Carta a um jovem universitário

Estás a começar uma etapa importante da tua vida.

Já ouviste dizer que é determinante, que vai mudar tudo e por isso sentes algum peso sobre os ombros.

O peso dos teus sonhos, o peso da responsabilidade, o peso de não teres a certeza na maior parte das vezes… Eu sei e quero que saibas que não estás sozinho.

Que o curso que escolheste pode definir o teu percurso, mas não é uma marca a ferro na tua pele que possa determinar de forma definitiva o que vais fazer com esse futuro.

Acredita que, se te permitires, vais fazer uns quantos bons amigos. A ilusão talvez seja de que vão ser dezenas, mas no fim, como em tudo na vida, só ficam os que importam.

Acima de tudo vais conhecer-te melhor. Vais ser confrontado com situações que são inéditas para ti e aprender com as respostas que vais dar a cada um dos desafios.

Vais sentir-te no topo do mundo e, em alguns momentos, sentir-te muito só.

Vais questionar as tuas escolhas. Afinal para que servem aquelas cadeiras teóricas cuja bibliografia em três línguas não te dizem absolutamente coisa nenhuma.

Vais pensar desistir. Vais pensar em levar até ao fim só porque é isso que esperam de ti.

Lembra-te que, acima de tudo, o que se espera de ti é que cresças. E isso significa pores os teus problemas em perspectiva. Pores as tuas relações na balança, os teus sonhos sob escrutínio (teu!!!), as tuas decisões na almofada à espera de uma resposta quando o sol nascer.

Deixaste para trás anos de ensino pensados para todos de igual forma e é-te dada a oportunidade, ainda que de forma algo generalista, de te encontrares nas páginas dos livros que lês, dos trabalhos que te são atribuídos, no convívio nas apresentações de grupo, nas aulas práticas e nas horas de estágio. Na partilha de apontamentos e truques, experiências sobre os professores e aquelas cadeiras que parece que nunca vais conseguir fazer.

E claro, fora dos anfiteatros, nas jantaradas, saídas, directas. Nas novas amizades, nas novas paixões, nas desilusões.

Espera-se de ti que cresças no meio desse turbilhão e, acredita, é possível.

Também é possível que te percas pelo caminho, que cometas um ou outro erro, que faças asneiras, que digas coisas que não devias ter dito, que bebas mais do que seria desejável. Seres confrontado com avanços indesejados, com substâncias que não te interessam, com pessoas que não te dizem coisa alguma. O importante é o que vais fazer depois de tudo isto acontecer. Saber pedir desculpas, tomar um banho de água gelada, nunca pegar no carro depois de beber nem com quem tenha bebido. Saber dizer não e fazer a tua voz ser ouvida.

Os anos que agora estás a começar são importantes. Irás olhar para trás, por cima do ombro, e lembrar-te deles. Faz os possíveis para que as memórias desses tempos sejam positivas, que te deixem um sorriso.

E lembra-te, esses anos não são iguais para ninguém. Não te sintas pressionado a viver o mesmo que os outros, mesmo que os outros sejam as pessoas mais importantes para ti.

Tenta descobrir quem és sem nunca desrespeitares os outros.

Sem nunca te desrespeitares a ti.

Estuda. Por mais difícil que seja.

Dedica-te, por menos perspectivas de futuro que existam.

Esses anos vão passar a voar. Aprende a deixa-te levar e a não remar contra a maré.

image@depositphotos

Existe uma geração à rasca?

Existe mais do que uma! Certamente!
Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.
Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações.
A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.
Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.
Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos…), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.
Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, … A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.
Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.
Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.
São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer “não”. É um “não” que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.
Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.
Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.
Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.
Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.
Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.
Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.
Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?
Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!
Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).
Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos – e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas – ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.
Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.
Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.
A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.
Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam. Haverá mais triste prova do nosso falhanço?
Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.
Pode ser que nada/ninguém seja assim.

Texto de Assobio (Maria dos Anjos Polícia), publicado originalmente aqui, a 9.03.2011

imagem@tecnologia.com.pt

Começo por perguntar o que é a Força? Teríamos de ter em conta os seus vários espectros e dividi-los entre o que corresponde ao físico e o que corresponde ao psicológico. Ao aspecto físico apontaríamos o óbvio: massa muscular. À psique, a definição é mais difícil. Lealdade, integridade e honestidade, talvez. Bravura, sem dúvida. Também ao sermos beijados  na face pela adversidade, o termos a capacidade de ver luz ao fundo do túnel. É sobre isso que vos vou falar. De Força e falta dela.

Não existe qualquer dúvida que o ser humano sempre foi um animal providenciado de uma certa dose de crueldade. Essa carrinha de fornecedores chegou a tempo e horas, algures no decorrer da nossa aprendizagem do Ser. É, no entanto, uma característica que tentamos afastar ao máximo das nossas vidas. Desdobramo-nos como pequenos flyers informativos e revelamos o que de melhor há em nós. Deixamos a roupa suja fora da vista dos convidados que chegam a nossa casa. É perfeitamente normal. Ninguém se apresenta juntamente com um anexo agrafado à testa contendo uma pequena lista de defeitos. No reverso da moeda, há também alguns pontífices na arte da demonstração de crueldade, arte esta que se evidência muitas vezes em idade miúda e que, por vezes, se prolonga até à idade graúda..

Há um ano atrás, na Figueira da Foz, foi filmado um vídeo que nos mostra, com exatidão, esta mesma demonstração artística por parte de duas adolescentes e um pequeno grupo de colegas seus que desenhou um pequeno perímetro em semi-círculo à volta do jovem agredido. Acredito que o vídeo não fosse exatamente classificado “para todas as idades”, portanto, recomendaria prudência ao vê-lo. É-nos mostrado uma rapariga que prontamente toma a liderança, incitando os restantes colegas a participarem interessadamente nesta actividade extra-curricular. Chapadas atrás de chapadas precedem murros e pontapés. Não passou a mais nada talvez, pois o rapaz teve o bom senso de não resistir. Atentem, neste caso sim, chamo-lhe bom senso. Imaginem que, porventura, o jovem decidia ripostar. Facilmente as coisas ganhavam outras medidas.

Outro exemplo de violência desmedida: no domingo passado em Guimarães, aquando do jogo do Benfica, um polícia ataca um adepto por, alegadamente, ter cuspido e ameaçado o agente. O filho deste adepto estava a escassos centímetros do pai, a vê-lo ser espancado e algemado. A criança ficará obviamente com estas imagens gravadas na sua cabeça. Algo que nunca desejaríamos aos nossos filhos.

O meu pensamento dirige-se mais para a análise comportamental do Homem e dos seus porquês. Quais são os requisitos necessários durante a criação de um ser humano que fazem com que estes intintos animais se sobreponham à racionalidade e civilidade. Quem somos nós enquanto  pais, filhos, professores e enquanto elementos integrantes de uma sociedade e cultura para agirmos desta forma perante os outros?

Força não é bater em alguém porque podemos. Força não é ridicularizar alguém porque temos a possibilidade de o fazer. Força não é exercer poder sobre alguém aparentemente mais frágil. A verdadeira força está em saber que não gostamos de alguém e conseguirmos respeitá-los independente disso. Força  está em saber amar sem vergonha. Força é saber olhar uma pessoa nos olhos e pedir desculpa. Força é enfrentar o erro e repará-lo. Força é saber expressar sentimento na palavra como na acção. A grandeza não está nas pernas ou nos braços. Está no coração e na mente.

Para mim, e cito, “isto é força, isto é força”.

Por Diogo Lopes, 
para Up To Lisbon Kids®

Todos os direitos reservados

Isto de falar sobre violência doméstica, assunto que nos toca fundo, deve ser escrito com as ideias assentes, sem dúvidas, de um modo circunscrito, balizado, incisivo, sem dar largas à especulação infantil que toca na parede mestra das liberdades e direitos, e a derruba. A leviandade com que se fala de violência é tão ou mais perigosa do que a violência em si, porque na minha opinião toca em dois pontos que não se encontram totalmente claros na cabeça de muita gente.
É muito fácil atribuir a culpa da agressão ao agredido, e neste campo são as mulheres a ganhar caminho contra outras mulheres, profícuas em proteger os homens, os filhos, os maridos, os irmãos, deitando por terra o longo e sinuoso caminho que entende a violência doméstica como consequência e não como causa.
Escrever sobre violência doméstica é perigoso. Ou o autor resvala para a autocomiseração e para a vitimização da mulher, fraca e oprimida, à mercê do macho viril qual inseto debaixo da sola, ou resvala para a culpa da mulher, que em todo o caso ‘mereceu’ a agressão, ‘estava a pedi-las’, ou calibra a violência de acordo com a situação, isto é, deixa a culpa onde o senso comum e o seu nível de preconceito se encontra melhor adaptado.
Quero com isto dizer que ou ficamos definitivamente do lado da mulher, mesmo que ela seja uma perdida, uma tonta, uma qualquer, ou lhe metemos as culpas, culpando-a por ser frágil, por perdoar, por se deixar bater, e por não reagir denunciando.
Nos caminhos que tracei como únicos (não podemos ser nim e nem Charlie) estou radicalmente do lado da mulher, mesmo que me aflorem raivinhas-de-dentes quando algumas ‘se põe a jeito’ dando uma segunda oportunidade ao agressor, mas isso sou eu a destilar o meu veneno anti-submissão, e esta derivação canina não me deixa lugar à violência, seja ela qual for, em qualquer dos casos.

Escrever sobre violência doméstica é perigoso.
Escrever sobre violência juvenil é um pântano.

As dúvidas sobre o que leva um miúdo a agredir a namorada eleva o problema a um outro patamar. Não é suposto que um miúdo com 18 anos seja alcoólatra, que esteja no desemprego, que sinta ganas de matar por ciúme, que tenha um historial frustracional capaz de partir para a violência gratuita, derivado de recalcamentos antigos, que sempre atribuímos à violência adulta.
A profundidade do pântano é desconhecida, não sabemos se a água podre se fica por ali, ou se vai desaguar em violência crescida, violência assumida, ao chegar a idade adulta.  É que vede, para mim a juventude é uma parede branca. Um inicio. Um maravilhoso inicio para tudo o que pode vir a ser, e a esperança que traz uma parede branca, imaculada, onde nos podemos perder em pinturas, quadros, estantes, ou apenas abrir nela um buraco e fazer uma janela, deve ser de todas a mais protegida. Manter a parede mestra de pé, urge. Sem parede ninguém pinta, sem parede vão-se os sonhos.
E as janelas.
A parede mestra [na violência juvenil] é aquela que divide o mais forte do mais fraco, o mais cool do mais totó, o mais abonado do mais endinheirado, o mais esperto do mais inteligente. É a que trava impulsos infantis do género tau-tau, do género filial, sem consequência ou consequência banal.  ‘Levas agora um estalo como me dava a minha mãe, que isso depois passa’. E nós a ver que não, que a raiva juvenil é como um animal acossado, e do estalo ao murro… enfim, já sabemos onde vamos bater com a cabeça.
A parede mestra que urge proteger é que evita a domesticação da violência.
O título do post: ‘bates forte cá dentro’ surgiu-me de forma espontânea quando tentava fazer a ligação entre o exemplo que retiramos diariamente dos reality shows (e das redes sociais que comentam este tipo de programas) e o aumento da violência entre namorados, por um lado, e esclarecer o leitor quanto a este meu conceito de ‘domesticação da violência’.
O que é isso de bater numa miúda em frente dos amigos? E na televisão?
O que leva um fedelho de 20 anos, que mal segura as calças nos ilíacos, a dar uma tareia na namorada, com instintos de macho alfa, entesuado por exemplos domésticos, quiçá inocentes, permitidos socialmente através das televisões e comentários na internet?
Que fraca parede foi esta, que inútil muro é este, que ao despontar da maturidade imberbe, como desponta a barba mal semeada, não foi capaz de evitar o caminho funesto da violência fortuita, experimentativa, curiosa, como o é a adolescência, e que ocupa todo o espaço da relação, caindo desamparado e deixando entulho suficiente para enterrar uma família inteira?
Poderia esculpir aqui uma teoria baseada no aumento da miséria humana, da pobreza, nas raízes secas desta gente, sem eira e nem beira, sem chão. Delinquentes, perdidos nesses bairros sociais, repletos de problemas irresolúveis, engolfados pelo sistema vigente, pobres também no espírito acomodado.
Mas cai-me por terra a parede que tento erguer entre a plebe cicatrizada e a classe menos vadia, entre o bairro social e a classe mediana do subúrbio nascido rente ao Centro Comercial, entre os mal formados e os pouco formados, entre os que se criam na rua sem muros e sem janelas, e os que se criam em casa, atrás de ‘janelas’, que partem muros e partem tudo.
Nas redes sociais não se distinguem. Escrevem todos pessimamente mal, cabeças de galinha e grandes unhas de gel apoiam com ternura um estalo bem dado a uma que já ‘andava a pedi-las’, e aplaudem a atitude correta e inevitável do namorado que deu um puxão de cabelos para dar a lição maternal, e para a ensinar ‘a ter juízo’.
Meninas, mas que é isso?
Quereis ser filhas ou mulheres?
E confundem-me, porque os que escrevem muito bem, os cultos, os interessantes, os participativos, também gostam de pancadaria, que eu bem os vejo… por aí.
Bates forte cá dentro! Pois parece que já nem o pudor e o cuidado de bater ‘como deve ser’ se fica entre quatro paredes.
E agora bates forte também cá fora!, bates forte nos comentários!, bates forte atrás do anonimato!, bates forte escondendo a cara!.
E bates forte na discoteca com um telemóvel a gravar o gajo a apertar-lhe o pescoço.

Foi-se a parede mestra.
Domesticou-se a violência.
E assim vai a juventude.
Como eu, que vim agora do Facebook, precisamente de uma caixa de comentários que comenta alarvemente a agressão ‘nada de especial’ de um rapazola à sua namorada da Casa dos Segredos, mãezinha do céu! o que para ali vai de apoio feminino ao rapaz que agrediu a miúda à chapada e de rapazolas cheios de tudo, nos peitos vazios.
Batem-me forte cá dentro, estes que no fundo andam é a bater muito mal!

Por Uva Passa, no Blog Uva Passa
autorizado para Up To Lisbon Kids®

imagem capa@dig.do

Todos os direitos reservados


Campanha contra a violência no namoro – Quem te ama, não te agride!
[youtube https://www.youtube.com/watch?v=yUzMM_2ZV5A]