Socorro, a mãe está doente. E agora?

“O cancro não passa despercebido. É muito importante ir preparando as crianças para as várias etapas, desde a quimioterapia, à perda de cabelo e à cirurgia.”

O diagnóstico de cancro chegou depois de umas longas semanas de angústia no corre corre de exames e mais exames para finalmente receber o pior dos diagnósticos! E agora? Porquê eu? O que é que eu fiz de errado para merecer isto?

São muitas das perguntas que passam pela cabeça desta mãe que ainda está atordoada com a notícia! Logo depois vem a grande
preocupação com a família… Como é que eu vou contar aos meus filhos? Quem é que vai garantir a organização da casa e das suas vidas?

Socorro, a mãe está doente. E agora?

Triste, nervosa e cheia de medo, conversamos sobre a melhor forma de falar com os filhos, que entretanto já começavam a intuir que algo de errado se poderia estar a passar e começavam a dar sinais de algum nervosismo e mal-estar. As crianças precisam sempre de saber a verdade, que lhes deve ser contada de acordo com as suas idades, sem rodeios, mas com otimismo e força positiva.

Como é que eu vou falar como os meus filhos sem desabar a chorar em frente a eles?

Será que os pais não podem chorar em frente aos filhos?

Claro que podem… Nem seria natural que fosse de outra maneira. Quando perdemos alguém choramos em frente dos nossos filhos, quando estamos fracos ou doentes também choramos em frente aos nossos filhos, quando nos despedimos deles também choramos e em mais um cem número de situações choramos! Chorar não faz dos pais, seres fracos, nos quais os filhos
não se possam apoiar quando tudo está mais negro, chorar não implica não dar esperança…

Pelo contrário, chorar faz de nós pais, seres humanos com sentimentos e com capacidade de aceder às suas emoções. Com a normalização do sentir os pais também ensinam os filhos que podem chorar, que podem angustiar-se e não desabar! Que o dia seguinte acorda sempre mais sereno e com forças para podermos continuar…

É fundamental que os pais numa situação de doença conversem com os seus filhos, chorem com eles, mas no dia seguinte mostrem-se capazes de levantar a cabeça e continuar a lutar.

A possibilidade de perder a mãe

Para uma criança a possibilidade de perda da mãe é algo que marca profundamente. Mas que não melhora por ser deixada à parte dessa etapa dramática e dura que a família está a viver. Talvez vão amadurecer mais rápido, talvez se sintam tensos e com excesso de responsabilidade. Talvez precisem de se sentir úteis, talvez vivam angustiados. Mas nestes momentos os pais não os podem libertar de nada disso.

Por mais que queiram os filhos vão sentir, vão mudar e vão ser parte integrante da doença. Proteger os filhos nestes casos é permitir que eles participem de acordo com as suas idades. É manter a casa calma e organizada, com a ajuda de todas as pessoas que for necessário envolver. E as crianças saberem sempre quem vai garantir o seu dia-a-dia, as suas deslocações para a escola e para as atividades; É continuarem a viver um ambiente calmo e organizado; É saberem que podem colocar todas as questões, dúvidas e angustias aos pais.

A importancia do pai

Nesta situação o pai é fundamental porque talvez a mãe não esteja com tantas condições para acolher as dúvidas dos filhos e o pai
poderá ser uma peça chave nesse processo. E agarrarem-se de mão dada à esperança que tem que permanecer de “pedra e cal” com mais força do que em qualquer outro momento…

As explicações devem ser claras, objetivas mas não precisam de ser muito detalhadas, sobretudo se estivermos a falar de crianças mais pequenas. O cancro não passa despercebido. É muito importante ir preparando as crianças para as várias etapas, desde a quimioterapia, à perda de cabelo e à cirurgia.

É preciso que as crianças saibam antecipadamente, mas sem dramas, o que é que vai acontecer, sobretudo como é que a mãe vai estar. O cansaço, os enjoos, os vómitos, as diarreias… para que possam integrar que todos aqueles sintomas fazem
parte do processo e não fiquem constantemente na incerteza do que está a acontecer à sua mãe. Quando uma criança imagina, tudo é sempre mais terrível, dramático e traumatizante, do que quando sabe em primeira mão e de forma adequada à sua idade.

Falar com os filhos é fundamental em qualquer família, mas quando se trata de uma doença grave não é fundamental é imprescindível!!

Síndrome do ninho vazio

O Síndrome do ninho vazio é uma condição que se caracteriza pelo aparecimento de quadros depressivos, sobretudo nas mães, com a saída dos filhos de casa. É um momento de adaptação e transição que afeta todas as famílias. Em algumas mulheres faz despoletar emoções de tristeza e vazio, pelo sentimento de perda da função de mãe na vida dos filhos.

Os filhos consomem ao logo dos anos tantas horas de trabalho e de reflexão que, sobretudo as mulheres, ficam vazias depois da sua saída e é preciso reinventar novas formas de se sentirem mães.

Na verdade precisam de construir um novo formato de maternidade que já não passa por todas as grandes e pequenas, boas e más situações do quotidiano! Sim porque ter os filhos em casa por vezes também é cansativo e exasperante…

Já não passa pelos gritos, o vai estudar ou o por favor arruma o teu quarto…

Para alguns parece que parte de nós se perde com a vossa saída e é preciso reconstruir a vida e a identidade. Como se a nossa identidade estivesse colada à maternidade!?

Mas é verdade que isso acontece muitas vezes e que nem sempre os casais mantêm uma base sólida que lhes permite usufruir com alegria dessa nova etapa da vida e fica um vazio difícil de explicar e sobretudo, ainda mais difícil de sentir!

A força das relações construídas perde-se com o tempo e a distância?

Será que conseguimos ao longo de todos os anos, construir relações suficientemente fortes, próximas e vinculadas que consigam resistir à inevitável distancia que a saída dos filhos exige?

Sim porque a saída dos filhos implica sempre alguma distância para que possam realmente construir as suas vidas e as suas famílias. É muito importante que tenham tempo e espaço para se construírem como adultos que vivem fora das “saias dos pais”. Mais importante ainda é que os pais respeitam esse afastamento, que não é um afastamento no Amor!

É preciso arranjar novas formas e estar na vossa vida, sem nunca vos impedir de voar. Por vezes é difícil estar e não estar ao mesmo tempo. Estar, participar, ser presente, mas não invadir ou intrometer. É uma linha difícil que exige muita maturidade e bom senso e que nem sempre é fácil de definir para os pais…

É importante que os filhos, com amor, também possam ir mostrando essa linha. Para que pouco a pouco todos se possam ir adaptando a essa nova realidade, com a alegria que ver-vos crescer deixa no coração de quaisquer pais.

Desejamos os períodos de férias onde estamos todos juntos, os jantares de família e todos os outros momentos em que os nossos filhos feitos homens e mulheres são um bocadinho nossos novamente… No final damos por nós discretamente a respirar fundo porque já não estamos habituados a tanta confusão…

Acima de tudo é preciso acreditar que o vínculo é forte e duradouro. Para que cada um de vocês, filhos adultos, possa voar sem medo e os pais possam ficar sem medo de vos perder….

Photo by Sam Wheeler on Unsplash

Saudades do tempo presente

Andava há alguns dias a adiar a tarefa de guardar a roupa de Verão dos miúdos, mas as notícias da vaga de frio polar que se aproxima fizeram-me parar de procrastinar e avançar para as gavetas. E caramba, que difícil foi…

Tantas e tantas memórias que passaram por mim naquela hora em que carinhosamente guardei fofos, calções, e babygrows de Verão… Se a roupa do Pedro foi menos difícil de guardar porque sei que ainda verá a luz do dia no corpo do João, já a roupa do mais pequeno foi embalada com lágrimas, sorrisos e com um coração apertado.

Sei que não voltarei a ter bebés cá por casa. Estas duas gravidezes, tão difíceis e tão próximas deixaram marcas, e não pretendo voltar a colocar-me numa posição tão frágil novamente. Pelos meus filhos e por mim. E é por isso que embalar a roupinha do João é uma espécie de despedida. A partir de agora não haverá mais recém-nascidos, mais mãozinhas minúsculas e fraldinhas de pano. A partir de agora o tempo começa a sua contagem impiedosa e os meus bebés passarão a meninos e, depois disso, a homens.

Eu sei que agora ainda estão aqui comigo, que precisam muito de mim, mas já temo pelo dia em que o meu colo ficar vazio.

Quem me dera que houvesse um comando para controlar o tempo. Era hoje, agora, neste momento, que carregaria no botão de pausa e aqui permaneceria. Sem medo que tudo fosse demasiado rápido.

Sem medo que as gargalhadas felizes que ouço agora se perdessem. Sem medo que este cheirinho a bebé não fosse mais do que uma lembrança de dias felizes.

Nunca fui de viver agarrada ao passado; sei que a vida ainda tem muito para nos dar mas quem me dera que o tempo andasse mais devagar, quem me dera ter todo o tempo do mundo para eternizar estes instantes.

Será assim tão estranho já sentir saudades do momento presente?

 

9 frases poderosas para te conectares com o teu filho

Há momentos em que não sabemos o que dizer aos nossos filhos. Em que o conflito está ao rubro e nos sentimos impotentes, achamos que não vamos conseguir parar aquela espiral negativa.

Não é fácil recuperar a conexão perdida, recomeçar. Em minha casa tenho tentado aplicar com os meus filhos algumas das “ferramentas” práticas, que aprendi com a Disciplina Positiva. Com bons resultados.

Deixo-vos algumas frases que já experimentei dizer aos miúdos nos momentos de tensão. E que fizeram a diferença.

Da próxima vez que sentires que estás numa autêntica luta de poderes, experimenta dizer uma delas:

1. “Diz-me o que estás a sentir”

Ao mostrar interesse em saber o que está o teu filho a sentir, faz com que ele se sinta ouvido. E importante. Ajudá-lo a encontrar as palavras certas para descrever a emoção do momento – mesmo que o faça de forma curta ou meio atabalhoada – ajudá-lo-á a acalmar-se e a seguir em frente. Assim estarás também a mostrar empatia pela criança e pelos seus sentimentos, o que é meio caminho andado para retomar a conexão perdida.

Mas atenção, para que esta “estratégia” resulte, tenta descer ao nível da criança, olhá-la nos olhos e ESCUTAR realmente o que ela tem para lhe dizer.

2. “Amo-te, mesmo quando estás assim”

As crianças precisam de sentir amor incondicional dos seus pais, para que se tornem adultos estáveis do ponto de vista emocional. Esta frase mostrar-lhe-á que a ama até mesmo nos momentos em que não estão a dar-se lá muito bem.

3. “É normal sentires-te zangado, às vezes”

Como pais tentamos muitas vezes “abafar” os sentimentos dos filhos. Fazêmo-lo de forma consciente ou inconscientemente, é certo, mas é frequente. Por exemplo, quando queremos pôr termo de forma imediata a uma birra ou a uma crise de choro. Só que, ao tentarmos que a criança “abafe” o que está a sentir, o mais provável é que o “mau” comportamento se intensifique e, possivelmente, com ainda mais força.

Sentir é normal, certo? Faz parte de sermos humanos e não há distinção entre adultos e crianças. Quando compreendemos que é normal sentirmo-nos menos bem por vezes, mostramos aos miúdos que os amamos até nesses momentos.

4. “Posso dar-te um abraço?”

Quando as crianças estão no meio de uma birra, tudo à sua volta parece ser uma ameaça. Por isso reagem tantas vezes intensificando a conduta, gritando, esperneando quando tentamos ralhar com elas para que parem.

Sei que pode parecer estranho, mas dar um abraço ao teu filho durante um momento de conflito pode ser o suficiente para lhe pôr fim. “Preciso de um abraço, filho” é a frase certa e preferível a “Dá-me um abraço”, já que mostra vulnerabilidade e não autoridade, sendo por isso mais fácil retomar assim a conexão perdida.

É claro que nem sempre esta solução resulta, nem resultará com todas as crianças. Por vezes, quando a criança está de tal modo furiosa, o ideal é dizer algo como “Preciso de um abraço mas já percebi que agora não o consegues dar. Vem ter comigo quando achares que estás pronto”.

5. “Vamos respirar fundo juntos?”

Inspira, expira… Respirar fundo é para muitos pais a melhor forma para se acalmarem. E que tal propor o mesmo aos seus filhos? É um exercício simples e que acalma o stress e diminui a frequência cardíaca. Ideal para momentos de conflito!

6. “Como é que eu te posso ajudar?”

Fazer perguntas ajuda a criança a mudar o foco, a pensar em soluções em vez de se centrar na emoção negativa. Mesmo que não obtenha resposta, só o facto de perguntar, de lhe oferecer ajuda, mostra que se importa realmente com o que ela está a sentir.

7. “Podemos recomeçar?”

Esta frase funciona como uma espécie de ‘reset’. As primeiras vezes que a usar, é possível que não resultem, mas não custa ir tentando…

8. “Desculpa-me por…”

Os pais também são de carne e osso, também erram, falham, choram, sentem. Mostrar às crianças que também somos humanos não só é reconfortante para elas, como lhes passa também uma mensagem poderosa: de que pedir desculpa é normal e algo certo a fazer muitas vezes. Por isso, se gritou demasiado alto, se foi demasiado duro/a ou se ignorou sentimentos que não devia ter ignorado, não custa nada dizer “desculpa”.

9. “Da próxima vez, prometo que…”

“Desculpa se perdi a cabeça, da próxima vez prometo que vou reagir com mais calma”. Ao contrário do que possa pensar, esta frase não o/a fragiliza enquanto educador/a, pelo contrário. Mostra compromisso, compromisso de mudança, algo que é essencial quando pedimos desculpa. E ajuda a retomar a conexão perdida.

image@istock

10 coisas simples que podem mudar completamente o futuro dos teus filhos

O que vai fazer a maior diferença no futuro dos teus filhos?

Todos queremos ver os nossos filhos crescerem e tornarem-se adultos felizes e bem-sucedidos.

É divertido vê-los crescer, desenvolver traços de personalidades e interesses diferentes. Como pais, queremos dar aos nossos filhos o melhor futuro possível. Mas isso não significa que precisemos de lhes dar tudo o que querem ou passar férias de luxo.

Aqui estão 10 coisas simples que podem mudar completamente o futuro dos teus filhos:

1. Um livro

Os livros são queridos ao coração. A maioria de nós lembra-se de uma história favorita, uma leitura emocionante ou daquele personagem que estava ao nosso lado quando não estava mais ninguém. Um livro pode ajudar uma criança a decidir uma carreira ou estilo de vida.

Um estudo do National Endowment for the Arts, diz que o envolvimento de uma criança com livros afeta a vida futura de formas muito amplas. Habilidades de leitura fracas tendem a equiparar-se a salários mais baixos, falta de emprego ou maus empregos, e menos hipóteses de progresso. Pessoas com dificuldade na leitura têm menos probabilidade de serem ativas na vida cívica, voluntariam-se menos e votam menos do que bons leitores.

É importante que as crianças tenham um bom arranque para se engajarem com a palavra escrita. Isso fará a diferença para o resto da sua vidas.

2. Levar o lixo

O guru financeiro Dave Ramsey defende:

Deves encarar o acto de ensinar os teus filhos a trabalhar, da mesma forma como vês o acto de ensiná-los a tomar banho e a lavar os dentes – Uma habilidade necessária para a vida.

Atribuir tarefas às crianças prepara-as para serem capazes de assumir e cumprir obrigações no futuro para com seus empregadores. Ensina-lhes a relação entre trabalho e sucesso. Além disso, dá-lhes confiança e um senso de comunidade à medida que contribuem para o bem-estar da família.

3. Um professor

A criança terá muitos professores ao longo dos anos, mas às vezes cria uma ligação especial com um que irá mudar a sua vida. Seja por acender uma paixão por determinado assunto/tema ou ajudando-a num momento difícil da sua vida. Um(a) professor(a) pode ganhar um lugar especial na mente e no coração do seu aluno.

4. Um amigo

Um amigo pode ter o mesmo lugar para uma criança que a sua família. Os “amigos errados” podem empurrar o teu filho por um caminho descendente e os “amigos certos” podem apoiar e elevar o teu filho a um maior sucesso.

5. Tempo com o pai

Um estudo publicado em childwelfare.gov descobriu que “Desde o nascimento, as crianças que têm um pai envolvido nas suas vidas, são mais propensas a ser emocionalmente seguras, ser confiantes para explorar os arredores e, à medida que crescem, têm conexões sociais melhores com seus colegas. Estas crianças também são menos propensas a ter problemas em casa, na escola ou na vizinhança.” Ter um pai envolvido, é melhor indicador social de sucesso futuro, do que ter dinheiro ou status social. Isto diz o tudo.

6. Um instrumento

Tocar um instrumento musical tem inúmeros benefícios para as crianças. Desde melhorar a memória a desenvolver habilidades matemáticas, até à criatividade, autoexpressão e alívio do stress. Se o teu filho participar numa banda ou orquestra isso pode melhorar as suas habilidades sociais e ampliar o seu grupo de amigos. Alguns músicos iniciantes acabam mesmo por seguir carreiras musicais.

7. A cidade onde vivem

Ao longo das suas vidas os adultos vão-se identificar com a sua cidade natal, mesmo depois de viver longe por vários anos. Onde moras afeta as oportunidades educacionais e recreativas do teu filho. Cada lugar tem a sua própria cultura, que irá influenciar os pensamentos e ideias do teu filho. A maneira como falas e te sentes relativamente ao teu bairro também vai influenciar a forma como se integram.

8. Um animal de estimação

Ter um animal de estimação tem mostrado que ajuda a manter a pessoa saudável física e emocionalmente. Os animais de estimação podem ensinar responsabilidade e compaixão às crianças. Um estudo comparou crianças que tinham um cão com crianças que não tinham, e descobriu que as primeiras eram significativamente mais empáticas e pró-sociais. Os animais de estimação podem também proporcionar uma sensação de segurança e reduzir a ansiedade. Por isso, os animais são muitas vezes utilizados em terapias com crianças. O estudo também concluiu que crianças com níveis mais altos de apego aos animais de estimação tinham sentimentos mais positivos em relação à sua família e ao lar, do que as com baixo apego a seus animais.

9. Uma caminhada

O exercício físico regular traz inúmeros benefícios para a saúde do teu filho. Sair ao ar livre é particularmente importante. Ajuda a impulsionar o sistema imunológico, estimula a imaginação, promove habilidades para resolver problemas, ajuda na síntese da vitamina D (através da luz solar) e melhora o humor. Além disso, também há a conexão que podes criar/fortalecer com o teu filho enquanto caminham juntos. Este é um ótimo momento para conversar longe de distrações. Algumas das vossas conversas mais importantes e significativas podem acontecer durante uma caminhada.

10. Os avós

Ou avô, tia, tio ou primo. Estudos têm demonstrado que crianças com fortes laços familiares tendem a sair-se melhor quando confrontadas com um problema.

“Quanto mais as crianças sabiam sobre a história da sua família, mais forte era o seu senso de controle sobre as suas vidas, maior a sua autoestima e mais elas acreditavam que suas famílias eram atuantes”, de acordo com um estudo da Universidade Emory.

Muitas vezes são elementos da família que dão apoio quando um dos pais não está disponível, ou intervêm em conflitos entre pais e filhos.

Quando se trata de criar os filhos, não são as viagens à Disneylandia, os gadgets topo de gama ou nem mesmo as melhores escolas que têm a maior influência sobre o futuro.

São muitas vezes as pequenas coisas que acabam por fazer toda a diferença.

 

Adaptado da tradução de Sarah Pierina do original 10 little things that can completely change your child’s future

 

Partilha este post 🙂

Ensinar os filhos a esperar

Atualmente, parece que tudo é difícil de aguentar, sob todas as perspetivas.

Os filhos passam por circunstâncias sobre as quais manifestam dificuldades em gerir. No outro ângulo, encontram-se os pais que ficam tão ou mais aflitos quando sentem as crias em apuros. E se o instinto natural impele a ajudar, é isso mesmo que deve ser feito. Já resolver tudo, de modo imediato, independentemente da idade, (e, por vezes até, oferecendo soluções antes de o problema ser manifestado), é ação merecedora de ocorrência no registo criminal da parentalidade.

Cultura do instantâneo

Nascemos todos sob o princípio do prazer, isto é, “tenho fome, alimenta-me já!”; “quero água, como é que ainda não está aqui?”; “a fralda está suja: a troca é para hoje ou amanhã?”. E, sem o domínio da comunicação verbal, o choro serve de alerta para todos os sinais que queremos dar.

Pressupõe-se que, com o desenvolvimento, entre outros aspetos, se desenvolva a capacidade de esperar. Ou seja, de conseguir aguentar os diversos desconfortos que vamos sentindo na vivência diária, sem almejar soluções instantâneas. No entanto, para alcançar esta capacidade de forma ajustada, requer-se que os cuidadores (pais, avós, tios, etc) possuam também esta capacidade. A de aguentar as manifestações de desconforto, por parte de quem cuidam, sem o impulso de querer solucionar, prontamente tudo.

Exemplos disto, relativos a uma fase mais inicial da vida, são a chucha que aparece rapidamente ao primeiro choro, e os avós que surgem como recurso imediato quando os pequenotes demonstram resistência em ir à escola.

Dar tempo para aprender a esperar

A questão fulcral reside no facto da reação-resposta não dar tempo para aprender a esperar. Não dar tempo para reconhecer o sentir, confrontando-o e suportando-o até passar ou ser resolvido. Ter a capacidade de parar para pensar o sentimento é imprescindível a um desenvolvimento mais harmonioso e equilibrado, mas não “nasce” sem treino.

Não pensar no que se sente, privilegia a fuga.

O evitamento; a incapacidade de olhar para dentro, pelo receio daquilo que possa encontrar-se. E, não conseguir olhar para dentro, é como estar na selva, em frente ao Cuquedo, a anunciar-lhe que ele – Cuquedo – é muito assustador, muito embora, na verdade, ele seja o oposto do susto (sendo que só assusta porque existe essa expectativa sobre ele). Isto é, pode avolumar-se como um perigo.

A verdade é que, não obstante as boas intenções dos cuidadores, um tempo de latência na resposta aos pedidos dos pequenotes (e mesmo dos “crescidotes”), só traz benefícios. Se, por um lado, os ensina a saber esperar; por outro, transmite-lhes a mensagem que quem os cuida está tranquilo. Que não se deixa abalar com o mal estar dos filhos, sendo, por isso, sentidos como uma fonte de apoio muito mais securizante. (É natural que os cuidadores se preocupem. Devem, no entanto, de forma verbal e não verbal, passar a mensagem contrária, para que possam ser vivenciados como porto de abrigo).

Na certeza que a vida não acontece ao sabor do tempo e vontade de cada um. É importante preparar para o desenvolvimento de recursos internos que permitam aguentar mais os “mal-estar” do quotidiano. Na tentativa de evitar que, mais tarde, perante as adversidades da vida, se manifeste a sensação de perda de controlo e, (por norma) consequentes, crises de ansiedade.

Ser mãe dói…

“…sobretudo no coração quando os vemos fazer algo novo. Quando nos abraçam e nos olham com amor. Quando percebemos que o tempo passa e jamais voltará atrás.”

Ser mãe dói na garganta quando os enjoos teimam em não passar.

Na pele quando começa a esticar, no peito quando começa a inchar.

Dói nos órgãos quando o espaço começa a faltar, dói no parto, e nos seios nas primeiras vezes que damos de mamar.

Nas costas depois de horas de colo.

Dói no corpo quando dormirmos todas tortas para os manter aconchegados. Nos olhos quando lutamos de madrugada para os abrir.

Ser mãe dói na cabeça quando as palavras faltam, a memória falha e o cansaço teima em não passar.

Dói na barriga quando percebemos que eles nunca mais voltarão a lá morar.

Dói na alma quando os vemos doentes.

Ser mãe dói.

Sobretudo no coração quando os vemos fazer algo novo.

Quando nos abraçam e nos olham com amor.

Quando percebemos que o tempo passa e jamais voltará atrás.

A maior dor de uma mãe é a de viver com mais amor no coração do que aquele que acreditava ser possível.

LER TAMBÉM…

Ser mãe sem ter mãe: O clube a que nunca quis pertencer

Toda a gente vê muita coisa, só vocês vêem o essencial.

O amor de mãe é um amor que não se mede

A maternidade é como a idade; bonito é fingir que não passamos por ela

10 síndromes que caracterizam as mães

Serão as outras mães melhores do que eu?

 

O novo ano letivo já arrancou e por isso, enquanto pais, devemos começar já a acompanhar os nossos filhos. Em casa, na escola nas atividade, aqui ficam

6 formas simples de preparar o seu filho para o novo ano letivo

A emoção e a angústia são mais notórias no início do novo ano escolar. Para muitos pais e filhos o regresso às aulas depois das longas férias de Verão, é sinónimo de dificuldades: novos professores e alunos, horários fixos e maior exigência.

Mudanças que se afiguram particularmente difíceis, sobretudo para crianças e adolescentes com problemas de aprendizagem, de falta de atenção e com baixa capacidade de organização.  Há a necessidade de as preparar com antecedência para as novas obrigações académicas. Não desespere!

Há formas simples de as ajudar na transição para o novo ano letivo e que dependem apenas de si:

1- Ensine o seu filho a ser organizado.

Uma organização/calendarização das atividades eficaz, pode facilitar os primeiros dias de escola, aumentar os níveis de confiança e autoestima e serenar o habitual nervosismo. Organize o material escolar, livros, canetas e a mochila. Defina, por exemplo, as tarefas domésticas diárias em função dos horários escolares. Estabeleça períodos para as atividades extracurriculares e para o estudo em casa.

É importante que o seu filho tenha horários pré-definidos para a realização dos trabalhos de casa. Um local arrumado e silencioso para realizar as tarefas escolares pode ser determinante para obter a desejada concentração e os bons resultados no final dos três períodos letivos.

2 – Estabeleça rotinas de sono.

O descanso é fundamental para uma boa aprendizagem e melhora o desempenho escolar. Imponha horários para o seu filho ir para a cama durante o ano letivo. As necessidades e os padrões de sono variam em função da idade da criança. Não dormir o número de horas necessárias pode também ter consequências graves aos níveis emocional e comportamental.              

3 – Converse diariamente com o seu filho sobre a escola.

Mantenha uma comunicação aberta sobre as atividades curriculares, a aprendizagem e as relações com colegas e professores. É importante que os pais se envolvam nas rotinas escolares. Incentive o seu filho a partilhar os medos e receios. Identificar um problema é a primeira forma de o resolver.

4 – Motive o seu filho para a aprendizagem.

Não há sucesso escolar sem motivação. Esteja atento aos progressos e às dificuldades. Elogie os bons resultados e reforce o esforço aplicado na aprendizagem. Se o fizer estará a contribuir para promover a motivação e a confiança do seu filho. Não estabeleça objectivos demasiado elevados. Expectativas não cumpridas podem ter um efeito negativo no rendimento escolar. Ensine o seu filho a acreditar em si próprio.  Concentre-se nos seus pontos fortes e dê-lhe ferramentas para lidar com os desafios escolares de forma mais eficaz.

5 – Estabeleça estratégias para o estudo no novo ano letivo

É preferível uma hora diária de estudo a várias nas vésperas das avaliações. Comece pelas disciplinas que o seu filho tem maiores dificuldades. Deixe as que ele considerar mais fáceis para o fim. Os níveis de concentração são mais elevados no início da realização dos trabalhos de casa. Ensine o seu filho a fazer apontamentos da matéria sobre a qual incide o estudo. Em caso de necessidade pode sempre aproveitar o fim-de-semana para rever conhecimentos e pôr a matéria em dia.

6 – Ensine o seu filho a ser autónomo e responsável.

É importante que os alunos percebam que as boas avaliações dependem de si próprios, dos níveis de concentração nas aulas e do trabalho em casa. As crianças devem ser estimuladas e orientadas para estudar de forma autónoma. Isto não significa que os pais devam “estudar” pelos filhos. É um erro comum que só promove a dependência e a falta de confiança das crianças. Supervisione diariamente as atividades letivas em casa, sobretudo nos primeiros anos de escolaridade. Apoie, esclareça mas incentive-o a estudar sozinho.

 

 

 

 

Estudo confirma: Ficar em casa com os filhos é mais extenuante que ter um emprego

Manter a casa limpa e arrumada, preparar e planear refeições (de preferência saudáveis), lavar e passar roupa a ferro.

Levar os miúdos à escola e da escola para as atividades extracurriculares. Acompanhar os TPCs, brincar, leva-los ao pediatra, dentista, oftalmologista, otorrinolaringologista e a todas as especialidades médicas que precisarem. Saber o nome dos amigos e respetivas mães e lidar com os grupos de whatsapp de cada turma e de cada actividade de cada filho.

A lista de afazeres diários de muitas mães e pais pode ser longa, exaustiva e muitas vezes desesperante. No entanto, a sociedade geralmente não reconhece este esforço dos progenitores que optaram por ficar em casa com os filhos.

Muitas pessoas, especialmente as que não têm filhos, pensam que é muito mais cansativo ter um emprego a tempo inteiro do que ficar em casa a criar e a educar os filhos.

A critica alheia

O pior é quando familiares próximos, muitas vezes o próprio marido ou mulher do progenitor que está em casa, não percebem porque é que este está sempre cansado. Aliás, não há pior pergunta do que “O que é que fazes o dia inteiro?

Investigadores da Universidade Católica de Lovaina entrevistaram quase 2.000 pais, principalmente mães, e concluíram o trabalho de mãe/pai a tempo inteiro é muito mais cansativo do que trabalhar fora.

13% das mães demonstraram um alto nível de exaustão. Com um profundo sentimento de incapacidade de lidar com todas as tarefas diárias, apenas uma em cada dez mães conseguiu reconhecer que abdicar do seu emprego veio a comprometer seriamente a sua saúde física e emocional.

Es definitivamente uma mãe/pai quando…

Um outro estudo, da empresa Aveeno, sobre a mesma temática, aprofundou também as dificuldades do dia-a-dia dos novos pais. Segundo esta pesquisa, 22% dos pais e mães inquiridos admitiu que, depois do bebé nascer, nunca mais conseguiram terminar uma chávena de chá, 33% só utilisa uma mão enquanto come, 19% nunca mais conseguiu ver um programa de televisão completo e  17% queixaram-se de dores de costas. (Os restantantes não se queixaram, mas garantidamente sofrem do mesmo problema.)

A Competição de mães/pais nas redes sociais

Também foi abordado neste estudo a influencia das redes sociais na parentalidade.

Segundo os resultados,71% dos pais admite que as redes socais os tornaram mais competitivos em relação a outros pais. 22% afirmaram que a pressão para se ser uma mãe/pai perfeita/o é grande. Que cada  a partir do momento que cada um exibe os seus feitos com os filhos. São bolos e festas de anos megalómanos e quartos de criança que parecem ter saído das revistas. Gurus da parentalidade que nunca deram um grito aos filhos. Amigos da natureza que reciclam, não usam fraldas descartáveis e só dão alimentos bio. Nas redes sociais vale tudo. Aqui é exibida uma parentalidade que raramente corresponde à real.

“Vou educá-la a ter esperança e força, mas a permitir-se ser frágil.
Vou tentar educá-la para que nunca se ponha numa situação de perigo.”

É cultural, foi assim que fomos ensinados e muitas vezes ainda é assim que agimos. O ditado reza “entre marido e mulher ninguém mete a colher”.

Mas os tempos são outros e se temos evoluído em tantas outras áreas porque continuamos a virar a cara em situações de abuso?

Do outro lado do oceano chegaram notícias e imagens chocantes de uma advogada, que foi filmada a ser agredida pelo marido dentro do elevador do prédio e no parque de estacionamento do condomínio enquanto gritava por ajuda. Esta mulher acabou por morrer, vítima de uma queda do quarto andar, do seu apartamento. Correcção, esta mulher acabou por ser assassinada pelo marido quando todos os vizinhos ouviram os seus apelos por ajuda. Ninguém, repito, ninguém, chamou a polícia. Entendo o medo, somos humanos e sentimos na pele o nosso medo, o medo pelos nossos, o nosso desejo de sobrevivência. Muitas pessoas tiveram receio que o marido estivesse armado e não foram até lá. Estiveram para chamar a polícia mas depois os gritos pararam. Pararam porque já era tarde demais.

Estou a relatar esta história a título de exemplo, como poderia contar outras. Todos nós conhecemos algum caso, infelizmente. E os que têm a sorte de não conhecer, leem notícias.

Como mãe de uma rapariga há muitas coisas que me apoquentam em relação ao seu futuro, mais do que se fosse um rapaz – e nisto tenho de ser sincera e crua, porque ainda é muito diferente ser rapaz e rapariga neste mundo.

Vou tentar educá-la para que nunca se ponha numa situação de perigo.

Vou educá-la para identificar uma situação de perigo caso já esteja envolvida nela. Vou educá-la a fazer ouvir a sua voz, apesar do medo – mesmo que para isso tenha de saber contornar situações de confronto e saiba pedir a ajuda a quem de direito na altura certa. Vou educá-la para não virar a cara quando for testemunha da dor de outra pessoa. A falar, mesmo que tenha medo, nem que seja para chamar a polícia. E se quando a polícia chegar ela sentir que “não serviu para nada”, que saiba que serve sempre. Nem que seja para que as pessoas envolvidas saibam que os outros sabem, reparam e vão andar de olho na situação.

Vou educá-la a ter esperança e força, mas a permitir-se ser frágil. Porque todos nós cometemos erros, porque todos nós, numa altura ou outra precisamos de ajuda, porque todos nós já recusámos ajuda quando soubemos que teria sido melhor se tivéssemos aceitado.

A violência transtorna-me e é-me difícil de compreender, mas a passividade do mundo perante a violência é algo que nunca aceitarei.

Não é esse o futuro e o mundo onde quero que os meus filhos cresçam.

Quero que seja um mundo onde se diz “lembras-te de antigamente quando as mulheres morriam às mãos dos companheiros/ex-companheiros/aspirantes a companheiros?”. Quero que sejam coisas de tempos que eles não recordam.

Educar uma criança é a missão dos pais. Estar lá, acompanhar, proteger. Mostrar a realidade e as soluções. E isto serve para os pais das vítimas e dos agressores. Quando há sinais de que algo possa não estar bem devemos ser os primeiros a agir.Para o bem dos nossos filhos e dos que com eles se relacionam.

Devemos ser o exemplo e ajudar quem precisa de ajuda. Se os nossos filhos nos virem a estender a mão, será para eles natural fazer o mesmo na nossa ausência.

Resta-nos ser bons exemplos.

Pedir ajuda.

Dar ajuda.

Ter medo e ir em frente mesmo assim.