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A importância de saber ouvir os nossos filhos sem interromper

  • Joana Laranjeiro
  • 17 de Janeiro, 2017

O ping-pong parental. A importância de saber ouvir os nossos filhos sem interromper.

Na semana passada, uma amiga ligou-me para falar de alguma coisa muito importante que estava a acontecer na vida dela. Inesperadamente, o meu telemóvel fez uma coisa fantástica: não me deixou falar. Do outro lado, ela não ouvia absolutamente NADA do que eu estava a dizer. Estava tão entregue à conversa que não notava o silêncio que vinha do lado de cá. Eu, impedida tecnologicamente de fazer “bitaiting”, atirar opiniões, resolver o seu problema ou de começar vitoriosamente com um “se fosse eu”,calei-me e ouvi.

Ouvi muito. Ouvi as questões que ela levantava, ouvi como sozinha, aos poucos, ia arrumando a cabeça e o coração e, ouvi enquanto encontrava as suas próprias soluções e aprendizagens.

No final, ainda sem ideia nenhuma de que eu não tinha dito uma única palavra disse “Obrigada, estava mesmo a precisar de falar contigo. Foste espetacular!” Eu? Como? Apenas estando presente. Ouvindo ativamente, não para resolver um problema mas para servir de suporte ao processo do outro.

Muitas vezes ouvimos, mas temos uma agenda escondida. Ouvimos para responder e não apenas para ouvir. Um ouvir Ping Pong que jogamos com os nossos parceiros, com os nossos colegas de trabalho e com os nossos filhos.

O meu filho está a falar e eu a pensar no que vou dizer para ele ir lavar os dentes. Acabo de dizer uma frase e preparo a jogada seguinte. Penso na próxima resposta. Na bola que vou retribuir.

Ouvir é um processo bastante ativo e poderoso. Uma ferramenta essencial para qualquer relação e crucial na parentalidade.

Para ouvir ativamente o teu filho é essencial:

– Manter o contato visual, para que ele se sinta visto e reconhecido.

– Procurar estar neutro, sem julgamento e com uma mente curiosa.

– Ser paciente e permitir os momentos de silêncio que lhe dão espaço para explorar os seus pensamentos e emoções.

– Ter uma postura corporal receptiva, como inclinar um pouco o corpo para a frente, para ouvir melhor, ou ir fazendo pequenos acenos com a cabeça, incentivando-o a continuar.

– É importante evitar interromper com as tuas soluções. Quando o fazes estás a passar mensagens como “O que eu tenho para dizer é mais importante”; “Eu resolvia isso em três tempos”; “Não tenho tempo para te ouvir”; “Tu não consegues resolver isto sozinho”. Se o teu filho quiser a tua opinião vai pedi-la, não te preocupes.

– Tenta relaxar e seguir o seu ritmo. Entra, aos poucos, nos seus sapatinhos para ver as coisas de outro ponto de vista. Usa a empatia e dá constantemente feedback para manter a vossa conexão forte.

Agora ouve. Ouve uma e outra vez. Ouve até estares lá para ele, como ele precisa. Só treinando deixamos o hábito de falar em modo Ping Pong, de jogar o tempo todo, para passar a ouvir verdadeiramente o que têm para nos dizer. Ser ouvido é fundamental para ganhar autoestima, algo essencial no Ping Pong da vida.

 

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  • Crónicas Opinião
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O poder do diálogo

  • Marta Coelho
  • 14 de Dezembro, 2016

Um dos meus maiores amigos, que é uma pessoa com um coração gigante e que vê sempre o lado positivo de todas as situações, contou-me um dia como eram as coisas na sua casa. Ao final do dia ele e os irmãos sentavam-se no chão com a mãe, numa roda, a falar sobre o que tinham feito.

Sim, pode parecer um pouco hippie, mas para mim sempre o imaginei como algo incrível. Ainda hoje, ele e os irmãos já adultos, continuam a fazê-lo à sua maneira, enviam emails duas a três vezes por semana e a mãe escreve-lhes cartas para que leiam quando estão longe dela. É uma família sem pressas, ou melhor, uma família que conseguiu incluir no seu dia-a-dia corrido espaço e tempo para algo importante: diálogo. Ouvir, escutar verdadeiramente e saber que os outros farão o mesmo com eles.

Sempre me assustou aquelas famílias em que as pessoas não falam. Às vezes é uma questão de feitio, outras de hábito de distanciamento, outras até de falta de saber como fazê-lo.

Sempre conversei com os meus pais sobre tudo. Claro que há fases na vida em que não são os nossos pais as pessoas que procuramos, mas depois voltam a ser. Hoje em dia, se algo de bom ou mau (ou até só mais ou menos) acontece ligo sempre para os dois.

Às vezes não é fácil. Há miúdos que simplesmente não gostam de falar, pais que não sabem como abordar. Mas é importante que fique clara essa vontade. E não é só perguntar como correu o dia, é envolver nos assuntos, nas conversas, pedir opinião.

Ouvir sem desvalorizar.

Ajustar as expectativas.

Elogiar.

Conhecer.

Fazer uso daquela coisa que faz falta a tanta gente: o sentido de humor.

Brincar.

Rir.

Amar.

Conversar sobre tudo e sobre nada.

Porque às vezes até isso faz falta.

Mais tarde ou mais cedo haverá frutos.

Porque só crescerá a acreditar que a sua palavra tem valor quem tiver tido a sua palavra valorizada.

E assim fará com os outros.

E nos momentos mais sombrios procurará expressar-se.

Se não pelas palavras, de outras formas – porque felizmente temos vários modos de comunicar.

Para que nenhum pai fique completamente às escuras sobre quem são os seus filhos, para que nenhum filho cresça a acreditar que os seus pais não o sabem escutar, façamos um esforço.

Conversemos.

  • Coaching e Mindfulness Educação
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Ferramentas da Educação

  • fredericolopes
  • 29 de Novembro, 2015

O amor, o exemplo e o diálogo são as ferramentas melhores e mais úteis que os pais podem ter à sua mão.

Quando os filhos nascem: não chegam com um manual de instruções ou com botões de ligar e desligar. Antes, são pessoas únicas e irrepetíveis, singulares, indefesas e que desde cedo precisam da ajuda dos pais para se desenvolverem, crescerem, amadurecerem e serem felizes.

Educar é um processo que não se faz num dia. Mais, Educar com Talento é um processo lento, através de um caminho de esforço, por vezes de sacrifícios e perseverança ao longo de toda a vida.

Vejamos agora as ditas ferramentas, podemos considerá-las como verdadeiras ‘varinhas mágicas‘, ‘pozinhos de pirlimpimpim‘… o que lhe quiserem chamar.

Amor: Educar com amor é saber ser firme sem perder a calma, é ser carinhoso, compreensível, paciente e justo. Na mesma medida que se recebe o amor, também depois se pode retribuir. Uma criança amada é um adulto capaz de amar.

Exemplo: Uma das formas de aprendizagem mais eficaz é sem dúvida o exemplo, tudo o que se vê, entra pelos nossos olhos sem pedir licença, sem filtros. Os filhos necessitam do exemplo dos pais, que se quer que seja coerente. Nesta aprendizagem aprende-se por impregnação.

Diálogo: A pessoa é um ser de relação com o outro. Precisa de comunicar, manifestar os seus sentimentos, desejos, experiências. Comunicar é pois, uma arte. Em Família existem vários tipos de comunicação: entre o casal; entre os filhos (e aqui distingo dos filhos mais novos e dos mais velhos) e a própria comunicação entre os irmãos. Como elemento comum, deverá ser um diálogo aberto, sincero, fácil, que acaba por revelar o que verdadeiramente vai no íntimo de cada um. Sem preconceitos, uma conversa desinteressada mas, essencialmente compreensiva, numa postura e atitude de olhar primeiro para o outro. Ou seja, ouvir-escutar com todos os ‘sentidos’.

Um conselho: Abusem destas ferramentas! São gratuitas e todos as possuímos!

Por Maria da Conceição Gigante, do Blog Educarcomtalento

imagem@livejournal.com

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