“No meu tempo não era nada assim!”

Pois não. No nosso tempo havia mais tempo…

Tempo para fazermos as refeições em família, sem tablet’s e telemóveis à mistura.

Tempo para as crianças brincarem na rua e em casa, sem medos e receios e toneladas de atividades extra curriculares.

Tempo para se olhar e conversar e Rir, pois só existiam 2 canais de televisão, 1 Tv por família e nem se imaginavam as ditas redes sociais.

Tempo com tempo para os netos visitarem os avós no fim de semana, em vez de serem barricados nos Centros Comerciais.

20 coisas que os meus filhos nunca vão perceber
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Tempo para não se fazer nada, dando-se tempo aos tempos de “seca”.

Tempo para se fazerem disparates, pois, por vezes, não se sabia muito bem o que se fazer com o tempo.

Tempo para as crianças serem Crianças.

Tempo para os pais serem Pais e as mães serem Mães.

Nos últimos tempos, tenho ouvido e lido com bastante frequência afirmações do género:“ O que interessa é a qualidade do tempo que passamos com os nossos filhos e não tanto a quantidade!”.

Pois, discordo. Na educação dos nossos filhos tanto peso tem a qualidade como a quantidade do tempo que lhes dedicamos.

Uma relação positiva, gratificante e vinculativa com os nossos filhos não se constrói só tendo por base a qualidade dos momentos que passamos com eles. Alicerça-se, sim, em TODOS os momentos em que estamos juntos, nos bons e nos menos bons (que também são necessários).

O ideal: Dar Qualidade à Quantidade de tempo que passamos com os nossos filhos, porque se para eles AMOR rima com TEMPO, só há, então, que Dar Tempo ao Tempo.

Diz alguma literatura de referência que os pais deviam dedicar cerca de 15 a 20 minutos diários a cada filho, um “Tempo Especial” de brincadeira, aceitação e atenção plena.

Depois de ser mãe fui aprofundando e integrando todos os conhecimentos que tinha até então. Aprendi por experiência própria que 20 minutos por dia são simplesmente insuficientes. Dependendo dos nossos valores enquanto pais e de saber se pretendemos desempenhar um papel principal no crescimento interior dos nossos filhos temos de dar de nós muito mais do que 20 minutos diários.

Para estabelecer uma relação profunda com os nossos filhos é necessário entregarmo-nos inteiramente e mostrar o nosso amor incondicional por eles.

Mas com um dia a dia tão atarefado, ocupado e preenchido como podemos fazer? Com agendas tão complexas onde vamos encontrar tempo? Aqui vão algumas dicas para pensar, refletir e experimentar!

  1. Estabelecer prioridades
    O dia tem apenas 24 horas, temos de trabalhar, fazer as tarefas domésticas, preparar refeições, estar com os amigos, passar tempo em família, cuidar dos filhos… Agora pense, para si o que é mais importante? o que será que pode acontecer se um dia brincar com os seus filhos deixando a roupa por passar a ferro? E se não tomarem banho num dia para poderem acabar um puzzle em família? E for comerem comida mais rápida mas menos saudável um dia para poderem dar um passeio no parque depois do dia de trabalho?
  2. Dedique-se plenamente em cada momento que passa com os seus filhos
    Aproveitem cada momento de forma plena e consciente. Faça das atividades rotineiras e diárias um momento de partilha, diversão e crescimento mútuo. Seja no carro a caminho de casa, no banho ou na hora da refeição. Evite lutas de poder, críticas, julgamentos e discussões e abra-se plenamente. Deixe-se guiar por ele, aproveite para explorar o mundo com um olhar curioso, como se visse tudo pela primeira vez!
  3. Ligue-se à família e desligue-se do mundo
    Ao chegar a casa desligue o telemóvel, internet, televisão. Quando estamos demasiado ligados ao mundo e com tantos estímulos é difícil concentrarmo-nos no que realmente importa. Viva em pleno o dia a dia com os seus filhos. Quando eles se forem deitar pode ligar-se novamente ao exterior!

Por Rita Felizardo, Conselheira Parental em Leiria

imagem@augsburger-allgemeine

Filha:

Cresce devagarinho, leva o teu tempo.

Faz as tuas asneiras, reclama quando as coisas não te correm de feição, tenta colocar o triângulo na devida forma quantas vezes tiveres capacidade, até conseguires.

Não sabes mas a sociedade é feita de exigências. Espera-se que uma menina aja de certa forma, que um rapaz tenha determinadas atitudes. Sim, é verdade, estamos quase em 2020 mas a tua geração tem ainda um longo caminho pela frente. Depois, na escola, quando estiveres quase a entrar para a primária nem imaginas quais são os objectivos que deves cumprir.

Serás uma criança com deveres de gente grande. E a partir daí é uma bola de neve.

Na tua profissão, se tiveres sorte, poderás encontrar pessoas que são razoáveis, mas ainda existe muito a mentalidade dos pequenos poderes, das pessoas que pisam porque podem, das que não respeitam quem está abaixo de si porque se o fizerem perdem a força (tirânica) que os alimenta.

Mas nem tudo é mau, apesar de eu ter pintado um cenário um pouquinho escuro. Em abono da verdade, só queria com isto pedir-te que sejas criança enquanto és criança.

Que brinques tanto que te esqueças que, a brincar, também estás a aprender.

Tens tempo para reconhecer as cores, para saberes quanto é dois mais dois, para aprenderes a ler.

Para tudo há um tempo e o teu tempo é o de pedir colo e tê-lo. De ouvir histórias ao pé do ouvido. De cheirar as flores nos canteiros, de dançar sem qualquer vergonha quando o pai põe a tua música preferida a tocar. De cumprimentar as pessoas que não conheces quando passas por elas na rua. De reparar como as árvores são altas e as formigas parecem pontinhos que se movem. De apontar para o ouvido e depois para o céu quando identificas um avião a aproximar-se. De pedir para ficar um bocadinho mais dentro do mar. De chapinhares dentro da banheira na hora do banho. De ficares triste quando partes o teu boneco preferido. De pedir pão quando nos vês a comê-lo. De não esconderes a alegria que sentes quando reencontras alguém que já não vias há alguns dias.

Aos poucos (seria bom que não, mas é natural que sim…) irás moldar-te a ser menos espontânea, a seres mais discreta, a teres mais noção de quem está à tua volta e dos julgamentos que te dirigem.

Por isso, repito: não tenhas pressa.

Cresce ao teu ritmo, a ver o mundo com os teus olhos.

Este tempo é teu e nada nem ninguém te pode roubá-lo. Estamos aqui para garantir isso mesmo.

Vive como até agora, na tua inocência.

És feliz. Que isso se perpetue para sempre.

imagem@Weheartit

Guia para um Verão feliz, Ou como muitas vezes esquecemos que as coisas mais simples são as que mais marcam e divertem os nossos filhos:

Fazer bolinhas de sabão
Com uma palhinha e um copo de detergente ou com as mais sofisticadas artimanhas que já andam por aí, é tão bom vê-los a perderem-se nas várias cores de uma bolinha de sabão, a tentar apanhá-las e rebentá-las ou deixar cair uma e outra na mão sem que elas explodam.

Dar pão aos patos
É outra das actividades intemporais que é fácil de concretizar. Ver os patos a fazer verdadeiros sprints para apanhar o melhor pedaço de pão enquanto os miúdos batem palmas ou lançam as migalhas o mais longe que conseguem.

Comer fruta à dentada
E esquecer os cotovelos e a postura direita à mesa, deixar os talheres para outra ocasião e deixá-los aproveitar a fruta como ela sabe melhor. Pouco importa se ficam a pingar melancia até aos joelhos ou se “ganham” uma barba de pêssego, há tempo para estarem limpinhos depois.

Chapinhar numa piscina

Ou num alguidar, o efeito é o mesmo. O que importa é que o calor tem um adversário à altura e quando damos por nós há uma dezena de bonecos a boiar e outros como menos sorte que foram ao fundo e o nosso filho acaba o dia sorridente e com as pontas dos dedos enrugadas, como convém.

Contar estrelas cadentes
Depois de um dia longo em que o vento quente entra pela janela, nada melhor do que ficar à espreita. Apontar constelações, quando estão à vista, e preparar os melhores desejos para serem pedidos à estrela mais atrevida que se lançar lá de longe.

Andar de baloiço
Vê-los com as pontas dos pés esticadinhos para tentarem tocar o céu com os dedos, tê-los a pedir para continuarmos a empurrar, mais e mais, umas vezes sem medo, nas outras a fechar os olhos sem ninguém ver.

Fazer corridas de bicicleta
De triciclo, patins ou mesmo a pé, o importante é brincar muito, sempre, que o tempo passa a correr e temos de lhe deitar a língua de fora, de vez em quando.

Dormir longas sestas depois da praia
No colo ou aninhados na cama, com o cabelo a cheirar a mar, a pele queimadinha e cheia de sal. Descansar para aproveitar todos os momentos, sonhar com ondas e estrelas-do-mar, acordar com fome e vontade de fazer castelos na areia.

Brincar ao bem me quer, mal me quer
Esquecer por um dia a regra de não estragar o jardim e arrancar pétala a pétala, sem as contar, para não estragar o efeito do resultado.

Porque apesar do que nos acabe por calhar, sabemos que com os nossos filhos nunca estamos sozinhos. Nós queremo-los muito, mesmo quando eles afirmam que não nos querem nada (adolescência, adolescência…), fazemos o melhor por eles e queremos que sejam sempre felizes. Debaixo de uma lua cheia numa noite de Verão, como num dia frio de inverno, em que os aconchegamos debaixo de uma manta quente. Porque eles crescem um bocadinho todos os dias e adaptam-se a esta vida, lentamente… e nós vamos conjugando tudo, adaptando também as brincadeiras e os ensinamentos, para que nunca lhes falte nada.

As memórias, essas, constroem-se num sopro e ficam para sempre.

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

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  1. É daquelas pessoas que diz sim a tudo?
    Use e abuse da palavra “não”. Diga não lá no emprego. Não pode fazer. Não tem tempo. Não, obrigado. Pergunte a um amigo de confiança, se ele acha que você diz sim a tudo. Se assim for, está na hora de mudar.
    Assertividade faz ganhar tempo. E não se desculpe com o fantasma do despedimento. Há muitos patrões capazes de valorizar quem sabe dizer não. O seu, pode ser um deles. Experimente. Dizer não na hora certa, pode levá-lo mais cedo para casa. Dizer sempre sim, vai trazer-lhe mais trabalho. E mais. E mais.
  2. Para si, qualidade é…
    De uma vez por todas: quantidade, não é qualidade. Queremos tempo de qualidade com a família. A reflexão sobre a qualidade de tempo deve ser feita. Falem sobre o significado de qualidade. Almejem momentos maravilhosos. Se não conseguirem, tentem para a próxima. Momentos maravilhosos podem acontecer num curto espaço de tempo.
  3. Onde está a vossa lista?
    Façam uma lista com os dez momentos épicos vividos em família. (e já agora partilhem um aqui no post)
    Onde foram? Qual foi a experiência, a peça de teatro ou o almoço mais marcantes? Quais são as memórias que estão a habitar a casa da saudade, qual hóspede permanente? Façam um “Plano” para repetirem algumas dessas experiências. Encham a vossa vida com mais hóspedes de tal calibre.
  4. Como ganhar poderes especiais?
    Defina-se. Uma coisa é gastar tempo. Outra, é ganhar tempo. Praticar exercício físico dá energia. É ganhar tempo. Não se desculpe com o horário preenchido. Com a vida corrida. Há cada vez mais estudos a indicar: treinos de curta duração, mas com alta intensidade, fazem maravilhas. Pesquise e informe-se sobre isso. Descubra o ideal para si. Estabeleça a sua rotina. Vai sentir-se mais presente quando estiver com a sua família. Vai sentir-se na posse dos seus poderes especiais.
  5. Enfrente o “elefante na sala”.
    O miúdo acorda à noite? Porque é que o miúdo anda a dormir mal? Não o tem posto a dormir na sua cama, pois não? Há aqueles acordares normais, mas pode haver um desconforto em alguma área da vida da criança, caso ela ande a acordar sobressaltada. Tente recolher informações. Com quem pode falar? Quem o pode ajudar? Não ignore nem deixe andar. Agora é o momento.
  6. Da sala de jantar avista o seu escritório?
    Arrume a mala do trabalho. Nunca tenha em casa material de trabalho à vista. Trabalha em casa? Então ainda mais importante é este ponto. Esconda, guarde, arrume, tire da vista…estas coisas sugam energia. E tempo. Tempo precioso.
    Pronto, se for o portátil, como o vai usar para pesquisar coisas como “esplanadas para levar crianças” e “ressuscitar telefone afogado“, assim pode ficar à vista.
  7. Água. Beba água. Jogue “batalha naval”. Use uma chaleira elétrica para ferver água e poupar tempo no creme de legumes ou no chá. Visite a “Ponta do Sal” em São Pedro do Estoril, procurem o anfiteatro e avistem o mar. No fim de semana, guarde o telefone num copo de água.

 

Por Alfredo Leite, Mundo Brilhante, 
para Up To Kids®

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