Psicomotricidade em saúde mental infantil

Apesar da estranheza que a aplicação da psicomotricidade em saúde mental pode trazer, a verdade é que foi aqui que tudo começou. Verdade. Foi graças a dois profissionais que conseguiram ver mais além que esta magnífica profissão hoje existe.

Estes dois profissionais verificaram que, em diversas crianças que não apresentavam sintomas na esfera psicológica, existiam sinais corporais que indicavam que estas crianças estavam a ter algum tipo de problema do âmbito psicológico, mas com uma expressão predominantemente corporal. Seguindo a mesma lógica, estes profissionais concluíram que diversas crianças com problemas ao nível da saúde mental, beneficiavam mais a partir de estratégias de intervenção corporal do que por diálogo ou reflexão. E assim nasceram os dois primeiros psicomotricistas.

A lógica deles não só era válida como se mostrou também verdadeira e ainda hoje justifica a intervenção psicomotora em crianças com dificuldades em saúde mental. É verdade que a terapia que costuma sempre surgir-nos quando pensamos em saúde mental é a psicologia, e é verdade que esta é uma terapia com inúmeros benefícios. Contudo, não é raro que crianças que tenham sofrido algum trauma, ou que estejam a ultrapassar uma dificuldade emocional,  não sejam capazes de verbalizar as suas dificuldades.

Por isso, começam a exprimir o seu sofrimento da melhor forma que sabem: pelo corpo.

Esta expressão pode-se encontrar de diversas formas: em crianças que não conseguem parar, crianças que agem de forma inconsequente, as famosas dores de barriga, dores de cabeça, até através de alergias.

Neste sentido, a psicomotricidade e o psicomotricista aparecem como elementos muito importantes. O psicomotricista, neste caso, vai falar na mesma linguagem que a criança: pelo corpo e pelo movimento. Assim, a sala e o espaço terapêutico vão tornar-se num esconderijo seguro, onde a criança poderá ser livre para se exprimir, sabendo que está lá um adulto que irá ler aqueles sinais e responder numa linguagem que a criança consiga compreender.

O psicomotricista irá fazer uso das muitas ferramentas que tem do seu lado, como o jogo simbólico, a relaxação, as atividades expressivas, e vai aos poucos tentar aliar este trabalho a palavras promovendo a reflexão por parte da criança.

Quando esta conexão está feita, então o trabalho está lançado. Por isso é tão regular que as crianças passem a ser seguidas por um psicólogo depois deste trabalho. Ou ainda que trabalhem em conjunto… porque a psicomotricidade serviu como consolidação da segurança da criança e da percepção desta de si mesma, para que possa conseguir aliar a palavra à ação, e vice-versa.

Porque no fundo, foi isso que o psicomotricista fez: ligou os pontos que estavam soltos e preparou para o que vinha a seguir.

 

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Cão-terapeuta o mediador na interacção social de crianças com PEA (Perturbação no Espetro do Autismo)

A relação entre o ser humano e os cães remonta aos tempos da Pré-história, tendo sido o primeiro animal a ser domesticado pelo Homem. Contudo, foi apenas a partir da década de 60 que o uso de animais passou a ser reconhecido e utilizado pelos terapeutas profissionais como forma de intervenção terapêutica.

Os primeiros registos de uso de animais em terapia ocorreram em York, na Inglaterra. Em 1792, foi fundado o Retiro York que utilizou a Terapia com animais como uma resposta face às condições sub-humanas vividas pelos pacientes. Esta incluía ensinar os pacientes a desenvolver o autocontrolo por meio de animais que eram dependentes destes. Os efeitos mais significativos foram verificados através da diminuição das doses de medicação. Só a partir do século XX, a introdução de animais em instituições foi generalizada.

Em Portugal, embora não haja nenhuma entidade reguladora estabelecida, já se realizam intervenções com cães desde os anos 90.

O uso das Terapias Assistidas pelo cão em crianças com PEA tem-se demonstrado benéfica, pois contribui para um aumento significativo dos comportamentos positivos (ex: contacto físico e visual) e uma diminuição de comportamentos negativos (ex: agressividade e isolamento) (Martin & Farnum, 2002). São igualmente comprovadas reduções na tensão arterial, nos níveis de cortisol, stresse, bem como o aumento dos níveis de endorfina (Barker & col., 2005; Viau & col., 2010). Do mesmo modo, têm efeitos muito positivos na redução da dependência à medicação e proporcionam um espaço seguro para a livre auto-expressão.

O Autismo é considerado uma Perturbação Global do Desenvolvimento.

Neste sentido, todas as áreas na criança se encontram afectadas, apresentando dificuldades: na comunicação e linguagem, nas interacções sociais e no pensamento simbólico. Do mesmo modo, apresentam actividades/interesses restritivos e bizarros, comportamentos repetitivos e estereotipados, reacções de agressividade e angústia face a situações de mudança, hipo ou híper reacção a estímulos e alterações nas funções intelectuais.

Quanto aos défices na interacção social, as crianças com Perturbação no Espetro do Autismo demonstram muitas dificuldades em manter o contacto ocular durante as interacções, o que dificulta a compreensão e expressão contextualizada das emoções. As pessoas com PEA descrevem o rosto humano como demasiado estimulante, gerador de uma sobrecarga sensorial e de sentimentos de grande ansiedade e desorganização, daí tenderem a evitar o contacto ocular. Do mesmo modo, foi verificado por investigadores Italianos nos anos 90, que as pessoas com PEA apresentam um funcionamento dos “neurónios em espelho” menos activo e como tal apresentam fortes dificuldades em discriminar e perceber diferentes expressões emocionais no outro.

Um dos factores que pode contribuir para que a criança com PEA se sinta menos ansiosa ao interagir com cães, é que eles comunicam sobretudo através da linguagem corporal.

Existem estudos que referem que as crianças com PEA apresentam défices relacionados com a intermodalidade e as interacções com humanos exigem o desenvolvimento desta competência. Contudo, com os cães embora por vezes seja necessário interpretar alguns sinais visuais e sonoros associados, estes são menos complexos e como tal torna-se mais fácil a sua compreensão para estas crianças.

Algumas pessoas com PEA que apresentam dificuldades ao nível das competências sociais sentem-se mais confortáveis perto de animais, na medida em que ambos pensam de forma concreta e registam informações do mundo em termos sensoriais, o que poderá favorecer as aproximações espontâneas, a comunicação e o desenvolvimento de relações afectivas. O relacionamento face-a-face é assim evitado e mais distanciado, tornando a interacção menos ameaçadora (Grandin, 2010).

Por outro lado, a presença do cão parece funcionar como um objecto transicional na relação com as pessoas, que se revela muito difícil de gerir para estas crianças. O cão funciona então como um facilitador com características próprias e que reage e responde às acções da criança, permitindo-lhe atravessar as fases de desenvolvimento de uma forma menos stressante e adquirindo novas competências cognitivas.

Os cães apesar de olharem directamente nos olhos das pessoas e de utilizarem esta informação para obterem pistas do ambiente, o olfacto e a audição são sentidos como mais relevantes para eles.

Tendo em conta as dificuldades das crianças com PEA em compreender e integrar estímulos sensoriais complexos, é possível que estas características no cão facilitem a aproximação, de modo a que se sintam mais confortáveis e menos ansiosos no contexto de interacção, estimulando o envolvimento em actividades propostas e a expressão das emoções.

Assim, a relação com o cão permite estabelecer uma interacção simples, livre de ansiedade e medos, com a presença de uma rotina, companheirismo, exigindo responsabilidade no cuidar e consequentemente fortalecendo a auto-estima e o auto-controlo.

As Terapias Assistidas pelo cão mostram-se uma abordagem complementar e multifacetada para as crianças com PEA, permitindo não só ajudar quem se tende a isolar no seu próprio mundo, mas que também quem se encontra em desenvolvimento, e passo a passo mostra-se mais disponível para a relação com os outros.

Por último, diria que as Terapias Assistidas por animais constituem-se como uma nova porta de entrada das pessoas com PEA na sociedade, rumo à inclusão e com uma maior qualidade de vida.

 

Por Drª Telma Santos- Psicóloga Clínica, para Up To Kids®

 

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A ansiedade, termo utilizado actualmente para designar um conjunto de manifestações físicas e mentais causadas pela percepção, real ou imaginária, de um perigo ou situação difícil, pode incluir sintomas tão variados como irritabilidade, insónia, suores frios, sensação de desmaio, dificuldades de atenção/concentração, alterações intestinais ou urinárias, bloqueios e confusão mental, entre outros.

Dados da Direcção Geral da Saúde (2013) referem que 16,5% da população portuguesa revelava sinais de Perturbações da Ansiedade, sendo a perturbação psicológica de maior incidência no país. Tornou-se quase banal a sensação de cansaço, o nervosismo, a tensão, as intermináveis listas de afazeres, a resposta imediata a milhares de solicitações diárias da família, do trabalho, dos amigos e das redes sociais, o telefone que não pára de tocar, as noites mal-dormidas, os cinco-cafés-por-dia-para-aguentar… e o consumo de medicação ansiolítica, que tem crescido de forma exponencial nos últimos anos.

Como evitar a ansiedade?

Na verdade, não existe forma de eliminar por completo a ansiedade, já que constitui um mecanismo psicológico absolutamente fundamental para o nosso bem-estar psicológico, funcionando como uma espécie de “sinal de alarme” para situações potencialmente desagradáveis ou perigosas.

No entanto, existem diversas estratégias simples que nos permitem gerir saudavelmente os efeitos negativos da ansiedade, e minimizar o seu impacto. Em primeiro lugar, é fundamental estimular hábitos de auto-reflexão, já que quando nos tornamos mais conscientes relativamente ao tipo de situações que nos causa maior ansidade (prazos de trabalho, por exemplo), também nos tornamos atentos às situações potencialmente desagradáveis que conseguimos evitar (começando a preparar o trabalho mais cedo, de forma a evitar atrasos). Evitar a procrastinação (não deixar tudo “para amanhã”), estabelecer objectivos curtos, celebrar os pequenos ganhos, aceitar as próprias falhas e erros, cuidar do corpo respeitando os seus ritmos e necessidades, dormir 8 horas, praticar exercício físico moderado, diversificar ao máximo as suas rotinas e fontes de prazer, diminuir o consumo de estimulantes e desligar ocasionalmente as redes sociais são outros pequenos truques que permitem evitar o “bloqueio” causado pelo acumular de situações causadoras de ansiedade.

E se a ansiedade for demasiado grave?

Acontece por vezes que, independentemente de todos os nossos esforços, a ansiedade continua a tomar conta de nós de uma forma cada vez mais incapacitante, bloqueando-nos, deprimindo-nos, impedindo-nos de tomar qualquer atitude ou de tomar qualquer decisão. Quando a intensidade e duração dos sintomas ansiosos se tornam excessivas, ou quando o seu impacto no dia-a-dia se torna descontrolado, está na altura de procurar a ajuda de um psicólogo clínico. Este técnico poderá, no seio de uma relação confidencial e de confiança, fornecer-lhe ferramentas de gestão das emoções construídas à medida das suas capacidades e características, agindo directamente na causa dos distúrbios emocionais e recuperando um funcionamento mais harmonioso, activo e feliz.

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Quando falamos de desenvolvimento infantil, já deu por si a pensar no desenvolvimento dos seus filhos? Será que o meu filho já devia…? Será que ele está atrasado? Será que está tudo bem?

Pois é, é frequente o surgimento de dúvidas acerca do desenvolvimento infantil… A questão que se coloca é então: consultar ou esperar? Consultar para apaziguar as incertezas ou fundamentar a espera no ritmo incerto do desenvolvimento infantil?

De facto, o desenvolvimento infantil é pautado de alguma variabilidade tendo em conta características ambientais, genéticas e até da própria criança. Mesmo dois irmãos expostos aos mesmos estímulos podem ter ritmos desenvolvimentais diferentes. Mas, até que ponto uma alteração pode ser considerada normal ou anormal? Quando é que as famílias devem procurar ajuda junto dos especialistas ou esperar mais um pouco para ver se as crianças evoluem sozinhas? É a estas perguntas que vamos tentar dar resposta.

O desenvolvimento harmonioso e sem perturbações é um dos grandes objetivos de uma família assim que uma criança nasce. Mesmo durante a gravidez, os seus pais já se questionam se o seu filho será saudável ou não e se terá acesso a todas as oportunidades na sua vida que lhe permitam crescer e tornar-se num adulto de sucesso. Após o nascimento e, não havendo à partida alterações genéticas, neurológicas e/ou motoras que acionem desde logo encaminhamentos para as várias áreas especializadas, a criança irá desenvolver-se fora do radar dos especialistas e conta apenas com o conhecimento da sua família e outras pessoas que interajam com esta no seu dia-a-dia (ex.: amigos dos pais, funcionários da creche/escola, etc). Nesta situação e, caso surja algum sinal de alerta, é frequente ouvir várias versões sobre a necessidade ou não de se procurar ajuda. Em última instância cabe à família filtrar essas opiniões e, junto com as suas próprias dúvidas/certezas, decidir se pede ou não ajuda.

Vários estudos científicos atestam a importância de intervir precocemente, isto é, promover e potenciar o desenvolvimento psicomotor das crianças que já possuam algum tipo de perturbação e/ou que se encontrem em situações de risco, de forma a evitar o estabelecimento de uma perturbação ou impedir que a mesma ganhe contornos mais graves. Sabe-se que o desenvolvimento das crianças pode ser modificado por influências ambientais, quer sejam positivas quer sejam negativas e que estas influências podem potenciá-lo ou dificulta-lo. Assim, quando surgem dúvidas no seio das famílias acerca de algum aspeto dos desenvolvimento do seu filho, quanto mais cedo se modificar o ambiente para um estímulo mais positivo melhores resultados se conseguirão obter. Aliado a esta questão surge a chamada “plasticidade do sistema nervoso” que nos diz que o cérebro é mais “maleável” e suscetível à aprendizagem quando a criança é mais nova. Esta plasticidade diminuí com o crescimento da criança, por isso, quanto mais cedo se atuar numa dificuldade, maior é a probabilidade de uma criança corresponder positivamente a essa estimulação. Além disso, diversas alterações no desenvolvimento que não são intervencionadas a tempo poderão, mais tarde, agravar ou potenciar o aparecimento de perturbações secundárias. Uma surdez não corrigida, por exemplo, pode dar origem a um atraso na fala e na linguagem que se pode tornar irreversível mesmo que a surdez seja corrigida mais tarde.

O desenvolvimento infantil é um tema que a maioria das famílias não dominam e é neste aspeto que se pretende dar apoio de forma a ajudá-las na sua decisão, dando a conhecer alguns sinais de alerta que facilmente podem analisar nos seus filhos.

Muitos destes aspetos surgem, por vezes, por comparação com crianças da mesma idade e é este um dos aspetos principais que os pais devem levar em conta quando analisam os seus filhos. “O meu filho não é capaz de fazer algo, e os seus pares já conseguem?”.

Terapia da fala

terapia da fala

Um dos grandes marcos do desenvolvimento é sem dúvida o aparecimento da linguagem e da fala que surge entre o primeiro e o segundo ano de vida e geralmente aos dois anos, uma criança deverá tentar juntar duas palavras numa frase, mesmo que as palavras ainda não sejam ditas corretamente. Depois começam-se a observar bastantes omissões ou substituições de fonemas na fala. Estas alterações são normais e fazem parte do desenvolvimento das crianças mas devem ir desaparecendo com o crescimento. Com a complexificação da linguagem e do raciocínio às vezes as crianças tendem a apresentar sintomas típicos de uma gaguez. Se, por exemplo, após os quatro anos a criança ainda apresentar várias alterações quer na percetibilidade da fala quer na fluência da mesma, estas devem de ser um dos grandes alertas para os pais procurarem ajuda.

Terapia Ocupacional

Terapia Ocupacional

Durante as aprendizagens pré-escolares as crianças são expostas a inúmeros estímulos. É aqui que quer os pais quer os educadores conseguem detetar algumas dificuldades que podem ser sugestivas da presença de uma alteração/perturbação. Aspetos como a dificuldade em correr, saltar, ou desempenhar alguns jogos típicos, a dificuldade em usar alguns dos utensílios na sala de aula (ex.: tesoura, lápis, puzzles, brinquedos) ou até dificuldades na concentração, realização dos trabalhos mais estruturados e memorização do conhecimento que lhe é transmitido. Situações como a dificuldade em realizar tarefas do dia-a-dia como o vestir/despir ou o apertar os botões do casaco e atar os atacadores devem ser tidos em conta e alertar os pais. Com a exposição à escola ou outros ambientes diferentes do contexto familiar as crianças podem demonstrar alguma dificuldade em cumprir ou a desafiar constantemente o adulto fazendo birras excessivas. Aqui os pais devem ponderar se estas são ou não fundamentadas e se as conseguem controlar, caso contrário será benéfico que consultem um especialista no sentido de aprofundar as razões da mesma e dar estratégias aos pais para ultrapassarem estas questões.

Psicologia: Sinais de alerta

Psicologia sinais de alerta

Mais tarde surge outro grande marco do desenvolvimento com a entrada para o primeiro ciclo e com a aprendizagem da leitura e da escrita. Aqui, as crianças experienciam métodos de ensino diferentes do que estavam habituados e o ambiente mais formal pode ser um obstáculo à sua aprendizagem. Crianças que não se conseguem concentrar, que apresentem dificuldades na leitura e na escrita quer sejam observadas através de erros constantes ou na caligrafia quer através de sentimentos negativos perante estas atividades devem de ser observadas por um especialista para detetar possíveis alterações atempadamente e impedir que as mesmas se instalem e sejam irreversíveis. Uma vez que nesta fase é suposto que as crianças já tenham um nível avançado de consciência das suas dificuldades/capacidades, alterações a este nível poderão afetar a criança no domínio emocional, levando por vezes a um isolamento, sentimentos de tristeza, frustração e/ou agressividade graves que podem pôr em risco todas as suas aprendizagens escolares e a relação que a criança tem com a escola e seus professores.

Em suma, é normal que as famílias tenham dúvidas acerca do desenvolvimento das crianças e que estas sigam ritmos diferentes. É preciso saber ponderar quais as implicações que as dificuldades podem trazer para o desenvolvimento e procurar a ajuda dos especialistas quando surgem incertezas pois só assim poderemos promover um desenvolvimento harmonioso das nossas crianças e saber como estimular da melhor forma em cada momento.

 

SIM-SIM, Inês. Desenvolvimento da Linguagem. Lisboa: Universidade Aberta, 1998
PENÂ-CASANOVA, J. Manual de Fonoaudiologia – 2ª edição. Porto Alegre: Artes Médicas, 1997
VITTO, Márcia M. P., FÉRES, Maria C. L. C. Oral communication disturbances in children. Ribeirão Preto: Medicina, 2005; 38 (3/4): 229-234
Pimentel, Júlia V. Z. S., Intervenção Focada na Família: desejo ou realidade. Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência, 2005

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O meu filho é desajeitado…o que posso fazer?

Muitos são os pais que se perguntam o que fazer com o filho com dificuldades de coordenação motora. A verdade é que existem crianças que a certa fase do seu desenvolvimento começam a evidenciar algumas dificuldades. O que acontece é que muitas das vezes essas dificuldades têm um impacto nas actividades académicas (manusear o lápis, escrever, aulas de ginástica) e também nas actividades da vida diária (ex. vestir, calçar, etc) e os pais começam a ficar preocupados e sem saber muito bem o que pensar e fazer para ajudar o seu filho. E, com o passar do tempo, a criança vai crescendo e tal como as exigências funcionais em casa, na escola e na comunidade vão aumentando…também as dificuldades! Muitas vezes ouvimos expressões como “o meu filho é muito desajeitado”, “é trapalhão a vestir-se”, “parece que não consegue estar sentado à mesa sem deitar tudo ao chão” e na realidade é mesmo isso que acontece nas crianças com dificuldades na coordenação.

SINAIS

Existem alguns sinais que deve estar atento e que poderão indicar dificuldades do seu filho ao nível da coordenação:

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O que posso fazer?

1º Esteja atento

  • Observe o seu filho e tente perceber se as dificuldades motoras têm impacto em casa (actividades da vida diária);
  • Comunique com a escola e perceba se essas dificuldades também se verificam na escola e se estão a prejudicar o desempenho académico do seu filho.

2º  Brinque com o seu filho, promovendo actividades lúdicas mas com uma componente mais motora

  • Actividades de motricidade global
  1. Correr, saltar, subir e descer escadas, trepar;
  2. Atirar e receber bola com as mãos e chutar;
  3. Imitar (ex: animais -caranguejo, sapo, elefante; super heróis- homem aranha, powerranger, etc);
  • Actividades de motricidade fina
  1. Desenhar livremente, desenhar figura humana, desenhar casa;
  2. Pintar dentro de contornos;
  3. Modelar plasticina (apertar, esticar, fazer formas, esconder objetos pequenos tais comofeijões ou missangas na plasticina);
  4. Recortar (linhas, círculos, várias formas);
  5. Actividades com pinças (ex. passar berlindes de um sítio para o outro com uma pinça);
  6. Actividades com molas (ex. montar sequências de imagens colocadas em molas numa corda).

2º Procure ajuda

  • Fale com o pediatra do seu filho explicando as dificuldades de coordenação do seu filho;
  • Procure um terapeuta Ocupacional

O que o Terapeuta Ocupacional irá fazer?

  1. Avaliar as dificuldades nas competências motoras (e outras áreas) bem como o seu impacto nas actividades académicas e nas actividades da vida diária;
  2. Desenhar um plano que pode incluir:
  • O desenvolvimento das competências motoras (e outras áreas) através de jogos/ actividades terapêuticas.
  • Treinar o desempenho das várias actividades da vida diária (autocuidados, brincar, aprendizagem);
  • Aconselhar mudanças no ambiente ou equipamento que facilitem realização das actividades;
  • Aconselhar pais e professores.

Referências bibliográficas:

  • Missiuna, C., Rivard, L. & Pollock, N. (2011). DCD – CanChild Centre for Childhood Disability Research. Canadá: McMaster University.
  • Ayres, J (2005). Sensory integration and the child: understanding hidden sensory challenges. USA: WPS
  • http://www.dyspraxiafoundation.org.uk
  • http://www.aota.org

 

Por Margarida Sabino, Terapeuta Ocupacional

imagem@ehow.com.br

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Carta de uma terapeuta a uma mãe

Querida mãe,

antes de mais nada, não se preocupe. Eu sei. Deve ser de cortar a respiração estar constantemente a receber cartas, convocatórias e recados à espera da nova queixa, da nova reclamação, da nova coisa que não fez e devia ter feito, ou que fez e que não deveria fazer. Mas não se preocupe, esta não é uma dessas cartas.

Esta carta é de alguém que está tão preocupada e quer saber tanto do seu filho como a mãe quer saber. No fundo, ambas queremos apenas que o seu filho cresça e se desenvolva de forma harmoniosa e feliz.

Compreendo que deve ser de deixar os nervos em franja ter constantemente dezenas de profissionais que acham que conhecem melhor o seu filho que a própria mãe. Opiniões que vêm de todo o lado a dizer qual a nova moda na pedagogia, qual o novo desporto que deve ser praticado, ou aquele novo centro de estudos que vai resolver todos os problemas. E pior, ter diversos técnicos que puxam pelo seu filho, um por cada membro, para ver quem tem mais razão, quem entende mais, quem irá fazer melhor, e tantas, tantas vezes sem sequer perguntar à mãe o que acha. Por isso, peço-lhe desde já desculpa. É errado da nossa parte, e se o fazemos, por favor, diga-nos para pararmos.

É que sabe mãe, esta carta não é uma dessas cartas. Esta carta é sobretudo para si. Curioso não é? Falamos tanto do seu filho que por vezes até parece que não nos conhecemos uma à outra. Mas conhecemos, mãe. E eu sei o esforço que faz para sair do trabalho mais cedo para trazer o seu filho. Eu sei que no final do mês tem de reduzir naquele casaco que lhe daria tanto jeito, ou naquele jantar fora, para conseguir manter esta terapia, que na realidade, a mãe espera que dê resultados mas sempre sem certezas absolutas.

Por isso, hoje quero apenas dizer-lhe: está a fazer um trabalho extraordinário. Sim, nada mais que isso. Quero dizer-lhe que sei que está a dar o seu melhor. Quero dizer-lhe que sei que faz o máximo por se informar, seja em blogs, em revistas ou em conversas com outros adultos. Sei que tenta navegar neste mar de informação, tentando pescar a verdade e atira o arpão para a informação que lhe parece adequada. Sei que não é fácil seguir entre as várias correntes. O que pedem na escola, o que o seu filho lhe pede e o que a mãe precisa. Por isso, respire… Está a fazer o melhor que pode. E tenha paciência connosco, se conseguir… É que no fundo, nós também estamos a fazer o que achamos melhor, o melhor que conseguimos. E se por vezes não concordarmos, não fique ressentida. Faça-se ouvir e escute-nos também.  E lembre-se que no fim do dia, quando o seu filho estiver a dormir e for lá aconchegá-lo, o que importa é que todos trabalhámos para fazer dele uma criança mais feliz.

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“O meu filho ainda não fala – ou fala mal -, porque é muito preguiçoso” ou “basta dar-lhe tempo e ele vai começar a falar sem ajuda” são dois mitos muito comuns e que, com certeza, já disse ou ouviu alguém dizer.

Hoje em dia, ainda há uma grande tendência para desvalorizar as questões da Comunicação, Linguagem e Fala, colocando-as num patamar inferior ao do desenvolvimento motor e à saúde em geral. No entanto, estas três áreas são da maior importância já que, quando existem dificuldades, podem prejudicar o bem-estar da criança e da família, as relações com os pares e com os adultos, a autoestima e mesmo as aprendizagens escolares (ainda que, à data das dificuldades, a criança ainda não frequente a escola).

É também comum a ideia, disseminada por alguns profissionais de Saúde, de que “fazer Terapia da Fala antes dos 3 anos – por vezes, quando a criança ainda praticamente não fala, não dá resultado”. No entanto, devemos pensar exatamente o oposto – é importante que a intervenção seja precoce, de forma a não agravar, ou mesmo criar novos problemas.

Existem sinais de alerta que podem ser observados a partir do nascimento mas, para efeitos de Terapia da Fala, os pais deverão estar progressivamente mais atentos à Comunicação e à Linguagem do seu filho a partir dos 12 meses. Nessa altura, o bebé já deverá brincar (de forma adequada à sua idade) e reagir quando brincam com ele – sorrindo ou imitando – e produzir alguns monossílabos. A partir dos 18 meses, é esperado que já compreenda instruções simples, que diga palavras simples e que faça alguns pedidos, ainda que de forma rudimentar.

A partir dos 2 anos surge a maioria das capacidades linguísticas logo, nesta idade, os pais deverão procurar um Terapeuta da Fala quando a criança:

  1. tiver um vocabulário muito inferior a 50-200 palavras
  2. usar apenas vogais ou uma sílaba para dizer quase todas as palavras
  3. disser uma palavra uma vez e raramente a repetir
  4. não apontar para partes do corpo
  5. não fazer nem responder a perguntas sim/não
  6. não juntar duas palavras para formar uma pequena frase
  7. tiver dificuldade em imitar gestos simples ou mesmo comunicar maioritariamente por gestos.

É exatamente nesta faixa etária, dos 2 aos 3 anos que, atualmente, surgem mais crianças para intervenção. Por atribuirmos um grande valor à prevenção e à Intervenção Precoce, cada vez mais surgem famílias preocupadas em resolver todas estas questões para que não haja repercussões mais tarde.

Nesta fase, o trabalho é maioritariamente aquilo a que chamamos “de chão”. Utilizando brinquedos adequados à idade, ou mesmo os brinquedos da criança, são feitas pequenas “brincadeiras”, sempre divertidas e muito dinâmicas, com a finalidade de atingir os objetivos que pré-estabelecemos. Para uma maior continuidade do trabalho, e porque este tem de ser feito em equipa, são sempre dadas estratégias aos pais para irem pondo em prática em casa. A família é sempre membro integrante da equipa!

Quando as crianças já são mais velhas, os pais deverão estar sobretudo atentos a dificuldades de Articulação, Linguagem ou Leitura e Escrita. Quando existem queixas na escola relativamente a alguma destas áreas, a forma mais simples de saber se existe algum problema que deva ser trabalhado é através da realização de um rastreio.

A Ipsis Verbis oferece rastreios gratuitos ao domicílio e em escolas, no distrito de Lisboa onde, de forma imediata, diz aos pais se existe necessidade de uma avaliação e posterior intervenção. Todas as sessões são completamente personalizadas, baseadas no gosto da criança e, sempre que possível, realizadas com base na “brincadeira”.

Por Inês Peres Silva Terapeuta da Fala Ipsis Verbis®

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As pessoas que choram são mais fortes

Todas as emoções são diferentes e têm graus diferentes de aceitação na nossa sociedade. A emoção mais prezada é a felicidade, pois é um sinal de segurança, confiança e êxito. Por isso, muitas vezes, por cedermos as pressões sociais vemo-nos obrigados a fingir que estamos felizes.  Quando nos perguntam “Está tudo bem“, assumimos como um cumprimento,  e respondemos que estamos bem e esboçamos um sorriso em piloto automático, mesmo que por dentro estejamos destroçados.

Isto é prova de que, muitas vezes, vivemos de uma imagem e não deixamos que ninguém conheça o que se encontra por detrás da nossa mascara: se a felicidade nos assegura um êxito social e transmite uma imagem de êxito, sejamos felizes!

A tristeza, no entanto, é catalogada como uma emoção negativa, uma emoção que se deve esconder e da qual nos envergonhamos. As expressões corporais e faciais de tristeza como os ombros caídos, o olhar triste e o choro, são considerados sinais de debilidade e insegurança.

Uma sociedade que exige que estejamos felizes e alegres e sempre dispostos a conquistar o mundo é tremendamente injusta para o ser humano. Porque nós não funcionamos assim. Estigmatizar a tristeza só serve para nos fazer sentir pior, para que pensemos que não somos suficientemente fortes para aguentar os problemas ou imprevistos.

Concluiu-se que as pessoas que se atrevem a expressar a sua tristeza e choram quando sentem vontade, têm um maior equilíbrio emocional do que aquelas que reprimem as lágrimas e escondem os seus sentimentos.
As lágrimas derramadas são amargas, mas mais amargas são as que não se derramam”. – Proverbio Irlandês

Então afinal porque é que as pessoas que choram são mais fortes, ou seja, mais equilibradas emocionalmente?

1. Não reprimem suas emoções

Se te sentes eufórico escondes o teu sorriso? Se ouves um som alto em casa à noite, não te assustas? Então, porque é que reagimos de forma controlada ao choro?. As pessoas seguras de si mesmas e com uma Inteligência Emocional elevada, são capazes de reconhecer as suas emoções e expressá-las independentemente de serem ou não consideradas “negativas” pela sociedade. É necessário muita coragem para nadar contra a corrente e expressar quem és realmente ou como te sentes num determinado momento.

Não há maior motivo para chorar que não poder chorar“.– Séneca

Manter a mente fria e reprimir as emoções tem um grande custo não só para nossa saúde psicológica como também física. Alguns estudos tem vinculado a repressão emocional com um maior risco de desenvolver enfermidades como asma, hipertensão e patologias cardíacas. Curiosamente, um estudo realizado na Universidade de Standord descobriu que as pessoas que costumam reprimir as suas emoções reagem à pressão e ao stress de maneira exagerada, com um maior aumento da tensão arterial do que as pessoas catalogadas como ansiosas. Isto indica-nos que essa “calma aparente” na realidade não é boa para o nosso equilíbrio emocional.

2. Aproveitam as lágrimas para mudar a perspectiva

Sabias que as lágrimas aliviam o stresse, a ansiedade, a dor e a frustação?
Na verdade, 70% das pessoas afirmam que chorar é reconfortante. E que o choro nos permite ver a situação através de uma perspectiva mais positiva. Quando paramos de chorar, o nosso pensamento e raciocínio torna-se mais claro e em poucos minutos tornamo-nos capazes de analisar a situação a partir de outro prisma. Isto deve-se ao facto de que as nossas emoções encontram um equilíbrio e a nossa mente racional está preparada para entrar em ação.

3. O choro é terapêutico

Sabias que o choro estimula a libertação de endorfinas no nosso cérebro que nos ajudam a aliviar a dor e também fomentam um estado de relaxamento e paz? É por isto que depois de chorar, nos sentimos muito melhor. Na verdade, confirmou-se que não é positivo cortar o choro mas deixar que flua porque embora a primeira fase do choro só tenha um efeito ativador,  a segunda fase tem um efeito calmante que reduz a frequência cardíaca e respiratória, propiciando um estado de relaxamento. Às vezes, o choro é mais benéfico que o riso.
Um estudo realizado na Universidade da Florida descobriu que o choro é profundamente terapêutico, sobretudo quando se une com um “remédio relacional”, ou seja, quando nos aproxima a outras pessoas que nos dão consolo. Também perceberam que o choro triste, aquele que está destinado a criar novos vínculos depois de uma perda, tem um poder catártico.

4. Não se submetem as expectativas sociais

As pessoas que não tem medo de chorar sentem-se mais livres e são capazes de expressar-se soltando-se dos convencionalismos sociais. Estas pessoas não têm medo de decepcionar nem de se expor perante as que as rodeiam, porque sabem que, na realidade, chorar não diminui ninguém.
As pessoas que choram são mais verdadeiras e não se querem ver maquilhadas pelas expectativas sociais. Esta consciência leva-as a viver pelas suas próprias regras e rédeas.

5. Conectam-se emocionalmente através das lágrimas

O choro é uma das expressões mais íntimas do ser humano. Quando choramos à frente de alguém é como se estivéssemos a despir a nossa alma. Por isso, as lágrimas ajudam a criar um conexão muito especial através do nosso “eu” mais profundo.
Quando outra pessoa “aceita” essa tristeza, sem tentar fugir dela ou nos brindar de falsas palavras de alento, cria-se uma conexão única. Uma das funções das lágrimas é precisamente a de pedir ajuda, mesmo que seja de maneira indireta, mostrando nossa impotência, para que os demais se acerquem e nos confortem.

Portanto, o choro e a tristeza não devem ser entendidos como um sinal de debilidade, mas sim como um sinal de força interior e atenção plena.
Não choramos por sermos débeis ou incapazes, mas sim porque estamos vivos e não nos envergonhamos de expressar o que sentimos.
Chorar a lágrima viva, chorar a choros…..Chorá-lo todo, mas chorá-lo bem.(…) Chorar de amor, de cansaço e de alegria”. – Poeta argentino Oliverio Girondo
Por Jenifer Delgado, em Capricho de mulher

Para poderem compreender melhor este tema irei falar um pouco sobre o que são BNM, quando surgiram, os seus objetivos e as suas principais aplicações.

A BNM surgiu nos anos setenta no continente Asiático, nomeadamente na Coreia e no Japão. A técnica refere que o movimento e a atividade muscular são indispensáveis para a manutenção de um estado saudável. Tendo esta ideia como ponto de partida, foi desenvolvida a Banda Neuromuscular: uma banda elástica, de algodão, que auxilia a função muscular sem limitar amplitudes/movimentos; capa de cola hipoalérgica; elasticidade até 140% (igual à elasticidade da pele); material aderido ao papel com cerca de 10% de estiramento; diversas cores; adere melhor à medida que é aquecido; só pode ser utilizada uma vez; resistente à água; e a sua aplicação dura entre 3 a 4 dias. Com o objetivo final de reproduzir a pele humana e aumentar o apoio externo dos tecidos. A aplicação das BNM apresenta como principais objetivos a capacidade de levantar a pele, ativando a circulação sanguínea e linfática, além da capacidade de auxiliar o trabalho dos músculos, ligamentos e tendões, durante a reabilitação ou atividades desportivas. Segundo algumas perspetivas, as doenças devem-se a desequilíbrios ou necessidade de uma determinada cor no organismo humano. Por isso, as BNM apresentam várias cores específicas, para cada tipo de problema, nomeadamente: bege (mais utilizada para a face, pois tenta disfarçar a sua aplicação na pele); rosa (reflete poder e energia e favorece a circulação sanguínea); e azul (tranquiliza e proporciona harmonia, relaxando a mente). Como em todas as técnicas, esta também apresenta algumas contraindicações, tais como: aplicação em feridas abertas; casos oncológicos; problemas dérmicos; exposição direta da banda à luz solar ou a altas temperaturas; trombos sanguíneos; entre outros. Durante o desenvolvimento desta técnica, rapidamente se descobriu que as aplicações possíveis eram muito variadas, por isso começaram a surgir os estudos sobre a aplicação de BNM na Terapia da Fala.

A Terapia da Fala não é uma profissão que apenas trata problemas na fala, mas que abrange ainda a prevenção, a avaliação e a intervenção em toda a comunicação humana e nas suas perturbações (voz, fala, linguagem oral e escrita), bem como nas alterações referentes às funções estomatognáticas (respiração, fala, mastigação, deglutição e sucção). Por isso, podemos observar que o Terapeuta da Fala trabalha com músculos (faciais e cervicais) e articulações (articulação temporo-mandibular), podendo assim recorrer ao uso de BNM, de forma a otimizar e a acelerar a sua intervenção. Contudo é de ressaltar que estas, só por si, não irão resolver o problema, por isso continua a ser necessário a intervenção do Terapeuta, com ajuda de outras técnicas. Sendo assim, irei expor algumas situações/patologias em que o uso de BNM pode ser benéfico, tais como:

  • Disfunção temporomandibular: a elasticidade permite que os tecidos sejam suportados durante a sua função, permitindo uma completa liberdade de movimento;
  • Sialorreia (perda excessiva de saliva pela cavidade oral): a aplicação da banda permite aumentar a propriocepção local, a frequência do número de deglutições de saliva, atuando diretamente nos músculos supra-hióideos, agindo assim na postura da língua;
  • Disartria: a aplicação da banda diminui significativamente o tónus facial ao longo do dia;
  • Paralisia facial, disfonia, disfagia.

De uma forma conclusiva, a aplicação das BNM em casos específicos que envolvam a intervenção de um Terapeuta da Fala poderá constituir uma forma de maximização dos seus resultados na prática clínica. Nesta técnica são utilizadas bandas que se aderem à pele, com caraterísticas específicas, com o objetivo de suportar os tecidos sem limitar a sua ação. Vários estudos revelam que tal técnica mostra-se eficaz no desempenho das estruturas intervenientes nas funções da voz, deglutição e motricidade oro-facial.

Por fim, terapeutas ou simplesmente todos os interessados neste tema, procurem “saber mais”, pois só assim podem evoluir a nível pessoal e profissional.

Como diria Albert Einstein: “A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”.

Por isso, não desistam de procurar ou inovar os vossos conhecimentos, pois todos os dias há novas “descobertas”.

 

Cátia Silva, Terapeuta da Fala

Quando Procurar um terapeuta da fala?

Ao contrário do que muitas vezes é sugerido podemos recorrer a um terapeuta da fala, mesmo quando ainda não sabemos falar. Por diversas vezes ouvimos como é prematuro iniciar terapia da fala antes dos 3 anos de idade, mas a idade não é o factor determinante para procurar ou não a opinião de um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança poderá apresentar. A intervenção precoce ajuda a prevenir problemas que podem comprometer uma aprendizagem saudável e um normal desenvolvimento.

Sempre que se verifiquem alterações no domínio da comunicação, linguagem (oral ou escrita), articulação, fluência, voz, audição, motricidade orofacial, sucção, mastigação e deglutição, deve-se recorrer à avaliação de um especialista.

É importante que os pais estejam atentos a variados sinais de alerta ao longo do crescimento da criança, permitindo diagnosticar precocemente possíveis patologias e intervir adequadamente.

 

Sinais de alerta no desenvolvimento da comunicação e linguagem*

Idade

Sinais de alerta

0-2 m

– Não reage aos sons e ao meio.- É demasiado irritável e sonolento

2-4 m

– Não sorri- Não discrimina vozes familiares- Chora ou grita sempre que se lhe toca

4-6 m

– Tem falta de interesse pelas pessoas e pelos objectos- Não localiza ou deteta um som- Não vocaliza ou deixa de emitir sons

6-8 m

– Não faz trocas de diálogos, conversas- Não faz balbucio ou vocaliza de modo monótono- Não faz ou não mantém contacto ocular

8-12 m

– Apenas compreende linguagem acompanhada de gestos- Não entende “adeus” para ir embora- Não responde ao nome

– Não olha para a mãe ou pai em resposta a um pedido

– Não imita acções e sons familiares

– Vocaliza pouco e não faz um pedido de forma clara

12-18 m

– Compreende poucas palavras ou frases- Não usa palavras ou deixou de usar- Não imita e não balbucia

– Não aponta

– Não olha quando o chamam

18-24 m

– Não sabe o nome de objectos familiares- Não responde a ordens simples- Não faz pedidos

– Tem vocabulário reduzido

– produz poucas consoantes

2-3 anos

– Não responde a perguntas fechadas (“sim” e “não”)- Não aponta para partes do corpo a pedido- Só usa palavras simples e não combina duas palavras

– Não tem intenção de comunicar

– Repete o que os outros dizem, mas não responde ou interage com o outro.

3-4 a

– Tem uma compreensão fraca e não executa ordens de duas ideias- Não responde ou não faz perguntas- Tem dificiculdade em exprimir-se e fá-lo essencialmente por gestos

– Usa apenas frases simples e curtas

– O discurso é imperceptível para estranhos

4-5 a

– Não diz o nome das cores primárias- Não responde a perguntas: “O que é?”, “Porquê?”, “Como?” e “Quanto?”- Não usa a linguagem socialmente

– Não faz diálogos

5-6 a

– Pronuncia mal as palavras- Não conta o seu dia a dia, nem histórias- Não usa Frases complexas e não compreende noções de tempo e espaço

– Não usa pronomes possessivos

>6 anos

– Não mantém o tópico de uma conversa ou responde fora do contexto- Precisa de repetição constante quando se pede algo- Tem dificuldades na rima e nos sons das palavras

*Adaptado de: “O gato comeu-te a língua?” de Joana Rombert

 

Para além destes sinais de alerta é de ter em atenção também se a criança:

não faz sucção; tem dificuldades em engolir e/ou engasga-se com muita frequência; baba-se muito e tal não é justificado pelo surgir da dentição; não mastiga, prefere tudo passado a sólidos; gagueja há 6 meses de modo persistente ou cada vez de modo mais acentuado.

Se observar alguns destes sinais de alerta existem razões para pedir uma avaliação ao Pediatra ou Terapeuta da Fala. É importante detectar alguma alteração no desenvolvimento da criança o mais cedo possível , uma vez que a intervenção terapêutica apresenta um prognóstico tanto mais favorável quando mais precocemente for iniciada.

No entanto, a deteção mais tardia das dificuldades não impede uma intervenção bem sucedida. Esta poderá ser mais demorada, uma vez que a criança terá que reaprender novos comportamentos linguísticos, comunicativos e/ou musculares, tendo que substituí-los pelos padrões que entretanto foi automatizando.

 

Marta Nunes, Terapeuta da Fala na Psicomindcare

para Up To Kids®

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