-a aos ombros e peça para que as pessoas na praia batam palmas. Assim a criança fica visível e as palmas captam a atenção, tornando mais fácil reencontrarem a criança.

Este verão, relaxe e usufrua realmente do tempo em família, aproveite para observar como os seus filhos cresceram, dê férias aos gadgets e divirtam-se juntos!

imagem@mariagorda coleção 2017

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Não é fácil, nada fácil. São muitas as dúvidas, questões, incertezas… parvoíces nas cabeças e corações constantemente apertados.

Porque o mais difícil de ser mãe é sem dúvida aceitar que o somos.

Aceitar as noites mal dormidas, as fraldas e os biberons… Aceitar os horários e as rotinas, e tudo aquilo que tem que ser.

Acabam-se as baldas, os momentos de descontracção (uma mãe nunca pode baixar a guarda), acabam-se aqueles dias em que “não me apetece” ou simplesmente “estou cansada”.

Ainda que cansada, a maternidade não pára! Não há pausas, nem folgas, nem fins-de-semana, nem dias em que “não apetece”! Nada! Não há como descansar, ou fugir da rotina. Ser mãe de um bebé, é a única função que é mesmo a tempo inteiro. 24 horas por dia, todos os dias da semana, do mês… do ano!

E isso é difícil de aceitar!

Aceitar que parte da mulher ficou para trás para dar lugar à mãe. Aceitar que nunca mais seremos a prioridade.

Aceitar que as papas vêm primeiro que as unhas, os bodys primeiro que os bikinis, e as chuchas primeiro que os passeios.

Aceitar que nada será como foi, e que até um simples passeio no parque pode ser tornar num inferno!

Aceitar que não só, nem todos os dias são bons, como muitos deles são até… difíceis!

Aceitar que tudo mudou, e nada será o que já foi.

É difícil de aceitar.

É difícil de aceitar que é isto que todas sentimos. Não são os momentos doces das redes sociais. Não são vidas cor-de-rosa, bebés que não choram, ou vidas que são simples. É difícil aceitar que, de vez em quando queremos gritar, fugir, espernear, e até mesmo voltar atrás.

Todas nós temos saudades do que fomos e de quando tudo era mais simples. E sentir isso não faz de nós piores mães.

É difícil de aceitar que, de vez em quando, não queremos ser mães. Isto faz-nos sentir mal… mas não devia!

Aceita! Aceita que és humana, real, mulher… Aceita que tens limites! Aceita que nem tudo é perfeito… que às vezes as coisas acontecem porque “tem que ser”. Aceita esta nova fase, que de fácil não tem nada!…. Só nós mulheres conseguiríamos desempenha-la com tanto cansaço e tanto amor em simultâneo. Aceita que tens o direito de te sentires triste, sozinha, desamparada, cansada, exausta…

É normal que tenhas sono ou falta de paciência, e que nada disso vai deixar de acontecer, mas percebe que estás a fazer tudo bem.

Revolta-te quando quiseres, grita sozinha no carro, chora à noite às estrelas!
Faz as pazes contigo própria!

E quando descarregares tudo, olha para a teu filho…, aceita-te como mãe e percebe que ele vale todas as noites sem dormir, todas as casas desarrumadas, todo o cansaço e exaustão, os cabelos desalinhados e as unhas por arranjar…

Dá-lhe um beijo, e vai dormir… Tu mereces!

imagem@comstocksmag

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As mães também têm direito a escapadinhas

Sou Mãe, preciso de pausas!

Porque é que as mães dormem tão pouco

Um estudo do Departamento de Psicologia da Universidade de Washington revelou que as crianças são 80% piores na presença das respetivas mães.

Em crianças com menos de dez anos, a percentagem sobe para  1.600%

Não era preciso um estudo para nos dar esta novidade. Mas é bom ter aparecido para termos a certeza que não somos nós que estamos a ficar malucas!

Quantas vezes deixamos os miúdos na cresce a chorar e a educadora diz que passados 5 minutos estavam óptimos? Ou vamos busca-los e conseguimos vê-los a brincar animadamente, até que dão pela nossa presença e está o caldo entornado?

Pois é, não estamos sozinhas.

O estudo da Universidade de Washington acompanhou 500 famílias. Avaliou em cada uma delas comportamentos como birras, gritos, tentativas de bater nos pais, carência e atos de começar a falar à bebé (crianças que já falam corretamente)… E  descobriram que as crianças de até aos oito meses de idade ficavam a brincar felizes de vida até verem a sua mãe chegar.

99,9% desta crianças demonstraram ter propensão para o choro e precisar de atenção imediata. Mesmo no caso de uma criança invisual que, a partir do momento em que ouviu a voz da mãe, começou a atirar coisas, e a querer lanchar (muito embora tivesse acabado de comer).

Um bebé de oito meses ainda se sente parte de sua mãe, o vínculo é fortíssimo. O fato de essa criança chorar, atirar as coisas ou “chamar a atenção” ao ouvir o som de sua mãe, é uma tentativa de voltar para perto de si!

Depois dos 2 anos, ou ainda nos 3 anos – idade da formação da sua própria identidade – as crianças tendem a confrontar mais aqueles em que eles têm maior apego e vêem como porto seguro, os pais, na procura das sua própria personalidade ainda em formação e ainda não conhecida por completo por eles. É algo complexo!

Crianças portam-se pior na presença das mães

O estudo revelou ainda que, nada mais nada menos do que a totalidade destas crianças se revelaram mais sensíveis às instruções passadas num tom de voz normal se provenientes de alguém que não a sua mãe. Para receber resultados comportamentais semelhantes, as mulheres tiveram de falar num tom de voz muito alto, como se alguém tivesse a ser atacado por um animal feroz.

Paul Olsen, pai de três crianças e participante no estudo, ficou chocado com os resultados.  “Eu nunca percebi porque é que a minha mulher nunca conseguia fazer nada quando estava com os miúdos: ela é literalmente o íman e a kriptonite deles. No entanto, comigo eles são totalmente diferentes.”

 

Artigo de momsnewdaily, adaptado para Up To Kids®

 

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Qual a altura certa para retirar a chucha? – É possivelmente uma das maiores dúvidas que surgem durante a paternidade.

Muitos pais adiam o momento de retirar a chucha aos seus filhos por receio de que possa traumatizar a criança ou privá-la do seu único meio de conforto. No entanto, após os 2 anos, as consequências do seu uso começam a surgir em força e  dependendo da criança e da frequência com que a usam, poderão instalar-se de forma quase permanente e só corrigível com recurso a várias especialidades da área da Saúde.

Referimo-nos, sobretudo, ao aparecimento de quatro grandes alterações que habitualmente não associamos ao uso de um objeto que parece tão inofensivo como a chucha – o objeto de conforto mais utilizado por milhões de crianças por todo o mundo.

São estas as quatro grandes consequenciais do uso prolongado da chucha:

  1. Alteração da dentição e do palato (céu da boca)
    A consequência mais fácil de detetar é a alteração da dentição e do palato (céu da boca) que o formato da chucha provoca. A presença prolongada de um corpo estranho na boca molda todas as estruturas à sua volta, nomeadamente os dentes e o palato, e provoca uma posição incorreta dos lábios (não lhes permite fechar na totalidade) e da língua, que adota uma postura à volta da chucha. Estas alterações nas estruturas causam uma das consequências mais difíceis de detetar – a respiração oral.
  2. Respiração oral
    Quando o bebé começa a respirar pela boca, devido às alterações estruturais que já ocorreram, o seu sono começa a ter menor qualidade devido à fraca oxigenação (que, por vezes, também desperta mais vezes os bebés) e a falta da correta “filtragem” do ar respirado no nariz, também levará a infeções das vias aéreas.
  3. Musculatura
    Outra alteração que surge muito frequentemente, ocorre ao nível da musculatura. Devido aos movimentos repetitivos da sucção, as estruturas perdem tónus – os músculos ficam enfraquecidos – e, com a perda de força dos lábios, bochechas e língua, poderemos também estar a provocar futuras dificuldades na alimentação.
  4. Aparecimento de alterações na articulação
    A consequência mais comum do uso prolongado de chucha e que, diariamente, leva várias famílias a procurarem um Terapeuta da Fala – ainda que nem sempre sabendo qual a causa das dificuldades dos seus filhos – é o aparecimento de alterações na articulação. Esta consequência, por ser notória apenas por volta dos 5/6 anos, quando já esperamos que as crianças articulem perfeitamente as palavras, é também a mais perigosa, pois aparece de forma “silenciosa”. Surge devido a todas as outras alterações estruturais que se desenvolveram ao longo dos anos e faz com que a criança precise de um acompanhamento especializado para conseguir articular vários sons que, habitualmente, distorce. Surgem assim – mas não exclusivamente – os conhecidos “sopinha de massa”, dificuldade que só pode ser corrigida após terapia e, muitas vezes, com a junção de um tratamento ortodôntico. Também as dificuldades de alimentação – por falta de força na musculatura das várias estruturas da boca -, terão de ser corrigidas com terapia.

Como forma de evitar todas estas consequências, e de prevenir a necessidade futura de acompanhamento em várias áreas, aconselhamos a remoção da chucha do seu bebé até aos 2 anos – e prontificamo-nos a ajudá-lo se precisar de algumas dicas sobre como fazê-lo!

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

imagem@visomir

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