O que é a Psicomotricidade?

A Psicomotricidade é uma prática de mediação corporal que permite à criança reencontrar e desenvolver o prazer sensório-motor através do movimento e da regulação tónica, possibilitando depois a apropriação dos processos simbólicos, com forte acentuação da componente lúdica.

Que tipos de intervenção psicomotora existem?

  1. Preventiva: estimulação e promoção do desenvolvimento, em crianças sem problemáticas de desenvolvimento;
  2. (Re)Educativa: estimulação do desenvolvimento psicomotor e do potencial de aprendizagem;
  3. Terapêutica: intervenção nos problemas de desenvolvimento, de aprendizagem e/ou do comportamento.

Para que crianças?

A intervenção psicomotora, de carater reeducativo e terapêutico, é dirigida a casos em que os processos do desenvolvimento e da aprendizagem estão comprometidas e em que estão frequentemente implicados problemas psicoafectivos, de base relacional.

O Psicomotricista intervém essencialmente com crianças com perturbações do desenvolvimento e aprendizagem, que resultam, essencialmente, de condições, como:

  • perturbação da coordenação motora e outras limitações do movimento;
  • perturbações do espetro do autismo;
  • défices da comunicação verbal e não-verbal;
  • deficiência intelectual;
  • dificuldades na aprendizagem dos processos simbólicos (leitura, escrita e aritmética);
  • dificuldades na gestão dos processos de atenção (seleção, focalização e coordenação de estímulos);
  • problemas de memória e perceção (identificação, discriminação e interpretação de estímulos visuais, auditivos ou tácteis); mutismo seletivo;
  • perturbação da hiperatividade e défice de atenção;
  • perturbação da oposição ou conduta; problemas emocionais (instabilidade emocional, baixa autoconfiança, baixa tolerância à frustração);
  • problemas de autorregulação do comportamento (impulsividade, agitação, desinibição, agressividade, oposição) ou outras funções executivas (capacidade de planeamento, capacidade de síntese e analise) e problemas psicomotores propriamente ditos. Por exemplo, dificuldades na regulação tónica, no equilíbrio, na estruturação espácio- temporal, na noção do corpo, na lateralidade, na motricidade global, na motricidade fina e na oculo-motricidade).

Quais os objetivos gerais de intervenção?

A intervenção psicomotora tem como objetivo promover a vivência harmoniosa da criança no seu corpo, com os outros e com o meio envolvente, estimulando e facilitando o desenvolvimento global da criança e, consequentemente, os processos de aprendizagem.

Os objetivos de trabalho irão variar de acordo com a idade, o tipo e a gravidade da situação, sendo que se salientam alguns objetivos gerais:

  • Motivar as capacidades sensoriomotoras através das sensações e relações entre o corpo e o exterior;
  • Desenvolver a capacidade preceptiva através do conhecimento dos movimentos e da resposta corporal;
  • Organizar a capacidade dos movimentos representados ou expressos através de sinais, símbolos, e da utilização de objetos reais e imaginários;
  • Ajudar a mobilizar os seus recursos individuais, reforçar a sua identidade para reconquistar a sua autoconfiança;
  • Fazer com que descubram e expressem as suas capacidades, através da ação criativa e da expressão da emoção;
  • Melhorar as suas respostas motoras e a sua interação pessoal, fortalecer a aquisição de estratégias de resolução de problemas, de acordo com as suas capacidades e potencialidades;
  • Criar segurança e expressar-se através de diversas formas.

Que atividades/técnicas são utilizados?

Pode recorrer-se a:

  • Jogos de exercício, funcionais ou motores, com função de harmonizar os gestos e aumentar a sua eficácia;
  • Jogos simbólicos ou de imaginação, que favorecem a passagem do nível sensório-motor ao nível da representação;
  • Jogos de construção, que têm a sua fonte nos jogos simbólicos e evoluem para uma adaptação mais precisa à realidade;
  • Jogos de regras caracterizados por determinadas obrigações comuns permitindo o desenvolvimento da cooperação.

Em suma, o objetivo da prática de Psicomotricidade centra-se na globalidade da criança, tendo em conta quer os aspetos funcionais, quer os relacionais.

 

Por Mariana Silva, Psicomotricista

“Se usada com bom senso a tecnologia pode ser uma ótima ferramenta… A negociação, mais do que a exigência unilateral, deve existir. O uso de tecnologias na cama é um enorme problema (presente na casa de muitas das crianças que acompanho). Pelo impacto negativo que tem no sono da criança/adolescente. “

Comecemos por refletir sobre quando deve a tecnologia ser apresentada aos mais pequenos e sob que forma…

Crianças pequenas, particularmente nos primeiros dois / três anos de vida, necessitam da exploração do mundo com as suas mãos. Necessitam da interacção social com cuidadores da sua confiança para o seu desenvolvimento cognitivo, motor, social e emocional. O seu cérebro é ainda muito imaturo, com competências limitadas quanto ao pensamento simbólico e à capacidade de concentração. Sendo os aparelhos digitais um fraco veículo de aprendizagens, quando comparados com as interacções com outros significativos. Nesse sentido, a exposição em idades precoces a aparelhos tecnológicos não acrescenta qualquer valor.

O contacto com os aparelhos tecnológicos deve depois ir sendo guiado, com bom senso, pelos pais e cuidadores. Evitando recorrer às tecnologias como amas tecnológicas, para manter as crianças quietas.

A melhor forma de pais e educadores conhecerem, controlarem e perceberem a adequação dos conteúdos é sentarem-se junto do filho e acompanharem o visionamento do vídeo, programa ou jogo, de modo a inclusivamente poderem dar resposta a questões que possam surgir. No caso da televisão pode ser útil limitar o acesso da criança apenas a canais cujo conteúdo seja conhecido e, à partida, ajustado ao nível de desenvolvimento da criança. No caso de sites a estratégia pode ser semelhante. Os videojogos, em princípio, serão mais fáceis de controlar dado que ou são os pais a comprar. Caso sejam oferecidos, antes de luz verde para serem usados, os pais poderão fazer uma pesquisa sobre os mesmos.

É possível que a criança não fique obcecada com a tecnologia?

Se uma criança for, desde pequena, educada no sentido diversificar os seus interesses e os seus passatempos e se a televisão e videojogos não tiverem sido usados como “amas tecnológicas” não é expectável que haja, à partida, um uso abusivo da televisão/computador/outras tecnologias. Também é importante o adulto recordar-se que é um modelo. Pelo que o uso que ele faz das tecnologias servirá de modelo à criança/adolescente. De que serve pedir que largue o telemóvel ou desligue a televisão se os pais estão “constantemente” dependentes dos mesmos?

Tecnologia no quarto? Talvez seja melhor não…

Mas tudo depende do uso que lhe é dado. Se uma televisão ou consola funcionar como uma ama tecnológica, para entreter a criança, para não incomodar os pais enquanto os pais fazem qualquer outra coisa, isso é errado. Se a criança na ausência da consola ou da TV não sabe como se entreter e fica com alterações bruscas e intensas de humor é porque algo de errado aconteceu no decorrer no processo de “apresentação” das tecnologias às crianças.

O uso ou presença de tecnologias no momento de fazer TPC é um grande problema.  

Dificultando a capacidade de concentração e diminuindo a motivação e eficácia do estudo.

O uso de tecnologias na cama é um enorme problema (presente na casa de muitas das crianças que acompanho). Pelo impacto negativo que tem no sono da criança/adolescente. Atrasa o momento de ir dormir e a luz, especialmente a radiação azul emitida pelos ecrãs, diminui a produção de melatonina, a hormona que induz o sono, controlando o ciclo sono-vígilia, dificultando o adormecer. Adicionalmente, o sono pode ser interrompido por alarmes de mensagens, por exemplo. Ora uma criança que não dorme o número de horas adequado à sua idade, ou que não descansa de forma conveniente, é uma criança com maior dificuldade em regular o seu comportamento e as suas emoções. Com maior dificuldade em concentrar-se e, consequentemente, poderá começar a manifestar dificuldades de aprendizagem.

Mas é possível haver negociações?

Se usada com bom senso a tecnologia pode ser uma ótima ferramenta. Contudo, dado que as crianças têm maior dificuldade em gerir o seu tempo e em regular os seus comportamentos é mesmo fundamental que o adulto ajude a gerir o uso das tecnologias de forma consciente e ajustada às necessidades e idade da criança. A negociação, mais do que a exigência unilateral, deve existir. A criança acaba por se sentir envolvida e mais responsável no uso das tecnologias. Havendo flexibilidade no momento de definir regras razoáveis do uso das tecnologias evita-se cair em “o fruto proibido é o mais apetecido”.

O excesso de horas de ligação à tecnologia interfere significativamente na vida dos mais novos…

Saliento três pontos:

1 – o uso abusivo, pode conduzir ao isolamento social e ao sedentarismo, com impacto na saúde física e emocional;

2 –  o uso em momentos desajustados. Como durante períodos de estudo ou na cama antes de se ir dormir, conduz a dificuldades como as anteriormente descritas;

3 – a exposição a conteúdos desadequados para o nível de desenvolvimento. Não conseguindo a criança elaborar/compreender os mesmos, pode gerar confusões, dúvidas e receios.

Com limites razoáveis e alguma flexibilidade a relação das crianças e jovens com a tecnologia não tem de ser difícil.

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imagem@the educator

A grande importância dos três primeiros anos de vida

A ideia de que os bebés não ouvem, não veem e não sentem está ultrapassada.

Hoje sabemos que, logo na barriga da mãe, o feto ouve, vê e sente. E sabemos também que, os bebés são seres com inúmeras capacidades relacionais, motoras e cognitivas.

Hoje, sabemos ainda que, que os três primeiros anos de vida são fundamentais na formação da personalidade, nomeadamente que a qualidade das relações que é vivenciada nesta fase, será a base de todas as relações futuras.

O primeiro ano de vida (0-12 meses)

O primeiro ano de vida não é fácil, ao contrário do que vulgarmente se poderá pensar, as transformações que um bebé vivência neste período são árduas.

  • O bebé faz a transição de estar deitado para, a difícil tarefa que é caminhar sobre os seus próprios pés e ganhar autonomia.
  • Passa da ingestão de líquidos, para o complexo acto de mastigação de alimentos sólidos.
  • No sono, abandona progressivamente os curtos períodos de sono que tinha na barriga da mãe, ou seja, o seu ritmo de sono, para ter períodos de sono cada vez mais prolongados e mais aproximados ao ritmo de sono dos adultos.
  • Na comunicação, dão-se também grandes alterações. Antes de aprender a falar, o choro é a forma natural do bebé se expressar. Mais tarde, começa a dizer as primeiras palavras, o que por vezes acarreta uma enorme frustração até as conseguir verbalizar. A nível social, o bebé passa do seu mundo (eu e a minha mãe), para a noção de que existem outras pessoas em seu redor, que a amam igualmente.

O segundo ano de vida (12-24 meses)

No segundo ano de vida começam a surgir as birras, que se poderão intensificar mais tarde. A criança começa a brincar ao faz-de-conta (como por exemplo, brincar às papinhas), uma aquisição extremamente importante, visto que é através do brincar que a criança vai futuramente representar situações que vivenciou no seu dia-a-dia e reorganizá-las no seu pensamento.

O terceiro ano de vida (24-36 meses)

No terceiro ano de vida, a fase das birras atinge o seu auge – a “adolescência” da primeira infância. Esta é uma fase que pode levar os pais ao limite da sua paciência. Contudo, nada que não se ultrapasse com limites, amor e uma boa dose de paciência

É sobretudo importante olhar para este período com compreensão. A criança passa por uma fase de conflito interior em que, por um lado, já se sente autónoma para explorar o mundo, pois já caminha, mas por outro lado, ainda sente que precisa muito dos pais/cuidadores. A criança vivencia alterações bruscas de humor, uma vez que experiencia um turbilhão de emoções contraditórias ao mesmo tempo (Brazelton, 2013).

É também nesta fase que a criança começa a deixar as fraldas, o que é um enorme contributo para que se sinta cada vez mais segura de si e independente. O seu brincar ao faz-de-conta, torna-se cada vez mais elaborado, sendo que a promoção da imaginação e a fantasia são fundamentais para um desenvolvimento saudável.

Importa ressalvar que no desenvolvimento dito normativo, não existem apenas evoluções.

Por vezes, também existem regressões em algumas áreas, para que as outras possam avançar. Por exemplo, quando a criança começa a andar e a ter a capacidade de explorar o meio, esta aquisição torna-se demasiado interessante e a criança poderá começar a dormir pior, pois tem vontade de experimentar constantemente essa nova aquisição (Brazelton, 2013).

Apesar de estas serem competências que usualmente são adquiridas durante estas fases, cada criança é única e tem o seu próprio ritmo. Cada criança tem as suas potencialidades e fragilidades… como todos nós adultos!

Ser bebé não é fácil! E, apesar de não termos memória dos  como a conhecemos hoje, é durante estes primeiros três anos de vida que são construídas memórias sensoriais que perduram em nós para toda a vida.

 

Como impor limites com amor e firmeza

Há uns anos atrás, disciplina era sinónimo de autoridade pelo medo e de punição física.

Presentemente, em algumas situações, passamos para o outro extremo, a ausência de limites, que poderá vir a ter graves consequências não só no desenvolvimento das crianças de hoje, como nos adultos de amanhã.

Torna-se essencial rumarmos agora para encontrar o meio-termo e a melhor forma de impor limites, sem recorrer à agressão física, com os contributos científicos a que temos acesso na actualidade.

Em primeira instância, é importante ter em consideração que os pais não podem ser apenas “bons” para os filhos. Os bons pais são efectivamente bondosos, mas, por vezes, também têm de ser “maus”. É fundamental ter sempre presente, que por muito desafiadora que a criança se possa tornar, quem estabelece as regras em casa são os pais!

Como impor limites

A imposição de limites começa desde cedo. A um bebé que durante a amamentação tenta morder o mamilo da mãe, pode ser dito um “não” com ternura. E este trabalho, às vezes árduo, de educar e de ir “balizando” o comportamento da criança, para que ela vá adquirindo por si própria a capacidade de auto-controlo, é um trabalho contínuo que tem de ser feito pelos pais ao longo de muitos anos.

Os limites ensinam à criança até onde ela pode ir. Dão-lhe segurança e permitem que aprenda a respeitar o espaço do outro. Futuramente, permitirão que se torne num adulto que compreende que existem regras em sociedade importantes de cumprir. A ausência de limites torna as crianças ansiosas, instáveis emocionalmente, numa busca incessante pelos mesmos. Poderá levar a que estas crianças se tornem adultos que acham que podem fazer tudo. Ou pelo contrário, adultos oprimidos que acham que não podem fazer nada.

Mas, então devo passar o dia a dizer “Não” ao meu filho?

Não! Também é importante que os pais escolham as suas “batalhas” e que não utilizem constantemente a palavra “Não”. Guardá-lo para situações que envolvam perigo ou quando está em causa o bem-estar do outro é uma possibilidade. Por vezes, consegue-se ajudar a criança a sair de situações difíceis distraindo-a ou dando-lhe alternativas, privilegiando o discurso pela positiva, em vez de pela negativa, o que será também benéfico para a auto-estima da criança.

É ainda importante, que os pais se “emprestem” como modelos, como o exemplo a seguir. As crianças são “esponjas”, absorvem e imitam tudo o que veem. Para elas, a observação é a ferramenta de aprendizagem mais poderosa. Às vezes, é necessário que os pais façam uma auto-reflexão sobre o seu próprio comportamento com as crianças. Um pai que pede a um filho para não bater nos colegas da escola e ele próprio, quando perde a paciência lhe dá uma palmada, não é uma atitude congruente com o discurso.

Ao longo da vida, o seu filho irá ouvir muitas vezes o “Não”. Se lidar com o “Não” desde cedo, irá garantir que no futuro, quando o ouvir, saberá lidar com a adversidade. Manterá o equilíbrio psíquico e poderá, de uma forma mais imediata, mobilizar recursos internos no sentido de encontrar outras possíveis respostas/soluções.

 

 

A leitura recreativa é um tipo de leitura que visa o ler pelo prazer de ler, abrindo as portas da criança para a imensidão a que se pode aceder.

A toda a leitura preside, por mais inibida que seja, o prazer de ler, e pela sua própria natureza – este prazer dos alquimistas – o prazer de ler não receia qualquer imagem, mesmo a da televisão e mesmo sob a forma de avalanches quotidianas. (…) Mas é preciso saber que caminho se deve seguir para o encontrar… – Daniel Pennac

A leitura recreativa é um tipo de leitura que visa o ler pelo prazer de ler, abrindo as portas da criança para a imensidão a que se pode aceder.

Promover hábitos de leitura recreativa é um dos caminhos a seguir para alcançar uma leitura prazerosa, em família.

Com as férias de verão a chegar estão criadas condições propícias à leitura recreativa.

Os pais poderão começar por solicitar à criança que escolha um livro do seu agrado, dando-lhe a conhecer os “Direitos Inalienáveis do Leitor” (extraídos da obra de Daniel Pennac), como estratégia para a motivar para este tipo de leitura:

1. O direito de não ler.
2. O direito de saltar páginas.
3. O direito de não acabar um livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler não importa o quê.
6. O direito de amar os heróis dos romances.
7. O direito de ler não importa onde.
8. O direito de saltar de livro em livro.
9. O direito de ler em voz alta.
10.O direito de não falar do que leu.

A leitura recreativa implica manusear o livro enquanto objeto, folheá-lo, observar a capa e a contracapa, ler os títulos, ver as imagens, consultar os índices.

Deve também promover a interação da criança com o texto, levando-a a imaginar o que se vai passar a seguir, a comentar o comportamento das personagens, a inventar outros fins e, sobretudo, a manifestar o seu gosto pessoal pelo livro que escolheu.

Por último, os pais, em conjunto com a criança, poderão criar a sua própria Carta de Direitos, e desfrutar de agradáveis momentos de leitura em família durante o verão!

Inteligência Naturalista (entender os seres vivos e a natureza).

A Teoria das Inteligências Múltiplas de Gardner. TODOS DIFERENTES. TODOS ESPECIAIS. 

Com a chegada do verão e das férias grandes, apetece aproveitar ao máximo o ar livre, a praia, relaxar à sombra de uma árvore, passear no campo, etc.

Por essas e tantas outras razões, esta é uma excelente altura para falar sobre a Inteligência Naturalista, sobre as suas características e afinar estratégias para potenciar este tipo de inteligência nas crianças.

A Inteligência Naturalista não fazia parte do estudo original de Inteligências Múltiplas, onde Howard Gardner identificava apenas 8 tipos de inteligência.

Em 1995, depois de observar atenta e profundamente as características do mundo em que vivia, Gardner considerou a consciência naturalista essencial para a sobrevivência do ser humano e de outras espécies no planeta Terra.

A Inteligência Naturalista

A Inteligência Naturalista ativa o lóbulo occipital, que está localizado na parte póstero-inferior do cérebro. Esta área, também designada por córtex visual, recebe e processa os estímulos visuais. Esta é a responsável pela interpretação do mundo visual e pela transformação da experiência visual para a fala. É aqui que o nosso cérebro transforma estímulos visuais em palavras. 

Também conhecida como Inteligência Biológica ou Ecológica, a Inteligência Naturalista traduz-se na capacidade de compreender o mundo natural, de identificar e distinguir diferentes tipos de plantas, animais e formações climáticas. Com uma grande sensibilidade relativa à protecção e à manutenção responsável dos recursos naturais, a inteligência naturalista detecta, diferencia e categoriza as questões relacionadas com a natureza. Por exemplo, espécies animais e vegetais ou fenómenos relacionados com o clima, a geografia ou os fenómenos naturais.

Quem tem este tipo de inteligência mais desenvolvido aprende através do contato com a natureza.

“A inteligência é uma espécie de paladar que nos dá a capacidade de saborear ideias.” – Susan Sontag

Principais características das crianças que possuem a Inteligência Naturalista mais desenvolvida:

  • Têm sentimentos muito fortes por tudo o que está interligado com a Natureza;
  • Sentem-se atraídos pelo mundo natural e têm uma grande sensibilidade relativamente aos fenómenos naturais;
  • Interessam-se profundamente por assuntos relacionados com a cultura, a ciência e com o ambiente;
  • Sentem uma grande conexão com os elementos da natureza e detectam facilmente os padrões existentes;
  • Sentem interesse pelo comportamento humano e/ou animal;
  • Conhecem diferentes espécies de plantas e de animais, e também as suas características;
  • Interessam-se por ciências naturais como a geologia, a astronomia, a paleontologia, a biologia, etc.

Geralmente, estes interesses aparecem muito cedo na vida da pessoa e permanecem ao longo dos anos.

Especialistas destacam 4 sinais de crianças com esta inteligência mais desenvolvida:

  • Maior percepção do meio ambiente;
  • Têm especial interesse pela exploração;
  • Sentem necessidade de passar muito tempo na natureza;
  • Demonstram grande preocupação com o meio ambiente.

Devido à sua enorme capacidade para detectar padrões na natureza, as crianças com uma inteligência naturalista mais desenvolvida tendem a ser mais conscientes do ambiente que as rodeia tal como das mudanças que ocorrem nele.

  • Em geral, estas crianças preferem aprender na prática, “sujar as mãos”, mais do que ficar sentadas a estudar.
  • Estas crianças adoram observar insectos e descobrir tudo sobre eles, subir às árvores, saltar nas poças, desenhar plantas, animais ou paisagens e podem ficar horas a observar os fenómenos da natureza (ex. carreiros de formigas, joaninhas a voar, etc.).

O contacto frequente com a natureza é fundamental para estas crianças. É aqui que recarregam energias e que se sentem felizes. Caso isso não aconteça regularmente, a tendência é para se sentirem tristes e apáticas.

Como ajudar estas crianças?

Se for professor e tiver em sala de aula uma ou mais crianças com este tipo de inteligência mais desenvolvida é importante que desenvolva diversas atividades ao ar livre e que fomente uma aprendizagem mais prática. De forma a estimular o principal canal de aprendizagem destas crianças, organize atividades como:

  • Fazer caminhadas na natureza – todos os temas curriculares podem ser trabalhados na natureza;
  • Viajar para conhecer os diferentes ecossistemas;
  • Plantar, colher e produzir alimentos;
  • Cuidar de animais;
  • Consumir produtos biológicos, ecológicos ou orgânicos;
  • Pesquisar e preparar receitas naturalistas;
  • Visitar parques botânicos ou o jardim zoológico;
  • Sensibilizar para a protecção do meio ambiente;
  • Ter um animal de estimação na sala de aula – fomenta a conexão com o mundo animal e possibilita ao aluno de orientação naturalista um lugar seguro, onde pode relacionar-se com o mundo natural e cuidar de seres da natureza;
  • Construir um herbário, onde podem observar e classificar diversos tipos de plantas;
  • Observar o crescimento de uma planta e/ou de um animal;
  • Fazer experiências em sala, empregando o método científico.

Para potenciar a Inteligência Naturalista nos alunos que não têm este tipo de inteligência tão desenvolvido, nada como organizar passeios na natureza;

  • Levar a aprendizagem para fora das 4 paredes;
  • fazer jogos de imitação dos sons dos animais;
  • observar animais no seu meio ambiente;
  • ir ao jardim zoológico e falar sobre as diferentes espécies animais;
  • criar uma horta pedagógica, onde as crianças são responsáveis por tratar da terra e dos alimentos nela semeados;
  • falar sobre as diferentes estações do ano, observando na prática as características de cada uma delas;
  • fomentar o desenvolvimento de projetos escolares sobre o meio ambiente;
  • fazer muitas experiências científicas;
  • estudar as disciplinas de ciências no exterior (estudo do meio, ciências da natureza, biologia, físico-química, etc.);
  • implementar na escola o dia do animal de estimação, onde todos os alunos são convidados a levar para a sala de aula os seus amiguinhos animais; etc.

Em família, pode fomentar a inteligência naturalista nos seus filhos, quer a tenham mais ou menos desenvolvida, das seguintes formas:

  • Organizar atividades ao ar livre;
  • Disfrutar de piqueniques no campo;
  • Ajudá-los a escolher um animal de estimação e encorajá-los a ser responsáveis por tudo o que o animal necessita;
  • Coleccionar e observar folhas, pedras, conchas, etc.;
  • Observar a fauna e a flora, enquanto visitam parques naturais;
  • Visitar frequentemente jardins botânicos e observar todas as espécies vegetais, animais e minerais que este contém;
  • Se os seus filhos gostam de cadernetas de cromos, escolham as de animais e aproveitem para descobrir todas as curiosidades sobre cada espécie;
  • Ensine-os a respeitar e a amar a natureza e o meio ambiente, explicando-lhes a sua importância para a vida no planeta Terra;
  • Organize caças ao tesouro utilizando percursos de geocaching;
  • Façam passeios de bicicleta em família;
  • Plantem juntos uma (ou várias…) árvore(s);
  • Explique e fomente a reciclagem do lixo doméstico; etc.

Exemplos de profissões de pessoas com a inteligência Naturalista desenvolvida

Botânicos, ecologistas, ambientalistas, geólogos, zoólogos, biólogos, ornitólogos, paisagistas, veterinários, guardas florestais, jardineiros são alguns exemplos de profissões que possuem este tipo de inteligência mais desenvolvida.

Charles Darwin ou Jaques Costeau são alguns nomes conhecidos, que mostraram ao mundo como a inteligência naturalista pode ser posta em prática.

Qual o tipo de inteligência do meu filho?

Tal como não existem duas pessoas iguais, também não existem fórmulas mágicas para trabalhar as inteligências múltiplas… Dedique algum tempo a observar os seus filhos ou os seus alunos, tente compreender aquilo que os move, como encaram a vida e de que forma dão resposta às situações do dia-a-dia.

Observar com curiosidade é meio caminho para compreender qual o tipo de inteligência predominante e como esta pode ser fomentada, provocada ou estimulada.

Não somos todos iguais! Não aprendemos todos da mesma forma! Não observamos o mundo através da mesma perspectiva! Todos fazemos parte do mesmo Todo, onde são as nossas diferenças que nos tornam únicos, especiais e essenciais! Saber que existem diferentes tipos de inteligência e que todos nós aprendemos de acordo com o nosso estilo de aprendizagem, ajuda-nos a colocar menos rótulos nos outros, a ter mais humildade e a largar a necessidade de que todos ajam, pensem ou sintam da mesma forma que eu.

“Eu acho que não há inteligência sem coração. A inteligência é um dom, é-nos concedida, mas o coração tem que a suportar humildemente…”  – Agustina Bessa-Luís

O brincar é um importante meio de aprendizagem: é divertido, focado na atividade e tem uma forte componente social.

Ser divertido é uma característica essencial para motivar as crianças a se envolverem nas atividades de forma autónoma e sistemática. Por outro lado, o foco na atividade em si mesma e não nos resultados, atenua as repercussões negativas dos erros.

Por fim, a componente social, envolvendo adultos ou outras crianças, potencia o impacto positivo na atividade.

Através do brincar são criadas oportunidades para que a criança possa praticar e desenvolver competências para a aprendizagem. Com a abordagem lúdica, as situações de aprendizagem ganham significado e contextualização para a criança, respeitando a sua vertente social.

“A brincar é que a gente também aprende!”  pretende favorecer o sucesso na aprendizagem, através de atividades lúdicas, atrativas, simples de dinamizar e pouco dispendiosas.

Os jogos a seguir descritos são exemplos de atividades dinamizadas, as quais podem ser realizadas em contextos formais e informais de aprendizagem, de forma autónoma ou coletiva e sistemática.

Spinner da Tabuada:

Objetivo: Promover a automatização de fatos numéricos.

Material: Dois spinners, 2 pratos de papel, autocolantes e caneta.

Como Jogar: Primeiro, divide-se cada um dos pratos de papel em 10 partes e escreve-se os números de 1 a 10 em cada uma das partes. Cola-se um autocolante numa das pontas de cada um dos spinners para serem as pontas indicadoras.
Coloca-se um spinner no centro de cada prato. Faz-se girar os dois spinners e, quando acabarem, pede-se à criança para dizer o resultado da multiplicação dos números indicados.

Jogo de Memória Ortográfico:

Objetivo: Promover a memorização da ortografia de palavras cujos sons assumem representações múltiplas.

Material: Folhas de papel, tesoura e caneta.

Como Jogar: Primeiro, selecionam-se 10 palavras que se representam de forma múltipla. Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras duas vezes, em dois papelinhos. Distribuem-se os papelinhos em 4 linhas de 5 papelinhos, com as palavras escritas voltadas para baixo. Em cada jogada, a criança pode virar dois papelinhos: se encontrar o par joga novamente; se não encontrar o par, passa a vez à outra criança/adulto. No fim, ganha quem tiver mais papelinhos.

Leitura em Coro ou em Eco:

Objetivo: Promover a fluência leitora.

Como Jogar: Primeiro, selecionam-se os textos que irão servir de base para as leituras. Depois, formam-se pares (criança-criança ou criança-adulto).

Na leitura em coro, pede-se ao par para ler em voz alta um dos textos selecionados, como se fosse um coro. A leitura do texto selecionado pode ser repetida as vezes necessárias até conseguir uma leitura unânime. Na leitura em eco, enquanto que a uma das crianças é pedido para ler o texto selecionado por unidades de sentido, frases ou parágrafos, à outra criança pede-se
que repita como se fosse o eco, alternando depois os papéis.

Os jogos divertem as crianças, prendem o seu interesse e atenção, pela sua natureza e dinâmica. Quando se pretende promover o desenvolvimento de competências, deve-se então contemplar a complementaridade de estratégias, estruturadas e lúdicas, pois “A brincar é que a gente também aprende!”.

 

E se o meu filho tiver dificuldades de aprendizagem e de atenção?

Se for o caso do seu filho, saiba que não está sozinho. Uma em cada cinco crianças manifesta dificuldades de aprendizagem e de atenção

Não desespere, nem fique apreensivo. Más notas na escola não significam necessariamente falta de inteligência ou qualquer perturbação intelectual. Não. Podem indiciar várias coisas, por exemplo, falta de estudo, desorganização e até fracasso no acompanhamento que a criança tem em casa e na respetiva instituição de ensino.

Antes de mais, tenha a certeza da origem do problema. Um diagnóstico errado pode comprometer o sucesso da intervenção.  Hoje em dia já existem terapêuticas especializadas que permitem às crianças desenvolver percursos normais, tanto nas aulas, como na escola da vida.

Se for o caso do seu filho, saiba que não está sozinho. Uma em cada cinco crianças manifesta dificuldades de aprendizagem e de atenção. Procure um especialista logo que perceba que a criança não está a conseguir acompanhar o ritmo dos desafios escolares.

Há importantes passos que podem e devem ser seguidos. Conheça alguns:

1 – Identifique as principais dificuldades, como se manifestam e as competências já adquiridas

Os desafios superados e não superados na escola e em casa devem ser devidamente identificados. Dificuldades de aprendizagem e de atenção podem revelar-se em idade pré-escolar e refletir-se ao nível da leitura, escrita, matemática, organização, concentração, compreensão auditiva, habilidades sociais ou habilidades motoras. Não raras vezes confundem-se estes problemas com preguiça e falta de inteligência. Fique atento aos primeiros indícios. Podem ser importantes sinais de alerta.

2 – Saiba identificar as diferentes fases do desenvolvimento da criança

A tarefa até pode não ser fácil, mas saber distinguir as diferentes etapas desenvolvimentais é muito importante. Identifique as características de cada etapa e as respetivas competências que devem ser apreendidas em cada momento. Identificar eventuais problemas pode ser complexo se não tiver a certeza das competências específicas expetáveis para cada uma das diferentes idades da criança. Saiba o que esperar desde o pré-escolar ao ensino superior.

3 – Tome nota das suas preocupações

Observe a criança e anote os pontos fracos e fortes.  As coisas aparentemente insignificantes, por vezes, têm mais importância do que aquelas que lhe queremos dar.  Os padrões de comportamento podem abrir caminho às soluções.  Por exemplo, se perceber que a criança tende a ficar frustrada com a leitura, escrita ou com a falta de acerto nos exercícios de matemática, ajude-a a ultrapassar esse sentimento, apoiando-a na busca de respostas. Saber identificar onde está a fonte do problema é meio caminho andado para que consiga ter uma vida normal e feliz. Se, por outro lado, tiver referenciadas as principais competências da criança, tornar-se-á mais fácil ajudá-la a melhorar.

Anote as principais dificuldades que vão surgindo no dia a dia.

4 – Mantenha-se em contacto permanente com a escola e com a própria criança

É essencial manter a porta do diálogo aberta, na escola e em casa. Fale com os professores. Oiça a criança e nunca desvalorize as queixas. Tente perceber, se possível diariamente, as suas dificuldades, as principais angustias e os maiores receios. Não consegue ler e escrever? Não acerta as contas da matemática? Tem dificuldades em concentrar-se nas aulas e, por exemplo, fazer amigos? É muito importante que a criança consiga verbalizar o que sente. Só conseguindo identificar as dificuldades as podemos ajudar a resolver.

5 – Fale com o médico da criança

Marque uma consulta e discuta todas as preocupações que anotou anteriormente. Partilhe com o pediatra as dificuldades que a criança sente na escola e em casa ao nível do desenvolvimento global. Avalie a necessidade de uma intervenção precoce através de uma equipa multidisciplinar. Um especialista definirá o melhor plano terapêutico em função da especificidade de cada caso concreto.

6 – Discuta a necessidade de uma intervenção precoce

Há múltiplas possibilidades de ajuda, dependendo da idade da criança. Procure uma avaliação em intervenção precoce. Essa avaliação fornece informações que podem ser essenciais no sentido de identificar eventuais problemas da criança e, posteriormente, definir estratégias capazes de o orientar em casa e na escola. Fique atento, por vezes a escola pode falar sobre dificuldades de aprendizagem e de atenção de maneira diferente dos especialistas. E os desafios da criança nem sempre são vistos da mesma forma.

7- Considere consultar com um especialista

Questione o pediatra sobre um possível encaminhamento para um especialista que possa confirmar ou descartar eventuais problemas de aprendizagem e atenção. Existem intervenções eficazes, mesmo para os casos que se afiguram mais difíceis, podendo, por vezes, ser aplicados em diferentes contextos de interação, quer em casa, quer na escola. Uma avaliação psicopedagógica representa o primeiro passo para o bem-estar da criança.

8 – Conheça outras realidades

Conhecer outras histórias ajuda-nos a enfrentar os nossos problemas. Leia experiências pessoais de pais de crianças com dificuldades de aprendizagem e atenção. Descubra o que aprenderam.  Considere fazer parte de associações de pais cujos filhos foram diagnosticados com os mesmos problemas. Partilhar experiências pode contribuir para esclarecer dúvidas e encarar a realidade com mais confiança.

 

 

8 brincadeiras sensoriais que despertam os sentidos da criança

Vivemos na era do consumismo em que muitos pais tentam aceder aos pedidos de compras de brinquedos por parte dos filhos, principalmente em dias comemorativos como o de ontem. E, quando não o podem fazer, poderão sentir alguma culpabilidade.

A notícia que temos para vos dar é boa: as crianças são felizes com tão pouco… Não é preciso aquela mota espetacular ou aquela boneca que faz tudo. Para brincar, por vezes, só é preciso aproveitar umas coisas velhas que andam lá por casa, pôr uma pitada de afecto, outra de tempo de qualidade e…magia!

As brincadeiras sensoriais que despertam os sentidos da criança e que a envolvem são óptimas:

  • Fazer massa de pão com o seu filho e deixar que ele se suje;
  • Colocar grão dentro de uma garrafa para fazer barulho;
  • Encher uma luva com farinha ou arroz e permitir que ele explore;
  • Fazer bolinhas de sabão;
  • Rasgar papel de jornal;
  • Colocar a criança sobre um cobertor e arrastá-la pela casa.
  • Deixar que a criança explore vários materiais com diversas texturas, tal como algodão, lã, plástico, esponjas.
  • Explorar a natureza, saltar nas poças, cheiras flores, mexer na terra e, novamente, sujar-se!

Todas estas são brincadeiras que podem ser feitas com os mais pequenos, desde que com vigilância, pois poderão ainda estar a conhecer o mundo com a boca, e com os mais CRESCIDOS.

O contacto com estas experiências sensoriais, desconhecidas por muitos dos pais, tem inúmeros benefícios:

  • Melhoram a capacidade de concentração, a coordenação motora fina (pequenos movimentos com as mãos) e grossa (movimentos amplos)
  • A coordenação do olho com a mão;
  • Despertam a curiosidade, a imaginação e consequentemente a criatividade.

Acresce ainda que, a estimulação de todos os sentidos, permite um melhor conhecimento do próprio corpo, das suas partes e dos seus limites, contribuindo para o autoconhecimento da criança e promovendo um melhor relacionamento com os outros.

Permite também, aumentar as conexões entre os neurónios, criando novas redes neuronais, que contribuem para a melhoria do desempenho cognitivo da criança e consequentemente para um desenvolvimento global saudável.

Criam, acima de tudo, novas experiências significativas e fortalecem a relação pais-filhos.

Para assinalar o Dia Mundial da Criança, aproveite o fim de semana e experimente fazer algumas destas brincadeiras com o seu filho e vai ver como Pequenos e CRESCIDOS vão desfrutar de um bom momento… com tão pouco!

O mimo não estraga as crianças. A falta de limites, sim.

Ser criança é muitas vezes concebido como um pano de fundo em que tudo parece perfeito, ou pelo menos, quase perfeito… Mas, Ser criança, não é sempre um arco-íris, cheio de cor, de vida e bem- estar, às vezes, ser criança é cinzento, umas vezes mais claro, outras cinzento escuro, quase negro, sem pontos de luz… Mas, afinal, que bicho papão é esse que parece tirar a cor à infância? Que bicho papão é esse que, às vezes, se torna tão grande dentro de cada criança que parece contamina-la em todas as áreas?

Quais os ingredientes para uma criança feliz?

A criança nasce e precisa de protecção, que cuidem dela e garantam o seu correcto desenvolvimento, é dependente! Mas se cuidarmos fisicamente do bebé, e depois nos esquecermos de lhe dar amor, a criança entra naquilo a que os técnicos de saúde mental chamam de ‘depressão analítica’, um estado que reflecte a não satisfação da necessidade de um amor seguro e incondicional.

O coração de mãe e também o coração de pai (sim, porque não nos podemos esquecer que o pai pode ter um coração tão grande como o da mãe, temos de deixar de o subestimar!) sabe bem no seu intimo que o principal ingrediente para uma criança feliz é o Amor. O amor seguro e incondicional, o afeto e o mimo – como só os pais de alma e corpo cheio sabem dar!

O mimo não estraga as crianças. A falta de limites, sim.

O mimo não estraga as crianças. Nunca uma criança ficou estragada por ter mimo a mais, ou amor a mais! O mimo e o amor funcionam como o combustível que nos faz mover, não só em criança, mas ao longo de toda a nossa vida. É o amor que nos prende à vida e só quando o amor nos segura podemos alcançar a felicidade.

Mas, então, o que é isso de “ele é mimado, ninguém faz nada dele”?, que ‘mimo mau’ é esse que afecta tantas das nossas crianças?

É a falta de limites.

Os Pais são capazes de sentir no seu intimo que só com limites claros a criança cresce segura de si! Quase todos os pais conseguem senti-lo, mas só os Pais conscientes, os que estão seguros de si, de alma e corpo cheio conseguem fazê-lo; só esses pais conseguem estabelecer as balizas sem resvalar para um lado de ‘general autoritário’, sem parecerem mais assustadores do que seguros.

A criança precisa de limites

Os limites – embora na fase inicial uma criança os rejeite – atribuem-lhe segurança e robustez. É como se o pai e a mãe lhe dissessem ao coração: “avança, que nós estamos aqui para garantir que tens o caminho seguro. Aconteça o que acontecer, nós não te vamos deixar cair”.

Uma criança sem limites é uma criança em auto-gestão que, mesmo que sinta com o coração todo, ainda não sabe onde pode pisar ou não, explorando, aos poucos, o mundo de forma assustada, sempre com a ideia que um dia, se for preciso, pode ninguém estar lá para a proteger.

Uma criança sem amor ou sem limites será sempre um adulto em apuros. Se queremos crianças felizes, precisamos de uma boa dose de amor em equilíbrio com uma boa dose de limites. Assim, de falha em falha, como só os bons pais se permitem a falhar, subtraímos birras, multiplicamos sorrisos e somamos felicidade em cada criança, em cada família.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas