Regras da casa

Cá em casa:

Limpamos os pés antes de entrar.
Damos abraços apertados e beijinhos repenicados.
Pedimos desculpa e perdoamos.
Somos sinceros.
Damos saltos e cambalhotas em cima da cama.
Tomamos banho com o cavalo marinho, os bebés e as bonecas como companhia.
Cantamos.
Lemos um livro todos os dias.
Dizemos disparates e temos conversas sérias.
Brincamos ao faz de conta.
Cuidamos das flores que trazemos do jardim.
Dizemos “bom dia” ao acordar, “boa noite, dorme bem, gosto de ti” ao deitar.
Damos beijinhos sem que nos peçam.
Rimos em voz alta.
Fazemos ataques de cócegas.
Pomos os bonecos a ver TV.
Inventamos histórias.
Damos bom dia ao sol, mesmo que ele esteja escondido atrás das nuvens.
Espreitamos a chuva e as poças que faz na escola do outro lado da rua.
Desejamos boa viagem aos aviões que vemos levantar voo do lado de lá da janela.
Ajudamo-nos.
Somos agradecidos.
Baixamos o tampo da sanita (pelo menos três terços dos moradores cá de casa… )
Limpamos o que sujamos.
Arrumamos o que desarrumamos.
Procuramos e encontramos coisas novas todos os dias no meio dos brinquedos.
Separamos o lixo.
Poupamos água.
Lavamos as mãos antes das refeições e os dentes depois de terminar.
Brincamos.
Não chamamos nomes (“feia”, má”) nem ameaçamos (“assim não gostamos de ti!”).
Não batemos.
Conversamos muito.
Pedimos opinião.
Ouvimos o que o outro tem para dizer.
Ninguém come uma bolacha sozinho.
Falamos sobre os amigos e a família.
Desenhamos.
Jogamos à bola.
Fazemos bolas de sabão.
Ouvimos música clássica e os hits do Panda.
Damos “mais cinco” e “brocks”.
Explicamos o melhor que sabemos.
Divertimo-nos todos os dias.
Ralhamos mas também elogiamos sempre que podemos.
Cultivamos a criatividade e a imaginação.
Falamos de sonhos.
Aceitamos e enfrentamos os nossos medos.
Damos as mãos para ir da sala ao quarto.
Dizemos “gosto de ti” a toda a hora.
Somos todos importantes.

Partilhamos uma peça de roupa quando está frio, um abraço só porque sim, um pedaço de pão quentinho, as tarefas.

Partilhamos a vida.

Partilhamos o amor.

Respira fundo, tu consegues.

Eu sei que o teu filho está a gritar no meio do supermercado, mesmo depois de ter lanchado, dormido e brincado. Estás no lugar daquela mãe que sempre juraste que nunca virias a ser e, para piorar, sentes que fizeste tudo bem.

Ou que se mandou para o chão no jardim a meio de uma brincadeira.

Ou que entrou no quarto, viu alguma coisa de que não gostou e começou a chorar copiosamente.

Eu sei que estás a falar com calma, até estares a falar com menos calma do que gostarias.

Eu sei que o teu filho não está a ouvir-te, apesar do esforço monumental que estás a fazer.

Que estás a olhá-lo nos olhos e à espera que isso seja suficiente para o lembrar que estás ali, com toda a paciência do mundo, mesmo ele não estando a demonstrar uma grande solidariedade para contigo.

Eu sei que te apetece virar costas e fingir que não é nada contigo.

Que parece que mais vale dizer “desisto” e deixar que ele se canse.

Que já te baixaste para falar ao mesmo nível que ele, que não levantaste a voz nem a mão e, mesmo assim, não parece ter resultado.

Eu sei que perdeste a paciência e acabaste por o puxar por um braço para o canto para, pelo menos, as pessoas deixarem de olhar para ti como quem sabe tudo, como quem resolveria aquilo num ápice.

Eu sei que sentes culpa por não conseguir sempre dar a volta à situação.

Que gostavas que a tua voz tivesse um efeito calmante imediato.

Que o teu filho fosse tão teu amigo nessas situações como tentas ser amiga dele.

Sei que gostavas que o caminho não tivesse sobressaltos. Ou pelo menos que os sobressaltos não te deixassem com a cabeça à roda, a dizer o que não querias, a sentir-te menos do que deverias.

Sei disso tudo e sei que tentas.

Que dás o teu melhor.

Que às vezes achas que não és capaz.

Que choras sozinha no duche ou ao adormecer.

Que partilhas o que sentes, mas desvalorizas e brincas com a situação para não te doer mais no peito.

Que juras que para a próxima vez já tens a solução mágica, já sabes o que vais fazer e dizer.

O que tu não sabes é que não és a única.

Todas as mães sofrem destes sintomas, por este ou por aquele motivo.

Não há filhos perfeitos e mesmo os mais bem comportados, os melhores alunos, os mais espertos, levantam desafios inimagináveis.

Sei que às vezes queres fechar os olhos por mais de dez segundos e fazer o ruído desaparecer… Mas não te esqueças que à tua frente está uma criança a aprender como se deve agir enquanto adulto. E tu és o seu adulto de referência.

Por isso, respira fundo. Tu consegues.

Afasta o mau humor, o mau feitio (teu ou dele), as energias negativas e tenta.

Não deixes de tentar porque nisto da maternidade às vezes é o teu filho que aprende contigo, noutras és tu que aprendes com ele.

E serão mais os dias em que adormeces a lembrar-te de como cantou aquela música pela primeira vez sem ajuda. Em que no supermercado te ajudou a escolher os legumes. Em que no duche reparou que te tinhas esquecido dos chinelos e tos levou até à banheira.

Se precisares, tira nota: os dias maus existem para que possas dar (sempre) mais valor aos bons.

Elogia em público, corrige em casa

Enaltece em público as virtudes dos teus filhos, elogia-os quando merecem, mas corrige-os num ambiente privado, sem humilhar. Os gritos e reprimendas em voz alta e as comparações recorrentes com outras crianças destroem a autoestima de uma criança.

O tema sobre como corrigir as nossas crianças quando estamos em público é um assunto complexo e delicado. Existem mães e pais que, simplesmente, não hesitam em criar uma cena à base de gritos e críticas, sem pensar nas consequências que isso pode ter. Um mau comportamento, um disparate ou uma resposta parva, por vezes desencadeia um drama difícil de esquecer.

Além disso, também existe outro tipo de situação realmente particular. Vejamos um exemplo: vamos com nosso filho para o shopping e, por qualquer razão, o seu comportamento não é o ideal. No mesmo instante, surgem os olhares reprovadores à nossa volta, como aves observadoras à espera do castigo. À espera da disciplina férrea como se, com uma palavra tudo ficasse resolvido.

Se não atribuímos o castigo que os outros lhe acham devido, somos rotulados como “mau pai” ou “má mãe”, porque a nossa criança portou-se mal e nós não agimos em conformidadeEssa pressão social, em algumas ocasiões, não pesa os complexos labirintos que envolvem criar um filho, ou inclusive as particularidades de cada criança. É preciso disciplinar, sem dúvida, e devemos corrigir, mas é preciso fazê-lo bem. Disciplinar é um trabalho continuo que deve começar em casa. Perante situações pontuais devemos resolver a birra ou atitude sem humilhar, e em privado voltar a falar sobre o que se passou, de forma a corrigir e evitar nova situação idêntica.

É imprescindível educar com inteligência, com carinho, intuição e com o suficiente acerto para não ferir, nem para intensificar ainda mais as emoções negativas.

Em qualquer relação pessoal a pessoa que usualmente corrige ou chama a atenção em público com um tom acusatório, depreciativo e irónico, está a ferir emocionalmente o outro, e com os filhos acontece exactamente o mesmo.  Um patrão que recrimine o empregado à frente dos colegas nunca será um bom líder.

E imprescindível fazer uso da Inteligência Emocional. Um ralhete à frente de terceiros abala a nossa autoestima e é, acima de tudo, uma humilhação pública premeditada e sem anestesia. Se cada um de nós tivesse a sensibilidade adequada e empatia, compreenderíamos que existem fronteiras privadas que não devemos cruzar.

Na educação o assunto é ainda mais doloroso. Alguns professores, por exemplo, têm o péssimo hábito de corrigir os erros dos alunos à frente da turma e num tom depreciativo: “de certeza que nunca irás passar na minha disciplina”. Por outro lado, muitas mães e muitos pais tendem a tecer os seus filhos através dessas agulhas afiadas com o fio da má pedagogia.

Um erro comum é comparar o comportamento de um filho com o do irmão ou de outra criança qualquer :“o teu irmão traz sempre boas notas”, “és sempre o mais mal comportado da turma”.

  • Mesmo assim, comentar com terceiros aspectos pessoais ou comportamentais dos filhos, à frente do próprio filho como se ele estivesse ausente, é um costume comum que afeta diretamente a autoestima das crianças. É preciso levar isso em consideração.
  • Corrigir aos gritos focando exclusivamente o erro cometido, mas sem educar e sem orientar ou apresentar uma solução para corrigir, é uma estratégia pouco pedagógica que é obrigatório evitar.

Corrige, orienta, disciplina, impõe limites, mas sempre com calma e paciência, em particular e sem atacar e ferir.

Isso quer dizer que devemos ser “passivos” quando nossos filhos se portam mal em público? Claro.

A típica “palmada na hora certa” que alguns defendem para travar a conduta intempestiva de uma criança, é na verdade o caminho mais rápido para intensificar a raiva e/ou as emoções negativas. Bater não educa, fere e deixa marcas internas, tal como os gritos ou as reprovações do tipo “não tens remédio” ou “não sei o que é que hei-de fazer contigo”.

Para aplicar a disciplina em público, se a ocasião nos obriga a isso, temos de ter em conta os resultados a longo prazo na criança.

Segundo um estudo feito pelo “Family Research Laboratory” da Universidade de Hampshire, repreender os filhos em público deixa sequelas para toda a vida. Intensificam-se tanto as emoções negativas que essas crianças terão no dia-a-dia tendência para apresentar um conduta
desafiadora. Pois bem, vale a pena ter em mente os seguintes conselhos:

  • Deixa de lado as opiniões alheias.
    Não te sintas pressionado/a por quem te rodeia no momento, que estejas no supermercado, no médico ou na rua: não são eles a quem deves demonstrar que és um bom pai, uma boa mãe, mas sim ao teu filho.
  • Não te deixas levar pela frustração.
    Usa a tua Inteligência Emocional e tenta compreender o que se passa com o teu filho/a e o porquê dessa conduta.
  • Em vez de dares uma ordem com um grito, oferece opções que façam com que a criança reflicta

Lembra-te que as crianças são feitas de um material muito delicado. Por vezes vivem num mundo emocional caótico e explosivo: no entanto, a nossa tarefa é descomplicar, aliviar, oferecer estratégias de controle e autoconhecimento para que cresçam felizes

Sê paciente e compreende as emoções dos teus filhos. Aquilo que te ofende, também ofenderá o teu filho. Lembra-te que é sempre melhor elogiar em público e corrigir em particular, mas sem ofender ou ferir.

 

Por Valeria Amado, adaptado por UpTo Kids®, original em A mente é maravilhosa

Eu detestava erros. Sentia-me mal quando os cometia, desde a nódoa na camisola quando estava quase a sair de casa, à resposta lá se foi o queijinho no Trivial Pursuit. Quando eles aconteciam e, os erros acontecem todos os dias, parte de mim sentia que falhava e que não correspondia às expectativas que alguém, inclusive eu, tinham de mim. Foi por isso que decidi investigar melhor porque me sentia assim e, deliberadamente decidi inscrever-me em certas coisas em que certamente iria ser a pior da turma. Dança do ventre, lá vou eu! Tudo para a esquerda e eu a abanar-me para a direita. Gira, gira, gira… onde é que foram todos?? Quanto mais me enganava, mais me ria. Quanto mais me ria, mais me libertava. Quanto mais errava, mais perdia o medo de errar. Quando perdia o medo, mais arriscava e mais aprendia sobre mim e sobre a tarefa em questão.

O Eduardo Briceño escreveu um artigo muito interessante sobre os erros. Um dos meus erros favoritos são os erros que nos esticam. Estes erros surgem quando estamos a tentar expandir as nossas atuais habilidades sem ajuda e esticamos para atingir outro patamar, como o nível seguinte de um jogo de computador. Os erros acontecem naturalmente porque estamos em terreno novo em que nos desafiamos e aprendemos novas habilidades e capacidades.

96% das vezes em que o pequeno catita comia a sopa fazia uma obra do Jackson Pollock no babete. Um dia disse “Mamã, já não preciso do babete.”TCHAM TCHAM senhoras e senhores vem lá um erro que estica! Tirei-lhe o babete, ele comeu a sopa e quando acabou fomos ver ao espelho: apenas uma pequena pinta na camisola. Reparei que durante o processo estava com muito mais atenção à colher, ia avaliando até onde a podia encher para a sopa não cair e, em geral muito mais focado no seu desafio. De dia para dia foi melhorando a técnica e diminuindo as nódoas. Acho até que ele cresceu uns 5 cm só a comer sopa!

Estes erros são mesmo muito positivos e devem ser estimulados nos nossos pequenos catitas. São eles que devem definir a sua zona de desenvolvimento proximal, ou seja, a zona ligeiramente além do que já conseguem fazer sem ajuda e que representa o nível ideal do desafio de aprendizagem.

Outros erros igualmente importantes no processo de aprendizagem são os erros AHA- acabei de descobrir porque isto correu mal. Surgem quando perante determinada situação cometemos um erro por falta de conhecimento ou informação e, no momento em que acontecem percebemos imediatamente o que está de errado ali. Por exemplo, atirar-me para cima de um skate e perceber AHA não sei travar. Uma boa forma de aprender com eles é fazer a pergunta “O que posso fazer de diferente na próxima vez?”

Depois temos os erros trapalhões. Estes surgem quando estamos a fazer algo que já dominamos mas estamos completamente distraídos. Acontecem porque somos humanos mas se forem muito repetitivos pode ser uma pista para aumentarmos a nossa capacidade de foco e atenção.

Aprender com os erros e desafios estica-nos e faz-nos aprender muito sobre nós. Esta aprendizagem não é automática, só aprendemos com os erros se refletirmos sobre eles e não os encararmos como inimigos ou focos de vergonha. Ensinar o teu filho a errar é maravilhoso para ele e para ti. Vai ajudá-lo a ir mais longe na sua viagem, a encarar a vida com curiosidade em vez de medo e, a ser mais tolerante consigo e com os outros. Vai desenvolver a criatividade, a resiliência e a autoestima. Vai ensinar-lhe que ele pode crescer todos os dias mais uns bons cms enquanto erra, tropeça e ri.

Errar, afinal, não é assim tão errado.

Hábitos dos pais positivos

Felizmente, é cada vez maior o número de pais que procuram soluções mais positivas para a educação dos seus filhos. Felizmente cada vez mais são os pais que procuram soluções mais naturais, conscientes, pacificas  – enfim, mais humanitárias – quando se trata de lidar com os seus filhos. Pais que procuram ser mais justos, mais motivadores.

Pais que querem deixar um legado positivo na vida dos seus filhos.

Numa sociedade que não olha para as crianças como iguais, ainda há um longo percurso a fazer. Um percurso diário, um trabalho interior intenso de gestão emocional. E isso não se aprende na escola. Não seria maravilhoso Gestão de Emoções ser uma disciplina de base desde o ensino pré-escolar? E uma cadeira obrigatória em todas as Universidades? Que pais tão diferentes seríamos.

A infância é a base de tudo na nossa vida. Se optarmos por educar os nossos filhos através de estímulos negativos, essa é a forma como o seu cérebro se vai desenvolver. A forma como nos expressamos, como nos dirigimos aos nossos filhos, o que lhes dizemos, torna-se não apenas o seu diálogo interior, mas a forma como se vêm a si próprios, os outros e o mundo. Colheremos – e eles mais do que nós – aquilo que semearmos. Se optarmos por ajuda-los a crescer de forma positiva, motivando-os e encorajando-os, tornar-se-ão jovens e adultos com uma estrutura emocional forte, levando consigo esse legado ao longo da sua jornada.

Para sermos pais positivos, precisamos de acreditar nos nossos filhos e trata-los como iguais. Escutá-los e deixá-los ter uma voz nas decisões grandes e pequenas, assuntos grandes e pequenos. Desde que as crianças são muito, muito pequenas. Observar mais do que intervir, guiar mais do que mandar.

Para sermos pais positivos, precisamos de compreender que cada criança é um individuo independente de nós. Cada um com a sua personalidade e a sua forma de contribuir positivamente para o ambiente. Não comparar o que não é comparável. Somos todos únicos. Para sermos pais positivos precisamos de aprender a ensinar através do exemplo, olhando para os nossos filhos como parte da equipa.

Para sermos pais positivos, precisamos redefinir o conceito de amizade, estando lá nós mesmos – prontos para ajudar, escutar sem julgar – nos momentos mais difíceis. Desde a primeira infância. Para sermos pais positivos precisamos aceitar os nossos filhos por aquilo que são- não tentando moldá-los ou mudá-los para como gostaríamos que fossem. Para sermos pais positivos, precisamos de usar o diálogo como catalisador para ampliar emoções e a inteligência dos nossos filhos. Para sermos pais positivos, precisamos de redefinir as nossas prioridades, de compreender que  as crianças precisam de mais do nosso tempo, mais da nossa tolerância, mais do nosso respeito, mais da nossa calma, menos da nossa aprovação. Os nossos filhos precisam de nós, como pilares, como guias, como seus parceiros na aventura da vida. As crianças precisam de nós como seus melhores amigos e apoiantes incondicionais.

Para sermos pais positivos, precisamos de curar os nossos corações, libertar nossas almas e desobstruir o nosso espírito das nossas próprias dores. Precisamos de resolver os nossos próprios problemas, medos, ansiedades e frustrações, a fim de proporcionar às crianças o valor de calma, respeito, compreensão e segurança que eles merecem e precisam.

Para sermos pais positivos, precisamos de deixar de tomar os nossos filhos como garantidos. Eles são as pessoas por conta própria. Com desejos, paixões e necessidades. Não importa a idade da criança, todas as crianças têm coisas para ensinar-nos.

Para sermos pais positivos, precisamos de aprender a escutar todas as perguntas que os nossos filhos nos fazem. Todas as perguntas são válidas. E são muito válidas para quem as faz. E todos as crianças têm direito – tal como nós – a questionar. A nunca deixar de questionar. Somos pais mais ricos quando permitimos que os nossos corações e as nossas vidas sejam tocadas e enriquecidas pela sabedoria das crianças.

Para sermos mais positivos, precisamos de aprender a pedir desculpa. Pedir desculpa é um dos actos de ouro da parentalidade positiva. Pedir desculpa é um dos atributos mais significativos dos pais positivos. Sermos corajosos o suficiente para reconhecer as nossas próprias falhas e aceitar que também cometemos erros. Os pais ricos são gratos pelos seus filhos.

Sermos grato é um dos maiores segredos dos pais positivos. Sermos gratos pelos nossos filhos estarem na nossa vida. Quando estamos gratos, afastamo-nos de todos os sentimentos de controlo. Quando praticamos a gratidão abrimo-nos à nossa voz interior, a voz que nos conecta com nosso eu, onde os nossos pensamentos são invadidos pelo nosso propósito enquanto pais, entregando os nossos corações e oferecendo a nossa vidas para o propósito de servir.

Para sermos pais positivos nunca podemos desistir dos nossos filhos, especialmente nos momentos mais difíceis. Mesmo que nos sintamos desiludidos. Precisamos de acreditar no potencial infinito da espécie humana. Nunca podemos desistir dos nossos filhos. Independentemente dos problemas, das condições, dos desafios. E nunca podemos desistir de nós mesmos enquanto pais. Apesar dos problemas, as situações. Apesar dos desafios. Todo o sucesso depende da persistência, da flexibilidade, da abertura para aprender.

E também de sabermos que se semearmos amor, harmonia e felicidade no coração dos nossos filhos, a semente brotará amor, harmonia e em felicidade.

Por não conseguirmos vê-la, não significa que não esteja lá.

 

Porque exigimos tanto dos nossos filhos?

Como pais não temos de ser infalíveis. Mas temos a responsabilidade de sermos melhores pessoas a cada dia. Queremos um mundo mais justo, queremos mais amor, mais respeito, mais harmonia, mas será que estamos dispostos a dar tudo isto?

Nós próprios precisamos de fazer o nosso trabalho de casa. Precisamos de aprender a deixar de educar em auto piloto. Ter filhos não e apenas tê-los. É um compromisso para a vida. É como gerir pessoas numa empresa. Temos de ser bons líderes e não patrões. Todos sabemos a diferença entre um patrão e um líder. E todos sabemos, também qual deles preferimos ter.

Uma das grandes diferenças entre um patrão e um líder e que o patrão manda, o líder convida e envolve. O líder sabe que é parte integrante nas responsabilidades. Para dar o exemplo inclui-se nelas, concentra-se em soluções, não nos erros. Aceita os erros como fazendo parte do processo, mas poucas ou raras vezes o refere. Aceitar erros, motivar, ensinar sem bloquear, guiar sem envergonhar. Respeitar a natureza de cada um e trazer ao de cima os seus talentos, valorizando aquilo que consegue fazer. Um líder olha para o Cenário Geral.

Se tivermos optar por ser patrões ou lideres dos nossos filhos, optemos por ser líderes. Ser um bom líder pode ter os seus momentos desafiantes, especialmente quando ainda existem tantos mitos que influenciam a forma como educamos os nossos filhos. Mitos que tem despertado, ao longo de gerações, sentimentos enganadores que vão corroendo e afectando dramaticamente as fundações da casa que somos cada um de nós.

Curioso pensar que quando são bebés, damos aos nossos filhos tudo o que querem. Preocupamo-nos com tudo o que precisam e tentamos ao máximo dar-lhes. Se querem mamar, damos de mamar, se choram porque querem colo, damos colo. Porque será que a partir do momento que se começam a manifestar – se mais activamente – quando começam a andar, a falar, a querer – achamos que é hora de imediatamente balizar, ser rigorosos, não deixar, mandar, proibir, e até punir?

As crianças, como qualquer um de nós, querem apenas ser quem são. E querem ser respeitados nas suas necessidades, ideias e vontades. Porque insistimos em achar que elas querem mais do que apenas ser elas próprias? Porque exigimos tanto dos nossos filhos?

Estamos nós dispostos a dar-lhes a elas – a nós próprios e ao mundo – o que exigimos?

Os nossos filhos precisam de melhores liderem. Não de patrões. Preocupamo-nos tanto que saibam cumprir regras, em obedecer, em ficar quietos, calados quando um adulto fala, que nos esquecemos de ser flexíveis. Assim como gostamos que sejam connosco.   Temos medo. E o medo apodera-se de nós. Temos medo que não sejam autónomos se dormirem connosco, temos medo que não saibam comer sozinhos se lhes fizermos um miminho dando a comida na boca quando estão mais cansados. Temos medo que fiquem doentes, temos medo que não saibam controlar, temos medo que não tenham boas notas. Temos medo. E o medo rege todo o nosso percurso.

Os nossos filhos precisam que brinquemos com eles ao que eles gostam de brincar. Não àquilo que nos faltou brincar na nossa infância. Precisam que aceitemos todos os sentimentos que têm, mesmo que não saibamos lidar com eles. Temos de aprender.

Bons lideres confiam e dão ferramentas para que os colaboradores tragam ao de cima o melhor de si. Os bons lideres escutam e valorizam as opiniões e ideias dos outros – SEMPRE – e não apenas quando lhes convém, em vez de imporem as suas próprias ideias.

Bons lideres reinventam o tempo, mesmo que para isso tenham de abdicar dos seus próprios interesses, preocupações ou assuntos. Bons lideres são flexíveis e compreendem que as emoções e a motivação estão na base de toda a produtividade.

Os nossos filhos não precisam de pais infalíveis, mas precisam – e pedem-no permanentemente – de pais compreensivos, respeitadores, motivadores e que os seus sentimentos sejam considerados, ouvidos e aceites. Pais que os aceitem como eles são. Não pais que os queiram mudar e adaptar àquilo que eles não chegaram a ser.

Reformatar o nosso chip parental e um processo. E é um processo que está ao alcance de todos que queiram nele embarcar. E um processo de avanços e recuos progressivos que apenas dependem das nossas escolhas diárias. Que despendem de nós.

Se esperamos que as coisas mudem a nossa volta sem que nós próprios mudemos os nossos hábitos, as nossas ideias, os nossos pensamentos e os nossos sentimentos, os nossos comportamentos, isso será improvável.

Se não nos transformarmos por dentro, nada se transformará à nossa volta.

A infância é a fundação da casa que somos. Se formos rígidos, educaremos pessoas rígidas e inflexíveis. Se educarmos para a tolerância e para a integração, promoveremos pessoas tolerantes, cooperantes e com vontade de ajudar.

Basta olharmos para dentro, para o nosso espelho interior para compreendermos  isto.

imagem@huffingtonpost

 

Bater num adulto é agressão, num animal é crueldade, numa criança é educação

Ser pai e ser filho, dois desafios tão diferentes

“Aos pais se pede tanto, e se lhes dá tão pouco.

Se estas palavras da psicoterapeuta familiar Virginia Satir eram verdadeiras na década de 80, continuam tão ou mais válidas nos dias de hoje.

Aos pais pede-se­ corpo e alma na educação dos filhos, mesmo quando o corpo se desdobra e dá de si e a alma, essa essência de estar vivo, é estar vivo para os filhos e pouco mais. Do lado dos filhos, um dos grandes desafios é o aprender formas saudáveis de socializar. De estar em relação com os outros, na existência de regras e limites e, em simultâneo, afeto.

Uma coisa é certa: existem tantas formas de se ser mãe ou pai, quanto de se ser filho ou filha. Não existe apenas uma correta, mas existem formas de relação positivas entre pais e filhos que promovem um crescimento individual e relacional, outras não tão positivas e que acabam por trazer mais preocupações, mais dificuldades na gestão dos comportamentos e do reconhecimento da autoridade dos pais. A autoridade, reconhecida e não imposta, tem sido um dos desafios com os quais muitos pais lidam. Também eles trazem modelos das gerações anteriores, uns mais bem-sucedidos do que outros.

A questão mantém­-se: é possível mostrar aos filhos os limites e regras com que se vive as relações humanas sem, no entanto, recorrer à punição física?

O que sabemos sobre os efeitos da Punição Física na criança e nos pais?

“Os meus pais também me bateram quando era pequeno, e no entanto tanto eu como os meus irmãos crescemos sem problemas nenhuns”.

Este é um argumento comum que justifica, para muitos pais, bater nos filhos, com maior ou menor frequência. No entanto, bater não está associado a melhorias no comportamento ao longo do tempo. Não só coloca os pais num nível de adrenalina e stress elevado. Também transmite à criança a ideia de que o corpo não é seu, é propriedade dos pais, não podendo ser negociada a forma como querem ser tratadas.

Estudos indicam que em adultos punidos fisicamente durante a infância, a probabilidade de valorizarem positivamente um comportamento violento aumenta, seja contra o filho ou contra o atual parceiro (Gershoff & Grogan-Kaylor, 2016).

“Nem doeu!” ­ Uma rápida escalada, não só de violência…mas de culpa

Um dos grandes problemas da punição corporal é a facilidade com que os limites definidos pelo próprio educador são ultrapassados, sem que este sequer se aperceba. É muito frequente, nos pais com quem se trabalham estes temas, eles próprios estarem dessensibilizados para o grau de violência que utilizam. Tal acontece porque se forma um ciclo em torno do comportamento da criança e da resposta que é dada por parte do adulto.

A punição corporal leva frequentemente a que o comportamento desadequado se mantenha ou até aumente. Isto resulta num aumento da frequência do castigo corporal, levando a mais situações de comportamento desadequado.

Palmada vs alteração de comportamento

A mãe repreende o filho por correr na loja em que fazem compras. O filho não presta atenção e continua. A mãe, frustrada, dá uma palmada ao filho. Este não aprendeu necessariamente porque é que correr na loja é mau. Apenas sabe que não gosta de levar uma palmada. O comportamento vai manter-­se, se não em loja, noutros contextos. A mãe utiliza a palmada e, vendo que o comportamento continua, pode aumentar a frequência e/ou intensidade da punição até obter os resultados desejados. O comportamento do filho, no entanto, piora. É um ciclo em que violência gera violência. Mais importante, e talvez menos abordado nestes termos, o ciclo amplia as desvantagens para pais e filhos.

Os pais, cada vez menos eficazes em controlar o comportamento da criança, desenvolvem com frequência sentimentos de culpa, por não se sentirem capazes de educar os filhos sem bater. Por parte da criança, com a frequência do castigo corporal, desenvolve uma imagem negativa de si enquanto filho. Vê-se como o “mau filho” ou “o filho desobediente”, com um impacto negativo na sua auto­estima e personalidade.

No final, cada palmada ou bofetada confirma aos pais o fraco controlo e ineficácia da sua parentalidade. À criança é confirmado o fraco controlo sobre o seu próprio corpo, que pode ser invadido a qualquer altura, bem como o comportamento desadequado passa a fazer parte da imagem que têm de si mesmas.

A investigação com crianças e pais

Uma das mais importantes revisões de literatura neste campo publicada este ano, registou dados sobre punição corporal em cerca de 160,000 crianças (Gershoff & Grogan­Kaylor, 2016).

Desta revisão concluiu­-se que:

  • a punição corporal está associada a um maior risco de comportamentos agressivos e antissociais.
  • mais problemas de saúde mental.
  • e uma relação pais-filhos mais negativa.

Este é um resultado explicado, em grande parte, pelo facto de os pais serem os principais responsáveis por ensinar aos filhos formas de se relacionar com os outros (e.g., Maccoby, 1992).

Talvez o resultado mais importante desta revisão tenha sido o de que, mesmo quando removidas as formas de punição mais severas e o abuso físico, deixando apenas a punição corporal nos seus moldes mais simples (palmadas nas nádegas, por exemplo), esta se revela associada a resultados negativos para as crianças. Ou seja, mesmo a palmada, pode ter efeitos negativos no desenvolvimento saudável da criança.

Porque é que bater persiste?

Nas palavras da Doutora Maria Amélia Azevedo, coordenadora do Laboratório de Estudos da Criança (LACRI):

“Bater num adulto é agressão, num animal é crueldade, como você pode dizer que bater numa criança é educação?”.

O castigo físico persiste, por ter resultados aparentemente imediatos (cessa o comportamento da criança) e por ser fácil de aplicar. No entanto, punições corporais não oferecem à criança oportunidade de refletir sobre as suas ações. Nem ensinam a distinção entre o certo e o errado, levando-­a a agir (ou não) apenas por medo da punição. A investigação demonstra que apesar de conduzir a uma obediência imediata, existe um decréscimo na obediência a longo prazo (Gershoff, 2002).

Só a convivência e o tempo investido pelos pais no diálogo possibilita uma base afetiva em que os filhos reconhecem nos pais alguém que se preocupa, que ouve e, mais importante, um modelo a seguir. Isto é importante pois ao longo do desenvolvimento do seu filho, ele precisa de aprender a decidir e a regular o seu próprio comportamento.

Quais são as possíveis alternativas à punição corporal?

Aqui ficam algumas sugestões para pais, mães, ou responsáveis pela educação e desenvolvimento de uma criança:

– Utilize o diálogo sempre que possível.

Falar com uma criança sobre que comportamentos são aceitáveis e quais não são tem, de longe, muitos mais benefícios do que a punição corporal. Garanta que lhe explica o porquê de um comportamento ser desadequado ou perigoso. Ao fazê-­lo está também a transmitir-­lhe uma mensagem importante: o diálogo é uma ferramenta crucial para resolução de problemas, ao contrário da violência, que cria distância entre as pessoas.

– Crie oportunidades educativas.

A existência de diálogo não invalida que se sigam outros métodos de disciplina eficazes. Se tiver de disciplinar, procure castigos não físicos e crie, se possível, oportunidades educativas. Por exemplo, dar ao seu filho tarefas domésticas extra ou colocá-­lo a arranjar algo que tenha quebrado.

Talvez uma das técnicas mais utilizadas e familiar aos pais seja o retiro de benefícios (não jogar durante uma semana). Não há nada de errado com esta forma de disciplina. Os resultados podem ser melhores se a aplicação for ponderada e firme. Se proibiu o seu filho de utilizar o computador durante uma semana, já terá pensado sobre quão adequada é a duração do castigo. É recomendado que o mesmo seja cumprido nos moldes por si definidos.

– Utilize consequências como uma forma eficaz de disciplina.

Tal como os adultos, as crianças aprendem com base no que experienciam. As consequências das suas decisões, quando vividas, possibilitam oportunidades de aprendizagem únicas para o desenvolvimento de responsabilidade. Tal exige que os pais permitam aos filhos experimentar as consequências naturais destas decisões (ex. Se não comes o que tens no prato, eventualmente ficarás com fome; se estragaste os teus brinquedos/computador, não poderás divertir­-te com eles).

Em várias ocasiões os pais protegem os filhos, no entanto algumas formas de proteção podem privá-­los de oportunidades para serem responsáveis e aprenderem que as suas ações têm consequências. Ao deixá-lo experienciar as consequências das suas ações está a dizer-­lhe que é capaz de tomar as suas próprias decisões.

Não deve utilizar este método de disciplina se colocar em risco a saúde ou segurança da criança.

Cabe­-lhe a si decidir que consequências naturais dos atos do seu filho serão uma boa oportunidade de aprendizagem. A chave é manter­-se calmo e não se envolver demasiado, deixe que o seu filho experiencie as consequências que decorrem naturalmente dos seus comportamentos. Por fim, seja paciente pois nem sempre os resultados são imediatos, mas quando surgem são duradouros!

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Slow Parenting | Pais sem pressa

Sais do colégio direta para a natação, da natação direta para o balet, do balet, música, pintura, inglês, etc. Chegas ao fim de semana e andas de festa de anos em festa de anos. A agenda dos teus filhos está a levar-te  à loucura. Sentes que precisas de acalmar. Já ouviste falar em “Slow Parenting”?

O movimento “Slow Parenting”, em Português “Pais Sem Pressa”, começou nos Estados Unidos e, muito resumidamente, significa desacelerar a rotina dos pais para desacelerar a dos filhos.

Vivemos num mundo tão apressado que muitas vezes sentimos ansiedade para estimular e preparar os nossos filhos para serem os melhores em tudo. E há ainda a corrida materna (de loucos!) que somos diariamente bombardeadas com perguntas de outras mães como: “O teu filho ainda não anda? Ahh não? O meu com essa idade já corria!”. Mas qual é a vantagem disso? Para quê acelerar o desenvolvimento dos nossos filhos? Será que eles estão felizes?

Claro que achamos que devemos estimulá-los, mas tudo deve ser feito com peso e medida. Sem querer antecipar fases e, acima de tudo, sem os pressionar desnecessariamente. Há que respeitar o tempo de cada criança, encontrar o equilíbrio entre as atividades e o que realmente faz com que os nossos filhos sejam crianças felizes.  E é exatamente isso que o movimento “Slow Parenting” defende. Por uma melhor qualidade de vida.

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Uma das forças maiores na nossa mentalidade, que tem viajado ao longo dos tempos é de que os filhos devem obediência aos pais. Mas queremos que eles nos obedeçam ou que nos respeitem? É que existe uma linha que separa a obediência do respeito. E cada uma delas assenta em dois pilares diferentes. Pilares que não se complementam e que muitas vezes se confundem entre si. O pilar da obediência assenta no medo. Se fizeres isto, acontece-te aquilo. Se não fizeres o que te digo, acaba-se logo a brincadeira. De generoso  – e de ensinamento  –  isto tem muito pouco. De que forma aprendemos? Como é que enraizamos conhecimento? Pensemos um pouco sobre isto. O que é que nos leva a agir como agimos com os nossos filhos? Será que agimos de certa maneira por causa deles? Ou será por causa de nós? Aprendemos quando alguém nos repreende ou quando alguém nos apoia? Quando alguém nos grita ou quando nos faz pensar? Aprendemos mais com alguém de quem temos medo ou com quem nos inspira? E isto aplica-se às mais pequenas coisas. E às maiores também. Há várias formas de fazer a mesma coisa. E é importante lembrarmos que as palavras que usamos, a forma como falamos tem um impacto profundo em quem recebe a nossa mensagem. E nós não queremos que os nossos filhos tenham medo de nós. Se tiverem medo, ao contrário do que possamos pensar, não irão confiar em nós. O pilar do respeito assenta no amor. A obediência diz: Não penses. Faz. O respeito diz: As razões pelas quais é importante fazeres são… Obedecer é fazer o que o outro diz sem questionar. Ter de obedecer é ser coagido a aceitar as coisas sem ter a possibilidade de entendê-las, de questioná-las, de conhecer as suas causas, as suas razões. Obedecer é uma acção passiva. Obedecer implica subordinação da vontade, obriga ao cumprimento de um pedido ou de uma ordem de forma cega e imponderada. E nós queremos que os nossos filhos aprendam a pensar pela sua própria cabeça. Só assim conseguirão ser completamente autónomos.

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A maioria dos pais querem o melhor para seus filhos. Mas, quando se trata de disciplina, alguns equivocamente usam a força física para punir ou intimidar. Sejamos honestos: nada justifica bater e magoar desnecessariamente as crianças e nem sequer é aceitável.

O governo australiano ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança (1989). Ou seja, a Austrália coloca as crianças como pessoas com direitos. Chegou a vez do governo Australiano juntar-se outros 33 países “esclarecidos” do mundo, e banir o castigo físico de crianças em todas as suas formas.

A proibição bem sucedida na punição física das crianças deve ser acompanhada de uma campanha de sensibilização para apoiar e educar os pais que batem nos filhos a mudar a atitude ultrapassada da “palmada”.

Os malefícios do castigo físico

O castigo físico, mesmo quando é chamado de “disciplina” ou “palmadas”, pode causar danos a curto e longo prazo nas crianças. Hoje em dia sabemos, com base em investigações rigorosas, que a punição física e a adoção de comportamentos agressivos e violentos está directamente relacionada com alterações comportamentais e de saúde mental das crianças.

Sabemos também, intuitivamente, que bater e ferir pessoas desnecessariamente afeta o relacionamento social e a autoconfiança de um indivíduo. As nossas crianças são os adultos do futuro. A forma como tratamos os nossos filhos agora, irá afetar a sua saúde, autoestima e noção de bem-estar futuramente.

Mudar o comportamento

A Austrália tem estado na vanguarda de muitas reformas da saúde e segurança pública, tais como o uso dos cintos de segurança nos carros, o controlo do tabagismo e uso de preservativo, mas falta dar um safanão no que toca à punição física.

Mas o que fazer para que os pais mudem o seu comportamento – ou seja, parar de dar “palmadas” nos filhos?

Campanhas recentes e alternativas, tais como o grande sucesso animado educativo “Maneiras idiotas de morrer”, é um bom exemplo de como uma campanha de sensibilização pode ajudar a mudar mentalidades, atitudes ultrapassadas e comportamentos de risco. Neste caso, o vídeo promove a segurança ferroviária para os jovens através de anúncios em jornais, rádio, outdoors, redes sociais, etc. A campanha visa “envolver um público que não quer ouvir qualquer tipo de mensagem de segurança”.

Uma campanha de educação deste género, com apoios e incentivos para encorajar os pais a adotar métodos disciplinares positivos, poderia ser o suficiente para mudar comportamentos de risco na educação infantil.

Esta campanha poderia ser tanto contundente quanto inspiradora; retratando os impactos imediatos e possíveis do castigo físico através de palavras e imagens. Fornecer informações importantes sobre o desenvolvimento da infância e maneiras positivas de interagir e estabelecer limites razoáveis ​​para as crianças poderia ser um caminho.

Na Suécia, os castigos corporais e outras formas de tratamento humilhante a crianças foram proibidos em 1979, e foram distribuídos flyers informativos a todas as famílias e colocada a informação relevante nos pacotes de leite incentivando o diálogo entre pais e filhos.
Conclusão? A maior parte das famílias suecas praticam disciplina positiva, sem violência. As crianças são respeitadas, e os pais são valorizados e apoiados no seu importante papel como modelos para os seus filhos.

Alterar a lei

Alguns adultos responsáveis ​​irão voluntariamente modificar as suas atitudes e comportamentos à luz da evidência que os motiva. Mas a mudança comportamental, por vezes, só ocorre em resposta a legislação ou reforma da mesma.

Criar legislação pertinente em cada um dos estados e territórios da Austrália pode ser um caminho para remover explicitamente a “correção legal” e enviar uma mensagem clara aos pais de que o castigo físico já não é uma forma justificável de disciplina ou controle das crianças. As crianças terão a mesma proteção contra a agressão que os adultos.

Esta lei, exceptuando trivialidades, pretende proteger contra a criminalização dos pais que, ocasionalmente, dão uma palmada nos filhos, mas a punição física será fortemente desencorajada.

Dar voz às crianças

Bater e desnecessariamente e magoar as crianças degrada-as. Foi-lhes dada a oportunidade de comentar sobre a punição física, e as crianças dizem que dói fisicamente e emocionalmente.

Ao mesmo tempo, as crianças simpatizam com os pais que estão cansados ​​e stressados e que perdem o controle. Aceitam, mas questionam  a crença dos pais de que bater-lhes ensina-lhes lições positivas.

Muitos pais têm manifestado arrependimento por terem batido nos seus filhos – eles preferiam ter apicado meios alternativos de disciplina que não se transformam em raiva, lágrimas e ressentimento. Em casos extremos, o arrependimento dos pais é inútil, quando seus filhos ficam gravemente feridos – e alguns terminam com a morte da criança – porque um ensinamento não correu bem.

Recolhemos alguns comentários das crianças sobre o assunto que se revelaram muito esclarecedores. “Como os adultos são mais velhos, eles pensam que sabem mais coisas, mas às vezes não… Às vezes eles estão enganados” – 8 anos. Outra criança sugeriu que os adultos não “têm que bater, porque têm opção de escolha”.

Incentivar as crianças a falar sobre estas questões e ouvir o que têm a dizer, deve levar-nos a questionar as nossas perspectivas. Podemos até aceitar o que disse uma criança de 12 anos: “Não se devia bater nas crianças porque há uma maneira melhor…do que magoar alguém”

O castigo físico de crianças continuará a ser tolerado até que adultos esclarecidos reconheçam que as crianças não são menos dignas que os adultos.

As crianças têm direitos humanos relativamente à dignidade e ao respeito iguais aos de qualquer adulto, e merecem, no mínimo proteção igual ou até maior à agressão.

 

Em MedicalExpress, traduzido e adaptado por Up To Kids®, Todos os direitos reservados

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