Hábitos orais – Uso da chucha, sim ou não?

Definidos como comportamentos repetitivos, os hábitos orais oferecem uma agradável sensação a quem os pratica, e encontram-se relacionados com as funções do sistema estomatognático – sucção, deglutição, mastigação, respiração e fala. Prova disso é que ainda na vida intrauterina, é possível observar que o bebé já chucha no dedo, pois este comportamento dá-lhe conforto e segurança.

Desta forma, podemos considerar que após o nascimento a chucha pode ter um efeito calmante, ajudando o bebé a autorregular-se perante alguma situação mais desagradável, ou até mesmo a reconfortá-lo. Não é por acaso que em inglês é chamada de pacifier. Para além disso, estimula as competências dos bebés, preparando-os para as atividades de sucção do leite – hábitos orais nutritivos, sejam eles feitos através do seio da mãe ou do biberão nos primeiros meses de vida.

No entanto é importante ter em conta que a chucha, é considerado um hábito oral não-nutritivo – assim como a sucção digital, a sucção da língua, das bochechas e dos lábios, o bruxismo (ranger os dentes) e a onicofagia (roer as unhas) – que poderão assumir sérias implicações no desenvolvimento das estruturas orofaciais da criança tendo em conta a intensidade, frequência e duração deste hábito, bem como a idade da criança. As estruturas orofaciais – lábios, língua, bochechas, palato e dentes, são fundamentais na mastigação, na deglutição, na respiração e na articulação dos sons da fala.

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Para poderem compreender melhor este tema irei falar um pouco sobre o que são BNM, quando surgiram, os seus objetivos e as suas principais aplicações.

A BNM surgiu nos anos setenta no continente Asiático, nomeadamente na Coreia e no Japão. A técnica refere que o movimento e a atividade muscular são indispensáveis para a manutenção de um estado saudável. Tendo esta ideia como ponto de partida, foi desenvolvida a Banda Neuromuscular: uma banda elástica, de algodão, que auxilia a função muscular sem limitar amplitudes/movimentos; capa de cola hipoalérgica; elasticidade até 140% (igual à elasticidade da pele); material aderido ao papel com cerca de 10% de estiramento; diversas cores; adere melhor à medida que é aquecido; só pode ser utilizada uma vez; resistente à água; e a sua aplicação dura entre 3 a 4 dias. Com o objetivo final de reproduzir a pele humana e aumentar o apoio externo dos tecidos. A aplicação das BNM apresenta como principais objetivos a capacidade de levantar a pele, ativando a circulação sanguínea e linfática, além da capacidade de auxiliar o trabalho dos músculos, ligamentos e tendões, durante a reabilitação ou atividades desportivas. Segundo algumas perspetivas, as doenças devem-se a desequilíbrios ou necessidade de uma determinada cor no organismo humano. Por isso, as BNM apresentam várias cores específicas, para cada tipo de problema, nomeadamente: bege (mais utilizada para a face, pois tenta disfarçar a sua aplicação na pele); rosa (reflete poder e energia e favorece a circulação sanguínea); e azul (tranquiliza e proporciona harmonia, relaxando a mente). Como em todas as técnicas, esta também apresenta algumas contraindicações, tais como: aplicação em feridas abertas; casos oncológicos; problemas dérmicos; exposição direta da banda à luz solar ou a altas temperaturas; trombos sanguíneos; entre outros. Durante o desenvolvimento desta técnica, rapidamente se descobriu que as aplicações possíveis eram muito variadas, por isso começaram a surgir os estudos sobre a aplicação de BNM na Terapia da Fala.

A Terapia da Fala não é uma profissão que apenas trata problemas na fala, mas que abrange ainda a prevenção, a avaliação e a intervenção em toda a comunicação humana e nas suas perturbações (voz, fala, linguagem oral e escrita), bem como nas alterações referentes às funções estomatognáticas (respiração, fala, mastigação, deglutição e sucção). Por isso, podemos observar que o Terapeuta da Fala trabalha com músculos (faciais e cervicais) e articulações (articulação temporo-mandibular), podendo assim recorrer ao uso de BNM, de forma a otimizar e a acelerar a sua intervenção. Contudo é de ressaltar que estas, só por si, não irão resolver o problema, por isso continua a ser necessário a intervenção do Terapeuta, com ajuda de outras técnicas. Sendo assim, irei expor algumas situações/patologias em que o uso de BNM pode ser benéfico, tais como:

  • Disfunção temporomandibular: a elasticidade permite que os tecidos sejam suportados durante a sua função, permitindo uma completa liberdade de movimento;
  • Sialorreia (perda excessiva de saliva pela cavidade oral): a aplicação da banda permite aumentar a propriocepção local, a frequência do número de deglutições de saliva, atuando diretamente nos músculos supra-hióideos, agindo assim na postura da língua;
  • Disartria: a aplicação da banda diminui significativamente o tónus facial ao longo do dia;
  • Paralisia facial, disfonia, disfagia.

De uma forma conclusiva, a aplicação das BNM em casos específicos que envolvam a intervenção de um Terapeuta da Fala poderá constituir uma forma de maximização dos seus resultados na prática clínica. Nesta técnica são utilizadas bandas que se aderem à pele, com caraterísticas específicas, com o objetivo de suportar os tecidos sem limitar a sua ação. Vários estudos revelam que tal técnica mostra-se eficaz no desempenho das estruturas intervenientes nas funções da voz, deglutição e motricidade oro-facial.

Por fim, terapeutas ou simplesmente todos os interessados neste tema, procurem “saber mais”, pois só assim podem evoluir a nível pessoal e profissional.

Como diria Albert Einstein: “A mente que se abre a uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”.

Por isso, não desistam de procurar ou inovar os vossos conhecimentos, pois todos os dias há novas “descobertas”.

 

Cátia Silva, Terapeuta da Fala

Quando Procurar um terapeuta da fala?

Ao contrário do que muitas vezes é sugerido podemos recorrer a um terapeuta da fala, mesmo quando ainda não sabemos falar. Por diversas vezes ouvimos como é prematuro iniciar terapia da fala antes dos 3 anos de idade, mas a idade não é o factor determinante para procurar ou não a opinião de um Terapeuta da Fala, mas sim as dificuldades que a criança poderá apresentar. A intervenção precoce ajuda a prevenir problemas que podem comprometer uma aprendizagem saudável e um normal desenvolvimento.

Sempre que se verifiquem alterações no domínio da comunicação, linguagem (oral ou escrita), articulação, fluência, voz, audição, motricidade orofacial, sucção, mastigação e deglutição, deve-se recorrer à avaliação de um especialista.

É importante que os pais estejam atentos a variados sinais de alerta ao longo do crescimento da criança, permitindo diagnosticar precocemente possíveis patologias e intervir adequadamente.

 

Sinais de alerta no desenvolvimento da comunicação e linguagem*

Idade

Sinais de alerta

0-2 m

– Não reage aos sons e ao meio.- É demasiado irritável e sonolento

2-4 m

– Não sorri- Não discrimina vozes familiares- Chora ou grita sempre que se lhe toca

4-6 m

– Tem falta de interesse pelas pessoas e pelos objectos- Não localiza ou deteta um som- Não vocaliza ou deixa de emitir sons

6-8 m

– Não faz trocas de diálogos, conversas- Não faz balbucio ou vocaliza de modo monótono- Não faz ou não mantém contacto ocular

8-12 m

– Apenas compreende linguagem acompanhada de gestos- Não entende “adeus” para ir embora- Não responde ao nome

– Não olha para a mãe ou pai em resposta a um pedido

– Não imita acções e sons familiares

– Vocaliza pouco e não faz um pedido de forma clara

12-18 m

– Compreende poucas palavras ou frases- Não usa palavras ou deixou de usar- Não imita e não balbucia

– Não aponta

– Não olha quando o chamam

18-24 m

– Não sabe o nome de objectos familiares- Não responde a ordens simples- Não faz pedidos

– Tem vocabulário reduzido

– produz poucas consoantes

2-3 anos

– Não responde a perguntas fechadas (“sim” e “não”)- Não aponta para partes do corpo a pedido- Só usa palavras simples e não combina duas palavras

– Não tem intenção de comunicar

– Repete o que os outros dizem, mas não responde ou interage com o outro.

3-4 a

– Tem uma compreensão fraca e não executa ordens de duas ideias- Não responde ou não faz perguntas- Tem dificiculdade em exprimir-se e fá-lo essencialmente por gestos

– Usa apenas frases simples e curtas

– O discurso é imperceptível para estranhos

4-5 a

– Não diz o nome das cores primárias- Não responde a perguntas: “O que é?”, “Porquê?”, “Como?” e “Quanto?”- Não usa a linguagem socialmente

– Não faz diálogos

5-6 a

– Pronuncia mal as palavras- Não conta o seu dia a dia, nem histórias- Não usa Frases complexas e não compreende noções de tempo e espaço

– Não usa pronomes possessivos

>6 anos

– Não mantém o tópico de uma conversa ou responde fora do contexto- Precisa de repetição constante quando se pede algo- Tem dificuldades na rima e nos sons das palavras

*Adaptado de: “O gato comeu-te a língua?” de Joana Rombert

 

Para além destes sinais de alerta é de ter em atenção também se a criança:

não faz sucção; tem dificuldades em engolir e/ou engasga-se com muita frequência; baba-se muito e tal não é justificado pelo surgir da dentição; não mastiga, prefere tudo passado a sólidos; gagueja há 6 meses de modo persistente ou cada vez de modo mais acentuado.

Se observar alguns destes sinais de alerta existem razões para pedir uma avaliação ao Pediatra ou Terapeuta da Fala. É importante detectar alguma alteração no desenvolvimento da criança o mais cedo possível , uma vez que a intervenção terapêutica apresenta um prognóstico tanto mais favorável quando mais precocemente for iniciada.

No entanto, a deteção mais tardia das dificuldades não impede uma intervenção bem sucedida. Esta poderá ser mais demorada, uma vez que a criança terá que reaprender novos comportamentos linguísticos, comunicativos e/ou musculares, tendo que substituí-los pelos padrões que entretanto foi automatizando.

 

Marta Nunes, Terapeuta da Fala na Psicomindcare

para Up To Kids®

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Evidenciemos a necessidade de desmistificar o conceito de que o Terapeuta da Fala (TF) é o profissional de saúde que intervém, , na fala das crianças e adultos.

Noutros países somos apelidados de Fonoaudiólogos, Logopédas, Orthophonistes, Speech & Language Therapists or Pathologists porque, definitivamente, intervimos em todas as áreas que condicionem a comunicação oral/escrita de qualquer indivíduo, e não só meramente na fala.

Desta forma, se considera que não faz sentido ir a um rastreio de Terapia da Fala porque “fala bem”, consciencialize-se que o TF é o profissional de saúde responsável pela prevenção,  avaliação e  intervenção da comunicação humana e deglutição.

A importância dos rastreios em Terapia da Fala mede-se por serem de carácter preventivo, não definem um diagnóstico terapêutico mas conseguem despistar qualquer desenvolvimento atípico da comunicação oral/escrita.

Sabia que…

Desde o nascimento que o TF tem um papel fundamental para o desenvolvimento harmonioso do bebé? Presta cuidados na área da amamentação, alimentação e comunicação ao bebé e aos seus pais ou cuidadores.

Em crianças em idade pré-escolar,  a sua intervenção centra-se na promoção das competências linguísticas, vocais e de comunicação, bem como na intervenção das suas perturbações?

Em crianças e jovens em idade escolar exerce um papel crucial na intervenção das perturbações da leitura e escrita, na potencialização da comunicação e na gaguez?

Na idade adulta, o seu foco de intervenção é maioritariamente em perturbações adquiridas, patologias vocais e de deglutição, alterações fisiológicas na estrutura orofacial que limitam a funcionalidade dos órgãos fonoarticulatórios? E que ainda tem um papel preponderante na promoção das competências da comunicação e qualidade vocal?

Após a realização de cada rastreio é elaborado um relatório com as devidas conclusões retiradas da observação, e serão sugeridas recomendações, bem como aconselhamento sobre a necessidade de acompanhamento.

Não é necessário ter um problema ou uma doença para procurar um TF, nem existe uma idade definida para consultar um especialista nesta área. Neste sentido, uma observação feita atempadamente é tanto mais favorável quanto mais precocemente for iniciada a intervenção terapêutica.

Aproveite os rastreios que decorrem durante o mês de Janeiro e esclareça todas as suas dúvidas.

Estaremos no Dolce Vita de Miraflores na loja da Multiopticas nos dias 16 e 23 de Janeiro de 2016 (das 10h às 18h).

Este rastreio é direcionado exclusivamente para crianças e adolescentes. No entanto, na eventualidade de existir interesse por parte de um adulto ou seu cuidador poderá contactar-nos através do e-mail howto@sapo.pt ou 966 370 349 para marcação de rastreio.

Patrícia de Sousa Teixeira & Leonor Barruncho (Terapeutas da Fala)

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Ler é compreender e interpretar, é o processo que permite descodificar sinais gráficos e extrair informação. Embora seja uma competência fundamental, aprender a ler é um processo complexo, multifacetado, dinâmico e individualmente experienciado.

Escrever é transpor uma mensagem oral em sinais gráficos com significado. Ao contrário do desenvolvimento da linguagem oral, o processo de leitura e escrita não é um processo implícito, isto é, necessita de ser ensinado de forma explícita.

O processo de leitura e de escrita passa pelas seguintes fases:

  • Descodificação de letras e palavras (perceção e análise visual dos grafemas)
  • Correspondência símbolo-som (grafema-fonema)
  • Significação (envolve estrutura frásica com significado)

As causas das dificuldades são várias. Podem advir do desenvolvimento linguístico, do desenvolvimento psicomotor, de problemas emocionais (QE), do desenvolvimento cognitivo, da imaturidade ou de um meio ambiente desfavorável à sua estimulação.

Para desenvolver um plano de reeducação temos de considerar três variantes, o neurológico, o psicológico e o pedagógico. Este plano é individualizado e específico para cada criança/jovem, tendo em conta a sua maturidade e nível linguístico.

Os sinais de alerta que uma criança/jovem apresenta nas dificuldades de aprendizagem não estão somente nas negativas dos testes escolares ou de final do período.

Apresentamos alguns sinais de alerta:

  • Falta de concentração na realização das tarefas escolares;
  • A perda do orgulho pelo trabalho escolar;
  • Dificuldade ou falta de interesse na leitura/escrita;
  • Dificuldades de interpretação;
  • Lentidão acentuada e esforço excessivo na realização de tarefas;
  • Alterações emocionais (ansiedade, perda de confiança/autoestima, comportamento antissocial);

O  plano de reeducação específico e individualizado deverá ser composto por uma equipa multidisciplinar que aborda diferentes estratégias. Cada aluno é um caso específico, com características e capacidades diferentes, interesses diversos e personalidades únicas e desiguais.

Neste sentido, procuramos promover as funções globais do aluno através de estratégias adaptadas e refletidas.

Não menos importante são as metodologias de estudo personalizadas que desenvolvemos, com e para cada aluno, que se tornam ferramentas facilitadoras no processo de aprendizagem.

A base de toda esta reeducação tem como objectivo fulcral desenvolver e promover a autonomia, preparando crianças e jovens para a vida adulta.

Leonor Sofia Paiva Barruncho – Terapeuta da Fala How To….

Com certeza, que em situações de maior fragilidade vocal, como dor de garganta, voz rouca ou disfonia, foi aconselhado por amigos, familiares a tomar um chá com mel, fazer vapores com base de eucalipto e/ou chupar uma pastilha, de modo a aliviar estes sintomas.

O termo “saúde vocal” relaciona-se com procedimentos necessários à conservação e longevidade da voz. Os princípios básicos para a sustentação da saúde vocal são praticamente desconhecidos pela população, mas atualmente têm sido bastante estudadas e têm sido cada vez mais aprimoradas pelos Terapeutas da Fala. (Instituto da audição de Maringá)

Desta forma, os cantores, atores, jornalistas, professores, educadores, padres, oradores e outros profissionais da voz podem, por meio dessas orientações, identificar e corrigir eventuais malefícios e aprender regras práticas para utilizar a sua voz com menos esforço e maior rendimento. (Instituto da audição de Maringá)

Maus hábitos de saúde vocal:

  • Gritar, falar alto, falar alto em situações de ruído, pigarrear e tossir com força são características de quem faz um mau uso e abuso da sua voz;
  • Pastilhas e sprays para o alivio da dor e manter a voz saudável: estes recursos possuem, na maioria das vezes, um efeito anestésico que mascara a dor de garganta, dando a sensação de “falsa melhora”.
  • Estes podem ser irritantes, prejudicando ainda mais o estado das mucosas, uma vez que levam à secura das pregas vocais.
  • Chá de limão com mel para o alívio da dor de garganta e da tosse: Tais misturas devem ser evitadas. Sabe-se que o mel faz bem para a saúde em geral, mas antes do canto ou do simples uso vocal, leva ao espessamento das secreções, devido à sua textura. O limão leva à desidratação.
  • Excesso de café e chá preto ou de outros alimentos à base de teína: As bebidas, que contêm esta substância, estimulam o refluxo gastro esofágico (RGE) (passagem do suco gástrico para o esófago).

Noutros casos, pode ainda ocorrer o refluxo faríngolaríngeo (RFL) que se trata da subida do suco gástrico à laringe e pregas vocais, o que é altamente agressivo para as mesmas, causando ao longo do tempo lesões ao nível da mucosa das pregas vocais e das restantes estruturas laríngeas. Derivados do leite, citrinos e refeições muito condimentadas, também são conhecidos como preditores do refluxo faríngolaríngeo.

  • Alimentos e bebidas geladas: Bebidas e alimentos ingeridos muito gelados podem ser nocivos, pois provocam choque térmico, causando uma descarga imediata de muco e edema das pregas vocais.
  • Tabaco: provoca irritação e secura das pregas vocais, causando pigarreio e tosse constantes, levando assim a alterações estruturais nas mesmas, tais como: edema, pólipos, hiperplasias e displasias e cancro da laringe.

Bons hábitos de saúde vocal:

  • Hidratação: Para manter as pregas vocais humedecidas desde o seu interior, certifique-se de que bebe muita água. As pregas vocais ficam mais móveis e flexíveis quando se encontram bem hidratadas, evitando lesões vocais. Uma boa hidratação também faz com que o muco envolvente se torne mais fino e escorregadio, levando a uma maior mobilidade e vibração das pregas.
  • Antes do uso vocal, evitar a ingestão de chocolate, leite e seus derivados, pois aumentam a formação de secreções, prejudicando a ressonância e o aumento do pigarreia.
  • O chá preto pode ser substituído por chás sem base de teína como as infusões, chás à base de frutas.
  • A maçã é uma fruta que pode ser ingerida antes do uso vocal: ajuda a diminuir a secreção deixando a saliva menos espessa, facilitando a emissão e a ressonância.
  • Após a ingestão do café, beba um copo de água para limpar as pregas vocais, uma vez que o café leva à desidratação das mesmas.
  • Em relação aos gelados e bebidas muito frias: antes de os deglutir, é conveniente mantê-los na boca por alguns segundos.

Por Dra. Mafalda Correia, Terapeuta da Fala, para Up To Kids®
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Mito ou facto?

A terapia da fala e o desenvolvimento da linguagem

A terapia da fala é uma profissão pouco conhecida pela população em geral, originando mitos e ideias sobre as suas áreas e formas de actuação. Assim, com o propósito de desmistificar alguns desses mitos, neste caso sobre o desenvolvimento da linguagem, surge este artigo com 10 exemplos.

Mito 1: A terapia da fala é para as crianças que não falam bem.”
Podemos dizer que a terapia da fala não se limita à fala propriamente dita, como a designação da profissão indica. O terapeuta da fala pode apoiar crianças, adultos e idosos, nas mais variadas áreas de intervenção.
De um modo geral temos a: linguagem, comunicação verbal e não-verbal, consciência fonológica, leitura e escrita, deglutição, motricidade, sensibilidade oro-facial, voz e fala.

Mito 2: “Não precisa de terapia, isso com a idade passa e fala bem.”

Em alguns casos, isso acontece e a criança ultrapassa a dificuldade com a continuidade do seu desenvolvimento. Contudo, não é algo observável em todos os casos e esperar que tal aconteça, poderá agravar o problema e aumentar o atraso no desenvolvimento da linguagem.

Mito 3: “Os bebés prematuros começam a falar mais tarde.”
Os bebés prematuros que nascem saudáveis, geralmente, apresentam um ritmo de aprendizagem e desenvolvimento igual ao dos bebés que nasceram com o tempo de gestação completo (40 semanas). Apenas em casos de bebés prematuros, que ficaram com sequelas neurológicas ou físicas, poderão vir a ter dificuldades no desenvolvimento da linguagem. Nesses casos, o acompanhamento em terapia da fala é aconselhado.

Mito 4: “O nascer dos dentes atrapalha a fala.”
O nascimento dos dentes requer uma adaptação da língua, porém, esse processo é imperceptível à criança. Podem sentir dor e ficar irritadas com o aparecimento dos primeiros dentes, mas isso não significa que afecte o desenvolvimento da linguagem.

Mito 5: “A criança que não fala com 2 anos, tem problemas auditivos.”
Para ter a certeza, é aconselhável realizar um exame auditivo com um audiologista, pois a causa do atraso na linguagem poderá estar relacionado com a audição ou não. Poderá fazer uma avaliação com um terapeuta da fala, para melhor compreender o que poderá originar esse problema na criança.

Mito 6: “Antes dos 3 anos, não vale a pena fazer terapia.”

A intervenção do terapeuta da fala não se restringe a idades. O desenvolvimento da linguagem tem início na gravidez, porque o cérebro humano está “pré- programado” para a linguagem, O percurso dos bebés começa por uma fase pré-linguística em que as palavras ainda não são utilizadas. Assim, ao observar e interagir com a criança, o terapeuta da fala pode verificar se o desenvolvimento da linguagem decorre normalmente ou não, evitando alterações maiores e mais complicadas no futuro.

Mito 7: “Agora não fala, mas quando começar a falar diz logo frases”
Conforme antes de começar a correr aprendemos a andar, também não começamos a produzir frases antes de conseguirmos dizer palavras isoladas. Por vezes, quando a inteligibilidade da fala da criança está comprometida, os cuidadores, família ou profissionais que cuidam da criança, poderão não entender que esta usa palavras com significado. Assim, os cuidadores acham que a criança passou directamente para a construção frásica porque, nessa fase, através do contexto, compreendem o que ela quer transmitir.

Mito 8: “Ele é preguiçoso, quando quer diz o som sozinho mas não o diz nas palavras.”
É normal que a criança consiga repetir determinado som quando lho pedimos, mas não o pronuncie correctamente em palavras. Não é uma questão de “preguiça”, mas sim um hábito que a criança adquiriu e que agora terá de substituir pela forma correcta. Poderá precisar de apoio para aprender a produzir o som correctamente, para depois passar a produzi-lo em palavras seguindo uma linha de dificuldade gradual..

Mito 9: “Quando a gaguez aparece na infância, torna-se crónica.”
A disfluência fisiológica, conhecida como gaguez, é comum até aos 5 anos de idade e tende a desaparecer com o desenvolvimento da criança. Tal acontece por consequência do processo de aprendizagem que a criança está a passar, isto é, o seu pensamento poderá ser mais rápido que a capacidade de produzir as palavras que quer transmitir.

Mito 10: “A terapia da fala é para os gagos e sopinhas de massa.”
A terapia da fala intervêm em casos de gaguez e de sigmatismo (“sopinha de massa”), contudo essa é apenas uma pequena parte daquilo que o terapeuta da fala faz. Os profissionais desta área podem se especializar numa destas alterações de
fala, trabalhando só com casos desse género. No entanto, a maioria não se restringe apenas a uma área.

Por Catarina Olim, licenciada em Terapia da Fala, Directora geral da empresa Arte & Fala,
para Up To Kids®

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E porque hoje, é o dia Europeu do Terapeuta da Fala, publicamos um vídeo que tão bem retrata o trabalho diário deste profissional de saúde

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=0onES_nhu-A]
Este vídeo foi elaborado pela nossa associação – APTF e, retrata muito bem o trabalho do TF em todas as suas áreas de intervenção.

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As crianças começam a aprender a comunicar desde o nascimento, numa variedade de atitudes, tais como, olhares, gestos e vocalizações. É cada vez mais relevante que pais, professores e educadores estejam atentos ao desenvolvimento da fala e da linguagem, e à sua relação com as dificuldades na aprendizagem. Assim, é muito importante saber como identificar sinais de alerta que poderão ajudar a entender qual a altura certa para fazer o despiste, permitindo assim detetar e agir precocemente em casos que necessitem de intervenção, evitando dificuldades no rendimento escolar e no desenvolvimento psicoafectivo da criança.

O Terapeuta da Fala é o profissional que o pode ajudar no caso de detetar algum destes sinais de alerta e que pode acompanhar os pacientes de todas as idades, que apresentem dificuldades no desenvolvimento da fala e da linguagem. Mas é essencialmente durante a infância e adolescência que a intervenção é necessária. Uma parte muito importante desta intervenção inclui a preparação dos pais para o estímulo das capacidades de comunicação da criança e fundamenta-se no desenvolvimento de atividades no âmbito da prevenção, avaliação e tratamento das perturbações da comunicação humana, abrangendo funções associadas à compreensão/expressão da linguagem oral e escrita e comunicação não verbal.

É importante mencionar que a intervenção apresentará um prognóstico mais favorável quanto mais precocemente for iniciado. Assim, se os seus filhos/educandos/alunos apresentarem um ou mais destes sinais de alerta não hesite em contatar um terapeuta da fala para avaliação.

Principais sinais de alerta

INFÂNCIA

  • Aos 2 anos ainda não falar, produzir frases com duas palavras ou apresentar menos de 50 palavras;
  • Aos 3 anos não produzir frases ou possuir um vocabulário reduzido;
  • Não compreender ordens simples;
  • Omitir/substituir alguns sons da língua portuguesa;
  • Apresentar linguagem muito imatura;
  • Não se mostrar interessado em comunicar com as pessoas;
  • Repetir enunciados sem prosódia imediatamente após ouvir ou algum tempo depois;
  • Falar pelo nariz;
  • Ter mais de 4 anos e gaguejar;
  • Não manter contato ocular;
  • Dificuldades em memorizar canções infantis;
  • Dificuldades em controlar a baba e em deglutir (engolir) alimentos;

IDADE ESCOLAR

  • Omitir/substituir sons ao falar, ler e/ou escrever;
  • Apresentar dificuldades ao ler e escrever;
  • Usar frases incompletas ou com erros gramaticais;
  • Ter dificuldades em compreender/executar ordens simples e/ou complexas;
  • Dificuldades em comunicar com as pessoas;
  • Gritar muito ficando rouco com frequência;
  • Gaguejar por um período superior a 4-6 meses;

Por Ana Dias, Terapeuta da Fala do Crescer com Afecto – Saúde Pais e filhos,
Para Up to Lisbon Kids®

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