E quando o Gato lhes comeu a língua?

“– Ah e tal, dizem-me que o mais importante é falar com o meu/minha filho/a.

– Verdade.

– Mas e se ele não fala comigo?

– Pois…”

A mudança nos padrões de comunicação pode ser uma realidade, mais ou menos sentida, na maioria das famílias e é reflexo das muitas mudanças ocorridas na adolescência, que implicam uma maior introspeção e a necessidade de reorganização interna.

Ora para quem se habituou a ter dos filhos respostas rápidas sempre que os questionava sobre a vida e sobre a escola, pode ser especialmente difícil obter um vago e insípido “Hum, hum…”, sempre que tenta saber mais.

Ainda assim, mesmo que às vezes seja frustrante, vale a pena insistir e comunicar, pelo que aqui vão algumas propostas que talvez ajudem.

6 dicas para habituares o teu filho a comunicar contigo

1. Banalizar os momentos de conversa.

Falar no caminho para a escola, durante o jantar, enquanto fazem compras, durante uma caminhada… torna a comunicação parte da rotina e traz a naturalidade necessária para que os temas sérios aconteçam, sem que a sua seriedade seja entendida como solene… e chata. Criar momentos e rotinas especiais com cada filho, que procurem ir ao encontro daqueles que são os seus interesses, ajuda também a que se sintam importantes e estimula a que a relação se mantenha próxima e saudável.

2. Abrir as perguntas.

Ajuda a trazer respostas mais significativas e espontâneas.
– “O que foi mais interessante no teu dia hoje?”
– “O que gostarias que tivesse acontecido de forma diferente?”
Ou, de uma forma mais criativa:
– “Se fizesses o teu próprio filme que título lhe darias?”
-“Se pudesses mudar uma coisa no mundo o que mudarias?”…

3. Partilhar quem somos.

Falar sobre nós, sobre o desafio que estamos a atravessar no trabalho, sobre a ideia de tirar um curso de pintura, sobre o restaurante novo onde fomos almoçar, etc, contribui para que se sintam mais próximos e valorizados na sua presença.

4. Sermos honestos.

“Eu entendo que agora não te apeteça falar mas eu gostava de compreender melhor o que se passa e poder ajudar. Como achas que posso fazê-lo?” Mostrar-lhes que estamos atentos será sempre positivo. Dizer-lhes que sabemos que é difícil, torna-nos mais empáticos. Pedir-lhes ajuda sobre a melhor forma de apoiar, fá-los sentirem-se respeitados.

5. Não levar a peito. 

Podem existir dias em que, mesmo que te pintes de amarelo e faças o pino, não consigas sacar-lhe um sorriso ou uma frase completa. Não é um ataque pessoal nem significa que vocês não tenham uma boa relação, pode apenas querer dizer que aquele não é um dia bom (tu também os tens). Outros dias virão e com eles outras oportunidades. Eles precisam da segurança de que tu sabes disso. E entendes.

6. Dar asas à comunicação.

A comunicação faz-se de muitas formas e se a palavra não funcionar existe sempre a possibilidade de escrever. Podem fugir das conversas “tête-à-tête”, mas gostarão de encontrar um post-it num local estratégico a dizer: “Estou tão orgulhosa/o da forma como resolveste o problema com a Joana”, ou um email a dizer que o teste de Filosofia vai correr bem. Não é o meio que usamos para comunicar que é mais importante, mas sim garantir que a informação lhes chega e não os deixa esquecer que estamos por perto e nos importamos.

7. Propor alternativas.

Uma vez que estas coisas nem sempre vão funcionar ou até porque sabemos que há assuntos que são particularmente difíceis (para nós ou para eles), é importante que existam momentos com outros adultos significativos. Um almoço estratégico com uma tia com quem se identificam e têm boa relação, um pedido de ajuda a um professor de referência ou a sugestão de uma conversa com o psicólogo da escola, podem constituir canais de comunicação importantes e extremamente protetores.

E por fim, porque tu tens em mãos a mais incrível missão, esta é para ti: Senta-te, respira e confia.

Nem sempre a estrada é fácil, nem sempre estarás preparada/o, e vais ter medo… muitas e muitas vezes. Mas no meio deste turbilhão de emoções, existe a certeza de que ajudar alguém a crescer, é uma das experiências mais extraordinárias que a vida nos pode dar.

O resto, dar-te-ão eles, no sábio retorno e na doce sensação de que vive em vós o segredo de um amor maior.

P A R A B É N S

Os vencedores do passatempo “Educa Borras” são:

 

Susana Silva

Lídia Fróis

André Silva

Silvana Soares

Patrícia Dias

Soraia Filipa Gonçalves

 

Por favor envie-nos um email para uptolisbonkids@gmail.com, com o seu nome, morada, e link de partilha do passatempo (ou print screen)

Obrigada por participarem!

Up To Kids®

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Quer fazer um passatempo em parceria com a Up To Kids®? Envie-nos um mail para Uptolisbonkids@gmail.com, com o assunto “Parceria de passatempos“, indicando a marca que representa. Obrigada

 

A pensar nas nossas crianças, a Up To Kids® em parceria com a Educa Borras, vai oferecer 6 espetaculares presentes para crianças criativas! 

As origens da Educa Borras remonta ao ano de 1894. É uma marca de referência em jogos educativos e puzzles, conhecida pelos seus aplaudidos jogos familiares e de entretenimento.
Assim, escolhemos especialmente para os nossos miúdos:

Nebulous Stars

COMO PARTICIPAR

        1. Fazer like na nossa página de facebook Up To Lisbon Kids e instagram aqui e na página de Fb da Educa Borras?
        2. Partilhar este post no vosso facebook ⇓
        3. Comentar aqui no FB com link para 3 amigos ⇓

 

REGULAMENTO

O passatempo termina às 23h59 do dia 6 de Maio de 2018.

O vencedor será sorteado aleatoriamente através do programa Random.com, será anunciado tanto no site como no post do passatempo no facebook. Poderá ser pedido ao vencedor o link da partilha bem como o nome de utilizador de instagram.

Não existe um número limite de participações, no entanto será apurado apenas uma participação vencedora por cada participante.

Este passatempo não é patrocinado, aprovado, administrado ou associado ao Facebook, sendo da exclusiva responsabilidade da entidade promotora. O Facebook exonera-se de qualquer responsabilidade relativamente ao passatempo.

Up To Kids®

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“O meu filho não tem motivação para nada”.

Esta é uma das frases que mais oiço por parte de pais de adolescentes.

Do lado de cá, compreendo-lhes a angústia, tal como sou solidária com o lado de lá, que usa a inércia para mascarar o medo, a vergonha ou a incerteza de não se saber bem quem se é ou de não se estar à altura daquilo que esperam que se seja.

Quando nos nasce um filho, nasce-nos um sem fim de desejos, de projetos, de finais felizes, que servirão como uma luva (achamos nós) àquele pequenino ser. Nasce, ainda, a oportunidade única de nos redimirmos do nosso lado lunar, esperando que deles, seres de luz, venha sempre sol.

À medida que crescem e se tornam gente, vão dando pequeninos passos no sentido de nos ensinar a ajustar expectativas, a tropeçar nas certezas que criámos e a perceber que afinal por ali mora, tal como em nós, a lua, o sol e até a chuva intensa. E é precisamente aqui, nesta espécie de microclima tropical que é a adolescência, que tudo aquilo que sonhámos que seriam, dá lugar a tudo o que podem vir a ser e à necessidade de o perceber através de um caminho próprio, único e irrepetível.

O que se segue, é muitas vezes uma dança difícil entre pais e filhos, marcada pela tensão natural entre quem exige e quem é exigido e tantas vezes, pelo desejo secreto de que as coisas pudessem resolver-se outra vez com um pronto  “Anda cá que a mãe ensina…”.

E agora?” – perguntam vocês. “Como é que se ajuda a sair da tempestade, molhados, mas com vontade de enfrentar as próximas?” E eu respondo, outra vez: “Sendo porto de abrigo”, sempre que possamos tentar os passos seguintes:

Dar espaço.

Conviver com um filho que não parece interessar-se por nada, que não estuda, que não cumpre, que se perde nas horas do dia, pode ser extremamente desafiante para os pais, correndo-se o risco de transformar a sua inércia no tema de conversa preferido de toda a família (não que o prefiram, mas ele está sempre lá). Passa então a falar-se sobre isto constantemente, à refeição, na chegada a casa, antes de dormir, no carro à porta da escola… E com o tempo, a desmotivação passa a definir a sua atitude geral perante a vida e o que era passageiro, instala-se e perdura. É por isso importante desligar o modo “sermão” e centrarmo-nos naquelas que são as suas características positivas. Valorizar todas as oportunidades que possam tornar-se acendalha para lhes atear a chama outra vez. E é importante, sobretudo, deixar de falar deles e passar a falar com eles.

Compreender.

A falta de empenho é muitas vezes apenas a parte visível do iceberg. Um recurso para se defenderem de algo com o qual não se sentem capazes de lidar. Não liga nenhuma à escola porque acredita que os outros serão sempre melhores do que ele. Não investe no exame final porque acha que nunca vai conseguir ter uma nota que satisfaça a família. E assim, por evitamento, se vão confirmando todas as profecias, as dos pais e as do próprio.

É assim fundamental compreender que a desmotivação pode ser um sinal de alterações emocionais ou de uma baixa auto estima que, alimentadas por sentimentos de incapacidade ou de maior vulnerabilidade, acabam por impedir os jovens de explorarem as suas capacidades e de correrem atrás daquilo que desejam. Ouvir o que tenham para dizer (evitando o rótulo fácil), procurar ser empático com o que estão a sentir e partilhar quem fomos em momentos semelhantes, pode ajudar a desbloquear emoções associadas ao momento de impasse, tornando-as menos pesadas e logo, mais passíveis de transformação.

Exigir.

Compreender o que sentem e os desafios que atravessam. Isto não significa que sejamos coniventes com a distância afetiva que aumenta sempre que chegam tarde a casa por sistema ou sempre que evitam a todo o custo qualquer programa de família. Na adolescência, a experimentação de uma maior autonomia e independência, natural e altamente desejável, não pode sobrepor-se em larga escala ao tempo de todos e às regras de funcionamento do espaço familiar (horários, rotinas, divisão de tarefas…). Quer isto dizer que são de compreender e tolerar algumas escapadelas, mas o essencial deve manter-se, por mais contrariedade que às vezes provoque.

Acreditar.

Saber que a adolescência é um período de  aprendizagens riquíssimas e de aquisições determinantes para o resto da vida, ainda que às vezes a navegação pareça fazer-se ao sabor do vento, ajuda a não perder de vista a importância de valorizar e a incentivar todos os pequenos passos que possam dar em direção ao crescimento. Estimulá-los a que se envolvam ativamente nas diferentes alternativas de solução para os problemas com que se deparem, fá-los também sentir também que confiamos na sua capacidade para superar todos desafios, ajudando a agir.

Quando um filho nos diz que não tem motivação, pode estar a dizer-nos que precisa que o ajudem a compreender-se melhor. Que precisa que olhem para si tal como é (e não como as histórias que se contam sobre ele) . Que precisa, enfim, que lhe digam, muitas e muitas vezes, que a vida vale a pena e que neles mora tudo o que é preciso para conquistar o mundo.

Ainda que o passo firme e o brilho no olhar possam vir depois, e se instalem, para não mais os deixarem sair.

imagem@wapmia

Nesta época do ano aprecem as gripes, constipações e tantas outras doenças que se podem fazer acompanhar por febre.

E quando a febre surge, acaba muitas vezes por ser quase um drama para os pais, quando não sabem exactamente o que fazer.

Nesse sentido, e sendo este um tema tão comum nesta época do ano, este post vem tentar dar uma pequena ajuda. Não se pretende substituir nenhuma observação médica, apenas tentar capacitar um pouco mais os pais para este tema, e transmitir algumas noções importantes.

Ainda para mais porque as ajudas existem, nomeadamente normas e folhetos da Direcção Geral de Saúde (sobre este e outros temas) dirigidos aos pais, e onde foi baseada a maior parte da informação deste post (podem consultar o folheto da DGS aqui )

Então, vamos por partes.

Primeiro, o que é a febre?

De forma simplista, a febre, não é uma doença, mas sim uma manifestação do organismo, que resulta na elevação da temperatura corporal habitualmente em resposta a uma infecção.

A partir de que temperatura consideramos febre?

A temperatura varia consoante a localização onde é medida.

– Assim, se for avaliada a temperatura rectal, considera-se febre quando acima dos 38ºC.

– Quando se avalia a temperatura axilar, apenas se considera febre acima de 37,6ºC.

– Quando avaliada a temperatura timpânica (no ouvido), considera-se febre acima dos 37,8ºC.

Como deve ser medida a temperatura?

É importante ter a noção de que existem vários termómetros no mercado e que é fundamental uma utilização adequada dos mesmos. Apesar de já existirem outras opções no mercado, os mais frequentes, e por isso aqueles que irei abordar, são o  termómetro galinstan, o termómetro digital, e o termómetro timpânico (habitualmente utilizado nos serviços de urgência por maior rapidez e comodidade). Atenção que em seguida estão resumidas as principais indicações de uso, no entanto é fundamental lerem sempre primeiro o folheto informativo que acompanhe o termómetro que adquirirem.

Termómetro digital
Termómetro Galinstan

 

Termómetro timpânico

 

TEMPERATURA RECTAL
Quando se avalia a temperatura rectal,(já agora, é este o método mais rigoroso para avaliação da temperatura corporal), deve introduzir-se a ponta flexível do termómetro  em cerca de 3 cm no ânus, num trajeto paralelo às costas da criança. Se usado o termómetro digital, a temperatura é avaliada ao sinal sonoro. Quando utilizado o termómetro galinstan, a temperatura deve ser avaliada após 3min.

TEMPERATURA AXILAR
Quando se avalia a temperatura axilar, o termómetro deve ser colocados na axila, mantendo-se o braço firmemente encostado ao tronco. Se usado o termómetro digital, a leitura, mais uma vez, é dada aquando do sinal sonoro. Quando utilizado o termómetro galinstan, a leitura deve ser realizada ao fim de 5 minutos.

TEMPERATURA TIMPÂNICA
Quando se avalia a temperatura timpânica, a sonda deve ser orientada para a membrana do tímpano e não para a parede do canal auditivo. Devem ser sempre realizadas 3 determinações seguidas e deve adotar-se o valor medido mais elevado.

Já agora, a “mão da mãe” acaba por ser também um método muito fiável para perceber se existe ou não febre, apesar de não conseguir quantificar a mesma.

Sinais de alerta

Quando uma criança tem febre, quais são os “sinais de alerta”?

Existem sinais que, apesar de nem sempre traduzirem doença grave, nos alertam, e que obrigam, quando presentes, a que a criança seja rapidamente observada por um médico.

Assim, é importante estar atento a:

– Sonolência excessiva ou incapacidade em adormecer;

– Face/olhar de sofrimento;

– Irritabilidade e/ou gemido mantido;

– Choro inconsolável; não tolerar o colo;

– Dor perturbadora;

– Convulsão;

– Aparecimento de manchas na pele nas primeiras 24 a 48 horas de febre;

– Respiração rápida com cansaço;

– Vómitos repetidos entre as refeições;

– Recusa alimentar completa superior a 12 horas;

– Sede insaciável;

– Lábios ou unhas roxas e/ou tremores intensos e prolongados na subida da temperatura;

– Dificuldade em mobilizar um membro ou alteração na marcha;

– Urina turva e/ou com mau cheiro;

– Febre com duração superior a 5 dias completos.

Na presença de um ou mais destes sinais de alerta, a criança deve recorrer a um serviço de saúde.

Sinais “Tranquilizadores”

Quando uma criança tem febre, quais os sinais ”tranquilizadores”?

Estão de seguida descritos aqueles sinais que habitualmente nos tranquilizam dado que estão, em regra, associados a doença que, apesar de poder ser incomodativa e poder necessitar de observação médica, habitualmente não se faz acompanhar de grande gravidade:

– A criança brinca e tem atividade normal;

– Come menos mas não recusa os alimentos líquidos;

– Tem sorriso aberto ou fácil;

– Acalma ao colo e fica com um comportamento quase habitual;

– Tosse seca e irritativa muito frequente, sendo o sintoma que mais perturba a criança, mas sem quaisquer outros sintomas respiratórios nem sinais de dificuldade respiratória;

– Dor a engolir associada a congestão nasal, a olhos vermelhos e/ou a tosse;

– Diarreia ligeira (ou moderada) sem sangue, muco ou pus e sem vómitos;

– Manchas vermelhas dispersas que desaparecem quando comprimidas, que surgem só a partir do 4º dia de febre.

O que fazer para ajudar a criança/adolescente com febre?

– Oferecer água e/ou leite; adequar o vestuário e a roupa da cama à sensação de frio ou de calor; respeitar o apetite;

– Se está confortável não é preciso baixar a temperatura, mas sim vigiar se surgem os “sinais de alerta” anteriormente descritos;

– Se está desconfortável, deve tomar um antipirético (que também é analgésico, pelo que também aliviará a dor);

– Não se deve fazer arrefecimento (banho, compressas, ventoinhas) para baixar a temperatura dado que não contribui nem para a resolução da doença nem para o bem estar da criança;

– Se necessário, contactar a linha 24 (808 24 24 24), ou requerer observação médica.

Antipiréticos

No que concerne aos antipiréticos a administrar, habitualmente são administrados, segundo a posologia e indicação prescritas pelo médico, paracetamol ou ibuprofeno. Não me vou debruçar muito sobre este tema, mas gostaria no entanto de deixar duas informações importantes.

  1. Não se deve dar ibuprofeno nas seguintes situações:

– idade inferior a 6 meses;

– na varicela;

– perante diarreia e vómitos moderados a graves;

– se a criança tiver uma alergia a qualquer medicamento anti-inflamatório;

  1. O objetivo do antipirético é acima de tudo aliviar o desconforto da criança e não eliminar a febre a todo o custo. Mesmo não medicada, a temperatura acabará, em regra, por baixar espontaneamente algumas horas depois. Mas voltará a subir ao fim de poucas horas, e assim sucessivamente, até a doença passar.

Quando é que uma criança/adolescente deve recorrer a um serviço de saúde em caso de febre, sem outros sintomas acompanhantes?

– Se idade inferior a 3 meses de idade (de idade corrigida se nasceu prematura);

– Se idade inferior a 6 meses com temperaturas rectais iguais ou superiores a 40,0°C;

– Em qualquer idade se tiver temperaturas axilares superiores a 40,0°C ou retais superiores a 41,0°C;

– Na presença de um ou mais “sinais de alerta”;

– Se tem uma doença crónica grave concomitante;

– Se tem febre há 5 ou mais dias, ou se a febre reaparecer após 2 a 3 dias de temperaturas normais.

Esperemos que este post vos tenha ajudado. Um bom resto de estação a todos, e sem febre!!!!!

As Crianças não são pombos correio

Há, e todos sabemos, situações familiares muito complicadas.

Há situações em que o diálogo é quase inexistente, outras em que a comunicação é feita através de acusações, gritos, ofensas.

Há pessoas que estão constantemente, por causa disso, a usar os filhos/netos/afilhados/sobrinhos, como mensageiros.

“O teu pai não é capaz de fazer isto bem feito”.

“Que mania que a tua mãe tem de mandar X ou Y”.

“Diz à tua mãe que isto ou aquilo”.

Todos os exemplos dados aqui em cima são errados. São de evitar ao máximo. Põem uma carga em cima das crianças que não lhes pertence.

Nenhum miúdo, tenha que idade tiver, deve ouvir comentários menos positivos em relação aos progenitores, por mais verdade que possa haver no que for dito (e isto vale a comentários feitos em relação a avós, tios, etc).

Nenhum miúdo deve sentir que tem uma mensagem a passar à mãe/pai quando regressa de um fim de semana com o outro progenitor.

Nenhuma criança deve sequer preocupar-se com assuntos de adultos, seja o assunto divergências em relação à educação, a como é passado o tempo, aos horários praticados, à roupa que é enviada ou o estado em que regressa, à situação amorosa dos pais (seja a nova seja a antiga: reconciliação entre os pais, impossibilidade de estarem juntos sem se aborrecerem, etc), aos problemas financeiros (contribuições ou falta delas).

As crianças devem ser crianças.

E se existe uma situação em que os pais ou não estão juntos ou não conseguem entender-se isso já coloca nas crianças um peso que preferencialmente todos os envolvidos gostariam que não acontecesse. Não é justo fazer as crianças levantar os olhos dos brinquedos, do seu mundo de fantasia e afectos para os ver a observar os pais com olhos analíticos, com vozes a ressoar na sua cabeça. Não é saudável, não é justo, simplesmente não se faz – seja qual for o recado.

Bem sei que muitas vezes até nem há maldade, os adultos envolvem as crianças nos seus pensamentos, arrastam-nos achando até que podem ser eles o catalisador de uma mudança positiva. Se forem, que seja por presença indirecta e não por estarem no meio do campo de batalha com  a bandeirinha branca na mão, a ser incessantemente agitada.

Se a mãe quer dizer alguma coisa ao pai, fale com ele.

Se a avó quer dizer alguma coisa à mãe, fale com ela.

Se o pai quer dizer alguma coisa ao sogro, fale com ele.

Se o avô tem alguma coisa a dizer, fale com o filho ou a filha.

De adulto para adulto.

Nos casos mais difíceis, em que simplesmente é impossível comunicar, procure-se ajuda de um intermediário, um assistente social, por exemplo.

Nunca as crianças.

Sempre o adulto.

Deixemos as nossas crianças viverem a sua infância sendo livres, leves e apenas tendo como preocupação os que as rodeiam naquilo que é realmente importante.

Mesmo que estejamos cheios de boas intenções.

Os adultos somos nós.

Façamos um esforço.

imagem@weheartit

Como evitar birras às refeições?

“Parece de propósito! Logo hoje que preciso de chegar a horas a um sítio é que decides fazer uma birra dessas!”

Cá em casa também era assim. Cada manhã, um suplício. Mas há poucas semanas, tudo mudou. O momento de viragem foi o dia em que a minha filha mais nova, que está quase a fazer 3 anos, fez a birra das birras ao pequeno-almoço: ela gritava, esperneava, nada a acalmava. Parecia que o mundo ia acabar. Tudo por causa de um simples iogurte, que era-mas-afinal-não-era-bem aquilo que ela queria para começar o dia. E eu atrasado para uma reunião…

Mudar o foco

A minha vontade, naquele momento, foi a de muitos pais nesta situação: ralhar (“come isso imediatamente!”), chantagear (“se não comeres…”, premiar (“se comeres dou-te…), castigar (“ai não comes? Então…). O espetáculo foi tal que me passou pela cabeça dar-lhe uma nada consoladora palmada no rabo! Mas, em vez disso, comecei a aplicar o que tenho aprendido com a Disciplina Positiva: respirei fundo (muito fundo!), mantive a calma e… mudei-lhe o foco, inventando uma brincadeira em que o iogurte (o tal que ela não queria…) era tão apetecido que o melhor seria que ela o comesse todo (e rápido) antes que… a Princesa Sofia acordasse e o comesse por ela. Resultou em cheio e, em menos de 10 minutos estávamos na rua.

Dias antes já tinha aplicado a mesma estratégia, com resultados idênticos, quando ela acordou em histeria a meio da noite, a chorar e a espernear como uma louca. Nessa madrugada só se acalmou quando consegui que prestasse atenção à sua boneca favorita, que lhe disse que acordou “assustada com a berraria” dela. Depois inventei uma história (sem grande nexo, porque estava meio a dormir) que só me lembro que metia um castelo e uma princesa, que estava doente e não podia ouvir o barulho de alguém a chorar à noite, porque senão acordaria no dia seguinte cheia de espirros…

Antecipar comportamentos e dar opções limitadas

Depois das duas situações que descrevi, passei a apostar ainda mais na prevenção. “Se o pequeno almoço é um momento de potencial tensão, porque não envolvê-la na sua preparação?”. Criámos uma rotina juntos e agora abro o frigorífico e dou-lhe opções limitadas: “o iogurte de banana ou de morango?”. O pequeno almoço passou a ser um momento divertido, sem stresses e que reforça os laços familiares. E nunca mais cheguei atrasado a lado nenhum pela manhã.

Promover a cooperação tem sido outro dos trunfos, para evitar fitas à mesa ao pequeno almoço (e também resulta noutras refeições). Por exemplo, deixo que seja ela a deitar e a mexer os cereais na tigela onde deita o iogurte. No início entornava bastante, agora raramente deixa cair mais do que um ou dois pedaços. Depois, dou-lhe um bónus: escolher a colher que quer usar: “a do Mickey ou a do Pluto?”. E voilá!

Desenganem-se os pais que acham que, com esta “estratégia”, a deixei “ganhar”, “levar a melhor”. Nada disso. Limitei-me a dar-lhe poder de escolha, mas dentro de soluções limitadas, aceitáveis e respeitosas para ambos. O que a longo prazo terá efeitos positivos, já que está a aprender a decidir por si, em vez de o fazer contrariada, porque é obrigada a tal.
O que faz toda a diferença.

Quando os adultos perdem a magia

A quando passamos muito tempo rodeados de crianças, a grande maravilha é que voltamos a sentir curiosidade pelas coisas mais pequenas, voltamos a desenvolver um sentido de exploração e de criação que parecia estar esquecido no mais ínfimo de nós. É absolutamente encantador a forma como, quase todas as crianças, são de uma sensibilidade e intuição fora do vulgar, ao mesmo tempo que, é absolutamente assustador a forma como a maior parte dos crescidos parece ter-se distanciado tanto de si próprio, ao ponto de ter perdido uma das suas facetas mais acutilantes.

É como se à medida que se cresce, toda a magia se fosse apagando… um dia deixamos de acreditar no Pai Natal, no outro dia, deixamos de acreditar nos nossos sonhos, depois, aos poucos, vamos deixando de colocar questões (e, a idade dos porquês – não tenha dúvidas! – sempre foi uma espécie de alavanca de nós próprios), passamos a piloto automático e deixamos de acreditar nos nossos sinais mais subtis e na nossa sensibilidade (ou, em circunstâncias limite, deixamos que desapareçam).

Quando as crianças perdem a magia

Às vezes, é como se os crescidos estivessem tão afastados de si próprios, que mais parecessem desligados, e este estado de estar ‘ausente’, pode tornar-se uma luta com as crianças que vivem perto de cada adulto, que de repente, saltam para o campo dos crescidos mais rápido e parecem, também elas, já ter deixado cair a sua luz e a sua capacidade de questionar e acreditar...

Nestas circunstâncias, os crescidos dessintonizam-se não só de si, mas também do mundo e das crianças, pois parece-lhes impossível alguns dos voos das crianças, por exemplo, que elas tenham medo de um fantasma – afinal, quem com juízo acredita num fantasma? – parece-lhes impossível que elas sejam capazes de construir histórias e fantasias, que sejam capazes de perceber que a mãe está triste, mais depressa que a própria mãe, ou que se sintam gratas pelas mais pequenas coisas. Assim perdem a magia.

Quando os adultos se desligam de si próprios

Quando os adultos se desligam de si próprios, é que tudo se torna confuso para as crianças que, a certa altura, parecem ter de explicar tudo aos adultos, parecem ter de falar e sentir por eles… E assim, aos poucos, crianças e adultos vão soltando as suas mãos! A não ser quando o mais trágico acontece (e não raras vezes acontece!), para se ligarem aos adultos que amam, as crianças perdem a sua criança e viram pequenos adultos… E não há dúvidas que, nenhuma criança devia crescer muito rápido para ser uma amostra de adulto, mas todos os adultos deviam – em alguns aspectos, continuar a ficar pequeninos – ser amostras de crianças.

Pois – acreditem! – só perdemos a ligação connosco próprios, só deixamos de ser sensíveis e intuitivos, só deixamos que a luz se apague, quando deixamos de acreditar em nós e no mundo à nossa volta, quando aos poucos nos fomos deixando amputar do melhor de nós.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

Crianças sem empatia

Desde que me tornei mãe há uma série de coisas que mexem muito comigo mas tudo o que diga respeito a crianças e maus tratos deixa-me de rastos.

Os maus tratos de que hoje falo não são de pai para filho, mas sim de filho para pai. Este tipo de comportamento existe e parece longe de estar erradicado.

Há, como em todo o tipo de relações, vários géneros de maus tratos, vários níveis, nenhum porém que não seja grave a meu ver.

Ontem estava no metro e entraram comigo uma senhora com os seus 40 anos e a filha adolescente, talvez de uns treze. Tinham muito bom aspecto (digo isto já porque há um preconceito, que muitas vezes também cruza a minha sensibilidade, em relação ao tipo de pessoas que está envolvida em algumas situações). Por defeito profissional estou atenta ao comportamento de quem me rodeia, gosto de “absorver” a forma como as pessoas lidam umas com as outras, o modo como o amor ou a rejeição se manifestam nas várias idades, entre pessoas diferentes, etc. Levantando os olhos do meu livro reparei que tanto a mãe como a filha estavam ambas focadas nos telemóveis. A mãe estava nas redes sociais, a filha a jogar. A primeira “chapada” que recebi aconteceu quando a filha, possivelmente ao falhar o objectivo do jogo, lançou um impropério cabeludo, daqueles palavrões que nunca a minha mãe disse ou me ouviria dizer nem que passasse uma eternidade. O meu olhar voltou-se para a mãe, que agiu como se nada se tivesse passado. Pensei que não tivesse ouvido. Fiquei a matutar e quando ambas se levantaram para sair na sua estação algo me escapou, algo que a rapariga disse à mãe e a que esta não respondeu. Recebeu como sentença:

“Para além de atrasada és surda”.

Estremeci. Fiquei paralisada no meu lugar, incrédula, à espera da reacção da mãe e não minto quando digo que esperava uma resposta do mesmo calibre. Mas não foi isso que aconteceu. A mãe demorou pelo menos trinta segundos a responder, sendo que a filha voltou a repetir a mesma frase, já numa impaciência tal que parecia que queria que toda a gente à volta dela concordasse. Por fim a mãe lá disse, num tom suave e discreto, sem qualquer sinal de estar a controlar os nervos:

-“ Vê lá se controlas a má educação, está bem? Ainda são cinco da tarde”.

E saíram.

Caramba, aquela miúda tratou a mãe abaixo de cão e ainda lhe passaram a mão pelo pêlo. Duas coisas me ocuparam de imediato o pensamento: quando é que a vida daquelas duas pessoas tinha chegado ao ponto em que era ok a filha chamar nomes à mãe? E teria havido um comportamento semelhante em que a filha se espelhasse? Se tivesse de apostar diria que sim, que a postura da mãe é passiva, que eventualmente nem nunca lhe chamou nomes ou a maltratou mas aposto que houve outra alguém (o pai, quem sabe) que terá passado a vida toda daquela miúda a rebaixar a mãe e a dirigir-lhe ofensas sempre que não correspondia ao que esperavam dela. Ou talvez nem tivesse sido assim, quem sabe? Às vezes as relações de abuso começam por a vítima mostrar uma fragilidade e o abusador aproveitar para a controlar. Mas aqui falamos de uma miúda e mexeu comigo.

São estes os filhos que quando os pais, já idosos, vão parar aos hospitais os abandonam à sua mercê? São estes os filhos que roubam os pais? São estes os filhos que maltratam fisicamente os pais, como tantas vezes vemos nas notícias, seja por violência física, seja por os deixarem à fome?

Como é que uma pessoa que não respeita a mãe (ou o pai, ou ambos) pode respeitar seja quem for na sua vida adulta? E falo de relações em que os pais merecem respeito, que também existem pais que de pais só detém o título.

Custa-me muito pensar nas memórias que estão a ser criadas, na falta de empatia que existe, porque aquela miúda não hesitou em magoar a mãe nem se preocupou sequer com o facto de estarem diante de outras pessoas. Quem faz isto de que mais será capaz?

Há todo um tipo de vivências de que estou muito distante, felizmente. Cresci num lar em que o respeito é pedra basilar, em que há amor, compreensão e sempre houve limites. É esse o mundo que estou a tentar recriar para a minha filha mas sei que irá deparar-se com pessoas com um background completamente diferente.

Pergunto-me se miúdos que têm uma relação abusiva com os pais são passivos de serem salvos mais tarde ou mais cedo, seja por força do amor, da convivência, de boas influências.

Quero acreditar que sim.

Gosto de acreditar que o bem triunfa sempre. E que aquela mãe, um dia, será amada como merece.

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O mimo não estraga as crianças. A falta de limites, sim.

Ser criança é muitas vezes concebido como um pano de fundo em que tudo parece perfeito, ou pelo menos, quase perfeito… Mas, Ser criança, não é sempre um arco-íris, cheio de cor, de vida e bem- estar, às vezes, ser criança é cinzento, umas vezes mais claro, outras cinzento escuro, quase negro, sem pontos de luz… Mas, afinal, que bicho papão é esse que parece tirar a cor à infância? Que bicho papão é esse que, às vezes, se torna tão grande dentro de cada criança que parece contamina-la em todas as áreas?

Quais os ingredientes para uma criança feliz?

A criança nasce e precisa de protecção, que cuidem dela e garantam o seu correcto desenvolvimento, é dependente! Mas se cuidarmos fisicamente do bebé, e depois nos esquecermos de lhe dar amor, a criança entra naquilo a que os técnicos de saúde mental chamam de ‘depressão analítica’, um estado que reflecte a não satisfação da necessidade de um amor seguro e incondicional.

O coração de mãe e também o coração de pai (sim, porque não nos podemos esquecer que o pai pode ter um coração tão grande como o da mãe, temos de deixar de o subestimar!) sabe bem no seu intimo que o principal ingrediente para uma criança feliz é o Amor. O amor seguro e incondicional, o afeto e o mimo – como só os pais de alma e corpo cheio sabem dar!

O mimo não estraga as crianças. A falta de limites, sim.

O mimo não estraga as crianças. Nunca uma criança ficou estragada por ter mimo a mais, ou amor a mais! O mimo e o amor funcionam como o combustível que nos faz mover, não só em criança, mas ao longo de toda a nossa vida. É o amor que nos prende à vida e só quando o amor nos segura podemos alcançar a felicidade.

Mas, então, o que é isso de “ele é mimado, ninguém faz nada dele”?, que ‘mimo mau’ é esse que afecta tantas das nossas crianças?

É a falta de limites.

Os Pais são capazes de sentir no seu intimo que só com limites claros a criança cresce segura de si! Quase todos os pais conseguem senti-lo, mas só os Pais conscientes, os que estão seguros de si, de alma e corpo cheio conseguem fazê-lo; só esses pais conseguem estabelecer as balizas sem resvalar para um lado de ‘general autoritário’, sem parecerem mais assustadores do que seguros.

A criança precisa de limites

Os limites – embora na fase inicial uma criança os rejeite – atribuem-lhe segurança e robustez. É como se o pai e a mãe lhe dissessem ao coração: “avança, que nós estamos aqui para garantir que tens o caminho seguro. Aconteça o que acontecer, nós não te vamos deixar cair”.

Uma criança sem limites é uma criança em auto-gestão que, mesmo que sinta com o coração todo, ainda não sabe onde pode pisar ou não, explorando, aos poucos, o mundo de forma assustada, sempre com a ideia que um dia, se for preciso, pode ninguém estar lá para a proteger.

Uma criança sem amor ou sem limites será sempre um adulto em apuros. Se queremos crianças felizes, precisamos de uma boa dose de amor em equilíbrio com uma boa dose de limites. Assim, de falha em falha, como só os bons pais se permitem a falhar, subtraímos birras, multiplicamos sorrisos e somamos felicidade em cada criança, em cada família.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

Os nossos filhos não são perfeitos.

Aos nossos olhos os nossos filhos têm mais qualidades do que as que o mundo eventualmente verá neles, mas muitas vezes erramos ao não permitir que o mundo aponte as suas falhas.

O facto de compreendermos que somos humanos, com espaço para crescer, para nos desenvolvermos e desafiarmos é o que nos faz chegar mais longe. É o que nos faz, eventualmente, às vezes mais tarde do que mais cedo, perceber qual o nosso limite.

Existe uma escola preparatória em Lisboa que está a desenvolver um projeto educativo que acho muito interessante. As turmas são divididas em três níveis: baixo, médio e alto. No início do ano é feito um diagnóstico e os alunos são encaminhados para cada uma das subturmas. Estas subturmas são permeáveis, o que significa que um aluno que comece o primeiro período no nível médio pode eventualmente no segundo período estar no nível baixo, ou vice versa. A intenção é que todos acabem o ano no mesmo nível: o alto. Isto permite que os alunos sejam acompanhados de acordo com as suas necessidades de aprendizagem. Há espaço para expor dúvidas, para “atacar” a matéria onde existem mais dificuldades, há o incentivo para que os alunos queiram chegar mais longe.

Naturalmente, isto significa que há mais trabalho para mais professores. Este é um dos maiores problemas que atravessamos no nosso país: turmas sobrelotadas enquanto milhares de professores continuam sem colocação. Aqui há a oportunidade de ter uma mesma turma dividida em turmas mais pequenas, onde mais professores podem actuar.

O maior problema enfrentado? Os pais, naturalmente.

Diziam que havia preconceito com os que estavam no nível mais baixo. Diziam que afectava a auto-estima. Diziam que é pôr rótulos.

Era legítimo que os pais se preocupassem, mas a escola pediu uma oportunidade. Pediu aos pais que compreendessem o que estava em causa, que incentivassem os filhos e os fizessem compreender que, em conjunto com o corpo docente, não havia discriminação. Era tudo por eles. Para poderem ir mais longe. Para poderem aprender mais e melhor. Para se sentirem vistos e ouvidos na sala de aulas.

O resultado? No final do ano havia apenas duas subturmas, dos dois níveis mais elevados. Funcionou porque se acreditou num sistema que tem como prioridade o aluno e não o debitar infindável de um programa feito para não ser cumprido.

As notas subiram, os alunos viram a sua auto-estima aumentar, sentiram-se valorizados e, acima de tudo, encararam as aulas como um desafio. Participaram mais. Deram largas às suas potencialidades. Porque acreditavam que eles podiam chegar mais longe. Trabalharam com esse objetivo e no fim saíram vitoriosos. Havia um incentivo maior do que o resultado: o caminho a ser percorrido.

Acredito que este modelo educativo acabará por se espalhar por mais escolas, mas apenas se os pais assim o permitirem.

Haverá sempre quem não reconheça que os filhos não vão ser os melhores alunos, as melhores pessoas do mundo, os colegas de trabalho mais atenciosos, os companheiros de relação mais fiáveis.

Os nossos filhos são produto de tantas coisas, a maior parte das quais não controlamos.

Por isso, acredito que naquelas em que temos uma palavra a dizer deveremos estar do lado da solução e não do problema. Deixemos os nossos filhos perceberem que podem mais, quando isso é verdade. Que estamos aqui para eles mesmo que não tenham 100% no teste, mesmo que falhem de vez em quando.

Serão adultos mais funcionais e mais sensíveis aos que os rodeiam se perceberem que não se espera deles que sejam máquinas.

Os nossos filhos são humanos e devemos aprender a gostar deles assim.

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