Quando somos mais novos queremos crescer depressa para podermos andar de bicicleta sem rodinhas e ir para a piscina dos grandes.

Queremos que nas aulas o tempo voe, mas que nos testes se demore para termos tempo de os acabar.

Gostávamos que as férias de Verão durassem para sempre, mas mal aguentávamos as saudades dos amigos da turma.

Contávamos os anos para poder sair à noite, tirar a carta.

Depois para sairmos de casa, trabalharmos, sermos independentes.

Mais tarde gostávamos que o tempo não tivesse passado tão depressa, que os três meses de férias no Verão sabiam tão bem agora.

Apaixonamo-nos, o tempo passa a voar quando estamos juntos, devagar quando temos de estar afastados.

Juntamos filhos à equação.

O tempo nos primeiros meses de gravidez passa devagar, a barriga demora a crescer e só queremos conhecer o nosso rebento. De repente olhamos para baixo e mal vemos os pés, não aguentamos com as costas e temos mil e uma coisas para preparar antes de o bebé chegar.

O bebé nasce e o tempo, esse conceito tão elástico, continua a dar-nos luta.

Passa rápido quando finalmente conseguimos descansar. Passa lentamente quando o bebé tem cólicas. É implacável quando queremos que aquele primeiro sorriso dure para sempre.

Não há nada a fazer, é uma luta que nunca ganharemos. A consciência do tempo prende-se com o que sentimos. E o que sentimos é que devíamos ser donos do tempo, mas não somos.

Mas também não devemos ser escravos dele.

Há dias que são e serão sempre uma correria, mas cabe-nos a nós aproveitar bem o tempo que temos entre mãos.

Porque apesar de parecer que passa devagar quando os miúdos estão doentes, é nessas alturas que mais precisam de nós, que temos oportunidade de os mimar mais um pouco, de contar uma história nova, de os deixar adormecer no nosso colo.

Porque o tempo pode passar depressa nas férias, mas é durante esses dias que construímos memórias que ficam para o resto da vida.

Porque quando damos por nós os miúdos estão crescidos, a fazer perguntas para as quais não ensaiámos resposta. O tempo passa e traz coisas novas, coisas boas. Traz também coisas menos boas que nos fazem dar valor aos momentos melhores.

Não controlamos o tempo, ele escapa-nos por entre os dedos mas já nos trouxe tanta coisa boa, não foi?

Quando pensámos que aquela dor não ia passar e passou.

Quando acreditámos que por estarmos a correr nunca conseguiríamos fazer as coisas bem e até fizemos.

Quando estivemos menos tempo do que gostaríamos com os miúdos, mas eles só se lembram do que fizemos enquanto estivemos juntos.

A lengalenga diz “o tempo perguntou ao tempo quanto tempo o tempo tem?”.

Eu respondo que o tempo tem tanto tempo quanto o amor de uma mãe.

 

Por Marta Coelho, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@Weheartit

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *