Se é verdade que não há pais perfeitos, é também certo haver professores com muito a melhorar. São 18 temas importantes, que às vezes ficam por conversar, 18 coisas que os pais deviam dizer aos professores:

  1. Quando leio as avaliações do meu filho sinto que preciso de saber mais ao nível pessoal e social. Como é o seu comportamento com os colegas, com os adultos, o que é que o apaixona mais na escola ou o que o torna mais desmotivado. Todas as coisas que os testes não dizem.
    2. Comece as reuniões por dizer o que os nossos filhos fazem bem e termine com uma mensagem de encorajamento. Se pelo meio tiver que nos puxar pelas orelhas, não será tão difícil lidar com os problemas.
    3. O dever de confidencialidade deve ser rigorosamente cumprido junto das crianças, dos pais e dos seus colegas professores. Debater em grupo os problemas que os mais novos têm em casa não é ético, nem profissional. Usar os alunos para satisfazer a sua curiosidade, menos ainda. Incomoda-me que o meu filho saiba pormenores (que ouviram dos professores) sobre outras famílias que eu não gostaria que soubessem da minha.
    4. Só reclamo quando a situação o justifica, por isso agradeço que me mantenha informado sobre o que está a ser feito para diminuir ocorrências graves. Os problemas não desaparecem só porque deixamos de falar sobre eles.
    5. As crianças precisam de aprender a brincar e isso poderia acontecer mais vezes. E também fora da sala de aula.
    6. A maioria dos conflitos entre as crianças surge em momentos como a entrada ou saída, os intervalos e pausas para almoço. Se a supervisão de um professor é suficiente o bastante para atenuar maus comportamentos, talvez fosse melhor agir por antecipação. De nada serve chamar o professor depois do pior já ter acontecido. Porque é que nunca se vê um professor no recreio?
    7. Nunca teci comentários sobre os TPC em frente ao meu filho, mas quando ele me diz que traz três fichas para fazer, confesso que respiro fundo.
    8. O meu filho é um excelente aluno, agradeço-lhe por isso. Pode encontrar outra forma de o desafiar que não passe apenas por ajudar os alunos com dificuldades? Ser solidário é importante, mas aprender coisas novas todos os dias também.
    9. Manter o controlo disciplinar do seu grupo é um investimento essencial. Esperar pelo momento de dar a nota para punir comportamentos é tarde (para quem não cumpre regras mas também para quem quer aprender).
    10. Os estudantes mudam a cada ano que passa, as formas de ensinar também. Acomodar-se a modelos de ensino desfasados da realidade não é vantajoso para ninguém. Atualize os seus conhecimentos.
    11. Por mais difícil que lhe possa parecer, por favor lembre-se que o meu filho é só uma criança. Na generalidade das situações, se ele não sabe é porque ainda não aprendeu – e todos temos o dever de lhe ensinar.
    12. Não confunda asneiras de criança com afrontas pessoais. Volte à sua infância e perceberá que os maiores disparates cometidos por si não foram premeditados com malvadez.
    13. Seja assertivo mas discreto nas reprimendas. Educar nada tem que ver com humilhar publicamente.
    14. Use o seu sentido de humor. Entrar na brincadeira pode fazer dos alunos seus parceiros em vez de opositores.
    15. A avaliação de desempenho promove a melhoria contínua e acontece em todas as áreas profissionais, independentemente do cargo que se ocupa. Resistir-lhe pode passar a mensagem de que há algo para esconder.
    16. Trabalhe em equipa com os vigilantes e operacionais de ação educativa e esclareça-os bem quanto aos seus deveres. Muitas vezes são estes elementos que fazem a ponte entre a escola e a família.
    17. Pertenço à associação de pais com algum sacrifício pessoal, para melhorar o serviço prestado aos alunos. Recorra a ela sempre que precisar de ajuda, mas saiba usar o dom da reciprocidade. Não há parcerias unilaterais.
    18. Não penso que os professores têm vida fácil, embora admita que todas as profissões causam desgaste. Ainda assim, peço-lhe um esforço para humanizar mais o ato de ensinar, sempre que lhe for possível. Assim vale bem mais a pena ir à escola.

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Crianças, pais e cama própria é um assunto tantas vezes abordado, mas sempre com questões intermináveis para os pais. Há mesmo quem afirme que os seus filhos não são capazes de dormir / adormecer sozinhos “eu sei que outros conseguem, mas o(a) meu (minha) não dá… já tentei e não funciona.”.

Todas as crianças conseguem adormecer sozinhas! Precisam de treino, de ser ensinadas – umas demoram mais tempo; outras demoram menos, mas todas são capazes. Muitas das vezes a dificuldade está nos pais. É aos pais a quem mais custa deixar os seus filhos sozinhos no quarto até adormecerem ou mesmo a dormir sozinhos. Quer por pensarem que os filhos podem não estar bem, sem companhia; quer por os próprios pais (entenda-se os dois ou só a mãe ou só o pai) não quererem estar sem a companhia da criança.

A questão principal deve centrar-se em “é importante a criança ter o seu próprio quarto / cama para dormir?”; “é importante a criança adormecer sozinha ou posso fazer-lhe companhia até adormecer?”.

As respostas: As crianças devem ter o seu próprio quarto, cama própria e adormecer sozinhas. É importante e saudável que assim seja. Naturalmente que poderão reclamar a presença dos pais; reagir por não quererem estar sozinhas; chorar, chamar… Os pais devem ir, apoiar, mostrar que estão presentes e atentos, mas voltar a sair até que a criança consiga adaptar-se ao seu quarto e ao facto de adormecer sem companhia. Os pais devem “aguentar” este choro / chamamento / reclamação sem cederem a passa-los para a cama dos pais ou a ficarem junto da criança até que esta adormeça.

O “contacto” com os seus medos, com o desconforto que poderá provocar a noite e o estar sozinha, proporciona à criança a possibilidade de poder confrontar-se com isso mesmo, aprendendo a geri-los interiormente e ultrapassá-los. Esta conquista favorece a sua autonomia emocional, o que é de extrema relevância no desenvolvimento emocional infantil. Isto proporciona à criança perceber que é capaz; que consegue transpor barreiras (neste caso as do medo, por exemplo) e a sentir-se segura, sem precisar para tal da presença constante do adulto. Isto é, neste confronto entre os seus receios, o estar sozinha num espaço e perceber que a presença do adulto é uma certeza – ainda que sem contacto visual – a criança cresce de forma mais autónoma e, portanto, necessariamente mais saudável. Este poderá ser entendido como um dos caminhos pelo qual os pais dão aos seus filhos ferramentas para se alicerçarem numa confiança e segurança evolutivas que vem de dentro, ao invés de crescerem a pensar que precisam sempre de um apoio; de uma bengala exterior (os pais, por exemplo), tal como acontecia quando nasceram.

 

Às vezes, quando temos dias mais complicados ou andamos mais stressados, sem que queiramos, o nosso comportamento altera-se. Tanto no local de trabalho como em casa, as nossas atitudes refletem o nosso estado de espírito. Os nossos filhos, mesmo quando pequenos, apercebem-se de todas estas alterações sentindo e acreditando, muitas vezes, que são os culpados do que quer que se passe.

Agora imagine-se num estado de dormência que não tem perceção das consequências das suas atitudes. Num estado em que nada importa, e só vai para casa porque o “piloto automático” o manda ir. Ou porque não tem mais sítio nenhum para pernoitar. Imagine que as suas atitudes lhe custam o emprego, a família, os filhos. Os filhos. Imagine os filhos.

Laura tem 8 anos, e acredita que as alterações do comportamento do pai se devem à relação próxima que mantém com um amigo, colocando-o sempre em primeiro lugar. Fica a carta que Laura escreveu ao pai:

“O alcoolismo é a doença mental mais comum no mundo” – Sérgio Nicastri, psiquiatra do Hospital Israelita Albert Einstein.

Dependência:

Causa perda de controle e desejo incontrolável de consumo, cria a necessidade de consumir doses maiores para obter o mesmo efeito, surgem sintomas físicos e psíquicos quando o consumo é interrompido e considera o álcool, o item mais importante da sua vida.

Tratamento:

O primeiro passo é o autodiagnóstico, reconhecer a doença e querer mudar de vida. Toda a mudança requer cuidados e atenção, por isso o ideal é procurar ajuda médica e especialistas na doença, e ter sempre pessoas à volta com quem possa contar.

Alguns hospitais oferecem Programas de Tratamento de Dependentes de Álcool e Drogas. 

Informe-se.

Campanha de Sensibilização contra o uso de alcool e drogas

Porque devemos abraçar os nossos filhos quando agem mal?

Estou farta.

Estou completamente farta de explosões emocionais, estou farta que me desafie, e do “não me podes obrigar”, e de portas a bater.

Há alturas que só me apetece arrastá-lo pela t-shirt e obriga-lo a apanhar os sapatos do chão e acabar com estas atitudes de vez.

A última coisa que me apetece fazer é abraça-lo, mas faço-o na mesma.

Abro a porta (depois de me bater com ela na cara) e pergunto-lhe: ”Queres um abraço?

Inicialmente ele resistia mas hoje em dia não. Hoje em dia derrete-se nos meu braços e chora como um bebé oprimido e inseguro.

Hoje, apesar de ser a ultima coisa que me apetecia fazer, apesar de ele ter tido uma péssima atitude comigo, o que ele precisava era mesmo de um abraço. Era o que precisávamos os dois.

Porquê?

Porque devemos abraçar os nossos filhos quando agem mal?

Passo a explicar:

Porque os nossos filhos aprendem mais com amor do que com castigos. Um abraço e uma conversa sobre o que se está a passar resultam melhor do que gritar e castigar.

Porque, às vezes, quando os nossos filhos “se passam”, a sua reação é um grito de ajuda. Talvez não saibam exprimir os seus sentimentos de uma forma mais apropriada, ou talvez haja mais qualquer coisa que os incomode, os stresse ou que os esteja a frustrar e, um abraço pode abrir uma janela à conversa sobre o que realmente se passa, para que possamos lidar e ajudá-los a lidar com a situação.

Porque, às vezes quando os nossos filhos se sentem mal consigo próprios, sentem que não merecem carinho e o nosso respeito e agem de forma a não serem tratados com carinho e respeito. E se reagimos negativamente e com “raiva” estamos a validar os sentimentos deles, e começa um ciclo vicioso. Quebre o ciclo e abrace-o. Lembre-lhes que cometer um erro não os torna numa má pessoa.

Porque uma das melhoras formas de fazer com que os nossos filhos cooperem, é criando laços. Com uma relação forte pais e filhos, as crianças têm tendência a agir de forma correta a maior parte das vezes. E nas alturas em que não o fizerem, ou não o conseguirem fazer, um simples abraço é a chave para nos conectarmos emocionalmente.

Porque o amor pelos nossos filhos é incondicional.

Podemos não gostar da atitude ou de um comportamento, mas continuamos a amá-los até ao último dia das nossas vidas. E as crianças precisam de saber isso, e por vezes temos de relembra-las vezes e vezes sem conta, especialmente quando estão em baixo.

Porque, às vezes, somos nós pais que precisamos de um abraço. Quando os nossos filhos estão a sofrer, ou frustrados, ou a atacar-nos e não sabemos mais como lidar com eles, às vezes, somos nós que precisamos de nos conectar, precisamos de reforçar a  confiança e de um abraço.

Por isso da próxima vez que perderem a sintonia e o seu filho se estiver a passar, abrace-o.

Eu sei que às vezes é difícil controlar os sentimentos.
Eu sei que às vezes eles vão rejeitar esse abraço, principalmente se tiver filhos na pré-adolescência e adolescência.

Mas abrace-o na mesma.

Porque, às vezes, um simples abraço é a melhor resposta a um comportamento negativo.

 

Por Picklebums, parenting
Traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®, 

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A figura do pai é muito importante no decurso de uma gravidez. Este deverá envolver-se e estar presente, participando na compra de artigos para o bebé, acompanhando a companheira no curso de preparação para o parto, fazendo feliz a mãe do seu bebé.

Não há nada que uma futura mamã mais deseje do que sentir-se protegida, mimada e cuidada pelo seu companheiro, sentindo-o ao seu lado num momento tão incrível como é a gravidez. Em qualquer etapa da vida de uma mulher é importante que o seu companheiro a respeite e deseje, mas nesta etapa da gravidez é talvez onde a mulher necessita de mais atenção por parte do futuro papá.

No curso de preparação para o parto, em workshops e na maioria dos livros sobre a gravidez fala-se e responsabiliza-se o futuro pai pela felicidade da futura mamã. Contudo coloquemo-nos, por um momento, no lugar do homem: supondo que este estava disposto a ser pai e que ficou bastante entusiasmado quando soube da novidade, nunca (e volto a repetir, nunca!) sentirá o que sente a mulher desde o primeiro momento em que engravida. As principais diferenças são a nível hormonal, pelo facto de a futura mãe sentir o bebé a mexer-se e pela observação das modificações corporais que vão ocorrendo, que faz com que a mulher esteja consciente, a todo o momento, que existe um bebé a crescer dentro de si.

No caso dos homens tal não acontece e, por isso mesmo, o vínculo afetivo com o bebé fica mais difícil de se estabelecer. As ecografias 4D, por exemplo, ajudam a que os futuros papás comecem a criar este vínculo: ao ver a carinha do seu bebé e ao entender que o ser que está dentro da barriga da sua companheira sente, ouve e, em alguns momentos, até pode sorrir.

É difícil para um homem saber gerir uma situação como é a paternidade. Após o nascimento do bebé muitos homens não se sentem ligados afetivamente a ele. Toda a mudança radical que ocorre ultrapassa-os um pouco. Além disso o bebé inicialmente não interage, apenas dorme e come, e em nenhuma dessas tarefas é necessário que ele esteja presente.Todas estas tarefas são realizadas normalmente pela mãe e, deste modo, o seu vínculo tem sempre tendência para crescer.

A vida de uma mulher muda radicalmente contudo a natureza prepara-a para esta mudança. A mudança no homem é mais lenta e a vinculação ao bebé vai crescendo, demorando mais tempo mas acontecendo aos poucos.

O bebé recém-nascido e a mãe funcionam como uma só pessoa. Esta união é tão forte e estreita que, em algumas situações, os pais podem sentir-se um pouco colocados de parte e até dececionados ao não cumprirem as expectativas que haviam idealizado. Além disso, sofrem uma pressão constante e o seu comportamento é analisado “à lupa” sempre que estão perante uma nova situação, provocando nos papás um stress adicional.

O vínculo do pai ao seu bebé aumenta ao longo do tempo e, na grande maioria dos casos, é cada vez mais forte ao longo do crescimento do bebé. Assim, todas as emoções devem ser respeitadas e entendidas. A paciência, o amor, o mostrar interesse pelo como a sua companheira se sente, fará com que tudo corra de forma mais natural perante esta nova etapa. Ser pai é algo que se aprende, sendo o tempo e a paciência os melhores aliados.

imagem fornecida pelo autor

 

Se o seu filho o tira do sério, isso pode ser sério
Na verdade as crianças não “tiram os adultos do sério”.
Os adultos já estão “fora do sério”.
Os adultos vivem “fora do sério” por questões pessoais!
Pelas suas próprias frustrações, preocupações, medos, mágoas, receios, pressa, pressões externas e internas. Os adultos estão constantemente fora de si, desarmonizados, encolerizados, contidos, como bombas prestes a explodir.
O que acontece é que mais facilmente se deixam explodir quando precisam lidar com alguém mais frágil, indefeso e que não precisam temer uma retaliação…
Por isso, antes de se permitir “sair do sério” com uma criança, reflita se você não está já “fora do sério” por outras razões na sua vida, razões que só você pode (e deve) tentar mudar!
Talvez seja a vida stressada, cheia de horários controlados por segundos preciosos, que não podem ser “perdidos” por causa de uma criança, que precisa de andar mais devagar para olhar para as pedras da calçada.
Talvez sejam as contas para pagar e os prazos para cumprir, que consomem, além da sua energia física, uma preciosa tranquilidade mental, tão necessária para desfrutar a companhia dos filhos.
Talvez sejam as expectativas pessoais, que visam sempre um futuro melhor, mas fazem esvair por entre os dedos qualquer possibilidade de viver o agora, e tal impossibilidade grita através do choro dos filhos, que imploram neste momento a atenção de hoje.
Os adultos estão constantemente “fora do sério” por causa das mágoas do passado, da pressa no presente e das angústias do futuro!
E as crianças, na verdade, precisam de muito pouco. No entanto, o pouco que precisam é algo que se tornou muito difícil para nós, adultos darmos! Precisam de tempo de qualidade, de olhar calmamente, de presença verdadeira, sem TV ligada, sem atender o telemóvel a meio da brincadeira, precisam de uma volta no bairro sem um “despacha-te”.
As crianças não nos tiram do sério, não nos cobram nada, é que nós, preocupados, ansiosos e infelizes, nos sentimos cobrados internamente, e quando uma criança nos pede algo simples, lá no fundo sentimos vergonha, pois descobrirmos que somos, ou estamos, incapazes de realizar até as coisas mais simples.
São as coisas simples que carregam em si as maiores alegrias. As nossas escolhas, conscientes ou não, determinam muitas coisas nas nossas vidas, e as crianças chegam depois de muitas dessas escolhas já estarem solidificadas; e chegam no meio de um turbilhão de preocupações, prazos, horários, dívidas e metas, chegam silenciosas no meio de mil vozes que nos dizem que são elas, as crianças, que precisam de se adaptar e de se encaixar. As crianças chegam e pedem-nos um pouco do nosso tempo, passos mais lentos, olhares mais atentos, abraços sem pressa, sorrisos sem limites…
Chegam e mostram-nos que nem nós deveríamos aceitar encaixar-nos na vida atribulada e vazia que nos consome na mesma medida que consumimos cada dia sem sentir, sem perceber.
As crianças não nos cobram. As crianças mostram-nos que estamos incapazes de desacelerar, de sorrir, de contemplar, de cantar ou dançar, de respirar e suspirar, de sentir alívio ou paz. E em vez de refletirmos sobre nossas escolhas, que podem não ter sido as melhores até então, mas que podem melhorar, ou até mesmo serem diferentes a partir de agora, nós “preferimos” ralhar com as crianças, bater nas crianças, “sair do sério” com as crianças!
Os filhos lembram-nos constantemente sobre o que realmente importa, especialmente quando não queremos que nos lembrem dessas coisas. Os filhos querem apenas um pouco mais de nós! Mas isso tornou-se quase impossível, porque perdidos entre as experiências do passado, a pressa no presente e o medo do que virá amanhã, nem tão pouco conseguimos lembrar-nos de quem somos, ou de quem queríamos ser…
Não nos lembramos de quem somos no meio de tantas preocupações e angústias!
Precisamos de refletir não só sobre os adultos que nos tornamos, mas sobre as crianças que nós um dia fomos!
Tentar lembrar-nos daquilo que sentíamos, o que desejávamos, o que era importante para nós quando éramos pequenos!
Não existem crianças que precisem de apanhar para aprender, o que existe, infelizmente, são adultos que precisam de bater, e que batendo, acreditam que estão a ensinar algo bom.
Bater, agredir, gritar, deixar chorar, apressar, negar, brigar, culpar, ignorar…
E isso tudo por causa das suas próprias questões pessoais.
É difícil e trabalhoso perceber se o problema no comportamento da criança pode ser a escola que ela é obrigada a frequentar, é muito difícil e trabalhoso perceber se o problema pode ser o ritmo acelerado da vida que nós escolhemos.
Pode ser trabalhoso perceber que o problema pode ser as pessoas que rodeiam as crianças.
Pode ser difícil e doloroso perceber que o problema podemos ser nós próprios.
Por isso, e por muitas outras coisas, decidimos que o problema é a criança, e por não conseguirmos mudar o contexto que nós vivemos, tentamos mudar a criança.
Romper com o passado, mudar o presente e temer menos o futuro, pode dar muito trabalho!
Então, decretamos que são as crianças que nos tiram do sério.
Quando cuidar e educar se limita a fazer dos filhos aquilo que nós queremos, quando se limita a enquadrá-los à força dentro de uma rotina alucinada, perdemos toda a leveza, a liberdade e a alegria.
Tudo se torna extenuante, e até aquilo que é natural é entendido como se fosse um problema.
Existem métodos, dicas de disciplina positiva que podem indicar o caminho, mas não há soluções prontas, especialmente se o que os pais procuram é um método milagroso que elimine todo e qualquer conflito.
As situações tensas, os embates, as crises, vão sempre existir, e são iguais em todas as famílias, o que difere é a capacidade que algumas pessoas tem de lidar com elas de uma forma mais leve e produtiva.
Não adianta querer resolver de imediato. E atualmente todos sofremos deste mal, queremos ser atendidos imediatamente, queremos que as encomendas cheguem o quanto antes, queremos que a fila ande o mais rápido possível, nós, os adultos, queremos que o link abra em um segundo, queremos o resultado já, agora, neste instante. E no que diz respeito a relações humanas, o tempo de resposta não está na velocidade de um clique, a resposta está na confiança que se planta a cada dia, mas se colhe num tempo que não podemos controlar. Criar e educar é uma construção diária, lenta, trabalhosa, que se prolonga por todo o tempo que durar a relação, ou seja: provavelmente a vida inteira.
O diálogo, a confiança e o respeito constroem-se no dia a dia, nas coisas simples, através dos detalhes.
Algo que aparentemente não deu certo numa determinada situação pode ter sido uma semente a germinar e gerar frutos benéficos num futuro próximo ou distante.
Nada se perde no que diz respeito aos cuidados com os filhos!
A maioria das situações de conflito que surgem, especialmente as rotineiras, as que se repetem, podem ser evitadas e contornadas.
Os momentos de crise, de embate entre pais e filhos, podem ser superados de forma harmónica e construtiva, isso se houver um pouco mais de paciência, boa vontade, autoconhecimento e tempo, coisas que dependem dos adultos e não das crianças.

Carl Gustav Jung já dizia que se encontrar algo que gostaria de mudar numa criança, deveria antes questionar-se se não há algo que deveria mudar em você mesmo.

Antes de erguer a voz a uma criança, reflita sobre o quanto está a ouvir a sua própria voz interior, e se está a ser capaz de compreender o que esta voz lhe diz.

Antes de levantar a mão a uma criança, reflita sobre o quanto está a levantar a mão para mudar o que não está bom, dentro e fora de si… Que nos sirva apenas de alerta, ou como um convite para refletirmos, que há sempre muito a mudar em nós próprios, quando temos o ímpeto de mudar algo numa criança!

Por Luzinete R. C. Carvalho (Psicanalista), psicanalista, em Visão Clara
Adaptado por Up To Kids®

imagem@mama365

Poema da mãe que eu não quero ser

Preparado o jantar, a roupa, o cão e a mochila,

depois do chefe, dos filhos, do pai e do supermercado,

eu nem sei.

Continuo  algures por aqui, entre a escola e o ballet.

Perguntam-me, chamam-me, pedem-me.

Preciso de ajuda?

Sim, se puder ficar com a pior parte.

Sou um movimento

que se deita tarde, se levanta cedo,

E os dias passam demasiado.

Avio expedições inteiras antes das nove,

faço-me em mil num brilharete,

e despacho tarefas em automático.

Mas tenho um segredo esquecido:

eu, nunca estou na lista de afazeres

(risquei-me às escondidas).

Assim, com um espaço livre na agenda,

pode ser que sobre tempo para procurar-me,

algures entre as outras coisas todas,

e encontrar-me, sem dar trabalho.

Antes que alguém dê pela minha falta.

imagem@vk.com

Nas duas últimas semanas, vi-me envolvida em duas situações diferentes, e em que não tinha bem a certeza de como deveria agir em cada caso.

Primeiro um amigo do meu filho acertou-lhe com uma pedra na cabeça, e feriu-o.

Será que eu deveria ter dito alguma coisa à mãe? Eu sei que foi um acidente, e que o miúdo se sentiu mal por isso.

Pensei em dizer alguma coisa, mas acabei por não fazê-lo.

Numa outra situação, e esta não envolve os meus filhos, eu vim a saber que o filho adolescente de uma conhecida minha com quem me dou bastante bem e costumamos encontrar-nos de vez em quando, andava envolvido com coisas pouco saudáveis. E ilegais.

O que devo fazer? Devo dizer alguma coisa, ou não me meter?

Eu sei que se fossem os meus filhos, em qualquer uma das situações eu queria saber.
Acredito que muitas de nós, mães, já passamos por situações destas. Sem saber se devemos falar ou não.

Por isso eu vou deixar bem claro: se o meu filho atirar uma pedra à cabeça do teu, eu quero que me contes. Acidente ou não, eu quero saber!

Se o meu filho te faltar ao respeito, quero que me contes.

Se o meu filho consumir drogas, eu quero que me contes.

Se vires os meus filhos num sítio que não seja suposto estarem, eu quero que me contes.

Se te contarem que o meu filho consome drogas, mesmo que não tenhas a certeza se é verdade ou não, eu quero que me contes.

Se souberes que os meus filhos me andam a mentir, eu quero que me contes.

Se o meu filho faz bullying , quero que me contes.

Se o meu filho não faz bullying, mas é o parvalhão da escola, eu quero que me contes.

Se o meu filho usar uma linguagem totalmente inapropriada eu quero que me contes.

Se o meu marido me andar a enganar (não anda, nunca andou, mas hipoteticamente), por favor conta-me.

Se eu tiver um macaco do nariz a passear do lado de fora, e visível para toda a gente, diz-me!

Se toda a gente souber que estou com a “história” menos eu, por favor avisa-me!

Se descobrires que uma das minhas filhas está grávida, eu quero que me contes.

Se vires um pêlo preto e grande a sair do meu queixo, pescoço ou qualquer parte do corpo acima da cintura (ou já agora abaixo também), quero que me digas!

Se algum dos meus filhos andar sempre com miúdos com problemas de droga, ou com o traficante mesmo, com prostitutas, ou com alguém mais velho, quero que me contes.

Se o meu filho está a fazer ou a ver asneiradas no computador que não deixarias os teus filhos verem, eu quero que me contes.

Se eu tiver a braguilha aberta, quero que me digas.

Se o meu lápis dos olhos está tão borrado, ao ponto de parecer que estive no ringue com o Mike Tyson, quero que me contes.

Se a minha saia estiver entalada nas cuecas, quero que me contes!

Se acontecer qualquer coisa que não está nesta lista, e ficares na dúvida se deves ou não contar-me, eu quero que me contes.

E se me quiseres contar alguma coisa desta lista e não souberes como, basta dizeres: “lembras-te daquela vez que o teu filho estava a ser um idiota, e querias que eu te contasse? Bom…”

imagem@expertbeacon

Publicado em Scary Mommy, traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®
Todos os direitos reservados

Alguma vez sentiu que o seu filho tende a estar no comando do seu dia e que já não consegue fazê-lo respeitar os seus pedidos, sem que uma birra ou capricho aconteça?

Alguma vez se perguntou como é que as escolas conseguem gerir bem tantas crianças pequenas e fazer com que comam, durmam, se vistam e se comportem como seres perfeitamente autónomos, bastante diferentes dos que tem em casa?

É verdade. Todos sabemos que as coisas podem tornar-se um pouco difíceis de gerir lá em casa. Muitas vezes isto acontece por uma razão simples: falta energia de um lado – o seu, e excesso do outro – o deles. O resultado é quase sempre desgastante: ou já não encontra forças para resistir e abre mão da sua vontade, ou explode (grita, bate com a porta, fala com agressividade). Aconteça o que acontecer, arrepende-se sempre. Acima de tudo não compreende porque é que depois um dia inteiro a fazer o que tem de ser feito, ainda tem de lidar com o doutor minúsculo a impor-lhe leis ao serão.

Voltemos ao tema das escolas – queremos ajudar. As boas escolas e os bons professores sabem como manter o controlo de muitas crianças iguais à sua, sem com isso colocarem em causa a trilogia de ouro nas relações entre adultos e crianças: afeto, respeito e admiração.

Creio que temos boas notícias. Pelo que conhecemos das melhores práticas, é possível que a causa de todos os seus problemas se prenda com uma frase feita: está a pecar por excesso.

 

Fala demais, espera demais, compra presentes demais, dá explicações a mais, promete o que não pode, sacrifica-se em demasia. E mesmo que tudo isso aconteça por uma razão maior (ama demais), colocar-se na posição de cordeiro só vai servir para que se transforme num adulto amargurado e cansado, sem combustível para educar.  Lembre-se sempre disto: os pais devem ser líderes fortes, poderosos estrategas. Filho lobo, Pai cordeiro.

É muito importante que esta mensagem o conduza a uma reflexão cuidada. Se muitos dos adultos que conheço assistissem a uma gravação do seu comportamento subserviente com os filhos, diriam: Aquele não sou eu! – e continuariam a negá-lo até à morte, alegariam que foi tudo uma montagem, instigariam a própria mãe a comprovar a existência do irmão gémeo cujo filho é um tirano.

Agora, certifique-se que o seu sentido de humor está em ON, porque vamos falar dos filhos dos outros, esses mal-educados. Podemos assegurar que não estamos a falar do seu filho, porque se ele na escola é perfeitamente autónomo, não há razão para preocupações. Há coisas que os miúdos dos outros fazem e dizem com uma fluência inacreditável, especialmente se olhadas à luz da reação dos coitados dos pais. Eis alguns estudos de caso:

Caso 1 – A sede.
Criança deitada no sofá a ver desenhos animados sente sede, após triunfar o duelo pela posse dos canais de televisão com o pai, que uma vez derrotado, se retirou para o quarto:

Tenho seeeede! Quero ááááágua! Ó mãããããae!

A mãe apressa-se a terminar o banho, veste-se ainda meia húmida e leva a água ao rapaz. Quando se aproxima, o filho bebe um gole e diz:

– Não quero mais, está muito fria. Sai da frente que eu quero ver!

 Caso 2 – O jogo.
O pai está sentado na esplanada, relaxado a ler enquanto a criança joga à bola. Sem aviso, sente um pé pisar-lhe a coxa. O filho ordena:

– Cordões!

Solícito, o pai aperta os cordões com dois nós para maior segurança. Sacode as calças. Lembra o pequeno que é melhor vestir o casaco, ao que ele responde com um esticar de braços. O pai veste-lho e volta à leitura. O filho pega na bola e afasta-se.

Caso 3 – O filme.
Hora de almoço dramática. A criança protesta dizendo comida da escola é muito melhor, que a barriga dói, que sente muito sono. Diz que a sopa de casa está mal passada, que a carne é muito dura e os legumes cheiram mal. A cada comentário os pais respondem com argumentos válidos e bem estruturados e aliciam a criança com o novo filme que combinaram ver após o almoço. A criança contrapõe sempre. Depois de muitas tentativas sem sucesso, alguém acaba por estrelar um ovo para abreviar o momento, reforçando a sobremesa para que a criança não sinta fome. Terminada a longa refeição, tudo passa, e a família reúne-se na sala para ver o filme.

Caso 4 – O peso.
A mãe estacionou em segunda fila já após o toque para sair. Entra na escola e gesticula para que a filha venha ao seu encontro. A criança vê, mas parece não reagir. Para ganhar tempo, a mãe vai buscar a mochila da escola, a mochila do lanche, o casaco e o guarda-chuva. Volta a chamar a criança que responde a meio da corrida:

– Espera, já vou!

Toca o telemóvel. A mãe suspira e pousa a mercadoria para resolver um assunto de trabalho que ficou pendente. A meio, é interrompida:

– Despacha-te que eu quero ir para casa, estou cheia de fome mãe, anda lá!

Faz um gesto para a criança aguardar com a mão. Buzinam para que retire o carro mal estacionado.

– Agora vou ficar aqui todo o dia enquanto tu falas ao telefone? Agora já não está com pressa, passou-se!

Terminada a chamada, a mãe veste o casaco à criança e pede-lhe que ajude a levar uma mochila, pois precisa de correr para ir tirar o carro.

– Não, leva tu, estou muito cansada.

A senhora carrega tudo sozinha. Com uma mochila a balançar no pulso, levanta a mão pesada e pede desculpas ao condutor. Abre a porta do carro, e enquanto a filha entra, guarda tudo na bagageira. Não parte sem antes colocar-lhe o cinto de segurança.

-Parece que é desta que vamos para casa.

Como ainda não recuperou o fôlego, e não se tratando de uma pergunta, a mãe decide ignorar.
Pensar que estes são casos reais é suficiente para colocar em OFF o sentido de humor, certo? E porque é importante ser solidário com estes pais que só pensam estar a fazer o melhor para os seus filhos, partilhamos consigo as estratégias que os profissionais das melhores escolas usariam em situações semelhantes. Quando analisar, note como a maioria das práticas de ensino aposta numa distinção muito clara entre decisões de adultos e decisões de criança, e em como raramente se misturam as responsabilidades. Repare como apostar na autonomia pode significar conquistar equilíbrio, tempo e espaço na relação com os mais pequenos. Tenha particularmente em conta como cada desfecho não significa amar menos as crianças, e como amar na medida certa, requer inteligência, consistência, e planeamento:

Solução 1 – A sede que ensina a beber.
Quando a criança diz precisar de água, o adulto responde que no momento está ocupado, e lembra que há garrafas pequenas de água em local acessível. À primeira oportunidade, o adulto elogia a criança por ter cumprido a tarefa e premeia-a, entregando-lhe um copo especial para guardar num local ao seu alcance, que pode usar daí em diante. Terminados os trinta minutos destinados à televisão, vão brincar juntos para o exterior.

Solução 2 – Jogar bem a bola.
No momento que a criança pousa o pé na perna do adulto, este pousa o livro como que em sinal de desaprovação e aguarda sereno que a criança regule o seu próprio comportamento, sem que seja preciso dizer-lhe como. Logo que o rapaz pousa o pé no chão, o adulto pega na bola e convida a criança a sentar-se para tentar apertar o cordão por si. Volta a pegar no livro não sem antes se mostrar disponível para ensiná-la, no caso de falhar várias tentativas. Não obstante o processo, dá-lhe um beijo e elogia-a assim que o cordão estiver apertado. Diz-lhe que vista o casaco. Devolve-lhe a bola.

Solução 3 – O filme certo.
Aos protestos da criança durante o almoço, o adulto responde apenas uma vez, usando um tom seguro. Esclarece que a refeição foi preparada de acordo com o que é necessário para que cresça saudável e que é importante que a coma em tempo útil para não se atrasar para ver o filme. Sempre que a criança voltar ao protesto, os adultos mudam de assunto, sem que no contexto surja a possibilidade de um prato opcional. Os adultos aguardam que a criança termine a sopa antes de avançarem para a refeição sólida e assim sucessivamente, desde que respeitando um intervalo de tempo razoável. Se tal não acontecer, terminam a refeição e vão para a sala ver o filme. A criança junta-se a eles quando terminar. Em caso de identificarem sintomas reais de sono, mau estar ou doença, os adultos podem mostrar-se flexíveis, explicando porquê.

Solução 4 – O peso desapareceu.
Logo que o adulto chega, esforça-se por manter contacto visual com a criança, sem se dirigir ela fisicamente. Quando consegue, gesticula para que venha ao seu encontro. Se lhe parecer que a criança está muito interessada na brincadeira, volta a gesticular para que perceba que pode brincar mais 1 minuto e posiciona-se de modo a observar a viatura mal estacionada. Quando se dá conta de um lugar livre por perto, sai para estacionar corretamente. Quando toca o telemóvel, avista a criança junto ao portão e pede-lhe para aguardar no interior. Atende. Quando regressa cumprimenta-a, pede-lhe para verificar se trouxe todos os seus pertences. Abre a bagageira e espera que a criança os guarde, ajudando com os objetos mais pesados. Senta-se no lugar do condutor, coloca o cinto de segurança e só arranca assim que a criança fizer o mesmo. Explica durante o caminho porque é que não aguardou no interior da escola, destacando que é sempre complicado estacionar na zona, pelo que a criança deve manter-se ao portão após o toque de saída.

São mudanças subtis de atitude que fazem toda a diferença, não acha? Optar auxiliar somente a criança naquilo que não é capaz de fazer sozinha, mostrar vontade de colaborar em vez de promover a dependência, influenciar mais por omissão do que por ação, é possível.

Os conselhos que por norma os pais ouvem antes de nascer um filho, ainda que bem-intencionados, podem ser bastante vazios de conteúdo, inúteis e desfasados da realidade. É verdade que é lindo ter um filho, é verdade que muitas coisas mudam, mas exatamente o que é que isso significa? Ninguém explica a um pai ou mãe inexperiente, que ser um bom líder familiar é muitíssimo relevante para conseguir educar sem comprometer severamente o bem-estar dos mais novos e dos mais velhos. Um filho vai sofrer e fazer sofrer, se desde muito pequeno os pais não trabalharem a sua capacidade de o influenciar e de o orientar como um treinador a um atleta. Educar pode ser muito divertido, acredite.

Imagina-se a ler este último parágrafo a um amigo seu com uma criança difícil? Então guarde-o num lugar perto de si para usar quando for conveniente e considere que toda a cautela é pouca, para tratar um assunto tão delicado. Pense: é o filho dele mas podia ser o meu. E vai ver que tudo corre bem.

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Noite de sexta-feira, por volta das 21h30. Antes de ir para a cama, a pequena de 5 anos avisa-me solenemente: “Mãe, amanhã quero acordar muito cedo.

Sabendo que não havia nenhuma razão de força maior para acordar muito cedo num Sábado de manhã (não íamos para lado nenhum), perguntei: “Porque, filha?

E a resposta veio com ainda mais seriedade: “Porque não quero chegar atrasada!“.

Não consegui esconder o sorriso. Pensei… isto dava mais jeito se fosse nos dias da semana (nem que de propósito, pois tínhamos passado os dias da semana atrás dela para se despachar a horas com estratégias de todos os tipos, sem grandes sucessos).

Mas explicou-me com muita responsabilidade, que ela não queria chegar atrasada para um encontro com uma amiguinha que vai ter no próximo dia a tarde e para qual estava muito ansiosa. D’ai ter que acordar bem cedo para estar pronta.

E percebi que, afinal, as estratégias tinham, de facto, resultado.
Quando parece que não resulta, resulta

Ela sabe que deve acordar mais cedo se quer chegar a horas. E aplica quando ela considera melhor. Não quando eu quero.

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