A música é considerada a linguagem universal, um meio de comunicação em todo o mundo e  entre todas as pessoas. Mas nada é tão importante como o papel que desempenha no  desenvolvimento do ser humano…
Desde o nascimento, que os pais instintivamente se ligam aos filhos através da música:  adormecem e acalmam as crianças com canções de embalar, brincam e interagem com canções e rimas divertidas. No entanto, se os pais souberem o impacto da música no desenvolvimento psicológico dos seus filhos, poderão estar mais atentos e trazer mais activamente a Música para o seu dia-a-dia.
Quando é que a criança começa a ouvir?
A audição é um dos primeiros sentidos a desenvolver-se: o bebé começa a ouvir por volta dos 5 meses, na barriga da mãe. Nessa altura, a mãe poderá começar a ouvir música clássica ou relaxante e também cantar para o seu bebé, de forma a que ele reconheça a sua voz e as músicas que o vão embalar mais tarde.
Quais os benefícios da música para o desenvolvimento da criança?
Diversos cientistas, investigadores, neurologistas e psicólogos têm-se debruçado sobre o papel da música no desenvolvimento da criança a vários níveis.

Desenvolvimento Cognitivo

Inúmeras pesquisas, desenvolvidas em diferentes países e em diferentes épocas, particularmente nas décadas finais do século XX, confirmam que a influência da música no desenvolvimento da criança é incontestável. Algumas delas demonstraram que o bebé, ainda no útero materno, desenvolve reacções a estímulos sonoros.
Diversos estudos demonstram que existe uma forte correlação entre a aprendizagem da  música e o desempenho académico. Tocar um instrumento, ter aulas de música ou ainda apreciar de forma activa a música, potencia a aprendizagem cognitiva, particularmente no campo do raciocínio lógico, da memória, do espaço e do raciocínio abstrato. Ao nível cerebral e do desenvolvimento neurológico, as recentes investigações sugerem que a música expande os canais neuronais e potencia a ligação entre os dois hemisférios cerebrais.

Ler também A Importância da Música na Aprendizagem de uma Língua 

Desenvolvimento Sócio-Emocional
Pesquisas comprovam algo que muitos pais e educadores já imaginavam: os bebés tendem a permanecer mais calmos quando expostos a uma melodia serena e, dependendo da aceleração do andamento da música, ficam mais alertas.
Quando a criança estuda música em conjunto, torna-se mais comunicativa e convive com regras de socialização. A criança aprende a respeitar o tempo e a vontade do próximo; a criticar de forma construtiva; a ter disciplina; a ouvir e interagir com o grupo.
É através do repertório musical que a criança se inicia como membro de determinado grupo social, desenvolvendo a sua identidade cultural e o sentido das regras e valores da sua sociedade em que se insere.

Desenvolvimento Motor
Através do movimento e da dança ao som da música, assim como através da aprendizagem de um instrumento musical, a criança desenvolve a sua motricidade grossa e fina, respectivamente.
Em suma, a Música tem um papel fundamental na vida do Homem e, mais especificamente, no desenvolvimento da criança.
Incentive o gosto pela música, oiça boa música com o seu filho e tudo isto desde muito cedo, de forma informal e descontraída.
No sentido de beneficiar mais profundamente da música, em vários níveis de desenvolvimento, aconselha-se a aprendizagem mais formal da música, através de aulas e estudo de um ou vários instrumentos musicais.

Termino com uma citação de Aristótles “A música torna os corações dos homens felizes: então, e apenas com base nisso, poderíamos assumir que os mais novos deveriam ser treinados para isso.”
Sara Gonçalves, Psicóloga – Oficina de Psicologia,
para Up To Lisbon Kids®

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Antes de ter filhos acreditava que quando as crianças se portavam mal, ou eram mal criados, ou faziam coisas nojentas, havia qualquer coisa em casa que não funcionava bem. Obviamente os pais não sabiam educar uma criança. (Posso voltar atrás no tempo e esbofetear-me?)

Agora eu sei que, provavelmente, eram crianças comuns e os seus pais estavam tão chocados como eu com o comportamento deles. Porque independentemente da educação que damos há coisas que as crianças fazem.

  1. BIRRAS
    O que é que me fez pensar que é possível calar uma criança a meio de uma birra? É como tentar parar um comboio. Um comboio barulhento. Um comboio barulhento, descontrolado e desenfreado que vem na nossa direção, e tudo o que podemos fazer é atirar-nos para os trilhos para o tentar parar. Podes tentar falar calmamente, devagar, mas… é um comboio descontrolado! Boa sorte!
  2. LAMENTAR-SE
    Eu já disse aos meus filhos 5.387 827 vezes “Eu não percebo nada quando falas assim” mas eles continuam. A sério, as crianças não falam assim porque resulta. Eles falam assim porque gostam do som da sua voz a lamentar-se. E por causa do Ruca.
  3. NÃO RESPONDER
    Não dar resposta, pura e simplesmente, quando alguém fala com eles. Dois dos meus filhos não respondiam às pessoas, apesar das inúmeras conversas que tive com eles sobre o facto de isso ser falta de educação (consideração, respeito etc) Um deles responde na própria cabeça e nem sequer se apercebe que não o disse em voz alta. O outro não responde se não tem nada a dizer. A timidez é difícil de superar.
  4. NÃO DORMIR A HORAS
    O meu filho mais novo é uma coruja. Ele chega a ficar 2h30 às escuras no quarto e não dorme. A sério, 150 minutos é muito tempo. Ele fala sozinho, canta, e ocasionalmente chama-nos para dizer que não está a dormir (como se não tivéssemos percebido) É indiferente se tivemos um dia muito agitado ou não. Por mais calmas e relaxantes que sejam as rotinas de ir para a cama, ele simplesmente não adormece. É dele.
  5. FALAR ALTO
    Algumas crianças não têm controlo do volume. É sempre no máximo. Não precisam de estar a gritar ou a berrar. A voz delas é assim, fura o ar! Até a sussurrar é num tom muito alto. E não há nada que se possa fazer quanto a isso, senão amordaça-las.
  6. MENTIR
    Um dos meus filhos é naturalmente honesto. Eu também era assim em criança, lembro-me de mentir à minha mãe uma vez e ainda me sinto mal por isso. Mas os outros dois já brilharam no palco dos miúdos aldrabões, apesar de falarmos com eles e lhe tentarmos ensinar a importância de ser honesto desde muito cedo.
    Eu nem queria acreditar a primeira vez que um dos meus filhos me mentiu descaradamente. Como é que ele pode? Dizem que é sinal de inteligência! Claro, vamos entrar na onda. Sempre é melhor do que o pensamento “O meu filho é um sociopata”
  7. TIRAR MACACOS DO NARIZ
    Todos os miúdos que conheço o fazem. Em casa ou em público. Normalmente passará com a idade, mas até lá é uma batalha diária, que por vezes dura meses.  Às vezes vejo-os ali sentados simplesmente com o dedo enfiado pelo nariz adentro. Nem sequer o mexem. É nojento.
  8. NÃO LAVAR AOS MÃOS DEPOIS DE IR À CASA DE BANHO
    Lavar as mãos fazia parte da rotina de treino para tirar fralda: íamos à casa de banho, cantávamos o abc, falávamos sobre germes e lavávamos as mãos.
    E mesmo assim, levou uns seis ou sete anos até que se habituassem a lavar as mãos quando começaram a ir sozinhos à casa de banho. E eu tornei-me numa mestra em cheirar mãos de crianças!
  9. MASTIGAR COM A BOCA ABERTA

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Mastiga com a boca fechada, sff

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Querida, mastiga com a boca fechada, sff.

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-Princesa, não comas de boca aberta!

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

-A sério, já te pedi para não mastigares de boca aberta. E se vais a casa de alguém, mastigas assim?

-Eu não como assim na casa das outras pessoas.

(Olhar vazio)

-Bem, então também não comes assim cá em casa, entendido?

10 segundos depois.

CHOMP. CHOMP. CHOMP.

É como falar para uma parede.

        10. TODA AS OUTRAS COISAS NOJENTAS

Estávamos em casa de uns amigos no outro dia, e encontrei em cima do balcão da cozinha as meias sujas do meu filho. Meias sujas do MEU filho. No balcão de cozinha. Na casa dos meus amigos. Não era do meu filho mais novo, mas sim do meu mais-de-dez-anos-e-que-já-deveria-ter-juízo filho. Eu nem sabia o que fazer com aquilo.

Imaginem um miúdo de uma família super simpática, com uns pais ótimos a fazer xixi na escova de dentes do irmão. Sim, isso aconteceu mesmo.

O nosso filho de 5 anos, no ano passado, basicamente lambeu a Disney world de uma ponta à outra. Tive de lhe dizer repetidamente para tirar a boca de todos os corrimãos que passávamos. Eu nem sequer sou germafóbica, mas juro que cheguei a ficar mal disposta com aquilo.

Tantas. Coisas. Nojentas.

Ensinamos aos nossos filhos estas coisas? Não. Eles aprendem com outras pessoas? Talvez. Nós damos o tudo-por-tudo para ensiná-los bem? Sim! Será que resulta sempre? Claro que não.

Há uma razão para se demorar 18 anos (ou mais) a criar seres humanos responsáveis, sociavelmente adaptados e 100% asseados.

Vamos cruzar os dedos!

Por Annier Reneau para Scary Mommy,
traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®

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Nota: Todos os textos traduzidos, adaptados e publicados pela Up To Lisbon Kids® têm a a autorização do autor e/ou foram comprados os direitos dos mesmos.

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Faz dia 21 de Março um ano desde que tomo todos os dias conta da minha bebé e em casa. Sou uma privilegiada e, ao mesmo tempo, uma óptima candidata a um esgotamento nervoso.

Há amor, é verdade, há muito amor, mas… também há muito, muito enervamento.

É como dizem os concorrentes dos reality shows: “são 24h sobre 24h, voz, ai… Teresa!”

Ainda bem mas… MEU DEUS!

Fica aqui um resumo das coisas que me apercebi que nos fazem bem (às duas e, vá, aos três porque o meu marido também leva por tabela, obviamente). Manual de sobrevivência para a mãe que está em casa:

1- Tomar banho todos os dias
Tem um efeito especial em nós – já para não falar da higiene, claro. Tomar banho faz-nos sentir mais capazes, mais bonitas, com mais força e com menos cansaço. Parece que é uma espécie de reset. Mesmo quando a noite do dia anterior foi tão calminha quanto ver pessoal a dançar Afrobeat, ganhamos uma meia hora de energia e duas de paciência.

Mães de recém-nascidos: aproveitem uma altura em que eles estejam mais calminhos, deitem-nos na espreguiçadeira ou numa alcofa de maneira a que consigam vê-los da banheira com a cortina um pouco aberta e pronto. Se for preciso alguma coisa, não demoram a lá chegar. Podem desfrutar de um banho calmamente. E sim, nós ouvimo-los a chorar, mesmo que eles não estejam quando estamos longe deles.

 2- Mudar o pijama ou, idealmente, vestir roupa confortável mas não de dormir.
 Mais uma vez: “já para não falar da higiene, claro”. Se nos aprontássemos todos os dias um bocadinho, mesmo que não saíssemos de casa era mesmo óptimo. Vestirmo-nos faz com que estejamos mais perto daquele papel que desempenhamos numa vida mais “activa” (refiro-me a quando vamos trabalhar) e vamos buscar também as qualidades que mais usamos nessas alturas: organização, responsabilidade, paciência, etc. Não digo pintarmo-nos loucamente como se fossemos a Paula Bobone ou como se soubéssemos que íamos encontrar o amor da nossa vida, mas um creminho hidratante e mudar a roupa, já é bom!

3- Ter um plano diário.
Por muito insignificante que seja: ir aos correios, passear ao jardim, ter de ir à FNAC, etc. Ter um plano diário faz com que consigamos diferenciar os dias uns dos outros e também que nos dê algum objectivo além de lidar com o bebé.

Sentimo-nos “úteis” e levamos o bebé connosco a passear. Um óptimo dois em um. É muito apetitoso gastar dinheiro, principalmente no Inverno que saímos mais para centros comerciais mas façam como eu e não tenham dinheiro na conta. É isso.

Se os fãs da Sofia da Casa dos Segredos também que quiserem passar dinheiro, eu dou o meu NIB sem problemas. Também sou uma mãe coragem e leoa, o que quiserem que justifique.

Sei que é uma segunda referência ao programa, mas é o que se vê cá em casa à noite. Não digam ao meu marido que escrevi isto que ele gosta de dar aquele ar de que é muito machão e depois delira com estas bimbalhadas como eu.

4- Ter uma rotina de arrumação da casa.
De preferência de manhã quando o bebé ainda não está rabugento. Não digo dar uma volta à casa tipo Cinderela sobre o efeito de bebidas energéticas, mas dar aquela “voltinha”: fazer as camas, organizar a casa de banho, tirar e pôr a loiça na máquina, etc. Fingir que se limpou tudo. Vocês sabem como é, que eu sei. Até podem acender aquelas duas velas grandes do Ikea para cheirar a lavadinho e tudo.

5- Dormir sempre que o bebé dorme ou, pelo menos, uma das sestas.
É mesmo muito muito complicado irmos dormir quando estamos cansadas. Andamos a manhã inteira a sonhar que o bebé adormeça e, finalmente, quando adormece ficamos tipo estúpidas a olhar para a televisão a ver programas tão pouco produtivos como o FaceOff da Sic Radical. Temos de ser mais espertas e de nos obrigar a ir dormir. É como ir ao ginásio. Sabemos que nos vamos sentir bem, mas só no fim, claro.

6- Não querer ser muito produtiva.
Se fizermos muitos planos e quisermos acabar muitas coisas, além de ser muito complicado conseguirmos e de, no final, nos podermos sentir menos capazes, acaba por ser contraproducente quando o bebé estiver mais rabugento: “ainda tenho que ir fazer isto, ainda me falta acabar aquilo… assim não consigo fazer nada!!”

Logo se vê. Eu, por exemplo, há um mês que estou para escrever uma peça. Não é por preguiça, a sério. Estou louca para deitar as mãos à massa, mas isto de “não trabalhar”, dá muito, muito, muito mais trabalho do que pensava.

7- Se o bebé está birrento é só estar lá para ele.
Está muito ligada à sugestão anterior. O melhor é mesmo dedicarmo-nos ao bebé, com tempo e calma quando ele precisa. É desesperante (para os dois) se tentar fazer algo ao mesmo tempo porque começa a vê-lo como um empecilho às outras coisas que está a tentar fazer. Aquela dica de não se olhar para o relógio quando se amamenta em livre demanda acho que se aplica em todas as outras ocasiões (menos na hora de dormir). Faz birra? Vamos a isso. Temos tempo. “Temos”, mais ou menos.  Espero que o Manoel de Oliveira tenha menos tempo que eu. Começa a ser assustador.

8 –  As pilhas do bebé não duram para sempre.
“Não dorme agora, dorme depois” – disse-me o pai de três filhos pequeninos e ficou-me sempre na cabeça.
“As pilhas vão acabar” –  para dizer como mantra nos momentos mais complicados.
O importante é manter uma atmosfera calma para os dois.

 9 – Ressalvar com os amigos com quem combina alguma coisa que tudo pode ser alterado conforme a disposição do bebé.
 Evita enervamentos a toda a gente, mais a nós que, geralmente, os outros chegam atrasados a tudo.
10 – Vestir sempre o bebé 
 Torna-se mais rápido sair entre mamadas e sonos e é menos um entrave a uma possível saída espontânea. Não que o bebé estivesse nu, claro.

11 –  Ter noção de que ver televisão – ainda para mais sozinha – é uma perda de tempo.
Estar em casa, apesar de as vezes poder ser muito difícil, é uma dádiva para se poder dar mais ao nosso bebé. Lá por estarmos “habituadas a isso”, vai ser como a gravidez: vamos ter muitas, muitas saudades, “apesar de tudo”.

12 –  “Isto é só uma fase”. 
É fácil desesperar quando as coisas não correm bem, mas vai haver uma idade em que vão acordar sozinhos e fazer o seu próprio pequeno almoço.

13 – “Limpa-se amanhã”.
Não deu para limpar hoje a casa? Limpa-se amanhã. Ou depois. Ou depois. O importante é aspirar para o miúdo não andar alimentado a bolas de cotão.

Mais conselhos? Acho que só temos a ganhar se trocarmos dicas umas com as outras 🙂

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Passamos a vida a dizer que somos aquilo que fazemos, pensamos, sentimos, comemos, desejamos…Mas alguma vez ouviu alguém dizer que somos aquilo que ouvimos?

Para nós, o saber ouvir é muito importante. É uma competência moldável, flexível e extremamente poderosa. Como tantas outras competências, o saber ouvir poder ser treinado, ensinado e disciplinada.

Saber ouvir vai muito além do sentido físico. Ouvir em sentido lato é estar atendo, é observar, é aprender com as situações que nos rodeiam e construir, a partir dessa aprendizagem, uma realidade melhor.

Esta é uma das principais competências de um empreendedor. Curiosamente, não é o saber falar, é o saber ouvir. E saber ouvir os outros com atenção, é de fato, um superpoder. Todos os dias ouvimos, é verdade, mas nem sempre ouvimos com atenção! Para sabermos ouvir temos estar interessados, ter uma mente aberta e querer aprender mais. É somar aquilo que ouvimos àquilo que já sabemos, sem nunca deixar de ouvir a essência das coisas. Perante um problema temos de ter a capacidade e o desejo de ouvir os outros, de saber as opiniões dos outros de ouvir toda a informação que nos poderá ser útil para solucionar o nosso problema. É isto o que um empreendedor faz!

É claro que nem sempre vamos ouvir aquilo que queremos ouvir, nem vamos ouvir só coisas boas ou aquilo que é significativo para nós, mas é na mesma importante saber ouvir. Acreditamos que tudo contribui para o nosso desenvolvimento e crescimento, daí ser importante ouvir tudo! O bom o mau, tudo! O bom enche-nos o coração…o mau serve para crescermos e mudarmos para melhor.

Saber ouvir é tão importante quanto saber falar. Quando ouvimos demonstramos que estamos a dar atenção real a que está a falar, que a respeitamos e que estamos interessados no que estamos a ouvir. Nem sempre é fácil ouvir, é verdade! Ou está demasiado ruído e não conseguimos ouvir bem, ou estamos distraídos com o que nos rodeia, ou simplesmente não entendemos o que nos está a ser dito.

 

Mas se para nós adultos, muitas vezes é difícil ouvir…imagine para as crianças?

Sabemos que as crianças tendem a ter mais dificuldade em saber ouvir porque estão a desenvolver a comunicação e consideram que é mais importante falar do que ouvir. Elas refilam, elas contam histórias, elas cantam…mas quando chega à parte de ouvir, aí é que a coisa se torna mais difícil. Mas tudo é possível! Existem maneiras simples para trabalhar e desenvolver esta competência: ler uma história, envolver a criança numa conversa….são exemplos de atividades que ajudam a desenvolver as habilidade de escuta. O objetivo destes pequenos exercícios é ajudar a criança a adquirir hábitos de escuta ativa e ajudá-la a desenvolver a capacidade de prestar atenção aos pormenores. Demonstre à criança que todos podemos melhorar a nossa capacidade de ouvir, o que nem sempre é fácil, com o todo o ruído que existe e que nos distraí, nomeadamente o terrível hábito de todos falarem ao mesmo tempo. Dê alguns exemplos, um pai ou um professor sabe bem a dificuldade que por vezes é fazer-se ouvir.

 

Jogo: Às cegas

Vamos retirar à criança a possibilidade de ver, exercitando desse modo a capacidade de ouvir, para que consiga cumprir com sucesso este jogo.

Para esta actividade vai necessitar de:

– uma bola, um balde;

– uma venda;

– um “treinador”.

Coloque um balde a cerca de dois ou três metros do local onde a criança vai ficar. Encontre um “treinador” para a criança, cujo papel será dar-lhe orientações.

Depois da criança estar vendada dê-lhe uma bola para a mão e diga-lhe que o objectivo é acertar no balde o máximo de vezes possível em cinco tentativas.

A criança não pode tirar a venda enquanto está a tentar acertar no balde, mas vai recebendo indicações do “treinador” sobre como correu o lançamento e o que deve fazer para melhorar.

Se a criança acertar com a bola no balde, celebre a vitória e explique que conseguiu acertar no balde porque soube ouvir com atenção!

 

Ouvir com o coração!

Além de saber ouvir com os nossos ouvidos físicos, achamos fundamental ouvir com o nosso terceiro ouvido, o coração! E o ideal é ouvirmos com os três ouvidos. E como é que podemos treinar o ouvido do coração? Peça à criança para dizer como é que se sente. Uma palavra: feliz, triste, contente…e peça para ela explicar o porquê de se sentir assim. Enquanto a criança fala mostre que está atento, faça perguntas, crie empatia com a criança e faça-a sentir-se ouvida e especial. Depois troque os papéis. Conte como é que se sente e o porque de se sentir assim. No fim fale com a criança e explique o quão é importante ouvir os sentimentos dos outros e respeitá-los, e que isso é que é ouvir com o coração. Explique que quando estamos em silêncio é quando ouvimos melhor.

Por falar em silêncio deixo-vos com uma das minhas frases favoritas;

“ Muitas vezes as nossas respostas estão no silêncio que não fazemos.”

Por Filipa Cunha, StartIUPI
para Up To Lisbon Kids®

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Eu sou uma mãe bastante descontraída. Não espero muito mais dos meus filhos do que serem cumpridores das regras básicas de educação, e deixo-os fazer quase tudo que não implique jorrar sangue e amputar os membros uns aos outros.

Como qualquer mãe sabe, se o nosso filho está feliz, nós estamos felizes. Mas as crianças não compreendem que a estrada da felicidade tem dois sentidos. Os nossos dias seriam muito melhores se eles fizessem algum esforço nos fazer felizes!

Resolvi enumerar uma lista, e não pensem que estou a pedir demais, de 10 coisas para fazer uma mãe feliz:

  1. Acorda depois das 6h30. Vocês não fazem ideia o quanto feliz eu fico se dormir pelo menos até às 8h30 da manhã. É que tal como o vinho, quanto mais me deixarem descansar, melhor eu fico.
  2. Come tudo à refeição. Tudo bem, não é preciso comer tudo. Uma dentada pelo menos. Não sabes se não gostas se não provares. Tocar com a ponta da língua, cheirar e empurrar com o dedo esticado não é provar. Uma dentada! Aliás, o ideal seria uma garfada, mas isso é pedir demais!
  3. Pára de comer lápis de cera. E stickers, e giz, e plasticina e lixo. Eu sei que não te vai fazer qualquer mal a longo prazo, mas qualquer dia eu tenho um ataque por mudar fraldas coloridas!
  4. Dorme uma sesta sem birra. Nem sequer é preciso dormir. Fazemos assim: vais para o berço e ficas lá duas horas em silêncio. Eu até desligo o monitor para não te ver a tirar a fralda e a pintar o berço com cocó
  5. Não faças birras no supermercado. Já é mau o suficiente ires para lá de pijama independentemente da hora do dia, por isso, por favor, não chames a atenção. Sejamos discretos.
  6. Não ponhas objectos pelo nariz acima. Eu sei que parece divertido espirrar cinco milhões de vezes até que o peão cónico de plástico salte e me bata no meio da testa, mas qualquer dia não conseguimos tirar e temos que ir para as urgências. E depois, não só é embaraçoso para mim, como ainda teremos que ir buscar dinheiro para a despesa às poupanças da tua festa de aniversário. Pensa bem nisso.
  7. Pára de lamber pessoas. É nojento e simplesmente estranho.
  8. Não refiles por causa da cor do copo que te dei. Eu sei que querias o copo azul, mas sempre que te dou o copo azul queres o encarnado que dei à tua irmã e eu estou farta da birra das cores dos copos. É um copo, não um parceiro para a vida, certo?
  9. Deixa-me lavar o ó-ó só mais uma vez. Eu sei que é o teu melhor amigo e que vai contigo para todo o lado, mas não é um todo-o-terreno. Não está destinado a prender várias chuchas, a ser uma capa, umas asas, um chapéu, ou qualquer outra coisa. Está sujo, e vais sobreviver 2h00 sem ele, quer queiras quer não. Esqueço o drama!
  10. Dá-me um abraço sempre que eu pedir. Estás a crescer tão depressa, e eu quero saborear o teu carinho inflexível durante o tempo que me apetecer. Até te dou um gelado de pastilha elástica ao pequenos almoço se me deres mais um beijo!

Publicado in Scarymommy
Traduzido e adaptado por Up To Lisbon Kids®

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Morcego
1. Material necessário: 
  • fita;
  • molas em madeira para a roupa;
  • lápis de cera preto;
  • lápis;
  • tesoura;
  • cola;
  • cartolina preta.

Morcego
Morcego
2 e 3 Pintar a mola de madeira com o lápis de cera.


Morcego4. Desenhar a asa de um morcego;

Morcego
5. Passar para a cartolina e cortar;

Morcego

6. dobrar a extremidade e aplicar cola;

Morcego
7. Colar as asas na mola

Morcego
Morcego
8 e 9. prender a fita e enfeitar a casa para brincar ao Halloween

Morcego

 

 

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Estamos a criar crianças gentis?

Richard Weissbourd, psicólogo pós-graduado em educação, em Harvard, dirige o projeto  Making Caring Common. Este projeto visa reforçar as capacidades dos pais, escolas e membros da comunidade para desenvolver crianças gentis e bem formadas. Ou seja pretende ajudar-nos a ensinar os nossos filhos a preocuparem-se mais com o mundo e com as pessoas que os rodeiam.

Foi feito um inquérito a jovens, em que 80% dos mesmos referiam que os pais estavam mais preocupados com a sua realização ou felicidade do que com o facto de eles se preocuparem com terceiros. “Os meus pais ficam mais orgulhoso se eu tirar boas notas, do que se eu for um membro da comunidade solidária em sala de aula e/ou na escola.”

Weissbourd e a sua equipa desenvolveram algumas teorias sobre como criar os filhos de forma a se tornarem adultos atenciosos, respeitosos e responsáveis.

Por que é que isso é importante?

Porque se queremos que os nossos filhos sejam pessoas éticas, temos que, criá-los dessa forma. É importante criar crianças gentis para que o espírito de cooperação e interajuda não se perca, nos mais novos.

“As crianças não nascem simplesmente boas ou más e, nós pais e sociedade, nunca devemos desistir deles. Eles precisam de adultos que irão ajudá-los a crescer solidários, a criar respeito e a sentirem-se responsáveis pela sua comunidade em todas as fases de sua infância ”

[youtube https://www.youtube.com/watch?v=7d4gmdl3zNQ?list=PL1F7B648CC36DEBB4]Children see, children do

Ficam aqui 5 principios, que de acordo com projeto  Making Caring Common, podemos e devemos ensinar aos nossos filhos para que se tornem adultos éticos e gentis.

  1. Cuidar dos outros (é uma prioridade)

Porquê? Os pais tendem a priorizar a felicidade e realizações de seus filhos e a descurar a importância da gentileza e preocupação com os outros.

Como? Os pais reforçarem a ideia de que cuidar dos outros é uma prioridade é meio caminho andado para manter as expectativas éticas dos nossos filhos mais elevadas, tais como, honrar os seus compromissos mesmo que isso não seja a sua vontade.

Dicas: Em vez de dizer ao seu filho: o mais importante é seres feliz, diga, o mais importante é seres gentil. Certifique-se de que seus filhos tratam sempre os outros com respeito, mesmo quando estão cansados, distraídos, ou mal-humorados.

  1. Pôr em prática a gentileza e a gratitude

Porquê? Nunca é tarde demais para se tornar uma boa pessoa, mas isso não vai acontecer do nada. As crianças precisam de aprender a cuidar dos outros e expressar gratidão por aqueles que cuidam deles. Precisam de contribuir para o bem-estar dos outros.

Como? Aprender a ser solidário é como aprender a praticar um desporto ou um instrumento musical. A repetição diária – quer seja ajudando um amigo com os TPC, ou fazer voluntariado na escola, ajuda a desenvolver e aprimorar as capacidades de cuidar e ser gentil.

Dicas: Não recompense o seu filho para cada acto de simpatia, tal como pôr a mesa ou arrumar o quarto. É um dever ajudar em casa. Ajudar os irmãos e os vizinhos. Só devem ser premiados actos incomuns de bondade.
Converse com seu filho sobre os actos de gentileza que se vêem na televisão e sobre actos de justiça e injustiça que possam testemunhar ou ouvir falar nas notícias. Isso dar-lhe-á algum discernimento sobre o certo e o errado.
Faça da gratidão um ritual diário. Expressar gratidão pelo que temos e recebemos, e pelas pessoas que são gentis e que contribuem para o nosso bem-estar e felicidade

  1. Expandir o círculo de atenção do seu filho

Porquê? A maior parte das crianças preocupa-se apenas com um pequeno círculo de familiares e amigos. O nosso desafio é ajudar os nossos filhos a aprender a olhar para as pessoas fora desse círculo. Como o miúdo novo da sala, alguém que não fala a sua língua ou até o contínuo da escola.

Como? As crianças têm de aprender a observar de perto, mas também têm de saber ver o quadro geral. Assim, irão perceber de que forma as suas atitudes poderão refletir-se na vida dos outros. Uma situação de abandonar a equipa de futebol ou uma banda de música, pode repercutir e prejudicar vários membros da escola, ou de uma pequena comunidade.  Deverá sempre ter em atenção às suas atitudes perante membros de comunidades ou religiões diferentes.

Dicas: Certifique-se de que os seus filhos são simpáticos e gratos com as pessoas que os rodeiam, desde o motorista do autocarro ao empregado de mesa.

  • Incentive as crianças a ser simpáticas para os que são mais vulneráveis.
  • Use um artigo de jornal ou TV para incentivar seu filho a pensar sobre as dificuldades enfrentadas pelas crianças de outro país.
  1. Ser um exemplo a seguir.

Porquê? As crianças aprendem por observação. Repetem as ações dos adultos que respeitam.

Como? Ser um modelo ético e moral significa que temos de praticar a honestidade, a justiça e de cuidar de nós. Mas isso não significa que tenhamos de ser perfeitos o tempo todo. Para os nossos filhos nos respeitarem e confiarem em nós, há que saber reconhecer os nossos erros e falhas.

Dicas: Dê ao seu filho um dilema ético durante o jantar para o encaminhar nas suas escolhas.

“Ex: Deve convidar o menino novo da sala para a sua festa de anos, embora os seus amigos do ano passado gozem com ele?”

  1. Orientar as crianças na gestão de sentimentos/comportamentos de raiva e fúria

Porquê? Muitas vezes, a capacidade de cuidar dos outros é dominada pela raiva, vergonha, inveja ou outros sentimentos negativos.

Como? Ensinando às crianças que todos os sentimentos estão bem, mas algumas formas de lidar com eles não são úteis. As crianças precisam da nossa ajuda para lidar com esses sentimentos de forma produtiva.

Dicas: Aqui está uma maneira simples de ensinar os seus filhos a terem calma. Ensine-os a parar, respirar fundo pelo nariz e expirar pela boca, e contar até cinco. Pratique quando o seu filho está calmo. Depois de um tempo ele vai começar a fazê-lo por conta própria através da habituação.

 

imagem@mundolivrefm

Em washington post, traduzido e adaptado por Up to Kids®

 

LER TAMBÉM…

Porque prefiro que os meus filhos aprendam empatia em vez de mandarim

A empatia: O nosso momento mágico

As crianças aprendem o que vivem

 

 

Hoje vou falar de um tema um pouco difícil para todos nós, pequenos e graúdos.

Todos nós já nos zangámos com alguém. Podem ter sido zangas de maior ou menor importância, mas a verdade é que se há uma coisa muito difícil de fazer em certas situações, é ter a capacidade de perdoar.

Falo por mim, falo por todas as pessoas que conheço. Falo pelas crianças também, que por vezes se envolvem em conflitos de difícil resolução. Para elas talvez seja mais fácil perdoar, pois uma brincadeira que desvie o assunto, um presente, um abraço, um “esquece lá, não ligues”, é mais fácil de encarar, do que para nós, adultos.

Mas a verdade é que perdoar é extremamente importante.

Tenho lido um livro que se chama “O Livro do Perdão”, de Desmond Tutu e Mpho Tutu, da Editorial Presença. Este livro é escrito pelo Arcebispo Emérito Desmond M. Tutu, que foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 1984, e pela sua filha Mpho, sacerdote episcopal. Nele expõem as verdades simples sobre o significado do perdão.

Esta é apenas uma dica de leitura, que acho que vale verdadeiramente a pena.

Quanto aos nossos filhos, ainda ontem me deparei com uma situação entre dois dos meus sobrinhos, em que houve uma ofensa aparentemente inconsciente por parte dum deles, com uma interpretação gravíssima do outro que a ouviu. A situação avizinhava-se complicada, com interpretações que poderiam despoletar reacções mais sérias nos pais.

Existiu uma intervenção dos adultos que os rodeavam, no sentido de os ajudar a resolver a situação. Para começar, ambos teriam de perceber porque era importante perdoarem-se mutuamente. Porque é que era importante que a situação não crescesse de forma a que mais pessoas da família estivessem envolvidas.

Sim, porque muitas vezes podemos não nos aperceber, mas quando nos chateamos com alguém, além de as duas pessoas ficarem incomodadas com a situação, e porque estamos todos interligados por laços (familiares, de amizade, de núcleos sociais, profissionais, etc), mais pessoas saem magoadas do contexto do desentendimento.

Isto é importante percebermos, para que saibamos até que ponto a situação é realmente irreversível.

Então, numa segunda fase, foi explicado às crianças, que as interpretações de cada um são muito únicas, e que devemos sempre conversar para ter noção da intenção e do que se passa na cabeça do outro.

Assim, por exemplo, se eu vejo chuva lá fora, para mim o dia pode estar estragado, mas para o meu filho pode ser uma boa razão para ficar mais tempo em casa comigo, e para o meu marido pode apenas ser uma situação passageira, pois já se vê um pouco do sol a espreitar.

Se eu digo que vou sair para apanhar um pouco de ar, para mim pode ser mesmo para desanuviar a cabeça das preocupações do dia-a-dia, mas para o meu marido pode ser mais uma “birra”, e para o meu filho um sinal de que a mãe está chateada.

Às vezes parece tão simples para nós: “Porque é que não me entendem?” – porque ninguém está dentro da cabeça do outro, não tem as mesmas experiências das diversas situações diárias, nem a mesma perspectiva sobre alguns aspectos da vida.

E sobretudo, porque não tem os mesmos pensamentos que nós.

E daí a importância de falarmos uns com os outros e explicarmos quando podemos ser mal interpretados. A importância de perdoar, para continuarmos todos unidos. A importância de não nos esquecermos de quem nos rodeia e que pode sair magoado por danos colaterais, que em nada lhe dizem directamente respeito.

Tal como li no livro, o caminho da raiva e da vingança não nos permite ter conhecimento dos nossos verdadeiros problemas e sentimentos. Ripostamos no outro aquilo que nos aconteceu e a raiva não desaparece, apenas se esfuma momentaneamente.

O caminho do perdão não é fácil, mas também não é uma fraqueza. Pelo contrário, termos a capacidade de nos conhecermos, de assumirmos os nossos sentimentos e pensamentos, é de uma coragem muito maior. E termos a capacidade de perdoar alguém que nos fez sofrer muito, é meio caminho para alcançar maior paz de espírito e harmonia na nossa vida.

Uma boa semana!

 

 

Quando engravidamos a primeira vez, as mães que nos rodeiam, quer sejam amigas, conhecidas ou perfeitas estranhas, têm sempre um conselho para nos dar. Não sei se, querer instruir as outras mulheres fará parte do instinto maternal, como se fossemos enviadas numa missão especial com o objetivo de proteger todos os recém-nascidos das garras de uma mãe inexperiente. Ou se queremos apenas mostrar que sabemos mais, característica própria da vaidade do sexo feminino.

Mas o facto é que a maior parte dos conselhos que me deram foram inúteis e vazios. “Dorme tudo agora, que depois não tens tempo”,aproveita bem que eles crescem num instante”. Eu já me cruzei com estas mães. Eu sei que vocês também, e eu sei que muitas vezes já nos tornamos nelas.

As mães, por natureza são um ser controlador e possessivo. Há muitas que assumem: “Eu sou muito mãe-galinha!”… Será só isso?

Se há algum conselho que eu posso dar, e que aprendi com a experiência é:

“ Não queiras ser uma control freak 

Tudo começou quando nasceu o nosso primeiro filho. Eu amamentei sempre, por isso, quando ele acordava à noite habituei-me a ir lá. Nem sempre era para mamar. Mas era sempre eu que me levantava. Enquanto habituava o meu filho a ter a mãe para o aconchegar sempre que chorava, habituava o meu marido a dormir ferrado ao som do choro de um bebé.

Durante o dia, dava dicas úteis ao meu marido porque como eu passava mais tempo com o bebé… achava que eu é que sabia o que era e como era melhor.!

Sempre mudei as fraldas porque achava que o pai nunca punha o creme certo a seguir ou a fralda não ficava bem presa como quando era eu a trocar. Acabava por sair xixi. O bebé ficava com soluços e eu teimava que só eu é que o sabia ajudar nos soluços. Mudava-lhe a roupa, e às vezes punha-a de parte para o pai vestir. Mas ele não sabia como apertar os cueiros e, por vezes, vestia as costas para a frente.

Sempre achei que era melhor eu ir ver e dar uma ajuda.

Porque eu é que sei o que é melhor para o meu filho, como ele gosta de se deitar, de arrotar e quais a rotinas dele. O pai pega-lhe ao colo. Eu digo-lhe que tem de agarrar a cabeça do bebé. Ele diz que sabe, mas nem sempre agarra. Eu estou sempre lá, a dizer o que fazer, como o fazer, e quando o fazer.

Oito anos depois, temos três filhos e eu estou grávida do quarto. Acordamos de manhã cedo, muito cedo. O pai vai fazer a barba e tomar banho. Eu acordo os miúdos e ponho-os a fazer xixi e a lavar a cara.

Escolho as roupas conforme as actividades escolares de cada um porque eu é que estou a par dos horários deles. Ajudo-os a vestir. Os mais velhos já se vestem sozinhos por isso dou-lhes a roupa e vou tratar do mais novo. Quando volto ainda estão a calçar as meias. Visto todos rapidamente.

Preparo o saco ou mochila de cada um porque só eu é que sei o que é para levar cada dia. Os miúdos nem me deixam pensar “que dia é hoje” para saber o que colocar nas suas mochilas. Enchem-me os ouvidos de histórias sobre os seus sonhos, e perguntas sobre como será este dia. Sobrepõem-se aos gritos para se fazerem ouvir. Tenho de recorrer telemóvel para saber a que dia estamos: o telemóvel não está onde era suposto. Algum deles já andou a jogar de manhã no meu telefone. Acordam a pensar em gadgets…  Fecho as mochilas.

Preparo almoço para um, e snacks para os mais novos, que gostam de petiscar uns cereais ou bolachas quando chegam ao colégio e ainda estão lá poucas crianças. É muito cedo. Mochilas preparadas, sacos das actividades fechados, cesto e lancheiras à porta. Já tomaram o pequeno-almoço, o pai deu um iogurte, preparou um pão de leite a cada um e fica a ver as notícias enquanto toma, também, o seu pequeno almoço.

Vai tudo para a casa de banho lavar os dentes. Eu vou lá conferir que ficam bem lavados. As perguntas e conversas são contínuas. Discute-se porque é que um leva mais cereais para a escola do que os outros (levam todos o mesmo), e quem é que joga primeiro consola quando chega a casa, sendo que só podem jogar ao fim de semana.

Finalmente saem de casa. O pai leva-os ao colégio todos os dias. São 8h00 e só me apetece voltar para a cama. Tomo o meu pequeno-almoço de pé, tomo banho e saio. Quando me sento no computador começo a ler os e-mails do colégio. Aponto datas de reuniões, datas de inscrições, data da festa de despedida das professoras de um, data da festa de ginástica de outro. O meu calendário enche-se de compromissos socio-escolares dos meus filhos. Sinto-me a adormecer no computador. Paro para beber um café. Começo a trabalhar e a manhã vai a meio.

A seguir ao almoço, retomo os e-mails. Tenho de dar resposta aos convites para as festas de aniversário. Articular os horários e disponibilidades para os levar e buscar. Antecipar se estamos cá nesses fins-de-semana e se eles podem aceitar os convites. Tenho de conhecer as crianças da sala de cada um para poder comprar os presentes de aniversário. Saber o que cada um gosta. As férias aproximam-se. Tenho de começar a planear os ATL em que os vou inscrever. O melhor seria mandar todos juntos, tenho de pesquisar bem! Já comecei a pensar onde serão as festas de aniversário este ano, e estou atenta aos sites específicos para tirar ideias dos temas e decors.

Não tirei o jantar de manhã antes de sair da casa (Como é que é possível). Tenho de tratar disso mal chegue para descongelar qualquer coisa. Às 16h00 tenho de sair de onde esteja para ir busca-los à escola. São três escolas, a volta é longa, e à tarde há sempre trânsito. Chegamos a casa. Há trabalhos de casa para fazer e banhos para dar. Esqueço-me do jantar. Peço ao pai para ir buscar uma pizza. Ele fica à espera que eu encomende a pizza, e que lhe diga a que horas está pronta, porque está habituado a não ter de pensar sequer o que é que cada um gosta de comer. E como em tudo o resto cá em casa, fica à espera de ordens para realizar tarefas.

Porque eu o habituei assim, e já não tenho como mudar esta rotina. Para mim é tarde demais, mas para quem ainda vai começar a ter filhos, para quem ainda está grávida eu posso dar este conselho: não sejam controladoras, não sejam possessivas, os filhos são dos dois. Deixem o pai da criança tratar das coisas.

À sua maneira, imperfeita e trapalhona. Deixem-no aquecer o leite, à próxima já vai acertar na temperatura. Se o xixi sair da fralda ele vai perceber que está mal posta. Ou não, e terá de mudar mais vezes, mas nenhum mal virá ao mundo. Deixem os pais comandarem e escolherem as roupas. Controlar o dia das actividades, e saberem qual é a gaveta das meias de desporto dos miúdos. Deixem-nos aprender a vestir um fato de ballet às meninas, e saber qual o material que se leva para a natação.

Quando o virem com o bebé calem a boca, fiquem sossegadas e deixem-no encontrar soluções. Assim não vão tornar-se em robots programados para cumprir ordens específicas.

E vocês vão acabar por desfrutar mais a longo prazo do vosso descanso! Acreditem.

Um dia mais tarde vão agradecer-me!

 

10 confissões banais de uma mãe

No mundo da maternidade é mais fácil julgar do que assumir os nossos erros.

Este mundo construído à volta dos filhos, é um mundo competitivo em que cada mãe está em constante luta para se superar naquele que é o mais importante desafio da sua vida: ser mãe. Ou melhor, ser boa mãe.

Nesta reflexão, lembrei-me de várias coisas que já fiz aos meus filhos e que poderiam ser facilmente julgadas por vocês, e listei-as, por isso quem nunca o fez que atire a primeira pedra.

Deixo as minhas confissões. 10 confissões banais de uma mãe.

1. Confesso que já deixei os meus filhos com a fralda suja tempo demais porque não me apeteceu mudar na altura devida.

2. Confesso que já os levei para a minha cama à noite quando acordam porque tive preguiça de ficar um bocadinho ao frio no quarto deles

3. Confesso que já os deixei não comer sopa algumas vezes, porque não me apeteceu convence-los a comer.

4. Confesso que já cedi a birras só para não os ouvir chorar

5. Confesso que já me ri sem disfarçar depois de terem uma saída malcriada (mas com muito humor…)

6. Confesso que já os deixei sair de casa sem lavar os dentes porque já estávamos atrasados

7. Confesso que já descarreguei neles o meu cansaço ao mínimo “piu”

8. Confesso que já os deixei acordados a ver televisão até mais tarde porque precisava de tempo para fazer qualquer coisa, e adiei a hora de ir para a cama

9. Confesso que já foram para a cama sem comer e sem tomar banho depois de adormecerem no carro, para eu poder ter um serão descansada.

10. Confesso que já menti aos meus filhos. Que já os abracei enquanto dormem, porque é nesse momento que me apercebo do quão importantes, fantásticos e únicos que eles são. E apetece-me acordá-los para lhes dizer isso. E para lhes dizer que vou estar sempre com eles, e que nunca lhes irá acontecer nada, porque eu vou protegê-los para sempre. E por enquanto eles acreditam nisso.