A evolução da linguagem dos 2 aos 6 anos

Enquanto pais queremos perceber se o nosso filho se encontra dentro do que é expectável na sua faixa etária e como podemos estimulá-lo. São frequentes preocupações como o meu filho troca muitas sílabas/sons nas palavras, as outras pessoas não o conseguem perceber… Pois bem, é certo que cada criança tem o seu ritmo de desenvolvimento que deve ser respeitado, no entanto podemos e devemos estar atentos, conhecer mais sobre o percurso normal de desenvolvimento e saber como estimular da melhor forma em cada etapa.
Se houver dúvidas, fale com o seu médico de família, com o seu pediatra e não deixe de consultar um terapeuta da fala, estes são os profissionais a quem deve recorrer para que sejam efetuados os despistes necessários e para que, em caso de necessidade, a intervenção seja o mais precoce possível.

2 – 3 anos

Características
• Brinca ao faz de conta, por exemplo dar de comer a um boneco.
• “Idade dos porquês”.
• Diz o nome e a idade.
• Canta músicas simples e faz os gestos.
• Grande expansão de vocabulário.
• Nomeia e diz para que servem objetos comuns.
• Identifica imagens de ações.
• Responde a perguntas simples Quem? Onde? O quê?
• Identifica grande, pequeno e muito.
• Produz frases com 4 palavras (ex.: Eu quero um gato!; Hoje vou à escola!; Eu gosto de gelado!) e já começa a produzir frases coordenadas (ex.: “Eu quero um gato e um cão.”).
• Utiliza predominantemente substantivos mas também já utiliza verbos, adjetivos, determinantes, pronomes pessoais, alguns advérbios e preposições.
• Já começa a fazer a variação em género e número.

Atividades

• Reserve tempo para ouvir a criança e responder-lhe.
• Expanda os seus enunciados, por exemplo se a criança disser “comer”, diga “Vamos comer a sopa”.
• Envolva a criança nas atividades do dia-a-dia.
• Explore os brinquedos e os objetos do dia-a-dia com a criança: nome, características, para que servem.
• Explore livros.
• Façam jogos em que cada um joga na sua vez (lotos de imagens, de identificação de sons, de associação de pares, cores…)
• Se a criança ainda usa o biberão e/ou a chupeta, encoraje-a a deixar de usar!

Sinais de Alerta

• Só produz palavras simples.
• Não junta 2 palavras em frases simples (ex.: “dá pão”).
• Não responde a perguntas fechadas sim/não.
• Não aponta para partes do corpo a pedido.
• Não executa uma ordem simples.

3 – 4 Anos

Características

• Utiliza habitualmente uma linguagem compreensível para desconhecidos.
• Diz “eu” quando se refere a si.
• Compreende perguntas com os pronomes Porquê? Quanto? Como?
• Compreende os locativos: à frente, atrás, dentro, fora.
• Descreve acontecimentos do dia-a-dia.
• Conta pequenas histórias com apoio de imagens.

Atividades

• Converse diariamente com a criança.
• Deixe-a realizar atividades adequadas à sua idade e que desenvolvam a sua independência.
• Leia histórias em conjunto, deixe-a ajudar a contar a história e peça no final que conte a história para si.
Sinais de Alerta
• Utiliza um discurso ininteligível para estranhos.
• Utiliza mais os gestos que as palavras.
• Não executa ordens de duas ideias.
• Não responde a perguntas: O que é? Onde?
• Não faz trocas de turnos num diálogo.
• Fala só sobre um tópico específico.

4 – 5 Anos

Características

• Exprime-se de forma fluente.
• Pergunta o significado das palavras.
• Cumprimenta e pede desculpa.
• Fala sobre os seus sentimentos.
• Compreende ordens complexas.
• Usa frases completas.
• Começa a produzir frases subordinadas.
• Fala do passado e do futuro.
• Articula corretamente quase todos os sons.
• Identifica sílabas de palavras di e trissilábicas.
• Faz rimas.

Atividades

• Estimule a imaginação (ex.: teatro de fantoches).
• Cante canções.
• Brinque com a divisão silábica (ex.: dividir as palavras em bocadinhos – sílabas com recurso a palmas).

Sinais de Alerta

• Não comunica com estranhos.
• Não faz diálogos.
• Não descreve acontecimentos do dia-a-dia.
• Não responde a perguntas: O que é? Porquê? Como?
• Omite consoantes finais.
• Troca o /g/ por /d / (ex.: “dato” em vez de “gato”) ou o /k/ por /t/ (ex.: “tão” em vez de “cão”).

5 – 6 Anos

Características

• Participa em discussões de grupo e espera a sua vez para falar.
• Percebe críticas e comentários sobre si.
• Conta histórias complexas.
• Compreende perguntas complexas.
• Compreende os opostos.
• Articula de forma correta praticamente todos os sons da sua língua, pode ter dificuldade em articular palavras com grupos consonânticos.

Atividades

• Explore rimas, lengalengas, trava-línguas em canções e livros.
• Pergunte as sílabas inicias das palavras que aparecem durante um jogo.

Sinais de Alerta

• Não conta histórias nem descreve o seu dia.
• Utiliza frases mal estruturadas.
• Exprime-se de forma pouco fluente.
• Pronuncia mal as palavras.

Não se esqueça que a criança precisa de crescer e aprender e os adultos são o modelo, só através deles aprenderá a usar a linguagem adequadamente.

Por Terapeuta da Fala Rita Costa

10 razões para ires ver Coco o novo filme Disney•Pixar

O filme “Coco” da DisneyPixar estreou no México um mês antes de qualquer outro país do mundo, e a 15 de Novembro já tinha sido o maior sucesso de bilheteiras da História do país. Quando soube disto não pude recusar o convite para assistir à ante-estreia, e ainda bem!

Coco é capaz de ser a melhor obra que a DisneyPixar já apresentou.

Para os meus filhos o Toy Story era o melhor filme da Pixar, e tenho impressão que, agora que viram o Coco, ficaram muito divididos. São dois filmes que nada têm a ver, mas que encontramos as características DisneyPixar nas personagens e na história, e que nos fazem apaixonar inconscientemente.

Coco é um filme sobre sonhos e sobre a família.

Miguel sonha em tornar-se num grande artista da música, como o seu ídolo, Ernesto de la Cruz. A história começa com a sua grande e estreita família, numa cidade movimentada no México. Inicialmente parecem ser bastante convencionais mas há uma coisa proibida nesta família: tocar ou ouvir música. Daqui, somos levados numa divertida viagem pela terra dos mortos, onde Miguel encontra amigos e inimigos e aprende a verdade por trás de um segredo que a bisavó Coco tem guardado consigo, como um túmulo.

Sem ser Spoiler o que é que vos posso contar do filme? É uma obra extraordinária, e  que superou em muito o que esperava (apesar de estar já com expectativas altas, pois tinha visto o trailer)

Sabem porque é que não querem perder este filme? Dou-vos 10 razões:

1. A Curta de Olaf

Como já tem sido habitual ao lançar um novo filme, a DisneyPixar junta o lançamento de uma curta, que normalmente é exibida antes da nova estreia. Faz-me lembrar quando éramos mais novos e passavam uns desenhos animados antes do filme. Este ano, e após grande sucesso Frozen, vamos poder ver “Frozen: Uma Aventura de Olaf“, a curta de 21 minutos da Walt Disney Animation Studios.

Nesta curta Olaf junta-se a Sven numa missão de natal para trazer para casa as melhores tradições e salvar o primeiro Natal de sempre, de Anna e Elsa. Os miúdos vão delirar com este regresso (Nós deliramos!).

2. A História do dia dos mortos no México e a cultura mexicana

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A cultura mexicana, de origem milenar é extremamente rica e diversa, tendo sofrido a influência de vários povos nomeadamente dos espanhóis. Este filme dá-nos a conhecer esta cultura, fala-nos sobre a história e o significado do “El Día de Los Muertos” e todos os costumes e rituais a eles associados. As roupas, ambientes e personagens, transmitem o ambiente vivido nas cidades mexicanas!Um filme rico em cores e cenários mágicos, que provavelmente destacará o filme em relação aos restantes da DisneyPixar.

3. Músicacoco-guitarra

Coco incorpora diferentes géneros musicais mexicanos, incluindo huapango, jarocho, ranchera e baladas inspirados pelos clássicos da “Era Dourada” do cinema mexicano.
As músicas originais do filme são enérgicas, memoráveis e bem executadas. O diretor Lee Unkrich e os animadores da Pixar fizeram um trabalho fantástico onde mostram a delicadeza que exige tocar guitarra. O pormenor das expressões faciais de Miguel quando toca cada nota da sua guitarra naquele sótão para que a família não descobrisse esta sua paixão pela música, é maravilhoso.

4. Família
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A cultura mexicana está profundamente enraizada nas tradições familiares que vão muito além da unidade familiar imediata, e este filme é um óptimo reminder de que devemos valorizar a nossa família quer no dia a dia, quer à distância, ou mesmo depois de uma discussão. A família não se escolhe, nascemos com ela. Nem toda a gente se identifica com a sua família, mas a mensagem a reter é que família é família e irá sempre amar-nos incondicionalmente. Este filme transmite valores importantes sobre o respeito aos nossos ancestrais e acredito que, depois de o verem, as crianças comecem a questionar mais sobre a sua árvore genológica.

5. Arte

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O facto da história se passar no México e os cenários, personagens e guarda roupa serem inspirados nas referências culturais mexicanas, fez com que toda a peça se tornasse numa gigante obra de arte. A riqueza dos desenhos, a quantidade de pormenores, a luz, a música, e como tudo está articulado, é sem dúvida uma das grandes mais valias deste filme.

6. Desmistificação da morte e do mundo dos mortos.

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Apesar da história se passar quase toda no mundo dos mortos, o filme não é violento nem assustador. Nem sequer há aquela parte do salto da cadeira que nos deixa o coração a bater. No entanto, há que ter em consideração que há várias cenas em que os personagens discutem sobre como alguém morreu, e passa o flashback completo da cena, desmistificando aos mais novos o mistérios da morte. Os esqueletos são coloridos e divertidos, e aqui devemos dar os parabéns à DisneyPixar por animar de forma tão humana um monte de caveiras!

7. Dante

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A Disney tem esta capacidade de criar personagens inesquecíveis para os companheiros de ação dos heróis. Dante é um cão Xolo – abreviatura de Xoloitzcuintli – a raça nacional do México. Quase sem pelos, Dante tem problemas em manter a língua dentro da boca, por já não ter alguns dentes, e garante-nos muitas gargalhadas, e quebras de silêncio durante o filme. Os meus filhos apaixonaram-se por ele! <3

8. Mamã Coco

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A Mamã Coco, é a amada bisavó de Miguel e cuja memória se está a deteriorar lentamente devido à velhice. Apesar da sua avançada idade e fragilidade é com ela que Miguel partilha todas as suas aventuras. Aviso: qualquer pessoa com pais ou avós mais velhos vai sair de lá literalmente lavado em lágrimas.

9. As crianças identificam-se com o Miguel

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As crianças revêem-se tendencialmente no herói da história, mas todo o contexto do filme e o envolvimento familiar faz com que os miúdos vistam a pele da personagem. Fazer algo que adoram mas que a família não permite, a viagem pelo desconhecido com o seu companheiro, encontrar familiares estranhos que o adoram… qual a criança que não se identifica? Saímos do filme e os meus filhos já assumiam orgulhosamente a personagem: “Eu sou o Miguel!”

10.Realização e Produção do Toy Story 3

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Coco foi produzido e realizado por uma equipa de sucesso: o realizador Lee Unkrich e a produtora Darla K. Anderson já tinham trabalhado juntos no filme “ToyStory 3”, de 2010, vencedor de um OSCAR® e do Globo de Ouro,  sendo até hoje, o segundo maior filme de animação a nível de box-office mundial.

A Estreia em Portugal é já amanhã, 23 Novembro 2017. Se depois disto ainda não estão em pulgas para ir ver o filme com os miúdos, deixo-vos o trailler, que certamente não vos encherá as medidas mas deixará com água na boca!

Digam lá que isto não é uma receita de sucesso?

 

1) Set exclusivo 9 figuras Coco, €35 | 2) Peluche Hector, €28 | 3) Peluche Pepita, €35 | 4) Peluche Miguel, €28 | 5) Peluche Dante Alebrije, €30 | 6) Figura com música de Miguel, €36 | 7) Bolsa reutilizada Coco, €3 | 8) Carteira Coco, €16 | 9) Figura com música de Hector, €36 | 10) Caneca Coco, €14

(clique em cada imagem para comprar online, mas podem também encontrar na loja física)

Umas das das primeiras funções que o bebé apresenta é a capacidade de sugar tanto na mama como na tetina, no dedo ou na chucha, a sucção é um reflexo inato e está presente desde a vida intrauterina. É através dela que a criança tem os primeiros contactos com o mundo exterior, satisfazendo, além da nutrição, as suas necessidades afetivas, ajudando o bebé a acalmar-se e promovendo o seu desenvolvimento emocional. Para além disso, é também através do movimento de sucção que o bebé desenvolve os músculos orais, e que ajuda o crescimento da face.

É importante referir que quando o bebé suga na mama esta molda-se naturalmente à boca do bebé e quando suga na tetina é a boca do bebé que terá de se adaptar a esta. Se optar pelo uso de chucha convém saber que para cada faixa etária existe um tamanho recomendado, que deverá corresponder ao tamanho da boca da criança.

O aleitamento natural é a forma mais eficiente para proporcionar a plena satisfação da criança, funcionando como um factor de proteção, uma vez que o bebé sentirá uma menor necessidade de chuchar, no biberão, chucha ou dedo, para além de que também possibilita um adequado desenvolvimento da mastigação, respiração, deglutição e fala.

O uso prolongado da chucha, do biberão ou chuchar no dedo podem trazer alterações no crescimento facial, na arcada dentária e na mobilidade dos lábios ou da língua, necessária para a produção de fala. Além disso, podem ainda alterar a forma como a criança respira, mastiga, engole ou respira.

Existe então uma altura certa tanto para tirar a chucha e o biberão para evitar risco de prejudicar o desenvolvimento normal da criança.

O biberão poderá ser retirado por volta do oito ou nove meses de idade, que é quando começam a aparecer os dentes de leite. Como alternativa ao biberão pode ser utilizado o copo com bico, caneca ou a colher.

Já a melhor altura para a retirada da chucha é entre os dois anos e meio e os três anos fase em que normalmente as crianças abandonam a necessidade de sucção e completam a dentição de leite.

Quando esses hábitos persistem após a idade recomendada, principalmente depois da erupção dos dentes maior será o risco de alterações como:

  • Alterações dentárias (mordida aberta anterior, mordida cruzada, espaço entre os dentes, etc.)
  • Alterações no desenvolvimento craniofacial (reduzido desenvolvimento da mandibula, palato alto e esteito)
  • Alterações das funções estomatognáticas (alterações na mastigação, fala, deglutição e respiração)
  • Alterações na musculatura da língua, lábios e bochechas;
  • Maior probabilidade de desenvolvimento de otites médias.

Estas alterações irão depender das características faciais da criança, da frequência, duração e intensidade com que chucha.

Estratégias para prevenir o uso prolongado da chucha ou chuchar no dedo:

– Definir horários e critérios de utilização da chucha: até aos 6 meses pode utilizar a chucha de forma continua, mas depois dessa idade só pode usar para dormir ou para acalmar.

–  Substituir o hábito de chuchar no dedo por mordedores  ou a chucha até aos 18 meses.

– Durante a noite os pais podem estar atentos e ir tirando o dedo da boca ou dar um boneco para a mão.

– Ocupar as mãos da criança com jogos ou brinquedos sempre que leve o dedo à boca, para a distrair.

 

Marta Nunes, Terapeuta da Fala

 

LER TAMBÉM…

4 grandes consequenciais do uso prolongado da chucha

Tips For Parents 3 | Chucha

Chuchas, sim ou nunca?

 

 

16 mitos e perguntas frequentes sobre a dislexia

A dislexia é sinónimo de baixa inteligência? Quando se avalia a dislexia? Devo esperar até ao final do 2º ano? Só os rapazes têm dislexia? A dislexia é um problema visual? Tem cura? Quem faz o diagnóstico da dislexia? Neste artigo clarificamos os mitos e as perguntas mais frequentes sobre a dislexia.

MITO 1

Não existe diferença entre um aluno com Dislexia ou um aluno que tem dificuldades em aprender a ler 

Errado. Atualmente, a Dislexia é considerada uma Dificuldade de Aprendizagem Específica. De acordo com as definições mais recentes de Dificuldades de Aprendizagem Específicas, os alunos que as manifestam têm uma disfunção em um ou mais processos neurológicos básicos envolvidos na compreensão do uso da linguagem falada ou escrita, os quais podem resultar em dificuldades na capacidade de leitura, escrita, caligrafia ou cálculo. Por esse motivo, nem sempre é fácil distinguir um aluno com uma Dislexia de um aluno que aprende a um ritmo mais lento. Um aluno que tenha sido diagnosticado com Dificuldades de Aprendizagem apresenta um défice em uma ou em mais áreas, apresentando, contudo, sucesso em outras áreas. Além disso, as suas capacidades cognitivas estão acima do verificados nos seus desempenhos – discrepância entre a capacidade e o desempenho.

Deste modo, as dificuldades manifestadas por um aluno com Dificuldades de Aprendizagem não podem ser explicadas por fatores cognitivos, por acuidade visual ou auditiva não corrigida, ou por outras perturbações mentais ou neurológicas, ou ainda por uma adversidade psicossocial ou instrução educativa inadequada. A falta de proficiência na língua da instrução académica também não justifica uma Dificuldade de Aprendizagem Específica.

As Dificuldades de Aprendizagem Especificas apresentam um caráter permanente e, apesar dos alunos poderem ser alvo de intervenção psicopedagógica e melhorarem os seus desempenhos, terão sempre essa disfunção. É, contudo, de salientar que qualquer aluno, ao longo da sua vida escolar, pode experienciar algum tipo de dificuldade, não sendo tal facto um sinal evidente e exclusivo da existência de uma Dificuldade de Aprendizagem.

MITO 2

A Dislexia é sinónimo de baixa inteligência

Errado. São vários os estudos que demonstram que pessoas com Dislexia têm uma inteligência dentro da média ou mesmo acima dela. Ao nível dos critérios de diagnóstico, a Dislexia não é melhor explicada por uma incapacidade intelectual. Os alunos com Dislexia tendem a caracterizar-se por desempenhos abaixo do que seria de esperar, tendo em conta o seu perfil cognitivo, em uma ou em mais áreas em específico. No entanto, e apesar disso, crianças com Dislexia têm frequentemente elevado sucesso noutras áreas.

MITO 3

Devo esperar até ao final do 2º ano para o meu filho fazer uma avaliação em Dislexia

Errado. Embora o diagnóstico de Dislexia só deva ser formalmente fechado após dois anos de aprendizagem formal da leitura e escrita, não significa que o seu filho não possa apresentar sinais de alerta característicos da Dislexia. Nesse caso, faz todo o sentido que seja avaliado e, posteriormente, apoiado com intervenção terapêutica. Quanto mais cedo a criança iniciar o processo de intervenção, maior a sua probabilidade de sucesso.

MITO 4

O meu filho escreve a maioria das letras de baixo para cima, logo tem Dislexia

Errado. É comum, no ensino pré-escolar e no início da idade escolarização, as crianças apresentarem alguma dificuldade na escrita de letras e números, podendo escrever em “espelho” (ou seja, da direita para a esquerda ou mesmo de baixo para cima). A maior parte das crianças vai corrigindo estes erros à medida que vai sendo exposta à aprendizagem formal das letras, da leitura e da escrita.

MITO 5

O meu marido tem Dislexia, logo os meus filhos vão ter Dislexia

Não necessariamente. Existem, de facto, diversos estudos que comprovam uma elevada hereditabilidade tanto para a capacidade como para as incapacidades de aprendizagem. No entanto, apesar desta maior predisposição da presença da Dislexia em filhos de pais com a mesma dificuldade, a sua manifestação não terá que ser dada como certa. Caso o seu filho revele alguns sinais de alerta, e exista, de facto, um historial de Dislexia ou outra Dificuldade de Aprendizagem Específica na família (com ou sem um diagnóstico formal) recomenda-se que procure ajuda especializada. Felizmente, com a evolução dos estudos sobre a Dislexia e as Dificuldades de Aprendizagem Específicas no geral, existe hoje em dia um maior conhecimento sobre esta temática e as crianças conseguem obter ajuda mais facilmente do que na época dos seus pais, evitando-se assim o agravamento dos sintomas e as respetivas repercussões, sobretudo ao nível académico.

MITO 6

A Dislexia tem cura

Errado. A dislexia é uma Dificuldade de Aprendizagem Especifica de carácter permanente, logo não tem cura. No entanto, atualmente já existem diversas estratégias e métodos de intervenção psicopedagógicos que podem ser utilizados em crianças com Dislexia no sentido de as ajudar a ultrapassar ou a minorar as suas dificuldades. Quanto mais precocemente forem implementadas estas estratégias, melhores resultados a criança terá ao longo da sua vida e percurso escolar.

MITO 7

A Dislexia é um problema visual

Errado. A Dislexia é uma Dificuldade de Aprendizagem Especifica que tem origem no papel combinado de fatores genéticos e ambientais que resultam em alterações estruturais e funcionais do cérebro. Deste modo, a Dislexia não está associada a um défice visual, mas sim a causas essencialmente genéticas. No entanto, uma criança pode apresentar dificuldades de aprendizagem na leitura e na escrita em virtude exclusiva de um problema visual, não preenchendo, para o efeito, os critérios de um diagnóstico de Dislexia. Neste sentido, e com vista a um diagnóstico o mais rigoroso possível, antes de se iniciar uma avaliação psicopedagógica para despiste de Dislexia, dever-se-á efetuar previamente uma avaliação auditiva e visual, de modo a excluir as referidas hipóteses como causa das dificuldades manifestadas pela criança.

MITO 8

Não é possível ter sucesso escolar quando se tem uma Dislexia

Errado. Tem vindo a ser cada vez mais demonstrado que a implementação e desenvolvimento de estratégias psicopedagógicas na sequência de um diagnóstico, tem enormes probabilidades de permitir à criança corresponder às exigências das aprendizagens escolares e desse modo, obter sucesso, quer a nível académico, quer a nível profissional.

MITO 9

Só os rapazes é que têm Dislexia

Errado. Na realidade, não existem diferenças significativas entre rapazes e raparigas. A razão pela qual os rapazes são mais vezes referenciados pelos professores, parecem residir no facto de os rapazes terem, de um modo geral, um diagnóstico mais precoce, em parte devido a causas comportamentais, uma vez que parecem ter maior dificuldade em gerir a frustração nas situações em que as suas dificuldades específicas se tornam mais evidentes.

MITO 10

O meu filho é tem dislexia, logo não pode ter boas notas

Errado. Se o seu filho for ajudado com uma intervenção intensiva e adequada às suas necessidades, de forma a colmatar as dificuldades causadas pela Dislexia, se existir suporte por parte dos agentes educativos (pais, professores, entre outros), e se a isso se associar motivação e esforço, então estarão reunidas as condições para que seja bem-sucedido, quer académica, quer profissionalmente.

MITO 11

A Dislexia está relacionada com dificuldades de orientação-espacial e/ou com o “ser canhoto”

Errado. Não existe qualquer tipo de investigação que demonstre uma ligação entre orientação-espacial e Dislexia, nem entre ser esquerdino ou destro e a Dislexia. Existem disléxicos esquerdinos e existem disléxicos destros, tal como existem disléxicos que têm dificuldades ao nível da orientação espacial e disléxicos que não têm esse tipo de dificuldade. O único fator comum comprovado cientificamente entre as várias pessoas com Dislexia é um défice ao nível da consciência fonológica.

MITO 12

A Dislexia é um défice apenas da infância

A maior parte dos diagnósticos de Dislexia são realizados durante a idade escolar, pois é nessa fase que os sinais tendem a apresentar uma maior evidência. No entanto, há crianças que, utilizando estratégias compensatórias e um esforço extraordinariamente elevado, com o devido suporte social, conseguem manter um funcionamento académico aparentemente adequado ao longo de vários anos, até que os procedimentos de avaliação ou as exigências do sistema educativo/meio imponham barreiras à demonstração da sua aprendizagem.

Em termos globais, e no que respeita aos vários domínios académicos de leitura, escrita e de cálculo, as Dificuldades de Aprendizagem Específicas apresentam uma prevalência de 5%-15% entre crianças em idade escolar em diferentes culturas e línguas.

MITO 13

A Dislexia é um diagnóstico médico 

Errado. A Dislexia não deve ser considerada um problema médico, nem pode ser diagnosticada exclusivamente por um médico, uma vez que este não possui conhecimentos suficientes de avaliação da leitura e da escrita. Enquanto Dificuldade de Aprendizagem Específica, o diagnóstico da dislexia deverá ter por base a síntese do historial do desenvolvimento do individuo, contemplando a área médica, familiar e educacional, incluindo a análise detalhada de relatórios e avaliações escolares, e a realização de uma avaliação psicoeducacional.

MITO 14

Todas as crianças que têm dificuldades em aprender a ler são disléxicas

Não. A Dislexia é uma causa comum de dificuldades na leitura, no entanto, não é a única causa. As dificuldades gerais de leitura podem também estar associadas a outras causas intrínsecas como extrínsecas ao individuo. Nas causas intrínsecas podemos encontrar outras perturbações do desenvolvimento que comprometem igualmente a aquisição do processo de leitura. Nas causas extrínsecas poderemos encontrar fatores ambientais e educacionais que quando negligenciados poderão igualmente provocar dificuldades de leitura.

MITO 15

Se não ensinarmos uma criança com Dislexia a ler até aos 9 anos, será tarde demais para aprender a ler

Errado. Nunca é tarde para melhorar as capacidades de leitura, escrita e ortografia de uma criança com Dislexia. Claro que, quanto mais precoce for a intervenção, mais probabilidade de sucesso a criança terá.

MITO 16

As adequações curriculares para as crianças com Dislexia são uma injustiça para as outras crianças que não têm Dislexia

Errado. A abordagem de ensino mais justa é quando o professor consegue providenciar a cada aluno aquilo que é necessário para que este seja bem-sucedido em contexto escolar. Assim sendo, as adaptações que os professores fazem são uma tentativa de criar condições equitativas, quer em situação de teste ou num trabalho de casa, e não uma forma de atribuir vantagens aos alunos com Dislexia. Na verdade, um aluno com Dislexia terá que se esforçar tanto ou mais que outro aluno, mesmo com as adaptações individuais.

imagem@istockphoto

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Recuperar depois do caos

Um episódio traumático, seja ele de que natureza for, pode ter um tal impacto numa criança que as impressões fortes daí resultantes podem cristalizar-se na sua constituição física e psíquica. Altera-se o bom desenvolvimento de um indivíduo, sendo que quanto mais nova for a criança, maior o impacto.

Um trauma significa, etimologicamente, uma ferida. Uma ferida psicológica. Os distúrbios consequentes podem ser do foro psíquico e/ou físico (sistemas metabólico, rítmico, respiratório, motor, nervoso), interferindo com o comportamento e aprendizagem.

Um trauma processa-se, por norma, em 4 fases:

Situação traumática » Fase aguda do choque (1-2 dias após a situação) » Reação de stress pós-trauma (até 8 semanas depois) » distúrbios provocados pelo trauma  » Alterações da personalidade.

Para um adulto, independentemente da ligação que tenha, é dilacerante encarar uma criança traumatizada, mas há ações que podem de facto ajudar. Aliás, por menor que seja o nosso esforço no sentido de proteger o desenvolvimento infantil, terá o seu efeito. Devemos, portanto, focar-nos em ajudar a criança, tentando ultrapassar o “ferimento” através dos meios que estiverem ao nosso alcance.

Segundo a Pedagogia de Emergência, defendida pelo alemão Bernd Ruf, existem alguns métodos que poderão ser aplicados nos dias e semanas procedentes do episódio traumático. O objetivo desta intervenção de emergência é ativar e agilizar tanto estratégias pedagógicas como o poder de auto-cura da própria criança para ultrapassar o trauma e evitar distúrbios consequentes desse trauma. Naturalmente, deverá ser levada em consideração a idade da criança e fazer-se os devidos ajustes.

Eis algumas estratégias de intervenção propostas pela Pedagogia de Emergência:

permitir que a criança sinta o que tiver a sentir e experiencie as suas emoções. Quanto maior a capacidade da criança de processar as emoções, melhor será a recuperação do trauma. É fundamental que o adulto a ouça, se interesse e a apoie.

verbalizar as experiências e as emoções. É muito importante que a criança consiga exprimir/expelir por palavras o que sente. Suprimir e negar são mecanismos de defesa que podem levar a fobias e compulsões, ou até distúrbios depressivos. Mas não deve ser pressionada. Quando a criança não se consegue exprimir verbalmente, devemos encontrar outras maneiras para a ajudar a fazê-lo, seja a escrever, desenhar, pintar, compor uma música, modelar…

proporcionar ritmo e rotina. Ritmo é vida. E se é algo básico em qualquer situação/ fase,  ainda mais o é para uma criança cuja vida ficou um caos após uma experiência traumática. Trazer ritmo, ordem e segurança é vital – seja no ritual de acordar e deitar, à refeição que inicia ou termina, ter a sesta, etc. Num plano mais abrangente, também tentar devolver o ritmo do dia, da semana, do mês. Para além dos pequenos rituais associados às ações quotidianas, podemos recorrer a cantigas, cantilenas, versos e jogos rítmicos (pois trazem ritmo e repetição);

criar movimento.  A criança que sofreu um trauma fica geralmente tensa, como que presa. Pode ter medo de se mover, de se movimentar. Mas o movimento desenvolve tanto a saúde mental como a física, como sabemos. Devemos, pois, encorajá-la a movimentar-se, a caminhar, a correr, saltar, nadar. É evidente: tendo em consideração o estado físico em que a criança possa estar após uma situação que tenha afetado o corpo físico.

assegurar uma nutrição tão rica quanto possível. A nutrição afeta a saúde, o sistema imunitário e também a condição física. Neste momento deverá dar-se especial atenção para que a alimentação seja o mais rica possível, especialmente em vitaminas.

proporcionar relaxamento. As massagens são, por excelência, uma forma de relaxar. Um óleo (de amêndoas, ou até azeite) com 1 ou 2 gotinhas de óleo essencial de alfazema têm um efeito terapêutico e calmante sobre a pele. Também técnicas de respiração são bastante eficazes para que a criança apazigue as reações fisiológicas sofridas após o trauma.

treinar a concentração e a memória. Após uma experiência traumática, a criança facilmente perde o foco, esquece-se com frequência. Ouvir histórias, fazer trabalhos artísticos, trabalhos manuais, jogos de memória, puzzles, jogos de coordenação e jogos de paciência poderão ajudar bastante a recuperar a concentração e a memória.

brincadeira ativa, sob observação. Através do brincar, as crianças tendem a reproduzir as vivências que têm. Após um trauma, através da brincadeira a criança vai readquirindo aos poucos o sentimento de controlar algo. Pode representá-las com bonecos ou assumir uma «personagem», projetando neles o que sente ou vivenciou. É conveniente, por isso, que nos dediquemos a observar a brincadeira, porque se não tiver limites pode levar ao reviver doloroso do trauma, em vez de o curar. Os próprios brinquedos que lhe sejam disponibilizados deverão ser naturais, simples.

criar atividades que apelem a novas competências. A criança possivelmente apresenta agora uma certa apatia (para além de baixa auto-estima) pelo que é necessário aos poucos confiar-lhe pequenas tarefas exequíveis, tais como manualidades, tarefas de jardinagem… No fundo, tarefas com alguma responsabilidade em que os mais pequenos se sentem capazes de concretizar e, assim, mais importantes.

Para além das estratégias mencionadas, e pensando nas crianças mais pequenas, nomeadamente os bebés, tudo o que possa contribuir para um conforto físico (seja o da pele ou o do meio envolvente), será benéfico para ajudar a ultrapassar o trauma.

Por exemplo:

–  recorrer a um porta-bebés adequado, que os mantém próximos de nós e aconchegados;

– embrulhá-los numa manta leve que os mantenha quentes e seguros (uma swaddle)

–  através de um pequeno  boneco de conforto ou uma fraldinha de pano, que é como que uma referência, algo que o bebé «conhece» pelo cheiro e pelo toque.

– através da utilização de roupas macias, que lhe trazem a sensação de bem-estar.

Proporcionar segurança e proteção, criar laços emocionais confiáveis, desenvolver a auto-estima, reduzir o desgaste emocional e criar uma atmosfera de grupo positiva resulta na ativação das forças de autocura das crianças traumatizadas.

Não menos importante, finalmente, é celebrar as alegrias, mesmo que sejam apenas alguns «golden moments» – e há sempre algum. Valorizar e realçar cada um desses momentos de ouro do dia a dia, aliando-os a uma comunicação empática e a memórias positivas, é trabalhar para o fortalecimento do sistema imunitário da criança e cura a todos os níveis!

Quando o Tiago nasceu, a Mariana tinha dois anos e dois meses.

Tem sido uma loucura ser mãe de dois filhos pequenos e com uma diferença de idades tão pequena. Há dias em que só o piloto automático me salva e em que basta só mais uma birra para começar a bater com a cabeça na parede, mas apesar do cansaço, do sono, da vontade constante de me atirar para o chão e por trás de uma mãe que às vezes é uma besta, existe um coração que ainda por cima é mole e no outro dia dei por mim de lágrimas nos olhos a ver os meus filhos a brincar um com o outro.

Ela do alto dos seus quatro anos dizia ao irmão ao que iam brincar e ele nos seus bem-dispostos dois anos respondia que sim. Ele era o médico, sentado na secretária pequenina, com o portátil do Ruca que nunca funcionou e ela era uma mãe que levava o seu bebé ao hospital. Ela dizia-lhe os sintomas, enquanto ele fingia que escrevia no portátil, depois examinou a bebé e no fim da consulta rabiscou um papel com a receita.

– Mano, agora sou eu a médica!

Estou a vê-los a brincar e de repente apercebo-me que já não são bebés.Como é que isto aconteceu? Os meus filhos cresceram e eu receio não ter reparado.  Este ano foi particularmente difícil, viroses a dobrar, fucking four em força, mudança de escola, birras e crises existenciais, noites sem dormir, eu a pedir socorro a toda a hora, mas o tempo não teve piedade de mim e os meus filhos cresceram.

E este sabor doce de os ver crescer, mistura-se com o sabor amargo de os ver crescer. De saber que um dia vou ter saudades do que hoje me enche de cansaço. Que a minha filha um dia já não vai fazer birras porque quer que seja sempre eu a adormecê-la ou que o meu filho já não vai acordar a meio da noite para vir para a nossa cama. Mistura-se o alívio de os ver crescer, com a tristeza de os ver sair devagarinho debaixo da minha asa até ao dia em que vão sair do ninho e voar.

Eu sei que estou a ser dramática, o meu filho ainda usa fraldas e a minha filha ainda precisa de ajuda para limpar o rabo, eles não vão já para a faculdade, nem me estão a pedir as chaves do carro para irem sair à noite, mas o tempo não tem piedade das mães e os filhos crescem sem darmos por isso.

Os meus filhos estão a crescer, juntos, ao ritmo das brincadeiras que me fazem chorar. Cresçam devagarinho meus amores.

Aprendemos a falar com meses de idade e a ouvir quando estamos ainda na barriga da mãe. O nosso olfacto desenvolve-se também na mesma altura. No entanto, um dos nossos sentidos mais importantes só se desenvolve na sala de aula.
São os professores que nos ensinam a olhar. A observar o mundo que nos rodeia, a perceber a vida, as oportunidades. A entender como as coisas funcionam (ou deveriam funcionar).

É na sala de aula que as crianças aprendem a ler – talvez um dos maiores poderes já dados ao ser humano. E quando uma criança aprende a ler, cria asas.

É na sala de aula que as crianças aprendem a primeira letra do alfabeto e aprendem a junta-la a todas as outras. São os professores que ensinam às crianças a importância da comunicação e como as palavras têm vida.

É na sala de aula que os miúdos sonham em seguir os exemplos dos seus professores, talvez já sabendo que a educação pode mudar o mundo. O meu, o teu, o de todos os que nos rodeiam.

Vivemos numa sociedade de classes – o que torna tudo mais desequilibrado. Para piorar o quadro negro da educação as escolas públicas sofrem o peso da incapacidade dos políticos, bem como das suas genialidades para nos tirar o dinheiro dos quadros, dos giz, dos lanches, do inglês e do salário de quem possibilita que tudo isto aconteça.

As crianças que sonham um dia partilhar o que aprenderam ainda não sabem o que há por trás do sorriso de quem as olha com afecto desde o primeiro dia de aulas. Atrás do amor que sustenta a missão do professor – e que é certamente o que o faz continuar, há uma vida dura e cheia de recomeços.

Os salários que não chegam para as contas, a falta de estrutura para trabalhar, o peso de levar às costas a responsabilidade de educar crianças que já nascem destinadas ao fracasso e a dificuldade de convencê-las de que isso não tem de ser verdade. Será simples a missão de quem educa?

Precisamos de assumir esta luta em conjunto com os professores e educadores, com os directores das escolas e os orientadores e procurar uma solução como quem procura a cura de uma doença. O défice na educação é a doença da sociedade e quem morre não somos nós, mas os sonhos daqueles que ocuparão as Câmaras e todos os outros cargos por aí.

Se a educação não pode salvar o mundo, quem mais o fará?

Imagem@click3

Por Ju Farias, em A soma de Todos os afetos

São inúmeros os mitos existentes acerca do acompanhamento psicológico com crianças e jovens, especialmente nas faixas etárias mais tenras. Os pais, preocupados com o bem-estar e ajustamento psicossocial dos seus filhos, temem frequentemente solicitar o apoio dum profissional da área da Psicologia.

Reconhecer que se precisa de ajuda significa que os pais não são competentes no papel e função que assumiram? Trata-se de substituir estes agentes educativos? É dar demasiada importância a preocupações que podem assumir um carácter temporário? Claro que não!

Reconhecer a difícil missão de ser pai e enfrentar este desafio recorrendo ao apoio dum psicólogo é um ato que manifesta um profundo sentido de responsabilidade face ao bem-estar das crianças e jovens. Tal decisão não revela incapacidade ou fraqueza dos pais, mas antes um forte sentido de pertença e entrega pelos seus filhos, devendo por isso ser aplaudida. De seguida damos resposta a algumas questões que nos surgem com mais frequência: quando recorrer e porque motivos, em que consiste e como é realizado o acompanhamento de Psicologia Infantil.

Quando devo recorrer ao Psicólogo Infantil?

O psicólogo infantil é um profissional especializado é que podem ser um importante aliado na promoção do desenvolvimento harmonioso das crianças. A criança evidencia algum comportamento que seja prejudicial à sua qualidade de vida? Interfere de forma significativa no seu quotidiano? O seu comportamento prejudica o seu relacionamento em casa, com os amigos, interfere no seu desempenho escolar? Se responder positivamente a estas questões, convido-o a pensar nas demais:

• Há quanto tempo persiste o comportamento?

• Que tentativas foram feitas para superar esta situação?

• A criança respondeu favoravelmente? O comportamento voltou? Em que circunstâncias?

• Estou a conseguir lidar com esta situação neste momento?

Se o comportamento for persistente, se as tentativas para superar a situação não surtiram efeito ou já não estão a surtir e sobretudo se já não consegue lidar com esta situação, pondere a consulta com um profissional especializado.

Quais os principais motivos que levam à procura de acompanhamento de Psicologia Infantil?

• Dificuldades:
– comportamentais;
– emocionais tais como ansiedade, isolamento social e depressão;
– relacionais com pais, professores, colegas, ou outros;
– atenção e concentração;
– aprendizagem.
• Perturbações:
– de eliminação: enurese (dificuldade de controlo da urina, sobretudo durante o sono) e ecoprese (dificuldades de controlo das fezes);
sono.
• Situações familiares impactantes como adoção, divórcio, maus-tratos.
• Processo de luto.
• Alterações ou distúrbios alimentares tais como recusa alimentar, anorexia e bulimia

Em que consiste o acompanhamento de Psicologia Infantil?

O apoio psicológico é feito numa perspectiva de intervenção breve e com fases distintas. O psicólogo infantil tem uma formação que lhe permite estabelecer com a criança uma relação que lhe forneça segurança para encarar o espaço proporcionado enquanto momento de partilha e validação emocional. A forma de falar, o tom, a postura que usa criam um ambiente de acolhimento e confiança. Antes do início da psicoterapia, o psicólogo realiza entrevistas iniciais com os pais para reunir informações sobre a história da criança e da família. Só após esse contacto inicial, é que o psicólogo tem condições para avaliar o número de sessões que necessitará, assim como a periodicidade das mesmas. Habitualmente as sessões têm um carácter semanal numa fase inicial, passando depois para quinzenais até a fase do follow up (por ex: monitorização de 6 em 6 meses que pode ser realizada presencialmente ou pelo telefone). A duração média das sessões é de 50 minutos.

Como é realizado o acompanhamento de Psicologia Infantil?

Durante a psicoterapia, o psicólogo utiliza essencialmente recursos lúdicos para compreender os sentimentos, pensamentos e angústias das crianças através das brincadeiras.

Por sentir-se aceite e compreendida no contexto que lhe é proporcionado, a par das estratégias utilizadas por estes profissionais, verificam-se melhorias significativas no comportamento das crianças em casa e na escola.

Por Sandra Alves. Psicóloga

O ano lectivo 2017/2018 começou oficialmente dia 12 de Setembro.

Passou mais de um mês e há ainda crianças sem professores a várias disciplinas, há crianças sem educadores nas salas, há crianças que ainda não podem ir à escola. São crianças sem escola.

Falo de um caso que me é próximo, no pré-escolar, crianças de cinco anos que não podem ser recebidas na escola porque a educadora tem vindo a apresentar baixas quinzenais que são actualizadas umas a seguir às outras. E a escola não tem capacidade para criar uma alternativa, uma forma de as crianças serem recebidas e acolhidas numa outra sala, sob pena de sobrecarregar os restantes alunos, cujas salas tudo funciona como deveria.

A minha sobrinha, que é de quem falo, tem a possibilidade de ser recebida no espaço onde faz o ATL e é aí que tem passado os seus dias: com educadoras, a fazer as actividades que faria na escola (pública, mas cujo serviço público deixa a desejar), com amigos do ano passado, num espaço a que chama casa. O preço? É pago pelos pais, no caso monetariamente.

Mas e quem não tem esta alternativa? Quem, em seu devido direito, tem como ATL o “oferecido” (paga-se por ele…) pela escola? Onde estão estas crianças? Com quem são deixadas? Por que motivo ninguém faz nada que mude esta situação?

Numa época em que os horários de trabalho são muito pouco “family oriented”, em que os avós trabalham até cada vez mais tarde, as crianças têm na escola a sua segunda casa. E esta segunda casa deveria ser tão capaz de as receber como a primeira.

Este caso acontece na escola pública, em que a burocracia impede que haja substituições imediata de educadores e auxiliares, em que quem fica penalizado é indubitavelmente a criança. E entristece-me pensar no stress que estas têm de ultrapassar quando tudo deveria estar nos conformes. Porque os pais têm de cumprir prazos, regras, entregar mil e setecentos documentos para os seus filhos poderem frequentar a escola pública, para terem uma vaga/colocação. O mínimo que se exige é que em troca as crianças possam frequentar a escola. Os impostos que pagamos deveriam garantir isso (e a escola pública deveria ser gratuita desde a creche – eu disse creche, essa figura que não existe na rede pública…), os milhares de professores sem colocação, os educadores de infância que não têm vagas (não que não existam, mas que a burocracia impede que sejam por eles preenchidos) deveriam ter oportunidade de trabalhar e as crianças têm o direito à educação.

Este direito é básico e em Portugal, em pleno 2017, ainda não é cumprido completamente.

Tenho uma grande admiração pelo trabalho desenvolvido na escola pública, sei das dificuldades, sei das condições. Sei dos profissionais competentes que existem, dos alunos bem formados, da importância da formação. Sei também que o caso da minha sobrinha, felizmente, não é regra. Que há escolas em que isto não acontece nem nunca aconteceu, em que tudo corre como é suposto desde sempre. É como em tudo, há casos e casos, mas acho importante falar-se das excepções.

Porque nas excepções estão também as crianças que serão o nosso futuro. E todas deveriam ter as mesmas oportunidades.

Lutemos por isso.

É do futuro das nossas crianças que falamos.

Do nosso país.

Da nossa herança.

imagem@weheartit

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Crescemos com as histórias Disney

O calor é de verão mas as férias acabaram e a rotina lectiva instalou-se para ficar.

Quando regressamos do colégio, apesar das tarefas do dia-a-dia, há sempre tempo para os desenhos animados.

Digam o que disserem os especialistas e inventem-se as teorias que quiserem, mas até hoje, conto aos meus filhos a alegria que era para nós ver desenhos animados ao sábado de manhã. Acordávamos cedíssimo para não perder nada, assistíamos ao início da emissão alegremente enquanto dançávamos a música de abertura. A excitação era grande. Não havia gravações, nem podíamos puxar a fita para trás. Aquele era o momento para ver os nossos desenhos. Com sorte, dava um episódio da Disney.

A Disney passava os filmes de eleição. Das fábulas aos contos de príncipes e princesas não havia histórias Disney que não adorássemos. O fantástico é que não nos apercebíamos do quanto crescíamos enquanto viajávamos nas florestas encantadas, nos castelos de princesas, ou nas aventuras divertidas do Mickey e os seus amigos. Havia sempre uma moral da história que realmente marcava. Havia perigo, maus, lágrimas e mortes. Mas havia sempre finais felizes. E assim crescemos a acreditar que podemos seguir os nossos sonhos, que podemos ser o herói, e moldar o nosso futuro.

Hoje fico feliz por o canal de eleição dos meus filhos ser o Disney Júnior. As séries são novas, modernizadas, diferentes, mas os conceitos e os ensinamentos de sempre estão presentes em todos os desenhos.

O Disney Júnior preparou um conjunto de novos episódios, novas séries e novas temporadas que vão encher as medidas aos mais novos, e tal como aconteceu connosco, vão ajuda-los a crescer e a seguir os seus sonhos.

A GUARDA DO LEÃO: REGRESSO DE SCAR
Chegou finalmente a segunda temporada de A Guarda do Leão, ao Disney Junior. A Guarda do Leão é uma série que adultos e graúdos adoram. Por um lado porque tem na sua génese de criação o incrível filme “O Rei Leão”, um dos maiores sucessos cinematográficos de sempre, por outro lado porque proporciona momentos únicos de aprendizagem sobre a amizade e o respeito que se deve ter as leis do ciclo da vida.

Esta segunda temporada vai surpreender com “O Ressurgir de Scar”. Scar é o irmão de Mufasa, o tio de Simba e que esteve na origem de toda a história, de certeza que se lembram!. Com ele surgem uma série de novas personagens e novas aventuras que irão proporcionar novas aprendizagens nas terras do reino, onde garantir e respeitar as leis do ciclo da vida continua a ser o mais importante.

Guarda do Leão e as histórias disney

MICKEY E OS SUPERPILOTOS

Estão de regresso os 5 Magníficos: Mickey, Donald, Pateta, Minnie e Margarida, cheios de energia e com mais força que nunca. Mickey, a personagem mais icónica do mundo Disney e com a qual múltiplas gerações já cresceram, volta com novos episódios de “Mickey e os Superpilotos”.  Mickey e os seus amigos Minnie, Pluto, Pateta, Margarida e Donald vivem emocionantes aventuras de corridas de carros à volta do mundo. Em outubro chega um momento muito especial com a estreia de um especial de Halloween que vai fazer as delícias lá de casa.

mickey

A PRINCESA SOFIA E AS ILHAS MÍSTICAS
A nossa querida Princesa Sofia também está de volta com novos episódios onde continua a descobrir o que é ser da realeza!

Só encontramos a magia de unicórnios, fadas e dragões num único sítio, As Ilhas Místicas. Um lugar incrível onde a Princesa Sofia e os seus novos amigos se juntam para travar uma mestre em cristais.

A série “A Princesa Sofia” segue as aventuras de Sofia, uma pequena princesa, e dos seus melhores amigos, humanos e animais. Todos os dias são uma nova aventura para Sofia dentro e fora do seu reino. A princesa usa a sua coragem e coração para superar qualquer obstáculo e ensina a todos à sua volta, inclusive a ela própria, que a coragem e a compaixão são o que realmente salvam o dia.

Por isso, a partir de Outubro prepare-se para viver algo de Nowo. Sim, os canais preferidos dos seus filhos estão disponíveis na Nowo. Entre num mundo que é feito para si e onde pode escolher apenas os serviços que realmente necessita. Explore de uma forma clara, intuitiva e transparente as múltiplas combinações de serviços que temos para lhe oferecer. E tudo isto a preços justos.