Vi-te na biblioteca da escola primária onde eu dou aulas, e o teu filho de quatro anos estava a berrar contigo. Estava a gritar, desesperadamente, na tua cara. Foi por isso que eu olhei para ti. Foi por isso que toda a gente olhou para ti. Ele estava desesperado porque não lhe compraste o novo livro da Lego Star Wars, de 19.99€, que traz os bonecos que ele “precisa, precisa preciiiiiiiiiisa” mesmo de ter.

Está a fazer uma cena enorme. Eu ouvi do outro lado do corredor. Está a gritar e a espernear enquanto se contorce no chão. Ele só chora e grita, e diz que a mãe é má porque não lhe dá o que ele tanto quer. O mundo dele está desmoronar-se, e ele só consegue dizer que és a pior mãe do mundo.

Todas as pessoas à volta já estão a olhar para ti. A empregada está congelada, sem saber como reagir. Toda a gente está a olhar para ver o que vais fazer em relação à sua birra. É uma daquelas birras barulhentas e incomodativas de se assistir.

Vejo as lágrimas a subirem-te aos olhos, mas também vejo a coragem e força estampadas na tua cara. Estás calma e serena, e aparentemente não estás incomodada com a birra do teu filho. Continuas o pagamento na caixa, depois colocas os livros na mala, calmamente dás a mão à tua filha, recolhes o miúdo enquanto grita, e sais biblioteca fora. Ele continua a contorcer-se e a empurrar-te. Acabou de te arranhar na cara, deixando uma grande marca na bochecha, mas continuas a caminhar calmamente.

Conforme andas até ao carro (e eu não posso deixar de seguir-te e observar com admiração as tuas técnicas mágicas de parentalidade) ouvi-o gritar, entre soluços enquanto tentava recuperar o fôlego sem sucesso: “-A MÃE PROMETEU QUE EU PODIA COMPRAR UM LIVRO HOJE!“. Calmamente respondeste: “Eu dei-te 10€ para gastares num livro hoje. Escolheste um livro mais caro. A seguir preferiste passar o teu tempo na feira a chorar e a gritar em vez de procurares um livro que pudesses comprar com o dinheiro que te dei. Tenho muita pena que tenhas feito essa escolha, deve ser muito triste para ti saíres da feira sem nenhum livro hoje.”

Ele, claro, não gostou dessa resposta. Na verdade, ainda gritou e chorou mais alto. Contorceu-se tanto que quase que te caia dos braços. Colocaste-o calmamente no chão com firmeza, mas com amor, agarraste-lhe no pulso para que ele não fugisse. Num tom calmo, paciente e maternal disseste: “querido, eu adoro-te. Eu amo-te muito. Eu sei que agora estás triste, e eu fico triste quando tu estás triste. Vamos entrar no carro e vou dar-te o teu cobertor: faz-te sempre sentires-te melhor.”

Ele responde: “mas, mas, mas…a mãe não comprou o meu livro…” Repetiste o que disseste anteriormente: que estás triste por ele ter escolhido perder o seu tempo a chorar em vez de procurar um livro que custasse 10€.

Depois, em silencio, deste-lhe um grande abraço (ao qual ele resistiu), pegaste-lhe ao colo (apenas para ser novamente arranhada na cara), e sentaste-o na sua cadeirinha no carro. Fechaste a porta e, apoiaste-te inclinada no carro por um momento. Deixaste escapar um suspiro, de frustração, antes de entrar no carro e ir embora.

Hoje, tu não cedeste. Não cedeste em momento algum, e por isso eu quero agradecer-te.

Obrigada por seres uma mãe que estabelece limites para o seu filho. Obrigada por seres uma mãe que não cede ao constrangimento social para apaziguar os desejos do seu filho pequeno que está aos gritos.

Obrigada por escolheres não lhe dar tudo o que ele quer.

Obrigada por teres a maturidade de lhe pegar ao colo enquanto ele se contorcia e gritava, e calmamente explicar-lhe as razões pelas quais não compraste o livro da Lego hoje.

Obrigada por teres maturidade para conversar com o teu filho como um adulto e permitir-lhe ver as consequências de suas ações. Obrigada por lhe teres explicado que não era um problema teu, que era uma confusão criada por ele, baseada numa (má) escolha que ele fez.

Muito obrigada por seres um exemplo para todas as mães, porque ser uma mãe firme que cumpre a sua palavra é muito mais importante do que ceder, para evitar uma birra. Obrigada por seres uma mãe em quem os teus filhos podem confiar, porque és consistente e firme.

Obrigada por seres uma mãe que faz os seus filhos sentirem-se seguros. Obrigada por amares os teus filhos o suficiente ao ponto de não seres a amiga deles, mas sim assumires o papel de mãe.

Como professora, eu vejo todos os dias uma grande variedade de pais e vejo todo o espectro de estilos parentais e abordagens. E como uma professora, eu consigo ver a extrema necessidade que o mundo tem da existência de mães como tu.

A feira do livro foi há três meses, e eu ainda estou a pensar na forma como lidaste com a birra do teu filho naquele dia.

Obrigada por seres o tipo de mãe que cria filhos respeitosos e humildes. A tua influência é muito maior do que jamais saberás.

Atenciosamente,
Uma professora grata.

Ler também Carta às mães mais que perfeitas

 

Por , no blog argyle in spring
traduzido e adaptado por Up To Kids®

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As crianças não fazem birras

A nossa cultura ensinou-nos a ver as crianças como nossas adversárias.

As crianças fazem birras, as crianças portam-se mal. As crianças só sabem chatear. Desafiam-nos, testam-nos, desarrumam tudo. Estão aí para nos levar ao desespero.

Não me parece.

Mas a verdade é que acreditamos nisto – a agimos sobre esta premissa diariamente – de tal forma que se torna mais do que óbvio – e incompreensível que haja alguém que não o faça – que tenhamos de puni-las, de afastá-las, de deixá-las sozinhas quando não correspondem aos comportamentos esperados, quando se exaltam ou perdem o controlo das suas emoções por alguma razão.

Acreditamos que estão a ser mal-educadas, que nos estão a faltar ao respeito, quando a bem da verdade, lhes estamos a passar a mensagem de que não têm direito a exprimir as suas emoções negativas. Temos de saber ensinar-lhes paciente e generosamente como exprimir essas emoções. Desde cedo. Porque essas não são para bloquear.

Da minha pesquisa e das minhas experiências pessoal e profissional, as crianças não fazem birras. As crianças não se portam mal.

As crianças são crianças. Onde é que, ao longo do caminho, nos esquecemos que fomos nós que as quisemos?

As crianças manifestam as necessidades, vontades, medos, cansaço  e sentimentos gigantes que têm da melhor forma que sabem e podem. Passam por emoções que nem imaginamos, vivem e assistem a situações que muitas vezes não sabem – nem conseguem – processar. Isso não faz delas mal comportadas, chatas, birrentas ou bebés. Faz delas pessoas (pequenas) num mundo tantas vezes assustador.

O mundo é feito de pessoas e se as pessoas que têm o privilégio de formar pessoas mais pequenas as souberem formar e educar de uma forma pacífica, gentil, ensinando desde a primeira infância os limites de forma empática, conectando-se e ligando-se às suas crianças de forma generosa, compreensiva nos momentos mais difíceis, serão adolescentes e mais tarde adultos assim que teremos.

E será esse o mundo que estaremos a criar. Quer acreditemos nisso quer não. A responsabilidade é nossa.

É uma questão cultural que tem passado de geração em geração que nos tem ensinado – e feito crer dogmaticamente – que a única forma de educar pessoas responsáveis, cumpridoras e bem sucedidas é sendo pais e professores exigentes, inflexíveis e firmes.

Como se isso fosse o mandamento mais imperativo.

Não é.

O mandamento mais imperativo a ter em atenção na formação do ser humano é a formação saudável das emoções. Dos vinte anos que trabalhei com crianças, não encontrei uma – uma única! – que conseguisse bons resultados na escola quando as suas emoções estavam desreguladas, destruídas até, em alguns casos. Muitos.

As crianças constroem a sua auto-imagem através dos inputs implementados desde o nascimento, pelos adultos.

São as emoções dos adultos, em primeiro lugar – os estados de espírito, as frustrações, a sua própria auto-imagem, os seus traumas, as suas crenças, – que lideram a forma como estes interagem com as crianças, a forma como lidam com elas, como as tratam.

Aprendemos que as crianças nos desafiam, que querem controlar e ter tudo à sua maneira. Nós acreditamos nisto e as nossas relações com os nossos filhos sofrem com isto. Aprendemos que temos de controlar as suas birras e que é obrigatório zangarmo-nos quando não correspondem às nossas expectativas, chegando até a magoar o seu corpo e ferir a sua alma para marcar a nossa posição de poder.

Desunimo-nos delas, desconectamo-nos nos momentos em que mais precisam que nos liguemos a elas, que as apoiemos. Isto passa-se em casa, na escola. Nos locais que deveriam ser lugares de referência, onde as crianças se devem sentir acarinhadas, respeitadas, seguras.

Aprendemos a criticar as crianças, a julga-las, a castigá-las, em vez de  escutá-las, compreendê-las  – mesmo que a situação nos desconforte –  de aceitá-las. Esquecemo-nos de que educar é passar um legado diário de amor, de compreensão, de motivação positiva, de empatia sob todas as suas formas, em todos os momentos, em especial aqueles que são mais difíceis de gerir pela criança ou pelo adolescente.

E aqui cometemos um grave engano.

Confundimos educação com imposição de autoridade, julgamos que temos de ser reis absolutistas no nosso castelo e que as crianças têm de ser submissas às nossas vontades, ordens e desejos, descurando-nos de negociar em vez de exigir aquilo que elas não nos podem dar, esquecendo-nos de ser tolerantes em vez de criticar, esquecendo-nos de ensiná-las  – liderando pelo exemplo e não pela imposição-  tendo em conta o seu funcionamento natural e orgânico, neurológico, físico e emocional.

Se esses factores não são respeitados, não é responsabilidade da criança. É de quem é responsável pelo seu percurso educativo. Seja em casa ou na escola.

Toda a aprendizagem deve ser feita de forma orgânica e natural. Não imposta. Não coerciva.

Uma família de seis filhos ou uma turma de vinte alunos, terá o número de personalidades, necessidades, carências e potencialidades em proporção ao número de crianças que aí existirem. E todas têm valor. Todas têm potencial. Cabe ao adulto estimulá-las e motivá-las de forma positiva. E não uma vez. Em todos os momentos. Um educador, seja um pai, uma mãe, um avô, uma avó, um professor, educador infantil ou auxiliar educativo, deve ser, acima de tudo, um mentor.

As crianças e os adolescentes são pequenos humanos que fazem o seu melhor com o que têm, que só querem ser amadas e respeitadas pelo que são, sentir-se seguras, protegidas, façam o que fizerem, digam o que disserem.

Quando aprendermos isto e agirmos sobre isto, deixará de haver lugar para gritos, rótulos, vergonha, castigos e todos construiremos uma relação melhor e mais forte com os nossos filhos.

Como afirma Rebecca Eanes, as crianças não são nossas adversárias. Elas são a nossa maior dádiva. Tratemo-las como tal.

 

Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens

“Eduquem as crianças e não será necessário castigar os homens” é uma citação atribuída a Pitágoras, importante filósofo grego fundador de uma escola de pensamento, que viveu cerca de 500 anos a.C..

Educar passa não só por ensinar a ter bons modos ou comportamentos que sejam socialmente aceitáveis, como também conhecimentos e competências emocionais e sociais.

Mas como podemos promover o desenvolvimento destas competências nas crianças? Todos sabemos que crianças bem-ajustadas a nível emocional e social criam mais cedo um sentimento de pertença e ligação (sentem que têm significado, que são importantes) mas têm também mais hipóteses de ter sucesso escolar. De pouco adianta tentarmos ensinar uma criança a ler e a contar se o medo que ela sente de falhar ou a falta de confiança nas suas capacidades a bloquearem. Uma criança com confiança e autoestima elevada, que sabe relacionar-se com os outros, aprende a regular o seu comportamento, a resolver conflitos ou trabalhar em equipa.

Não há mezinhas ou receitas que sirvam para todas as crianças mas há dicas que ajudam. Este artigo reúne 10 sugestões que podem desenvolver estas competências nas crianças. Vamos à primeira?

  1. Ensinar a reconhecer as emoções

Quando uma criança se sente frustrada, por exemplo, nem sempre ela tem um nome para atribuir a essa emoção. Ela sente-se zangada, confusa com o que sente (por exemplo quando perde um jogo), mas não sabe que é frustração que está a sentir. Somos nós, adultos, que devemos ajudar as crianças nessa tarefa de dar um nome às emoções, porque só identificando o que elas próprias sentem poderão aprender a reconhecer as emoções alheias e, consequentemente, a colocar-se no lugar dos outros. É a falta de ferramentas para compreenderem o que estão a sentir que leva muitas das vezes a birras e a situações descontroladas.

*Há alturas em que pode dar-lhe vontade de fazer uma birra ainda maior mas calma… respire fundo que passa!

 

  1. Comunicar de uma forma eficaz

Às vezes não entendemos muito bem o que as crianças querem comunicar e, por outro lado,  elas também nem sempre compreendem o que nós lhes estamos a transmitir. Supomos que nos compreendemos mutuamente, o que nem sempre acontece. Estas barreiras de comunicação podem levar a mal entendidos. Devemos ouvir ativamente o que as crianças estão a transmitir e sermos claros quando falamos com elas.


*Neste caso o bebé tentou de tudo mas o pai não estava sintonizado!

 

  1. Envolver-se nas atividades das crianças

Não há melhor forma de nos aproximarmos das crianças do que partilhar os seus interesses. Brincar, jogar com elas, dançar, ler uma história, fazer desenhos juntos… são atividades que devemos fazer com as crianças sempre que possível. Esses momentos de partilha são oportunidades divertidas para criarmos com elas uma maior conexão.

*1… 2… 3! Vamos lá começar!

  1. Mostrar que os sentimentos e necessidades das crianças são válidos

As crianças precisam de entender que os sentimentos contam, que são importantes, mas ao mesmo tempo compreender que elas não são o centro do mundo. Como elas, há muitas outras crianças que também têm desejos e direitos. Elas ocupam um lugar importante mas é preciso que aprendam a respeitar os outros.

*Silêncio que a princesa quer cantar!!!

  1. Encorajar as crianças a encontrarem soluções para os seus próprios problemas

Muitas vezes temos vontade de dizer às crianças como devem resolver os seus problemas. Mas quando o fazemos não as estamos a ajudar a ganhar autonomia, independência e confiança nas suas decisões. É por isso que é tão importante direcionarmos a crianças a serem elas a encontrar soluções desde cedo. Um bom método é perguntarmos o que elas acham que resolveria a situação. Decidir leva-as a compreender que têm controlo sobre as suas vidas.


*Estes irmãos terão de ser bastante criativos para sair deste sarilho! 😉

 

  1. Focar o comportamento que queremos mudar e não a personalidade da criança

Quando uma criança se comporta de uma forma desadequada, devemos sempre manter o foco no comportamento que queremos mudar e não na criança em si. Não devemos dizer “És preguiçoso/a” ou “És má/mau” porque as crianças acreditam no que lhes dizemos e interiorizam as críticas. Ela não é má, o seu comportamento é que pode ser melhorado!

*Muita calma nessa hora!

 

  1. Ajudar a criança a descobrir o que tem de especial

Cada criança é única e especial. Quando uma criança descobre o seu talento sente mais autoconfiança. O talento pode estar ligado à dança ou à música mas nem sempre devemos estar focados no mais óbvio. Saber cuidar de animais ou gostar de ajudar os outros permite às crianças desenvolverem competências sociais e a relacionarem-se melhor com o mundo que as rodeia.

*A Johanna já descobriu o seu!

  1. Incentivar o debate e a discussão

As crianças têm de praticar ouvir e falar. Estas oportunidades têm de ser dadas sempre que possível. Devemos incentivá-las a partilhar as suas histórias connosco e a tomarem decisões sobre atividades que as incluam.

  1. Ser um modelo

As crianças imitam os exemplos dos adultos. É importante estarmos atentos aos pormenores porque… elas estão! Uma criança aprende mais depressa a ter bons modos se palavras como “obrigado” ou “se faz favor” fizerem parte do seu dia-a-dia, da mesma forma que aprende que devemos respeitar os outros se vir que os pais ou os adultos que a rodeiam tratam os outros com respeito.


*Muito importante: mesmo quando parece que estão distraídas, as crianças estão a ouvir tudo!

  1. Respeitar a criança

Respeitar a criança, os seus gostos, o seu espaço e o seu próprio ritmo, é respeitar a sua natureza. A criança está aprender aquilo que a experiência de vida nos ensina há muitos anos. Orientá-la nesse caminho, com respeito, amor e dedicação é a chave para criar um ser humano que sabe colocar-se no lugar do outro, que é altruísta e positivo perante os desafios da vida, mesmo nos momentos mais adversos.

PS – Tem outras sugestões?

 

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Já se sabe que os pais também precisam de tempo só para eles, precisam de sair, precisam de se divertir. As crianças são o melhor do mundo, pois são, mas às vezes é preciso deixar o melhor do mundo com os avós. É justamente sobre essas horas de liberdade e loucura que vamos falar.

Tudo começa com o bater da porta da casa dos avós, depois de se entregar as encomendas. A porta nem bate. A porta encaixa na perfeição. Voltam­-se então os dois, inspiram e sorriem, o que até pode ser perigoso, porque uma pessoa pode engasgar-­se.

A partir daqui, é a perfeita loucura. Revive­-se a excitação de outrora, quando começaram as saídas à noite. É a mesma sensação de liberdade, até porque tudo começa, se pensarmos bem, no mesmo sítio, na mesma porta.

Vamos jantar, vamos sair, vamos fazer tudo. É tudo nosso. Vai ser até madrugada. Não há limites. “Vai ser só curtir”, como dizia a canção. É a mais básica e genuína sensação de liberdade. Um cheirinho de adolescência.

Na maioria dos casos, porém, a meio do jantar já estão perdidos de sono. Mas nesta fase ainda ninguém admite e continua a virar-­se copos e a rir, como se aquela imagem do sofá ou mesmo da cama conseguisse sair do pensamento. Depois, no fim da refeição, a cafeína pode ajudar a recuperar alguns sentidos e portanto, à pergunta “então, vamos a algum lado?”, “vamos, claro” é a resposta, mas para todos os efeitos, em muitos países, sobretudo nos mais desenvolvidos, aquela pessoa já era considerada a dormir. Aliás, a ciência ainda nem tem absolutas certezas sobre quem é que responde quando um progenitor em liberdade diz, numa sexta-­feira à noite, “vamos, claro”.

Lá se vai então para a boîte. Isto se não se capitulou já no bar de permeio, porque às vezes é muito cedo para ir para a discoteca. Convém, aliás, ir olhando para o relógio, pois às vezes pensamos que são duas da manhã e nem dez da noite são. Recordo-­me, por exemplo, de entrar pelo Jézebel ainda nem era meia-­noite. Não sabia se havia de pedir um copo ou uma vassoura para ajudar a preparar a casa para a noite. Lá se vai o tempo em que encerrávamos os estabelecimentos, agora vamos abrir.

É por isso no bar de permeio que costumam aparecer as primeiras bandeiras brancas. “Rendo-­me”, ouve-­se alguém declarar, antes de pagar a conta e recolher ao quartel.

Neste contexto, quem chega à boîte já se pode considerar um vencedor, mesmo que vá dançar uma espécie de kuduru sonâmbulo. Quando chega a altura de chatear o DJ com pedidos, em vez das músicas da moda, hoje pedimos uma coisa romântica e não é por estarmos apaixonados, é apenas para podermos dormir três minutos nos ombros uns dos outros.

Chega então a hora de ir para casa, que costuma acontecer cerca de dez minutos depois de alguém ter tido a coragem de dizer “não tarda vamos”. Quando alguém diz “não tarda vamos” instala-­se uma sensação de alívio, mesmo nos hipócritas que se armam em valentes e dizem “já?”, como se não soubéssemos que foram à casa de banho da discoteca e andaram à procura da escova e do copinho para lavar os dentes.

Uma vez em casa, esperava-­se uma espécie de “50 Sombras de Grey”, mas “E Tudo o Vento Levou”. Isto quando não é o motorista do táxi que os tem de levar para dentro, vestir-­lhes os pijamas e metê-­los na cama.

De manhã, o despertar é lento e a sensação é a de estar espalmado na cama como se tivéssemos caído nela de uma altura de 150 metros. Sentimos que vai ser preciso um salazar para nos raspar dali, pois não temos força. O corpo entorpeceu com uma noite completa de sono e desconfigurou-­se tudo. É preciso reaprender uma série de coisas.

A pouco e pouco, porém, esta sensação de noite completa vai fazendo bem à auto­estima, até porque calculamos que devem ser umas duas da tarde. Assim aquela hora a que acordam os grandes malucos. Olhamos então para o relógio, mas ainda nem são nove.

ZP, Imprensa Falsa
para Up To Kids®

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Costuma dizer-se que os homens são todos iguais.

E os pais? Será que se pode afirmar que, também, são todos iguais? É sabido que, se uns são severos, outros são mais descontraídos. Uns são sérios e mantêm sempre a compostura, outros são brincalhões, pregam partidas e estão sempre prontos para jogar ou brincar com os miúdos. Uns dedicam mais tempo à família, outro dão (ou têm de dar) preferência ao trabalho. Mas a pergunta que se impõe é, será que os homens enquanto pais partilham as mesmas preocupações? O mesmo discurso para os filhos?

Deixamos aqui 15 frases que acreditamos que todos pais dizem aos filhos:

  1. Quando eu tinha a tua idade… ou,  No meu tempo…

    Sempre, no início de qualquer sermão. Está para os sermões como o Era uma vez para a histórias de fadas.

  2. Isto não é o portão da quinta!

    Quando alguém bate a porta do carro ou de casa com um bocadinho mais de força do que aquele mísero encostar que o pai faz.

  3. Sabes lá o que é cansaço! ou, Sabes lá o que é trabalhar!

    Sempre que um filho se queixa de estar cansado ou ter muitos trabalhos de casa! Sim porque o único que sabe o que é trabalhar lá em casa… é o Pai!

  4. Só te faz é bem!

    Sempre que os miúdos se queixam de qualquer coisa: de algum trabalho que tenham tido, algum esforço que fizeram, ou até da molha que apanharam quando começou a chover no caminho para casa. É a regra do “O que não te mata, faz-te mais forte

  5. Não me faças parar o carro.

    Quando vão a implicar uns com os outros no banco de trás, a empurrar-se, a beliscar-se ou simplesmente com uma birra qualquer sem sentido. É desta que o Pai encosta o carro e deixa um ou dois no Km 8 da autoestrada.

  6. Enquanto viveres debaixo do meu tecto…

    Quando os miúdos querem fazer alguma coisa à sua maneira, ou chegar a casa nos horários que lhes apetece. Este chavão os pais usam mesmo que os filhos já tenham 30 anos. Desde que ainda vivam debaixo do tecto dos pais, é sempre válida

  7. Estás de castigo… 6 meses! Ou 6 anos! Ou para sempre!

    Normalmente os pais não são muito realistas a aplicar castigos. “Estás de castigo. Nunca mais sais à noite!” – Hummm?? Como assim? N-u-n-c-a não será tempo a mais?

  8. O dinheiro não cresce nas árvores!

    Sempre que os miúdos pedem para comprar mais um pacote de cromos, sempre que perdem mais um par de sapatilhas na ginástica, sempre que deixam brinquedos espalhados a estragarem-se, enfim… Sempre que o pai sente o império ameaçado

  9. Não se come no carro!

    O automóvel é que não! Até já podem ter rebentado com a casa toda, mas o carro tem de andar impecável!

  10. Juízo!

    Juízo e cabeça fresca, são as palavras de ordem de qualquer pai preocupado com uma saída dos filhos!

  11. Sozinha? Nem pensar!

    E não mesmo. Nem que o pai vá também para que os outros miúdos saibam que não és orfã!

  12. Os outros não são meus filhos…

    Esta sai sempre que os miúdos se tentam defender com  o argumento de comparação “Mas os meus amigos também fazem assim!

  13. Agora, está a dar o jogo…

    Quando os filhos pedem qualquer coisa ao Pai. Obvio que está a ver o jogo…. E parece que há jogo todos os dias! Irra!!

  14. Vai perguntar à mãe!

    A resposta mais usada dos pais, a seguir à:

  15. Onde é está a mãe?

    No sitio do costume, mas é sempre mais fácil perguntar que procurar!

 

O amor de um pai contribui tanto – e às vezes mais – para o desenvolvimento da criança que o amor de uma mãe. Esta é uma das muitas descobertas de uma pesquisa realizada em grande escala sobre o poder de rejeição parental e aceitação na formação de nossas personalidades quando crianças e na vida adulta.

“Em meio século de investigação internacional, não se encontrou nenhum fator que tenha um efeito tão forte e consistente sobre a personalidade e desenvolvimento da personalidade de um individuo, como a rejeição durante a infância, especialmente pelos pais“, diz Ronald Rohner da Universidade de Connecticut, co-autor do novo estudo no Personality and social Psychology. –“Crianças e adultos de todo o mundo – independentemente das diferenças de raça, cultura e género – tendem a responder exatamente da mesma maneira quando se sentem rejeitados pelos seus pais e outras figuras de apego.”

Com base em 36 estudos realizados em vários países do mundo e que envolveram mais de 10.000 participantes, Rohner e o co-autor Abdul Khaleque constataram que, em resposta à rejeição pelos seus pais, as crianças tendem a sentir-se mais ansiosas e inseguras, bem como mais hostis e agressivas. A dor da rejeição – especialmente quando esta ocorre ao longo de um período de tempo na infância – tende a arrastar-se até a idade adulta, tornando-se mais difícil para estes indivíduos formar relações seguras e estáveis enquanto adultos. Os estudos foram realizados em crianças e adultos com base no grau de aceitação ou rejeição dos pais durante a sua infância, juntamente com inquéritos que permitem formar um perfil psicológico de cada inquirido e avaliar a personalidade de cada um deles.

Além disso, décadas de pesquisa em psicologia e neurociência  revelam que as partes do cérebro que são ativadas quando as pessoas se sentem rejeitados são as mesmas que quando experimentam a dor física. “No entanto, ao contrário de dor física, as pessoas podem psicologicamente reviver a dor emocional da rejeição ao longo de toda a vida”, diz Rohner.

ARTIGO RELACIONADO | O PAI PERFEITO

Quando se trata do impacto do amor de pai versus o amor de mãe, mais de 500 resultados do estudo sugerem que, embora  o mesmo individuo ao longo do crescimento experimente mais ou menos o mesmo nível de aceitação ou rejeição de cada pai, o impacto da rejeição de um dos pais – especialmente do pai – pode ser muito mais relevante que do outro. Uma equipe de psicólogos que trabalham no Projeto Internacional para a Aceitação e Rejeição Parental desenvolveu pelo menos uma explicação para esta diferença: as crianças e jovens adultos tendem a prestar mais atenção ao progenitor que entendem como o de maior poder interpessoal. Assim, se uma criança entende o seu pai como o elemento de maior prestígio, este poderá ter mais influencia na sua vida, do que a mãe da criança.

A mensagem importante a reter desta pesquisa, é que o amor paternal é fundamental para o desenvolvimento saudável e estável de uma pessoa. A importância do amor de um pai deve ajudar a motivar muitos homens a envolverem-se mais na promoção dos cuidados dos seus filhos. O reconhecimento generalizado da influência dos pais sobre o desenvolvimento da personalidade de seus filhos deve ajudar a reduzir a incidência do cliché  comum de culpar a mãe por qualquer fragilidade, insucesso, ou inadaptação dos filhos. “O grande ênfase dado ao papel de Mãe e à maternidade em geral na América, levou a uma tendência inadequada para as culpar mães de quaisquer problemas de desajuste e comportamento das crianças, quando na verdade, os pais são muitas vezes mais acometidos no desenvolvimento de problemas como esses.”

Em medicalxpress, traduzido e adaptado por Up To  Kids®

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Quando somos crianças há frases que não suportamos ouvir.

Frases que já ouvimos tantas vezes que nos provocam aquele arrepio da espinha, em forma de “acabou a conversa”. São lugares comuns a que nós já nos habituamos e não surtem qualquer efeito a nível do nosso comportamento ou desempenho futuro. Uma espécie de “enche chouriços” de diálogos perdidos entre pais e filhos.

Frases que nos cansamos de ouvir, e que sabemos e juramos que nunca iremos dizer aos nossos filhos.

Até que nos tornamos pais. E sem percebermos porquê, ou que raio de circuito interno é que nos faz isto, mas quando damos por nós, abrimos a boca e sai um dos nossos pais (às vezes até os dois e em coro!)

E nesse momento apercebemo-nos que nos tornámos oficialmente nos nossos pais!

Estas são 12 das frases que jurei nunca dizer aos meus filhos. E vocês?

1. Eu também não gosto de muita coisa e tenho de aguentar…

Esta é uma frase clássica de resposta aos filhos e que funciona com desabafo silencioso de insatisfação pessoal. É aplicada em diversas situações – uma espécie do “Temos pena” da atualidade.-“Mãe, não goto das batatas” –Eu também não gosto de muita coisa e tenho de aguentar… (enquanto como os restos dos pratos, porque não me posso dar ao luxo de deitar comida fora)
-“Mãe, não gosto da professora.” –Eu também não gosto de muita coisa e tenho de aguentar…( o meu emprego, o meu patrão, o colega que come cebola frita a meio da manhã, porque não me posso dar ao luxo de ficar desempregada)

2. Não vou dizer outra vez!

Esta funciona apenas de reforço. Dizemos sempre mais uma vez, e normalmente logo de seguida:
“Jantar!! Vamos jantaaaaar!!! Não vou dizer outra vez; “todos para a mesa imediatamente! … Lavar as mãos e jantar!”

3. Queres vir por uma orelha?

Normalmente quando dizemos isto já estamos mesmo com a mão na orelha da criança, que vem naquela posição de cabeça de lado para não doer tanto, e vai andando ao nosso ritmo, sem sequer chegar a haver efectivamente puxão doloroso da dita!

4. Queres que te dê uma razão para chorar a sério?

É o mesmo que “Estás aqui estás a apanhar”. Aplica-se sempre que há birras ou choro fácil. É o remédio santo para as lágrimas de crocodilo. “se queres chorar, choras com vontade” (…e já agora no quarto sff)!

5. Só tenho duas mãos!!

As mães aguentam muita coisa e conseguem desdobrar-se em tarefas, mas há situações que são humanamente impossíveis! O jantar está ao lume e estou a dar banho ao do meio que atrasa com histórias intermináveis sobre o que aconteceu na escola, o mais velho está a fazer os trabalhos da escola e vou espreitando para ver se não se distraiu a brincar, e de repente ouço: “Já fiz cócooooóóóóóó!!!, Já fiz cóc….” Aqui impõe-se:JÁ VOU, SÓ TENHO DUAS MÃOS”

6. O teu mal é sono!

Frase aniquiladora de choro fácil, birras, caprichos e desejos. Quem nunca disse que atire a primeira pedra.

7. Não andes descalça! Tira o cabelo da cara…! Veste o casaco! Não roas as unhas! …blá, blá, blá

Pffff, coisas com que eu NUNCA iria embirrar com os meus filhos…

8. Acabou a conversa / Nem mais um pio!

O cansaço dos pais faz com que muitas vezes já não tenham quaisquer respostas válidas nos universo infantil, para as consecutivas perguntas/respostas das crianças. Os diálogos tornam-se exaustivos e saturantes. E quando os filhos não aceitam as nossas decisões, têm uma capacidade de argumentar horas a fio. Ao que temos de terminar a conversa rapidamente, e já não queremos ouvir sequer mais um “mas”. É aqui que, no desespero, nos sai o “Nem mais um pio!”,… e qual é a criança que resiste a não dizer “Pio” a seguir?

9. Se ele saltar para um poço, também saltas?

Quando os nossos filhos insistem em fazer todas as tontices que os amigos fazem…

10. Com tantas crianças a morrer à fome…

Não funcionava comigo e não funciona com os meus filhos: então porque raio me continua a sair esta frase?

11. Porque sim/não não é resposta”

Details please! Não nos cortem a curiosidade com um porque sim/não. Nós queremos saber o que vos vai na cabeça para podermos ajudar. E um porque sim, não nos adianta nada!

12. Porque sim, ou porque eu digo!

Claro que é resposta. Eu sou a mãe e eu é que mando!

 

Por Up To Kids®, com frases enviadas por várias mães, redigido por Madalena Brandão

15 coisas que irritam (mesmo) o seu filho de 2 anos e meio

A fase mais querida mas também mais desesperante nas crianças é, para mim, a dos dois/três anos. São um amor a explorar a fala, mas ainda muito trapalhões para se exprimirem. Começam a experimentar a autonomia, mas querem sempre a mãe. Não querem fazer nada que não lhes apeteça, e  já têm técnica e manha suficiente para nos convencer pelo choro ou birra (vencer pelo cansaço). Fazem aquela carinha de gato da botas quando os repreendemos e, apanhando-se sozinhos destroem um quarto em minutos.

Sem que façamos de propósito, vamos descobrindo aos poucos coisas que os incomoda e irrita. Como fazê-lo?

1. Toque primeiro que ele no botão do elevador, ou do interruptor. Aliás toque em qualquer botão primeiro que ele.

2. Abrace o seu filho de 2 anos com muita força por mais de 30 segundos.

3. Sirva-lhe um prato de salada.

4. Não o deixe escolher qualquer coisa que quer escolher. Diga-lhe que é ao calhas.

5. Não lhes dê um olhos nos olhos quando está a usar a sanita pelas primeiras vezes

6. Não o deixar falar quando estiver ao telefone com alguém que ele conhece (Nem ficar com o telefone na orelha a rir  a ouvir o que dizem do outro lado)

7. Depois de lhe tirar uma fotografia com o telemóvel, não o deixe ver.

8. Não o deixe pôr um penso no dedo sempre que achar que se magoou.

9. Não o deixe beber de todos os chafarizes de todos os parques ou praças do mundo.

10. Pegue num bebé ao colo.

11. Não o deixe fazer batota nos jogos de tabuleiro, ou jogar duas vezes de seguida se lhe apetecer.

12. Mude de umas divisões para a outra da casa sem que ele tenha tempo de a seguir por todas elas.

13. Não deixe o seu filho de 2 anos tirar as meias.

14. Contrarie-o.

15. Não o ajude (mesmo) quando ele pediu especificamente para não o ajudar, e deixe-o preso nas suas próprias calças ou cuecas.

A influencia dos elogios no desempenho das crianças

Os pais, regra geral têm tendência a elogiar os filhos pelos seus feitos. Tudo começa quando eles são bem pequeninos, e fazem cocó sozinhos (sem bebé gel) aos 3 dias de gente: “Espectacular, conseguiu logo, vê-se que é uma criança determinada”.

Pronto! Começou a asneirada.

Todos sabemos que os nossos filhos, ao nossos olhos, são perfeitos. Mas os pais tornam-se perfeitos idiotas quando elogiam excessivamente uma criança: primeiro porque ela não é estúpida, sabe que a sua primeira letra não foi fantástica, foi razoável. E se não se aperceber na altura do elogio vai perceber quando escrever o alfabeto completo, voltar ao início do livro e se deparar com as suas primeiras palavras escritas; segundo, porque estamos a abrir a porta à preguiça e à insolência (na melhor das hipóteses) .

Há elogios positivos, que reforçam a auto-estima dos miúdos, fazendo com que queiram continuar a tentar realizar tarefas.

Há outros que são ocos, frívolos e normalmente são ditos da boca para fora. Pais que gritam “Boa, és o melhor/maior” sem sequer tirarem os olhos do telemóvel.  Eu também já o fiz, mas sei que a longo prazo estou a fazer-lhes mal!

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O Psicólogo e Mestre em Educação Marcos Meier, realizou uma palestra sobre “A Influência dos Elogios no Desempenho das Crianças e na Formação de Valores” em que documenta de forma muito interessante este tema.

Inteligência vs Esforço

«Recentemente, um grupo de crianças realizou um teste muito interessante. Um grupo de Psicólogos atribuiu-lhes uma tarefa de dificuldade média, que elas executariam, sem grandes problemas. Todas conseguiram terminar a tarefa depois de um certo tempo. De seguida foram divididas em dois grupos.

O grupo A foi elogiado quanto à inteligência:

Uau! Como você é inteligente!”, “Como você é esperto!“, “Que orgulho! Você é genial!“… E outros elogios relacionados à capacidade de cada criança.

O grupo B foi elogiado quanto ao esforço:

Parabéns! gostei de ver o quanto você se dedicou nesta tarefa!”, “É muito bom ver o quanto você se esforçou!”, “Como você é persistente! Tentou, tentou, até conseguir… Muito bem!” E outros elogios relacionados ao investimento realizado e não às capacidades percebidas na criança.

Depois desta fase, foi proposta uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira.  Aqui, os grupos podiam escolher se queriam ou não participar da mesma.

As respostas das crianças surpreenderam. A grande maioria das crianças do grupo A não participou.

Não quiseram nem tentar. Por outro lado, as crianças do grupo B aceitaram o desafio. Não recusaram a nova tarefa.

Resultados

A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis.

A maioria das crianças, elogiadas apenas pela sua inteligência e esperteza, não quiseram se arriscar a errar, pois o erro poderia modificar a imagem que os adultos tinham delas.

Já as crianças elogiadas pelo seu esforço, dedicação à tarefa ou persistência, dispuseram-se a tentar, porque independente do resultado da sua ação, a sua postura frente ao trabalho é que seria reconhecida.

Sabemos de “N” casos de jovens, considerados muito inteligentes, que não obtiveram grande notas nas avaliações escolares, enquanto que jovens “medianos” conquistaram essa vitória. Os “inteligentes”, muitas vezes, confiam na sua capacidade e deixam de se preparar adequadamente. Os outros sabiam que se não estudassem muito não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e aprofundaram  cada uma das disciplinas.pai-e-filho

Valores, princípios e ética

No entanto, isto não é tudo. Além dos conteúdos escolares, os nossos filhos precisam de aprender valores, princípios e ética.

Precisam de respeitar as diferenças, lutar contra os preconceitos, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas.

Não se consegue nada disso através de elogios frágeis, com enfoque apenas no ego de cada um. É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim. Isso faz-se com elogios, feedbacks, e incentivos ao comportamento esperado.

Os nossos filhos precisam de ouvir frases, como:

Que bom que o ajudaste, tens um bom coração”;

“Parabéns, meu filho, por teres dito a verdade apesar de estares com medo… Foi uma bonita atitude, que revelou a tua ética”;

“Filha, fiquei orgulhoso por teres dado atenção à tua colega nova em vez de a teres excluído, como alguns colegas  fizeram… Revelou que és solidária, e sabes pôr-te no lugar dos outros”;

“Isso mesmo, filho, deixar o teu primo brincar com a PS foi impecável, partilhar é muito importante e foste um bom amigo”.

Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança, que tenderá a repeti-los. Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.

Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual:

“Que linda que és!”;

“És muito esperto, meu filho!”;

“Tu és um máximo!”;

“Tens um cabelo lindo!”;

“Tens uns olhos lindos!”.

Elogios como esses não estão baseados em comportamentos ou atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos.

Em pouco tempo estas crianças irão fazer chantagem emocional, birras, manhas e “charme” para conseguirem o que querem. Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.

Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas das montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles. São frondosos, têm copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.» [Psicólogo e Mestre em Educação, Marcos Meier]

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