Educar para a verdade, ou mentir para poupar os filhos?

Quem tem filhos, tem medos.

E desde o primeiro momento que o nosso maior medo é vê-los sofrer. Ou não ver, mas que sofram ainda assim.

Para um bebé recém chegado pouco há a temer. A não ser o teste do pezinho, ou as primeiras vacinas – principalmente para pais de primeira viagem.

Com o tempo aprendemos que “é um mal necessário”, são breves os momentos de dor e que os beijinhos do pai e da mãe tudo curam. As crianças crescem, os pais também – é inevitável.

E das vezes seguintes, aquando as idas ao médico e respetivas vacinas perguntam-nos com os olhos mais ternurentos do mundo “Vai doer?” enquanto deixam cair uma lágrima ou se escondem atrás de nós.

Respondemos quase sempre “Não. Claro que não!” Mas será essa a verdade? Ou apenas a verdade em que nós pais queremos acreditar para que não sofram, porque não queremos vê-los sofrer?

Só que essa não é a verdade.

E podemos nós, só porque somos pais, mentir-lhes?

Vai doer sim. Mas vai passar. E no dia em que explicarmos isso aos nossos filhos estamos a educá-los para a verdade. Estamos a respeitar o medo que sentem mas estamos também a estimulá-los a serem mais fortes do que ele.

No dia em que fizermos isso os nossos filhos saberão o que esperar. Não nos dirão: “Tu mentiste! Doeu e muito.”

Haverá para nós pais, dor maior do que ver a desilusão espelhada naqueles olhos pequeninos?

No dia em que dissermos “Vai doer mas vai passar” mostramos aos nossos filhos que apesar de  encontrarem experiências dolorosas (ao longo de toda a vida), os nossos braços irão abrir-se sempre, os mimos não acabarão e a nossa voz dirá sempre, mas sempre a verdade!

ENTRE A IMAGINAÇÃO E A MENTIRA EXISTE UMA SEPARAÇÃO DE FAIXA ETÁRIA. ENTENDA QUAL É E APRENDA A LIDAR DA MELHOR FORMA COM ELA.

As crianças usam constantemente histórias quando estão a brincar, a contar algo ou até explicar o que uitas vezes é difícil para elas. Imaginar, fantasiar e contar faz parte do repertório da infância. É um recurso das crianças que é muito bem-estruturado para essa fase da vida. “A criança mais nova não mente: transforma e constrói uma realidade própria, o que é muito importante, pois a fantasia e a imaginação conduzem ao desenvolvimento de capacidades criativas”, afirma a psicóloga Maria de Lourdes Carvalho de Sousa Silveira, mãe de Leandro, Lucas e Larissa, terapeuta de casal e família do Instituto Persona de Passos, em Minas Gerais.

O problema é quando a criança começa a crescer e usa o mesmo recurso para mentir. As histórias continuam a ser para explicar acontecimentos, mas agora explicam por que não fez os trabalhos de casa, por que não chegou a tempo à aula de natação ou por que razão foi castigado na escola. As crianças encontram formas de se esquivar das consequências do que sabem que fizeram errado.

Aqui entram os pais e as diferentes formas de lidar com este recurso. Apontar o dedo e dizer a uma criança que está a mentir, não funciona!

No fundo não sabemos muito bem lidar com uma criança quer quando está no mundo da fantasia ou quer quando está realmente a mentir. Há que saber distinguir: – tanto para conseguir dialogar com a criança, como para orientá-la a não mentir e a lidar com os problemas e erros sem medo de enfrentá-los e assumi-los.

Mentira X Fantasia

Mentir faz parte da nossa espécie: a negação e o direito ao segredo são constitutivos na formação da subjetividade humana.  O psicanalista brasileiro Fábio Herrmann diz que a “mentira original é o início da humanização do ser” – já alguém viu um cão a mentir?

A mentira pode encobrir problemas graves por isso nós, como pais, queremos “cortar o mal pela raiz”. No entanto, é importante distinguir a mentira da fantasia pois desrespeitar ou cortar a criatividade numa fase de desenvolvimento em que a criança precisa de usar esse recurso, pode ter o efeito contrário.

Mas afinal, qual a diferença?

“Acho que, com a fantasia, brinca-se. Já a mentira é uma narrativa, uma forma da criança explorar o campo da oralidade. Na cabeça de uma criança pequena não existe diferença entre um e outro – são apenas meios e formas de lidar com os fatos.

É que os adultos atribuem nomes distintos “fantasia” e “mentira”, a algo que para uma criança é a mesma coisa. A criança vive, o adulto é que distingue os conceitos”, afirma o educador, Marcelo Cunha Bueno.

O que chamamos de fantasia é a transgressão da criança para um mundo paralelo – a forma como esta encara a realidade. Assim, vestindo-se de super-herói ou a contar uma história sobre um amigo imaginário, concebe um recurso para lidar com a realidade. A fantasia fornece instrumentos para a criança conseguir dar sentido e sensações, desejos e vontades às situações. É a fantasia que constitui repertório de como a criança vê o mundo.

Já a mentira, no sentido de aldrabar, disfarçar, negar é realizada por crianças um pouco mais velhas, a partir de 7 anos — quando  interiorizam as regras sociais, aprendem os binarismos (bom vs mau / justo vs injusto) e têm acesso a mais recursos linguísticos e poder de argumentação. Nesta idade, a criança poderá contar histórias para ganhar vantagem – ou seja, mentir.

O mais interessante é pensar  que a mentira é também a capacidade da criança se diferenciar da mãe, do pai ou da avó. Ou seja, a história criada é uma possibilidade de criar/manter um mundo próprio, que ninguém vê (interno, criativo), diferente da vida real, dos fatos.

Pinóquio, não!

Saber agir perante a mentira infantil é fundamental. Quando a mentira acontece, os adultos devem saber olhar com paciência e conversar com a criança: primeiro confronta-la dizendo que não está a contar a verdade e, segundo, facultando recursos e tempo para que a criança consiga refazer a situação, mas apenas com base nos facto reais.

O acolhimento é importante, já que muitas vezes as crianças mentem por medo. Então, se não contarem a verdade, procuram  um recurso de defesa contra o receio de ser castigada, julgada ou perder o amor dos pais.  O pior que podemos fazer é agir de forma repressiva, gritando, batendo ou rotulando a criança de “Pinóquio”.

“A Violência não acaba com as mentiras, aliás, antes pelo contrário, aumentam o medo de se ser descoberto, fazendo com que a criança minta mais.

Não importa quais são as desculpas que uma criança usa para não fazer os TPCs, por exemplo. Em vez de ficarem zangados, os pais devem explicar que é importante que cumpra suas obrigações, dando-lhe o tempo necessário para o fazer, não deixando que a criança comece outra atividade enquanto não tiver cumprido a sua obrigação”, explica o médico psiquiatra e escritor de livros sobre educação familiar Içami Tiba.

Outra motivação muito comum para a mentira da criança é a necessidade de chamar a atenção (mas, convenhamos, nós fazemos isso direto também!). Como quando se queixa de dores de barriga ou cabeça. “Inicialmente, é preciso dar o devido crédito e levá-la ao médico se for necessário”, diz o pediatra e consultor da Pais&Filhos, Claudio Len, pai de Fernando, Beatriz e Sílvia. Para ele, a criança pode mentir para não stressar a mãe e o pai. “A questão da mentira não é sempre uma tragédia. As crianças são muito sinceras, esta sim é a característica marcante da infância. São mais verdadeiras que adultos, especialmente as mais pequenas. É muito mais frequente os pais mentirem aos filhos do que o contrário”, afirma.

E o educador Marcelo Bueno concorda. Questionado se existe uma idade em que as crianças mentem mais, não hesita: “quando se tornam adultos”. Portanto, relaxe. A mentira está presente na vida de todos nós – e cabe ao adulto direcionar a criança para a verdade, sempre. Mas uma mentirinha ou outra que não prejudica a integridade de ninguém pode passar sem muito stresse.”

Era uma vez…

Ah! O mundo da fantasia… O extraordinário lugar onde tudo é possível, as situações têm solução e os personagens possuem personalidade bem delineada: o Lobo Mau é mau. O Príncipe é bom. O super-herói é forte. O lugar cheio de imaginação que é criado na cabeça das crianças a partir dos 2 anos, em média, é um mundo onde esta tem um certo domínio sobre o mesmo. E a fantasia existe porque o mundo real, o dos adultos, é muito complexo para a criança e difícil de ser assimilado e aceite. Assim, as crianças utilizam a fantasia para criar o seu próprio universo onde tudo é possível e as situações possuem solução – geralmente com um final feliz.

É entre os 2 e 7 anos, principalmente, que a fase de desenvolvimento acontece através da imaginação.

Além disso, é a fantasia que primeiramente mostra o lado bom e o mau dos fatos das nossas vidas: com os contos de fada, por exemplo, as crianças conseguem projetar-se nos personagens e entender basicamente o que é o correto e o errado, o justo e o injusto e assim por diante. Daí a importância tão grande dos contos dos Irmãos Grimm.

“As crianças aprendem e desenvolvem-se através do uso da fantasia. Pois é assim que vão entender o que se passa ao seu redor, contribuindo também para a formação da sua personalidade. A criança expressa as suas preocupações através dos personagens que escolhe e das histórias que cria. Por exemplo: uma criança pode fantasiar ser médico quando deseja cuidar de alguém de quem gosta e que esteve ou está doente. Ela pode fantasiar ser um super-herói procurando compensar a fragilidade que sente”, explica Mirian Chaves Carneiro (mãe de Conrado, Lígia e Estevão) psicóloga e professora do projeto Mala de Leitura da UFMG, idealizadora e coordenadora voluntária da Biblioteca Comunitária Etelvininha Lima, no bairro Pompeia, em Belo Horizonte.

É com a fantasia, também, que a criança expressa suas emoções e sentimentos.

Um urso está zangado com a mãe porque esta lhe ralhou. Exemplos fáceis de serem compreendidos e que têm mensagens bem subliminares.

Portanto, se o seu filho está no mundo da fantasia a única coisa a fazer é entrar na brincadeira. Estabeleça um diálogo com os personagens. Quanto mais brincadeira e fantasia, melhor. Então, deixe seu filho fingir que é super-herói e ter amigos imaginários. Faz bem! Agora, a criança não pode afastar-se de sua identidade constantemente. Isso significa que, em alguns momentos, é necessário que a criança viva a situação de forma completa, estando realmente presente.

O educador Marcelo Bueno dá um exemplo: na escola, durante uma atividade em grupo em que a criança é questionada sobre a sua opinião, esta deve responder como pessoa, e não como um super-herói.

O conto Serena, de Luís Fernando Veríssimo relata bem esta situação: uma menina tinha uns pais que discutiam muito. Um dia, discutem à mesa de jantar. Depois de comer, Serena sai da mesa e vai brincar às casinhas – pais e filha comem e os adultos discutem, então vem um gigante e manda os pais sossegarem. Na história, a fantasia esta menina a ajudou a lidar com a dificuldade, mas na verdade, não fez nada para ser o Gigante no momento da discussão. Ela foi o Gigante após viver a situação real, inventando com sua imaginação um novo final”, conta Marcelo.

À medida que a criança substitui a simbolização pela linguagem elaborada, saberá distinguir a fantasia da realidade e poderá utilizar a fantasia de forma criativa sem perder a noção do real. Naturalmente, usa menos a fantasia para se expressar, porque tem mais consciência sobre a realidade, noção de lógica, domínio de regras sociais etc. Por isso, os pais não precisam se preocupar em ser “politicamente corretos” em relação à fantasia da criança: ou seja, não é preciso – e nem bom! – que os pais derrubem as crenças dos filhos ou neguem a existência de alguns personagens como o Pai Natal ou Princesas.

Confie, a criança vai assimilando a realidade gradualmente e sem traumas, ao contrário do que muitos temem.

Como trabalhar a mentira de forma positiva

1. Nunca chamar a criança de mentirosa mas sim escutá-la com atenção para poder ajudar-la

2. Explicar as consequências de uma mentira com exemplos práticos, sempre tentando manter um canal de comunicação aberto entre pais e filhos

3. Não gritar e nem pressioná-la com interrogatórios. O seu filho irá sentir-se acusado e o medo poderá fazê-lo mentir outra vez

4. Estimular a criança a colocar-se no lugar dos outros

5. Tentar compreender o significado implícito na mentira

6. Na escola, os professores nunca devem expor crianças que mentem na frente dos colegas

Por Pais e Filhos Brasil, adaptado por Up To Kids®

LER TAMBÉM…

O esforço colocado na crítica vã, deverá ser canalizado para ajudar

Uma criança que mente precisa de ser educada, e não receber menos carinho

Porque mente uma criança?

Uma criança que mente precisa de ser educada, e não receber menos carinho

Talvez levando em consideração uma fantástica frase do Dr. Seuss que diz que “os adultos são simplesmente crianças obsoletas” seja mais fácil entender porque mente uma criança. A empatia com os mais novos é uma arma poderosa, porque também nós, adultos, mentimos de vez em quando.

Todos os pais gostam de saber porque razão os seus filhos mentem. Às vezes poderia ser tão simples como tentar pensar como eles. Será que nossos filhos são conscientes da gravidade da mentira? Sabem diferenciar o tipo de mentira que contam? Vamos tentar responder a estas perguntas.

O estudo sobre as mentiras das crianças

Não, uma criança que mente não é menos afável. De facto, segundo a psicóloga Victoria Talwar da Universidade McGill, no Canadá, nem sequer consideram a mentira como algo objetivo: dizer uma verdade ou uma mentira depende apenas das consequências da mensagem, ou seja, do dano que estas causarão.

Segundo o estudo de Talwar, a criança optará por mentir ou não, consoante o castigo ou a consequência a que será sujeita. As crianças não mentem de propósito, simplesmente tentam evitar uma situação negativa.

No entanto, quando a mentira é por parte do progenitor para a criança, o dano é muito maior. Nesse sentido, os nossos filhos consideram que estão a ser traídos.

O estudo realizado com 100 crianças de 6 a 12 anos e os respetivos pais, resume que os progenitores costumam ensinar aos filhos que não se deve/pode mentir. No entanto, os pais como educadores também mentem, mesmo que seja para tornar a vida mais fácil aos filhos, ou poupar-lhes alguma tristeza. Esta é uma atitude que confunde os filhos, especialmente quando se trata de crianças de tenra idade, que estão em fase de aquisição de exemplos comportamentais.

As crianças têm em mente a motivação da mentira na hora de julgá-la?

No estudo realizado por Talwar, foram exibidos diversos vídeos às crianças com situações nas quais alguém era castigado. Numas situações uma pessoa mentia e um inocente era castigado; noutras, ao dizer a verdade o culpado que recebia o castigo.

Depois de terem visto o vídeo, as crianças respondiam a questões sobre os diferentes personagens. A intenção da investigadora era conhecer o julgamento moral que as crianças retinham das situações apresentadas e analisar os estágios de desenvolvimento de cada criança a este respeito.

As respostas foram muito variadas e levaram a diferentes interpretações. Embora não haja nenhuma idade específica para distinguir entre a verdade e a mentira, foram observadas nuances em termos desta variável:

  • As crianças menores que participaram da experiência em geral avaliaram a mentira como negativa. No entanto, também foram mais condescendentes quando a mentira evitava ou reduzia um dano ou castigo.
  • Para as crianças de idades compreendidas entre 10 e 12 anos, a diferença entre verdade e mentira era mais difusa. Eram conscientes das consequências tanto de dizer uma verdade como de não dizê-la, e agiam segundo seus interesses com total consciência.

Uma criança que mente tem os seus motivos?

Quando uma criança mente, sobretudo segundo sua idade, não devemos ver isso como uma traição ou um ato digno de indignação. Segundo Alicia Banderas, autora do livro “Pequenos Tiranos”, as crianças mentem para evitar para evitar castigos. Outros motivos poderiam ser: a vergonha de ter agido mal ou para aproveitar alguma atividade que elas adoram mas que sabem que está proibida ou restringida nesse momento.

Por outro lado, as pesquisas revelam que  crianças com um desenvolvimento cognitivo mais avançado já começam a mentir aos dois anos. O normal é começar a fazê-lo a partir dos 3 ou 4 anos e fazem-no da mesma maneira que mergulham no resto dos terrenos desconhecidos. Isto não é mais do que a experiência por tentativa e erro, dizer uma mentira e comprovar até onde chega o drama das suas consequências.

Além disso, em determinadas situações e já com certa idade, a mentira pode ser provocada por querer chamar a atenção. Ou até mesmo por pura proteção da intimidade da criança ou até por puro desejo.

Assim, enquanto pais, devemos estar conscientes do que fazemos sempre que mentimos aos nossos filhos. Se descobrirem a mentira, provavelmente vão se sentir traídos. Além disso, se usarmos a mentira para manipular as crianças com promessas que depois não cumpriremos, um dia a nossa palavra não terá qualquer valor.

Por isso ficamos com a conclusão do estudo de Talwar.

Os pais e educadores têm que comunicar mais com os filhos e explicar as diferenças entre a mentira e a verdade. Como na maioria das situações, o diálogo é a melhor solução.

imagem@depositphotos

Por Pedro Liberdade em A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

 

LER TAMBÉM…

As crianças e a mentira

20 mentiras (inhas) que as mães dizem aos filhos

Porque mente uma criança?

Porque mente uma criança?

As crianças mentem por duas razões: porque para elas é “verdadeiro” ou por medo.

As crianças pequenas não sabem distinguir a fantasia da realidade, tudo é possível e tudo é verdadeiro. Os super-heróis que vêem na TV têm “mesmo” super-poderes, os animais falam, os barcos voam e as fadas têm capacidades mágicas.

Por outro lado, não tem percepção de que o outro tem uma existência individual da sua. O mundo que a rodeia é à semelhança do seu próprio mundo e não consegue perceber que existe uma outra realidade que não seja aquela que vê ou que sente. Dito de outra forma, se a criança está a ver, é porque existe, se não é, não existe. É por isso que uma criança pequena quando brinca ao “CuCu, ao tapar os olhos deixa de ver e acha que o outro não a vê a ela.

Então as brincadeiras e expressões, que para os pais podem não ser verdadeiras, para a criança são. Por esse motivo, que quando sonham e acordam assustadas precisam de ser tranquilizadas e não que lhes seja dito que era só “um sonho”, que não aconteceu de verdade, pois para ela é difícil fazer a destrinça entre ambos, para ela é real.

Details

Um dos meus filhos é extremamente criativo. A sério, ele nem sequer chega a ser mentiroso, é mesmo criativo. Próprio da idade, os amigos, por vezes, chamam-lhe mentiroso. É já um clássico eu chegar ao colégio e virem confirmar comigo as histórias que  lhes conta. “É verdade que o João vai ter um gato?”. “- Sim, é verdade”, confirmo. “E que o gato vai ter uma mochila cósmica e vão viajar juntos no tempo?” ” – Hum… Ora então vamos lá saber: Existem mochilas cósmicas que nos permitem viajar no tempo?” – “Não!” ” – Então esqueçam essa parte!”

Acho graça que não tenham a capacidade de distinguir o que é inventado daquilo que é real. Receio até, que o meu filho também acredite nas suas próprias histórias!

Já quando era mais novo, os desenhos realizados no colégio sobre o fim de semana, nunca correspondiam à verdade, mas sim a algo bastante mais interessante do que aquilo que tinha feito. Ou era uma pesca em alto mar, ou tinha ido a uma corrida de cavalos, ou até a um concerto de musica Rock aos 4 anos! E o mais engraçado é que a Educadora achava de facto que tínhamos fins de semana muito preenchidos!

A pesquisar sobre o tema, e a tentar perceber o porquê desta necessidade ou vontade de desancorar da realidade, encontrei este texto na Revista Crescer , que me deixou bastante mais descansada.

Criativo, mas com memória de elefante! Deixa-lo crescer fora da caixa. Tem tempo para ser quadrado o resto da vida!

“Seu filho é desses que vivem inventando histórias? Diz que foi a lugares que não foi, que comeu coisas que não comeu, que passeou por lugares onde, na verdade, nunca esteve? Ela conta que leu livros que nunca nem tocou?

Sim, é natural que os pais se preocupem quando surpreendem a criança contando uma mentira. Mas pesquisas apontam que esse “talento” para inventar  lorotas não é, de todo, ruim. Um estudo publicado no Journal of Experimental Child Psychologyconstatou que crianças que são boas em mentir tem uma melhor memória de curto prazo, principalmente sob o aspecto verbal. Isso porque é preciso ter certa habilidade para inventar histórias, sustentá-las sem cair em contradição e ainda convencer seu interlocutor pelos detalhes.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao realizarem um teste com crianças entre 6 e 7 anos. Eles propuseram aos pequenos um jogo de perguntas e respostas. Havia três cartas, cada uma com uma pergunta de um lado e a resposta no verso, ilustrada por um desenho. Os pesquisadores faziam a pergunta e as crianças deveriam respondê-la, se soubessem. Na última carta, a questão se referia ao nome de um personagem de um determinado desenho que… nunca existiu. Ou, seja as crianças jamais poderiam acertar a resposta. No entanto, antes de os pequenos terem a chance de contestar essa última questão, o pesquisador saía da sala por um momento – enquanto isso, as crianças eram gravadas.

Foram avaliadas as respostas de todas essas crianças que espiaram a carta enquanto o pesquisador não estava na sala e, portanto, responderam corretamente à questão. A qualidade da mentira foi avaliada pela riqueza de detalhes que cada criança deu. Alguns até disseram coisas como: “Esse é o meu personagem favorito, assisto todo sábado, então, conheço os personagens”.

Essas crianças que mentiram melhor também alcançaram notas mais altas nos testes de memória. Para os pesquisadores essa vantagem ficou evidente pela forma desenvolta com que os melhores mentirosos responderam. “É preciso muito esforço mental para manter em mente o que você sabe que disse, o que você acha que o pesquisador sabe e planejar uma maneira de não ser pego”, comentou a autora do estudo Tracy Alloway.” in Crescer

Por Up To Kids®

Todos os direitos reservados.

imagem@mama365.mk/

 

As mães estão de serviço 24h/dia, o que faz com que muitas das vezes, comecem a apresentar sinais de cansaço extremo. Esta situação, faz com que todas as teorias que tão arduamente tentamos pôr em prática diariamente, se dissipem num estalar de dedos, e comecemos  a aplicar métodos pouco ou nada pedagógicos (mas muito criativos) para alcançar o resultado que queremos, sem dramas, nem complicações.
Aqui fica uma lista das 20 mentiras mais usuais neste universo:

  • Diferente o teu peixinho? Como assim? Está exactamente igual, só se cresceu! 
  • A fada dos dentes não apareceu? Hum, se calhar teve muitas casas para ir e deixou algumas para o dia a seguir…. Vais ver que hoje aparece, deixa ficar o dente debaixo da almofada! 
  • Não é sopa de abóbora. É de cenoura!
  • O ipad está sem bateria.
  • Já não vendem pilhas para esse brinquedo, que pena. Mas ainda dá para brincar, agora só não faz a sirene de bombeiro!
  • O meu chocolate? Podem comer mas é picante. Quem quer?
  • No centro comercial:
    -Pronto, olha o segurança a falar no walkie talkie. Já chamou alguém para vos vir buscar. PAREM DE CORRER!
  • Hum, era óptima ideia fazer panquecas agora, mas não temos açúcar suficiente… fica para amanhã…
  • Se não arrumarem o quarto vou buscar um saco de plástico e dou os brinquedos todos aos pobrezinhos!
  • A auxilias Ana lá da escola telefona-me sempre que não comes o lanche todo.
  • Não se pode fazer barulho aqui, vejam ali escrito (e aponto para a primeira placa que aparece… só funciona até aos 5 anos!)
  • Claro que fui comprar os cromos, só que estavam esgotados. Agora só há na próxima semana.
  • Não tenho aqui moedas…
  • Deixa ver se o dente está quase a cair… juro que não vou fazer nada!
  • Eu sei que não lavaste os dentes, porque eu tenho um poder que deteta quando os meninos estão a mentir.
  • Quando mudamos de marca de iogurtes ou cereais:
    É impossível estar diferente. É exactamente a mesma coisa. Só mudaram o rótulo.
  • O Bobby foi para uma quinta de cães e agora é muito feliz lá!
  • Vou jantar fora mas não demoro nada… é possível que chegue antes de adormeceres, mas não fiques à espera! (- Dentro de poucos anos, são os meus filhos a dizer-me isto…)
  • Não tenhas medo eu estarei sempre aqui para te proteger. (… i wish)
  • Achas que eu te ia mentir? (Ups…esta é daquelas que… sem comentários…o karma vai usa-la contra mim!!! E os meus filhos também, muito brevemente!!!)

 

Tem mentiras(inhas) diferentes para nos contar? Deixe um comentário!

 

Por Up To Kids®
Todos os direitos reservados

imagem@net