História da receita:

O tempo que temos é curto e passa a correr. A seguinte receita procura devolver alguma normalidade ao caos, lembrar que por muito pouco tempo que se tenha, às vezes temos de o usar melhor. Só saímos a ganhar.

Receita de 60 minutos para ser feliz

Ingredientes (para famílias pequenas ou numerosas):

– Disponibilidade q.b.

– Atenção

– Muito amor

– Sentido de humor moderado

 

Dificuldade: Fácil/Moderada

 

Tempo: Acessível

 

Preparação:

Esta receita está dividida em três partes iguais de vinte minutos. O ideal será que consiga conciliar as três diariamente. A ordem apresentada é apenas uma sugestão.

 

Primeira parte:

Converse com o seu companheiro sobre o seu dia. Nada de televisão ligada, nada de consultar o telemóvel de dois em dois minutos para ver o e-mail, nada de ter o tablet na mão, nada de “deixa cá ver o que é que os miúdos estão a fazer que estão muito calados”, nada de falar sobre problemas. Converse apenas. Partilhe algo engraçado sobre o seu dia. Não se queixe do trabalho nem do tempo que perdeu no trânsito nem a birra que o mais velho fez quando o proibiu de sair com os amigos por causa das notas. Só importam vocês.

Se não tiver companheiro, vale fazer uma vídeo chamada para a amiga que imigrou, ligar à sua mãe (relembre que o tema problemas é proibido), conversar com o seu irmão. O que importa é que fale, converse, partilhe o seu tempo com alguém, alimente as suas relações. Diariamente.

 

 

Segunda parte:

Dedique tempo ao(s) seu(s) filho(s) – Ajude-o a resolver o trabalho de casa, oiça o que ele tem a dizer sobre o seu dia, sobre o que aconteceu com os amigos, deixe-o contar uma piada e ria-se pelo esforço que ele fez (provavelmente inversamente proporcional ao nível da graça), brinque com ele sem ralhar nem lembrar que deixou os legos espalhados, a televisão ligada na sala, demorou imenso tempo no banho ou custou a comer a sopa. Este momento é para ser vivido numa bolha. São vinte minutos de puro amor. Aproveite-os.

 

Terceira parte:

É chegada a altura de se dedicar a si. Não se esqueça que são vinte minutos em que não deve preocupar-se com mais nada.

– Tome um banho demorado sem ser interrompida;

– Veja parte do episódio da série que começou a seguir em 2013 (é muito mais emocionante ver os episódios repartidamente, aumenta o suspense, não é?);

– Pegue no livro que tem na mesa-de-cabeceira e dedique-lhe a sua total atenção;

– Olhe-se ao espelho e veja quem lá está, converse com ela sem críticas;

– Adormeça no sofá sem culpa;

– Passeie com o cão pelas redondezas para fumar aquele cigarro da semana e ver a vista da cidade à noite;

– Todas as anteriores, se for capaz e se for importante para si.

 

Nota:

Para servir basta apenas um sorriso no rosto… E agradecer as coisas boas que tem – de certeza que encontra umas quantas.

Já tem meio caminho andado para ser feliz.

O nosso amor tem espaço para a novidade mas não se importa nada com a mesmice das rotinas.

Surpreende todos os dias porque cresce, aconteça o que acontecer.

É repleto de beijos e abraços, mas sei que nem sempre procurarás o meu colo.

Guardo todos os nossos momentos numa memória que extravasa o disco rígido a que chamamos cérebro porque haverá alturas em que as memórias serão aquilo que nos apaziguará as saudades.

Sinto saudades tuas por mais absurdo que seja e faço-te saber disso.

Não sinto ciúmes e sei que sentes amor por outras pessoas e isso é bom (tão bom!).

Aproveito, mesmo que ensonada, quando é a mim que chamas porque sou eu quem tem a oportunidade de te abraçar a meio da noite e sussurrar-te ao ouvido como és amada.

Zangamo-nos e eu ralho, mas depressa volta tudo ao devido sítio. Não guardamos rancores, só guardamos o que é bom e que nos faz bem.

Limpo as tuas lágrimas e evito que vejas as minhas.

Às vezes surpreendes-me com carinhos que não foram pedidos e esses são os que sabem melhor.

Ensino-te o que sei e deixo-me aprender contigo.

Conversamos e conversamos e conversamos.

Dançamos juntas e cantamos sem música de fundo. (Enquanto não te sentes ridícula a fazê-lo. Comigo).

Conheço todos os teus amigos e eles conhecem-me, como devia ser em todas as relações. Dou-te espaço para que a nossa não interfira na vossa.

Faço-te rir e o teu sentido de humor enche-me o peito.

Passeamos e conhecemos sítios novos.

Não nos cansamos uma da outra.

Tenho orgulho em ti e isso deixa-me sentir também um pouco de orgulho por seres minha filha.

Conhecemos os gestos uma da outra.

Conversamos sem palavras.

Contrario-te. Faço-te crescer. Digo muitas vezes sim mas também digo não.

Porque nunca te vou dar tudo aquilo que queres mas tudo farei para te dar tudo aquilo de que precisas.

É este o nosso amor.

imagem@weheartit

Dizem que ser mãe muda tudo. Na verdade, a maior parte das coisas à nossa volta permanece exactamente na mesma – nós e a nossa percepção do mundo e da realidade é que mudam.

A maternidade, no fundo, é uma aprendizagem: em relação a nós, à nossa família alargada, à família mais restrita que estamos a criar.

Coisas que uma mãe aprende…

Aprendemos afectos. Os que nos foram negados, os de que nos fomos esquecendo, aqueles que sempre nos rodearam. Tornamo-nos um poço de afeição mais ou menos contida.

A visão dos problemas dá uma cambalhota e aprendemos a dar prioridade ao que realmente importa.

Verbalizamos o amor de outra forma. Vemos o amor de outra forma. Sentimos o amor de outra forma.

Aprendemos a deslocar-nos pela casa totalmente às escuras, como ninjas, em direcção ao berço dos nossos bebés.

Tomamos como adquirido que os «Parabéns» podem ser considerados a canção preferida de uma criança.

Não conseguimos escapar ao facto de que toda a gente (e aqui é mesmo toda a gente, desde a prima em segundo grau que vemos apenas no Natal ao porteiro do prédio) tem uma opinião a dar. E um conselho grátis também.

Sentimos a dor de outra pessoa como se fosse a nossa. Contemos as lágrimas quando há algo que provoca as lágrimas dos nossos filhos, por eles tentamos ser mais fortes… e tentamos mostrar que não faz mal ser também frágeis, de vez em quando.

Aprendemos que é mais importante estar do que ser.

Que gostamos que elogiem os nossos filhos. Que mexe connosco quando são os outros a repreendê-los.

Aprendemos a ser mais ambivalentes. A dormir menos e a fazer mais.

A fazer ginástica mental, financeira, criativa, física.

A brincar como se tivéssemos outra vez três anos.

A ensinar coisas que não nos lembramos de ter aprendido.

A descobrir-nos dentro de quem sempre fomos.

Aprendemos que o tempo é mais valioso que qualquer fortuna do mundo.

Que os tempos mudaram e há muita coisa que não se faz da mesma forma, mas que o amor de mãe nunca muda.

Compreendemos que mesmo que aprendamos tudo temos tudo para aprender.

E ainda bem.

Não estamos sozinhas nesta viagem.

imagem@weheartit

Ser Mãe todos os dias cansa!

Sem tempo para recuperar o fôlego nem conseguir respirar fundo, saímos do bloco de partos e num segundo mudamos de estatuto.

Somos MÃES!
Aliado ao que já tínhamos na nossa vida, passamos agora a ter que dar conta de uma quantidade de coisas que se tornam efectivamente reais na nossa nova vida. A realidade da amamentação, das fraldas, dos banhos, do colo, do choro, das cólicas, das birras, das noites sem dormir. O peso da responsabilidade de ter alguém totalmente dependente de nós.
Somos levadas pelas hormonas, pela emoção do parto, pela ansiedade de ver a cara que imaginamos durante meses. Pela excitação de segurar pela primeira vez no colo aqueles que dizemos ser NOSSOS. Pela chapada de amor, pela grandeza deste acontecimento de nos termos tornado Mães.No meio deste estado meio alterado de consciência, por conta das hormonas, das emoções, do novo ritmo e das exigências, não damos conta dos dias e das noites, não damos conta do passar do tempo.

A nova rotina é levada pelos acontecimentos e pelas necessidades do bebé. Pensamos pouco, apenas vamos agindo. Vamos agindo como se sempre tivesse sido assim. É uma mudança radical mas num simples instante já não conseguimos conceber a nossa vida sem eles.

Os filhos chegam e instalam-se.

Instalam-se, curiosamente, no lugar daquilo que parece ser agora, o essencial para vivermos.  A partir desse momento torna-se impossível imaginar a nossa vida sem eles. Parece que tudo sempre existiu desta forma.

Parece simples…
Parece fácil…

Mas nem tudo é cor de rosa. Ser Mãe todos os dias cansa!

Há um momento em que o cansaço toma conta de nós. Um corpo cansado, uma cabeça exausta, um sono descontrolado e atrasado, ritmos e rotinas diferentes, o isolamento do mundo pela dedicação em pleno e em exclusivo a estes seres que nos engolem na nossa plenitude, a constante exigência e, às vezes, as Mães cansadas também choram.  Choram de amor, choram por não saber, choram por insegurança, choram de medo, choram de preocupação, choram de cansaço.

Mas às vezes as mães não contam.

Não contam que choram, não contam que é difícil, não contam que ser Mãe é cansativo. Os timelines de fotografias felizes e bonitas, a pressão social de que tudo na maternidade é maravilhoso e de que as Mães têm que estar sempre felizes, tende a falar mais alto.

Confesso que tenho dias que me apetece sair a correr, bater com a porta, deixar para alguém tratar e só chegar quando já estiverem a dormir.

Confesso também que, por vezes, um simples sorriso desfaz como que por magia este cansaço. Um olhar cúmplice que me enche de força para estar outra vez pronta para tudo, mas no entanto, uma coisa não anula a outra.

O amor, a felicidade e a alegria da maternidade não impedem que o corpo e a cabeça façam tilt, não impedem que tenhamos dias difíceis, dias cansativos demais.

O cansaço é legitimo, porque as Mães são humanas, e nós as Mães também nos cansamos.

imagem@babble.com

Elogio aos pais.
É chegada a altura de aplaudir os pais.

  • Os que sabem que não existem apenas para “ajudar” a mãe quando ela precisa.
  • Os que voltam a ser crianças perto dos filhos.
  • Os que nunca descem da pose mas são os maiores pais que há.
  • Os pais que brincam e se sujam.
  • Os que não deixaram de ser quem são depois de terem sido pais.
  • Os pais que ficam cansados mas depressa recuperam.
  • Os que ficam na ronha com os filhos ao sábado de manhã.
  • Os pais que aproveitam o sábado de manhã para ir andar de bicicleta com os filhos.
  • Os que ensinam.
  • Os pais que explicam e não se escusam com o “não ias perceber”.
  • Os que reconhecem que não sabem tudo.
  • Os pais que são solteiros e se desdobram em mil para que nada falte.
  • Os que são separados e se desdobram em mil para que nada falte.
  • Os pais que estão juntos e se desdobram em mil para que nada falte.
  • Os pais que ouvem Panda e os Caricas no carro porque isso deixa a prole feliz.
  • Os que fazem questão de ouvir rádio no carro para a prole ter contacto com todos os tipos de música.
  • Os pais que ajudam a fazer os trabalhos de casa.
  • Os que estão longe e do longe fazem perto.
  • Os pais que estão perto e aproveitam essa sorte.
  • Os que não deixam as más ou boas relações com a mãe interferir no tipo de pai que são.
  • Os pais que não ofendem os filhos nem os culpam pelos seus erros.
  • Os que sabem pedir desculpa.
  • Os pais que erram, mas que tentam ser melhores.
  • Os que têm sentido de humor e se divertem com as traquinices dos filhos.
  • Os pais que sabem vestir os filhos com as peças de roupa a condizer.
  • Os pais que vestem os filhos como se tivessem tirado a roupa do roupeiro às escuras.
  • Os que incentivam os filhos a chegar mais longe.
  • Os pais que sabem reconhecer que os seus filhos não são perfeitos.
  • Os que sentem orgulho dos filhos e lhes dizem.
  • Os pais que sentem orgulho dos filhos mas só o demonstram sem dizer.
  • Os que inventam histórias na hora de ir dormir.
  • Os pais que sabem os nomes das princesas dos desenhos animados.
  • Os que trauteiam a música dos ”coloridos” ou da “ovelha choné”.
  • Os pais protectores.
  • Os que deixam os filhos cair para aprenderem.
  • Os pais que repreendem os filhos.
  • Os que sempre sonharam ter tantos filhos quanto jogadores numa equipa de futebol.
  • Os pais que nunca quiseram deixar um legado e se surpreendem todos os dias.
  • Os pais que não desistiram quando tiveram um filho com algum tipo de doença ou deficiência.
  • Os que tiveram medo no princípio mas depois perceberam que o medo só os tornava humanos.
  • Os pais que tiveram sempre tudo sobre controlo e hoje percebem que não controlam nada.
  • Os pais que dormem bem.
  • Os que não conseguem dormir bem.
  • Os pais que sabem a sorte que é poder dar banho, dar jantar, estar presente.
  • Os pais que são pais.

Seja de que forma for.

Feliz dia do Pai!

Ao meu pai, ao pai da minha filha (de nada, querida), ao pai da minha sobrinha (que calha ser meu irmão).

A todos os pais.

Quando tiveres filhos, não sejas esse tipo de mãe. Não sejas a mãe que…

Eu ainda não tenho filhos, mas adoro crianças e faz parte do meu plano de vida um dia constituir família. Não preciso de me casar de véu, grinalda e flores de laranjeira. Basta que encontre o amor verdadeiro. Claro que, não significa que seja para toda a vida! Eu adoraria, mas sejamos realistas… vivemos, cada vez mais, numa época em que tudo é tão efémero, instantâneo, ao momento, à flor da pele, que já não ponho as mãos no fogo por relação nenhuma. Exepto as relações mãe/pai e filhos. Essas acredito que sejam eternas. Mesmo quando há zangas, mesmo quando vivem separados, mesmo quando estão à beira da exaustão.

Porque o amor pelos filhos é (dizem) incondicional.

Sou o tipo de tia que sempre que posso fico com os meus sobrinhos. Gosto de passar tempo com eles. Sei que a mãe muitas vezes não consegue dar-lhes a atenção que gostaria… na verdade é muito injusto: quando se tem tempo disponível, ainda não se tem filhos; depois dos filhos nascidos, as mães não têm tempo para nada. E vivem numa roda viva a fazer das tripas coração para conseguirem o que elas próprias consideram os mínimos diários para o bem estar dos miúdos e da família. São as mães “heróis”.

Eu ainda não tenho filhos, mas adoro observar as dinâmicas de uma família.

Sei que, um dia, quando também eu for mãe, terei uma perspectiva totalmente diferente sobre o assunto. Sei que agora não sei nada sobre maternidade e que, provavelmente, um dia hei-de engolir estas palavras. Eu espero que um dia eu leia estas linhas e aprenda com o meu “eu” antes de ser mãe. Por isso, aqui deixo, de uma mulher sem filhos para as mães experientes, polivalentes e exaustas, as minhas reflexões para reler dentro de uns anos, quando também eu for mãe.

Quando tiveres filhos, não sejas esse tipo de mãe

1. Não sejas a mãe que está sempre agarrada ao telemóvel.

Se há coisa que me inquinita é uma mãe numa fila de espera com crianças, e a jogar/falar no telemóvel. Sim, é uma seca esperar… por isso, para os miúdos também é. Aproveita para conversar com eles, fazer jogos de mãos, aprender aquela música que cantam no colégio, ou ensinar-lhes um jogo qualquer. Treinem rimas, digam o nome dos países ou das cores ou de animais. Para cada idade um comportamento diferente. Aproveita os tempo mortos para conectar com os teus filhos.

2. Não sejas a mãe que entrega o telemóvel de mão beijada, só para sossegares a cabeça.

Claro que é na sequência da situação anterior: é tão mau uma mãe pôr-se a jogar deixando os filhos a olhar para o tecto, como entregar-lhes o telemóvel, para poder ficar a olhar para as unhas, sossegada.

3. Não sejas a mãe que promete e não cumpre

As crianças acreditam piamente no que as mães dizem. Se não consegues fazer qualquer coisa não prometas. As expectativas criadas pelas crianças são bastantes elevadas, e a desilusão torna-se muito grande. Eu que o diga.

4. Não sejas a mãe que exige demais dos filhos

As crianças, em primeiro lugar, precisam de ser crianças. Precisam de brincar, de fazer disparates, de rir de patetices, de sonhar, de vestir as calças ao contrário, e de entornar o copo de água ao jantar mais vezes do que aquilo que querias. Dá-lhes tempo. Quando crescerem nunca voltarão a ser crianças. Aproveita o agora.

5. Não sejas a mãe”Eu avisei-te!”

Tenta ser a mãe que previne de forma positiva e que consegue de facto evitar o acidente. Gritar “Pára de correr que vais cair” , entra a 100 e sai a 200 nos sensores de uma criança com a adrenalina a fervilhar. Experimenta ir ter com o teu filho e pará-o. Acalmá-lo. Explicar-lhe que se continua a correr  pode cair e magoar-se. Ou então não digas nada. Deixa-o estar. Deixa-o correr. As crianças precisam de aprender quais os seus limites e para isso, por vezes têm de cair. Mas em qualquer uma das situações, diz-lhe que se cair estarás lá para o apoiar.

6. Não sejas a mãe que grita com os filhos por dá cá aquela palha

Todos temos maus dias. Mas vejo, muitas vezes, as mães a descarregarem nos filhos por tudo e por nada. Se chegam atrasados à escola, é porque ele demorou muito a vestir-se. Se te enganas no caminho quando vais no carro, é porque ele ia a conversar. Se não trouxeste o troco do café, é porque ele não parava quieto. Esquece, assume as culpas. Tu é que tens de acordar mais cedo; tu é que tens de pensar antes de arrancar com o carro e definir o caminho; Tu é que tens de levantar o troco do café independentemente de tudo! Tu, Tu e Tu. Ok, eles desestabilizam? Deal with it! Mas sem gritos.

7. Não sejas a mãe que avia 3 palmadas à criança para aliviar a tensão de cima dos ombros

Os filhos têm o condão de tirar as mães do sério. Mas tenta responder com atitudes positivas. Explica o bem e ensina-o a agir corretamente. As crianças aprendem através do exemplo, e mais facilmente com amor do que com palmadas. Dá uma chance aos abraços. Mesmo quando te apetece avançar para o disparate. Verás que a atitude deles será diferente e irá ao encontro da tua.

8. Não sejas a mãe que diz mal dos outros à frente dos filhos

Vais no elevador com a vizinha de cima, e a criança pergunta “Oh mãe, é esta a gorda que anda de saltos altos em casa?”
Cuscar e dizer mal à frente das crianças não só é um péssimo exemplo como é uma má jogada: os miúdos não têm filtros, e à primeira oportunidade vão falar onde não devem, criando situações, obviamente muito desagradáveis (Ver ponto 6. – A culpa é tua porque falaste demais)

9. Não sejas a mãe que ignora os filhos

Um coisa é criar crianças autónomas e dar-lhes espaço e ferramentas para tal. Outra coisa são as mães que no pretexto da sua atitude “prá frentex” de deixar que a criança faça tudo sozinha, se acomodam numa maternidade preguiçosa. Se a criança pede ajuda para colorir o desenho ou acabar de montar o Lego, dá-lhe atenção. Mesmo quando sabes que eles conseguem concluir a tarefa sozinhos. Muitas vezes estão cansados e precisam de atenção. Dá-lhes essa atenção.

10. Não sejas a mãe que não tem tempo para os filhos.

Os teus filhos precisam de ti. Não é dos avós, da professora, dos carros de bombeiro e das bicicletas. Não é das viagens, dos chocolates do aeroporto, nem dos passeios de barco ou mota de água. É dos pais.  Eu sei que também precisas de ti e mereces esse tempo. Para sair com amigos, ir ao cinema, aos concertos e beber um copo.

Precisas disso para estar bem, e se estiveres bem terás mais disponibilidade emocional para os miúdos. Mas podes fazer tudo isso e conversar diariamente com os teus filhos, apoia-los incondicionalmente, beijá-los de manhã e à noite, confortá-los sempre que preciso, e dizer-lhes que os amas até ao fim dos teus dias.

Se não, corres o risco de amanhã acordar e teres um desconhecido de 14 anos dentro de casa.

Por isso, lembra-te:

de alguém que não tem filhos e ainda vive muito o papel de filha; de uma tia que ama os seus sobrinhos como se não fosse possível gostar de alguém mais que isto, não sejas a mãe que acaba de ler isto e desvaloriza cada palavra porque eu ainda não tenho filhos.

Faz um pequeno exercício: conta quantas das alíneas anteriores correspondem às tuas atitudes com os teus filhos, e faz o balanço.

E quando eu tiver os meus filhos, espero que haja alguém de fora que me de um abanão sempre que for preciso, e me digam: não sejas “A mãe que…nunca quiseste ser”

 

 

 

 

 

Fecho os olhos e consigo voltar àquele momento, no quarto da maternidade, em que éramos só nós as duas. Tu ainda mal te apercebias do que te rodeava, estavas adormecida como defesa dos estímulos constantes do mundo onde vieste parar… e eu aninhava-te no meu colo e ficava a ouvir-te respirar, a conhecer cada centímetro teu que antes só conhecia nos meus sonhos e nos movimentos que fazias cá dentro.

Passou mais de um ano e meio desde esse dia. Ainda temos este ritual em que te aninhas em mim e eu me deixo levar pela tua respiração… mas os teus olhos estão abertos e espertos e já sabes muito, bastante do que te ensinámos e outro tanto do que foste descobrindo sozinha.

Levas a mão ao peito instintivamente quando há um barulho súbito e declaras “shush”, que é como quem diz “ai que susto”.

Comes sozinha com a colher e a maior parte das vezes dispensas qualquer tipo de ajuda.

Sabes como colocar as fraldas nas tuas bonecas, mesmo que na maior parte das vezes não consigas fazê-lo sozinha.

Andas no baloiço enquanto te empurro, sem que seja preciso segurar-te.

Dizes “tá tá” quando termino de te secar o cabelo, anunciando que “já está”.

Usas a expressão “mais!” como gente grande e sempre no contexto correcto.

Identificas todas as pessoas da família e amigos mais próximos. Sabes que avô ou avó vamos visitar assim que entramos no átrio do seu prédio, percebes perfeitamente com quem falas ao telefone.

Cumprimentas as pessoas (e as árvores, e os cães e muitas vezes até os brinquedos) com um “olá, olá” contagiante.

Chamas quase diariamente a tua prima (“Nô!”) e só descansas quando te mostro a fotografia dela ou quando estão juntas e a abraças com um enorme sorriso nos lábios.

Despedes-te dos teus dois bonecos de estimação que te acompanham nas refeições com um beijinho antes de ires dormir.

Percebes perfeitamente tudo o que te dizemos, mesmo quando finges que não nos ouves.

Não te esqueces de nada nem de ninguém. Se alguém te encontra e cheira as mãos e diz que são muito cheirosas, no próximo encontro és tu quem estica de imediato as mãos para que chegue o elogio.

Tens um amigo de sempre na creche, que conheceste aos quatro meses e meio e é o teu companheiro de brincadeiras. Se o vemos ao longe a encaminhar-se com a mãe para a creche, pedes-me para ir para o chão e segues a correr.

Adoras livros e gostas de os ler e procurar os símbolos conhecidos e descobrir alguns que ainda não te tinham saltado à vista. Gostas de me chamar para que os veja e para que te possas sentar ao meu colo, no puff.

Adoras carrinhos e bolas de futebol e não tens medo nem vergonha de te intrometer no jogo de meninos mais velhos.

Arrumas o que desarrumas.

Cantas.

Ris com os olhos.

Já chegaste muito longe e o teu desonvolvimento encanta-me, surpreeende-me e deixa-me cheia de orgulho.

Vou continuar a puxar por ti para que dês sempre o melhor que tens e és.

Mas prometo não me esquecer que mesmo fazendo tudo isto és um bebé. Dezoito meses parecem muito para um bebé, mas tens direito aos teus limites e juro que não vou exigir mais de ti do que podes dar.

Somos uma equipa.

E em breve as nossas conversas ficarão mais claras pelas palavras que conseguirás usar, mas continuarão a dispensar qualquer floreado. Falamos mais com o coração, o olhar e o sorriso do que com sons.

Como no primeiro dia.

Como estás crescida, meu amor…

Porque devemos abraçar os nossos filhos quando agem mal?

Estou farta.

Estou completamente farta de explosões emocionais, estou farta que me desafie, e do “não me podes obrigar”, e de portas a bater.

Há alturas que só me apetece arrastá-lo pela t-shirt e obriga-lo a apanhar os sapatos do chão e acabar com estas atitudes de vez.

A última coisa que me apetece fazer é abraça-lo, mas faço-o na mesma.

Abro a porta (depois de me bater com ela na cara) e pergunto-lhe: ”Queres um abraço?

Inicialmente ele resistia mas hoje em dia não. Hoje em dia derrete-se nos meu braços e chora como um bebé oprimido e inseguro.

Hoje, apesar de ser a ultima coisa que me apetecia fazer, apesar de ele ter tido uma péssima atitude comigo, o que ele precisava era mesmo de um abraço. Era o que precisávamos os dois.

Porquê?

Porque devemos abraçar os nossos filhos quando agem mal?

Passo a explicar:

Porque os nossos filhos aprendem mais com amor do que com castigos. Um abraço e uma conversa sobre o que se está a passar resultam melhor do que gritar e castigar.

Porque, às vezes, quando os nossos filhos “se passam”, a sua reação é um grito de ajuda. Talvez não saibam exprimir os seus sentimentos de uma forma mais apropriada, ou talvez haja mais qualquer coisa que os incomode, os stresse ou que os esteja a frustrar e, um abraço pode abrir uma janela à conversa sobre o que realmente se passa, para que possamos lidar e ajudá-los a lidar com a situação.

Porque, às vezes quando os nossos filhos se sentem mal consigo próprios, sentem que não merecem carinho e o nosso respeito e agem de forma a não serem tratados com carinho e respeito. E se reagimos negativamente e com “raiva” estamos a validar os sentimentos deles, e começa um ciclo vicioso. Quebre o ciclo e abrace-o. Lembre-lhes que cometer um erro não os torna numa má pessoa.

Porque uma das melhoras formas de fazer com que os nossos filhos cooperem, é criando laços. Com uma relação forte pais e filhos, as crianças têm tendência a agir de forma correta a maior parte das vezes. E nas alturas em que não o fizerem, ou não o conseguirem fazer, um simples abraço é a chave para nos conectarmos emocionalmente.

Porque o amor pelos nossos filhos é incondicional.

Podemos não gostar da atitude ou de um comportamento, mas continuamos a amá-los até ao último dia das nossas vidas. E as crianças precisam de saber isso, e por vezes temos de relembra-las vezes e vezes sem conta, especialmente quando estão em baixo.

Porque, às vezes, somos nós pais que precisamos de um abraço. Quando os nossos filhos estão a sofrer, ou frustrados, ou a atacar-nos e não sabemos mais como lidar com eles, às vezes, somos nós que precisamos de nos conectar, precisamos de reforçar a  confiança e de um abraço.

Por isso da próxima vez que perderem a sintonia e o seu filho se estiver a passar, abrace-o.

Eu sei que às vezes é difícil controlar os sentimentos.
Eu sei que às vezes eles vão rejeitar esse abraço, principalmente se tiver filhos na pré-adolescência e adolescência.

Mas abrace-o na mesma.

Porque, às vezes, um simples abraço é a melhor resposta a um comportamento negativo.

 

Por Picklebums, parenting
Traduzido e adaptado com autorização por Up To Kids®, 

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Já estive do outro lado, do lado infeliz, do lado cansado… ao mesmo tempo que, por uns minutos, tinha laivos do lado feliz da maternidade. Esta mudança deveu-se muito a dormir melhor, mas também a tratar da minha ansiedade e a voltar a trabalhar.
Coisas que noto em mim, agora que está tudo mais calmo:
(não sei quanto tempo durará, mas sei que não será assim sempre e para sempre)
  • Quando a Irene me chama de manhã para acordar, vou cheia de vontade de a ver e entro no quarto com alegria e a brincar com ela e cheia de vontade de a mimar. – Dantes entrava triste, cabisbaixa, sem lhe passar alegria nenhuma por estar tão cansada e até zangada por ter sido acordada.
  • Consigo arranjar estratégias mais criativas para contornar problemas temperamentais. Dantes, assim que ela me dissesse que não queria trocar a fralda (assim que acorda), ficava logo enervada. Agora, brinco e lá se muda a fralda até de uma maneira divertida.
  • Tenho mais vontade de a integrar nas minhas tarefas. Em vez de a privar de ver a mãe a cozinhar (como se  eu cozinhasse) ou a maquilhar-se, tenho vontade de lhe mostrar o que são batons, as cores, etc. Dantes ela ficaria excluída e dir-lhe-ia só “isto é dos crescidos“.
  • Preparo-lhe os lanchinhos (e para mim também). Ontem lavei e cortei os morangos todos para, sempre que ela quiser, ser só servir.
  • Presto mais atenção aos detalhes dela. Às vezes ela anda com as unhas mais tortas ou com o cabelo menos penteado ou, quando vamos à rua, visto-lhe a primeira coisa que me aparece à frente. Agora, até as unhas limei, tive finalmente paciência para inventar uma brincadeira para lhe conseguir secar o cabelo, ponho-lhe creminho da cara na cara, faço-lhe massagens nos pés depois do banho e escolho com imenso gosto e carinho a roupa que ela vai usar (se depois resulta, isso é outra coisa).
  • Menos ipad e mais livros. Estou mais disponível para lhe dar de comer e para lhe contar histórias e ler coisas que impliquem paciência e não a despacho para o ipad.
  • Mais dança! Mais vontade de por música a tocar, inventar coreografias, mais actividade física.
  • Mais gosto em adormecê-la. Adormecê-la deixou de ser uma tortura e passou a ser um momento maravilhoso em que contemplo e saboreio e depois sinto um prazer enorme em que ela se “entregue ao sono” por se sentir protegida pela mãe que está ali ao lado dela.
  • Mais carinho físico. Acaricio-a mais vezes, dou-lhe mais mimos, olho mais para ela, sorrimos mais juntas. Há mais silêncio.
  • Maior vontade de fazer planos diferentes. Principalmente agora que o tempo não tem estado grande espingarda, apetece-me ensiná-la a descascar a banana para os bolos, a mexer nos ovos cozidos, a experimentar aulas de natação (ainda tenho de ir ver disto).
  • Vejo-a mais como ela é e o crescimento dela. O tempo abranda um bocadinho e consigo vê-la a crescer, que qualidades tem, como será a personalidade dela…
Isto tudo para vos dizer: se tiverem algo que vos esteja a impedir de serem felizes, resolvam! Ajam! Cada dia que passa é mais um que poderia ter sido muito mais fabuloso. E o bom disto é que, assim que descubramos como é bom quando as coisas correm assim, não queremos outra coisa e facilmente voltamos ao nosso equilíbrio.
Assim, sim!

Pura e simplesmente Mãe. Mãe cansada.

Ontem à noite o meu filho de 4 anos foi para a minha cama.
Dormiu lindamente.
Eu não dormi, claro. Dormir com um miúdo de 4 anos é como dormir com uns ponteiros de relógio. À medida que a noite avançava, acordava inevitavelmente com um pé na cara, depois uma mão, e passado uma hora outra vez os pés!
Acordei cansada. Aliás, mais do que cansada, acordei de rastos.
Ele acordou feliz.
“Adoro-te mãe!”
Ele não tem noção de quão cansada eu fico por ele vir dormir comigo, nem como ficam as minhas costas, e que na verdade quando acordamos eu só queria dormir mais cinco minutos.
Ele só fica grato e feliz por olhar para mim.

E tu?Também és uma Super Mãe cansada?

Acordas a desejar que o dia tivesse mais horas? Fazes tudo até à exaustão extrapondo aquilo que julgavas ser os teus limites?

Trabalhas? Lidas com miúdos que passam a vida a discutir sobre de quem é a vez de jogar? Questionas-te se aquilo que fazes diariamente faz ou não a diferença na tua família? Estás farta de viver diariamente a mesma rotina?
Às vezes ser mãe significa, simplesmente, estar sempre cansada.
Às vezes ser mãe significa sentir um vazio de solidão. Como se ninguém se apercebesse daquilo que fazes. Do teu trabalho “invisível”. Na verdade ninguém sabe que eu dormi uns sólidos 43.7 minutos de sono a noite passada, a não ser vocês, e porque eu escrevi aqui.

A maternidade é tão entregue a si própria e tão fechada nas nossas casas que é geralmente subvalorizada.

Nós trabalhamos. Nós passamos o dia a cozinhar, e às vezes pratos diferentes para as idades diferentes dos filhos. Às vezes cozinhamos mais que uma vez o mesmo prato porque deixamos queimar o primeiro.

Apanhamos pequenos brinquedos e peças de lego do chão, e perguntamo-nos de onde vem tanta coisa. Dobramos toalhas, emparelhamos meias, marcamos consultas e falamos com os médicos. Limpamos impressões digitais das paredes. Primeiro com um toalhete, e se não sair vai de esponja mágica, ou detergente em spray.

Lavamos caras e mãos pegajosas (também pode ser primeiro com um toalhete para disfarçar), ajudamo-los com os TPC, arrumamos a cozinha, limpamos o micro-ondas depois de um miúdo de 9 anos aquecer qualquer coisa durante tempo de mais. Saímos para trabalhar, voltamos do emprego, apanhamos miúdos no colégio, trabalhamos em casa, somos mães todo o dia, fazemos tudo o que nos compete, e depois vamos para a cama dormir.
Podem sempre argumentar que a maternidade é assim, e que ao longo dos tempos todas as mães fizeram isto.
Mas sabem que mais? Pois fizemos. Desde o princípio dos tempos, as mães sempre se levantaram de manhã, tiveram de lidar com os assuntos dos seus filhos, com problemas financeiros, com problemas das escolas, problemas de saúde, e por aí fora.

Mas lá porque sempre foi assim, não significa que a maternidade não seja honrada e celebrada.

A Maternidade e a paternidade são algo extraordinário. Não são só arco-íris e dias de sol, e póneis cor-de-rosa a saltar de mãos dadas nas nuvens. É algo real, que acarta muita responsabilidade e que é diariamente difícil e desafiante. Pequenas coisas que achávamos não valorizar muito, podem por vezes levar-nos aos limites – basta meter um filho nosso ao barulho. Como é que uma “coisa” que que nos dá tantas alegrias e nos pões constantemente de sorriso na cara a soltar umas gargalhadas parvas do nada,  de repente nos faz querer arrancar o cabelo da própria cabeça?

Saímos de casa de manhã para ir trabalhar. Fazer aquilo que somos. Sorrimos para outras mães da pré-escola e pedimos os nossos cafés cheios ou pingados ou como gostamos de tomá-los e sorrimos. Pegamos no carro ou vamos de transportes para o nosso local de trabalho e cruzamo-nos com outras mães com crianças e sorrimos.

A questão é: não estás sozinha. Ouviste? Não. Estás. So – zi – nha.

As outras mães no pré-escolar, no café, nos transportes, no supermercado, nas consultas médicas, em todo o lado que andas e passas podem estar tão cansadas como tu. A questionarem-se sobre a maternidade. E no entanto, a fazer das tripas coração pelos seus filhos.

Então, hoje eu levanto-me para homenagear todas as mães cansadas e no entanto fantásticas na maternidade.

A mãe que sofre de privação de sono.

A mãe que precisa de ser encorajada.

A mãe que trabalha, e trabalha, e trabalha para a sua família e no entanto ninguém dá valor.

A mãe com 3 crianças com menos de 4 anos.

A mãe do recém-nascido que não que comer ou dormir.

A mãe dos adolescentes que fica acordada até tarde à espera que cheguem.

A Ti mãe. Pura e simplesmente Mãe.

A maternidade é uma viagem dos bravos. Sempre foi um acto de bravura criar crianças independentes que esticam os limites, que nos derretem o coração e que amaremos para sempre mesmo quando nos levam à loucura.
Porque é isto que andamos a fazer. Mesmo nos dias mais cansativos.
Tu. A mãe incrível, brava, poderosa, que sofre de privação de sono, fantástica e cool, andas a criar Humanos.

Haverá algo mais importante e gratificante no planeta?

Aliás, quem precisa de dormir, certo?

(Hoje o melhor é pedir logo dois cafés e beber de penalty….)

 

imagem@tumbrl

Por Rachel M. Martin, no blog Findingjoy, publicado por Huffingtonepost

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