Deixar os bebés no infantário antes dos 2 anos, sim ou não?

Os bebés até aos 2 anos, por vezes até mais, não têm vantagens nenhumas, nesta dita “socialização”

“Estamos a pensar colocar o bebé no infantário porque em casa aborrece-se. E se calhar não desenvolve tão bem, não acha Enfermeira?”

E eu penso: “ Se os bebés falassem! …”

Pensem nisto:
Se os bebés falassem e pudessem responder às seguintes questões, quais seriam as respostas que eles dariam?
“- Martim, o bebé prefere levantar-se todos os dias à hora que quiser ou prefere, levantar-se todos os dias cedo e sair de casa com chuva e frio?”
“- O que prefere Laura? que a avozinha lhe dê a comida à boca na sua cadeira como uma “lady” ou esperar que num conjunto de 8 bebés chegue a sua vez?”
“- Olívia, prefere dormir a sesta na sua cama ou no berçário com mais 6 bebés que não adormecem ao mesmo tempo?”
Estas são apenas algumas questões que me passam pela cabeça quando oiço pais com este discurso. Sei que é um tema controverso, mas se me perguntam a minha opinião, eu tenho de responder o que penso e acabo por falar também da minha experiência como mãe.

Antes de mais, e para não tornar este texto ainda mais polémico ressalvo que, grande parte dos infantários e colégios desempenham um papel maravilhoso e cuidam da melhor forma possível dos bebés.

Certo é, que atualmente, entre os 4 e os 6 meses de vida de um bebé, muitos são os casais que por questões profissionais se vêm obrigados a tomar a decisão de colocar o filho num infantário.

O meio laboral é cada vez mais exigente e feroz e por mais que as leis até tenham vindo a melhorar, há que dizer que ainda há muito a melhorar para que todos (entidade patronal, pais e filhos) saiam a ganhar.

E se há uma avó disponível, para ficar com o bebé?

Os pais devem recorrer a essa solução? Ou pode não ser a melhor solução para bebé?
Recentemente numa das minhas leituras deparei-me com a informação que no congresso nacional em Espanha de Pediatria, realizado em Sevilha, a opinião foi unânime:
“ Os Pediatras aconselham não escolarizar os bebés antes dos dois anos de vida.”
Recorrentemente, em conversa com alguns casais surge a frase:
– “Tenho receio que não desenvolva, já li que é importante que brinque com outros meninos”
A minha resposta baseia-se também na minha experiência pessoal. Dou o exemplo dos meus filhos que só foram para a “escolinha” aos 4 anos, e que por várias vezes em consulta, o Pediatra me disse:
“Aqui temos 2 crianças que são o exemplo que se forem estimuladas em casa desenvolvem como se estivessem no infantário!

Deixar os bebés no infantário antes dos 2 anos, não traz qualquer mais-valia para a criança.

Os bebés até aos 2 anos, por vezes até mais, não têm vantagens nenhumas, nesta dita “socialização”

Nestes dois primeiros anos de vida o que é importante é o desenvolvimento emocional. É a altura ideal para uma boa base afectiva. Ele precisa de rotinas, do seu espaço, mimos, basicamente o seu “minimundo”! O bebé ainda não está preparado, nem interessado no que se passa fora do seu minimundo.

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Quem já ouviu esta frase:
“ Sei que se colocar o bebé no infantário vai adoecer mais vezes, mas vai acabar por ganhar mais imunidade!” Será?

Os bebés e a imunidade

Crianças que frequentam o infantário têm duas a três vezes mais probabilidade de adoecerem com otites médias, constipações, gastroenterites, bronquites, faringites … pneumonias. Consequentemente, acabam por tomar mais medicamentos, inclusive antibióticos, do que as restantes.
Sabia que o sistema imunitário só está completamente desenvolvido por volta dos 2-3 anos? O mesmo vírus, num bebé de 6 meses pode deixa-lo de cama durante uma semana e numa criança de 4 anos não desenvolver qualquer sintoma?

Vamos deixar de inventar desculpas!

Não existe nenhum estudo científico que comprove que meninos colocados precocemente no infantário têm melhor desempenho escolar ou profissional!
Voltando à minha experiência como mãe, posso dizer-vos que no primeiro dia de “escolinha” ambos me viraram as costas e  disseram: – “Adeus, mãe!”. Sem uma única lágrima. Estavam preparados para esta nova etapa e sem a angustia da separação comum em bebés mais pequenos.
Em suma os infantários, são uma excelente solução para o problema:
– “Não tenho com quem deixar o meu bebé quando começar a trabalhar”.
Se não há outra solução, nada melhor que deixar os bebés com profissionais experientes em espaços certificados para o efeito. Neste caso, a escolha do local, é importante e deve ser feita com antecedência.
Procurem informações sobre o infantário, visitem-no e aproveitem para fazer todas as questões que vos preocupam

 

[Para saber tudo o que o seu filho precisa que lhe assegure, na sua entrada para a Creche.]

Olá Creche.
Eu estou quase a chegar. Estou quase a entrar por essa tua porta colorida, sorridente e pronto a descobrir um novo mundo, repleto de descobertas e muitas conquistas!

Desde que eu nasci, já passaram alguns meses. Tive muito miminho e atenção só para mim, entre colinhos da família e dos amigos da família, essencialmente na minha casa. Mas, agora, é tempo de criar novos laços! Este vai ser um marco importante. Para mim e para os meus pais.

Eu estou um pouco nervoso, mas acho que os meus pais ainda estão mais! Por isso, querida Creche, para ajudarmos os meus pais a ficarem mais calmos, e para que eu me sinta corajoso e entusiasmado por passar aí o dia, tens de garantir aos meus pais que me vais proporcionar um ambiente seguro, um serviço que respeita as necessidades, momento a momento, de cada criança e que me vais oferecer desafios promotores de um desenvolvimento harmonioso. Sim, eu quero aprender a raciocinar e a usar a lógica. Sim, eu quero aprender a gerir as minhas emoções. Sim, eu quero desenvolver os meus músculos, e tornar-me mais ágil. Sim, eu quero aprender a respeitar regras e as rotinas e a controlar o meu comportamento. Sim, eu quero fazer novos amigos e… Quero brincar muito! Acima de tudo quero crescer a brincar! E, ao final do dia, correr para os braços dos meus pais, de coração cheio e feliz!

Vou contar-te um segredo. Foi muito importante para os meus pais, quando te foram visitar pela primeira vez e puderam conhecer as tuas instalações, as pessoas que cuidam das crianças, as rotinas de todos os dias, as actividades que as crianças podem fazer e o projecto educativo que norteia o nosso quotidiano.

Sinto-me preparado. Os meus pais têm falado comigo sobre as novidades que se aproximam. Felizmente, não deicidiram fazer-me uma surpresa e só me falar de ti, querida Creche, no primeiro dia. Aliás, foi muito bom poder já ter feito uma primeira visita e conhecer a minha educadora e a auxiliar da minha sala. Sei que vou poder brincar muito, aprender imenso, conhecer novos amigos… Também sei que a primeira semana será de adaptação e que vou começar por ir por poucas horas, nestes primeiros dias. Isso vai ajudar-me a “separar-me” dos meus pais, com menos receios. Os meus pais também me garantiram que se vão despedir sempre de mim, com um beijo, um abraço e um sorriso, mesmo nos dias em que as minhas lágrimas teimem em percorrer a minha cara, tentando dizer que aquela despedida está a custar mais. Eles prometeram que nunca vão sair sorrateiramente. Assim sei que não me vou sentir inseguro, nem desconfiado.

Também sei que vou poder levar o meu amigo ursinho para a creche. Poder levar algo especial da minha casa, para me acompanhar durante o dia, dá-me ainda mais conforto e segurança.

Querida Creche, sei que tudo vai correr bem. E os meus pais, apesar de nervosos, também!

Não tarda estarei a correr alegremente nos teus corredores.

Até já,

O teu novo amiguinho

Por Inês Afonso Marques, para Up To Kids®
Todos os direitos reservados

 

O jardim de infância é mais importante que a faculdade

Desde que nascemos, ouvimos os nossos pais a insistir que temos que estudar se queremos vir a ser alguém na vida. Eu pelo menos ouvi muito. Hoje em dia, as exigências vão para além do estudar. Mal uma criança nasce, os pais (eu e o leitor, neste caso) já estão a fazer planos para a faculdade. Sim, claro, é importante. Nós sabemos. Mas, ao mesmo tempo, o número de jovens que têm optado por caminhos profissionais que não envolvem a frequência universitária, ou que ingressam mas acabam por mudar duas e três vezes de curso, é crescente. A tal da insatisfação crónica comum da nossa época… Bem, eu não sei se o meu filho irá ou não para a faculdade. É uma incógnita se irá ser arquiteto, cineasta ou jogador de futebol. Mas de uma coisa tenho eu a certeza: ter feito um bom jardim de infância faz toda a diferença.

Os primeiros sete anos de vida são decisivos para o desenvolvimento da criança. Nestes anos as pessoas sofrem diversas transformações próprias do crescimento, entre elas, as físicas, em que o nosso corpo sofre diversas alterações e mudamos a dentição para definitiva. A nível emocional formamos, nesta idade, um sentimento básico em relação ao mundo, ou seja, aquele sentimento ou característica que nos vai  acompanhar para sempre. Pode ser o medo, a forte personalidade, o carisma, ou a insegurança. Claro que com os anos podemos trabalhar isso, mas envolverá muita terapia e dedicação. Se neste período as nossas crianças tiverem um desenvolvimento sadio, com espaço para brincar, se forem acolhidas nas suas necessidades básicas e emocionais, então, terão uma forte e estruturada base para qualquer que seja a sua escolha profissional posteriormente.

Por acaso, na minha rua havia um jardim de infância Waldorf quando meu filho era pequeno (hoje em dia há dois na mesma rua, que milagre!).

Não vou defender a pedagogia Waldorf como o único caminho para que uma criança passe bem por essa fase: ainda são poucas as escolas e custam um preço que não está ao alcance de todos. Mas, ao dar uma grande importância aos primeiros anos de desenvolvimento, a pedagogia Waldorf traz reflexões importantes para quem está à procura de um Colégio para inscrever o seu filho e, mais do que isso, para mostrar que o desenvolvimento nesta fase da vida é essencial para alicerçar a criança. É esse o tema que irei desenvolver de seguida.

O primeiro passo em direção ao mundo lá fora
Segundo a metodologia Waldorf, a criança deverá entrar no jardim de infancia a partir dos 3 anos. Nem todas as famílias têm estrutura para esperar esse tempo,  e é a vida. Mas, também, há muitas mães acham que os filhos “pedem” para ir para a escola. Podem até pedir. Mas eu gosto da explicação: é que só nessa idade é que a criança estaria preparada para interagir com o mundo que vai além do pai, da mãe, dos irmãos e da avó. Mesmo que a criança adore ir para a rua, brincar com outras crianças, lembre-se que a mãe, a avó ou, em muitos casos, a babá querida, estão por perto.

Aos 3 anos é que aparece, pela primeira vez, aquele impulso que se faz mais forte aos 9 anos, de encarnação do EU, segundo a antroposofia, de uma certa individualidade. Não por acaso, é nessa idade que as crianças começam a dizer…eu! Antes, referem-se a si mesmas na terceira pessoa (“a Gabi quer comer”, “O Pedo quer brincar”).
Aos 3 anos o sistema nervoso está mais maduro e a criança consegue usar o “eu”, essa individualidade, como instrumento de comunicação, de crescimento. A criança, então, percebe que ela e o mundo são coisas diferentes. A mãe já não é uma extensão dos seus desejos e necessidades. E isso é lindo de se ver. Eu adoro os três anos de idade. Mas fiz aqui uma lista com algumas reflexões que consideraria importante se fosse escolher uma escola para o meu filho hoje, caso ele ainda estivesse na primeira infância.

O que explica porque coloquei mais energia nisto do que colocarei na altura em que tivermos que escolher a faculdade.

Desenvolvimento da espiritualidade
Não se trata apenas religião. As escolas que cultivam a espiritualidade trazem riqueza para a vida infantil. As festas do ano, a chegada da primavera, os pequenos rituais, como acender uma velinha na sala, ao começar o dia, uma canção de gratidão por acordar e estar disposto, a árvore de Natal enfeitada, uma lanterna para se carregar na festa de São João. São essas coisas que despertam em nós a conexão com o que é divino no mundo e com a nossa própria alma.
É aos 3 anos que nasce na criança uma admiração pelo mundo lá fora. Admiração que, se for bem cuidada, se manifesta como veneração frente aos milagres quotidianos. As flores têm sóis dentro delas, alguém pintou o céu de laranja e roxo, cai neve porque São Pedro está a sacudir o seu edredom de penas lá em cima. Nunca devemos estragar essa veneração enfiando conceitos científicos muito cedo nas cabeças dos miúdos. O melhor é deixar as fantasias fluírem e até cultivá-las. E esse é um cuidado que eu teria em atenção, caso estivesse a escolher a escola para o meu filho, mesmo que fosse por poucas horas por dia.

Fase em que se desenvolvem sentimentos para a vida
Este é o conceito que rege os primeiros sete anos da educação Waldorf (e de outras pedagogias).
Qualquer um pode trabalhar isto em casa! É extremamente importante que a criança desenvolva a sua confiança no mundo, a sua capacidade de amar, de sentir-se segura, de se adequar ao ambiente que começa perceber e diferenciar. Qualquer tipo de ensino, tanto em casa como na escola, deve ser conduzido de forma a mostrar à criança o lado positivo das coisas e o que o mundo tem de bom. Ah, claro, algumas pessoas vão já dizer que não querem que o filho cresça numa redoma. Calma, há  tempo para tudo. Quando a criança acaba de nascer, ninguém lhe põe um biberon ao lado para tomar sozinha, pois não? É por aí. Cada coisa a seu tempo. Até os 7 anos, as crianças não “aguentam” ser expostas à violência da TV ou dos jogos de computador. Não precisam de saber que a água do planeta está a acabar. Não precisam de saber que todos os dias há massacres a acontecer em vários cantos do mundo. Toda esta informação assusta qualquer alminha que,  ainda, está a tentar perceber este mundo. O mundo também é bom, meu filho. A avó gosta muito de ti. A professora gosta muito de ti. O pai gosta muito de ti, e vai sempre proteger-te. E tu mereces ser protegido daquilo que não é assim tão bom. É um cuidado, um carinho, um gesto de proteção que podemos dar aos nossos filhos, independentemente da escola e da metodologia que escolhermos.

Formação dos órgãos e criatividade
Durante os primeiros sete anos, a maioria dos órgãos (ou a semente que os originará), vai formar-se. E, como sabemos, se plantarmos uma semente de macieira não vai nascer uma figueira. Por vezes, aquilo que não se vê, está lá na mesma, tal como os dentes, que se formam até os 7 ou 8 anos.
Gritos, falta de ritmo, sustos. Tudo influencia essa formação. O mesmo acontece com a criatividade. Se a criança tiver espaço (e não digo estímulos de brinquedos electrónicos ou excesso de estímulos intelectuais) e acolhimento, se tiver exemplos e inspiração, sentirá segurança para desenvolver os dons que lhe são inatos. Mais tarde, essa segurança será a base para um trabalho criativo e satisfatório.

Segunda a antroposofia, a educação é o que cura; aquilo que traz saúde. Acho que um bom jardim de infância garante boa parte dessa saúde, física e emocional, que levaremos para a vida. Então, a criança vai estar a desenvolver bases para o seu futuro, nomeadamente para a fase em que tiver de escolher o curso que irá exercer o resto da sua vida.
Boa sorte com as vossas escolhas!

 

Por Fabi Corrêa, postado no blog Antes que eles crescam
Adapatado por Up To Kids®

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