As mil e uma noites

Gosto de me manter atualizada sobre o que há no mercado editorial dos livros infantis.

Como mãe e como profissional da área da do livro infantil e da educação interesso-me por saber o que há nas prateleiras reais ou virtuais das livrarias e nas editoras. Perceber o que as famílias têm à sua disposição. Não tem que ser necessariamente o último livro editado ou sequer o mais falado, gosto de ter uma visão generalizada.

Nestas minhas pesquisas encontrei há pouco tempo mais um livro sobre AS MIL E UMA NOITES, uma coletânea de histórias e contos populares do médio oriente e do sul da Ásia que foram compiladas em árabe no Século IX. A versão final desta coleção foi publicada em 1889, depois de várias adaptações e traduções. Esta versão diz que é uma das mais fiéis à original e por isso despertou-me a curiosidade.

As mil e uma noites, a lenda.

Reza a lenda que o Rei Xariar, enraivecido por causa da traição da sua mulher com um escravo, manda matar ambos. A partir desse dia o Rei decide ter uma noiva diferente todas as noites e ordenar a sua morte na manhã seguinte.

Xerazade, filha de um dos conselheiros do Rei, voluntaria-se para ser sua noiva. Para evitar a morte certa, Xerazade conta histórias fascinantes ao Rei pela noite dentro. De manhã interrompe a narrativa e promete retomar na noite seguinte. O Rei fica tão encantado que não ordena a sua morte. Assim continuam por mil e uma noites até que o Rei decide não matar Xerazade. Confesso que não me lembrava muito bem das narrativas que fazem parte da coletânea, por isso fui reler algumas delas. Histórias como Sinbad, o Marinheiro, Aladino ou Ali Babá e os Quarenta Ladrões fizeram-me voltar à minha infância.

Mas desta vez li as histórias com outros olhos, outro entendimento e outra experiência. E o que mais me surpreendeu foi a capacidade de Xerazade prender a atenção e encantar o Rei durante as mil e uma noites.

Se acreditarmos na lenda, também acreditamos no poder que que as histórias têm. Nas crianças assim como nos adultos.

Incentivar a leitura das crianças- como, porquê, para quê e quando?

Hoje em dia há uma grande variedade na oferta de bens de consumo para as crianças, todos incluídos (embora às vezes até de forma errada) na categoria dos “brinquedos”. Entre jogos, bonecos, consolas, tablets e outros materiais aparentemente mais apelativos e que apresentam resultados mais imediatos, os livros foram perdendo o seu lugar de destaque entre o público infantil
e juvenil.

Daí a necessidade de voltar a aproximar crianças, jovens e famílias dos livros e das histórias e de criar nas crianças e jovens o hábito e o gosto pela leitura, ou o gosto e o hábito (nunca sei qual deve vir primeiro!) um dia de cada vez, todos os dias.

Como?

  • Proporcionar espaços e tempos propícios e prazerosos para a leitura;
  • Ter à disposição livros em quantidade e qualidade e adequados;
  • Conhecer o gosto da criança ou jovem e respeitá-lo sem nunca perder a perspectiva de que é o adulto que deve ter a última palavra na escolha;
  • Ler histórias com e para as crianças.

Porquê?

Porque estimular a leitura é importante desde cedo. Porque ao ler podemos viajar e conhecer o mundo sem sair do lugar. Porque é divertido.

Quando?

Desde cedo. Desde que a criança consiga manusear objectos na mão deve começar a contactar a ter contacto com os livros para que não sejam “objectos estranhos”. Antes da criança aprender a ler as palavras, ela vai aprender a ler imagens e o gosto pelos livros começa aí.

Para quê?

Para estimular a criatividade; desenvolver capacidades pessoais; promover o conhecimento e cultura geral; melhorar a expressão oral e preparar a escrita; influenciar estados de espírito; ajudar a lidar com emoções e sentimentos.

Os livros antigamente serviam exclusivamente para ensinar. Tinham como objetivo serem veículos de transmissão de informação, de morais e bons costumes. Hoje em dia já não é assim, o livro ganhou outro estatuto. Foi sofrendo transformações ao longo dos anos, dando-se cada vez mais importância ao carácter estético e lúdico. Encara-se o livro como um objeto com o qual se pode
estabelecer uma relação afetiva, com muito mais potencialidades do que apenas o ensino formal de conceitos, teorias e retificação de comportamentos.

Por todas estas razões e mais algumas que não me ocorrem neste momento, leiam… ontem, hoje e sempre!

image@AnnHe

 

Um grupo de investigadores da Universidade de Uppsala, na Suécia concluíram que existe um método capaz de estimular a capacidade intelectual das crianças desde tenra idade.  Trata-se de uma plataforma realmente amigável e intuitiva, de baixo custo e fácil acesso para a grande maioria das pessoas.

A pesquisa demonstrou que crianças ou bebés que utilizam esta plataforma, desenvolvem não só a parte intelectual, cognitiva, mas também a capacidade criativa, além de criarem vínculos afetivos mais sólidos.

Em geral, os pais demonstram-se preocupados em encontrar estratégias para desenvolver o potencial dos filhos. Vale tudo: desde passar música clássica enquanto o bebé ainda está na barriga da mãe, até a aquisição de mobiles que se propõem a desenvolver aptidões matemáticas nas crianças.

Os especialistas suecos destacam este método como primordial para alavancar o potencial dos nossos filhos desde criança até à idade adulta.

Mas, nem tudo é perfeito. Este método exige, no mínimo, a aquisição da plataforma e um adulto com tempo e vontade de utilizá-la com a criança. A partir de uma certa idade, a própria criança será capaz de manusear a plataforma, mas mesmo nessa fase, a presença de um adulto, participativo, potencializa os benefícios da metodologia.

A partir dos 6/7 anos, a maioria das crianças deve conseguir utilizar o método de forma autónoma.

Trata-se de Lições Interativas de Visualização e Relacionamento de Ordem afetiva. 
Mas em que consta este método inigualável de estimulação intelectual e emocional da criança?

Ora vejamos as primeiras letras do método: LIVRO!

Daqui, ouço um óhhh de decepção, vindo de um grupo de pais mais tecnológicos, para quem o progresso terá sempre uma
solução melhor do que o passado. Também vejo um sorriso amarelo de alguns pais que esperavam algo mais do que um livro!

O meu lado otimista (que não é muito desenvolvido) consegue supor alguns sorrisos de pais que por experiência própria (são leitores) conhecem o poder que os livros possuem no desenvolvimento do ser humano.

Brincadeiras à parte, há um consenso entre diferentes profissionais de saúde que, se fossemos escolher apenas um método  para desenvolver a capacidade cognitiva das crianças este seria a leitura de livros, já a partir dos 6 meses de idade.

Claro que não é o único e todos são complementares. O brincar criativo e as brincadeiras ao ar livre como saltar, girar, pedalar, nadar, de forma a desenvolver de forma lúdica as capacidades motoras, seria outro.

Obviamente, nenhum método  funciona sem o amor incondicional dos pais!

Repare-se que os gadgets não constam no topo da lista. Isso porque, à partida, sugerem mais passividade e menos criatividade, embora também maior capacidade de reação e reflexos. E convém reforçar que programas muito acelerados, podem desenvolver nas crianças pequenas uma “necessidade” de hiperestimulação. Se não forem hiperestimuladas, sentirão tédio o que pode gerar dificuldades no momento da alfabetização que é, obrigatoriamente, lenta.

Voltando ao LIVRO:  o livro estimula a criatividade na medida em que o leitor (ou, no caso da criança- ouvinte), cria a história na sua cabeça. Serão sempre 3 porquinhos e um lobo, mas cada um cria os seus 3 porquinhos e o seu lobo! Além disso, a proximidade física com quem conta a história cria um momento de vínculo afetivo com contato corporal.

A leitura pode contribuir para a implantação de determinadas rotinas, como dormir ou jantar.  Sinaliza mudanças de ritmo (da brincadeira mais agitada, para um momento mais calmo). Um aspeto pouco lembrado é o de que nós adoramos contar histórias!

Ao contarmos histórias usando os livros unimos a fala com a escrita e podemos desenvolver nos nossos filhos o hábito da leitura. Um hábito que, por não ser natural, precisa ser desenvolvido de forma gradual e prazerosa.

Aliás, hoje em dia, embora haja um grande desenvolvimento nos media, a capacidade analítica e crítica de um indivíduo, o entendimento de complexidades como a vida em sociedade, economia, medicina, engenharia, astronomia, cultura, arte etc. vai depender da capacidade de leitura da pessoa.

Num mundo competitivo essa competência pode fazer a diferença. Além de ser um hábito que produz prazer a quem o desenvolveu.

Se alguém ficou chateado com a brincadeira dos pesquisadores de Uppsala, peço desculpas.
Só queria chamar a atenção, de forma provocadora, para a importância do livro.
E boa leitura com seus filhos!

Texto de Dr. Roberto Cooper, adaptado por Up to Kids®

Era uma vez …e assim começam as histórias lidas, relidas, e inventadas.

Histórias em prosa, histórias em verso, embrulhadas, ou não, em música …intemporais …que transportam as crianças nas asas da imaginação para tempos e lugares longínquos, onde grandes emoções são experimentadas …

No universo da fantasia, as histórias deliciam pequenos e crescidos. As personagens movimentam-se numa azáfama simbólica através da qual nos mostram que os valores existem.

A Amizade, a Solidariedade, a Ternura, a importância da existência de um lar, de uma Família e Amigos e a implementação de regras, são os condimentos utilizados nas histórias de encantar e na VIDA!

As histórias ensinam a criança a perceber, a detalhar, a raciocinar, a sentir, a analisar, sendo um canal de extrema importância para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo. É através das histórias que a dimensão simbólica da linguagem é experimentada, de mãos dadas, com o imaginário e o real.

Na era em que a tecnologia toma lugar na 1ª fila, as histórias e os contos tradicionais continuam, com os seus enredos e tramas a potencial um esclarecimento às crianças, tranquilizando os seus receios e medos mais primários e a enquadrar conceitos como “bom” e “mau”, “certo” e “errado”, entre outros.

As histórias passam-se em lugares esboçados fora do limite do tempo e do espaço, mas onde qualquer um de nós pode caminhar, percetível pelas crianças nos seus mais ínfimos detalhes. Elas contribuem para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo à sua volta.

Sempre que a criança ouve uma história, enriquece a sua imaginação, aumenta o seu vocabulário, aprende a refletir, desenvolve o pensamento lógico favorecendo a memória e o espirito crítico, através da manifestação de humor e da sua curiosidade natural.

As histórias inventadas requerem eximia, por parte de quem as conta! A criança gosta de ouvir a mesma história muitas vezes, mas …deverá ser contada de igual forma para que a criança não se sinta “enganada”.

O contar e “recontar” da história por parte da criança, também deve ser fomentada. Esta prática pedagógica desenvolve a auto estima, a sociabilização e prepara a criança para o exercício da cidadania.

E por tudo que aqui foi dito e …muito mais, deliciemos as crianças ….

Vem …vou contar-te uma história!

Por Inês Clímaco, para Up To Kids®
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Muito se tem falado e estudado, nos anos mais recentes, sobre a estimulação precoce e sobre o desenvolvimento infantil. Contudo, será a estimulação um tema assim tão importante?

Quando falamos em estimulação falamos, sobretudo, na criação de condições facilitadoras para a aquisição de determinadas competências, de modo a evitar ou minimizar atrasos no desenvolvimento global, ou simplesmente para que a criança adquira as suas competências na sua totalidade e da forma mais plena. Por outro lado, a falta de estimulação pode ter efeitos muito nefastos para o desenvolvimento, podendo resultar até mesmo na não aquisição de competências fundamentais.

Para contextualizar, percebamos que o desenvolvimento está dependente não apenas das potencialidades, como também de processos pré-determinados, que devem ter o seu surgimento naquilo a que chamamos de “períodos críticos”. Estes referem-se ao período ideal para a aquisição de determinada competência; por exemplo, o bebé tem o instinto de sucção ao nascimento, mas apenas passa pela aquisição da marcha perto dos 12 meses de vida. Ambos os conceitos estão relacionados, pois um pode levar ao outro, isto é, as potencialidades da criança podem ser reforçadas por serem estimuladas nos seus períodos críticos, de modo a que todos os parâmetros do desenvolvimento (motor, cognitivo, afectivo, emocional, social) sejam adquiridos no período em que estas competências estão prontas a atingir o seu potencial máximo.

Hoje em dia, já estamos longe da teoria do The Alarm Clock Theory, na qual se acreditava que nascíamos com um despertador biológico, que acordava as nossas competências no tempo certo, sem a necessidade de estimulação. Muito pelo contrário, hoje sabemos que o cérebro necessita de estímulos e que a privação desses estímulos poderá trazer dificuldades específicas em áreas fundamentais.

Competências como a motricidade fina (que permite que a criança, com o tempo, aprenda a pegar na colher para comer sozinha, e, no futuro, é esta a competência que a vai permitir pegar numa caneta da forma correcta, de modo a poder escrever, desenhar e pintar) a resolução de problemas, a aquisição da linguagem e a percepção visual (não só a própria competência visual, como também a atenção e a memória) são competências que o bebé e a criança só adquirem através da aprendizagem, que surge pela estimulação. Outro exemplo de uma competência fundamental é o gatinhar ou o arrastar-se, nos bebés antes da aquisição da marcha. Esta é uma competência fundamental do desenvolvimento motor, que, se não for atingida no seu período crítico, pode ter consequências negativas ao nível da leitura ou da visão (pois o cérebro não formou as conexões necessárias para a aquisição da competência do gatinhar, as quais são necessárias para a aquisição de outras competências futuras).

Não menos importante, é necessário levar em consideração que cada criança tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento e que nem todas as crianças adquirem as competências com a mesma idade. Até porque, quando uma competência se está a desenvolver, por regra uma outra está “à espera da sua vez”. Seja como for, a criança desenvolve-se, na sua natureza, pelo exemplo. Ela vê e quer imitar. Para exemplificar, questione-se: seria possível uma criança aprender a falar, se nunca tivesse ouvido palavras? Provavelmente, balbuciaria sons, mas falaria com intenção?

Assim, a melhor forma de estimular o seu filho é por ser o seu melhor modelo.

Para que ele fale e converse, seja o primeiro a conversar com ele. Para que ele brinque, seja o primeiro a brincar com ele. Para que ele aja com um objectivo e intenção, mostre-lhe que também o faz intencionalmente e por um motivo. Para que ele seja equilibrado e calmo, estabeleça rotinas saudáveis.

Assim, percebemos que, quanto mais estímulos recebidos, mais sinapses o cérebro fará e, por sua vez, quanto mais sinapses, mais inteligente será o bebé, a criança e o futuro adulto. Sim: os pais podem contribuir para que os seus filhos sejam mais inteligentes.

As relações e as experiências que ocorrem nos primeiros anos de vida têm um grande impacto no futuro da criança, pois o cérebro está mais activo nos primeiros três anos, nos quais crescerá até 80% do seu tamanho adulto. É, assim, fundamental que os pais e cuidadores promovam o desenvolvimento da criança durante esta fase.

 

Por Cláudia Machado, Psicomotricista, Professora Gymboree

 

O programa de aprendizagem do Gymboree é um meio por excelência para apoiar este desenvolvimento. Com mais de 30 anos de experiência, este programa centra-se na criança como um todo, com o objectivo de as ajudar a adquirir as competências chave – capacidades motoras, sociais e de auto-estima – de que irão necessitar para se tornarem adultos confiantes, felizes e bem-sucedidos. Lembre-se: o responsável pela estimulação do seu filho é você mesmo, e é em casa que tudo começa. Brincar é a melhor forma de pesquisa e, enquanto o seu pequenote estiver motivado, ele estará a aprender.

“Never forget that when you are giving a child visual, auditory, and tactile stimulation with increased frequency, intensity, and duration that you are actually physically growing his brain.

How does the brain grow? The brain grows by use. Just like the biceps, the brain grows by use. Those who use their biceps very little have small, undeveloped, weak biceps. Those who use their biceps an extraordinary amount have extraordinary biceps. There is no other possibility. The same is true of the brain, because the brain grows by use.” [Glenn Doman]