Meu amor,

Acredita quando te digo que te conheço como ninguém. Sei de cor os teus traços, o teu cheiro, as tuas reacções antes mesmo de as teres… E os teus sons, que são universais, mas tão teus, tão nossos.

Sei perfeitamente que quando oiço o som da borracha das tuas pantufas, naquele compasso acelerado, é porque o pai chegou e vais ter com ele a correr ao corredor.

Conheço o arrastar do banquinho que agora levas contigo para todo o lado e significa sarilhos: porque estás a tentar chegar às bolachas, ao fogão, à cómoda e consequentemente à minha colecção de brincos.

Adivinho que estás a brincar com as tuas bonecas no quarto ao lado sem te ver, porque oiço o restolhar das fraldas que fazes questão de ir buscar para lhas tentares colocar.

Não preciso de olhar para ti para ter a certeza que estás a dançar, pela forma como bates com o pé direito no chão, ao mesmo tempo que moves as mãozinhas no ar.

Sabias que tens um riso diferente para o pai? Consigo perceber quando te ris de uma brincadeira que ele faz ou se estás apenas a divertir-te com os teus livros e bonecos.

O bater do teu coração quando adormeces ao meu colo e te deixas levar pelo cansaço de mais um dia? É uma melodia harmoniosa com a tua respiração, primeiro regular, depois um zumbido.

Domino a forma como adormeces, mas também a forma como acordas. Sei, mesmo que ainda esteja em piloto automático na madrugada, se choras porque tens fome, se te destapaste, se estavas a sonhar e te assustaste ou se acordaste com a tua tosse insistente.

Já sei que posso esperar um “tshhh” que acompanha as festinhas que fazes, principalmente quando estas servem para pedires desculpa por algo;

O “hum” que serve para mostrar que estás à procura de alguma coisa, como se ela estivesse constantemente a esconder-se de ti aprendeste-o comigo e nunca mais te esqueceste.

Conheço as gargalhadas que dás a dormir.

Adivinho o “não, não, não” que fazes a imitar-me quando te dá a vontade de ir brincar com o carregador do telemóvel.

Sei que posso esperar soluços depois de um ataque de cócegas, porque quando ris durante muito tempo não consegues escapar-lhes.

O “ah!” de espanto que fazes quando nos deparamos com bandos de pássaros, todas as manhãs a rasgar o céu, à chegada à creche é quase ensaiado. Todos os dias os vemos, todos os dias te fascinas.

Quando finges que estás a chorar, coisa que aprimoraste com o pai, numa brincadeira só vossa, sei bem que estás impecável e que com esse choro há um olhar que sorri.

O som maravilhoso que fazes quando dás a provar um bocadinho de cenoura crua à tua boneca e imitas o que seria o seu mastigar é inigualável.

E há o silêncio. Quando estás em casa e não há barulho é sinal de que estás a fazer asneiras. Minto, muitas vezes estás concentrada a brincar sozinha, mas outras tantas essa brincadeira tem elementos proibidos, que vais buscar sabe-se lá como e onde. O silêncio a meio da noite também me acorda, como nos teus primeiros dias. Aí, o meu subconsciente acordava-me, ou não me deixava ter um sono pesado, para me certificar que estavas bem (tantas vezes significava ver se estavas a respirar.) … Hoje acordo quando durmo mais horas seguidas do que estou habituada e fico em sobressalto, preocupada por não me teres acordado.

Ainda assim, há um som que é o meu favorito.

“Mãe”.

Mesmo que repetido cerca de trezentas vezes até que me desloque até onde estás para ver por que é que me chamas tão insistentemente.

Mesmo que seja o som que me rouba dos sonhos todas as noites quando queres que vá ter contigo ao berço porque acordaste.

Mesmo que se torne um “mamã” quando te queixas de alguma coisa ou queres mimo, ou estás particularmente mais carinhosa.

– “Mãe”.

Três letras.

Eu. Tu, porque sem ti não o seria.

O melhor som do mundo.

Sem dúvida.

O que os meus filhos irão esquecer

O Tempo é um animal estranho. Assemelha-se a um gato, agindo como lhe apetece. Manhoso e indiferente, corre quando imploras que pare, e permanece imóvel quando rezas que ande depressa. Às vezes morde enquanto ronrona, ou lambe-te com uma língua áspera. Coça-se enquanto o beijas.

O tempo, irá libertar-me lentamente da extenuante fadiga de ter filhos pequenos, das noites sem dormir e dos dias sem descanso. Das mãos papudas que não param de me agarrar, que me trepam pelas costas, que me procuram sem restrições nem hesitações. Do peso que me enche os braços e me curva as costas. Das vezes que me chamam e não permitem atrasos nem esperas. Vou voltar ao ócio vazio de domingo e as chamadas telefónicas sem interrupções, o privilégio e o medo da solidão.

O tempo, certamente e inexoravelmente irá arrefecer outra vez a minha cama, agora quente dos corpos pequenos e respirações rápidas. O tempo vai atenuar os olhos de meus filhos, que agora transbordam de um amor poderoso e incontrolável. Vai apagar a palavra mãe dos seus lábios, gritada e cantada, chorada e pronunciada cem mil vezes ao dia.

Vai apagar, pouco a pouco ou de repente, a familiaridade da sua pele com a minha, a confiança absoluta, o mesmo cheiro, usado para misturar o nosso humor, o espaço e o ar que respiramos. Assumir, em parte e para sempre, o pudor, o julgamento, a vergonha. A consciência adulta das nossas diferenças.

Como um rio que escava seu leito, o tempo minará a confiança que têm em mim, a forma como os seus olhos me vêem, capaz de parar o vento e acalmar o mar, consertar o irreparável, curar o incurável e ressuscitar da morte!

Com o tempo vão deixar de me pedir ajuda, porque deixarão de acreditar que eu possa salvá-los. Vão parar de me imitar, porque vão querer não ser parecidos comigo. Deixarão de preferir minha companhia, optando pela dos amigos, e Deus queira que não esteja enganada!

Paixões se dissiparão, as birras e os ciúmes, o amor e o medo. Vão-se apagar os ecos das gargalhadas e das canções, as sestas e os “era uma vez”… Com o passar do tempo, os meus filhos vão descobrir que eu tenho muitos defeitos, e se eu tiver sorte, também vou perdoar alguém.

Sábio e cínico, o tempo vai trazer o esquecimento. E os meus filhos vão esquecer-se mesmo daquilo que eu nunca esquecerei. As cocegas e as corridas, os beijinhos nas pálpebras e as lágrimas silenciadas com um abraço. As viagens e os jogos, os passeios e as febres altas. As danças palermas, os bolos de aniversário e os mimos durante o sono.

Os meus filhos vão esquecer-se que os amamentei, que os embalei durante horas, que os carreguei nos braços e das vezes que andamos de mãos dadas. Que lhes dei de comer e os consolei, que os amparei depois de cem quedas. Vão esquecer-se que dormiram no meu peito dia e de noite, e que houve uma altura que precisavam tanto de mim como o ar que respiram.

Os meus filhos vão esquecer-se de tudo isto, porque assim é a vida, e estas são a exigências do tempo.

E eu, eu terei que aprender a recordar-lhes tudo, com ternura e sem arrependimentos. Livre. E que o tempo, manhoso e indiferente, seja gentil com esta mãe que não se quer esquecer.

Por Silvana Santo – Una Mamma Green,
traduzido por Up To Kids®

imagem@Tumbrl

Nos dias que correm parece-me correcto dizer que a culpa é o nome do meio da maior parte dos pais.

Sentem culpa porque trabalham demais, porque estão cansados demais, porque perdem a paciências vezes a mais do que gostariam, porque sentem que não estão tão presentes quanto deveriam.

Este facto faz com que tantas, mas tantas coisas que acontecem sejam atribuídas exactamente à falta de tempo, ou paciência, ou por aí fora.

No outro dia, no jardim com a minha filha, cruzei-me com uma mãe que tinha uma menina mais velha que a minha. A menina, de cerca de dois anos e meio ou três, quando via a minha filha a querer subir para o escorrega ou para o baloiço dizia “é meu!”. A mãe chamou-a várias vezes à atenção, com cuidado e sensibilidade e conversou um pouco comigo. Explicava-me que aquilo se devia ao facto de ela e o pai da menina se terem separado recentemente, de esta estar uma semana com cada um e de estar a receber mimo extra. Pedia desculpas, estava a tentar encontrar a melhor maneira de gerir tudo aquilo porque, dizia, “são muitas emoções, muitas mudanças, mas quem errou fomos nós, não ela. E somos nós que temos de fazer com que ela cresça bem. Mas não podemos deixá-la ficar perdida entre uma casa e outra, a achar que pode tudo só porque agora é uma espécie de vítima desta situação”. Ainda que nada tivesse a ver com o assunto, achei que devia dizer alguma coisa. Achei que aquela mãe precisava de conversar, mas acima de tudo de ouvir que estava no caminho certo. E foi o que lhe disse, que me parecia que estava a fazer as coisas equilibradamente, mas… E aqui ela olhou-me com algum receio. Senti que devia dizer-lhe que todas as crianças passam pela fase do “é meu”. Que é natural, que têm de passar por ela para perceberem que o mundo se espraia para além do seu umbigo e que apesar de serem muitas vezes o centro do mundo de alguém, este mundo maior que está à sua volta não ser curva perante eles. E esse “é meu” passará a ser um “também é meu, é nosso”. Com calma, com tempo, com acompanhamento.

No fundo, aquela mãe estava a culpar-se por algo que não era, em absoluto, culpa sua. Baralhava uma fase do desenvolvimento da filha com uma consequência de uma mudança na sua vida. E fazemos muitas vezes isso. Demasiadas vezes. E é por isto que acho que é importante conversar. Partilhar experiências, vivências, sem as impor. Passar informação. Opiniões. Sem julgar. Ajudar, deixar ajudar. Ouvir.

Porque muitas das vezes o problema não somos nós, são mesmo os outros. E esses “outros” podem ser muitas coisas.

Estamos a fazer o melhor que sabemos e podemos.

Ler também Amor de Mãe

E tal como não devemos sacudir a culpa para as outras pessoas também não devemos apropriar-nos dela por termos algo menos bem resolvido.

É essencial procurar uma vida de meios termos, de equilíbrios.

Para nosso bem, para bem dos nossos filhos. Eles serão pais no futuro. Que possam dizer que são uma versão nossa melhorada.

imagem@weheartit

Poema da mãe que eu não quero ser

Preparado o jantar, a roupa, o cão e a mochila,

depois do chefe, dos filhos, do pai e do supermercado,

eu nem sei.

Continuo  algures por aqui, entre a escola e o ballet.

Perguntam-me, chamam-me, pedem-me.

Preciso de ajuda?

Sim, se puder ficar com a pior parte.

Sou um movimento

que se deita tarde, se levanta cedo,

E os dias passam demasiado.

Avio expedições inteiras antes das nove,

faço-me em mil num brilharete,

e despacho tarefas em automático.

Mas tenho um segredo esquecido:

eu, nunca estou na lista de afazeres

(risquei-me às escondidas).

Assim, com um espaço livre na agenda,

pode ser que sobre tempo para procurar-me,

algures entre as outras coisas todas,

e encontrar-me, sem dar trabalho.

Antes que alguém dê pela minha falta.

imagem@vk.com

Acredito que cada mãe é a melhor mãe do mundo ou, dito de outra fora, cada mãe é a melhor mãe que consegue ser. Não é perfeita, nem tem de ser.

Na procura incansável de ser uma “boa mãe”, você lê todos os artigos sobre o tema, sabe na teoria o que deve ou não fazer mas, na hora H, acaba por “perder as estribeiras” e….

Depois vem a culpa, aquele “bichinho” de tamanho varável, que “vive dentro de nós”, que nos “aponta o dedo” e diz: és mesmo estúpida, não vales nada, o teu comportamento foi vergonhoso. No fundo, isso resulta do saber, da consciência que podia ter agido de outra forma, mais positiva e mais saudável. Mas como, como fazer?

Ler também Não és má mãe!

A resposta é simples: procure sentir-se feliz!
Não há boas mães, há mães felizes!

Pessoas que se sentem bem com elas próprias, sentem-se melhor com os outros, são mais compreensivas, tolerantes e assertivas. Tem dúvidas? Faça este simples exercício:

Respire fundo duas ou três vezes, feche os olhos e pense num dia muito feliz com os seus filhos…

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O que estava a fazer? Recorde, calmamente, cada momento bom… como se sentia?

Mas, afinal o que foi diferente de tantos outros momentos que parecem “um pesadelo”? Provavelmente o seu estado de espírito. Claro que as crianças “esticam”, vão testando os limites, fazem birras. Mas não é sempre assim? Afinal, faz parte do processo de aprenderem a crescer emocionalmente.

Bom, agora vem a pergunta difícil – como ser mais feliz?

Não há uma receita única, cabe a cada pessoa perceber o que valoriza, o que tem mais significado para si e o que a faz sentir bem. Mas há condicionantes que são comuns e frequentes para a maior parte das pessoas. Se estiver atenta, vai percebe os sinais que o seu corpo vai dando e o tipo de pensamentos que vão alimentando as suas emoções. Ficam algumas sugestões que ajudam a conhecer o que sente e o que estará associado a esse sentir:

– registe diariamente os acontecimentos positivos e menos positivos. Nesse registo será útil incluir: quando foi (manhã, tarde, hora jantar, etc.), o que aconteceu, como se estava a sentir, que impacto teve;

– em que dias há episódios mais críticos ou de maior bem-estar;

– para cada sentimento ou estado emocional, procure descrever o que estava a pensar, o que andou a “fervilhar” na sua mente o dia inteiro ou nos dias anteriores;

– como estava o seu corpo : calmo, relaxado, tenso, como se tivesse corrido uma maratona?

Semanalmente, ou com a frequência que se justificar, reveja os seus registos. Verá que encontra padrões de comportamento vs situações.

O passo seguinte é encontrar estratégias internas para mudar, para quebrar esses padrões. Não há mães ideais, há mães que se sentem bem com elas próprias, que conhecem as suas limitações, que se aceitam e que, acima de tudo, se sentem felizes.

imagem@imworld

Nós, mulheres, somos fantásticas! Somos seres incríveis e imbatíveis, numa constante luta pela felicidade! Somos capazes de tudo! Somos tudo o que precisamos ser, somos a excelência do ser humano… Somos Fantásticas!
Esta bajulação gratuita do ser magnifico que é a mulher tem uma razão…
Desde pequenas que nos “atiram” bebés para as mãos… e nós gostamos! Está na nossa natureza, a maternidade!
Quando casamos ou nos juntamos começa a pressão. “Para quando um bebé?“. O que muita gente não sabe ou não pensa, é qual o preço de ter um filho.
Há muitas mulheres cujo sonho de ser mãe lhes corre nas veias! Mas a vida tem esta forma cruel de nos pôr constantemente à prova e, muitas vezes, quanto mais se anseia ser mãe, mais dificuldades se tem em engravidar ou levar uma gravidez até ao fim. Há mulheres que fazem tudo para realizarem o sonho de ser mãe!
Os tratamentos de fertilidade não são de todo fáceis… São fisicamente agressivos e psicologicamente violentos. São medicações com efeitos adversos horríveis e para muitas insuportáveis… São exames e análises constantes, são injeções, são testes negativos atrás de testes negativos! As semanas transformam-se em meses, e os meses em anos, e os anos em frustração e depressões!
Quando estes tratamentos (pelos quais ninguém deveria ter que passar) acabam, a luta continua! Perdas gestacionais, o pânico que algo corra mal, gravidezes instáveis…
Há gravidezes muito diferentes daquela que tive! Há gravidezes dolorosas e até assustadoras. Há problemas de peso, descolamentos de placentas, perdas de sangue, ritmos cardíacos instáveis do bebé, há infeções, diabetes, dores ciáticas, dores lombares, dores de cabeça insuportáveis, há perda de liquido amniótico, roturas de bolsas… um sem fim de coisas que correm mal e contra as quais nós mulheres lutamos com unhas e dentes.

Um dia, muitas vezes antes do que era suposto, o bebé nasce!

Contrações insuportáveis, dores de parto, epidurais pelas costas adentro, fazer força que nunca sonhámos ter, pontos e mais pontos, sete camadas de pele cozidas, e horas depois do bebé nascer, a mãe levanta-se e vai dar de mamar! Mamilos feridos, caroços no peito, febre, mastites… Vamos para casa. Toda uma casa para limpar e arrumar, receber visitas, o bebé a chorar, acordar milhões de vezes à noite mesmo só para ver se ele está a respirar. Olhar no espelho e não reconhecer aquela mulher…

Um turbilhão de hormonas descontroladas em nós, o corpo que nunca mais será o mesmo, sentirmo-nos tristes, felizes, deprimidas, alegres, sozinhas e completas tudo isto ao mesmo tempo.
Ser mãe é nunca mais sermos a primeira em nada!

Quando temos um bebé, podemos entrar numa sala cheia de gente e a maior parte nem repara que ali estamos, é dar o ultimo pedaço de chocolate, é dar a refeição aos filhos e só depois pensamos em nós… É prescindir para sempre de pequenos prazeres da vida como um banho demorado, ou um copo de vinho no silêncio de Blues à noite! É trocar o saxofone pelas musicas do panda, é ir comprar roupa e voltar cheia de sacos mas sem nada para nós, e com tudo para eles…

Ser mãe, é vê-los crescer, e um dia a voar para as suas vidas sem olhar para trás e ficarmos de colos vazios!
O preço de ter um filho é caro! Muito caro! É mudarmos tudo aquilo que somos… Ter um filho é para muitos um processo longo, demorado e doloroso…

E o mais incrível em nós mulheres…. É que, depois de sermos mães, passaríamos por tudo novamente.
Sem pensar duas vezes… está no nosso ser… a maternidade, o altruísmo!
Ter um filho tem um preço caro, mas que é impagável! É o nosso esforço derradeiro, para termos o melhor que a vida tem para nos dar!

Para todas as mulheres que têm/tiveram dificuldades em engravidar e/ou gravidezes e partos complicados só vos posso dizer uma coisa:
VOCÊS SÃO GRANDES!
Do tamanho do mundo!

imagem@Donagiraffa

LER TAMBÉM…

Não senti.

A maternidade é a recruta das mulheres

As mães também têm medo

Querida filha,

Mais uma vez me dirijo a ti na calma dos dias, pensando naquilo que viverás, à distância do tempo que não controlo.

É-me permitido imaginar, até planear, mas tenho plena noção de que o teu futuro a ti pertence. Que a pessoa que serás terá a minha influência naquilo que conseguir para te tornares boa, decente, correcta, feliz, mas no restante estarei sentada na plateia a assistir ao espectáculo que vais dirigir com aquilo que te dei, mas principalmente com aquilo que farás do que o mundo te der e fizer de ti.

Seja como for há coisas que, inevitavelmente, vais experienciar. Boas e más.

Vais fazer planos e ter a certeza absoluta daquilo que queres e ver a vida fazer-te mudar de direcção uma e outra vez.

Vais ter várias conversas com o espelho. Farei os possíveis para que o teu reflexo seja sempre algo positivo.

Vais conhecer muitos professores, para grande parte deles serás apenas mais um aluno na lista, mas se tiveres sorte conhecerás aquele que reconhece a tua luz e puxa por ti para que a deixes brilhar.

Vais sentar-te na melhor cadeira do melhor cinema e, mesmo assim, ter alguém atrás de ti que se esquece do telemóvel ligado durante a sessão, que insiste em cochichar num volume obsceno, que te dá pontapés nas costas constantemente ou que come pipocas de boca aberta depois de demorar cerca de vinte intermináveis segundos a encontrá-las no fundo do balde. Ou todas as anteriores.

Vais desejar que não te estejam sempre a perguntar como está a correr a escola, e as notas como vão ser. Ou pelos namorados. E aquela amiga que deixaram de ver lá por casa (e que, como é óbvio já não é tua amiga!).

Vais desejar ter mais tempo para fazer praticamente tudo: dormir, fazer os testes, estar com os amigos, namorar, viajar, estar de férias.

Vais perguntar-te sobre o que é certo e o que é errado e por que é que as pessoas insistem em ver tudo em preto e branco quando o mundo tantas vezes tende a ser cinzento.

Vais assistir a violência e perceber o que isso desperta dentro de ti.

Vais querer ver menos os teus pais até que quererás vê-los mais vezes.

Vais lembrar-te para sempre da tua primeira conquista plenamente consciente.

Vais arrepender-te de ter usado o dinheiro da mesada naqueles ténis que querias tanto, mas que só tinham no número abaixo do teu e compraste na mesma.

Vais sentir-te injustiçada uma série de vezes até que a tua maturidade te permita olhar o mundo com outros olhos e te faça ver como tens sorte em estares rodeada das pessoas que estás e de viveres no país onde vives.

Vais olhar para as matérias da escola e acreditar que nunca na vida irás pô-las em prática – até que isso aconteça diariamente quase sem dares por isso.

Vais continuar a pedir desejos às estrelas cadentes, mesmo quando já não tiveres idade para isso.

Vais apaixonar-te uma e outra vez, de várias maneiras, por várias pessoas e achar que não vais recuperar de um coração partido, até estares outra vez apaixonada e achares que daquela vez nem contou porque agora é que é.

Vais entrar no mar à noite mesmo contra todos os avisos dos teus pais.

Vais emocionar-te com coisas simples.

Vais redescobrir memórias há muito escondidas dentro de ti.

Vais desiludir-te de morte com os outros e algumas vezes contigo mesma.

Vais ter amigos brutais e outros que ninguém vai perceber o que têm em comum.

Vais usar roupa que mais tarde te envergonhará.

Vais achar que estás sempre esquisita nas fotografias ou que aquela que a tua mãe insiste em dizer que adora é simplesmente horrível.

Vais fazer promessas que deixarás por cumprir.

Vais levar uma tampa.

Vais dar algumas tampas.

Vais quebrar regras.

Vais ouvir bons conselhos. Vais ouvir maus conselhos. Vai chegar a altura em que não vais ouvir conselhos de ninguém. Mais tarde serás tu a dar conselhos.

Vais viver muitas coisas que eu vou ver, algumas que me vais contar, tantas que eu nem sequer sonharei e outras tantas que não estarei por perto para assistir. Espero que a lista tenha maioritariamente coisas boas.

Que se um dia escreveres uma lista desta aos teus filhos haja alguns itens que se possam riscar. Se bem que acho que o comportamento das pessoas no cinema vai ser uma constante. Não é defeito do ser humano, é feitio. No cinema, como na vida, tudo se resume a uma escolha. Que pessoa queres ser? A que dá pontapés na cadeira da frente ou a que se senta confortavelmente e assiste ao seu filme sem perturbar ninguém?

Só o tempo o dirá, minha querida.

E que o tempo seja bom para ti.

Um beijo,

Mãe.

Há dias saí de uma loja sem dar à minha filha, que estava a fazer uma birra enorme, uma bolacha. Uma mulher parabenizou-me no parque de estacionamento e disse que era “a melhor mãe do shopping”. Já a minha filha não achou o mesmo. Quando os seus filhos lhe disserem que é a pior mãe do mundo, encare como um elogio. A geração que estamos a educar é a mais preguiçosa,  mais rude e com mais títulos da história. As histórias que se contam sobre crianças mimadas, assustam a melhor das mães. Pois eu tenho novidades: a culpa não é das crianças, é dos pais. É normal querer entregar as armas e baixar os braços. Na verdade, não queremos todas ser umas mães adoradas? Não desista. Eles podem dizer que é a pior mãe do mundo agora, mas de futuro irão agradecer-lhe.

Aqui ficam os 12 passos para ser a pior mãe do mundo:

  1. Deite os seus filhos a uma hora razoável
    Não estamos já fartos de saber o quão importante é uma boa noite de sono para que a criança seja “bem-sucedida”? Seja a Mãe e meta os miúdos na cama. Nunca ninguém disse que eles têm de querer ir para a cama. Até podem reclamar inicialmente, mas com persistência vão acabar por se habituar. Depois aproveite o serão tranquilamente.
  1. Não dê guloseimas sempre que querem
    Os doces devem ser guardados para ocasiões especiais. Por isso é que são tão “doces”. Se ceder a dar gomas, chupas ou outras guloseimas sempre que o exigirem não irão valorizar quando lhes for dado um doce numa ocasião especial. Além do mais pode sair-lhe caro quando os levar ao dentista.
  1. Obrigue-os a pagar por aquilo que querem
    Se nós queremos algo, temos de pagar por isso. É assim que funciona a vida de um adulto. Se quer que os seus filhos saiam debaixo da sua saia um dia tem de ensinar-lhes, agora, que os vídeo jogos, gadgets, actividades que gostam etc têm um preço. Se tiverem que pagar parte ou a totalidade das coisa, irão aprender a valoriza-las. Assim poderá, também, evitar pagar coisas que o seu filho quer imenso até as ter, e depois já não liga. Se ele não estiver disposto a fazer sacrifícios para comprar algo que pediu, provavelmente não queria assim tanto.
  2. Não mexa cordelinhos
    Há miúdos que só acordam para a vida quando começam a trabalhar e percebem que as regras também se aplicam a eles. Têm de chegar sempre a horas e fazer aquilo que lhes é imposto. E ainda por cima nem gostam assim tanto daquele emprego!
    Se não gostar do professor do seu filho, do colega do grupo de trabalho, da sua posição na equipa de futebol ou  da sua colocação numa fila de espera, não caia na tentação de dar um empurrãozinho para ele ficar numa posição mais confortável. Estará a privar o seu filho da chance de poder dar o seu melhor numa situação difícil. Lidar com adversidades é o que terá de fazer metade da sua vida adulta. Se não lhe der a hipótese de aprender a lidar com situações menos fáceis, estará a preparar o seu filho para o insucesso.
  1. Faça-os fazer coisas difíceis
    Não interfira e resolva quando as coisas se tornarem difíceis. Não há nada que os ajude mais a desenvolver a autoestima e autoconfiança do que agarrarem-se a um desafio complicado e conseguirem resolver sozinhos.
  1. Ofereça-lhes um relógio e um despertador
    Os seus filhos serão mais autónomos se forem obrigados a gerir o seu próprio tempo. Os pais não podem estar constantemente a mandar desligar a TV e cumprir com os seus compromissos.
  2. Não compre sempre do bom e do melhor
    Ensine os seus filhos a serem gratos e satisfeitos por aquilo que têm. Preocuparem-se com o próximo gadget top e quem é que já tem, irá leva-los a um vazio e uma vida de infelicidade e/ou dívidas.
  3. Deixe-os experienciar a perda
    Se o seu filho partir um brinquedo não compro outro para substituir. Assim, irá aprender uma lição valiosa sobre o cuidado a ter com as suas coisas. Se se esqueceu de trazer o livro dos TPC deixe-o ter uma má avaliação ou obrigue-o a realizar os trabalhos no intervalo com a professora. Está a ensiná-lo a ser responsável – e quem não quer uma criança responsável? Assim poderá ajuda-la a lembrar-se de todas as coisas que se esquece de fazer.
  4. Controle os Mídea
    Se os outros pais deixarem os seus filhos saltarem de uma ponte você também deixaria? Não deixe seu filho assistir a um filme ou jogar um videojogo que seja inapropriado para crianças só porque “toda a gente joga”. Se se reger pelos seus princípios e for firme na sua decisão, pode ser que os outros também passem a ser. Tente criar uma corrente positiva na educação.
  5. Ensine-os a pedir desculpas
    Se seu filho fizer algo errado, faça-o confessar e enfrentar as consequências. Não escamoteie os seus atos ou desonestidades. Se você errar, dê o exemplo e assuma as consequências.
  6. Transmita-lhe a boa educação e o civismo
    As crianças podem, desde pequenas, aprender as noções básicas de como tratar outro ser humano com respeito e dignidade. Ao fazer da boa educação um hábito fará aos seus filhos e à humanidade um grande favor. O civismo é o caminho certo para conseguir o que quer. “Apanham-se mais moscas com mel do que com vinagre.”
  7. Obrigue-os a trabalhar – de borla
    Quer seja a ajudar a avó no jardim ou como voluntários a ajudar crianças mais novas, torne essas acções parte da vida dos seus filhos. Isso vai ensinar-lhes a olhar para lá do seu umbigo e aperceberem-se dos problemas dos outros – muitas vezes muito maiores que os deles.

Se cumprir estes 12 passos para ser a pior mãe do mundo não se esqueça ao longo do percurso de elogiar sempre que os seus filhos tenham atitudes de valor. E certifique-se de que sabem que os ama. Com um bocado de sorte, os seus filhos podem virar o bico ao prego e tornar a sua geração conhecida pelo empreendedorismo, pela resiliência e perseverança.
Por Megan Wallgren, para Familyshare.

Traduzido e adaptado por Up To Kids®

imagem@plusgoogle

Contigo todos os dias são Natal, meu amor, minha querida filha.

Todos os dias são dias de ler histórias enroscadas debaixo de mantas quentinhas.

Todos os dias são dias de ter a família à volta, de saborear esses pequenos grandes momentos.

São dias de preparar uma surpresa ou um presente, mesmo que esse presente seja apenas isso: estar lá.

São dias de acreditar, de ter esperança, fé e desejar coisas boas, o melhor.

São dias de nos lembrarmos de quem nos quer bem.

São dias de escrever um postal com um desenho teu – só porque sim… ou melhor, por que não?

São dias de construir coisas juntas, como a árvore de Natal ou um castelo feito de Legos.

São dias de fazer bolachas para oferecer – e de conseguir o acto heróico de te impedir de chegar ao calor do forno.

São dias de avaliar onde errámos, onde podemos melhorar, de fazer um esforço para ter uma vida tão equilibrada quanto possível.

São dias de esquecer um bocadinho o relógio.

São dias de te ensinar que o pouco basta, que não precisamos de acumular coisas para sermos felizes.

São dias para estarmos agradecidos, para te darmos esse exemplo.

Todos os dias são Natal porque o que vivemos no Natal devia ser vivido todos os dias.

E temos conseguido.

Feliz Natal, meu amor.

Um beijo,

Mãe.

imagem@4mama.com

A partir do momento que sabemos que vamos ser pais iniciamos um processo de mudança e construção. Mas o tempo, o stress, a correria do dia a dia e os conselhos que vão aparecendo por todo o lado, desde as mães, sogras, amigos, vizinhos, conhecidos e desconhecidos, que sabem lidar com todas as situações melhor do que nós e têm sempre solução e estratégias para tudo. É difícil manter o foco.

Então como manter o nosso rumo? É fácil em períodos de calma mas tudo se complica quando temos de tomar decisões no “calor do momento”. Ou seja, em casa eu consigo saber que vou lidar de forma calma mas quando o meu filho decide fazer uma birra no meio de um supermercado com toda a gente a olhar, tecer comentários, dar palpites e críticas nem sempre conseguimos seguir o nosso íntimo.

Então o que fazer? Nesses momentos de calma podemos aproveitar para refletir sobre nós, os nossos valores, o que para nós é verdadeiramente importante, os ideais que dão rumo e sentido à nossa vida. Escolham alguns desses valores, os mais importantes para vocês, para que sirvam de bússola ao vosso comportamento enquanto pais e sempre que tiverem de tomar uma decisão ou quando falarem com os vossos filhos perguntem se estão a respeitar esses valores. Assim podem pedir ajuda ou ouvir conselhos dos outros, mas no final farão apenas o que for ao encontro da vossa verdadeira essência, sem sentimentos de culpa e continuar a percorrer o caminho em busca dos pais que verdadeiramente querem ser!

Ficam aqui alguns valores que podem usar como ponto de partida. Escolham alguns deles e sintam-se à vontade para acrescentar outros!

Aceitação Natureza Alegria Respeito Amor Ternura Bondade União Coerência Esforço Calma Cooperação Criatividade Dever Curiosidade Paz Coragem Fraqueza Persistência Perdão Iniciativa Modéstia Otimismo Prudência Paciência Gratidão Amizade Humor Estabilidade Cidadania Compreensão Liderança Saúde  Justiça Tolerância  Esperança Disciplina Dignidade Atenção Generosidade  Gentileza Entusiasmo Honestidade

Por Rita Felizardo, Conselheira Parental em Leiria

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