Small Land Montessori, o novo colégio sustentável em Lisboa

Nos dias de hoje é prioritário falar em desenvolvimento sustentável. Quando pensamos em sustentabilidade é importante relembrar de que esta se estende a nível social, cultural, económico e ambiental!

Uma educação baseada no amor deve preparar a criança, enquanto futuro cidadão, para cuidar, saber ser e estar contribuindo de forma positiva para a sociedade. Desenvolver um efetivo sentido de participação na comunidade!

É indispensável educar para manter, preservar, restabelecer o equilíbrio da própria sociedade que foi quebrado pelo distanciamento do amor ao próximo.

O Colégio Small Land Montessori promove o respeito às necessidades humanas compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do nosso planeta. Fazendo isso, nutrimos o sentido de solidariedade global.

Esta é justamente a proposta de Maria Montessori, quando delineou o que chamou de Educação Cósmica. O seu objetivo foi chamar à atenção de todos para a importância do sentir-se integrante do todo universo. De que cada gesto, cada palavra, cada pensamento gera consequências.

É indispensável educar para manter, preservar, restabelecer o equilíbrio da própria sociedade que foi quebrado pelo distanciamento do amor ao próximo.

“Aqui promovemos, o respeito às necessidades humanas compatíveis com o uso sustentável dos recursos naturais e com as necessidades do nosso planeta, nutrindo a solidariedade global.
Ao pensarmos de forma sustentável podemos criar materiais e atividades cujas finalidades são carregadas de benefícios para o desenvolvimento global da criança – formando um cidadão que sabe ser e estar!

A verdade é que este tipo de atividades, para além de estimular a criatividade, contribui para contrariar gastos por vezes desnecessários com a compra de novos brinquedos para as crianças.

Small Land Montessori, o novo colégio sustentável em Lisboa
Jogo sensorial de encaixe e associação de cores. Feito com uma base de cartão, caixas de ovos e pompons.

“Ajude-me a crescer, mas deixe-me ser eu mesmo.” – Montessori

Montessori acreditava que todos nós nascemos com um determinado potencial. Que os adultos devem ajudar as crianças a desenvolver esse potencial. Deu-lhe o nome de – “Segredo da Infância”. Esse segredo precisa ser seguido pelo adulto com base em princípios fortes como:

  • ordem
  • liberdade de movimento
  • idioma
  • independência
  • ambiente preparado
  • liberdade
  • disciplina
  • desenvolvimento social
  • observação
  • música e artes.
Small Land Montessori, o novo colégio sustentável em Lisboa
Jogo de encaixe de pauzinhos de madeira numa caixa de ovos.

O método Montessori tem mais de um século de existência e assume-se como uma educação para a vida.

Dar autonomia, independência e liberdade supervisionada pelos educadores é a nossa forma de estar. Debaixo de ritmos de aprendizagem diferentes, as crianças são estimuladas a aprender com o mundo que as rodeia, respeitando-o.

Maria Montessori acreditava que os padrões de concentração estabelecidos na primeira infância tornam a crianças aprendizes confiantes e competentes nos anos posteriores.

Perante os materiais selecionados a criança tem a livre escolha de trabalhar com o que mais lhe interessar. Desengane-se, quem pense que as atividades são “sem acompanhamento”. O professor observa, acompanha tudo e atua como um mediador entre a criança, o material e o ensinamento que resulta dessa interação.

Tabuleiro de madeira com encaixes para rolhas de cortiça. Serve para contagens, sequências e motricidade fina.

“A tarefa do educador é preparar motivações para atividades culturais, num ambiente previamente organizado, e depois se abster de interferir” – Montessori

Os materiais variam de menos a mais avançados. Estes ão apresentados às crianças em apresentações individuais com base no nível da criança e não na idade.

Quando uma criança se junta ao grupo pela primeira vez, começa a trabalhar com as atividades da Vida Prática, que permitem que a criança se torne mais confiante. Apresentações sensoriais, matemáticas, linguísticas e culturais seguem o caminho de aprendizagem natural da criança. O ambiente preparado apoia o desenvolvimento da vontade da criança, convidando a criança a fazer escolhas independentes de uma certa quantidade de actividades.

Small Land Montessori, o novo colégio sustentável em Lisboa
Caixa sensorial. Feita a partir de uma caixa de sapatos, da qual puxamos diferentes pedaços de tecidos e materiais (diversas texturas e cores).

Valores e objectivos na Creche / Infantário Small Land de acordo com a nossa pedagogia:

  • Estimular a independência
  • Autoaprendizagem e autocorreção
  • Acompanhamento individual da criança
  • Ter boas maneiras, ser educado
  • Estimular a liderança, que é o cuidar dos outros
  • Musicalidade e liberdade de movimentos, com exploração sensorial
  • Celebração da vida

O papel do adulto é unicamente o de ajudar a criança a chegar ao êxito. Assim os materiais apresentados devem estar em consonância com o seu desenvolvimento cognitivo e motor. Desta forma Maria Montessori entendia que “a educação é uma ajuda à vida”.

 

7 Princípios para olharmos para os professores com olhos de ver

De uma forma geral, será mais produtivo olharmos para os docentes, para o seu trabalho e para a sua missão, refletindo sobre estes princípios:

1 – A educação começa na família e depois segue no sistema de ensino

O maior sinal de que uma sociedade está doente, é começar a desrespeitar quem garante o futuro dessa mesma sociedade. E a educação é a base e a rampa de lançamento do futuro de uma nação que se preze. A educação começa na família e depois segue no sistema de ensino…

2 – Desrespeitar é, por exemplo, não desmontar ideias falsas.

Há dias, em Fátima, centenas de docentes (professores e educadores de infância,…) participaram com uma entrega poderosa, numa ação de formação que dinamizei. No fim de uma semana de trabalho, ainda conseguiram motivação e espaço no cérebro para evoluir. É que, porque há muita gente (e gentinha) que se esquece: Ser docente não é pêra doce! Já vão longe (espero eu!) os mitos das “progressões fáceis”. Já dormem as falsidades sobre as “férias gigantes”. Já estão esquecidas as comparações marotas com as “Finlândias”, até porque na Finlândia, o importante é o apoio aos docentes.

3 – O desgaste, o (mau) stress e as injustiças, existem.

Muitas profissões sofrem deste desgaste, no entanto, a carreira docente tem particularidades. Em Fátima, por exemplo, os docentes observavam-me com atenção, mesmo estando cansados. Escutavam-me com desejo, mesmo havendo uma certa desilusão com o rumo do país. Interrogavam-se com fervor, mesmo não havendo comunicação social para fazer eco daquele esforço. O desenvolvimento pessoal, a formação, a busca pela actualização, é feito, muitas vezes, na sombra. A meio da sessão, recebemos um telefonema. Era o Presidente da República! Pois não era. Ninguém telefonou.

4 – Eu fui a Fátima, amanhã estarei em Setúbal e segunda-feira, ainda nem sei.

Esta instabilidade de horários e locais, faz-me empatizar com os melhores professores. Aqueles que também viajam e chegam a lugares novos quase todos os anos, mantendo a maioria das vezes o espírito positivo, porque pensam no melhor para os seus alunos (que não têm culpa). Também eu faço Palestras e (trans) Formações em salas quentes, salas frias, longe de casa, muito longe de casa, muito cedo, muito tarde,…e faço com entrega…porque penso nos melhores. Porque o mundo está numa mudança abrupta e constante.

5 – Um educador deve estar consciente dessas mudanças, e deve estar atento a métodos mais eficazes, mais atuais.

As minhas sessões nem sempre acabam com “beijinhos e abraços”. O meu trabalho não é (apenas) motivar. Procuro agitar e dar caminhos. Procuro tocar nas feridas. As feridas existem. O cérebro humano está em constante mudança, por isso a formação é fundamental. Por vezes, sou mal interpretado. Outras vezes acham que sou “demasiado duro”. Não faz mal. Porque a maioria entende que o meu objetivo é nobre, sempre focado nos alunos e nas melhores práticas…se um docente é dos que (apenas) diz que faz (mas não faz) o natural é ele sofrer nas minhas sessões. Pretendo que eles saiam mais fortes. Mais próximos de fazerem o que sabem que tem que ser feito. E a psicologia pode doer. Tentamos ir pela positiva, mas pode doer. Mas é nessa luta que os melhores se colocam. Acertar, falhar, tentar, acertar, falhar…

6 –  É fundamental darmos estabilidade.

Um docente com estabilidade, fica mais aberto para ouvir. Mais capaz de escutar. Mais próximo de limar as arestas da sua ação pedagógica. Claramente, um dos maiores desafios: a estabilidade do docente. Felizmente, vejo cada vez mais equipas de psicólogos e afins, como uma equipa excelente em Sines, por exemplo. Ou no AE Cego do Maio, na Póvoa de Varzim. Ou os profissionais do “Afirma-te” em Idanha-a-Nova. E os docentes, os pais e os alunos precisam deste esforço de todos.

7 – A esperança é a última a morrer

No fundo, eu sei que um dia as condições podem melhorar. Terão os sindicatos que melhorar também. E a classe política terá que ser mais capaz. Entretanto, alguns professores vão desistir. Outros vão adoecer. Outros vão ter um esgotamento. Outros serão perseguidos por uma turma vítima da ausência dos pais.

Mas a maioria seguirá. Sem precisar de boa imprensa, ou de um telefonema de um famoso. Mesmo com a desilusão de estarmos num país onde o tal pilar, a tal base, é tantas vezes alvo de ingratidão. Seguirá empatizando comigo, quando tento que melhorem. Seguirá buscando o seu equilíbrio, com ou sem apoio da equipa de psicologia. Seguirá buscando a estabilidade interna, no que pode controlar.

A intensidade do amor não é sempre igual.

Como a intensidade da fé também não é sempre constante. Lembrei-me disto em Fátima…

Não são constantes, mais isso não significa algum erro. É mesmo assim. Nem o sol tem sempre a mesma radiância. Agora, tem que existir amor, isso tem. E o sol não foi um sonho.E os melhores docentes lá seguirão, tentando ter uma maior quantidade de momentos onde são capazes de persistir, capazes de melhorar práticas, capazes de enfrentar injustiças, exercitando o amor à escola, aos alunos, mas, principalmente, o amor a si mesmos.

 

Imagem de Pexels por Pixabay 

 

O Bullying é uma forma de agressão que se caracteriza pela existência dum padrão de ações violentas frequentes dum agressor sobre uma vítima (Besag, 1989; Olweus, 1991). Nesta relação, o agressor faz uso do seu poder de modo a intimidar a vítima (Smith & Sharp, 1994).

Tipos de Agressão

Que comportamentos caracterizam o Bullying?

Existem diferentes formas de se exercer o bullying:

– Agressão física (por ex.: empurrar, bater, destruir bens da vítima, assaltar, etc.)
– Agressão verbal (por ex.: gozar, chamar nomes, espalhar rumores injuriando a vítima, etc.)
– Exclusão social (por ex.: impedir a participação da vítima em atividades de grupo, ignorá-la, etc.)
– Intimidação emocional (por ex.: fazer ameaças à vítima, que comprometem o seu bem – estar e/ou o da sua família, etc.)

O Agressor: Quem é?

– Os agressores são maioritariamente rapazes, podendo atuar sozinhos ou em grupo.
– Normalmente, partilham a mesma faixa etária da vítima, embora possam ser mais velhos.
– Verifica-se que os agressores são muitas vezes da mesma turma que a vítima, e conhecem-na bem.
– As agressões ocorrem maioritariamente no interior da escola (com maior frequência no recreio, seguindo-se os corredores, salas de aula, refeitório e casas de banho), ou no caminho para a escola.

O Perfil do Agressor

  1. O Agressor não valoriza os sentimentos dos outros.
  2. Maltrata as vítimas, retirando daí um grande prazer.
  3. É egoísta.
  4. Tem frequentemente poucos amigos.
  5. Não respeita a autoridade.
  6. Quer deter sempre o controlo de todas as situações.
  7. Goza e humilha os outros, incluindo crianças mais pequenas.
  8. Envolve-se em conflitos.
  9. São muitas vezes crianças que provêm de famílias problemáticas, onde recebem pouco carinho e atenção.

(Smith & Hoover, 1999)

Porquê o meu filho?

– Qualquer criança pode ser uma vítima.

– Têm sido identificadas várias motivações dos agressores na escolha das suas vítimas:

  • Aparência física frágil
  • Temperamento tímido ou introvertido, que não oferece resistência às agressões
  • Sensibilidade
  • Roupa
  • Excesso de peso
  • Bom desempenho académico
  • Grupo de amigos
  • Religião
  • Ser portador de deficiência física ou psicológica, ou doença crónica

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Passamos tanto tempo a receber e a transmitir informações através da linguagem escrita que esta nos parece quase tão espontânea como a comunicação oral. No entanto, não há nada de natural na leitura. Não existe no cérebro nenhuma região especialmente dedicada à descodificação de símbolos que representem palavras. Trata-se de uma habilidade tão complexa que o nosso cérebro tem de se adaptar, criando um circuito que envolve as áreas – visual, auditiva e de linguagem.

A maior parte dos adultos não se lembram de como foi lento e trabalhoso o processo de aquisição da capacidade de leitura.

O facto é que essa transformação no cérebro não acontece e nem pode acontecer de um momento para o outro. É um trabalho de desenvolvimento e aquisição de conhecimentos por etapas que, por ansiedade dos pais e muitas vezes incentivo dos educadores, tem vindo a ser antecipado.

Não seria lógico concluir que, por se tratar de algo complexo, quanto mais cedo aprendessemos a linguagem escrita, melhor e mais fácil seria?

Sim e não: se considerarmos que o contacto com os livros, as brincadeiras de consciência fonológica, as histórias e as rimas recitadas e cantadas criam ligações no cérebro que serão importantes para a aquisição da capacidade de leitura, então este processo deveria começar cedo. Mas seria só mesmo esta fase em que se desenvolvem as conexões necessárias para que a leitura possa ser entendida com maior facilidade.

Já a alfabetização propriamente dita, para acontecer com tranquilidade e sucesso, deve esperar que as etapas anteriores estejam muito bem construídas e assimiladas. No entanto, grande parte das escolas (e muitos pais) esperam que as crianças cheguem aos 6 anos a saber ler e escrever.

Nessa idade, regra geral, as crianças ainda não estão neurologicamente prontas para começar a ler. Há áreas do cérebro envolvidas na leitura, como o giro angular, que não estão suficientemente desenvolvidas para que a descodificação faça algum sentido.

Por volta dos 4 anos muitas crianças memorizam letras e sílabas, reproduzem palavras inteiras e escrevem o seu nome – o que não significa que estejam a compreender o processo de leitura. Trata-se de memorização simples. Na verdade, nessa idade elas têm uma memória excelente, mas regra geral, não estão maduras para entender a linguagem escrita.

Maturidade da criança

Estudos mostram que essa maturidade, geralmente, ocorre entre os seis e os sete anos, quando acontece o que o neurocientista cognitivo Stanislas Dehaene chama de “revolução mental” no seu livro Os Neurónios da Leitura , da Penso Editora.

A “Revolução mental” é a fase em que a criança começa a perceber que a palavra pode ser dividida em diferentes fonemas. No entanto, não existem dois cérebros iguais, e haverá sempre variações na facilidade com que cada um se familiariza com a linguagem escrita, o que traz à escola o desafio de conhecer e respeitar o ritmo de cada aluno.

Assim, antes de estabelecer a chamada consciência fonológica, forçar a alfabetização é uma perda de tempo.

Este período de tempo pode ser muito bem aproveitado – as crianças em idade pré-escolar estão em pleno desenvolvimento da consciência metalinguística e ampliam diariamente o seu vocabulário.

Estudos mostram que, aos 3 anos de idade, as crianças têm a capacidade de absorver  a até 20 palavras novas por dia, enquanto assimilam naturalmente as complexas regras gramaticais. Em vez de forçar um cérebro ainda imaturo a relacionar letras a sons, estes miúdos podem (e devem) exercitar a linguagem oral e suas habilidades metalinguísticas de forma a familiarizarem-se com a complexidade das construções sintáticas que o seu idioma oferece.

Muito mais importante do que começar a ler cedo, é começar a associar a leitura a algo agradável e prazeroso e não a um desafio penoso. Para isso, é necessário que os pais e educadores respeitem o ritmo e a maturidade de cada criança para que possam então, iniciar a alfabetização com sucesso.

 

Artigo de Michele Müller, Jornalista especialista em neurociências e neuropsicologia, publicado em Brasilpost

 

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Escola do Futuro em Espoo | Finlandia

A Saunalahti School, em Espoo, oeste de Helsinque, funciona como uma metáfora moderna para a educação finlandesa: uma melhor arquitetura contribui para uma melhor experiência de aprendizagem.

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A premiada empresa de Helsinque Verstas Architects construiu recentemente a Saunalahti School, que abriu suas portas no outono de 2012 abrangendo uma área de 10500 m² e contem um vasto programa, nomeadamente Escola Básica e Secundária, Jardim de Infância, a casa da juventude, uma sala de teatro, sala de jantar, biblioteca, ginásio entre outros. Prevê ainda espaços de utilização comum, de forma a beneficiar os moradores do bairro onde se situa. Esta é considerada a estrutura da Escola do Futuro.

O complexo Educacional foi construído na área adjacente à nova área residencial e permite uma abordagem alternativa à educação tradicional.

Os Arquitetos afastaram-se de um layout clássico e da divisão do espaço em salas de aula. O projeto tem como objetivo estimular o diálogo  e o desenvolvimento das capacidades criativas das crianças e jovens, permitindo que a aprendizagem se desenvolva num ambiente descontraído, enfatizando a cultura, as artes e capacidades físicas/motoras das crianças/educandos. Os espaços interiores estão intimamente ligados aos exteriores, de acordo com cada faixa etária, mas juntas constituem um todo.

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Mais do que um lugar para estudar arte, matemática e literatura: a Saunalahti School pretende dar resposta às necessidades de alunos e da comunidade.

O modelo de sucesso da  Saunalahti School

Classificada como uma das melhores instituições educacionais pelo Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Programme for International Student Assessment – PISA), esta escola oferece mais do que formação académica: também estão à disposição serviços médicos de odontologia ou de aconselhamento,  para garantir o bem-estar dos alunos.

Segundo a OECD  as “escolas finlandesas  tornaram-se uma espécie de destino turístico”, nos quais educadores e criadores de políticas de todo o mundo tentam decifrar qual “o modelo de sucesso”.

Salas de aula não tradicionais

A Saunalahti School foi projetada para promover a integração das salas de aula não tradicionais com a experiência educativa que possibilita novas maneiras de aprendizagem, tendo a colaboração como foco.

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As paredes de vidro entre salas de aula permitem que os alunos trabalhem em grupo, um reforço da proposta pedagógica da escola. As grandes janelas com vista para o exterior permitem que as crianças interajam com o meio ambiente. As crianças adoram uma boa leitura sentados nos parapeitos das janelas.

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As salas de aula, que também são ideais para workshops, têm portas de vidro sempre abertas a grupos de alunos vizinhos. Há espaço suficiente nos corredores para que os frequentadores possam sentar-se, trabalhar e estudar.

A arquitetura da escola foi criada em função da experiência de aprendizagem global, quer dentro quer fora das salas.

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A arquitetura como preditor de uma melhor experiência de aprendizagem

A Saunalahti School é uma plataforma ativa e aberta à aprendizagem, à cultura e à comunidade.

Arquitetura foi concebido para apoiar as ideias pedagógicas da escola em busca de melhores resultados de aprendizagem. A abertura e o sentido de comunidade foram elementos fundamentais na concepção do edifício. Valorizam-se as artes e educação física. O edifício apoia a aprendizagem também fora da sala de aula e incentiva as crianças a usar espaços de forma aberta e não ortodoxos.saunalahti-2

O coração do edifício é a sala multiusos, o ponto de encontro para todos os usuários. As brutas paredes de betão e o teto de carvalho suavemente curvando abraçam a envolvente e caracterizam o espaço. Os espaços de ginástica, salas de aula de oficinas e pátios de escolas são usadas pelos habitantes locais à noite e aos  fins de semana.

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O revestimento paredes exeteriores é composto por camadas horizontais de diferentes técnicas de alvenaria,  para que os alunos toquem e experimentem sensações diversas.

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No interior os arquitetos usaram materiais ecológicos recriando um ambiente caloroso e confortável.

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As áreas comuns dedicadas à passagem estão pintadas de cores vivas, cada uma com uma cor específica, para que a orientação dentro do mesmo seja feita de forma mais fácil e intuitiva.

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Fontes: livejournalIncrível, finland.fi,verstasarkkitehdit

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Vai visitar uma escola?

9 perguntas indispensáveis para fazer ao director

Embora a maior parte dos pais já tenham escolhido a escola onde irão colocar os seus filhos no próximo ano letivo, há também muitas escolas que já estão a para marcar visitas para o ano a seguir, aproveitando assim a interrupção letivas do verão.

Se ainda não tem uma opção definida para os seus filhos e vai visitar uma escola brevemente, este artigo é para si!

Escolher uma nova escola pode ser uma saga . Agora que domina a ciência complexa que está na origem desta decisão, queremos mesmo que faça boa figura no primeiro contacto com as escolas que seleccionou para o seu filho. São nove perguntas essenciais que o vão tornar um especialista na matéria aos olhos do director, e nove respostas que vão pesar na balança.

Ficam as nove perguntas indispensáveis a fazer ao diretor quando vai visitar uma escola:

1. O que distingue esta escola das outras?

Porque a resposta a esta pergunta pode ser vital na sua decisão, o director deve conseguir estruturá-la com a clareza e energia de um apaixonado. Uma escola segue o caminho que a direcção marcar.

2. Como asseguram a comunicação escola-família?

Este é dos aspectos interessantes de avaliar se pretende saber qual a abertura da escola à família. Há um sem número de ferramentas tecnológicas que permitem que os pais acedam com facilidade a tudo o que acontece na escola: visitas, actividades, projectos, avaliações, assiduidade. Não usufruir deste recurso é uma limitação séria a ter em conta.

3. Existe um programa de acolhimento para os novos alunos?

A integração numa nova escola pode ser problemática especialmente se não for planeada do lado de lá. No caso das crianças mais novas, deve existir uma forte articulação com a família. No das mais velhas, o envolvimento do director de turma e do representante dos alunos é essencial.

4. Qual o nível de rotatividade do corpo docente?

A estabilidade é fundamental para a qualidade do ensino. Uma instituição em que os professores estão constantemente a mudar de rosto talvez não os valorize tanto quanto deveria. Se o rendimento dos professores é afectado o do seu filho também, acredite.

5. Os colaboradores fazem formação contínua?

Uma escola lida com uma multiplicidade grande de serviços: alimentação, ensino, transporte, higienização dos espaços. É importante que cada área possa usufruir de um plano de formação planeado de acordo com as necessidades, e que contribua para a melhoria contínua das práticas.

6. A escola pratica inquéritos de satisfação com regularidade?

A opinião dos mais directamente afectados pelo serviço educativo não deve ser menosprezada. Por norma as crianças, os pais e os colaboradores reconhecem com bom rigor quais os pontos fortes e as práticas a melhorar numa escola. Este procedimento é também um bom caminho para fomentar hábitos de cidadania e para democratizar a gestão.

7. Em média quantos vigilantes existem por grupo?

O tamanho dos grupos e o ratio adulto-criança são elementos chave na manutenção da segurança física e emocional das crianças. Questione a direcção acerca dos recursos humanos que a escola disponibiliza para o nível de ensino que procura, e para os diferentes momentos da rotina: aulas, refeições e pausas.

8. Quantas vezes os alunos podem sair para o exterior?

Ter tempo e o espaço coberto que permita respirar ar puro ou esticar as pernas mesmo no Inverno, é muito importante para ter bom desempenho. Uma criança precisa de movimentar-se mais que um adulto e essa necessidade deve ser respeitada. Para além disso, as salas de actividade precisam de arejamento frequente durante estes intervalos para que sejam evitados os habituais contágios.

9. Que áreas são contempladas pela avaliação dos alunos?

Se é exigido aos estudantes que adoptem uma determinada linha de conduta ao nível do comportamento, da cidadania, dos valores e dos hábitos, não incluir esses elementos na avaliação é boicotar a sua importância na formação global do aluno. Que incentivo terão os mais novos em envolver-se em projectos sociais relevantes, se eles tiverem um efeito nulo nos resultados?

A sobrecarga escolar e social das crianças é uma preocupação crescente para os pais e educadores. Dos diversos artigos de especialidade que li, a opinião da maioria dos educadores e psicólogos é unânime: as crianças precisam de menos  brinquedos e mais tempo com os pais, precisam de menos trabalhos de casa e mais tempo de brincadeira, precisam de menos individualismo e mais tempo para sociabilizar com os amigos, menos tempo entre paredes e mais tempo no exterior.

Em primeiro lugar, as crianças precisas de ser crianças.
As crianças precisam de ser felizes para poderem crescer saudáveis e terem capacidade de assimilar uma educação sólida que começa em casa, continua na escola, e passa por todos os hobbies e experiências vividas. As atividades extracurriculares, principalmente quando são escolhidas pela criança, são também extensões desta aprendizagem. Mas não nos prendamos à ideia de que as crianças têm imenso tempo de brincadeira porque têm atividades todos os dias. Essas atividades, e que considero de extrema importância para o desenvolvimento da criança (mais uma vez reforço que parto do principio que a criança gosta e quer realizar a actividade e não lhe é imposta pelos pais) fazem parte de uma rotina associada às obrigações e afazeres. O meu filho adora as suas aulas de teatro, mas quando chega a casa, antes de fazer os TPC quer brincar um bocadinho porque sente que teve o dia todo preenchido com obrigações. De seguida, as tarefas de casa a realizar antes do dia acabar: os banhos, os TPCs, o Jantar, a hora de ir para a cama que já começa a atrasar… Tudo isto causa algum stress nas crianças principalmente quando nós, pais, começamos a ver a rotina a descarrilar e, inconscientemente, pressionamos (nem sempre da melhor forma), os nossos filhos a viverem num ritmo que não é aconselhável para a idade.

Depois, quando temos tempo, muitas vezes, queremos que os miúdos se entretenham com gadgets ou televisão (porque de outra forma estão aborrecidos) para podermos, também nós, fazer qualquer coisa que andamos a adiar há tempo demais, nem que seja relaxar cinco minutos! E que exemplo transmitimos aos nossos filhos? Será que com tanta obrigação estamos a criar reféns de uma educação programada e dependente dessas rotinas? Ou saberão os nossos filhos fazer uma pausa e usufruir dos pequenos prazeres do dia a dia?

O famoso psiquiatra brasileiro Augusto Cury, que lançou recentemente uma versão do  livro Ansiedade – Como Enfrentar o Mal do Século, numa conversa sobre os desafios de se criar filhos hoje em dia, não poupou críticas à forma como a família e a escola têm educado os miúdos.

Deixo-vos os 8 pontos essenciais assinalados pelo especialista:

«Excesso de estímulos
“Estamos assistindo ao assassinato coletivo da infância das crianças e da juventude dos adolescentes no mundo todo. Nós alteramos o ritmo de construção dos pensamentos por meio do excesso de estímulos, sejam presentes a todo momento, seja acesso ilimitado a smartphones, redes sociais, jogos de videogame ou excesso de TV. Eles estão perdendo as habilidades sócio-emocionais mais importantes: se colocar no lugar do outro, pensar antes de agir, expor e não impor as ideias, aprender a arte de agradecer. É preciso ensiná-los a proteger a emoção para que fiquem livres de transtornos psíquicos. Eles necessitam gerenciar os pensamentos para prevenir a ansiedade. Ter consciência crítica e desenvolver a concentração. Aprender a não agir pela reação, no esquema ‘bateu, levou’, e a desenvolver altruísmo e generosidade.”

Geração triste
“Nunca tivemos uma geração tão triste, tão depressiva. Precisamos ensinar nossas crianças a fazerem pausas e contemplar o belo. Essa geração precisa de muito para sentir prazer: viciamos nossos filhos e alunos a receber muitos estímulos para sentir migalhas de prazer. O resultado: são intolerantes e superficiais. O índice de suicídio tem aumentado. A família precisa se lembrar de que o consumo não faz ninguém feliz. Suplico aos pais: os adolescentes precisam ser estimulados a se aventurar, a ter contato com a natureza, se encantar com astronomia, com os estímulos lentos, estáveis e profundos da natureza que não são rápidos como as redes sociais.”

Dor compartilhada
“É fundamental que as crianças aprendam a elaborar as experiências. Por exemplo, diante de uma perda ou dificuldade, é necessário que tenham uma assimilação profunda do que houve e aprender com aquilo. Como ajudá-las nesse processo? Os pais precisam falar de suas lágrimas, suas dificuldades, seus fracassos. Em vez disso, pai e mãe deixam os filhos no tablet, no smartphone, e os colocam em escolas de tempo integral. Pais que só dão produtos para os seus filhos, mas são incapazes de transmitir sua história, transformam seres humanos em consumidores. É preciso sentar e conversar: ‘Filho, eu também fracassei, também passei por dores, também fui rejeitado. Houve momentos em que chorei’. Quando os pais cruzam seu mundo com os dos filhos, formam-se arquivos saudáveis poderosos em sua mente, que eu chamo de janelas light: memórias capazes de levar crianças e adolescentes a trabalhar dores perdas e frustrações.”

Intimidade
“Pais que não cruzam seu mundo com o dos filhos e só atuam como manuais de regras estão aptos a lidar com máquinas. É preciso criar uma intimidade real com os pequenos, uma empatia verdadeira. A família não pode só criticar comportamentos, apontar falhas. A emoção deve ser transmitida na relação. Os pais devem ser os melhores brinquedos dos seus filhos. A nutrição emocional é importante mesmo que não se tenha tempo, o tempo precisa ser qualitativo. Quinze minutos na semana podem valer por um ano. Pais têm que ser mestres da vida dos filhos. As escolas também precisam mudar. São muito cartesianas, ensinam raciocínio e pensamento lógico, mas se esquecem das habilidades sócio-emocionais.”

Mais brincadeira, menos informação
“Criança tem que ter infância. Precisa brincar, e não ficar com uma agenda pré-estabelecida o tempo todo, com aulas variadas. É importante que criem brincadeiras, desenvolvendo a criatividade. Hoje, uma criança de sete anos tem mais informação do que um imperador romano. São informações desacompanhadas de conhecimento. Os pais podem e devem impor limites ao tempo que os filhos passam em frente às telas. Sugiro duas horas por dia. Se você não colocar limite, eles vão desenvolver uma emoção viciante, precisando de cada vez mais para sentir cada vez menos: vão deixar de refletir, se interiorizar, brincar e contemplar o belo.”

Parabéns!
“Em vez de apontar falhas, os pais devem promover os acertos. Todos os dias, filhos e alunos têm pequenos acertos e atitudes inteligentes. Pais que só criticam e educadores que só constrangem provocam timidez, insegurança, dificuldade em empreender. Os educadores precisam ser carismáticos, promover os seus educandos. Assim, o filho e o aluno vão ter o prazer de receber o elogio. Isso não tem ocorrido. O ser humano tem apontado comportamentos errados e não promovido características saudáveis.”

Ler também O pricípio da Caneta verde

Conselho final para os pais
“Vejo pais que reclamam de tudo e de todos, não sabem ouvir não, não sabem trabalhar as perdas. São adultos, mas com idade emocional não desenvolvida. Para atuar como verdadeiros mestres, pai e mãe precisam estar equilibrados emocionalmente. Devem desligar o celular no fim de semana e ser pais. Muitos são viciados em smartphones, não conseguem se desconectar. Como vão ensinar os seus filhos e fazer pausas e contemplar a vida? Se os adultos têm o que eu chamo de síndrome do pensamento acelerado, que é viver sem conseguir aquietar e mente, como vão ajudar seus filhos a diminuírem a ansiedade?”  »- Liliane Prata, em M de Mulher – 

imagem@psychone

A escola está a perder os rapazes

Uma corrente de pensadores na área da educação tem produzido investigação muito interessante acerca da tendência que existe nas escolas, para desaprovar a essência dos alunos rapazes.

Ao mesmo tempo, a OCDE, inspirada pela análise do último relatório PISA (programa internacional que avalia a literacia dos estudantes) lança um alerta claro sobre a desigualdade de género na educação. Claro que faz todo o sentido refletir sobre este tema.

Mesmo assumindo que os rapazes podem ser frenéticos, desorganizados e arrebatadores, no sentido em que absorvem muita da nossa energia, parece-me contra natura julgá-los à luz do bom comportamento das raparigas.

E porquê? Uma analogia à leitura explica-o bem: banda desenhada e poesia são diferentes, e isso pode ajudar a perceber porque é que os rapazes se estão a afastar da escola.

Se analisarmos os números, a preocupação cresce: eles abandonam a escola mais cedo, são expulsos da sala de aula com mais frequência, ganham menos prémios de honra, lêem pouco e (não menos importante) acham que estudar é uma seca.

Ser um rapaz normal nas escolas de hoje não é fácil.

O que há alguns anos era olhado como traquinice, hoje merece tolerância zero. Os tempos de recreio diminuíram dramaticamente e já não há espaço (nem agenda) para brincadeiras não estruturadas que permitam aos rapazes gerir a vontade física de explorar o mundo como gostam, à força de correria.

As escolas deveriam fazer uma análise cuidada desta realidade, percorrendo o caminho necessário para recuperar os rapazes que se vão afastando do seu núcleo.

Para combater a desigualdade de género é preciso conhecê-la bem.

Perspetivar o mundo do ponto de vista masculino, pode ser importante para perceber como havemos de envolver mais os rapazes na escola. Um exemplo nada ao acaso: se o objetivo é converter os meninos que lêem pouco, então guardemos a poesia para mais tarde. Os rapazes gostam de ação e aventura. Portanto, esse é o trunfo que devemos usar quando lhes indicarmos um livro para lerem, mesmo que isso vá rasgadamente contra aquilo que pais e professores estejam habituados a praticar.

O mesmo estudo da OCDE demonstra que, aos 15 anos de idade, as raparigas são mais evoluídas na leitura que os rapazes o equivalente a um ano letivo. Vale bem a pena repensar a prática para que diminua esta diferença entre níveis de desempenho.

E agora, as ilustres composições. Se escrever sobre piratas e naves espaciais é muito mais interessante para rapazes do que dissertar sobre a beleza do outono, porque não sugerir-lhes temas que cativam mais?

Admitamos: já sabemos quase tudo sobre o outono, e há muito pouco sobre ele que um rapaz de onze anos queira descobrir. Para além disso, corrigir o que diz o Capitão Gancho deve ser bem mais divertido do que repassar conteúdo sobre as cores da estação.

Ainda bem que não estão convencidos, porque a razão melhor ficou para o final: é preciso apostar na imaginação desta metade de alunos malandros, respondões e com a mania que são engraçados, porque um dia eles irão fazer vida com a outra metade,  serena, contida e metódica.

Desta missão fazem parte todas as filhas, mães e avós do mundo.

Nada como um pouco de poesia para percebermos porque é que a escola tem que chamar a si,os nossos rapazes.

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“No liceu fui sempre um aluno razoável – nunca fui um aluno extraordinário. Estive sempre na Turma A (a dos melhores alunos) e nunca chumbei um ano. Mas também nunca fui o melhor da turma, longe disso, nem nunca tive essa ambição.

Estudava o suficiente para ter notas entre o 12 e o 14. Só excecionalmente chegava ao 16. Mas também era raro ter menos de 10.

Devo confessar que a maioria das aulas não me interessava nada. Era um sacrifício suportar os 50 minutos que duravam e um alívio quando ouvia a campainha que assinalava o intervalo. E o que aprendia nos livros, nas vésperas das provas ou dos exames, também raramente me entusiasmava.

Eu estudava basicamente para passar de ano e não para aprender.

Não percebia por que se estudavam certas matérias – e ainda hoje não percebo, porque nunca me fizeram falta nenhuma.

Para que me serviu aprender as equações de 2.º e 3.º grau, ou os integrais, na matemática? Ou saber resolver aqueles problemas complicadíssimos na física ou na química? E a gramática? Para quê saber identificar o sujeito e o predicado e o nome predicativo do sujeito? Nunca soube isto. Sempre ignorei a gramática. Mas isso não me impediu de ser bom aluno a português, desforrando-me na redação e na interpretação, provando que a gramática não fazia falta nenhuma.

Inversamente, hoje percebo como é importante saber história, e gostaria de saber mais do que sei. História universal e história de Portugal. Como é importante saber geografia, conhecer o mapa-mundo e certos fenómenos da atmosfera. Idem no que respeita à zoologia, à botânica e à geologia: é importante conhecer os animais, as plantas e os minerais.

Mas tudo isto era ensinado de uma forma enfadonha, sem vida, que tornava a aprendizagem uma chatice.

Aliás, há uma coisa básica no ensino que nunca se fez: motivar os alunos para aprender.

Dou um exemplo.

Quando dei aulas no Centro de Formação da RTP, nos anos 70, apareceram por lá uns nórdicos que tinham o seguinte método de ensino: punham câmaras nas mãos das pessoas e mandavam-nas para a rua filmar. As pessoas não sabiam para que serviam os botões, nem como se focava, nem como se enquadrava, mas iam experimentando e tentando perceber como aquilo funcionava. Ora, quando chegavam às aulas e o professor explicava o funcionamento da câmara, os alunos eram verdadeiras esponjas – porque estavam a ouvir as respostas para as dificuldades que tinham sentido. E nunca mais esqueciam as explicações.

Todos nós já passámos por situações parecidas. Quando vamos buscar um carro novo ao stand, o vendedor dá-nos montes de explicações – sobre o rádio, o GPS, as variadíssimas funções, os programas automáticos, a abertura do capot, etc. – mas quando pegamos no carro e começamos a andar já não nos lembramos de metade das explicações.

Porém, se uns dias depois voltarmos ao stand e o vendedor repetir a lição, absorvemos tudo – porque estamos a obter respostas para aquilo que não conseguimos fazer.

O ensino devia ser assim: haver um período de preparação para aprender. As aulas seriam muito mais produtivas, os alunos perceberiam o porquê de estarem a aprender certas matérias.

Há no ensino coisas que se ensinam a mais e outras que se ensinam a menos. Talvez não acreditem, mas no curso de Arquitetura não havia nenhuma cadeira sobre a história da arquitetura portuguesa. Ou seja: nós, jovens candidatos a arquitetos, não tínhamos nenhuma ideia sobre a arquitetura que se fazia em Portugal nem sobre a sua evolução ao longo do tempo. Como não havia visitas a obras nem a ateliês de arquitetos. E, no entanto, aprendíamos pormenores ínfimos sobre maneiras de construir na Idade Média.

Julgo também que deveria haver uma muito maior articulação entre a escola e a vida.

Nos dias de hoje há muita gente a viver sozinha. E já não há ‘criadas de servir’, como havia no passado. Então, por que não incluir no ensino aulas de culinária, noções básicas de cozinha? Seria utilíssimo para todos. E não seria bom conhecermos melhor o funcionamento das casas que habitamos? Havendo cada vez menos gente para fazer certos serviços, por que não ensinar aos alunos noções básicas de trabalhos domésticos: como arranjar uma torneira, como usar um berbequim, como pendurar um quadro, como consertar uma tomada elétrica, etc.? Ao longo da vida todos poderiam experimentar a utilidade destes ensinamentos. Tal como certas noções de bricolage.

E conselhos de alimentação. Ou noções básicas de economia: juros, impostos, dívida soberana, inflação, balança comercial, etc . Estamos constantemente a ouvir estes palavrões na TV; ora, não seria mais útil aprender isto do que as equações de 2.º e 3.º grau?

Finalmente, há uma disciplina que deveria ser enormemente valorizada: o desenho. Em certas situações, é mais importante saber desenhar do que saber escrever. Quantas vezes já não ouvimos dizer: «Eu desenho muito mal, mas vou tentar…»? Saber exprimir ideias através de desenhos e outros elementos gráficos valoriza imenso a capacidade de comunicação de uma pessoa.

Em abono do atual ensino, diz-se que muitas destas coisas que aprendemos e nunca voltamos a usar são importantes porque dão ‘ginástica mental’. Discordo. As outras coisas que aprendêssemos em vez destas também dariam essa ginástica, com a vantagem de adquirirmos conhecimentos que se encaixariam na vida quotidiana e que estaríamos sempre a usar.

Um ensino mais ligado à vida, em que os alunos percebessem a utilidade do que estão a aprender e fossem previamente estimulados para absorver, que lhes desse competências mínimas para seguir uma especialização profissional mas também para funcionarem melhor no quotidiano, para serem mais auto-suficientes, menos dependentes, seria muito mais útil e motivador.

Mas caminhamos em sentido contrário. A introdução do computador na escola, por exemplo, parecendo um avanço, é um disparate – como explicava um dia destes Castro Caldas no SOL. Há certas zonas do cérebro que, quando não se desenvolvem na altura própria, morrem. Os jovens, com as calculadoras e os computadores, qualquer dia não sabem fazer de cabeça contas básicas de somar e dividir.

Ora saber a tabuada é uma daquelas coisas de que se percebe imediatamente a utilidade.

Todos os dias, quando vamos ao restaurante com colegas ou amigos e temos de dividir a conta, recorremos à cabeça para fazer o cálculo – e constatamos a importância de saber de cor a tabuada.

É isto que se pede ao ensino: dar ao nível básico conhecimentos que estejamos constantemente a utilizar, que nos permitam agir melhor e compreender melhor a realidade em que vivemos.

Depois, cada um desenvolverá esses conhecimentos de acordo com as suas capacidades, ambições e preferências.”

Por José António Cabritajas@sol.pt, publicado no Sol, a 19.11.2015

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Carta de um pai ao Diretor da Escola

Caro Senhor Diretor

Muito se fala de alunos ou professores e pouco dos diretores de escola. Parece-me injusto pois creio serem eles quem define o caminho que a escola deve seguir e a maneira como ela deixa uma marca na vida dos nossos filhos. Para além disto, gerir tantas sensibilidades deve ser complexo. Não compreendo o desinteresse pela sua atividade e até aceito que lhe sobrem poucos momentos de reflexão.

Espero que esta mensagem lhe chegue no arranque de mais um ano letivo. Reconheço que o número de currículos, faturas e e-mails o devem ocupar bastante. Quando tentar lê-la, também sei que o vão interromper umas três vezes, e que cada pessoa que lhe bater à porta vai trazer um problema novo para resolver. Pode ser da delegação de saúde para conferir as vacinas, ou, cruzes canhoto, a caldeira da escola a dar problemas novamente. Essas pessoas confiam em si para resolver problemas, é melhor abrir a porta. Logo, quando a escola estiver fechada, depois de verificar que ficou tudo limpo e desligado, poderá voltar ao gabinete para pegar nos assuntos que precisam de silêncio para resolver.

Ultimamente têm acontecido coisas na escola que me parecem estranhas. Peço que me ajude a compreender, Sr. Diretor.

Não me parece bem ver o meu filho passar tanto tempo à secretária, nem sei se isso nos garante que aprenda melhor. Não sou especialista em ensino, mas tenho a noção que na minha vida aprendi mais a fazer do que a ouvir, mais em grupo do que isolado.

Estou quase com quarenta, e no escritório, para pensar melhor, ainda preciso de dar uma volta de vez em quando, ou de vaguear pela sala quando o telefone toca. 

Para tentar perceber porque é que o meu filho resiste a sentar-se comigo a fazer os trabalhos de casa, resolvi atuar. Obriguei-me a ficar após o trabalho, mais uma hora e meia sentado numa cadeira. O resultado foi surpreendente: após a primeira meia hora comecei a suspirar frequentemente, a esticar as pernas, os braços e a coluna.

Ainda não tinham passado 45 minutos, quando reparei que o meu pensamento desacelerou (não porque estivesse cansado, pois saiu de mim a correr). Quando o voltei a apanhar já tinha passado uma hora e remexido articulações que nem sabia que tinha. Na fase seguinte, voltei à juventude: consegui equilibrar a cadeira em apenas duas pernas e espraiei o tronco todo no tampo da mesa.

Senhor diretor, sou adulto.

O médico diz que estou ótimo e é da minha natureza estar mais quieto do que uma criança. Se no final de um dia inteiro de escola me convidassem a resolver uma ficha durante 1.30h em casa, resistiria como um rebelde.

Desde que prolongaram a duração das aulas e diminuíram o tempo de recreio na escola, que há cada vez mais crianças medicadas na sala do meu filho. Tenho reparado, outros pais também, e não aceitamos que a modernidade seja a responsável. Realidades como esta preocupam-nos a ponto de afastarmos a ideia de ter mais filhos por ser arriscado. As instituições educativas são demasiado coniventes com as orientações do currículo que contrariam a natureza dos mais novos. Nós também já fomos crianças e ainda nos lembramos disso.

Sei que o Sr. Diretor também já deve ter pensado nisto. Assim, este ano, venho pedir-lhe que faça diferente. Confio na sua capacidade para moderar problemas sérios que precisam do nosso tempo e inspiração. Se abdicar dos trabalhos de casa por completo não é uma opção no ensino. Podem existir outros caminhos: será que precisam de marcar-se todos os dias da semana, seguindo repetidamente a mesma direção? Planear tarefas que valorizem e respeitem o tempo escasso que as famílias passam em conjunto, é possível. E devia praticar-se mais nas escolas.

Brincar é uma condição essencial para aprender mas também para ensinar.

Aplicar este princípio no caderno do tpc seria um passo determinante para aumentar a participação dos pais na educação dos filhos e para reafirmar a certeza de que a escola proporciona experiências positivas, mesmo à distância de um bolso da mochila, antes da hora do jantar.

O que me diz, Sr. Diretor?

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