Calendário escolar do ano lectivo 2019/2020

O ano escolar terá início entre os dias 10 e 13 de Setembro e as férias de Natal terão mais uma semana do que o habitual. Associações de pais não foram previamente avisadas do “alargamento do período de férias tão grande” e defendem que o Governo tem de ter “uma resposta social para estas famílias”.

O calendário do próximo ano lectivo para os estabelecimentos públicos da educação pré-escolar e do ensino básico e secundário foi publicado esta terça-feira em Diário da República.

Calendário escolar

  • O início do ano escolar está marcado para entre os dias 10 e 13 de Setembro. As férias do Natal de 17 de Dezembro, terça-feira, a 3 de Janeiro, sexta-feira, de 2020.
  • segundo período vai arrancar a 6 de Janeiro, segunda-feira. Irá terminar a 27 de Março de 2020, com umas miniférias de Carnaval entre 24 e 26 de Fevereiro.
  • terceiro e último período vai começar a 14 de Abril para todos os alunos. Termina a 4 de Junho para o 9.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade, num total de menos de dois meses. Termina a 9 de Junho para 5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade. E a 19 de Junho para o pré-escolar e 1.º ciclo.

RESUMO

1º PERÍODO: entre os dias 10 e 13 de Setembro

Férias de Natal: 17 de Dezembro, terça-feira, a 3 de Janeiro, sexta-feira, de 2020

2º PERÍODO: 6 de Janeiro, segunda-feira, e terminar a 27 de Março de 2020

Interrupção letiva Carnaval: entre 24 e 26 de Fevereiro.

3º PERÍODO: 14 de Abril  a 4 de Junho (9.º, 11.º e 12.º anos de escolaridade); 14 de Abril  a 9 de Junho (5.º, 6.º, 7.º, 8.º e 10.º anos de escolaridade)

O Ministério da Educação enviou entretanto um comunicado às redacções onde explica estas quase três semanas de férias de Natal:

“Tendo em conta que o dia 1 de Janeiro de 2020 é uma quarta-feira, os alunos terão mais um dia de férias, evitando-se o reinício das aulas a uma sexta-feira, tal como sucedeu no último ano lectivo em que 1 de Janeiro foi uma quarta-feira”.

Foram publicadas também as datas das provas de aferição do ensino básico que vão ocorrer entre 4 de Maio e 18 de Junho, e as datas dos exames finais nacionais do ensino secundário, cuja 1.ª fase arranca a 15 de Junho e termina a 7 de Julho.

No caso das provas de aferição, o documento contempla, pela primeira vez, “a avaliação da componente de produção e interacção orais na prova de aferição de língua estrangeira do 5.º ano (Inglês)”, que, em 2020, passa também a abranger a prova de Português Língua Não Materna (PLNM), no ensino secundário, a par das línguas estrangeiras.

Confap defende “resposta social para as famílias”

O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), Jorge Ascenção, explicou ao PÚBLICO que as associações de pais não foram previamente avisadas destas alterações e destaca desconhecer a razão para um “alargamento do período de férias tão grande”.

Embora a Confap tenha defendido anteriormente que “a distribuição das pausas lectivas ao longo do ano [em paralelo] com o ritmo de trabalho pode ser positivo para as aprendizagens”, Jorge Ascenção refere não entender o porquê da actual distribuição: “Temos três meses de trabalho, depois três semanas de pausa, depois mais três meses de trabalho e continua tudo na mesma, com esse pormenor de se alargar para três semanas as férias de Natal.”

O presidente da Confap mostra-se ainda preocupado com o impacto que o alargamento das férias poderá ter nas famílias. “Isto é uma dificuldade acrescida que a escola pública — porque a privada não o vai fazer — traz às famílias. Mais uma vez, aqueles que não podem, que não têm tanta capacidade financeira acabam por sair prejudicados. É contraproducente para uma política de família”, explica Jorge Ascenção, defendendo que é necessário incentivar os jovens casais a terem filhos e ajudá-los a cumprir as suas responsabilidades parentais.

Quanto aos pais, o presidente da Confap duvida de que haja alguma “entidade patronal que vá dar esse tempo de férias a todos os seus empregados”, destacando que a escola tem actualmente “um papel socioeducativo”.

“Não estamos a dizer que têm de ter aulas sempre, mas tem de haver uma resposta. Vou tentar perceber se existe da parte do Governo uma resposta social para estas famílias”, garante ao PÚBLICO.

Calendário “é prejudicial para o sucesso escolar”

Filinto Lima, que lidera a Associação Nacional de Directores de Agrupamentos de Escolas Públicas, concorda que o alargamento das férias de Natal “poderá ser prejudicial sobretudo para os pais”, mas reconhece, por sua vez, que “o calendário foi publicado a tempo e horas”, pelo que os pais têm tempo de se organizar.

Ainda assim, o representante dos directores das escolas acredita que é “demasiado tempo para os alunos estarem desligados da escola”. Isto poderá ter consequências ao nível do ensino e aprendizagem. No entanto, Filinto Lima sublinha que “o Natal este ano calha a meio de uma semana e é difícil conciliar o calendário civil com o calendário escolar”.

O líder da associação de directores escolares acrescenta que o novo calendário “é feito à medida do calendário civil” e que está “refém” da Páscoa, tal como acontece todos os anos, assim como da altura em que calha o Natal. “Este ano, a Páscoa vai ser em Abril, o que implica que o terceiro período seja um período anão, muito pequeno comparado com o primeiro e o segundo”, esclarece ao PÚBLICO. O primeiro período terá 68 dias úteis de aulas, o segundo 57 e o terceiro 35 dias úteis de aulas.

Face a esta desigualdade, Filinto Lima defende o regime semestral no ensino básico e secundário, tal como acontece no ensino superior, acreditando que o calendário escolar para o próximo ano “vai dar força para que as escolas, no próximo ano, queiram aderir” a este projecto que “permite às escolas ter um regime de periodicidade semestral e, em vez de ter três períodos, ter um ano lectivo de dois semestres”.

Segundo o representante dos directores das escolas, o actual sistema de três períodos de aulas “é prejudicial para o sucesso escolar” e resulta até na desmotivação, em certos casos, dos alunos. Por exemplo, diz, um aluno que tire uma nota negativa (de dois) no primeiro e segundo períodos, vai entrar no terceiro período “desmotivado”. “Sabe que é um período curto” e que é provável que mantenha a mesma nota.

Fonte Público

O pincel da coragem, o pincel da calma e o pincel da motivação

Eu sei que estão chateados comigo mas não percebo porquê

Estamos a começar a fase das provas de aferição do segundo ano dentro das expressões, tanto as físicas-motoras como as artísticas. As escolas estão a organizar-se para que as mesmas ocorram, sente-se alguma ansiedade no ar e é notório para quem costuma ir às escolas.

Eu sabia disto e estava preocupada.

Vera (nome fictício) era uma menina do segundo ano com grandes problemas de imagem corporal, auto estima, expectativas e com algumas dificuldades ao nível da realização motora, tanto fina, como global.

As provas não iriam ser fáceis para ela, isso eu conseguia prever.

A relação com o colégio não era óptima.

A Vera vinha de um jardim de infância pequeno. Passou para um colégio grande onde estava constantemente na sombra das irmãs, que também lá andavam. A relação que tem com a professora é sobretudo de medo, o que é aliás o seu padrão para com os adultos. Medo de que não esteja a fazer bem, medo de que vá desiludir, medo de fazer perguntas porque já devia saber as respostas.

Esta semana cheguei pela hora do habitual, dentro do período de almoço. Percorri os diversos espaços de recreio a procurar a Vera e nada. Acabei por me cruzar com o diretor que me informou que estava na sala, juntamente com outros colegas que não tinham acabado o trabalho da manhã. É uma prática habitual no colégio da Vera, o que a prejudica bastante, visto que necessita realmente daquele espaço de tempo para brincar e recarregar energias. Fui para a sala e bati à porta para pedir que a Vera me acompanhasse para a terapia.

As palavras são potentes armas

–  Ainda bem que veio! – disse a professora, bem alto, à frente dos 9 alunos que lá estavam, incluindo a Vera – A Vera está impossível! A semana passada foi a prova de expressão físico-motora e ontem a de expressão artística. A Vera não fez nada! Sabe o que é nada? Nada! E hoje está ali, olhe, ainda nem pegou no lápis, só olha para o caderno e para o teto. Nada! E olhe que eu sei que é fácil! É fácil e ela de certeza que sabe!

A Vera estava encolhida a tentar esconder as lágrimas.

– Se isto continua assim – continuou a professora – nem sei como é que vão ser as de português e de matemática!

Chamei a Vera e fomos para a sala. Pela má relação corporal que vive, a Vera tem realmente dificuldades em admitir que não consegue fazer e lida muito mal com a frustração. Detesta tentar coisas novas e diferentes. Mas por outro lado, é brilhante a matemática e escreve muito bem, numa letra muito bonita. No português também é boa, mas, pelas suas dificuldades em expressão, por vezes tem dificuldade em perceber o que não seja literal.

Comunicar eficazmente. O pincel da coragem, o pincel da calma e o pincel da motivação

– Vera, o que se passou ontem? – perguntei com calma – Não estou chateada, só quero que tu me contes o que se passou, porque não consegui perceber e quero entender se estás bem…

– Eu não fiz nada e portei-me muito mal – respondeu ela, olhando para as mãos que estavam sob o colo.

– Não fizeste nada, ou a professora disse-te que não fizeste nada? Percebeste o que era para fazer?

– Eu achava que sim… e fiz o que a professora me tinha mandado… o meu trabalho estava um pouco diferente dos outros, mas cada menino fez à sua maneira, não achava que estivesse mal… Mas depois a professora olhou, fez uma cara muito chateada e disse que eu não tinha feito nada… Eu sei que estão chateados comigo, mas não consigo entender o porquê…

– E não perguntaste, Vera?

– Não Ana, nem hoje… estamos a ler um poema muito difícil. Eu entendo as palavras que estão escritas, mas tudo junto não faz sentido… E nem vou perguntar à professora. Ela diz que é fácil e que eu tenho que saber, mas eu não consigo… E depois ela diz que as provas de aferição vão correr muito mal… Nem quero pensar…

– E como é que isso te faz sentir? – perguntei eu, tentando ser o porto de abrigo que precisava naquele momento.

– Mal Ana, muito mal… e já sei o que vais perguntar, onde é que me sinto mal, não é? Nas mãos, Ana, sinto-me muito mal nas mãos… Eu olho para elas mas elas não se conseguem mexer…

– Vera, acho que sei do que precisamos! Vamos buscar o pincel da coragem, o pincel da calma e o pincel da motivação! Aposto que se passarmos esses pincéis nas nossas mãos elas vão ficar cheias de força!

E ficaram.

Mensagens claras, crianças esclarecidas, crianças mais calmas

Os seus ombros voltaram para baixo, consegui ver o seu pescoço, as costas endireitaram-se e os pés pararam de bater repetidamente no chão. A minha Vera estava de volta. O mundo terá sempre desafios destes para a Vera e para as nossas outras crianças. É sempre importante dar-lhes estes pincéis da calma, coragem e motivação. Mas acima de tudo, temos de ser claros nas mensagens que passamos para as nossas crianças. Se lhes dissermos apenas que fizeram mal, sem indicar o que esperávamos delas, sem ouvirmos o seu feedback e sem elogiarmos o que fazem bem, não estamos a mostrar-lhes o caminho. Estamos apenas a ser ervas daninhas.

Aproximam-se semanas intensas, o ano letivo está no fim e o cansaço começa a aparecer em todos os elementos da escola. Mas que essa não seja a desculpa para sermos pedras no caminho, quando devíamos estar a regar as nossas flores.

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Detesto matemática! – Sinais de alerta de discalculia

“Odeio matemática!” – É frequente ouvirmos os nossos filhos/alunos fazerem este tipo de desabafo. Com igual frequência podemos cair no erro de achar que se trata de simples preguiça ou desmotivação para aprender a disciplina. Contudo, a frustração associada a esta frase tão frequentemente pronunciada pode, por vezes, refletir uma verdadeira dificuldade em aprender e desenvolver o cálculo matemático. À dificuldade de aprendizagem associada ao raciocínio lógico-matemático dá-se o nome de Discalculia ou Perturbação da Aprendizagem Específica, com défice no Cálculo.

Podemos generalizar que todas as crianças que não gostam de matemática têm discalculia?

Claro que não. Mas existe um conjunto de sinais de alerta relacionados com esta dificuldade de aprendizagem a que pais e professores devem estar atentos. Quanto mais cedo for feito o despiste da discalculia, mais cedo se implementará uma estratégia de reeducação para a criança. Isto poderá evitar o desgaste de repetidas situações de stress relacionadas com problemas escolares, os quais resultam muitas vezes numa crescente desmotivação em prosseguir os estudos.

Os sinais de alerta associados à discalculia dependem da idade/fase escolar da criança

Pré-escolar:

– Dificuldade em compreender o sentido do número;

– Dificuldade em aprender a contar;

– Dificuldades na identificação de número. Quer a nível visual (por ex. trocas entre o 2/5, o 3/8 ou o 6/9) quer a nível auditivo;

– Dificuldade em memorizar números;

– Dificuldade em organizar objetos de uma forma lógica: por formas, cores ou tamanhos;

– Dificuldade em reconhecer grupos e padrões;

– Dificuldade em usar conceitos comparativos tais como: maior/menor; mais alto/mais baixo;

– Dificuldades na lateralidade: distinguir entre a esquerda e a direita;

Idade Escolar:

– Dificuldade em compreender a linguagem e os símbolos matemáticos: “diferença”, “soma”, “igual”, “+”, “-“, “=”, etc.;

– Dificuldade em compreender o valor obtido pela modificação de um número: limitações em perceber que os números 560, 605 e 506 são diferentes, apesar de constituídos pelos mesmos três números (“5”, “6” e “0”);

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos básicos através da soma, subtração, multiplicação e divisão;

– Dificuldade em compreender que 5 é o mesmo que 3+2 ou o mesmo que 4+1. Que 5+4 é igual a 4+5, ou que 8×2 é igual a 2×8;

– Dificuldade em desenvolver competências para a resolução de problemas matemáticos mais complexos;

– Fraca memória de longo prazo para funções matemáticas;

– Pouca familiaridade com o vocabulário da matemática;

– Dificuldade em resolver problemas matemáticos de forma oral, nomeadamente no caso de problemas muito extensos, e na presença de informação desnecessária e demasiadas abreviaturas;

– Dificuldades na compreensão do conceito de medida;

– Relutância em participar em jogos que requeiram o uso de estratégia;

– Dificuldades visuo-espaciais na leitura e escrita de números;

– Dificuldade em identificar as horas, por não conseguir distinguir o ponteiro das horas e dos minutos;

– Dificuldade em compreender o valor das moedas. Ex. A criança não compreende que uma moeda de 1 euro é igual a 2 moedas de 50 cêntimos ou 5 moedas de 20 cêntimos.

Se o seu filho ou aluno apresenta alguns destes sinais, poderá ser sinal de uma discalculia. Nesse caso, deverá recorrer a ajuda técnica especializada para fazer uma avaliação psicopedagógica da criança e despistar eventuais dificuldades de apredizagem. Só assim poderá implementar-se um plano de intervenção adequado que ajude a criança a colmatar as dificuldades sentidas e promover o seu sucesso escolar.

O mérito, o valor e a excelência foram convidados para a festa do ano.

Vestiram-se a rigor, puseram no rosto o seu melhor sorriso e dançaram juntos ao som de Freddie Mercury, antes de sair de casa.
Ao chegar à escola, sentiram-se ainda mais especiais. Tudo estava tão mais bonito! As flores enfeitavam o auditório, as luzes acesas iluminavam o palco. A toalha azul, a mesa de café e chá e uns rolinhos brancos com fita de cetim muito alinhados, faziam adivinhar o que de tão importante lá traziam escrito.

Todos se endireitavam, imponentes, de mãos atrás das costas para os receber: a equipa de direção, os professores, os pais e uii… imagine-se, até o presidente da câmara lá estava.

O mérito, o valor e a excelência ficaram envergonhados com tal acolhimento mas encheram o peito de orgulho por ali terem sido chamados.

À medida que a cerimónia avançava, anunciavam-se os nomes da lista dourada. Os meninos e as meninas subiam ao palco, debaixo de aplausos. Os pais, de pé na plateia, não cabiam em si de contentes. Por entre flashes de telemóvel e braços no ar, via-se uma ou outra lágrima de emoção.

O mérito, o valor e a excelência distribuíam abraços e assinavam contentes os diplomas dos alunos premiados que, assim que podiam, fugiam outra vez para os braços da família.

E mesmo no momento em que começavam a habituar-se a tão especial missão, o mérito, o valor e a excelência perceberam que os rolinhos brancos com fita de cetim haviam chegado ao fim.

O mérito, o valor e a excelência: critérios

Mas… quantos alunos tem esta escola?”, perguntou com estranheza a excelência.
“Cerca de 300!”, respondeu alguém prontamente.
“E então onde estão os outros 260?”, devolveu o mérito.
Um silêncio constrangedor tomou conta da sala. Sim, era verdade, naquela escola viviam 260 crianças que ali não tinham cadeira naquela noite.
“Ahãã…” avançou corajosamente alguém:Sabem é que os critérios este ano são apertados. É preciso ter nível 4 ou 5 a todas as disciplinas! Ah, e claro, não ter sido sujeito a nenhuma medida disciplinar…

O mérito, o valor e a excelência olharam confusos uns para os outros e perceberam, finalmente, o que por ali se passava. Não conseguindo disfarçar o natural desapontamento, baixaram os braços, deixaram esmorecer o sorriso, apagar-se o entusiasmo e, abandonaram a festa.

Já em casa e antes de adormecer, tomaram a mais sábia decisão das suas vidas: falar com a organização e propor a revisão dos critérios a concurso. Para o ano bastaria apenas o cumprimento de um, para que se excedessem todos os padrões de mérito, de valor e de excelência: Ser Criança.

E com pós de perlimpimpim, esta história chegou ao fim.

Era só isto, meus senhores. Era com esta história de encantar que hoje vos queria adormecer…

Desde há algum tempo, os quadros de honra fazem parte das escolas (felizmente, não de todas) e, consequentemente, das famílias (algumas!).

Instituiu-se este método como um reforço positivo às boas notas e um incentivo ao empenho, para quem não as alcança.

Atente-se ao facto de que pertencer ao quadro de honra implica nunca escorregar do patamar das “boas notas” abaixo, ou seja, não é permitido falhar – há uma nota mínima definida!

Esta modalidade das escolas, com o objetivo de promover e parabenizar a excelência de uns, e despertar o interesse e empenho de outros, é uma falácia! Nem os que conquistam o estatuto precisam da pompa com que são brindados, nem os demais se empenham mais para alcançar essa meta.

Educar para a excelência académica, sim ou não?

Os quadros de honra acabam por passar duas grandes e erradas mensagens. Uma é a de que não se deve falhar. Como se a vida se escrevesse toda em papel imaculado, sem nódoas ou riscos; como se fosse possível crescer, de modo harmonioso e sereno, sabendo que não pode errar-se.

A outra a é a de fazer estes miúdos acreditarem na excelência do seu potencial. É sabido que, para pertencer ao quadro de honra, têm de ter, no limite, a nota mínima, em todas as disciplinas. E é possível ser bom a tudo?

Alguns destes miúdos, na sua sábia capacidade de ler nas entrelinhas, percebem que a sua inclusão no quadro de honra, se deve a batotices dos professores que, naquelas disciplinas que são os parentes pobres do currículo académico (música, E.T., E.V., Educação Física, etc), sobem as notas dos alunos para compor o ramalhete junto dos “parentes ricos” (matemática, português, etc…).

Tendo o nosso sistema de ensino como lema privilegiar o “ouve, regista e repete” (promovendo mais papagaios do que seres pensantes), deixar os miúdos acreditarem na sua excelência, encerra o erro de os frustrar no futuro – fora da escola, o sucesso é ditado por uma maior multiplicidade de fatores, sendo que muitos desses fatores fogem do controlo de ação de cada um.

Educar para a excelência académica, é não preparar esses supostos excelentes a lidar com a frustração de errar.  E vive-se sem errar? Aprende-se sem falhar?

A competitividade promovida nos moldes errados

O que se ensinamos com estes quadros de honra? Preparamos as crianças para a vida profissional? Ou condicionamo-las a acreditar numa realidade ilusória que, quando confrontados com o mundo real, e com as vicissitudes do quotidiano, se amedrontam; se diminuem; se sentem invadidos por uma ansiedade para a qual, na maioria das vezes, não desenvolveram recursos para gerir?

Paralelamente, também não preparamos para o mercado de trabalho e para uma vida em sociedade mais equilibrada, quando, a título da excelência, se promove a competitividade em excesso.

O desejo de pertencer e manter este patamar de mérito, promove uma maior competitividade, o que acaba por perder-se em cooperação com os pares. O mais alarmante é perceber que se criam seres que olham muito para os outros, mas não pelos outros. Olham para os outros como se estivessem em constante corrida e tivessem de manter o rival debaixo de olho – porque quem baixa a guarda, perde velocidade.

A competitividade é importante e saudável.

Cria o desafio que nos impele a prosseguir caminhos e que, com isso, nos desenvolve; acrescenta conhecimento e fornece recursos. No entanto, a competitividade deverá ser estimulada do ponto de vista interno. Não tanto na comparação com os outros mas, antes, como posso desafiar-me a procurar novas metas.

Não será de maior louvor fazer com que os miúdos, por si, reconheçam as diferenças relativamente aos demais, e ajudá-los, individualmente, a quererem superar-se a si próprios, em vez de competir com a nota do colega? Despertar-lhes a motivação pela superação pessoal, conquistando o orgulho, mais do que a vaidade, como diz o professor Eduardo Sá. Até porque as notas não traduzem inteligência, nem conhecimento. E também não predizem o sucesso da caminhada profissional.

Reforço, reconhecimento e resultados

O reforço positivo deve sempre surgir como gratificação do esforço, refletindo-o. Na infância / adolescência, o reconhecimento dos adultos / cuidadores tem uma dimensão de relevo. Serve de fio condutor da postura a manter / ter / criar. Na escola, e falando especificamente sobre o desempenho escolar, o melhor reforço positivo a ter são as notas, somado ao apoio dos familiares próximos. E basta!

Verdade seja dita que, nem sempre a nota é diretamente proporcional ao empenho. Ainda assim, poderá servir de reflexão sobre o facto incontornável de as nossas vivências não estarem sob o nosso controlo total.

Devemos deixar de enaltecer resultados e focarmo-nos nos processos:

  • ensinar a escutar (a si e aos outros);
  • aprender o prazer da autonomia e da responsabilidade;
  • despertar a motivação pelo conhecimento. (Na humildade de que a diferença do outro é um valor acrescentado, e não o querer ser melhor);
  • promover a aprendizagem através do erro, em vez de querer colmatar a falha por antecipação (ex: fazer trabalhos pelos filhos; fazer-lhes os resumos…).

Mais do que preconizar quadros de excelência, urge que se preconize a inteligência emocional. Mais do que louvar o desempenho cognitivo em exclusivo, impera a importância de promover o equilíbrio entre a razão e a emoção.

De que serve o 20 a matemática se não tiver prazer num convívio social?

Precisamos com urgência que os miúdos desenvolvam a empatia  – que se reconheçam na felicidade e na dor do outro; que descodifiquem as suas emoções; que consigam parar para pensar, sem fugir para o evitar; que aprendam a respeitar o espaço dos outros, reservando o direito à opinião de cada um, sem que isso implique conflito; saber conviver com a diferença e aceitá-la pacificamente, seja de ordem física, atitudinal, religiosa, etc.

Neste mercado globalizado, a multiculturalidade das equipas, exige inteligência emocional. E, se o foco nas matérias escolares for excessivo, alguma coisa fica por aprender e por treinar… A base do trabalho em equipa é a capacidade de escutar os outros, compreender e saber dialogar e ceder. Isto requer discussão de diversas perspetivas / áreas. E não é uma competição!

Grandes empresas começaram já a cruzar informação dos resultados obtidos na avaliação de desempenho dos seus profissionais, contratados pelo mérito. A conclusão a que têm chegado é não existir qualquer relação entre o bom aluno e o bom profissional. Ou seja, enquanto têm passado uma vida a recrutar para os seus quadros com base na seleção dos melhores resultados académicos, percebem agora que este crivo tem conduzido os melhores profissionais para a concorrência.

Que propósito servem, afinal, os Quadros de Honra? Não sei!…

Como licenciado em psicologia (ramo educacional) que escolheu criar um projeto independente de “formação” para escolas, entendi logo que as minhas próprias competências de comunicação, de colaboração e a criatividade, eram fundamentais.

Quer para o sucesso do projeto em termos de modelo de negócio, quer em termos de sucesso no objetivo principal: ajudar a desenvolver competências e soft skills ou competências transversais. Para chegar aos docentes com quem trabalho, tenho que ser o exemplo, pelo menos de algumas, dessas competências. Também nós aprendemos pelo exemplo, não são só as crianças. E também pela inspiração que nos pode dar alguém entusiasmado e com resultados.

Mais do que levar informação, procuro agitar e colocar a refletir. E esse deve ser também o caminho do docente do século XXI.

O próprio Perfil do Aluno alerta para esta necessidade. Criar conhecimento numa era em que a informação (que não é o mesmo que conhecimento!) está ao alcance de todos, é imperativo! Porque “saber” é diferente de “ter consciência”.

Há uma preocupação que marca o meu trabalho:

Como vamos desenvolver competências transversais nos alunos, se não as tivermos?

As escolas (à atenção do Ministério da Educação) deviam ter mais capacidade e autonomia de investimento em sessões de formação capazes de ajudar os docentes a ganhar competências, em vez de, muitas vezes, os ajudar a ganhar (apenas) créditos.

O educador que deseja ajudar os alunos a desenvolver competências transversais (soft skills) tem que ser o primeiro a refletir sobre as suas e a querer melhorar, sendo um exemplo de colaboração, capacidade de comunicação e de inovação.

Como formador, procuro também proporcionar experiências que coloquem os participantes a refletir. Dar o exemplo é fundamental.

Da reflexão virá a mudança.

Mais do que passar informação, é necessário dar ferramentas para cada um criar o seu conhecimento. As minhas próprias metas, cruzam-se com o impacto que pretendo ter nos docentes presentes nas sessões. Pretendo:

1. Manter-me entusiasmado;

2. Procurar as minhas próprias experiências de formação;

3. Exercitar a empatia;

4. Provocar a minha reflexão, trabalhar de forma colaborativa e inovar(…);

5. Comunicar;

Se eu fizer, serei mais capaz de o ajudar a fazer. E assim, todos juntos faremos uma escola (ainda) melhor

Afinal para que serve a Escola?

Há muita gente que casa por casar. Que vota por votar. Que anda cá por ver os outros andar. Há muita gente que vive por viver.

E a escola? Porque vão à escola os nossos filhos?

Às tantas vão à escola porque nós também fomos, porque “toda a gente vai”… Não será importante pensarmos as razões que nos levam a acreditar na escola? Até há uns anos, acreditávamos que a escola traria emprego.

Hoje, num mundo em mudança, sabemos que não é bem assim. Há muitos empregos que ainda nem foram inventados. E, por outro lado, cada vez mais empresas estão atentas a algo mais do que apenas “o currículo”, na hora de escolher colaboradores.

Quando nos colocamos em bicos de pés e exigimos dos nossos filhos apenas que tenham boas notas, estaremos a pensar verdadeiramente no futuro deles? Ou será que, como adultos, desejamos ter filhos com boas notas, numa espécie de competição com outros pais?

Há muita gente que diz que deseja filhos felizes. Mas depois, exige notas. Quadros de honra e afins.

Não estou, de forma alguma, a fazer a apologia das “más notas”. Mas sei que há crianças e jovens infelizes nas nossas escolas. Sei que há crianças e jovens infelizes por causa das nossas escolas. Sei que há professores que desejavam fazer diferente. Debater mais. Falar mais da vida nas entrelinhas do currículo escolar. E sei que há pais a “apertar” com os professores por causa dos exames.

Sabemos que as máquinas, as tecnologias, estão a chegar.

Se queremos crianças com um futuro, com uma ocupação, com um trabalho, não será importante reforçar neles as características que nos distinguem das ditas máquinas? É fundamental saber. As matérias são, no geral, importantes.

E ser? E entender? E compreender o mundo? E saber pensar? E criar? Se é importante saber, então se pensarmos nestas outras competências, teremos um caminho diferente a percorrer.

Queremos que eles tenham boas notas. Neste exame que é a vida

Fale com o professor do seu filho antes que a escola termine

Nem de mais, nem de menos. Há que saber encontrar a justa medida na gestão dos contactos com os professores durante o ano letivo. Nem sempre é fácil esse equilíbrio. A escola quer pais proativos, que se envolvam na vida académica dos filhos, mas também dispensa reuniões desnecessárias.

Agora que as férias estão à porta e as aulas quase a terminar, impõe-se um balanço sobre a evolução escolar e emocional do seu filho.

Marque uma reunião e não regresse a casa com dúvidas.

Esclareça o que mais o preocupa. Vá direto aos pontos essenciais: identifique as dificuldades; os pontos fortes e fracos, ou seja, as áreas em que o seu filho apresentou maior facilidade e mesmo entusiasmo e as áreas que suscitaram maiores dificuldades, desinteresse ou mesmo desmotivação; os conhecimentos adquiridos e não assimilados; as formas de o ajudar a melhorar e a promover o seu verdadeiro potencial académico não se cingindo apenas às classificações/notas finais,  procurando dar, cada vez, mais primazia ao processo, à qualidade dos desempenhos.

Esteja sobretudo atento ao reflexo que a atmosfera escolar tem no seu filho. Se lhe faz despoletar sentimentos de pertença, de competência (tentando averiguar onde se sente mais e menos capaz), motivação/ empenho ou se lhe faz suscitar em algumas circunstâncias alguma ansiedade, desinteresse e desmotivação.

Muitos pais, devido aos compromissos profissionais cada vez mais exigentes, tendem a delegar a responsabilidade de ensinar apenas à escola. Um erro que costuma pagar-se caro. Pais e professores têm funções complementares, indissociáveis.

Não esqueça: a participação da família nas atividades letivas é fundamental para o desenvolvimento da criança.

A escola, por si só, não é suficiente para garantir um bom rendimento escolar. As tarefas devem, por isso, ser partilhadas de maneira transparente, em nome de um objetivo comum.

Em vez de, por exemplo, responsabilizar os professores por um eventual fracasso do seu filho em alguma disciplina, procure saber de que forma poderão trabalhar em conjunto para superar as dificuldades de aprendizagem e, eventualmente, reformular o processo de ensino-aprendizagem de maneira mais eficaz e mais adequada ao perfil educativo do seu filho.

Regra geral, os estudos indicam que os filhos de pais participativos têm melhores resultados do que os filhos de pais ausentes. Tente saber como pode intervir de forma positiva no trabalho do seu filho em ambiente escolar e que medidas complementares devem ser adotadas em casa. Procure saber, por exemplo, que competências deverão ser estimuladas, antes do arranque do novo ano letivo.

Uma relação positiva com os professores contribuirá para elevar os níveis de confiança, autoestima e, consequentemente, o aproveitamento escolar do seu filho.

Valorize sempre as reuniões presenciais.

Nada como uma conversa olhos-nos-olhos com quem acompanha diariamente o seu filho. Regularmente, recorra, também, à caderneta do aluno ou até ao correio eletrónico e outros recursos tecnológicos, para manter o diálogo aberto com a escola.  Não se silencie perante as preocupações.

É fundamental que o processo educativo, que eventualmente, possa parecer tão simples para alguns, mas que acarreta uma elevada complexidade, deva ser integrador da conciliação de diferentes perspetivas, não só as dos pais, nem exclusivamente as dos professores, mas sim de todos os intervenientes no processo de ensino-aprendizagem (como por exemplo, educadores naturais e profissionais, alunos, assistentes operacionais, técnicos de diferentes índoles).

Deste modo, é permitido usufruir da diversidade de pensamentos/ideias para a resolução de eventuais problemas e/ou situações dilemáticas, estabelecendo contextos de parceria não só intra-escola mas para com a sociedade envolvente, dando primazia à supressão de necessidades escolares identificadas na promoção do sucesso escolar.

Esta dinâmica relacional, ativa, de proximidade, permite ainda a todos os educadores formais e informais a difusão de responsabilidade partilhada, promovendo o sentimento de pertença e aceitação da individualidade na diferença reforçando diariamente a manutenção de atmosferas positivas que trespassem a realidade exclusivamente escolar e objetivem não só o bem-estar físico como psicológico de cada aluno.

Não há nada mais importante do que o tempo que dedicamos à educação dos nossos filhos.

 

Estratégias para o seu filho se concentrar nas aulas

Ponto prévio:

A incapacidade de manter a atenção pode ter origem em motivos diversos, desde a ansiedade, a depressão e até a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Crianças com problemas de aprendizagem, por exemplo, facilmente se distraem. Regra geral, sentem maiores dificuldades em iniciar projetos, dividir tarefas e assumir responsabilidades, prejudicando assim a vida académica e social.

Se for o caso do seu filho, procure descobrir o que mais o perturba. Estará a ajudá-lo a dar o primeiro passo para superar as dificuldades. Nem sempre é fácil abordar o assunto de forma positiva e construtiva mas a comunicação é fundamental.

Crie algumas estratégias para o manter focado e se concentrar nas aulas:

1 – Organize uma lista com os livros, cadernos e outros materiais utilizados durante o ano letivo. Essa lista servirá, diariamente, para que o seu filho se certifique que transporta sempre, de casa para escola e da escola para casa, tudo o que realmente precisa.

2 – Procure que fique sentado junto a um colega que seja um bom modelo a seguir. Quanto menos barulho na sala maior a capacidade de concentração.

3 – Ensine-o a descobrir e sistematizar a informação. A probabilidade de manter a atenção aumenta substancialmente quando há organização. Incentive-o, por exemplo, a fazer resumos, ou tópicos, sobre a material lecionada.

4 – Mantenha as rotinas. É fundamental estabelecer hora e local para todas as atividades. Alterações, não programadas, podem potenciar as dificuldades de concentração.

5 – Simplifique a agenda. Crianças sobrecarregadas com atividades tendem a ser mais distraídas.

6 – Crie um local de estudo, arrumado e sem ruído. Quanto menos distrações, melhor. Televisões e telefones não são bons aliados.

7- Incentive-o a privilegiar as atividades ao ar livre. Controle o tempo que o seu filho passa a ver televisão e a jogar em computadores e tablets. Atividades desportivas e o contato descontraído com outras crianças são de extrema importância.

8 – Celebre as conquistas. O excesso de críticas é prejudicial. Olhe para o elogio como um bom aliado e mostre satisfação sempre que o seu filho apresente bons resultados.

O psicólogo e especialista em terapia para crianças, o norte-americano Jeffrey Bernstein, deixa-lhe outras dicas importantes para ajudar uma criança distraída.

  • Tenha consciência
    Lembre-se que estas crianças muitas vezes se sentem diferentes das outras e precisam por isso de maiores incentivos.
  • Evite gritar
    Ao gritar só o confunde ainda mais, tornando-o mais propício à desconcentração.
  • Mantenha-se calmo, firme e não seja controlador
    Esteja tranquilo, não crie expectativas inalcançáveis e tente não dar demasiadas ordens.
  • Seja pro-activo e comunicativo com os professores
    As crianças desatentas desistem rapidamente quando têm de enfrentar obstáculos. Mantenha-se envolvido na vida escolar do seu filho para que o possa ajudar a superar eventuais dificuldades.
  • Incentive o seu filho
    Ensine-o a tornar as tarefas complexas noutras mais pequenas e viáveis. As crianças sentem-se mais motivadas ao alcançar pequenas vitórias.
  • Faça listas
    É estimulante para uma criança ‘riscar’ as tarefas já cumpridas.
  • Ajude, mas não faça por ele
    Ajudar demasiado uma criança a concluir um problema difícil pode fazê-la sentir-se bem momentaneamente, mas não estará a ajudá-la verdadeiramente.
  • Promova a auto-estima do seu filho
    A maioria das crianças desatentas sente-se inferior aos outros. Demonstre ao seu filho não só que gosta, mas que também acredita nele.

Gamificação (ou, em inglês, gamification) tornou-se numa das apostas da educação do século XXI. O termo significa usar elementos dos jogos de forma a engajar pessoas para atingir um objetivo.

Na educação, o potencial da gamificação é imenso: funciona para despertar interesse, aumentar a participação, desenvolver a criatividade e autonomia, promover diálogo e resolver situações-problema.

A brincar aprende-se melhor

A brincadeira é uma das atividades que está presente na natureza do ser humano desde o início dos tempos. Podemos brincar sozinhos ou em grupo, sentados em torno de um tabuleiro ou de pé, em casa ou ao ar livre. O como, não é relevante. Através da brincadeira, crianças e adultos aprendem, experimentam e compreendem a realidade ao seu redor.

A gamificação explora esta maneira natural de aprender, utilizando as dinâmicas do jogo em diferentes atividades cujo objetivo vai para lá do entretenimento. O principal objetivo é aumentar o engajamento e despertar a curiosidade dos usuários e, além dos desafios propostos nos jogos, na gamificação as recompensas também são itens cruciais para o sucesso.

Basicamente, este recente conceito consiste em usar ideias e mecanismos de jogos para incentivar alguém a fazer algo. A ideia é criar uma motivação intrínseca, em que o aprendizado acontece através das próprias brincadeiras, sem separar a teoria da prática.

Este movimento de “tornar lúdico” procura sobretudo a melhoria da experiência do usuário, seja ele um estudante ou um trabalhador. A ideia por trás deste tipo de iniciativa é que, se gostamos de um determinado jogo, através do mesmo podemos aprender mais e melhor.

A gamificação é uma resposta a diversos males que afetam a educação tradicional, sendo o maior deles o desinteresse dos estudantes.

Vantagens da Gamificação na aprendizagem

No âmbito do ensino, envolver os alunos em jogos aumenta a motivação e melhora a capacidade de atenção. Ao contrário dos métodos tradicionais (testes, perguntas, ditados etc.), o aluno não é tratado como um elemento passivo ou que apenas reage a estímulos prévios.

Recompensas, status e êxitos (superar certo nível de um jogo) são algumas das maneiras mais comuns de “gamificar” uma atividade.

Um excelente exemplo é Flipped Playground, uma iniciativa promovida pelo professor do 1º Ciclo Michael T. Bennett (do colégio Humanitas Bilingual School, em Tres Cantos, Espanha), que reinterpreta as brincadeiras infantis tradicionais, transformando-as em ferramentas educativas. Bennett dá suas aulas com a ajuda de jogos simples como a macaca, gincanas e um piano gigante.

O professor Bennett transformou, por exemplo, o clássico jogo do Twister num cenário educativo adaptável. O docente modificou vários elementos do jogo tais como os círculos coloridos nos quais as partes do corpo são apoiadas, transformando-os numa série de figuras geométricas. Além disso, as instruções são dadas em inglês – “your left hand on the brown pentagon”. Deste modo, as crianças trabalham com um simples jogo de psicomotricidade, geometria e inglês. O pátio transforma-se numa ludoteca ao ar livre, onde professores e alunos convivem enqunto aprendem.

“O homem não para de brincar porque envelhece, mas envelhece por deixar de brincar” Bernard Shaw.

DO ANALÓGICO AO DIGITAL

Nos anos oitenta os jogos educativos saltaram dos pátios do recreio para os computadores. Inicialmente eram cópias de jogos tradicionais, como baralhos de cartas ou  xadrez transformados em programas de informática.

Mas rapidamente, a  gamificação evoluiu ao ritmo das novas tecnologias. A GlassLab é uma organização sem fins lucrativos que desenvolve jogos educativos utilizados em mais de 6.000 salas de aula dos Estados Unidos, segundos dados da SRI International. Alguns dos jogos da empresa, como SimCity EDU, são versões educativas de outros já famosos, mas existem os originais, como Ratio Ranchel.

Os professores recebem atualizações instantâneas sobre o progresso dos alunos, bem como sugestões sobre os temas que deveriam ser mais trabalhados. Estas avaliações quantificam o progresso em diferentes áreas: visão espacial, cálculo, capacidade estratégica e de argumentação.

Outro caso de sucesso entre as plataformas de jogos educativos é a Kahoot. Com mais de 50 milhões de usuários ativos mensais em mais de 180 países, segundo dados da própria empresa, é uma das plataformas que apresenta maior crescimento. Uma das vantagens que distingue esta plataforma norueguesa é que  permite que qualquer pessoa crie as suas próprias atividades.

O CINEMA TAMBÉM SERVE PARA EDUCAR

Outro programa de gamificação com bons resultados é o que se pratica na Universidade de Granada (Espanha), onde um professor do departamento de Educação Física, Isaac J. Pérez, aplica há vários anos esta técnica nas suas aulas.

Isaac J. Pérez utiliza séries e filmes populares como veículo de aprendizagem. Começou com Game of Thrones, e o objetivo era conquistar o Trono de Ferro. Assim, a turma dividiu-se em reinos, cada um deles relacionado a um tema da matéria: Físicor (condição física e saúde), Deporticia (jogos e desportos), Expresanto (expressão corporal) e Naturalia (atividades no meio natural). Em 2016, repetiu a experiência utilizando como fio condutor a trilogia Matrix. O professor mostra-se muito satisfeito com os resultados obtidos. “Os alunos, além de terem aprendido os conteúdos da matéria, melhoraram a sua condição física ao terem de fugir dos sentinelas”, explica.

Mas não se deu por satisfeito, e para este ano preparou um programa inspirado no filme O preço do amanhã. A atividade é baseada numa aplicação desenvolvida na própria universidade, que oferece uma referência constante do tempo que cada jogador conta para manter-se na partida. Os alunos, que têm um tempo disponível para o curso, enfrentam objetivos criativos e formativos para ganhar pontos, e também enfrentam outros alunos, os “rouba minutos”, que sobrevivem roubando tempo.

Seja com cartas, minutos ou videogames, a gamificação chegou para ficar.

 

Fontes The Dailyprosper, Infogeekie,