O mito dos bons pais

A culpa não é boa aliada dos pais. Mas existe, chateia e é preciso falar sobre ela e sacudi-la dos ombros com energia e vontade. Só assim lhe retiramos a força e ganhamos espaço para ser pais e, sobretudo, humanos.

Ontem deitei-me outra vez a lamentar-me das vezes em que podia ter sido melhor mãe. Revivi as cenas, uma por uma, pensei-lhes outros cenários e cheguei a imaginar-me outra, capaz de ter dado ao meu filho a resposta feliz e atenta de que era tão merecedor. Ontem deitei-me outra vez agarrada à ideia que eu própria construí daquilo que é ser-se boa mãe. E hoje de manhã ele voltou a saber olhar-me e sussurrou-me ao ouvido: “Gosto tanto de ti mamã…

É por isso por nós (e sobretudo por eles) que hoje proponho “despir” os bons pais de todas as boas intenções. Essas, que sorrateiramente nos vão atrapalhando o caminho…

Os bons pais já nascem ensinados.

Quando um filho nos nasce, nasce-nos pela primeira vez e é com ele que (re)nascemos também. Não só como pais ou como mães, mas também como pessoas. E ainda que outros já nos tenham nascido ou que outros se lhes sigam, cuidar de um filho (daquele filho) será sempre uma experiência única. Exigirá de nós a humildade da certeza de que muito está ainda por aprender, por melhorar, e por construir. Não esquecendo nunca que cada um de nós o fará de uma forma muito própria. À luz das coisas que nos façam bater o coração e dos desafios e aprendizagens que cada filho nos exija.

Sabem sempre o que fazer.

A parentalidade é um caminho cheio de curvas, de socalcos, de bancos para recuperar o fôlego, de vias rápidas e de atalhos desconhecidos, que por vezes nos desconcertam e em tantas outras nos permitem maior segurança. A parentalidade é tudo isto mas não é, nunca, algo que se aprenda nos manuais de procedimentos à boa maneira das viagens de aviões: “Ora agora coloque o colete de salva-vidas. Ora agora insufle-o. Ora agora respire a partir da máscara de oxigénio…” Bom seria. Ou talvez não… A parentalidade é uma aprendizagem constante, sem respostas certeiras e em que os aprendizes (pais e filhos) são os atores principais e criativos argumentatistas, capazes de dar luz e cor e emoção ao guião, construído (e reconstruído) vezes sem conta, a cada passo dado.

Não sentem culpa.

Sentem pois. E arrependem-se. E martirizam-se. E sofrem, sobretudo com o peso duro das expectativas dos outros. É a culpa de não terem agido assim ou assado. É a culpa de terem perdido a cabeça. É a culpa de não passarem tempo suficiente com os filhos. É a culpa de não terem percebido mais cedo que alguma coisa estava a acontecer na escola. É a culpa de terem sono, de comerem chocolates às escondidas, de estarem de folga e deixarem o filho na escola apenas e só porque querem ter um dia de crescidos… A culpa, a maldita da culpa, que rouba tempo e exige, insaciável, a perfeição sem fim. A culpa não é boa aliada dos pais. Mas existe, chateia e é preciso falar sobre ela e sacudi-la dos ombros com energia e vontade. Só assim lhe retiramos a força e ganhamos espaço para ser pais e, sobretudo, humanos.

Os bons pais sabem sempre o que os filhos precisam.

As crianças não trazem manuais de instruções e ainda que às vezes algumas dicas práticas nos deem um jeitaço e nos ajudem a pensar em formas alternativas de resolver as situações/dilemas com os quais nos vamos deparando, isso não quer dizer que funcionem sempre. Para se saber o que uma criança precisa, é preciso, tantas vezes, desaprender tudo o que pensámos ou ouvimos, ou ainda tudo aquilo que nos disseram e experimentar outros caminhos, ainda que audazes ou pouco testados. Para se saber o que uma criança precisa é preciso sobretudo aprender a ouvi-la, olhá-la nos olhos e tocar-lhe no coração, deixando que o nosso se abra, e sinta também.

Não mimam demais os filhos.

A experiência amorosa familiar é o primeiro contacto da criança com o maravilhoso mundo dos afetos. É ela que lhe permitirá amar os outros e ganhar coragem para se lançar em pleno voo, sempre que a vida assim apele. É também ela que permite entender a Casa (lugar no coração dos pais) como porto seguro, onde pode mostrar-se sem filtro e sem disfarce, a quem tem por ele um amor sem fim, capaz de resistir a todos os lados lunares. Os pais podem (e devem!) mimar muito os filhos e não é por isso que deixarão de balizar aqueles que são os seus comportamentos e de ensinar, com a doçura e a paciência necessárias, as coisas mais importantes, para que se tornem gente a saber mimar os outros.

Satisfazem sempre primeiro as necessidades dos filhos.

Voltando à analogia das instruções de segurança dos aviões, há uma razão pela qual a tripulação sugere que o colete salva-vidas seja colocado primeiro ao adulto e só depois à criança: para cuidarmos do outro, é preciso que estejamos cuidados. A parentalidade está carregada de desafios. Muitos deles capazes de alterar o padrão de satisfação de necessidades básicas como as do sono ou da alimentação adequada, ou a prioridade dada às necessidades sociais ou amorosas. Em nome dos filhos, os pais anulam-se vezes demais e acabam por deixar para depois atividades ou experiências, capazes de lhes proporcionar bem estar e satisfação pessoal, premissas fundamentais para ensinar os filhos a quererem, um dia, cuidar-se também.

Os bons pais gostam sempre de ser pais.

Existem mulheres e homens que preferiam não ter sido pais. Existem mulheres e homens que não gostam de ser pais, mas isso não significa que não gostem dos filhos. Significa apenas que, por variadíssimas razões, tiveram de assumir um papel com o qual não se identificam. Que sentem que tiveram de fazer mudanças que não desejaram e que não era assim que gostavam que tivesse sido. Não há com estes pais nenhum problema. A não ser o de terem todos os dedos apontados. De lhes gritarem aos ouvidos que não prestam e de quererem salvá-los, constantemente, do sacrilégio em que não vivem. Existem pais que não amam de paixão sê-lo. Mas ainda assim, sabem amar como ninguém os filhos que os tornaram em tal.

Os bons pais não erram.

Os bons pais erram a vida inteira. Tal como as boas pessoas fazem, só por serem pessoas. O que os bons pais trazem dentro de si (que é o que lhes permite serem verdadeiramente bons), é a capacidade de olhar para os tropeços e enganos como parte desejável da caminhada e deixar que a consciência e a aceitação os transformem para sempre e permitam reparar, com pó de ouro e de amor, cada “lasquinha” acontecida.

Os bons pais não existem. Existo eu, existes tu… e se o somos é porque um dia alguém nos olhou como ninguém e nos viu como os melhores do mundo. Imperfeitos e insubstituíveis. Até ao fim dos tempos…

Os livros atuam na criança aos mais diversos níveis.  São versáteis e servem muitas funções, mas não são mágicos. Há que fazer um trabalho continuado para que os livros e tudo o que transmitem possa fazer sentido à criança e não apareça na sua vida como um pop-up sem contexto. Os livros transmitem muitas mensagens e, na maioria das vezes, até são diferentes de criança para criança. Por isso é preciso dotá-las de capacidades para a exploração completa de um livro e não o reduzir simplesmente à mensagem que nós achamos ou queremos que este passe.

Uma história por dia nem sabe o bem que lhe fazia.

Apesar do trocadilho, é bem verdade. Só ao ler, ouvir e explorar muitos, diferentes e bons livros as crianças conseguem retirar deles todo o seu potencial.

“Um livro é um brinquedo feito com letras. Ler é brincar.” (Rubem Alves).

O convívio diário com os livros nas suas diversas formas, como brinquedo, como objeto lúdico traz benefícios a vários níveis. Alargamento do vocabulário, promoção da empatia, e desenvolvimento do sentido crítico. Promove o aumento da concentração, do conhecimento do mundo e da gestão das emoções.  Aumenta a capacidade de imaginação e de outras dimensões da criança e do ser humano em geral. É importante ensinar aos nossos filhos o poder dos livros.

Acredito que o prazer na leitura. A consciência da sua importância é das ferramentas mais poderosas que podemos deixar na “caixa de ferramentas” das crianças. Para tal é importante que os adultos que fazem parte das suas vidas deem eles próprios o devido valor aos livros, uma vez que as crianças aprendem sobretudo por imitação.

Dar “acesso livre” aos livros e não os guardar como objetos preciosos que só podem ser manuseados com cerimónia é outra estratégia a ser adotada.

Por fim o que mata o gosto pela leitura é, entre outras causas, o facto de um livro ser apresentado como obrigação. (Alice Vieira)

Quero voltar a ser criança!

Quero comprar sacos de gomas, tropeçar nos atacadores e jogar ao ‘lá vai ai’.

Eu quero rebobinar a cassete dos Onda Choc e esperar pelo segundo toque para saber se o professor faltará à aula.

Quero ter um relógio com ponteiros que não mexem e comer batatas fritas para ganhar pega-monstros.

Ver o final do Roque Santeiro e não perder os Jogos sem Fronteiras.

Eu quero voltar a ter rodinhas na bicicleta e aprender – de uma vez por todas – a andar de patins.

Ir ao pão com vinte escudos e comer cigarros de chocolate.

Quero comprar revistas da Turma da Mônica e ir ao clube de vídeo escolher um filme.

Quero jantar em casa da vizinha, mostrar-lhe os meus sapatos novos e sentar-me à porta nas noites de calor.

Calçar as minhas colibri e cantar ao espelho as músicas do festival da canção.

Quero voltar a ser criança

Quero fazer coleção de blocos e borrachas coloridas.

Eu quero jogar ao STOP, ao macaquinho do chinês e tomar decisões difíceis com um-dó-li-tá.

 

Quero ir a festas de anos com tortas Dan Cake e rebuçados diamante e quero contar todos os meus segredos a um diário.

 

Ter uma bota botilde, saltar ao elástico a tarde inteira, voltar a pedir “mamã dá licença” e esmerar-me nos passos à gigante.

rebuçados diamantes

Quero escrever “Queres namorar comigo?”, fazer um quadrado para o Sim e para o Não e ficar a aguardar a pueril resposta que, com sorte, tem o desenho de um coração.

Eu adoro o presente – que é de facto, um presente!!

Mas só graças a um passado feliz, hoje vivo grata e a acreditar que o melhor está sempre por vir!

 

Por Filipa Salgueiro, enviado para publicação para Up To Kids®

Play With Me, os bonecos únicos que os miúdos adoram

A Play Handmade é uma marca de produtos artesanais criada em 2016. Nasceu da paixão pelo crochet e pelo mundo do imaginário infantil.

O conceito da Play Handmade é poder-se brincar e criar brinquedos com  técnicas, materiais e formas diferentes dos usuais hoje em dia. Explorar novas formas de criar, ajudará o seu filhos a explorar novas formas de brincar.

Play with me

Por isso a Play criou os Bonecos Play with me, que são artesanais, únicos, feitos à mão em crochet e à medida do seu filho. Os bonecos Play With me são feitos de acordo com o gosto de cada criança. São para rapaz e rapariga, fáceis de transportar e laváveis.

Mais do que um simples boneco, os Bonecos Play With Me são o que o seu filho quiser: um companheiro de aventuras, um animal de estimação, um amigo e confidente, uma companhia para as noites mais longas, uma princesa para as festas de chá, ou até um herói para o defender dos monstros e fantasmas.

Cada boneco é feito com muito carinho e dedicação. É só escolher o tipo de boneco, as cores e nós fazemos!

Como são essencialmente feitos a pensar nos mais pequenos, a Play Handmade aposta na qualidade. Todos os bonecos são 100% algodão de uma marca portuguesa conceituada e o enchimento é anti-alérgico. Todos diferentes, mas todos iguais!

Play

 

Conheça mais sobre estes bonecos na página de facebook da Play

Imagens da Play e da Viela Concept Store

O protetor solar ISDIN Fotoprotetor Pediatrics Transparent Spray indica um fator de proteção solar (FPS) 50+, mas os testes em laboratório revelam que deveria estar rotulado com FPS 15.

A Deco, publicou no dia 31 de maio 2019 o seguinte comunicado:

“As associações de consumidores da Bélgica e de Espanha também adquiriram, nos respetivos países, o protetor solar ISDIN Fotoprotetor Pediatrics Transparent Spray 50+ e enviaram-no para laboratório. Os resultados foram iguais aos obtidos pelo produto comprado em Portugal.

Este produto entrou no grupo de protetores selecionados para o teste que publicámos na TESTE SAÚDE n.º 139 (de junho/julho). Tal como em todos os testes que realizamos, enviámos os resultados aos fabricantes antes da publicação. A ISDIN apresentou argumentos que justificavam a repetição do teste. Comprámos novamente o produto e enviámo-lo para laboratório. Os testes confirmaram os resultados: o FPS indicado no rótulo não deveria ser 50+, mas 15. Em consequência, a proteção conferida não é “muito alta”, como refere o produto, mas “média”.

O FPS indica a capacidade para filtrar os raios ultravioletas do tipo B (UVB). Mas é também necessário defender a pele da radiação do tipo A (UVA). De acordo com a Comissão Europeia, o índice desta proteção deve ser um terço do FPS indicado, o que também não é cumprido pelo ISDIN Fotoprotetor Pediatrics Transparent Spray 50+.

Os testes foram realizados num laboratório independente e certificado, seguindo as normas da Organização Internacional de Normalização (ISO): ISO 24444:2010 Cosmetics – Sun protection test methods – In vivo determination of the sun protection factor (SPF) e  ISO 24443:2012 Determination of sunscreen UVA photoprotection in vitro.

Já demos conhecimento dos resultados ao Infarmed, para que verifique a situação e atue em conformidade.

A Direção-Geral da Saúde recomenda a utilização de um protetor solar com FPS mínimo de 30, independentemente do tipo de pele. Para as crianças, que têm a pele mais sensível, aconselhamos uma proteção superior.”

A Isdin reagiu à notícia nas suas redes sociais, onde podemos ler o seguinte comunicado:

“Em resposta à publicação da DECO (associação privada de Defesa do Consumidor) sobre os protetores solares ISDIN, junto enviamos em anexo o comunicado oficial que demonstra, em detalhe, a segurança do nosso produto.

NOTA INFORMATIVA: POSICIONAMENTO ISDIN SOBRE ESTUDO “DECO FOTOPROTEÇÃO”

Relativamente ao estudo da DECO sobre Protetores Solares no qual se indica que o produto ISDIN Fotoprotector Pediatrics Transparent Spray SPF 50+ confere uma proteção inferior à que é comunicada na rotulagem, apresentação comercial e publicidade, a ISDIN pretende destacar o seguinte:

● A ISDIN é uma empresa de referência na área da fotoproteção, que submete todo o seu portfolio de produtos às provas mais exigentes para garantir a sua eficácia.

Assim, as características do Produto que se fazem constar na sua rotulagem e nas peças publicitárias que lhe dizem respeito, entre as quais se encontram o Fator de Proteção Solar UVB (SPF) e a proteção UVA (UVA-PF), correspondem, em absoluto, aos resultados publicados em estudos realizados por entidades certificadas, especializadas, independentes e de grande prestígio.

Ler o comunicado completo aqui

 

O que aprendi com as crianças

Com as crianças aprendi que um ataque de cócegas salva o mundo.

Que um escorrega pode ser uma prancha num navio pirata, uma construção de areia uma cidade imaginária.

Com as crianças aprendi que temos tantas certezas porque muitas vezes deixámos de fazer perguntas.

Que o amor é a coisa mais pura do mundo e faz tanta falta…

Que uma palavra fere, mas também tem o poder de transmitir confiança.

Que um incentivo é tudo o que precisamos para acreditarmos em nós.

Que saltar em cima da cama é bom, que andar descalço na relva é maravilhoso, que fazer competições de “golfinhos” na praia é incrível.

A importância de brincar.

Que não é preciso muito para nos divertirmos, que com uma colher de pau e uma panela se faz música, que podemos fazer render um livro durante meses, por mais que na altura nos tenha custado gastar aquele dinheiro, talvez mais útil para outras coisas.

Com as crianças aprendi que só percebemos as diferenças quando alguém nos vem apontá-las, até lá somos apenas pessoas, iguais, irmãos.

Que o que é básico para uns é um luxo para outros.

Que o tempo é precioso e nem sempre sabemos usá-lo da melhor maneira.

Que encarnando super heróis somos capazes de tudo (e às vezes bastava pensarmos em nós como a Mulher Maravilha para aquela tarefa complicada parecer mais simples).

Que sujar é bom, e já me tinha esquecido.

Qual a sensação de saltar nas poças.

Que bons amigos nunca são demais e que o nosso primeiro instinto raramente nos engana.

Que cantar tem outro encanto, dançar outra dinâmica, sorrir outro valor.

Como é bom fazer bolas de sabão e tentar apanhá-las.

Com as crianças aprendi a importância de ser visto, reconhecido. A importância de ouvir e valorizar.

Como é importante estar verdadeiramente.

Que os telemóveis distraem e nos roubam momentos que não voltam mais.

Que o que dizemos importa e deve ser pensado.

Que a forma como vemos o mundo pode determinar a forma como elas o vão receber na sua vida.

Com as crianças aprendi o peso de saber pedir desculpas.

Que os bens materiais não interessam para nada, mas que algum dinheiro ajuda a levar os dias mais confortavelmente. Algum dinheiro, não uma fortuna, porque a riqueza verdadeira dos nossos dias está na forma como os vivemos. E não há fortuna nenhuma que nos salvaguarde isso.

Que a culpa que sentimos enquanto pais muitas vezes não é apontada pelos filhos.

Que os nossos filhos nos vêem com óculos de amor sempre postos e perdoam a maior parte dos nossos defeitos.

Com as crianças aprendi a importância de se ser criança.

De deixar os nossos filhos serem crianças sem lhe pormos constantemente o peso do amanhã nas costas, nem mil actividades, nem o stress que é e deve ser só nosso.

Aprendi a importância de esquecer o que não importa. De passar menos tempo preocupada com a casa e mais tempo a saber viver nela.

Com as crianças aprendi como é essencial não deixarmos morrer a que vive dentro de nós.

E fazermos perguntas ousadas.

Sem medo das respostas.

Sermos gentis. Abraçarmos mais.

Ligarmos menos ao que pensam de nós.

Sermos tão bons quanto fomos um dia, antes de o facto de sermos adultos nos ter distraído.

Com as crianças aprendi que não é preciso muito para ser feliz.

E é esse trabalho diário que pratico.

Olhar em volta e reter o que nos faz bem, deixar para lá o que não nos acrescenta nada.

Que nunca nos esqueçamos que os nossos filhos são (ou foram) crianças e nunca deixemos esmorecer a que ainda temos dentro de nós!

As mil e uma noites

Gosto de me manter atualizada sobre o que há no mercado editorial dos livros infantis.

Como mãe e como profissional da área da do livro infantil e da educação interesso-me por saber o que há nas prateleiras reais ou virtuais das livrarias e nas editoras. Perceber o que as famílias têm à sua disposição. Não tem que ser necessariamente o último livro editado ou sequer o mais falado, gosto de ter uma visão generalizada.

Nestas minhas pesquisas encontrei há pouco tempo mais um livro sobre AS MIL E UMA NOITES, uma coletânea de histórias e contos populares do médio oriente e do sul da Ásia que foram compiladas em árabe no Século IX. A versão final desta coleção foi publicada em 1889, depois de várias adaptações e traduções. Esta versão diz que é uma das mais fiéis à original e por isso despertou-me a curiosidade.

As mil e uma noites, a lenda.

Reza a lenda que o Rei Xariar, enraivecido por causa da traição da sua mulher com um escravo, manda matar ambos. A partir desse dia o Rei decide ter uma noiva diferente todas as noites e ordenar a sua morte na manhã seguinte.

Xerazade, filha de um dos conselheiros do Rei, voluntaria-se para ser sua noiva. Para evitar a morte certa, Xerazade conta histórias fascinantes ao Rei pela noite dentro. De manhã interrompe a narrativa e promete retomar na noite seguinte. O Rei fica tão encantado que não ordena a sua morte. Assim continuam por mil e uma noites até que o Rei decide não matar Xerazade. Confesso que não me lembrava muito bem das narrativas que fazem parte da coletânea, por isso fui reler algumas delas. Histórias como Sinbad, o Marinheiro, Aladino ou Ali Babá e os Quarenta Ladrões fizeram-me voltar à minha infância.

Mas desta vez li as histórias com outros olhos, outro entendimento e outra experiência. E o que mais me surpreendeu foi a capacidade de Xerazade prender a atenção e encantar o Rei durante as mil e uma noites.

Se acreditarmos na lenda, também acreditamos no poder que que as histórias têm. Nas crianças assim como nos adultos.

Quando vires uma criança com telemóvel, lembra-te

Quando vires uma criança com telemóvel a jantar num restaurante, antes de julgares, lembra-te que não sabes nada sobre aquela família.

Não sabes quando foi a ultima refeição quente daquela mãe. Quando foi a ultima conversa ininterrupta que os pais tiveram. A que horas a família se levantou, nem a que horas se vão deitar.

Não sabes se a criança come bem ou passa dias sem levar comida à boca. Ou quantas vezes os pais tiveram que sair de locais públicos para que as birras da criança não incomodem os outros.
Não sabes quantos meses se passaram, sem que fossem a lado nenhum.

Não sabes quantas horas de trabalho carregam nos ombros. Nem que tretas aturam ao longo do dia. Ou quanto ansiavam por uns momentos de sossego.

Lembra-te que não sabes nada sobre aquela família e isso tira-te o direito de julgar.

Não sabes se a criança raramente pega no telemóvel. Se os pais passam horas por dia a brincar com os filhos. Se normalmente a criança janta sem nenhum aparelho electrónico por perto (nem mesmo a TV para os pais verem as “noticias”).

Não sabes quantos livros a mãe leu à criança.

Não sabes que pais são aqueles, e que criança virá a ser a que vês.

Sabes um momento. Apenas um único momento de toda uma vida. E esse momento não vale nada!
Por isso, quando vires uma criança com telemóvel, a jantar num restaurante, pensa duas vezes antes de largares as tua pedras, lembra-te que também tens telhados de vidro, e que na verdade não sabes nada!

O pincel da coragem, o pincel da calma e o pincel da motivação

Eu sei que estão chateados comigo mas não percebo porquê

Estamos a começar a fase das provas de aferição do segundo ano dentro das expressões, tanto as físicas-motoras como as artísticas. As escolas estão a organizar-se para que as mesmas ocorram, sente-se alguma ansiedade no ar e é notório para quem costuma ir às escolas.

Eu sabia disto e estava preocupada.

Vera (nome fictício) era uma menina do segundo ano com grandes problemas de imagem corporal, auto estima, expectativas e com algumas dificuldades ao nível da realização motora, tanto fina, como global.

As provas não iriam ser fáceis para ela, isso eu conseguia prever.

A relação com o colégio não era óptima.

A Vera vinha de um jardim de infância pequeno. Passou para um colégio grande onde estava constantemente na sombra das irmãs, que também lá andavam. A relação que tem com a professora é sobretudo de medo, o que é aliás o seu padrão para com os adultos. Medo de que não esteja a fazer bem, medo de que vá desiludir, medo de fazer perguntas porque já devia saber as respostas.

Esta semana cheguei pela hora do habitual, dentro do período de almoço. Percorri os diversos espaços de recreio a procurar a Vera e nada. Acabei por me cruzar com o diretor que me informou que estava na sala, juntamente com outros colegas que não tinham acabado o trabalho da manhã. É uma prática habitual no colégio da Vera, o que a prejudica bastante, visto que necessita realmente daquele espaço de tempo para brincar e recarregar energias. Fui para a sala e bati à porta para pedir que a Vera me acompanhasse para a terapia.

As palavras são potentes armas

–  Ainda bem que veio! – disse a professora, bem alto, à frente dos 9 alunos que lá estavam, incluindo a Vera – A Vera está impossível! A semana passada foi a prova de expressão físico-motora e ontem a de expressão artística. A Vera não fez nada! Sabe o que é nada? Nada! E hoje está ali, olhe, ainda nem pegou no lápis, só olha para o caderno e para o teto. Nada! E olhe que eu sei que é fácil! É fácil e ela de certeza que sabe!

A Vera estava encolhida a tentar esconder as lágrimas.

– Se isto continua assim – continuou a professora – nem sei como é que vão ser as de português e de matemática!

Chamei a Vera e fomos para a sala. Pela má relação corporal que vive, a Vera tem realmente dificuldades em admitir que não consegue fazer e lida muito mal com a frustração. Detesta tentar coisas novas e diferentes. Mas por outro lado, é brilhante a matemática e escreve muito bem, numa letra muito bonita. No português também é boa, mas, pelas suas dificuldades em expressão, por vezes tem dificuldade em perceber o que não seja literal.

Comunicar eficazmente. O pincel da coragem, o pincel da calma e o pincel da motivação

– Vera, o que se passou ontem? – perguntei com calma – Não estou chateada, só quero que tu me contes o que se passou, porque não consegui perceber e quero entender se estás bem…

– Eu não fiz nada e portei-me muito mal – respondeu ela, olhando para as mãos que estavam sob o colo.

– Não fizeste nada, ou a professora disse-te que não fizeste nada? Percebeste o que era para fazer?

– Eu achava que sim… e fiz o que a professora me tinha mandado… o meu trabalho estava um pouco diferente dos outros, mas cada menino fez à sua maneira, não achava que estivesse mal… Mas depois a professora olhou, fez uma cara muito chateada e disse que eu não tinha feito nada… Eu sei que estão chateados comigo, mas não consigo entender o porquê…

– E não perguntaste, Vera?

– Não Ana, nem hoje… estamos a ler um poema muito difícil. Eu entendo as palavras que estão escritas, mas tudo junto não faz sentido… E nem vou perguntar à professora. Ela diz que é fácil e que eu tenho que saber, mas eu não consigo… E depois ela diz que as provas de aferição vão correr muito mal… Nem quero pensar…

– E como é que isso te faz sentir? – perguntei eu, tentando ser o porto de abrigo que precisava naquele momento.

– Mal Ana, muito mal… e já sei o que vais perguntar, onde é que me sinto mal, não é? Nas mãos, Ana, sinto-me muito mal nas mãos… Eu olho para elas mas elas não se conseguem mexer…

– Vera, acho que sei do que precisamos! Vamos buscar o pincel da coragem, o pincel da calma e o pincel da motivação! Aposto que se passarmos esses pincéis nas nossas mãos elas vão ficar cheias de força!

E ficaram.

Mensagens claras, crianças esclarecidas, crianças mais calmas

Os seus ombros voltaram para baixo, consegui ver o seu pescoço, as costas endireitaram-se e os pés pararam de bater repetidamente no chão. A minha Vera estava de volta. O mundo terá sempre desafios destes para a Vera e para as nossas outras crianças. É sempre importante dar-lhes estes pincéis da calma, coragem e motivação. Mas acima de tudo, temos de ser claros nas mensagens que passamos para as nossas crianças. Se lhes dissermos apenas que fizeram mal, sem indicar o que esperávamos delas, sem ouvirmos o seu feedback e sem elogiarmos o que fazem bem, não estamos a mostrar-lhes o caminho. Estamos apenas a ser ervas daninhas.

Aproximam-se semanas intensas, o ano letivo está no fim e o cansaço começa a aparecer em todos os elementos da escola. Mas que essa não seja a desculpa para sermos pedras no caminho, quando devíamos estar a regar as nossas flores.

image@tv2.no

Todas as crianças sofrem com o divórcio. 4 Dicas para pais preocupados

Seja qual for a idade dos seus filhos todos sofrem de alguma forma com o divórcio. Quer seja no momento ou uns anos depois.

Apesar de todos os desencontros que a vida possa trazer, o único que não deve ocorrer é com eles mesmos, por esse motivo, seguem alguns conselhos/dicas para todos os pais preocupados:

1- Comunicar eficazmente com os filhos

Os filhos devem ser informados do que se está a passar, afinal, serão os principais afetados de todo o processo. Inevitavelmente um dos pais passará a estar mais ausente. O filho deve entender que a culpa não é sua e que o pai ou mãe não passa a gostar menos dele por não estar a viver debaixo do mesmo teto;

2- Os filhos em primeiro lugar

Independentemente de todas as alterações, seja na morada, seja uma nova companheira do pai ou companheiro da mãe, sejam irmãos, o filho deve sempre sentir que é amado e não foi esquecido no meio de todas as alterações na vida dos pais;

3- Uma boa relação entre todos.

É importante que todos se deem bem! Apesar do que possa ter ocorrido e da mágoa que possa ter trazido, há alguém que é fruto de algo que já existiu e que com certeza quererá que todos se deem bem. Que todos estejam presentes nas suas ocasiões especiais, sem rancores ou mau ambiente;

4- Sintonia na forma de educar

É importante que todos estejam em sintonia com a educação e decisões dos seus filhos. Os assuntos devem ser discutidos em particular para apresentar uma força unida apesar da rutura, de forma a não confundir os filhos e não criar situações em que se possa ouvir a frase “se fosse o pai/mãe deixava”.

O divórcio é uma mudança na vida dos pais, das famílias mas também dos filhos. Isto não deve ser esquecido pois é necessário dar-lhes a entender que a culpa não é deles e que são igualmente amados pelos dois.

Não se deve esquecer:

o divórcio é muitas vezes a ruptura necessária para a construção de uma estrutura mais firme no futuro.

 

Por Catarina Marques Lobo, Assistente Social