Quase nunca me sinto cansado.

O mundo é um sítio enorme, cheio de coisas para descobrir, mas… tenho de ir para o colégio. Lá, tenho de fazer coisas que, às vezes, não me apetece nada.

Prefiro mil vezes brincar no recreio.

Eu sei que custa a acreditar, mas eu bem que quero e tento passar a matéria do quadro, só que é sempre nessa altura que tudo acontece. O meu colega do lado começa a conversar comigo, lá fora um carro apitou, ouço o Manel a falar baixinho lá atrás, um lápis caiu no chão, eu distraio-me e… Pronto! Quando volto a olhar para o quadro, já não sei onde é que eu ia. Fico baralhado e demoro a achar em que parte fiquei. Entretanto, já todos acabaram de passar a matéria, menos eu. Fico chateado…

A professora costuma dizer: – João, já acabaste de passar a matéria? Preciso de apagar o quadro!

Custa-me prestar atenção à aula e ao que a professora diz.

Ela pede-me para eu ser mais organizado com o material, mais atento à explicação da matéria, mas… Uma coisa é certa: concordo que me mexo muito, levanto-me da cadeira várias vezes, faço barulho com o lápis, falo muito e atrapalho a aula.

Acontecem-me quase sempre duas coisas: ou faço as coisas mal feitas porque quero fazê-las o mais depressa possível para ser o primeiro a acabar, ou então até quero fazer tudo bem feitinho e até ao fim, mas… não consigo! Começam os comentários: “preguiçoso”, “não te esforças”… Às vezes parece que ninguém me entende.

Por mais que eu tente, não consigo prestar atenção e terminar as tarefas tão bem como os outros. Como eu gostaria… A sério!

Quando estou com os meus amigos e vem à baila a matéria da aula, começam a rir. Às vezes até me chamam “totó”. Todos acham imensa graça… menos eu!

Quando estou na sala, sentado sozinho na mesa, sem perceber nada do que a professora está a dizer, começo a roer o lápis, a desmontar as canetas, a fazer desenhinhos no livro, a dobrar as pontas das folhas do caderno e a mexer com os pés sem parar.

Acho que preciso de estar em movimento para me sentir melhor.

A professora até diz que parece que tenho um tal de “bicho carpinteiro” no corpo. Às vezes também pergunta se a cadeira tem formigas porque não paro sossegado. Já reparei que quando a professora me faz uma pergunta eu respondo imediatamente. Na verdade, às vezes até respondo antes de ouvir a pergunta até ao fim. E só quando estou a responder é que reparo que não era nada daquilo…

E quando é para escrever? É complicado… Eu bem que gostaria de não ter de escrever aquilo tudo. Custa tanto!

Vou confessar um segredo: acho muito mais interessante ver o que se está a passar fora da sala de aula. Pela janela, vejo as folhas das árvores a balançarem, as nuvens a andar e o passarinho a voar. Pela porta, vejo quem está a passar no corredor.

Fico triste, irritado e confuso porque sei que as pessoas às vezes ficam cansadas de mim.

A minha professora já escreveu vários recados na agenda para a minha mãe: “ O João não fez os trabalhos de casa!”, “O João não trouxe o material”, “O João…”. Diz que sou distraído, que quando vou no corredor não olho por onde ando, que deixo cair as coisas das mãos, que vivo “no mundo da lua”. Fico triste. Às vezes tento disfarçar, finjo que não ligo… mas não é verdade!

Um dia, gostaria que todos dissessem: “- Olha, o João foi top! “ – Ah, como eu gostaria de ser top a fazer uma tarefa da escola. Lá em casa não é muito diferente da escola. Quando alguém faz alguma coisa de errado… “Foi o João!” E na verdade fui mesmo. Sei que não sou tão cuidadoso como deveria ser. Quando dou por mim… já fiz! E quando chega a hora de fazer os trabalhos de casa? É mau. A minha mãe começa a dizer para eu ir fazer os trabalhos de casa, eu enrolo, digo que vou já fazer, enrolo mais um bocadinho, digo que vou agora, ainda consigo arranjar mais uma desculpa, até ao ponto de ela ficar irritada e perder a paciência. Uma vez até fez o trabalho por mim… mas a professora percebeu logo!

Chegou um dia que a professora chamou os meus pais à escola e aconselhou-os a levar-me a um psicólogo porque ele poderia ajudar-me. Claro que disse logo que não. Fiquei com medo que os meus colegas inventassem mais um apelido. Mas… não tive saída. Lá fui, e até gostei, senti-me mais tranquilo! Conversou comigo e pediu-me para fazer umas coisas.

Então, num outro dia, o psicólogo chamou os meus pais e recomendou que eu fosse a um médico.

Pensei: “Será que estou doente?”. Quando cheguei lá, o médico falou comigo, fez-me muitas perguntas e até me pediu para fazer umas coisas também. Bem simpático! Ele disse que eu tinha dificuldade em prestar atenção e em ficar quieto e até disse como é que isso se chamava, mas é um nome tão comprido que eu não me lembro agora. Aliás, o psicólogo e o médico disseram que eu sou um miúdo inteligente. Como eu gostaria que os meus amigos tivessem ouvido!

Às vezes fico a pensar: Mas porque é que eu não consigo prestar atenção e fazer as tarefas se sou inteligente? Porque é que eu consigo passar horas infinitas em frente à televisão? Porque é que eu consigo jogar tão bem no computador e até ganhar ao Duarte?

A verdade é que me sinto melhor desde que todos me estão a ajudar: a minha família, a minha professora, o psicólogo e o médico. E eu estou a fazer o melhor que posso: a minha letra melhorou, já consigo prestar mais atenção, agora penso mais antes de fazer alguma coisa. Às vezes relaxo um bocadinho, mas depois esforço-me e continuo. Um dia, já nem sequer irei lembrar-me da frase: “- João, já acabaste de passar a matéria? Preciso de apagar o quadro!”.

Esta história é para ti

A ti: A história do João foi escrita para ti. O João conta coisas que sabes melhor do que ninguém. Por exemplo, como é ter aquilo que tem um nome mais difícil e comprido que “otorrinolaringologista”, a “perturbaçãodehiperatividadecomdéficedeatenção”.

De certeza que já te passou pela cabeça conversar com os teus pais, com a tua professora, ou com um profissional sobre como é difícil prestar atenção ou permanecer quieto. Poderás ler a história com eles, contar-lhes no que te pareces com o João e no que és diferente dele, e fazer-lhes todas as perguntas sobre as tuas dúvidas.

A história do João poderá ajudar-te a ter essa conversa!

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5 Estratégias para promover a autoconfiaça do seu filho

Vivemos numa sociedade competitiva e em constante mudança.

Estar preparado para responder e ultrapassar desafios diários é crucial desde a infância. Urge, por isso, ajudar as crianças a desenvolver a sua autoconfiança.

A autoconfiança é um ingrediente fundamental para que se sintam confortáveis consigo mesmos ou com os outros e consigam ultrapassar os desafios sociais e relacionais que vão surgindo ao longo da sua vida.

Podemos, então, pensar na autoconfiança como um motor que nos impele a agir e nos ajuda a ter respeito por nós próprios. Necessitamos dele para nos sentirmos confortáveis no nosso quotidiano e em todas as situações com que nos deparamos.

E quando a criança tem pouca autoconfiança?

 As crianças com pouca autoconfiança tendem a isolar-se e a refugiarem-se na leitura ou nos jogos eletrónicos. Muitas vezes os adultos sentem-se confortáveis com estas atitudes porque geralmente são crianças que fogem aos problemas ou os conflitos. Mas na realidade é a falta de confiança que está a servir de travão às suas ações. Isto poderá vir a ter repercussões na sua capacidade de socialização, no seu sucesso e na sua capacidade na resolução de problemas ou gestão de conflitos.

A autoconfiança é desenvolvida na infância e os pais podem ajudar os seus filhos a confiarem mais em si mesmos. A acreditarem que são capazes de realizar determinadas tarefas. Ajudando os filhos a crescerem mais autónomos e confiantes, contribuindo assim para que o seu desenvolvimento seja mais positivo, o que os ajudará a serem adultos emocionalmente inteligentes e felizes.

As estratégias que seguem poderão ser úteis para promover a autoconfiança do seu filho. No entanto, tenha a consciência que é na forma de se relacionar com ele que lhe mostrará como olhar o mundo e como agir perante situações desconhecidas. Os pais servem de modelo e ensinam os seus filhos na sua forma de lidar com as situações e na forma como resolvem os seus problemas.

5 Estratégias para promover a autoconfiaça do seu filho

1. Regras e rotinas

Estabelecer regras e rotinas dá-lhes uma sensação de segurança e a criança sente que controla o seu mundo. Ao sentir-se segura, consegue explorar o mundo que a rodeia e desenvolver a sua capacidade de adaptação a novas situações.

2. Limites

É nos momentos de frustração que temos oportunidades para ensinar e promover a confiança. Os “ não”, são tão importantes como o afeto.

3. Autonomia e responsabilidade

Ajudar nas tarefas diárias como arrumar brinquedos, fazer a cama, vestir-se sozinho ajuda a criança a perceber que consegue realizar tarefas sozinha. Não faça as coisas por ele. O objetivo é guiar e apoiar os seus esforços, valorizando, para que aprenda a sentir-se competente.

4. Novos desafios

Estimulem os seus filhos através de jogos ou brincadeiras em conjunto. Pelo brincar a criança aprende a resolver problemas. Desta forma desenvolve, também, a confiança em si mesma, a sua criatividade e a imaginação, para além de sentir o prazer de novas conquistas.

5. Elogiar

Elogie e mostre ao seu filho que está orgulhoso, sempre que ele consegue fazer algo novo ou que teve um comportamento adequado. Valorize e reconheça os seus esforços, mesmo que não consiga no imediato. Incentive-o a continuar a tentar, através do afeto.

As crianças aprendem a lidar com as emoções através dos seus relacionamentos.  Estão constantemente a observar os pais nas diferentes tarefas e contextos, na forma como interagem com eles e também socialmente. Tenha presente que é através de situações do dia-a-dia  que irá conseguir ajudar o seu filho a tornar-se mais confiante e feliz.

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Receitas Especiais – Jogos de Ortografia para Crianças

As “Receitas especiais” são jogos de ortografia para crianças apresentados a partir de um modelo de receita de cozinha.

Foram especialmente escritas para os que se dedicam ao 1º ciclo de ensino e para os pais, podendo facilmente ser usadas na sala de aula e em casa.

Os principais objetivos das “Receitas especiais” são:

1. Aumentar a motivação dos filhos/alunos para escrever;
2. Proporcionar momentos a pares dedicados à ortografia;
3. Reforçar e desenvolver a competência de ortografia;

DOMINÓ ORTOGRÁFICO

INGREDIENTES: sílabas e palavras.

UTENSÍLIOS: folhas de papel, tesoura e lápis/caneta.

CUSTO: baixo.

PARA: 2 jogadores.

MODO DE PREPARAÇÃO: Primeiro, selecionam-se 20 palavras de acordo com o tipo de sílaba que se pretende praticar (ex: pra, pre, pri, pro, pru). Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho e traça-se uma linha vertical, de alto a baixo, que os divida em duas partes iguais. Pede-se à criança que escreva cada uma das cinco sílabas numa das partes do papelinho, repetindo-as quatro vezes. Na outra parte dos papelinhos, pede-se que escreva cada uma das palavras selecionadas. Baralham-se os papelinhos e distribuem-se os 20 papelinhos pelos dois jogadores. O primeiro jogador coloca um dos seus papelinhos em jogo e o outro jogador procura nos seus uma sílaba que emparelhe com a palavra ou uma palavra que emparelhe com a sílaba, e assim sucessivamente. Ganha o jogador que terminar primeiro os seus papelinhos.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: variável.

GRAU DE DIVERTIMENTO: elevado

JOGO DO PEIXINHO DAS REGRAS ORTOGRÁFICAS

INGREDIENTES: palavras e regras ortográficas.

UTENSÍLIOS: folhas de papel, tesoura e lápis/caneta.

CUSTO: baixo.

PARA: 2 jogadores.

MODO DE PREPARAÇÃO: Primeiro, selecionam-se 10 palavras de acordo com as regras ortográficas que se pretendem praticar. Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras num papelinho e a respetiva regra noutro. Baralham-se os papelinhos com as palavras/regras escritas voltadas para baixo. Cada jogador retira dois papelinhos. O primeiro jogador pergunta ao outro se tem a palavra ou a regra que pretende fazer par. Se o outro jogador tiver o papelinho pedido, entrega, se não tiver, o primeiro jogador tem de “ir à pesca”. Se conseguir fazer o par palavra/regra diz “peixinho” e retira outros dois papelinhos, continuando a jogar. Se não conseguir fazer o par, passa a vez ao outro jogador. No fim, ganha quem tiver mais “peixinhos”.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: variável

GRAU DE DIVERTIMENTO: elevado

JOGO DE MEMÓRIA ORTOGRÁFICO

INGREDIENTES: palavras com correspondências múltiplas.

UTENSÍLIOS: folhas de papel, tesoura e lápis/caneta.

CUSTO: baixo.

PARA: 2 jogadores.

MODO DE PREPARAÇÃO: Primeiro, selecionam-se 10 palavras de acordo com a correspondência múltipla que se pretende praticar (ex.: s, c, ç, ss ou x). Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras duas vezes, em dois papelinhos. Distribuem-se os papelinhos em 4 linhas de 5 papelinhos, com as palavras voltadas para baixo. Em cada jogada, a criança pode virar dois papelinhos: se encontrar o par joga novamente; se não encontrar o par, passa a vez ao outro jogador. No fim, ganha quem tiver mais papelinhos.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: variável

GRAU DE DIVERTIMENTO: elevado

As “Receitas especiais” são atividades lúdicas, atrativas, simples de dinamizar e pouco dispendiosas que complementam outras estratégias, mais estruturadas, quando se pretende promover o desenvolvimento de competências de ortografia.

Este é um tema que gera muitas divergências de opinião. Se por um lado temos os defensores que acham que são uma tarefa bastante importante, por  outro temos os opositores, que acham que não ajudam em nada.

Mas para que servem os trabalhos de casa?

Quem defende, diz que o objetivo é consolidar os conhecimentos adquiridos ao longo do dia, encontrar um método de estudo, e promover a responsabilidade.

Esta prática, já antiga, conhecida por todos nós, que no entanto, nunca chegou a ser atualizada.

Hoje em dia, as crianças têm um horário mais prolongado, com muitas atividades, acabando por chegar a casa cansadas e sem qualquer motivação para se debruçar sobre os trabalhos de casa.

Esta tarefa, que deveria ser realizada com alguma estabilidade e motivação, acaba por ser executada com cansaço e consequentemente  encarada como um sacrifício.

As crianças, rapidamente ganham alguma aversão, e dificilmente criam empatia pela tarefa, e os resultados acabam por ser desastrosos.

Os pais, que por sua vez também estão cansados, vêem-se aflitos para conseguir ajudar os seus filhos, não conseguindo acompanhar da devida forma.

O ideal seria existir um equilíbrio. Trabalhos de casa, sim, aos fins-de-semana. Por exemplo, sob forma de responsabilizar a criança, fazendo com que possa consolidar os seus conhecimentos, mas em doses equilibradas.

É importante perceber que uma criança, precisa de brincar, precisa de ter tempo para ser criança, precisa de se sentir feliz e motivada.

Trabalhos de casa, podem ir muito além das fichas de trabalho. Podem ser feitos através de uma pesquisa, uma conversa com um adulto sobre um tema, a leitura de uma história, uma expressão dramática, uma ida a um supermercado.

Creio que existe uma grande preocupação em depositar conhecimentos numa criança, e não em ensiná-la nas suas mais variadas vertentes de uma forma mais prática e com empatia.

Uma das melhores maneiras de acompanhar o seu filho na escola é vigiar e rectificar a mochila do seu filho. É importante perceber o que é que se passa no seu dia-a-dia, conhecer a sua letra, se há ou não recados, se há trabalhos de casa, que matérias estão a dar, para que ele perceba que é importante ter essa responsabilidade incutida.
Desta forma, os pais estão mais presentes na educação escolar do do seu filho.

3 atividades divertidas para desenvolver a competência da escrita

Pais, avós e irmãos são os parceiros ideais para o sucesso da criança na aquisição e domínio da competência da escrita.

Se no seio familiar a criança tiver oportunidade de se envolver em atividades de escrita, começa desde cedo a compreender as suas diferentes funções e a identificar os diferentes suportes de escrita.

Ser capaz de identificar as funcionalidades da escrita permite à criança compreender para que serve escrever e aumentar a sua motivação para realizar esta tarefa. Em tempo de férias escolares, as famílias poderão realizar atividades divertidas. Assim permitem à criança identificar a escrita como um meio para transmitir informação, para organizar e registar informação e para dar instruções precisas.

Ficam aqui 3 actividades para as crianças desenvolverem a competência da escrita durante as férias, de forma descontraída e divertida.

(Nota: Estas atividades devem contar com a participação ativa da criança na decisão dos conteúdos e do registo escrito dos mesmos e ser adequadas ao seu nível de competência.)

1. Jornal de Parede Familiar

Objetivo:

Registar por escrito acontecimentos relevantes, das férias escolares da criança. É necessário um painel para afixar as notícias.

Um familiar poderá ser o editor do jornal, acordando com a criança a periodicidade com que as noticias poderão ser afixadas. Algumas das ideias que poderão ser exploradas são:

  • Fotografias legendadas de momentos passados nas férias (podem imprimir em casa, ou pedir ajuda aos pais para imprimir fora)
  • Ilustrações de passeios ou visitas acompanhadas de breves descrições
  • Anúncios de eventos festivos ou flyers .

2. Listas e Mapas de Registo em Família

Objetivo:

Registar informação útil à família, que pode ser consultada a qualquer altura.

As listas poderão ser afixadas na parede ou num quadro. Em conjunto, poderão ser elaboradas listas de compras a fazer no supermercado, listas do vestuário e de objetos a incluir na mala de viagem, listas de números de telefone e moradas úteis, mapas de registo dos aniversários familiares durante o Verão, e mapas de registo de tarefas durante as férias.

3. Caderno de Instruções para toda a Família

Objetivo:

Registar por escrito as instruções de atividades que podem ser dinamizadas no período de férias, mantendo-as sempre acessíveis a todos.

Num caderno, poderão ser escritas:

  • instruções de jogos de praia
  • instruções de cuidados a ter com o sol
  • instruções de receitas que possam ser confeccionadas pela criança
  • regras de utilização de piscinas ou parques aquáticos

Ao dinamizar atividades com os pequenos escritores lá de casa, as famílias terão a oportunidade de reforçar e valorizar as competências trabalhadas ao longo do ano letivo. Particularmente no domínio da escrita em tempo de férias!

Como promover a autonomia, responsabilidade e competências de organização em função do ano de escolaridade

Eis que recomeçaram as aulas!

O início do ano lectivo é tipicamente turbulento, mais ainda para quem começa agora a caminhada de um novo ciclo, seja como aluno ou como encarregado de educação. Esta é também uma fase crítica para pôr em marcha um ano escolar pleno de sucessos.

Na preparação de mais um ano escolar, e vendo toda a azáfama de compras de material escolar, não pude deixar de me recordar de uma conversa com um aluno de 3.º ano.

Perguntava-lhe eu onde estava a ficha que tinha levado para casa para terminar. Respondeu com um descansado “não sei”.  Estranhei. Se fosse “esqueci-me” eu percebia, mas não saber de todo pareceu-me estranho. Questionei. “A mãe deve ter-se esquecido de arrumar”, respondeu-me. Curiosa, procurei perceber. Para aquela criança, arrumar a mochila ou guardar os tpc’s era tarefa para os adultos. Olhámo-nos com igual expressão de incompreensão: eu pela surpresa de ser não ser óbvio para um aluno de quase 9 anos de idade que a responsabilidade era sua, e ele porque a minha surpresa lhe era estranha.

Imaginei o que será para os pais organizar o cenário familiar de banhos, jantares e tarefas várias filhos em casa. Vejo um adulto naturalmente cansado a perguntar-se “ensino-o a fazer isto ou faço eu por ele? Hoje já é tarde, amanhã logo ensino!”. E assim se criam rotinas de organização do material que não favorecem o envolvimento da criança com a escola.

O espólio escolar é vasto e a sua gestão autónoma é difícil para alunos do 1.º e 2.º ciclos, mas pode ser também um instrumento de promoção da autonomia, responsabilidade e competências de organização.

Adaptando a tarefa à idade e competências da criança, esta pode desempenhá-la com relativa facilidade, cabendo ao adulto apenas a supervisão da mesma.

Assim, deixamos algumas sugestões em função do ano de escolaridade:

  • 1.º e 2.º anos

Nesta etapa da escolaridade as crianças ainda enfrentam alguns desafios com a escrita. Uma forma eficaz e divertida de agilizar a tarefa de “arrumar a mochila” será fazer uma tabela com ilustrações (legendadas) dos objetos a arrumar. A criança poderá ter de colocar um “visto” à frente de cada item que já arrumou. Caberá aos pais confirmar se tudo está ok. Podem criar um código de pontos convertíveis em algum prémio agradável. Existem à venda quadros magnéticos com pequenos ímans que poderão ser uma boa solução.

  • 3.º e 4.º anos

Nesta fase as crianças já dominam a linguagem escrita pelo que as ilustrações são opcionais (mas continuam a ser apelativas). Agora podem complexificar a tarefa e eventualmente acrescentar aspetos mais difíceis, como arrumar o saco da ginástica ou definir dias para limpar o estojo ou fazer uma limpeza às folhas soltas.

  • 5.º e 6.º anos

Novo ciclo, novas regras. O horário semanal passa a ser a bússola nesta tarefa. Gerir as várias disciplinas e materiais afetos a cada uma delas é ainda difícil. Uma boa estratégia será construir uma agenda onde, associados a cada disciplina, apareçam os materiais que esta exige (por exemplo: Matemática – manual+livro de fichas+caderno+régua…). Para muitas crianças conferir item a item continua a ser importante, bem como a supervisão parental.

O caminho para a autonomia faz-se caminhando. Um passo por dia desde o primeiro dia. Com estes e outros pequenos grandes detalhes damos um importante contributo e reforçamos progressivamente o sentido de auto-eficácia e bem-estar. Crescer, mais do que adquirir conhecimentos, é formar-se, desenvolvendo competências duradouras que promovem o sucesso académico das crianças e jovens.

 

Por Dra. Helena Almeida para Up To Kids®

Alguns aspetos a considerar sobre a Maturidade Escolar

Decidir se um filho já está pronto para ingressar no 1º ano ou se deve aguardar mais um ano para desenvolver certas capacidades/competências não é uma tarefa fácil.

Partindo do panorama geral:  na maioria dos países, a criança entra na escola por volta dos 5 e os 7 anos. No entanto, uma criança com 5 anos tem características substancialmente diferentes de uma de 6, tal como uma de 6 tem de uma de 7.  Há crianças com 5 anos que aparentemente estão “aptas” para ingressar no 1º ano, mas muitos são os casos em que os pais acabam por perceber que seria benéfico ter esperado mais um ano. A pressão escolar é muito grande e o tempo para brincar e até para dormir é mais reduzido.

Panorama geral

Em alguns países, como por exemplo na América ou nos países nórdicos como a Finlândia ou Suécia, há cada vez mais pais com filhos de 5 anos que optam por aguardar mais um ano, pois a criança de 5 será das mais novas na turma, o que traz as suas consequências negativas, enquanto que entrando com 6 ou até 7 anos faz com que esteja em pé de igualdade e seja respeitada pelas outras crianças e reconhecida pela professora, como sendo mais velha e tendo outra responsabilidade.

Tipicamente, a maturidade escolar significa que durante a pré-escola a criança já atingiu um nível de desenvolvimento que permite a sua adaptação aos desafios da escolarização formal – que é capaz de aprender. E há aspetos sociais e emocionais do desenvolvimento da criança que constituem elementos importantes de sua maturidade  escolar, assim como da sua aprendizagem e do grau de sucesso no futuro.

Nas escolas convencionais, apesar de não existir concretamente uma lista de sinais de maturidade escolar, há vários aspetos que são considerados de maneira a avaliar a maturidade da criança para a entrada na etapa escolar.

Entre os quais:

  • conhece as figuras geométricas básicas?
  • conhece as letras do abecedário?
  • é capaz de escrever com lápis?
  • sabe escrever o nome?
  • até quanto consegue contar?
  • já sabe ler?

Assim, vale muito a pena observar com dedicação/atenção a criança que ponderamos se é a altura certa de a levar para a escola.

Existem mais aspetos que nos podem ajudar a perceber se chegou a hora da criança ingressar no 1º ano:

1. A mudança da silhueta

  • os braços e as pernas estão alongados, cada vez menos arredondados
  • a barriguinha, outrora redonda, retrai-se
  • a cintura fica mais definida (evidenciada entre tórax e abdómen)
  • o ângulo das costelas sobre o estômago é agudo
  • a silhueta começa a ganhar as proporções de um adulto

2. Troca dos dentes

  • Aparece o primeiro molar permanente ou ocorre a troca de um dos incisivos

3. Pensamento abstrato

  • ânsia de aprender
  • voluntariamente consegue dirigir as lembranças, sem que estas sejam fruto de imitação ou de hábito/ritmo (por exemplo, pode recontar uma história que dias antes foi narrada no jardim-de-infância)

4. Maturidade social

  • capacidade de integração numa turma/grupo (com a ajuda da educadora, é capaz de aprender a harmonizar os seus interesses com os dos demais)
  • consegue sossegar as pernas e os braços voluntariamente para ouvir, sem ser por mera imitação do adulto.

A maturidade social, porém, é gradualmente conquistada na transição para o 2º ano escolar.

 

ARTIGO RELACIONADO
ENTRADA PARA O 1º CICLO | RETENÇÕES NO PRÉ-ESCOLAR

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Um grupo de investigadores da Universidade de Uppsala, na Suécia concluíram que existe um método capaz de estimular a capacidade intelectual das crianças desde tenra idade.  Trata-se de uma plataforma realmente amigável e intuitiva, de baixo custo e fácil acesso para a grande maioria das pessoas.

A pesquisa demonstrou que crianças ou bebés que utilizam esta plataforma, desenvolvem não só a parte intelectual, cognitiva, mas também a capacidade criativa, além de criarem vínculos afetivos mais sólidos.

Em geral, os pais demonstram-se preocupados em encontrar estratégias para desenvolver o potencial dos filhos. Vale tudo: desde passar música clássica enquanto o bebé ainda está na barriga da mãe, até a aquisição de mobiles que se propõem a desenvolver aptidões matemáticas nas crianças.

Os especialistas suecos destacam este método como primordial para alavancar o potencial dos nossos filhos desde criança até à idade adulta.

Mas, nem tudo é perfeito. Este método exige, no mínimo, a aquisição da plataforma e um adulto com tempo e vontade de utilizá-la com a criança. A partir de uma certa idade, a própria criança será capaz de manusear a plataforma, mas mesmo nessa fase, a presença de um adulto, participativo, potencializa os benefícios da metodologia.

A partir dos 6/7 anos, a maioria das crianças deve conseguir utilizar o método de forma autónoma.

Trata-se de Lições Interativas de Visualização e Relacionamento de Ordem afetiva. 
Mas em que consta este método inigualável de estimulação intelectual e emocional da criança?

Ora vejamos as primeiras letras do método: LIVRO!

Daqui, ouço um óhhh de decepção, vindo de um grupo de pais mais tecnológicos, para quem o progresso terá sempre uma
solução melhor do que o passado. Também vejo um sorriso amarelo de alguns pais que esperavam algo mais do que um livro!

O meu lado otimista (que não é muito desenvolvido) consegue supor alguns sorrisos de pais que por experiência própria (são leitores) conhecem o poder que os livros possuem no desenvolvimento do ser humano.

Brincadeiras à parte, há um consenso entre diferentes profissionais de saúde que, se fossemos escolher apenas um método  para desenvolver a capacidade cognitiva das crianças este seria a leitura de livros, já a partir dos 6 meses de idade.

Claro que não é o único e todos são complementares. O brincar criativo e as brincadeiras ao ar livre como saltar, girar, pedalar, nadar, de forma a desenvolver de forma lúdica as capacidades motoras, seria outro.

Obviamente, nenhum método  funciona sem o amor incondicional dos pais!

Repare-se que os gadgets não constam no topo da lista. Isso porque, à partida, sugerem mais passividade e menos criatividade, embora também maior capacidade de reação e reflexos. E convém reforçar que programas muito acelerados, podem desenvolver nas crianças pequenas uma “necessidade” de hiperestimulação. Se não forem hiperestimuladas, sentirão tédio o que pode gerar dificuldades no momento da alfabetização que é, obrigatoriamente, lenta.

Voltando ao LIVRO:  o livro estimula a criatividade na medida em que o leitor (ou, no caso da criança- ouvinte), cria a história na sua cabeça. Serão sempre 3 porquinhos e um lobo, mas cada um cria os seus 3 porquinhos e o seu lobo! Além disso, a proximidade física com quem conta a história cria um momento de vínculo afetivo com contato corporal.

A leitura pode contribuir para a implantação de determinadas rotinas, como dormir ou jantar.  Sinaliza mudanças de ritmo (da brincadeira mais agitada, para um momento mais calmo). Um aspeto pouco lembrado é o de que nós adoramos contar histórias!

Ao contarmos histórias usando os livros unimos a fala com a escrita e podemos desenvolver nos nossos filhos o hábito da leitura. Um hábito que, por não ser natural, precisa ser desenvolvido de forma gradual e prazerosa.

Aliás, hoje em dia, embora haja um grande desenvolvimento nos media, a capacidade analítica e crítica de um indivíduo, o entendimento de complexidades como a vida em sociedade, economia, medicina, engenharia, astronomia, cultura, arte etc. vai depender da capacidade de leitura da pessoa.

Num mundo competitivo essa competência pode fazer a diferença. Além de ser um hábito que produz prazer a quem o desenvolveu.

Se alguém ficou chateado com a brincadeira dos pesquisadores de Uppsala, peço desculpas.
Só queria chamar a atenção, de forma provocadora, para a importância do livro.
E boa leitura com seus filhos!

Texto de Dr. Roberto Cooper, adaptado por Up to Kids®

Em busca do puzzle esquecido!

Quem já não brincou com puzzles? Mais ou menos complexos, com mais ou menos peças, de madeira ou de cartão,… as alternativas são imensas e intemporais. E para todas as idades!

Mas montar um puzzle é mais do que uma boa forma de passar o tempo. As competências necessárias para o fazer envolvem aspectos importantíssimos para o desenvolvimento de uma criança:

  1. Ajudam a aumentar o conhecimento do mundo em redor
    Os motivos de um puzzle podem ser tantos e tão diferentes que, frequentemente, o único critério de escolha dos pais é o seu grau de complexidade. No entanto, o tema deveria ser escolhido tendo em atenção que pode (e deve) ser um veículo de transmissão de conhecimento. Uma paisagem, uma profissão, um cenário do dia-a-dia, um animal, uma obra de arte, o abecedário,… todas as imagens podem ser utilizadas como pretexto para explicar e ensinar a uma criança aspectos do mundo que nos rodeia.Puzzles
  2. Melhoram as capacidades cognitivas
    Os puzzles ajudam a desenvolver e a melhorar o raciocínio. É uma excelente forma de descobrir relações e de perceber o espaço, aumentando percepção visual e espacial.
  3. Permitem o desenvolvimento de capacidades motoras finas
    Ao brincar com um puzzle, uma criança está, de forma divertida, a aperfeiçoar suas capacidades motoras finas, pois a tarefa implica pegar, apertar, agarrar, mover e manipular peças de diferentes formas. Estes são aspectos que assumem uma importância acrescida na fase em que a criança aprende a escrever, em que necessita de conseguir pegar correctamente num lápis.
  4. Desenvolvem a capacidade de resolver problemas
    Mesmo o puzzle mais simples implica trabalhar para atingir um objectivo: pensar, desenvolver uma estratégia mais ou menos complexa, tentar, falhar, ter sucesso são aspectos presentes na brincadeira e que estão envolvidos em operações de resolução de problemas. As capacidades assim desenvolvidas pela criança podem ser transferidas para a sua rotina diária.
  5. Melhoram as competências de “coordenação olho-mão”
    Os processos de tentativa-erro presentes na brincadeira com puzzles envolvem a necessidade de coordenar a visão com a mão. É com base no que vê que a criança irá tentar encaixar cada uma das peças.
  6. Desenvolvem capacidades sociais
    Os puzzles podem ser uma excelente ferramenta para melhorar e promover o jogo cooperativo. Ao brincar em conjunto para completar um puzzle, as crianças discutirão sobre o local certo para colocar uma peça, decidem sobre quem a colocará, partilham victórias e apoiam-se mutuamente em situações onde surge a frustração.
  7. Aumentam a auto-estima
    O acto de alcançar um objectivo com a resolução de um puzzle traz satisfação à criança. As sensações de realização e orgulho fornecem um impulso para a sua confiança e auto-estima, preparando-a para outros desafios.

Por isso, vão lá tirar o pó aos puzzles talvez já esquecidos! Façam-no em família e divirtam-se!

Boas Brincadeiras!

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A importância de fazer programas adaptados às idades e gostos dos miúdos, passa não só pelo seu desenvolvimento e aprendizagem, mas também pela saúde mental dos pais. Passo a explicar: os filhos são criaturas muito persuasivas, e normalmente pouco pacientes. Se andam constantemente agregados aos programas de adultos dos pais, acabam por se tornar maçadores, embirrentos, cansativos e muitas vezes insolentes, pela falta de convivência com crianças fora do âmbito escolar.

Aos fins-de-semana, é uma óptima opção para a família. Já que eles acordam (muito) cedo, não restando grandes hipóteses de descanso, mais vale sair de casa e participar numa atividade infantil. Não como obrigação ou por regra, mas por opção.

Normalmente as oficinas são de curta duração, cerca de 1h, e muitas realizam-se de manhã, não ficando a família  todo o dia a “reboque” da própria oficina/atelier.

QUAIS AS MAIS VALIAS PARA AS CRIANÇAS?
As actividades estão maioritariamente ligados ao uso das mãos e do tacto, ajudando a desenvolver em primeira análise a expressão plástica manual e as motricidades finas e grossas em idades do pré-escolar.

Estas actividades pedagógicas são o reforço do desenvolvimento intelectual e experimental da criança, principalmente, na fase pré-escolar.Realizar actividades/oficinas fora do ambiente rotineiro  das crianças (casa e escola), favorecem:

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  • A DISCIPLINA
    As actividades não lectivas, proporcionam à aprendizagem conjunta e cooperação interdisciplinar, estimulando competências sociais e organizativas, nomeadamente a interacção/trabalho em equipe, a partilha, a comunicação oral, a comunicação plástica e a concentração. Isto só é possível através da Disciplina. As crianças, têm efectivamente necessidade da disciplina, e respondem bem aos estímulos quando se sentem orientadas em grupo.

 

 

  • AUTO-ESTIMA
    Reforçam a auto-estima e o auto-conhecimento, e desenvolvem os meios de adaptabilidade da criança em relação a grupos e espaços desconhecidos. Ao frequentar estes ateliers acompanhadas pelos pais, as crianças sentem-se seguras e criam hábitos de estabelecer relações sociais com outras crianças e adultos. A criança explora os seus receios e as suas capacidades num meio seguro, embora desconhecido, reforçando assim a sua auto-estima.
  • MOTIVAÇÃO
    Proporcionam ao alargamento de diferentes interesses, aguçam a curiosidade e desenvolvem a motivação, e a capacidade de iniciativa na realização de tarefas.

    Uma criança disciplinada é uma criança motivada. Estes ateliers têm um nº máximo de participantes, o que permite que o orientador consiga interagir com cada criança e com todas, ou seja, cada uma terá a atenção e o acompanhamento devido de acordo com o que deu a conhecer até então. Por vezes são distribuídas tarefas de acordo com o interesse de cada criança para se sentirem mais motivadas.

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As crianças reagem bem aos ateliers e workshops, se forem ensinadas a encará-los como uma extensão da brincadeira, sendo também uma extensão da sua educação.

Mesmo as crianças menos manuais, gostam de explorar novos materiais, e adoram descobrir o que podem fazer com eles. Ficam felizes por criar objetos diferentes, e desenvolvem questionários gigantes sobre as suas obras criadas.

É um desafio à criatividade e à própria curiosidade!

 

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