Bullying na escola, o que fazer?
Se o seu filho é repetidamente alvo de gozo, insultos ou comportamentos agressivos por outras crianças, então é provável que esteja a sofrer de bullying na escola.
Se isto se confirmar, é fundamental conhecer as medidas a tomar em caso de bullying:
- Em primeiro lugar, reúna os factos: fale com o seu filho acerca do que se está a passar, quem está envolvido, onde e quando ocorreu. Quanto mais perguntas fizer, mais informação conseguirá obter;
- Anote os dados: tente recriar uma linha do tempo com todos os acontecimentos;
- Antes de ir à escola, conte a história a alguém próximo de si ou da sua família, assegurando-se de que está a restringir-se aos factos e o mais objectivamente possível;
- Informe-se se a escola contempla alguma tipo de regra ou medidas específicas para denunciar uma situação de bullying;
- Fale primeiro com o professor titular, não vá logo para a direção. O professor é o seu maior aliado. Pergunte-lhe se ele tem algum conhecimento desta situação, conte-lhe a história de bullying do seu filho e reúna-se com ele novamente no espaço de uma semana, para tentar avaliar se a situação persiste ou se, pelo contrário, já se encontra resolvida;
- Se o bullying continuar, então sim deverá, juntamente com o professor, falar com a direção da escola. Tente averiguar de que forma a direção vai lidar com o assunto.
Mais importante ainda do que conhecer os passos a tomar perante uma situação de bullying, é fundamental capacitar o seu filho a defender-se e saber como reagir quando confrontado com uma eventual situação de bullying.
Os pais são, muitas vezes, os últimos a saber destas ocorrências, e a verdade é que não pode estar sempre presente quando o seu filho precisa de proteção, sobretudo em situações que ocorram maioritariamente dentro do recinto escolar.
Abaixo damos-lhe uma série de estratégias que poderão ajudar o seu filho a responder de forma eficaz sempre que os colegas ajam agressivamente contra ele ou contra outros:
1.Definir bullying
Use a palavra bullying em casa, encoraje o seu filho a usá-la para descrever o que o bullying verdadeiramente é. O bullying é uma coisa muito séria, um comportamento intencional que faz sofrer e que acontece repetidamente. E acima de tudo, esclareça-o de que o bullying é algo que não é aceitável.
2. Ensinar a respeitar e a ser respeitado
Relembre o seu filho de que, tal como não é aceitável que os outros gozem com ele, também não é aceitável que o seu filho goze com os outros, mesmo sob o argumento de que “toda a gente o faz” ou de que isso o faça parecer “fixe” aos olhos dos amigos.
3. Denunciar
Relembre o seu filho de que, perante uma situação de bullying, seja presencial ou on-line, ele tem sempre a possibilidade de escolher entre ser um observador passivo ou alguém que toma uma atitude. O seu filho tem a responsabilidade de denunciar os “bullies” aos adultos que podem ajudar. Diga-lhe que isto não significa ser “queixinhas”, mas sim uma atitude de compaixão e preocupação por outra criança. Isto gerará uma onda de solidariedade: quanto mais ele cuidar de outros alunos, maior a probabilidade de eles o ajudarem a defender-se contra “bullys” também.
4. Proteger e orientar
Garanta ao seu filho que ele não vai arranjar problemas ao contar a sua experiência de bullying a um adulto de confiança. Isto é válido tanto para incidentes que ocorram com ele, como para outra criança. Ajude o seu filho a perceber com quem deve falar nas diferentes circunstâncias.
5. Prevenir
Faça role-play de formas a responder ao bullying: ajude o seu filho a pensar em formas de reagir quando é gozado em diferentes circunstâncias. A quem contaria se alguém o andasse a empurrar no autocarro? O que é que ele diria a alguém que o insultou? Como é que deveria reagir se outros a alunos o excluíssem de um jogo?
Diga-lhe como agir:
- Ignorar o “bully”, sempre que possível;
- Afastar-se ou ir-se embora, se conseguir;
- Dizer ao “bully” para parar, em voz alta. Mesmo que se sinta nervoso, deve tentar falar e agir com confiança.
- Pedir ajuda a amigos e colegas;
- Tentar não se emocionar;
- Evitar responder também com bullying. Retaliação pode ser perigosa;
- Contar sempre a um adulto (professor, pais, auxiliar, etc) depois do sucedido.
Nem sempre o nosso filho é vitima de bullying. E se for o agressor, o que fazer neste caso?
O seu filho goza com outras crianças?
Tem tendência para ficar de castigo e ser advertido por problemas no recreio?
Talvez esteja a “cometer” bullying.
Estas crianças normalmente precisam de se sentir em controlo, têm dificuldade em gerir as suas emoções e em fazer amigos, por vezes podem mesmo sentir-se frustrados devido a dificuldades de aprendizagem ou atencionais. Mesmo que este tipo de comportamento possa ser explicado, é importante que o seu filho saiba que, quando goza com outras crianças, está a ser “bully”. Ensiná-lo a gerir as suas emoções e ações é a melhor forma de acabar com este tipo de comportamento:
1. Deixe claro que não aceita este tipo de comportamento
Explique ao seu filho que não acha piada, engraçado ou aceitável magoar e gozar com os outros. Isto é válido tanto para os colegas como para os irmãos;
2. Reveja os incidentes calmamente
O que fizeste? Porque é que foi uma má escolha? A quem é que as tuas ações magoaram? O que é que estavas a tentar conseguir? Da próxima vez, como podes atingir esse objetivo sem magoar outras pessoas?
3. Arranje consequências consistentes para este tipo de comportamento
Ex: O seu filho terá que pedir desculpa a quem magoou ou gozou e emendar o mal que fez. Seguidamente, terá que haver uma consequência negativa do seu comportamento: ficar sem acesso ao computador, televisão ou telemóvel, ou então não fazer as atividades que tinha planeadas durante um período de tempo. Estas consequências podem ser mudadas/ajustadas, mas certifique-se de que o seu filho toma conhecimento dessa mudança;
4. Esteja SEMPRE informado acerca do comportamento do seu filho
Com quem é que o seu filho se dá? Tente perceber o comportamento do seu filho em diferentes áreas da sua vida. Mal assista a um comportamento menos apropriado, seja assertivo e aja imediatamente Isto ajuda a criança a compreender que esse comportamento é inaceitável.
5. Transmita aos seu filho a “normalidade” de ser-se bom para os outros
Faça com que o seu filho repare no universo em seu redor, em que o “normal” é as pessoas serem simpáticas, atenciosas e generosas umas com as outras. Quando passam tempo juntos, chame a atenção quando vir alguém a agir de forma atenciosa e correta. Participem juntos em ações de voluntariado, de modo a estimular o seu filho a ajudar os outros. Valorize o seu filho, sempre que ele for atencioso ou sempre que ele consiga gerir as suas emoções de forma adequada.
Quer o seu filho esteja a ser vítima de bullying, que seja o próprio agressor ou um mero espectador, ensine-o a agir da maneira mais adequada em qualquer uma destas situações
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Senhor/a Diretor/a,
A culpa é sua!
A culpa é sua e não há volta a dar.
Quando os estudantes estão felizes na Escola, quando, na sua maioria, sorriem, quando o ambiente no recreio é leve e solto, a culpa é sua!
É sua porque soube regar a auto-estima dos seus professores. Soube dar atenção aos mais motivados. Soube integrar o professor que fez 90 longos quilómetros para chegar à Escola. Soube dizer as palavras certas ao professor que ficou triste com o horário.
Há estudantes que sofrem em silêncio. Há um manto negro de tecnologia em excesso, jogado num colchão de pais atarefados. Pais que lutam em dois empregos. Pais desempregados. Pais exaustos. Pais que precisam de uma Escola cada vez mais como a sua Escola, caro/a Diretor/a.
É a Escola do século XXI. Dinâmica, aberta a iniciativas de fora. Aberta à inovação. Aberta e com capacidade para se sentir provocada.
Sabemos do que estamos a falar. Andamos a receber elogios pelas nossas provocações, em Escolas de todo o país, quando levamos as nossas (trans) Formações.
Há estudantes em perigo. Perigo real de depressão, suicídio, e outras temáticas tão difíceis até de verbalizar. Temas preocupantes para todos os Pais. E para os Professores.
A culpa é sua quando estes estudantes se sentem apoiados. A culpa é sua porque exigiu a presença de um Psicólogo, porque exige desse Psicólogo o melhor. A culpa é sua porque, ás vezes, também é Psicólogo do Psicólogo.
A culpa é sua quando escuta. E os professores têm tanto para dizer…
Com o Mundo Brilhante viajo pelo país a dinamizar (trans) Formações para Professores. E, imagine, de quem é a culpa?
A culpa é sua quando não confunde Formação Acreditada com (trans) Formação útil.
A culpa é sua quando procura dar as ferramentas de controlo do stress ao seu exército de professores. Quando os capacita com técnicas poderosas para educarem de acordo com a Psicologia Positiva.
E como os professores precisam! É lindo ver o mais cético, sair das sessões com mais capacidade para realizar uma aula poderosa.
A culpa é sua quando vai à sala dos professores só para ver o ambiente. Quando abre a porta do gabinete. A culpa do espírito de equipa, é sua, quando está próximo.
A culpa é sua quando os nossos filhos chegam a casa e nos falam do seu discurso. Motivar os alunos, também é isto.
A culpa é sua quando o país avança. O brilho nos seus olhos, ao falar da sua Escola…
A luz que sai de si, ao falar dos seus professores…
Ainda hoje recebemos mais um pedido para irmos a uma Escola, dinamizar uma (trans) Formação para professores. Ficámos emocionados. E foi aí que decidimos escrever esta carta.
De quem foi a culpa do nosso entusiasmo? Da Diretora que nos convidou.
A forma como nos falou dos “seus professores”, a subtileza com que abordou os problemas. A forma positiva (e inteligente!) como falou das dificuldades em lidar “com os alunos de hoje”.
A forma tão linda de pedir ajuda. A forma linda de pedir o melhor para os seus professores.
“Se os professores tiverem o melhor, os alunos só têm a ganhar!”.
Ensinar pode ser uma maratona. Mais do que “banha da cobra”, precisamos de uma Direção atenta a soluções com base científica.
Portanto, a culpa também é sua quando pondera (trans) Formações para professores que abordem técnicas capazes de estimular o córtex prefrontal esquerdo, a área associada às sensações de bem-estar.
Portanto, a culpa também é sua quando pondera (trans) Formações para professores que abordem técnicas capazes de inibir a amígdala cerebral. Ai a marota da amígdala, tão útil e tão prejudicial quando descontrolada…
No Mundo Brilhante sabemos que a culpa é sua, quando tem atenção à tríade:
- Pedagogia
- Conteúdos
- Estado Emocional
Quando tem atenção, tem professores ainda mais espetaculares! Um professor só deixa marca na vida do aluno, quando articula com sucesso os três elementos desta tríade.
O futuro chegou. A Direção da Escola é culpada de um mundo melhor, quando ajuda o professor a dar pistas aos alunos para melhor entenderem as suas emoções. E as pistas vêm, também, do exemplo dos melhores professores.
A culpa é sua quando inova.
Rasgue um papel.
Rasgue outro.
Suba na mesa.
Marque uma reunião num local diferente.
Escute os professores também com o seu corpo.
Escute também com o seu coração.
Passe no recreio para os alunos o verem. Almoce no refeitório algumas vezes.
Os professores são altruístas. Generosos. Mas as águas estão revoltas. Muito revoltas.
Há colocações, quadros de zona, abraços, conversa, deslocações, carreiras, indisciplinas,…
Precisamos de uma Direção de Escola que assuma a culpa!
Com calma. Com inteligência emocional. Que assuma a culpa.
E, felizmente, são cada vez mais as Direções que o fazem!
Estou a imaginar o/a Diretor/a em cima da mesa a ter uma visão de futuro! Uma visão capaz de ajudar os professores a melhorar o seu Estado Emocional!
Uma visão de uma Escola melhor para os professores.
Uma visão brilhante. Perante, um conflito, uma negociação assertiva. Perante um desmotivado, uma palavra. Perante um estagnado, um contagiar com o vírus da mudança.
Não aprendo com as conferências TED. Ou aprendo pouco. Aprendo muito com as Direções que nos convidam e nos apresentam aos professores.
Conte com a nossa ajuda para espalharmos o vírus da mudança.
A culpa é sua, também, por crescermos como Projeto. Não poderíamos estar mais gratos. Obrigado.
imagem@nazaccent
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14 Verdades que os professores deviam dizer aos pais
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A época de exames já começou para muitos alunos. Dos mais novos aos mais velhos todos estudam, todos se preparam para prestar provas sobre o que aprenderam
Muitos pais já se esqueceram do que sentiram quando eles próprios passaram por isso, outros não sabem como ajudar nesta fase.
Para mim, como irmã de uma finalista do 12º ano, acho que há coisas básicas que todos podemos fazer e que por vezes são suficientes para que os nossos “alunos” se sintam mais calmos.
– Desdramatizar. Por mais importantes que os exames sejam, por mais ponderação que tenham na nota ou até na média, é preciso não fazer um bicho de sete cabeças – um exame é, no fundo, uma recapitulação do que foi dado. E eles estiveram nas aulas. Estudaram.
– Aceitar as suas dúvidas. É natural que elas existam e podemos orientá-los sobre como conseguir ultrapassá-las. Muitas vezes eles precisam de se sentir acompanhados, apenas isso.
– Ser companheiros no que respeita a espantar os nervos. Trocar experiências, dar dicas, fazer com eles exercícios de relaxamento ou simplesmente ajudá-los a encontrar uma forma de fazer uma pausa no meio de tanto estudo.
– Valorizar o que nos dizem. Por mais que achemos descabido, devemos ouvir. Desabafar é essencial para nos ouvirmos a nós próprios, porque expressamos os nossos pensamentos em voz alta. Sistematizar o que sentem pode ser a chave para que entendam onde precisam de trabalhar mais ou por qaue motivo estão a ter mais dificuldades numa matéria que noutra.
– Ter muita paciência.
– Não deixar os nossos próprios nervos transparecerem. Eles já têm os deles e basta.
– Ir acompanhando, mas dar-lhes espaço. Não fazer perguntas a toda a hora (já estudaste? Não devias estar a estudar? Como assim vais ter com os teus amigos com o exame daqui a 144 horas???), não exigir que eles tenham as respostas todas na ponta da língua.
É uma fase que é ansiada o ano todo e que passa num instante. Pode ser determinante para a definição do futuro deles, como pode também significar ficar mais um ano à espera.
Vejam as férias à espera no fundo do túnel.
Os miúdos vão ser capazes e vocês também!
Rosie Dutton, uma professora britânica, explicou de uma forma criativa e bem eficaz os efeitos do bullying.
Rosie apenas precisou de duas maçãs.
Por fora, as frutas eram aparentemente iguais: grandes, muito vermelhas, daquelas que escolhemos nos mercados.
Só que, antes de levá-las para a sala de aula, a professora bateu com uma delas no chão repetidamente, mas de forma delicada. As crianças não souberam disso.
Na sala de aula mostrou as duas maçãs aos alunos, e pediu-lhes que as descrevessem. As semelhanças entre elas eram evidentes.
“Peguei na maçã que tinha atirado ao chão e comecei a dizer às crianças o quanto eu não gostava dela, que eu a achava nojenta, com uma cor horrível e que o pincaro era muito curto. Eu disse-lhes que, por eu não gostar daquela maçã, queria que elas também não gostassem, então elas deveriam insultar a fruta.”
As crianças olharam para Rosie admirados, mas começaram a passar a maçã de mão em mão, e cada aluno fazia um insulto à maçã. “És feia!” “Cheiras mal” “Não prestas”
“Nós ofendemos mesmo aquela pobre maçã. Até me senti mal por ela.”
De seguida, Rosie pediu que passassem a segunda maçã de mão em mão e que todos a elogiassem: “Que maçã adorável”, “A casca é bonita“, “Tens uma cor linda”.
Depois a professora segurou as duas maçãs e, em conjunto com as crianças, falaram sobre as suas semelhanças e diferenças. Aparentemente continuavam iguais..
A professora cortou as duas maçãs ao meio. A maçã elogiada era clarinha, fresca e sumarenta por dentro.
A maçã insultada estava cheia de marcas, nodoas negras, e estava mole por dentro por dentro.
“Acho que as crianças tiveram uma espécie de iluminação naquele momento. Entenderam que, o que vimos no interior das maçãs representava cada um de nós quando se sente ofendido, triste por alguém nos maltratar através de ações ou palavras“, explica no post que fez no Facebook.
“Quando as pessoas sofrem de bullying, especialmente as crianças, sentem-se péssimas por dentro e muitas vezes não demonstram nem exteriorizam o que estão a sentir. Se não tivéssemos cortado aquela maçã ao meio, nunca teríamos percebido este efeito”
Na semana anterior, Rosie havia partilhado com as crianças uma situação em que ficou triste com as ofensas de uma pessoa.
“Nós podemos impedir que isso aconteça. Podemos ensinar às crianças que que não devemos insultar, maltratar, ou gozar com os colegas. Podemos ensinar que devemos sempre defender os coleguas e não colaborar com qualquer tipo de bullying, tal como aluna hoje, que se recusou a insultar a maçã.”
A esclarecedora lição foi dada numa aula chamada Relax Kids. Nesta aula, a professora e a escola oferecem ferramentas e técnicas para as crianças lidarem com os seus sentimentos e emoções, e ajudam os alunos a aprender a lidar com o stress ou ansiedade.
Rosie Dutton diz que esta postura é transversal a todas as aulas. Mas nesta disciplina, especificamente, fala-se sobre emoções e as atividades realizadas promovem o trabalho em equipa, o respeito, o apoio aos colegas, a resolução de conflitos, a auto-estima e a confiança. Neste espaço pretende-se ainda divulgar espaços e criar elos seguros com as crianças, para que saibam onde e a quem devem recorrer se sentirem que precisam de ajuda.
Esta valiosa lição pode e deve ser transmitida aos nossos filhos na escola, em casa, nas actividades, onde quer que vão. Quanto mais cedo as crianças perceberem o efeito do Bullying, mais depressa estarão atentas ao que se passa em seu redor de forma a poderem proteger alguma vítima, ou protegerem-se a si próprias. É importante que as crianças entendam que se forem postas de parte ou insultadas pelos colegas a culpa dão é delas. Mas deles. E que eles são os bullys.
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Pistas para motivar os alunos
“Mas os alunos já devem vir motivados de casa…”
“No meu tempo, não era precisa motivar.”
Quem deseja falar de forma a ser ouvido, tem que estar presente.
Toda a sua alma, todo o seu querer, todos os poros do corpo, devem estar presentes. Presentes naquele momento, naquele lugar. Naquela comunicação.
Os que desejam ter uma plateia atenta, têm que saber do que estão a falar.
Têm que saber tudo sobre tudo, não para se vangloriarem, mas para poderem arranjar pontes entre o que sabem, e o que a plateia precisa saber.
Quais são os gostos daqueles que o estão a ouvir? De que é que eles precisam? O que é que eles já sabem?
Aqueles que falam “mal” da motivação esquecem-se…
Esquecem-se de que nem todos os alunos têm as mesmas famílias empenhadas.
Esquecem-se de que a Escola também existe, para dar a todos a mesma oportunidade.
Esquecem-se de que às vezes, falam “mal” da motivação para mascarar o seu cansaço, a sua falta de paixão, a sua deficiente capacidade para serem empáticos, a sua fraca assertividade…o seu desconhecimento sobre o conceito “assertividade”…
Quem deseja falar para que o ouçam, deve entender algo sobre a diferença. Deve ser tolerante. Justo. Prático. Deve ter valores. Quais são os seus valores? Se não souber encher uma folha com os seus valores, como poderá passar valores para os seus alunos?
Assim que a cabeça voa lá para fora, para outros problemas, os alunos sentem. Assim que estamos presentes os alunos correspondem.
Quando ultrapassamos o cansaço, as injustiças de que a profissão é alvo, quando entendemos que a culpa não é deles, aí motivamos. Damos ferramentas.
E quem diz “no meu tempo não era preciso…” nem merece mais conversa.
É que o seu tempo é AGORA.
É que quem diz “no meu tempo” parece que já morreu.
Ou pior, parece que envelheceu.
Por dentro, claro está!
Estes “tempos de hoje” estão diferentes. Há outros desafios. Quem estiver a fazer frete não vai ser ouvido, quem estiver a falar por falar, está a fazer um mau trabalho.
Mas no fundo, é tudo uma questão de consciência. E de valores.
Quais são mesmo os seus valores?
No Mundo Brilhante conhecemos centenas de excelentes professores! Eles levam, na sombra, tudo para a frente. Eles são pessoas de (e com) valores. A eles, humildemente, dedicamos estas palavras e desejamos força!
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Professores e pais
imagem@depositphotos.com
Transformar a educação em Portugal. De uma vez por todas
Ao longo dos anos surgem, no nosso sistema de ensino, inúmeras mudanças e alterações que não reflectem uma verdadeira mudança de paradigma na educação. São quase sempre ajustes ou remendos a um funcionamento que está, por si só desgastado, antiquado e obsoleto. É preciso reconstruir, colocar em causa toda uma base que está frágil, virar do avesso, utilizar os avanços científicos e experiências diferenciadoras ao serviço de práticas educativas actualizadas, eficazes e que vão ao encontro das crianças e do respeito pelo seu desenvolvimento integral.
ASSIM, ambiciosamente mas realisticamente:
- Queremos que as escolas e os professores tenham autonomia e liberdade para adequar as suas práticas às necessidades e características dos alunos, com a prioridade de seguir os seus interesses e motivações, por oposição ao seguimento cego de metas curriculares(…)
- Queremos que as salas de aula deixem de ser mesas e cadeiras alinhadas, viradas para um quadro onde o professor é acima de tudo um transmissor inquestionável de conhecimentos. A evolução no acesso à informação faz com que as crianças não precisem que lhes transmitam saberes mas que as ajudem a estimular a criatividade, o pensamento crítico e a flexibilidade de pensamento. As crianças precisam de ficar viradas umas para as outras, em grupos heterogéneos dentro da sala de aula, de forma a aprenderem umas com as outras com o material que lhes é fornecido. (…)
- Queremos que as avaliações sejam qualitativas, sem rankings ou exames que levam à comparação do que é incomparável, à frenética procura de melhorar a posição de uma escola e à destruição completa da intencionalidade educativa com números e médias. Os professores sentem-se obrigados a modular as suas aulas de forma a corresponderem a uma série de tópicos previamente estipulados e que fazem com as nossas escolas pareçam fábricas de conhecimentos que são iguais de Norte a Sul. (…)
- Queremos que todos os espaços escolares deixem de ser edifícios rodeados de cimento, estéreis, demasiado planos e arranjados, sem terra, árvores ou elementos naturais que não respeitam as necessidades motoras e simbólicas das nossas crianças, tão essenciais para a integração das aprendizagens mais formais. Os recreios são pobres e cinzentos, sem riqueza de estímulos, possuindo apenas escorregas ou baloiços que levam à brincadeira programada e não permitem que as crianças acedem ao imaginário. (…)
- Queremos que se pratique uma comunicação positiva por parte dos profissionais de educação. Não acreditamos em castigos, gritos, ausências de recreios, mesas viradas para a parede, tabelas de bom ou mau comportamento ou “palmadas pedagógicas”. A punição ensina a punir, não ensina a mudar. Acreditamos na autoridade do adulto, e não no autoritarismo, enquanto responsável pelo bem-estar da criança mas envolvendo-a no seu processo de socialização como um ser independente e com voz activa, nomeadamente construindo-se as regras do espaço escolar em conjunto com elas, com a nomeação do que é necessário para uma convivência saudável entre todos e com as consequências previsíveis quando isso não acontece.(…)
- Queremos que a escola faça realmente parte da comunidade e que seja uma extensão das famílias. Que os pais que querem e têm disponibilidade para participar, possam ser envolvidos em actividades do quotidiano e que o acesso à mesma não lhes seja vedado. (…)
- Queremos que os profissionais de educação tenham estabilidade profissional. Que sejam oferecidas condições para exercerem, sem concursos que os fazem leccionar longe da família e dos filhos e que a satisfação decorrente disso se reflicta na motivação para ensinar. Que seja retirada a carga burocrática e que se dê tempo e espaço para que possam fazer formação, nomeadamente tendo contacto com outras pedagogias alternativas. (…)
- Queremos que as turmas sejam mais pequenas e que as crianças com necessidades especiais ou com dificuldades de aprendizagem tenham um acompanhamento diário no contexto de sala de aula e equipas multidisciplinares (psicólogos, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais) com um rácio de alunos adequado para que possam intervir significativamente. Os professores de ensino especial passam muito pouco tempo com as crianças e estas acabam por não conseguir atingir o seu potencial pela impossibilidade do professor titular chegar a todos os alunos, que são numerosos e muito diferentes entre si.(…)
- Queremos apostar nas competências sociais e emocionais dos nossos alunos, tanto quanto nas disciplinas propriamente ditas – não nos interessa formar crianças tecnicamente competentes que não se sabem relacionar e que saem de um sistema educativo que promove cada vez mais o individualismo;
- Queremos dar mais foco a actividades artísticas, musicais, manuais e desportivas numa proporção semelhante à matemática, português ou ciências, mesmo porque as disciplinas estão todas interrelacionadas, e com vista a terminar gradualmente com as disciplinas fixas e estanques.(…)
- Queremos cargas lectivas mais reduzidas e menos actividades programadas fora do tempo lectivo. Que o tempo livre seja isso mesmo, assente em brincadeira livre.(…)
- Queremos afastar os argumentos constantes de que o ensino funciona melhor noutros países, nomeadamente nos países nórdicos, porque a cultura e mentalidade são diferentes e que não seria possível replicar no nosso país. (…)
- Queremos que as famílias tenham maior liberdade de escolha na educação dos filhos, legislando-se práticas que actualmente não têm enquadramento legal mas que estão a proliferar pelo país, como as comunidades de aprendizagem constituídas por grupos de pais e/ou profissionais que querem oferecer às suas crianças uma maior diversidade de opções educativas. (…)
- Queremos preparar e formar cidadãos para a vida prática, para a empatia, para a comunidade, para a honestidade social e empresarial – se formamos para a competição, formamos para o umbiguismo, para a acumulação de riqueza, para o fosso cada vez maior entre ricos e pobres, para o insucesso interior, para a noção de que a felicidade está intimamente relacionada com bens materiais e estatuto social.
Se concorda com o exposto, não continue de braços cruzados.
Leia a petição completa aqui, e assine aqui.
Pelo futuro dos nossos filhos.
Esta petição foi criada por Ana Rita Dias e Membros do Grupo “Escolas Alternativas e Comunidades de aprendizagem em Portugal”
Há muito tempo que os pais se queixam do excesso de TPC que as crianças trazem diariamente para casa. Se pensava que era um mal do ensino português, desengane-se, porque mesmo aqui ao lado no país vizinho os trabalhos de casa ocupam aos alunos uma média de 6,5 horas/semana, colocando-o como um dos países em que os professores sobrecarregam mais os alunos com os deveres.
Em reação ao cansaço extremo e falta de tempo em família e para brincar, a Confederação Espanhola de Associações de Pais e Mães de Alunos, Ceapa, que representa cerca de 12 mil associações, convidou as famílias das várias comunidades autonómicas espanholas a fazerem uma greve aos TPC´s durante o mês de Novembro.
Os argumentos da Ceapa é que os trabalhos de casa “invadem o tempo das famílias” e “violam o direito ao recreio, à brincadeira e a participar nas atividades artísticas e culturais”, tal como vem descrito no artigo 31 da Convenção dos Direitos da Criança.
O presidente da Ceapa, José Luis Pazos, declarou ao El Mundo que os pais querem “recuperar o tempo familiar dos fins-de-semana”. “Também queremos que o modelo mude e que se dê um salto qualitativo no sistema educativo. Escolas de outros países funcionam sem trabalhos de casa, sem livros de texto e sem exames e obtêm resultados magníficos“, realçou.
A OCDE alerta que os trabalhos de casa “reforçam a disparidade socio-económica entre os estudantes” e “aumentam o intervalo entre os ricos e os pobres”.
Proposta para reduzir tamanho das turmas foi aprovada
O Parlamento aprovou nesta sexta-feira um conjunto de propostas de vários partidos estipulando um número máximo de alunos por turma na educação pré-escolar e nos ensinos básico e secundário.
“Os Verdes” (PEV), Partido Comunista Português (PCP), Bloco de Esquerda (BE), CDS-PP e PS apresentaram esta sexta-feira no Parlamento projectos relativos à dimensão das turmas no ensino público e todos foram aprovados. Agora, estes diplomas vão baixar à Comissão de Educação e Ciência, para que se possa encontrar uma redacção que reúna o acordo dos vários partidos.
O PCP, o PEV e o Bloco de Esquerda apresentaram projectos de lei que estabelecem números máximos de alunos por turma, com algumas ligeiras diferenças entre eles. O texto do PEV, por exemplo, prevê um máximo de 18 crianças nas turmas do pré-escolar e, em caso de turmas com crianças com necessidades educativas especiais ou NEE (que não podem ir além das duas), o número de alunos terá de se ficar pelos 14.
Do 1.º ao 4.º ano as turmas não deverão ter mais de 19 alunos (actualmente podem ir até aos 26) e, entre o 5.º e o 9.º ano, não podem ter mais de 20. Actualmente, as turmas dos 5.º ao 12.º anos de escolaridade são constituídas por um número mínimo de 24 alunos e um máximo de 30 alunos. A proposta do PEV é semelhante à do PCP que, no entanto, admite um total de 19 alunos por docente no pré-escolar.
No projecto que “estabelece medidas de redução do número de alunos por turma visando a melhoria do processo de ensino – aprendizagem” os comunistas prevêem ainda que as turmas só com crianças de três anos, não possam ir além dos 15 alunos. Esse deverá ser também o máximo observado para as turmas com crianças com NEE (que não devem ser mais de duas), seja no pré-escolar, no 1.º ciclo, ou no 2.º ciclo. No 3.º ciclo o limite sobe para 17 alunos.
“Práticas lectivas assistidas”
O projecto de lei do Bloco também contempla 19 alunos por turma no pré-escolar (15 alunos nas turmas com crianças com necessidades educativas especiais) e 20 alunos por turma no 1.º ciclo (do 1.º ao 4.º ano). Já para as turmas entre o 5.º e o 12.º ano, os bloquistas entendem que devem ter um mínimo de 18 e um máximo de 22 alunos. Se houver crianças com necessidades especiais, em qualquer um dos níveis de escolaridade, as turmas devem ter um máximo de 18 alunos e “não mais de dois alunos nessas condições”.
O Bloco fez ainda aprovar um projecto de resolução com medidas para a promoção do sucesso escolar, “nomeadamente o desdobramento de turmas, a promoção de coadjuvações, a reintrodução de pares pedagógicos nas disciplinas de maior pendor prático”, lê-se no documento.
Foi igualmente aprovado o projecto de resolução do PS que recomenda ao Governo a “progressiva redução do número de alunos por turma a partir do ano lectivo 2017/2018”, assim como o projecto de resolução do CDS-PP, visando “a promoção do sucesso escolar através de um estratégico e adequado dimensionamento de turmas”.
No diploma os centristas pedem a “adopção de práticas lectivas assistidas (isto é, de coadjuvação), aulas de apoio, o recurso aos projectos de promoção de sucesso já existentes ou a outros a criar para o efeito”.
Além disso, o CDS-PP pretende que se desenvolva uma discussão “alargada e fundamentada sobre quais os modelos de organização pedagógica das escolas, incluindo as tipologias e formatos de turmas” do ensino público, tomando com exemplo “experiências inovadoras já em curso noutros países”.
Os textos do PEV, PCP e BE foram aprovados com votos contra de PSD e CDS-PP e “luz verde” das demais bancadas, ao passo que no caso do PS, sociais-democratas e centristas abstiveram-se.
Já a resolução do CDS-PP pedindo a “promoção do sucesso escolar através de um estratégico e adequado dimensionamento de turmas” foi votado por alíneas, mas no final foi também aprovado.
Em Público, por Agência Lusa
Nota: Foram alterados os dados iniciais de acordo com a legislação em vigor
Setembro sem medos: O regresso às aulas
Socorro!
É só o que tenho vontade de dizer agora que chega Setembro. Normalmente já estou a dar pulos de alegria quando se aproxima vagarosamente. Agosto para mim é terrível. Colégio fechado, sem férias o mês inteiro, a busca incessante de tempos livres e ocupações semanais, a incerteza e o coração partido ao deixá-las em sítios diferentes, com pessoas diferentes durante um mês que parece não ter fim. O cansaço acumula e por isso Setembro é desejado com fervor, como o mês em que volta a rotina, os horários certos, a sesta da tarde e os almoços na escola. “Fim das lancheiras á vista! Viva o Colégio!“ São frases palpitantes no meu coração ansioso.
Mas este ano, Setembro adquire uma nova e preocupante dimensão. A mudança de escola assusta-me, será que estão preparadas? O que vão sentir quando não virem as caras conhecidas e de sempre para as receber? E os Amigos? O Didi? A Babá e a Cacá?
A decisão foi equacionada ao máximo e medida ao pormenor, mas por muito que repita para mim mesma que vai correr tudo bem, que as crianças tem capacidade sociais superiores às nossas, fico inquieta e sem certezas de ter optado corretamente.
Na verdade como é que sabemos? Como é que podemos ter a certeza se estamos a agir corretamente? “Eu penso, eu sinto, eu acho” Eu … Eu … Eu que sou tão diferente da minha filha, que embora pequena tem uma personalidade tão distinta da minha, embora pequena sente de maneira tão diferente e encara o mundo com olhos que não são os meus.
E o pequeno mundo dela está prestes a mudar. E fui eu que decidi que estava na hora de mudar. E para mim muda tudo o resto: novas rotinas, horários, vou ser recebida por pessoas diferentes, vou levar uma eternidade para saber de cor o nome de todos aqueles que vão partilhar comigo a tarefa de educar as minhas filhas.
Quando procurei uma escola nova tentei encontrar, em cada uma que visitava, um elemento diferenciador. Á partida excluí todas as que conhecia como “Escolas Ranking”, queria uma escola que abraçasse a diferença, que se preocupasse mais com a individualidade da criança e menos com resultados quantitativos. Chorei lágrimas de desespero quando percebi que são muito poucas.
Chegava a uma entrevista e perguntava: ”As crianças têm trabalhos de casa quantas vezes por semana?”, Do outro lado, quase sempre, uma expressão incrédula quando referia que não queria que as minhas filhas tivessem trabalhos de casa. Que em casa quero que brinquem, que desarrumem, quero que tenham tempo para ir ao parque ou andar de bicicleta. Quero que esqueçam a escola quando não estão lá. Quero que sejam crianças porque não há forma melhor de aprenderem a vida.
Pudesse eu voltar o tempo atrás e teria demorado mais tempo a crescer, teria batido o pé a cada vez que me diziam para ser crescida.
Mas Setembro está à porta, é tempo de cartolinas sem fim, lápis de cor, canetas e mochilas, preparar a farda nova, ensaiar o caminho da escola para casa e do trabalho para a escola. Organizar horários de atividades, reuniões de pais e convívios familiares.
É tempo de ser crescida e encarar Setembro de frente. Sem Medos.
imagem@Tuchique
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