Como licenciado em psicologia (ramo educacional) que escolheu criar um projeto independente de “formação” para escolas, entendi logo que as minhas próprias competências de comunicação, de colaboração e a criatividade, eram fundamentais.

Quer para o sucesso do projeto em termos de modelo de negócio, quer em termos de sucesso no objetivo principal: ajudar a desenvolver competências e soft skills ou competências transversais. Para chegar aos docentes com quem trabalho, tenho que ser o exemplo, pelo menos de algumas, dessas competências. Também nós aprendemos pelo exemplo, não são só as crianças. E também pela inspiração que nos pode dar alguém entusiasmado e com resultados.

Mais do que levar informação, procuro agitar e colocar a refletir. E esse deve ser também o caminho do docente do século XXI.

O próprio Perfil do Aluno alerta para esta necessidade. Criar conhecimento numa era em que a informação (que não é o mesmo que conhecimento!) está ao alcance de todos, é imperativo! Porque “saber” é diferente de “ter consciência”.

Há uma preocupação que marca o meu trabalho:

Como vamos desenvolver competências transversais nos alunos, se não as tivermos?

As escolas (à atenção do Ministério da Educação) deviam ter mais capacidade e autonomia de investimento em sessões de formação capazes de ajudar os docentes a ganhar competências, em vez de, muitas vezes, os ajudar a ganhar (apenas) créditos.

O educador que deseja ajudar os alunos a desenvolver competências transversais (soft skills) tem que ser o primeiro a refletir sobre as suas e a querer melhorar, sendo um exemplo de colaboração, capacidade de comunicação e de inovação.

Como formador, procuro também proporcionar experiências que coloquem os participantes a refletir. Dar o exemplo é fundamental.

Da reflexão virá a mudança.

Mais do que passar informação, é necessário dar ferramentas para cada um criar o seu conhecimento. As minhas próprias metas, cruzam-se com o impacto que pretendo ter nos docentes presentes nas sessões. Pretendo:

1. Manter-me entusiasmado;

2. Procurar as minhas próprias experiências de formação;

3. Exercitar a empatia;

4. Provocar a minha reflexão, trabalhar de forma colaborativa e inovar(…);

5. Comunicar;

Se eu fizer, serei mais capaz de o ajudar a fazer. E assim, todos juntos faremos uma escola (ainda) melhor

Sabia que a música tem uma grande influência no desenvolvimento da linguagem das crianças?

Muitos estudos demonstram a importância da estimulação precoce em aulas de músicas, mas também no quotidiano da criança, tanto em casa como no jardim de infância, tendo um grande potencial nos vários níveis de desenvolvimento infantil.

A conexão estabelecida entre as pessoas e os sons é tão primordial que se inicia antes mesmo do nascimento. Sabe-se que a formação das estruturas auditivas no bebé se dá por volta do 5º mês de gestação. Nesse período, o bebé tem contato com a sua primeira referência de ritmo musical: o batimento cardíaco materno.

Antes de nascer, ele já reconhece o timbre da voz da mãe e já responde a estímulos sonoros: Após o sistema auditivo estar formado, já aprecia todo o reportório musical e os sons com os quais a mãe tem contacto.

Como reage o nosso cérebro à música

O nosso cérebro parece ser moldado pelas experiências proporcionadas nos primeiros anos de vida, e o cérebro de um músico tem características diferentes do cérebro de uma pessoa que não tenha tido contacto com a música na infância.

Muito se tem investigado acerca da influência da música no desenvolvimento da criança, bem como na possibilidade de ajudar na recuperação de lesões no cérebro, tanto em crianças como em adultos.

Esses estudos comprovam a influência da música nas capacidades comunicativas da criança, verbais e não verbais, na sua autoconfiança, nas suas capacidades espácio-temporais, no desenvolvimento cognitivo e motor, nas funções executivas, na memória e na aprendizagem de línguas estrangeiras.

Ao fazer música ativamos sinapses dos sistemas sensorial, cognitivo (simbólicos, linguísticos e da leitura), motivacional, sinapses que veiculam a aprendizagem, a estimulação da memória, o planeamento de movimentos, etc.

Várias investigações sugerem que a música altera a forma como o cérebro processa os componentes da linguagem, melhorando a perceção dos sons, incluindo os sons da fala e, consequentemente, a sua relação com a leitura e escrita.

A música e a aprendizagem

Para aprender a ler, a criança deverá já ter desenvolvido a consciência de que as palavras são constituídas por sílabas e estas por sons (consciência fonológica). A criança deve ser capaz de se abstrair do significado das palavras para pensar, discriminar, comparar e manipular os sons que as compõem e, dessa forma, conseguir realizar tarefas:

  • Dividir frases em palavras.
  • Encontrar ou evocar palavras que rimam.
  • Dividir palavras em sílabas.
  • Encontrar palavras que comecem pela mesma sílaba ou som, entre outras.

Estas atividades são fundamentais para a aprendizagem da leitura e da escrita mais tarde, no seu percurso escolar. Deverá ter desenvolvido também a percepção auditiva e este é um processo complexo, que depende do processamento auditivo e é constituído pela receção e interpretação dos padrões de fala; discriminação entre sons (espectro, características temporais, sequência e ritmo) reconhecimento, memorização e compreensão da fala.

A música e a linguagem

A música e a linguagem são dois estímulos auditivos, estruturados de uma forma semelhante (ambas consistem num determinado número de sons que se organizam segundo determinadas regras) e que utilizam o mesmo sistema auditivo e aparelho vocal.

A aprendizagem destes elementos musicais e linguísticos parece ser semelhante, recorrendo aos mesmos processos auditivos e a partilha destes mecanismos parece ser responsável pela influência da música no desenvolvimento das capacidades de consciência fonológica.

A música e os seus elementos (som, ritmo, melodia e harmonia) podem ser utilizados para estimulação da linguagem pelos pais e/ou educadores, mas também como método de intervenção nas perturbações de leitura e escrita, perturbações fonológicas, perturbações do processamento auditivo, entre outras. Podem ser feitas diversas atividades tendo sempre em conta os objetivos delineados para trabalhar com a criança. Beneficiando não só o desenvolvimento da consciência fonológica, mas também a perceção/sensibilidade auditiva, o processamento (motor e auditivo), a atenção e a comunicação verbal e não-verbal.

A música tem então um papel muito importante no desenvolvimento da criança, em especial na aquisição e desenvolvimento da linguagem. Portanto incentive desde cedo ao gosto pela música, oiça e explore a música em família.

O seu filho já ouviu musica hoje?

Marta Nunes, terapeuta da fala

Ensinar os filhos a esperar

Atualmente, parece que tudo é difícil de aguentar, sob todas as perspetivas.

Os filhos passam por circunstâncias sobre as quais manifestam dificuldades em gerir. No outro ângulo, encontram-se os pais que ficam tão ou mais aflitos quando sentem as crias em apuros. E se o instinto natural impele a ajudar, é isso mesmo que deve ser feito. Já resolver tudo, de modo imediato, independentemente da idade, (e, por vezes até, oferecendo soluções antes de o problema ser manifestado), é ação merecedora de ocorrência no registo criminal da parentalidade.

Cultura do instantâneo

Nascemos todos sob o princípio do prazer, isto é, “tenho fome, alimenta-me já!”; “quero água, como é que ainda não está aqui?”; “a fralda está suja: a troca é para hoje ou amanhã?”. E, sem o domínio da comunicação verbal, o choro serve de alerta para todos os sinais que queremos dar.

Pressupõe-se que, com o desenvolvimento, entre outros aspetos, se desenvolva a capacidade de esperar. Ou seja, de conseguir aguentar os diversos desconfortos que vamos sentindo na vivência diária, sem almejar soluções instantâneas. No entanto, para alcançar esta capacidade de forma ajustada, requer-se que os cuidadores (pais, avós, tios, etc) possuam também esta capacidade. A de aguentar as manifestações de desconforto, por parte de quem cuidam, sem o impulso de querer solucionar, prontamente tudo.

Exemplos disto, relativos a uma fase mais inicial da vida, são a chucha que aparece rapidamente ao primeiro choro, e os avós que surgem como recurso imediato quando os pequenotes demonstram resistência em ir à escola.

Dar tempo para aprender a esperar

A questão fulcral reside no facto da reação-resposta não dar tempo para aprender a esperar. Não dar tempo para reconhecer o sentir, confrontando-o e suportando-o até passar ou ser resolvido. Ter a capacidade de parar para pensar o sentimento é imprescindível a um desenvolvimento mais harmonioso e equilibrado, mas não “nasce” sem treino.

Não pensar no que se sente, privilegia a fuga.

O evitamento; a incapacidade de olhar para dentro, pelo receio daquilo que possa encontrar-se. E, não conseguir olhar para dentro, é como estar na selva, em frente ao Cuquedo, a anunciar-lhe que ele – Cuquedo – é muito assustador, muito embora, na verdade, ele seja o oposto do susto (sendo que só assusta porque existe essa expectativa sobre ele). Isto é, pode avolumar-se como um perigo.

A verdade é que, não obstante as boas intenções dos cuidadores, um tempo de latência na resposta aos pedidos dos pequenotes (e mesmo dos “crescidotes”), só traz benefícios. Se, por um lado, os ensina a saber esperar; por outro, transmite-lhes a mensagem que quem os cuida está tranquilo. Que não se deixa abalar com o mal estar dos filhos, sendo, por isso, sentidos como uma fonte de apoio muito mais securizante. (É natural que os cuidadores se preocupem. Devem, no entanto, de forma verbal e não verbal, passar a mensagem contrária, para que possam ser vivenciados como porto de abrigo).

Na certeza que a vida não acontece ao sabor do tempo e vontade de cada um. É importante preparar para o desenvolvimento de recursos internos que permitam aguentar mais os “mal-estar” do quotidiano. Na tentativa de evitar que, mais tarde, perante as adversidades da vida, se manifeste a sensação de perda de controlo e, (por norma) consequentes, crises de ansiedade.

Receitas Especiais – Jogos de Ortografia para Crianças

As “Receitas especiais” são jogos de ortografia para crianças apresentados a partir de um modelo de receita de cozinha.

Foram especialmente escritas para os que se dedicam ao 1º ciclo de ensino e para os pais, podendo facilmente ser usadas na sala de aula e em casa.

Os principais objetivos das “Receitas especiais” são:

1. Aumentar a motivação dos filhos/alunos para escrever;
2. Proporcionar momentos a pares dedicados à ortografia;
3. Reforçar e desenvolver a competência de ortografia;

DOMINÓ ORTOGRÁFICO

INGREDIENTES: sílabas e palavras.

UTENSÍLIOS: folhas de papel, tesoura e lápis/caneta.

CUSTO: baixo.

PARA: 2 jogadores.

MODO DE PREPARAÇÃO: Primeiro, selecionam-se 20 palavras de acordo com o tipo de sílaba que se pretende praticar (ex: pra, pre, pri, pro, pru). Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho e traça-se uma linha vertical, de alto a baixo, que os divida em duas partes iguais. Pede-se à criança que escreva cada uma das cinco sílabas numa das partes do papelinho, repetindo-as quatro vezes. Na outra parte dos papelinhos, pede-se que escreva cada uma das palavras selecionadas. Baralham-se os papelinhos e distribuem-se os 20 papelinhos pelos dois jogadores. O primeiro jogador coloca um dos seus papelinhos em jogo e o outro jogador procura nos seus uma sílaba que emparelhe com a palavra ou uma palavra que emparelhe com a sílaba, e assim sucessivamente. Ganha o jogador que terminar primeiro os seus papelinhos.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: variável.

GRAU DE DIVERTIMENTO: elevado

JOGO DO PEIXINHO DAS REGRAS ORTOGRÁFICAS

INGREDIENTES: palavras e regras ortográficas.

UTENSÍLIOS: folhas de papel, tesoura e lápis/caneta.

CUSTO: baixo.

PARA: 2 jogadores.

MODO DE PREPARAÇÃO: Primeiro, selecionam-se 10 palavras de acordo com as regras ortográficas que se pretendem praticar. Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras num papelinho e a respetiva regra noutro. Baralham-se os papelinhos com as palavras/regras escritas voltadas para baixo. Cada jogador retira dois papelinhos. O primeiro jogador pergunta ao outro se tem a palavra ou a regra que pretende fazer par. Se o outro jogador tiver o papelinho pedido, entrega, se não tiver, o primeiro jogador tem de “ir à pesca”. Se conseguir fazer o par palavra/regra diz “peixinho” e retira outros dois papelinhos, continuando a jogar. Se não conseguir fazer o par, passa a vez ao outro jogador. No fim, ganha quem tiver mais “peixinhos”.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: variável

GRAU DE DIVERTIMENTO: elevado

JOGO DE MEMÓRIA ORTOGRÁFICO

INGREDIENTES: palavras com correspondências múltiplas.

UTENSÍLIOS: folhas de papel, tesoura e lápis/caneta.

CUSTO: baixo.

PARA: 2 jogadores.

MODO DE PREPARAÇÃO: Primeiro, selecionam-se 10 palavras de acordo com a correspondência múltipla que se pretende praticar (ex.: s, c, ç, ss ou x). Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras duas vezes, em dois papelinhos. Distribuem-se os papelinhos em 4 linhas de 5 papelinhos, com as palavras voltadas para baixo. Em cada jogada, a criança pode virar dois papelinhos: se encontrar o par joga novamente; se não encontrar o par, passa a vez ao outro jogador. No fim, ganha quem tiver mais papelinhos.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: variável

GRAU DE DIVERTIMENTO: elevado

As “Receitas especiais” são atividades lúdicas, atrativas, simples de dinamizar e pouco dispendiosas que complementam outras estratégias, mais estruturadas, quando se pretende promover o desenvolvimento de competências de ortografia.

E SE… | Editora: Sana | De Raquel Garcez Pacheco | lustrações de Bárbara Neto |

E Se…?’ – que está entre os títulos literários mais curtos do mundo e o único atribuído a uma obra infantil portuguesa – é como uma viagem de balão pelo mundo da constante inconformidade humana. Aqui a fantasia ilustra o desejo e o sonho permanentes.

Este livro promete cativar miúdos e graúdos. Apesar de ser uma história infantil, a narrativa tem várias mensagens que se podem extrair.

Uma mensagem de motivação.

Que retrata a importância de acreditarmos que é possível realizarmos os nossos sonhos, que é importante sermos inconformados para nos permitirmos voar, sem medo, com ambição;

Uma mensagem de inspiração (nas crianças)

Pela sua curiosidade, bravura e imaginação. Tudo é possível aos olhos destemidos de uma criança. Perpetuar esta essência de criança em nós, é dar asas aos sonhos, é querer ser um herói, guerreiro e vencedor;

Uma mensagem pedagógica – ser resiliente.

Tal como no mundo real, na história narrada no livro, há tristeza, injustiça, solidão, traição, frustração, perda (morte), cabendo a cada de um nós, saber agir, enfrentar, ultrapassar;

Uma mensagem de reflexão universal – a eterna pergunta «E SE?»

Que nos faz escrever a nossa história pessoal pelas escolhas que fazemos, consequência ou não do livre-arbítrio: E se? E se eu fosse? E se eu tivesse feito de outra forma? E se tivesse escolhido aquele outro caminho? E se…?

SINOPSE

E se… um livro tivesse vida e, de repente, cansado de o ser, quisesse ser outra coisa?

E se esse desejo fosse concedido?

E se, num universo fantástico onde a imaginação é a rainha de todas as coisas, a magia transformasse o impossível em possível?

E se alguém fosse eternamente insatisfeito e desejasse ser sempre algo mais?

E se a ambição comandar o sonho?

E se eu fosse um sapato um dia, noutro dia, um banco de jardim e no dia seguinte uma nuvem?

E se…?

Este livro é como uma viagem de balão pelo mundo da constante inconformidade humana, onde a fantasia ilustra os desejos e os sonhos permanentes.

Atreves-te a vir voar?

FICHA TÉCNICA

Autor: Raquel Garcez Pacheco
Ilustrador: Bárbara Neto
Data de publicação: Outubro de 2018
Número de páginas: 40
Formato: 21X21
ISBN: 978-989-54210-0-8
Colecção: infanti

 

Como reagir se o seu filho disser: “Não quero ir à escola”

A recusa em ir à escola é entendida na maioria das vezes como um ato momentâneo de preguiça e na maioria dos casos não passa disso mesmo. Mas a frase “não quero ir à escola” pode esconder um pedido de ajuda para o qual os pais devem estar atentos.

Antes de pensar castigar, ou obrigar, tente perceber o que leva o seu filho a acordar sem vontade de ir às aulas.

É normal que uma vez ou outra uma criança mostre vontade de ficar em casa, muitas vezes, na expectativa de ficar mais tempo com os pais. Mas se a recusa se repete é preciso ler para lá dos sinais.

AS DESCULPAS

“Doí-me a cabeça”, “doí-me a barriga”, são desculpas a que os mais pequenos recorrem com frequência quando não querem ir à escola. Por vezes o mal estar físico tem sintomas que são visíveis pelos pais como febre ou vómitos, mas que não encontram uma justificação médica. São os chamados sintomas psicossomáticos.

Uma reação do corpo a problemas que podem ser de natureza psicológica ou emocional. É importante perceber que o seu filho pode não estar a mentir quando se queixa de uma dor de barriga para a qual o médico não encontra resposta.

A criança pode ter dificuldade em expor e até compreender o que sente.

A dor é a porta que o corpo encontra para pedir ajuda.

RAZÕES PARA NÃO QUERER IR À ESCOLA

São vários os motivos que podem levar uma criança a rejeitar a escola de um dia para o outro.

Tente conversar com o seu filho perguntar-lhe o que tem de melhor e de pior na escola.

Esteja atento aos sinais.

Bullying

Há crianças que recusam levar determinadas roupas ou objetos para a escola, outras que acabam por admitir que “os meninos são maus”. São por vezes sinais de que são vítimas de agressões físicas ou psicológicas, o chamado bullying. Se for esse o caso dê confiança ao seu filho. Mostre-lhe que não está sozinho e que juntos vão resolver o problema. Tente identificar quem são os agressores e marque uma reunião com o professor ou o diretor de turma. Sugira também uma conversa em conjunto com os pais dos meninos responsáveis pelo bullying e tentem em conjunto encontrar uma solução.

Dificuldades de aprendizagem e/ou atenção

Uma chamada para ir ao quadro ou para ler um texto em voz alta, para algumas crianças não passa de um desafio mas para outras pode ser um enorme fator de ansiedade.

O medo de cair no ridículo, de ser gozado pelos restantes, é habitual entre os mais pequenos, sobretudo quando existe uma dificuldade de aprendizagem de forma geral ou em determinadas matérias.

É importante estar atento, falar com o seu filho ao final de cada dia.

Se ele diz que “a escola é muito difícil, veja para lá do óbvio.

Talvez sinta vontade de dizer que tem de trabalhar mais porque a vida é dura e exige esforço. Mas o caminho deve ser outro. Pergunte-lhe que matérias acha mais interessantes na escola e em quais tem mais dificuldades. Elogie as capacidades que revela e mostre que o irá ajudar a superar os temas mais difíceis. Poderá também recorrer à sua experiência pessoal para lhe dar alguns exemplos de como superou determinados problemas.

Medos

“Não quero ir à escola”, pode querer dizer “quero ficar em casa”.

Na prática parece dar no mesmo, mas não é.

Por vezes o problema está no seio da família e não no ambiente escolar.

Há crianças que, por diversas razões, alimentam uma dependência pelo pai, ou a mãe e sentem receio sempre que se afastam. Acontece, por vezes, quando há uma perda ou um distanciamento. Em caso de morte, por exemplo, ou de divórcio. Se o seu filho perdeu a avó ou o avô, é natural que se questione que pode um dia perder os pais. Um receio que se pode traduzir em ansiedade e medo de sair de casa, de se afastar dos que mais gosta. Falamos de pessoas, mas pode acontecer também quando há a perda de um animal de estimação. Uma vez mais o diálogo é essencial para compreender e ajudar o seu filho.

Os motivos que podem levar uma criança a rejeitar a escola são muitos e podem ocorrer em simultâneo.

A boa notícia é que, na maioria das vezes, o problema é passageiro. Esteja atento. No final de cada dia, conversem, faça perguntas. O que aprendeu na escola? Que disciplinas gostou mais? Será que sentiu dificuldades nalguma matéria? E os amigos? Quem são? A que brincaram nos intervalos?

Não desespere e, acima de tudo, não castigue antes de saber a real razão do problema.

A criança precisa de sentir que é entendida.

Tente a via do diálogo. Reforce a importância dos estudos para a vida futura, mas realce também o lado mais lúdico da escola.

E já agora, avalie se o seu filho dorme horas suficientes. Será que não tem uma agenda demasiado preenchida com atividades escolares e extra-escolares.

Por vezes, algum cansaço pode ser a resposta que procura.

Lembre-se, poderá não acertar na melhor estratégia à primeira, tente uma vez mais, mas não hesite em procurar ajuda especializada, de um psicólogo, por exemplo, se entender que o problema persiste.

O brincar é um importante meio de aprendizagem: é divertido, focado na atividade e tem uma forte componente social.

Ser divertido é uma característica essencial para motivar as crianças a se envolverem nas atividades de forma autónoma e sistemática. Por outro lado, o foco na atividade em si mesma e não nos resultados, atenua as repercussões negativas dos erros.

Por fim, a componente social, envolvendo adultos ou outras crianças, potencia o impacto positivo na atividade.

Através do brincar são criadas oportunidades para que a criança possa praticar e desenvolver competências para a aprendizagem. Com a abordagem lúdica, as situações de aprendizagem ganham significado e contextualização para a criança, respeitando a sua vertente social.

“A brincar é que a gente também aprende!”  pretende favorecer o sucesso na aprendizagem, através de atividades lúdicas, atrativas, simples de dinamizar e pouco dispendiosas.

Os jogos a seguir descritos são exemplos de atividades dinamizadas, as quais podem ser realizadas em contextos formais e informais de aprendizagem, de forma autónoma ou coletiva e sistemática.

Spinner da Tabuada:

Objetivo: Promover a automatização de fatos numéricos.

Material: Dois spinners, 2 pratos de papel, autocolantes e caneta.

Como Jogar: Primeiro, divide-se cada um dos pratos de papel em 10 partes e escreve-se os números de 1 a 10 em cada uma das partes. Cola-se um autocolante numa das pontas de cada um dos spinners para serem as pontas indicadoras.
Coloca-se um spinner no centro de cada prato. Faz-se girar os dois spinners e, quando acabarem, pede-se à criança para dizer o resultado da multiplicação dos números indicados.

Jogo de Memória Ortográfico:

Objetivo: Promover a memorização da ortografia de palavras cujos sons assumem representações múltiplas.

Material: Folhas de papel, tesoura e caneta.

Como Jogar: Primeiro, selecionam-se 10 palavras que se representam de forma múltipla. Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras duas vezes, em dois papelinhos. Distribuem-se os papelinhos em 4 linhas de 5 papelinhos, com as palavras escritas voltadas para baixo. Em cada jogada, a criança pode virar dois papelinhos: se encontrar o par joga novamente; se não encontrar o par, passa a vez à outra criança/adulto. No fim, ganha quem tiver mais papelinhos.

Leitura em Coro ou em Eco:

Objetivo: Promover a fluência leitora.

Como Jogar: Primeiro, selecionam-se os textos que irão servir de base para as leituras. Depois, formam-se pares (criança-criança ou criança-adulto).

Na leitura em coro, pede-se ao par para ler em voz alta um dos textos selecionados, como se fosse um coro. A leitura do texto selecionado pode ser repetida as vezes necessárias até conseguir uma leitura unânime. Na leitura em eco, enquanto que a uma das crianças é pedido para ler o texto selecionado por unidades de sentido, frases ou parágrafos, à outra criança pede-se
que repita como se fosse o eco, alternando depois os papéis.

Os jogos divertem as crianças, prendem o seu interesse e atenção, pela sua natureza e dinâmica. Quando se pretende promover o desenvolvimento de competências, deve-se então contemplar a complementaridade de estratégias, estruturadas e lúdicas, pois “A brincar é que a gente também aprende!”.

 

E se o meu filho tiver dificuldades de aprendizagem e de atenção?

Se for o caso do seu filho, saiba que não está sozinho. Uma em cada cinco crianças manifesta dificuldades de aprendizagem e de atenção

Não desespere, nem fique apreensivo. Más notas na escola não significam necessariamente falta de inteligência ou qualquer perturbação intelectual. Não. Podem indiciar várias coisas, por exemplo, falta de estudo, desorganização e até fracasso no acompanhamento que a criança tem em casa e na respetiva instituição de ensino.

Antes de mais, tenha a certeza da origem do problema. Um diagnóstico errado pode comprometer o sucesso da intervenção.  Hoje em dia já existem terapêuticas especializadas que permitem às crianças desenvolver percursos normais, tanto nas aulas, como na escola da vida.

Se for o caso do seu filho, saiba que não está sozinho. Uma em cada cinco crianças manifesta dificuldades de aprendizagem e de atenção. Procure um especialista logo que perceba que a criança não está a conseguir acompanhar o ritmo dos desafios escolares.

Há importantes passos que podem e devem ser seguidos. Conheça alguns:

1 – Identifique as principais dificuldades, como se manifestam e as competências já adquiridas

Os desafios superados e não superados na escola e em casa devem ser devidamente identificados. Dificuldades de aprendizagem e de atenção podem revelar-se em idade pré-escolar e refletir-se ao nível da leitura, escrita, matemática, organização, concentração, compreensão auditiva, habilidades sociais ou habilidades motoras. Não raras vezes confundem-se estes problemas com preguiça e falta de inteligência. Fique atento aos primeiros indícios. Podem ser importantes sinais de alerta.

2 – Saiba identificar as diferentes fases do desenvolvimento da criança

A tarefa até pode não ser fácil, mas saber distinguir as diferentes etapas desenvolvimentais é muito importante. Identifique as características de cada etapa e as respetivas competências que devem ser apreendidas em cada momento. Identificar eventuais problemas pode ser complexo se não tiver a certeza das competências específicas expetáveis para cada uma das diferentes idades da criança. Saiba o que esperar desde o pré-escolar ao ensino superior.

3 – Tome nota das suas preocupações

Observe a criança e anote os pontos fracos e fortes.  As coisas aparentemente insignificantes, por vezes, têm mais importância do que aquelas que lhe queremos dar.  Os padrões de comportamento podem abrir caminho às soluções.  Por exemplo, se perceber que a criança tende a ficar frustrada com a leitura, escrita ou com a falta de acerto nos exercícios de matemática, ajude-a a ultrapassar esse sentimento, apoiando-a na busca de respostas. Saber identificar onde está a fonte do problema é meio caminho andado para que consiga ter uma vida normal e feliz. Se, por outro lado, tiver referenciadas as principais competências da criança, tornar-se-á mais fácil ajudá-la a melhorar.

Anote as principais dificuldades que vão surgindo no dia a dia.

4 – Mantenha-se em contacto permanente com a escola e com a própria criança

É essencial manter a porta do diálogo aberta, na escola e em casa. Fale com os professores. Oiça a criança e nunca desvalorize as queixas. Tente perceber, se possível diariamente, as suas dificuldades, as principais angustias e os maiores receios. Não consegue ler e escrever? Não acerta as contas da matemática? Tem dificuldades em concentrar-se nas aulas e, por exemplo, fazer amigos? É muito importante que a criança consiga verbalizar o que sente. Só conseguindo identificar as dificuldades as podemos ajudar a resolver.

5 – Fale com o médico da criança

Marque uma consulta e discuta todas as preocupações que anotou anteriormente. Partilhe com o pediatra as dificuldades que a criança sente na escola e em casa ao nível do desenvolvimento global. Avalie a necessidade de uma intervenção precoce através de uma equipa multidisciplinar. Um especialista definirá o melhor plano terapêutico em função da especificidade de cada caso concreto.

6 – Discuta a necessidade de uma intervenção precoce

Há múltiplas possibilidades de ajuda, dependendo da idade da criança. Procure uma avaliação em intervenção precoce. Essa avaliação fornece informações que podem ser essenciais no sentido de identificar eventuais problemas da criança e, posteriormente, definir estratégias capazes de o orientar em casa e na escola. Fique atento, por vezes a escola pode falar sobre dificuldades de aprendizagem e de atenção de maneira diferente dos especialistas. E os desafios da criança nem sempre são vistos da mesma forma.

7- Considere consultar com um especialista

Questione o pediatra sobre um possível encaminhamento para um especialista que possa confirmar ou descartar eventuais problemas de aprendizagem e atenção. Existem intervenções eficazes, mesmo para os casos que se afiguram mais difíceis, podendo, por vezes, ser aplicados em diferentes contextos de interação, quer em casa, quer na escola. Uma avaliação psicopedagógica representa o primeiro passo para o bem-estar da criança.

8 – Conheça outras realidades

Conhecer outras histórias ajuda-nos a enfrentar os nossos problemas. Leia experiências pessoais de pais de crianças com dificuldades de aprendizagem e atenção. Descubra o que aprenderam.  Considere fazer parte de associações de pais cujos filhos foram diagnosticados com os mesmos problemas. Partilhar experiências pode contribuir para esclarecer dúvidas e encarar a realidade com mais confiança.

 

 

3 atividades divertidas para desenvolver a competência da escrita

Pais, avós e irmãos são os parceiros ideais para o sucesso da criança na aquisição e domínio da competência da escrita.

Se no seio familiar a criança tiver oportunidade de se envolver em atividades de escrita, começa desde cedo a compreender as suas diferentes funções e a identificar os diferentes suportes de escrita.

Ser capaz de identificar as funcionalidades da escrita permite à criança compreender para que serve escrever e aumentar a sua motivação para realizar esta tarefa. Em tempo de férias escolares, as famílias poderão realizar atividades divertidas. Assim permitem à criança identificar a escrita como um meio para transmitir informação, para organizar e registar informação e para dar instruções precisas.

Ficam aqui 3 actividades para as crianças desenvolverem a competência da escrita durante as férias, de forma descontraída e divertida.

(Nota: Estas atividades devem contar com a participação ativa da criança na decisão dos conteúdos e do registo escrito dos mesmos e ser adequadas ao seu nível de competência.)

1. Jornal de Parede Familiar

Objetivo:

Registar por escrito acontecimentos relevantes, das férias escolares da criança. É necessário um painel para afixar as notícias.

Um familiar poderá ser o editor do jornal, acordando com a criança a periodicidade com que as noticias poderão ser afixadas. Algumas das ideias que poderão ser exploradas são:

  • Fotografias legendadas de momentos passados nas férias (podem imprimir em casa, ou pedir ajuda aos pais para imprimir fora)
  • Ilustrações de passeios ou visitas acompanhadas de breves descrições
  • Anúncios de eventos festivos ou flyers .

2. Listas e Mapas de Registo em Família

Objetivo:

Registar informação útil à família, que pode ser consultada a qualquer altura.

As listas poderão ser afixadas na parede ou num quadro. Em conjunto, poderão ser elaboradas listas de compras a fazer no supermercado, listas do vestuário e de objetos a incluir na mala de viagem, listas de números de telefone e moradas úteis, mapas de registo dos aniversários familiares durante o Verão, e mapas de registo de tarefas durante as férias.

3. Caderno de Instruções para toda a Família

Objetivo:

Registar por escrito as instruções de atividades que podem ser dinamizadas no período de férias, mantendo-as sempre acessíveis a todos.

Num caderno, poderão ser escritas:

  • instruções de jogos de praia
  • instruções de cuidados a ter com o sol
  • instruções de receitas que possam ser confeccionadas pela criança
  • regras de utilização de piscinas ou parques aquáticos

Ao dinamizar atividades com os pequenos escritores lá de casa, as famílias terão a oportunidade de reforçar e valorizar as competências trabalhadas ao longo do ano letivo. Particularmente no domínio da escrita em tempo de férias!

Somos fruto de uma soma, não de divisão

Acredito que todos temos um propósito, que viemos ao mundo – seja por quanto tempo for – para o transformar de alguma forma.

Há quem passe uma vida inteira sem perceber qual o sentido de andar por cá, sem por isso se aperceber que provavelmente está a ensinar a alguém lições valiosas.

Somos a soma do amor que em nós foi depositado, dos planos que foram feitos, mesmo quando não fomos planeados ou “desejados”.

Somos a soma das nossas experiências, das nossas escolhas, das pessoas que tivemos e temos à nossa volta.

Somos para os nossos filhos muitas vezes mais do que os nossos pais foram para nós e, outras tantas, menos.

Ensinamos como sabemos, às vezes sem saber ensinar.

Lamentamos coisas erradas, agarramo-nos a sentimentos e por vezes a coisas. Deixamo-nos ir abaixo, erguemo-nos e caminhamos, mancos ou com energia, conforme a vida e o destino nos deixam.

Cometemos os mesmos erros repetidamente, conseguimos inclusivamente saber antecipadamente que o vamos fazer e gostaríamos de o poder evitar. Noutras alturas evitamos esses erros e sentimos alguma glória nessa conquista, que nos enriquece.

Fraquejamos, rimos, choramos. Muitas vezes sozinhos.

O nosso caminho é solitário, mesmo quando temos uma família grande, quando estamos rodeados de amigos e temos filhos, um, dois ou cinco. Porque o nosso caminho é feito pelas nossas pernas e os “pesos” que carregamos por vezes fazem-nos demorar mais um pouco em alguns lugares, outras vezes permitem-nos ficar onde somos esperados. Mas o nosso caminho só pode ser feito por nós.

Temos a responsabilidade de deixar aos nossos filhos algumas respostas que os nossos pais não nos deram.

Temos a responsabilidade de, à nossa maneira, deixar o mundo diferente do que o encontrámos, preferencialmente melhor.

Temos a responsabilidade mas também temos as recompensas, se as soubermos identificar, se com elas conseguirmos sorrir e agradecer.

Às vezes esquecemo-nos de valorizar as pequenas conquistas do nosso dia a dia.

De agradecer o que de bom temos, mesmo que seja muito pouco. Porque por mínimo que seja, está lá e faz de nós humanos. Faz de nós pais que querem o melhor para os seus filhos e eles só serão seres humanos melhores que nós se lhes mostrarmos o caminho.

Em muitos casos isso não será suficiente.

Haverá filhos que não deixarão os seus pais orgulhosos.

Haverá filhos que terão caminhos que são um “retrocesso” em comparação com o que foi trilhado pelos pais (e não, não falo de conquistas financeiras, de trabalho, estudos, casas ou número de carros na garagem e carimbos no passaporte).

Haverá filhos que vieram fazer uma viagem diferente da nossa.

Com outro propósito, com outras lições.

Com uma vida aparentemente triste, por vezes.

Mas enquanto mãe, se for esse o meu caso, quero sentir que a vida que trouxe a este mundo tem um significado e o sabe. Que sabe que foi amada e o será para sempre, enquanto viverem as pessoas que cresceram do seu lado.

Que mesmo que o seu percurso não seja tudo aquilo que está escrito nas estrelas ela viveu e não ficou presa às expectativas, aos sonhos alheios, ao que a sociedade esperava que fizesse só para se encaixar no padrão.

No fundo, acho que todos viemos a este mundo com a missão de nos encontrarmos.

E alguns, os mais sortudos de nós, encontram-se uns aos outros no caminho.

E isso já valeu a pena.