O que desejo neste dia é que todos os pais tenham em si um pouco do pai da Malala.

Malala Yousafzai cresceu num país onde as mulheres são vistas como seres inferiores. Onde é proibido frequentarem a escola. Onde a taxa de iliteracia ronda uns chocantes 70%.

Malala foi criada como o ser humano capaz que é, independentemente do seu género. Foi educada da mesma forma que os irmãos rapazes. E conforme foi crescendo quis ser mais, quis ser maior. Acreditava num mundo diferente daquele onde vivia.

Onde a educação tinha um papel crucial, principalmente pela forma como o seu pai, professor, via a realidade. E o seu pai não a calou. Podia, afinal viviam num país machista e misógino onde as raparigas deveriam ficar em casa e aprender a cozinhar para o pai e os seus irmãos rapazes. Mas o seu pai, professor e ele próprio activista do direito à educação, amou-a incondicionalmente. Inspirou-a a perceber como a educação era essencial. Fê-la acreditar que a sua voz importa. Apoiou-a, apesar do medo que sempre sentiu. Porque apoiar as convicções de Malala era aceitar que ela corria perigo. E ele poderia ter feito o seu trabalho e apoiado as raparigas que queriam deixar a iliteracia para trás e conseguir independência sem deixar a filha ser o seu maior exemplo.

Mas o pai de Malala fez o oposto. Viu-a fazer frente às autoridades paquistanesas e, por isso, ser cobardemente atingida por tiros. Tinha 15 anos.

Malala foi ferida mas não silenciada.

E teve o pai sempre do seu lado.

O seu nome é Ziauddin Yousafzai e decidiu lutar pelos direitos das mulheres porque, ao crescer, nunca viu escrito o nome das suas irmãs em lado algum – como se não fossem dignas de existirem, serem contabilizadas e deixarem a sua marca por serem mulheres. Porque as deixava em casa quando ia para a escola e não percebia por que motivo não havia a partilha de conhecimento com elas.

O meu desejo para este dia e todos os que a ele se seguem é que todos os pais do mundo sejam capazes de lutar pelos direitos dos seus filhos.

Os oiçam e valorizem.

Lhes dêem a mão quando o caminho é difícil.

Os amem incondicionalmente, os aceitem e os ensinem a falar por si.

A procurar a verdade.

A defender a justiça e a igualdade.

Os ensinem a brincar.

A estudar. E não falo apenas dos manuais escolares, falo do mundo.

O mundo que chega às crianças pela nossa mão. Que seja um mundo interessante, com lugar para curiosidade (e curiosidades), histórias de países próximos e distantes e dos seus povos, dos artistas e dos grandes homens e mulheres que determinaram a história. Das invenções, das descobertas. Do desporto, da música e das artes em geral. A natureza e a necessidade de nos equilibrarmos com ela.

Os ensinem a importância de corrigir os seus erros.

A sentir e a permitirem-se expressar emoções.

Os nossos filhos serão sempre uma parte dos seus pais.

Que essa parte seja a melhor.

Feliz Dia do Pai.

Ao Pai do meu filho

Querido Pai do meu filho, não leves a mal que te chame assim, mas este é o teu papel que mais me encanta!

És muito mais que pai do meu filho… És meu amigo, meu ouvinte, companheiro de uma vida… Ouves os meus risos e desabafos, dás-me um terno beijo ou um simples ombro amigo.

Nem sempre foi fácil o nosso percurso até aqui. Mas o bom, é que mesmo os momentos difíceis, foram feitos de mãos dadas! Conseguimos chatear-nos apoiando-nos um ao outro sempre. E isso é bom!

Já lá vão uns anitos, mas os últimos têm sido sem dúvida, os mais desafiantes e em simultâneo os mais bonitos das nossas vidas.

Quero-te dizer que sonhei com este momento.

Sonhei com os dias em que me sentaria numa pedra ao sol, simplesmente a ver-te jogar à bola com o nosso filho.

Sonhei com as gargalhadas que dariam juntos e que eu ia ouvir à distância, enquanto preparava o jantar.

Sonhei com os sons a imitar carros ou animais que ias ensinar-lhe, com o som das vossas mãos no ar quando dão mais 5 um ao outro.

Sonhei que a nossa vida juntos daria frutos, e como sonhei, fez-nos mais felizes, mais completos e com mais sentido.

Têm sido uma batalha, é certo, mas uma batalha daquelas que só juntos superaríamos.

Chamo-te Pai do meu filho porque tens desempenhado este papel na perfeição!

És Pai, amigo, cuidador, educador, e companheiro e foi com isso que sonhei.

E se o papel da minha vida é ser a mãe, tu encaixas, sem dúvida, no papel de Pai do meu filho.

imagem@shutterstock

Homens com filhos vs Mulheres com filhos

Há uns tempos falava com uma amiga sobre uma pessoa que ambas conhecíamos e que era agora pai. A conclusão a que se chegou, sendo a pessoa em causa um pai carinhoso e extremoso é que era “muito sexy um homem que é bom pai”. E por sexy entenda-se apelativo, as mulheres gostam de ver, de ficar a observar, há algo dentro delas que se desmancha e que lhes transmite uma tranquilidade, algo que as faz pensar que é boa pessoa, sem qualquer sombra de dúvidas, porque afinal, é bom pai.

Pensava eu sobre este assunto e deparei-me com a diferença de julgamento que a sociedade faz em relação as homens e mulheres com filhos no geral e, em particular, quando esses homens e essas mulheres são solteiras (divorciadas, separadas, solteiras de “raiz”).

A verdade é que hoje em dia muito menos casamentos/relações se mantém por causa dos filhos, em comparação com o que acontecia na geração dos nossos pais. É certo que em alguns casos parece a quem está de fora que as pessoas mandam a toalha ao chão com demasiada facilidade, quando antigamente se “lutava”, mas acredito que cada caso é um caso. E as pessoas sentem menos dependência financeira e tomam mais decisões com vista ao seu bem-estar, ao bem-estar e felicidade dos seus filhos, procuram ser verdadeiros consigo e com os outros. E por isso há homens e mulheres relativamente novos que têm filhos.

Tenho uma amiga que tem três filhos, cada um de um pai diferente. Se eu contasse a quantidade de vezes que ouvi comentários depreciativos em relação a essa questão já tinha perdido o fôlego. Não sejamos cínicos, olha-se ainda de “dedo apontado” para estas pessoas, principalmente se forem mulheres. Se teve um filho com cada homem é porque não deve ser coisa boa, quem é que a atura, vai fazer filhos com o primeiro que mete dentro de casa. Se for um homem é porque não encontrou a companheira certa, a pessoa que o fará assentar. Que sabemos nós sobre a vida das pessoas? Quem somos nós para julgar?

Eu também julgo, sou humana, mas acontece-me mais sentir uma certa admiração por estas pessoas. Uma pessoa que quis ir em frente, que acreditou que tinha encontrado a pessoa certa ao ponto de ter um filho com ele, uma pessoa cujo valor é independente das escolhas que faz porque quantas e quantas vezes a vida nos acontece mesmo quando fazemos tudo certo, quando só queremos o nosso bem, o bem dos nossos filhos, um futuro estável?

Se se fala a uma amiga solteira de outro amigo mas avisamos que tem filhos, que passa tempo com eles, que é um pai dedicado, então a amiga pensa: “deve ser maduro”. Pensa “é altruísta”. “Mesmo tendo filhos quero conhecê-lo, pode ser complicado, mas dá-se um jeito, logo se vê”.

Se falamos de uma amiga que tem filhos a um amigo franze logo o cenho. “ As mães são muito complicadas, trazem muita bagagem. De certeza que põe os filhos em primeiro lugar (spoiler alert: se uma mulher que é mãe não puser os filhos à frente de um desconhecido que a quer levar a jantar fora então é caso para ficar de pé atrás, digo eu), não vai ter tempo para mim”.

Ainda que muito do que foi filtrado em ambas as conversas possa ser verdade, no caso dos homens os filhos são um atrativo, no caso das mulheres um obstáculo.

Talvez seja por ser mãe, mas defendo sempre uma mulher que, apesar de ter filhos, quer continuar a ser uma mulher. E se já é absolutamente fantástico uma mulher conseguir ser amiga, inteligente, interessante, culta, boa no seu trabalho, boa mãe, então se essa pessoa decide encontrar espaço para a sua felicidade e a procura então passa de fantástica a épica.

Felizmente ainda há homens que as vêem assim, que decidem arriscar, que apesar do medo que sentem, das inseguranças que todo um passado traz para uma relação, dão um passo em frente.

E há mulheres também que se apaixonam e se dedicam a fazer as coisas funcionar com homens que apesar de serem bons pais têm histórias complicadas com a família e, mesmo assim, não fogem.

Porque se um pai ou uma mãe deixar entrar uma pessoa nova no seu círculo, a deixar chegar perto dos filhos, então é porque também ele/ela fez uma escolha e para o bem de todos espera-se que tenha sido das boas.

Hoje em dia é tramado encontrar alguém bom.

E ser pai ou ser mãe é uma característica, não um defeito.

Oh, se está longe de ser um defeito…

Mas que sei eu? Sou simplesmente uma mãe.

Sou pai. O teu pai.
Saboreio com receio que me escape por entre os dedos o teu crescimento.
Num piscar de olhos, fazes três anos. Já devia ter aprendido com os outros dois, que o tempo é cavalo bravo à solta no campo da nossa existência!
Sou pai. Sou o teu pai. E tu cresceste tão rápido. Os teus irmãos ajudam-nos muito a educar-te. Eles são a prova da passagem do tempo. Ainda ontem eram como tu.
Já não me lembro se foste planeada. Não me lembro do dia do teu primeiro sorriso. Não me lembro…
E tenho medo de não me lembrar do teu sorriso dos três anos. Quero olhar para ti e fotografar-te com os olhos. Para que cresças, claro, leve, livre, solta para o mundo, mas que ao mesmo tempo sejas essa menina muito tempo.
Sou pai. Sou pai e não sou dono das noites que não dormimos. Não sou dono das palavras novas que aprendes todos os dias.
Só sou pai. As tuas Educadoras ajudam-te tanto. Eu, sou só pai. E tento não pensar que falhei. Tento esquecer os atrasos. Os dias corridos sem te poder levar à escola.
Sou pai, só o teu moço pai, sou pai na mercearia, na igreja, no parque, no baloiço, na mensagem que gravei para ouvires no telefone da mãe. Sou pai e ouço o brummm desta locomotiva. Rápida. Esta passagem do tempo.
Num piscar de olhos, estarás mais e mais crescida. Hoje disseste que o pai estava velhinho. Sua marota.
Velhinho como o avô Jaime. Tens cada uma Maria .
Só sei ser o teu pai. Não posso parar as estrelas. Não sei desligar tempestades. Mal sei trocar uma lâmpada. Mas serei só pai. Contarei histórias de dormir. Contarei histórias de acordar. Ficarei feliz por cresceres. Mas não dá para o tempo parar?
Parabéns Maria! Três anos. E eu, só estou a tentar aprender a ser teu pai. E é tão bom

Noutro dia, com outras noites

Ainda não tinha reparado que está sol. Passei pelo vizinho, mal o cumprimentei. Tivemos um pedido de orçamento e bloqueei…compliquei…

Por vezes, precisamos ser nossos amigos! 

Parei, pensei e entendi. Há quantas noites não se dorme uma noite seguida lá em casa? 

Ou por isto, ou por aquilo, não têm sido noites tranquilas. Um chora, outro vomita…

Convém saber parar e analisar o porquê de estarmos ranzinzas. A capacidade de nos vermos “de fora”, ajuda-nos a descobrir causas para mudanças de humor.

Compreender estas emoções tóxicas é fundamental. Não é fugir. É compreender.

Sermos demasiado críticos com a nossa própria atitude, pode trazer incapacidade de enfrentar as situações.

Assim, resumindo: 

  • Qual o dado externo e fora do seu controlo, que tem corrido mal? O que o tem cansado?
  • Usa alguma estratégia para parar e pensar? 
  • Está a ser demasiado crítico?
  • Tem sido seu amigo?

Esta parte, embora seja de análise, pode dar pistas para um plano de ataque à situação. E, no limite, este plano pode ser apenas…esperar com esperança por dias melhores.

Redutor?

Tem-me sido útil. Por exemplo, vai dar-me força para trabalhar hoje, tentando colocar de lado o excesso de atenção aos pormenores. 

Noutro dia, com outras noites, tudo será melhor. 

Com sono, cansados, torna-se vital olharmos para os objetivos finais. E avançar. 

imagem@9dades

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Ser Pai

O pai que cuida, que acalma o bebé quando está a chorar, que o embala ao colo, que troca as fraldas e que lhe ensina as primeiras palavras não está a “ajudar” a mãe, está a exercer o papel mais maravilhoso e responsável de sua vida: o da paternidade. Quando nos perguntam se o pai “ajuda”, é uma armadilha da linguagem em que muitas vezes caímos e que é necessário transformar.

Nos dias de hoje, e para a nossa surpresa, continuamos a ouvir muitas pessoas a dizer a clássica frase “o meu marido/namorado ajuda com as tarefas de casa” ou “eu ajudo a minha mulher a cuidar das crianças”É como se as tarefas e as responsabilidades de uma casa e de uma família tivessem património, uma característica associada ao género e que ainda não evoluiu nada nos nossos padrões de pensamento.

A figura do pai é tão relevante quanto a da mãe na criação dos filhosNo entanto, é natural que o primeiro vínculo de apego do recém-nascido durante os primeiros meses de vida se centra na figura materna. Atualmente a clássica imagem do progenitor cujo foco é a férrea autoridade e o sustento básico do lar deixou de ser sustentável e deve ser restituída.

É preciso acabar com o sistema patriarcal ultrapassado em que as tarefas são sexualizadas em cor-de-rosa ou azul para provocar mudanças reais na nossa sociedade. Para isso, devemos semear a mudança no âmbito privado das nossas casas e, acima de tudo, na forma como nos expressamos.

O pai não “ajuda”, o pai não é alguém que vai lá a casa e facilita o trabalho da mãe  de vez em quando. Um pai é alguém que sabe estar presente, que ama, que cuida e que se responsabiliza por aquilo que dá sentido à sua vida: a sua família.

O cérebro dos homens durante a criação dos filhos

É sabido que o cérebro das mães passa por várias alterações durante a criação de um bebé. A própria gravidez, a amamentação, e a tarefa de cuidar da criança todos os dias favorecem uma reestruturação cerebral com fins adaptativos. É algo impressionante. Além de a oxitocina aumentar, as sinapses neuronais mudam para aumentar a sensibilidade e a percepção para que a mulher possa reconhecer o estado emocional de seu bebé.

Mas o que é que acontece com o pai? Será que é um mero espectador biologicamente imune a este acontecimento? Claro que não. O cérebro dos homens também muda, e fá-lo de uma forma simplesmente espetacular. Segundo um estudo realizado pelo “Centro de Ciências do Cérebro Gonda da Universidade de Bar-Ilan”, se um homem exerce um papel primário ao cuidar do seu bebé, experimenta a mesma mudança neuronal que uma mulher.

Através de várias imagens do cérebro, retiradas em estudos realizados tanto em pais heterossexuais como homossexuais, foi possível ver que a atividade das amígdalas cerebrais era 5 vezes mais intensa do que o normal. Esta estrutura está relacionada com a advertência do perigo e com uma maior sensibilidade ao mundo emocional dos bebés.

Assim, surpreendentemente, o nível de oxitocina secretada por um homem que exerce o papel de cuidador primário é igual ao de uma mulher que também cumpre seu papel como mãe. Tudo isso nos revela algo que já sabíamos: um pai pode relacionar-se com os filhos no mesmo nível emocional que a mãe.

A paternidade e a maternidade responsável

Existem pais que não sabem estar presentes. Existem mães tóxicas, pais maravilhosos que criam seus filhos sozinhos, e mães extraordinárias que deixam marcas inesquecíveis no coração de seus filhos. Criar um filho é um desafio e pêras, algo para o qual nem todos estão preparados e que muitos outros enfrentam como o desafio mais enriquecedor das suas vidas.

A boa paternidade e a boa maternidade não têm a ver com géneros, mas com pessoas. Além disso, cada parceiro tem consciência das suas próprias necessidades e irá realizar as suas tarefas de criação e atenção com base nas suas características. Ou seja, são os próprios membros do casal que estabelecem a partilha e as responsabilidades do lar com base na disponibilidade de cada um.

Chegar a acordos, ser cúmplices uns do outro e deixar claro que o cuidado dos filhos é responsabilidade mútua e não exclusividade de um só irá criar uma harmonia que promoverá a felicidade da criança, pois terá acima de tudo um ótimo exemplo.

Da mesma forma, e além dos grandes esforços que cada família realiza, é necessário que a sociedade também seja sensível a este tipo de linguagem que alimenta os rótulos sexistas e os estereótipos.

As mães que continuam com a sua carreira profissional e que lutam para ter uma posição na sociedade não são “más mães”, e nem estão a deixar de cuidar dos seus filhos. Por outro lado, os pais que dão biberons, que procuram remédios para as cólicas dos seus bebés, que vão comprar fraldas ou que dão banho às crianças todas as noites não estão a ajudar: estão a exercer sua paternidade.

Por Valeria Amado, em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

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imagem@giphy

Filha, não tenhas pressa.

A naturalidade é inimiga do esforço?

Vemos à nossa volta uma grande correria. Ritmo, ritmo, ritmo…ufa!

Saímos de casa a correr, vamos a correr para o trabalho e ainda corremos no ginásio. Também corremos na rua. E, na intermitência desses momentos, corremos o risco de correr com a paz das nossas vidas.

Filha, não queiras fazer as coisas à pressa.

Não queiras crescer à pressa, namorar à pressa,…

Poucas coisas sairão boas, se feitas à pressa.

Lembra-me de te lembrar sobre a pressão…

Ela é real. Há uma certa pressão para as meninas arranjarem namorados, pressão para casar e ter filhos.

Essa pressão, pode levar à pressa. E, repito, filha, não tenhas pressa.

Essa pressão é injusta e má conselheira.

Lê um livro. Podes deixá-lo a meio. Podes começá-lo pelo meio!

Conhece pessoas. Conhece-as a fundo, quando possível. Sem pressa.

Observa as ruas por onde caminhas. Aprende a caminhar sozinha. Um dia, podes caminhar de mãos dadas, mas não tenhas pressa de o fazer, e quando acontecer, tenta fazê-lo sem pressa.

Vive os teus momentos. Só quando estamos bem com a nossa própria pessoa, podemos estar bem com os outros.

Para estarmos bem, há que olhar, ouvir e sentir todo o nosso corpo. Usa os cinco sentidos e tenta viajar pelas emoções que estás a sentir.

Se a vida a dois é fantástica, só nessa calma dos teus momentos a sós, construirás as bases dos futuros relacionamentos.

Ri das tuas coisas. Não te quero egoísta, mas se souberes pensar em ti, vestires-te para ti, descobrires coisas por ti, serás melhor nas relações a dois.

A vida é demasiado curta. Desenvolvemos um cérebro, uma máquina de pensar, de projetar, mas o tempo é curto para as nossas potencialidades!

Arranja forma de te lembrares: viver sem pressa, vai trazer mais calma. As coisas vão acontecer. No seu tempo. A seu tempo. Com esforço feito naturalidade.

imagem@bestie

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Quantos homens são precisos…

O trabalho deitou-me para aqui. Jogou-me com força para longe, para um quarto estranho…Não é bem força a palavra certa…

E agora, na distância, sinto falta.

Falta do desconforto do pequeno almoço cheio de leites derramados. Dos verdadeiros, não dos metafóricos.

Sinto falta do “Óh pai, mas posso fazer uma pergunta ? Posso? Posso?“.

Sinto falta dos “Pára de chatear a tua irmã! Podes parar? Podes? Podes?“.

Somos mesmo parecidos.

Até sinto falta do “Amor, meias debaixo do sofá?“.

Nesta conforto dos canais por cabo, sinto falta do desconforto.

Óh pai, muda! Muda…muda!

Amor, chama o Carlos para mudar as lâmpadas, porque se eu tiver à tua espera...”

Até tenho tempo para ler. E o que descobri? Que ninguém sabe quantos homens são precisos para mudar o papel higiénico, porque esse feito nunca aconteceu. A sério. Está num livro. Por acaso a carapuça até me serve…

Neste quarto de hotel, o silêncio está a fazer-me mal.

Lembro-me de ter saído de manhã, ter visto as roupas desarrumadas e ter dito “Continua assim, continua. Não mudes não…não mudes não…

Estas frases/ameaça não fazem sentido neste quarto de hotel.  De repente, a cama começou a ficar muito dura, quase pedra, e sinto que vou numa carroça… Tinha adormecido e era um sonho.

Acordo, levanto-me, ando por aqui por este espaço sem piada e sinto falta.

Falta de dar mais valor aos “desconfortos” da vida familiar. Talvez a nossa missão, talvez o significado, esteja neste gerir de emoções. Entre o perder a paciência e o observar o crescimento das crianças, as suas lutas, os seus pedidos, os seus porquês incessantes.  Entre o ameaçar e o elogiar, dando força. Entre o criticar o companheiro ou companheira e o compreender.

Até já sinto falta do “Óh pai, ainda falta muito?!“.

Do “Amor, podes ir ao lixo?”. Do “Amor, o carro está a fazer tum,tum,tum, não está?”.

Quando voltar, organizo uma viagem de carro com todos.

Já sei qual a palavra certa. O trabalho jogou-me para aqui de forma inevitável! Era inevitável. Isto é inevitável.  É trabalho.

Mas não é inevitável perder a paciência, fugir dos pequenos atritos familiares, não querer melhorar e não é inevitável ceder à natureza. Não é inevitável fugirmos do humanismo num mundo cínico.

Começarei, este fim de semana, por estar atento ao papel higiénico.

E telefono ao Carlos por causa das lâmpadas.

PS: Não é que não saiba mudar as lâmpadas, mas ele é um grande amigo e todos os pretextos para estarmos juntos, serão poucos.

imagem@depositphotos

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Babywearing no dia-a-dia, uma perspetiva familiar: pai

A perspetiva do pai é bastante diferente da de uma mãe. Tanto os pais que praticam babywearing como aqueles que preferem não o fazer têm uma abordagem muito pragmática, muito focada no resultado a curto prazo: carregamos os bebés para atingir algo dali a poucos minutos. Mas todos, carregadores ou apoiantes, reconhecem os benefícios e afirmam ser uma atividade fascinante.

Alguns pais não carregam

As razões para não carregar os bebés podem ser variadíssimas e todas absolutamente legítimas. A razão pode ser um mero encolher de ombros. Ou porque parece ser coisa de mulher. Ou porque não gosta destas coisas. Ou porque dá demasiado nas vistas. Ou porque o pai não se ajeita. Ou porque têm medo de se enforcar em tanto pano. Ou porque para trajetos curtos, não justifica fazer uma amarração. Ou porque têm carrinho-de-bebé. Ou porque a mãe carrega. Ou porque tentou uma vez e o menino chorou.

É natural que as famílias não ajam da mesma maneira e que existam objeções que sustentem que o babywearing possa não ter um papel central na vida familiar.

Outros fazem-no, desde que seja simples

Mesmo os que decidem acompanhar as mulheres na prática do babywearing, por vezes fazem-no apenas em trajetos mais longos, passeios ou caminhadas, quando a mãe está cansada, ou  à espera de outra criança e precisa de ajuda do marido, ou simplesmente porque a mãe insistiu muito e lá cedemos.

Estes procuram essencialmente a liberdade para fazer coisas, como passear o cão, despejar o lixo ou ter as mãos livres para executar tarefas, bem como a facilidade de acalmar as crianças, lidar com as suas birras em alturas em que estão mais cansados ou rabugentos e até pô-los a dormir. Usam mochilas ergonómicas ou mei-tais, por serem fáceis e rápidos de colocar.

Outros tomam-lhe o gosto

Quando saem de casa habituam-se a carregar os seus miúdos ao ponto da mãe ter quase que implorar para os poder levar. Têm sempre um porta-bebés no porta-bagagens do carro e quando os miúdos crescem e começam a insistir ir pelo próprio pé, ficam tristes. Usam qualquer porta-bebés, mas quando experimentam um pano, não há retorno.

Por fim, os mais entusiastas, acabam por ser eles a assumir a liderança do assunto. São eles que pesquisam as opções e analisam os vários tipos de porta-bebés, logo durante a gravidez. Por vezes acabam por sofrer um pouco com o nível de dependência da criança à mãe porque querem envolver-se no dia-a-dia e não conseguem esse espaço. Acabam por praticar para equilibrar essa balança e fazer uma ligação forte ao bebé, logo desde a nascença. Usam vários tipos de porta-bebés e não perdem uma oportunidade para dizer “isto existe e é o melhor para os bebés”

Simples e prático

Seja para dar uma pausa à mãe, para evitar a confusão dos carrinhos nas ruas e espaços mais apertados ou seja para ter maior liberdade de movimentos, desde que seja confortável, simples de usar e prático os pais vão aderindo. Alguns sentem que tiveram de perder a vergonha, mas outros afirmam que até mesmo o mei tai rosa com padrão de sereia lhes fica a matar. E as mães concordam! Qualquer que seja o porta-bebés, fica-nos sempre a matar.

Por Nuno César Nunes

Imagem@Stefanie Archer

Importância do pai no desenvolvimento da criança

Ao longo do tempo, e de uma forma discreta, o papel da figura paterna tem vindo a passar por importantes transformações, acompanhando o desenvolvimento cultural e social. Cada vez mais se torna evidente a sua grande importância na estruturação psíquica e no desenvolvimento social emocional e cognitivo da criança.

A condição de pai evoluiu, e continua em processo de evolução, deixando cada vez mais este de ser visto apenas como suporte financeiro da família e mentor das grandes decisões. Num passado não tão longínquo assim, a função do pai focava-se essencialmente nas questões educativas e de disciplina, tendo por base um modelo frequentemente rígido e repressivo. A interacção entre pai-filho/filha, na maioria das famílias revelava-se parca em termos afetivos, particularmente nos primeiros anos de vida. Ao longo dos últimos anos o pai foi-se tornando mais participativo e emocionalmente presente na vida da criança. O número cada vez maior de mulheres no mercado de trabalho, que conquistam desta forma a sua independência, teve uma grande influência nesta importante transformação do núcleo e organização das famílias que trás, por sua vez, significativas mudanças nas relações entre homens e mulheres, assim como nos papeis parentais.

O pai e a função paterna:

O papel do pai (ou seu representante) e da função paterna no desenvolvimento da criança, quer a nível cognitivo, facilitando a capacidade de aprender, quer a nível emocional e relacional, torna-se, assim, cada vez mais evidente. As representações que um adulto possui da relação com o seu pai, desde os tempos mais precoces, ou seja, desde bebé, refletem-se na forma como este se vê, se sente e se vai relacionar com os outros.

Nos primeiros meses o pai desempenha um importante papel de suporte e reforço da díade mãe-bebé. É fundamental a sua presença no apoio e segurança emocional que proporciona e que será, inevitavelmente, sentido e reconhecido pelo bebé. Actualmente estão ainda a surgir evidências de que a interacção precoce do pai com a criança, inclusive desde o momento do nascimento, parece promover o interesse e o envolvimento de ambos nas seguintes etapas da sua vida. Posteriormente a presença do pai vai permitindo trazer e ensaiar a questão de um terceiro na relação entre a criança e a mãe, alguém que vai interferir, que vai mostrar que se pode estar a três tranquilamente, permitindo ir elaborando e transformando o medo da perda, da rejeição e da exclusão. Ao mesmo tempo que o pai abre esta possibilidade, base de um desenvolvimento social e relacional adequado, a valorização que faz da criança será fundamental para a imagem que esta terá de si própria no futuro. Um pai que investe, valoriza, está presente e se mostra disponível afectivamente está a proporcionar a construção de uma boa auto-estima e de uma personalidade mais flexível e segura. Por outro lado o pai também representa a regra, a firmeza. É necessário que seja sentido como forte, um bom exemplo de autoridade, mas também tolerante, flexível e compreensivo. Desta forma a criança interiorizará com mais facilidade a diferença entre o que deve ou não fazer, assim como o modo de agir consigo perante o erro, a infracção e a falha. Pais muito autoritários, inflexíveis e agressivos poderão estar na base de crianças que desenvolvam comportamentos desviantes (como forma de protesto ou desafio à autoridade) ou, pelo contrário, crianças muito auto-críticas, que se castigam e desvalorizam constantemente, o que terá efeitos devastadores para a sua auto-estima.

A identificação da criança com o universo do seu pai dá-se por meio da experiência da interação, quando ele aparece como interdito na relação entre mãe-filho/filha e a sua presença marca, simbolicamente, a dinâmica de rompimento necessária na infância. A presença do pai poderá facilitar, ou dificultar se não for adequada, à criança a passagem do mundo da família para o da sociedade. A ausência ou desinvestimento paterno tem potencial para gerar conflitos no desenvolvimento psicológico e cognitivo da criança, bem como influenciar o desenvolvimento de distúrbios de comportamento.

O vazio promovido pela ausência do pai, ou pelo seu desinvestimento na criança, é formado pela fantasia que esta faz (perante a sua falta) de não ser verdadeiramente amada ou ter suficiente valor para ser desejada, porque se o fosse o seu pai mostrar-se-ia presente e interessado. Esta fantasia infantil, para além de promover a auto-desvalorização, promove ainda sentimentos de culpa na criança por esta acreditar que se o pai não aparece, não existe ou não a procura é porque ela é má, não merecedora de “coisas” boas. Como se o pai refletisse uma parte do valor da criança, fosse o “medidor” desse valor. Um valor que ela tanto procura para se poder ver e sentir a si própria.

Eu quero ser como o meu pai…”  frase tantas vezes dita pelos meninos significa, eu quero sentir-me amado, valorizado, gostado pelo meu pai para poder também vir a gostar de mim. Quero poder identificar-me com ele e ver que tipo de homem poderei vir a ser. Não será estranho que as meninas queiram ser as princesas do seu pai, base de uma dinâmica um pouco diferente mas que na sua base tem um significado idêntico, eu quero ser desejada, amada, valorizada pelo meu pai para poder gostar de mim própria e ter desta forma uma ideia como vou ou não permitir que os outros homens me tratem no futuro.

As implicações da representação da figura paterna são inúmeras, complexas e importantíssimas na vida emocional da criança, menino ou menina. A par do indispensável papel da mãe, o pai  é um pilar fundamental no desenvolvimento de qualquer criança. O crescimento ao lado de pais afetivos, firmes mas que mostram apoio incondicional, conforto, proteção e tolerância permite desenvolver estruturas psíquicas mais fortes, flexíveis e seguras para enfrentar os vários obstáculos da vida, o que dá conta de uma robusta vida emocional e saúde mental.

Por Dra. Dina Cardoso

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