Os meus heróis são os pais de crianças com necessidades educativas especiais.

Em miúda os meus heróis preferidos eram os Power Rangers. Já crescida descobri que eles existem de verdade: são os pais de crianças com necessidades educativas especiais!

Todos os dias aprendo, cresço, enfrento com desafios e deparo-me com novos papéis. No entanto, há um papel que sei que jamais (até então) conseguirei saber como é desempenhá-lo ou sequer descrever na perfeição, o papel de pai/mãe de uma criança com necessidades especiais.

É bem mais fácil imaginar-me como um membro dos Power Rangers!

Não tem nada a ver com “pena”, aliás, antes pelo contrário, tem a ver com admiração por estes pais, estas famílias. Conscientes de que terão batalhas para travar mas igualmente conscientes de que não irão render-se aos desafios ou obstáculos, aos olhares e à maldade que existe. Tal como os Power Rangers, só que no mundo real!

Na verdade, nunca sentiremos na pele a preocupação, a angústia ou ânsia com que vivem estes pais. Não são pais diferentes dos outros, mas são pais com desafios diferentes e em que as emoções boas ou menos boas – que os pais de crianças ditas “normais” também vivem –  são vividas com outra intensidade.

Podemos escutar, compreender, apoiar mas não poderemos dizer que sabemos como é ser pai ou mãe de uma criança com necessidades especiais até um dia o sermos.

Podemos sim reconhecer o seu valor, a sua luta, as suas quebras, a sua garra e a necessidade que sentem em poder contar com alguém de verdade (como os Power Rangers contavam uns com os outros.)

Como são estes heróis?

Podemos reconhecer que são pessoas que, se o permitirem, abraçam mais a vida com o coração do que qualquer outra pessoa. São certamente pessoas que, quando dedicadas, se dedicam de corpo e alma sem esperar nada em retorno, porque sabem que o importante não é receber, mas sim dar. São pessoas que já são resilientes por si ou aprendem a sê-lo, lidando diariamente com situações desafiantes, desilusões, batalhas com entidades, escolas, decretos-lei, instituições, pessoas que não têm a capacidade de se colocar no lugar deles ou das suas crianças…mas voltam sempre a reerguer-se, nunca desistindo. Têm um sorriso enorme que, muitas das vezes, é apenas para os filhos e fruto dos filhos, pela pérola que estes são para eles.

Podemos também reconhecer que são pais cujo o cansaço, o medo, o sentimento de injustiça, a solidão e também a raiva estão presentes em muitos dos seus momentos, de uma forma mais apurada que outros pais. Porque antes de serem pais são pessoas com sentimentos, sonhos, aspirações e que tinham imaginado certamente outro caminho, outras lutas, outras alegrias. São pessoas cuja a vida, por um lado ou por outro, lhes trocou as voltas e lhes apresentou um desafio que nem todos sentem que conseguirão superar.

A verdade é que depois de chorar o que têm a chorar, unir-se aos que mais amam, aceitar o desafio como ele é e não olhar para trás excepto para ver o caminho feito até ali, muitos começam a aprender a ser pai/mãe destas crianças tão especiais!

A todos os Power Rangers do mundo real, Obrigada pelo exemplo!

imagem@Skandinavisk Men

Por Beatriz Pereira, BLOG “MAIS Q’ESPECIAL”

Eu acredito em Super-heróis,

acredito em pessoas comuns, com forças que vêm não se sabe bem de onde, capaz de enfrentar os maiores desafios pelos seus filhos.  Pais e mães de todos os dias.

Ontem estive com um. Um Super Herói disfarçado de Mãe.

Fui ao IPO por motivos profissionais. De caminho pensava na melhor forma de me defender. Decidi que não ia olhar, eu não queria saber a história daquelas pessoas, não queria sentir….

Entrei rapidamente, decidida a não baixar a guarda, subi as escadas para não ter de enfrentar os anónimos no elevador.

Dou comigo em pleno bloco operatório, à espera. De repente, também eu ando de um lado para o outro, reflexo daquela outra pessoa à minha frente. Olho para os olhos dela e e sinto-me desarmada. Completamente impotente, pequenina e “poucachinha”. Arrisquei dirigir-lhe a palavra e disse-lhe ”Vai correr tudo bem”, era um cliché mas não havia mais nada que pudesse dizer. Sorriu para mim (onde arranjou coragem para sorrir é um mistério), e agradeceu-me.

Nesse momento já as lágrimas me enchiam os olhos. Ali estava ela, um super herói a agradecer-me por nada. A mim que entrei egoisticamente decidida a não me envolver.

Por isso e por ti, hoje o meu agradecimento é dedicado a todas vocês, supermães.

Obrigada a quem todos os dias luta por um dia melhor, obrigada à mãe que vi carregar o seu filho já crescido pelas escadas acima até á sala de tratamentos, Obrigada ao menino que vi sair de lá a correr e Obrigada a ti pelo teu sorriso.

Hoje aprendi que a esperança não dói. Dói é não ter pelo que esperar. Que a vida não merece intervalos, que em pequenos gestos podemos encontrar paz mas, acima de tudo, chorar não é fraqueza é desabafo.

Afinal, o mundo está cheio de super-heróis.

 

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imagem@Emergenturd

Vamo-nos deixando levar por modas, mas os super-heróis passam de geração em geração como um legado precioso que se imprime na memória. Foram histórias de BD que se transformaram num reino maravilhoso cheio de poderes e influência.

Muitos de nós, como pais educadores, temos receio que este mundo imaginário confira imitação de comportamentos e condutas, trazendo um grau exagerado de agressividade aos nossos filhos (normalmente as meninas mesmo com super-poderes não deixam de ter um toque feminino e de certa delicadeza).

Ter a capacidade de voar, saltar bem alto, esmagar e no final vencer o mal é um feito imenso e dominador. A criança identifica-se com um dos heróis, toma para si os seus poderes e imita na vida real o mundo fantástico que criou internamente.

Os super-heróis são instrutivos e as suas histórias têm intenção de fazer valer a natureza moralista da sociedade. Mas para além de fazerem uso de superpoderes, estes heróis têm uma influência positiva pois ensinam a importância da autodisciplina, do auto sacrifício e de nos dedicarmos a algo bom, nobre e importante, ensinam que a ética é preciosa, a justiça funciona, os valores morais são benéficos. E quando lidam com os medos humanos e dilemas do dia-a-dia, os super-heróis são inspiradores e corajosos, e os aspectos vistos como positivos da personagem são imitados, numa tentativa de internalizar o poder e vencer. Que é o que todos queremos no final do dia … conseguir lutar e vencer as injustiças.

A maioria dos super-heróis tem uma origem humana e humilde, o que permite elevar o sonho de que é possível alguém se tornar extraordinário, mas outros traços que advém da construção das personagens são também muito positivos:

– Os heróis são, normalmente, pessoas com a intenção de ajudar os outros, proteger a cidade, vencer os inimigos;

– Os super-heróis ensinam que não devemos baixar os braços e desistir, mesmo que o mundo esteja contra nós. Inspiram as crianças a serem mais corajosas face aos desafios.

– Antes de aprenderem a ser humildes, os heróis são orgulhosos, pensam que podem tudo sozinhos e que tudo depende deles. Permite ensinar que pedir ajuda sempre que tiverem um problema ou desafio é algo muito bom;

– Quase todos os heróis gostam de ciências e enfatizam a importância de estudar, que não basta a força ou rapidez é necessário pensar antes de executar. É necessário raciocínio lógico e estratégias;

– A existência de vilões valoriza o herói, é importante para que a criança perceba que o mal exista e num conflito é possível ser ético.

– Demonstram a importância da família, respeitam qualquer modelo de família, o valor da mulher e da inclusão e o trabalho em equipa. A protecção dos mais fracos e a combater o inaceitável.

– Ensinam que falhar não significa incompetência e os erros acontecem.

Os superpoderes vão além da imaginação, plantam sementes de valores. E tal como tia May  transmitiu ao Homem Aranha, ensine aos seus filhos:

“Quanto maior o poder, maior é a responsabilidade.”