9 Estratégias para ajudar o seu filho com dislexia

Está ao alcance de qualquer pai. Não precisa ser um especialista. Mas ajudar o seu filho que apresenta um quadro de dislexia pode ser um desafio.  Para que consiga desenvolver algumas competências ou fortalecer a sua autoestima há estratégias simples que pode seguir. Algumas, cujo respetivo sucesso só depende de si.

Antes de mais, tenha em atenção que as crianças (e as famílias) são todas diferentes. E, como tal, há abordagens que resultam e outras que podem não surtir efeito. Não entre em pânico se as primeiras estratégias não forem eficazes. É normal que, só depois de as experimentar, consiga encontrar e escolher a que melhor serve o seu filho. Eis algumas que pode tentar em casa:

1. Leia em voz alta todos os dias.

Se o seu filho ainda é criança, aconselhamos a leitura de livros de banda desenhada. Se for um pouco mais crescido, uma história do famoso Harry Potter pode ser uma boa solução. Para um adolescente, considere a leitura de artigos de revista, jornal ou talvez uma receita. A sua leitura em voz alta, de forma diária, pode permitir ao seu filho compreender e expandir com maior probabilidade de sucesso a sua base de conhecimento global. Pratique.

2. Perceba quais são os interesses do seu filho.

Uma criança com dislexia e outros problemas de leitura consegue interessar-se mais facilmente por um livro se o respectivo tema for do seu interesse. Experimente, por exemplo, histórias de mistério, banda desenhada, livros de desporto e  de artistas musicais. Investigue.

3. Use áudio-livros.

A internet é um grande contributo e pode ajudá-lo a encontrar os temas mais desejados. Nas livrarias, alguns livros também já são vendidos em formato digital. Sabia que, ouvir uma história no computador (ou no tablet) enquanto se olha para as respectivas palavras, pode ser uma boa ajuda para ensinar o seu filho? É verdade. A estratégia pode permitir ao seu filho relacionar os sons que está a ouvir com as palavras que vê. Experimente.

4. Procure aplicações na internet e outras ajudas tecnológicas.

Processadores de texto e de correção ortográfica podem ajudar as crianças com problemas de leitura e ortografia. Os programas de reconhecimento de voz também podem ser importantes para o desenvolvimento destas competências do seu filho. Deixe-o ditar as suas ideias em vez de as digitar. É um bom exercício. Na internet, não faltam aplicações que permitem desenvolver as habilidades de leitura. Procure.

5. Observe e tome notas.

Observe o seu filho mais de perto e tome notas sobre o seu comportamento. Verá que ajuda a revelar padrões e a identificar os problemas. As suas anotações podem ser preciosas para os professores na escola, os médicos e outros profissionais. Tudo começa por aqui.

6. Concentre-se no esforço, não no resultado.

Estimule o seu filho a querer melhorar. O seu encorajamento constante vai ajudá-lo a permanecer motivado. Faça-o perceber a importância dos afetos, dos abraços, dos beijos. Sempre que sentir pequenos progressos partilhe com ele e reconheça-o. Esse reconhecimento é fundamental para o seu desenvolvimento. Ao mesmo tempo, reforce a ideia de que errar é humano e que todos nós erramos.

7. Perceba o que se sente.

Através dos olhos do seu filho tente perceber o que pode estar a sentir. Esse exercício é importante na medida em que o pode ajudar a saber lidar com os problemas e com as soluções. Se os pais souberem o que o filho está a sentir em determinado momento menos difícil, será essa a escolha da estratégia mais correta a seguir. Experimente até acertar na mais eficaz.

8. Faça da sua casa uma biblioteca.

Coloque vários livros que podem interessar ao seu filho espalhados pela casa. Na sala, nos quartos e até na casa de banho. O seu filho sentir-se-á estimulado para a leitura. Quando sair à rua, por exemplo, para comer uma pizza, dar um passeio ou fazer uma viagem, leve consigo um livro. E, sempre que possível, leia-o em família para que seja discutido em conjunto. Seja criativo e encontre maneiras de incentivar a leitura e a escrita.

9. Aumente a confiança.

Use as atividades extracurriculares e outros passatempos para ajudar a melhorar a autoestima e a resiliência do seu filho. Experimente diferentes formas de identificar, construir e reforçar os seus pontos fortes.

Neste artigo iremos explorar em que consiste a Disortografia, respetivos sinais de alerta, como se realiza o diagnóstico e qual a intervenção mais adequada para crianças que manifestam esta perturbação da aprendizagem.

O que é a disortografia?

A Disortografia deriva das palavras “dis” (desvio) + “ortho” (correto) + “graphos” (escrita), isto é, a dificuldade em escrever corretamente. Assim sendo, a Disortografia é uma Perturbação da Aprendizagem Específica com Défice na Expressão Escrita que afeta a precisão ortográfica, a precisão gramatical e da pontuação e a clareza ou organização da expressão escrita.

Apesar de a Disortografia poder ser uma perturbação por si só, é frequente coexistir com a Dislexia, isto é, com a Perturbação da Aprendizagem Específica com Défice na Leitura.

Sinais de alerta de disortografia?

São vários os sinais indicadores de uma possível Disortografia. Num texto típico, escrito por uma criança com disortografia podemos observar:

  1. Incorreções ortográficas diversas:

– Omissões de letras/sílabas (e.g. banco-baco);

– Adições de letras/sílabas (e.g. comer-comere);

– Inversões de letras/sílabas (e.g. barco-braco);

– Substituições de letras com sons semelhantes (e.g. verde-ferde);

– Substituições de letras com formas semelhantes (e.g. bola-pola);

– Aplicação incorreta das regras gramaticais (e.g. ajudam-ajudão);

  1. Dificuldades ao nível da pontuação:

O mais habitual é os textos das crianças com Disortografia apresentarem pouca ou nenhuma pontuação. Em outros casos, pode ocorrer uma tentativa por parte da criança, nomeadamente quando são mais velhas, de utilizarem os diferentes sinais de pontuação, no entanto nem sempre os aplicam da forma mais adequada, tornando o texto confuso.

  1. Dificuldades na precisão gramatical:

É frequente estas crianças saberem explicar com precisão as diferentes regras gramaticais de forma isolada. Contudo, no momento em que as têm de aplicar de forma autónoma (pois têm de escrever a um ritmo que não lhes permite refletir com calma nas diferentes regras), acabam por cometer esses mesmos erros de precisão gramatical.

  1. Dificuldades no encadeamento/organização das ideias:

É crucial ensinar estas crianças a planear os textos antes de os escrever. Uma das características desta perturbação da aprendizagem é exatamente a dificuldade em produzir um texto escrito com uma sequência lógica e bem estruturada ao nível das ideias (mesmo quando bem estruturadas oralmente).

  1. Ritmo lento na escrita:

Uma vez que estes alunos necessitam de recorrer a diferentes estratégias, para conseguirem escrever sem erros, para saberem qual a regra gramatical a ser aplicada, para saberem qual o sinal correto de pontuação adequado, isto ao mesmo tempo que tentam elaborar um texto com uma boa construção frásica, acabam por revelar um reduzido ritmo de produção textual.

Como diagnosticar a disortografia?

Tal como a Dislexia, também a Disortografia deverá ser avaliada por um técnico especializado em Dificuldades de Aprendizagem (Psicólogo, Psicopedagogo, Neuropsicólogo), em estreita colaboração com os pais e professores.

Como em qualquer Perturbação da Aprendizagem Específica, a criança só poderá ser formalmente diagnosticada após dois anos de estimulação formal da leitura e da escrita (o que não significa que não seja possível despistar sinais de alerta previamente) e se o seu desempenho nas competências de escrita for significativamente abaixo do esperado para o seu nível escolar (avaliado através de provas formais e informais) e não consequentes de uma deficiência auditiva/visual, de uma Perturbação Específica da Linguagem ou de uma fraca estimulação escolar.

Qual a intervenção mais adequada?

A intervenção ao nível da Disortografia consiste na reeducação e treino das competências fonológicas (características desta dificuldade de aprendizagem) e visuo-espaciais, tendo como foco principal o processamento fonológico. As sessões de intervenção ao nível da estimulação das referidas competências deverão, sempre que possível, privilegiar uma estimulação multissensorial.

É importante referir que o sucesso da intervenção será tanto maior quanto mais cedo estas dificuldades forem detetadas e intervencionadas. Tal como na avaliação, também a intervenção deverá ser realizada em colaboração com o contexto familiar e escolar.

Estratégias para o seu filho se concentrar nas aulas

Ponto prévio:

A incapacidade de manter a atenção pode ter origem em motivos diversos, desde a ansiedade, a depressão e até a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção (PHDA).

Crianças com problemas de aprendizagem, por exemplo, facilmente se distraem. Regra geral, sentem maiores dificuldades em iniciar projetos, dividir tarefas e assumir responsabilidades, prejudicando assim a vida académica e social.

Se for o caso do seu filho, procure descobrir o que mais o perturba. Estará a ajudá-lo a dar o primeiro passo para superar as dificuldades. Nem sempre é fácil abordar o assunto de forma positiva e construtiva mas a comunicação é fundamental.

Crie algumas estratégias para o manter focado e se concentrar nas aulas:

1 – Organize uma lista com os livros, cadernos e outros materiais utilizados durante o ano letivo. Essa lista servirá, diariamente, para que o seu filho se certifique que transporta sempre, de casa para escola e da escola para casa, tudo o que realmente precisa.

2 – Procure que fique sentado junto a um colega que seja um bom modelo a seguir. Quanto menos barulho na sala maior a capacidade de concentração.

3 – Ensine-o a descobrir e sistematizar a informação. A probabilidade de manter a atenção aumenta substancialmente quando há organização. Incentive-o, por exemplo, a fazer resumos, ou tópicos, sobre a material lecionada.

4 – Mantenha as rotinas. É fundamental estabelecer hora e local para todas as atividades. Alterações, não programadas, podem potenciar as dificuldades de concentração.

5 – Simplifique a agenda. Crianças sobrecarregadas com atividades tendem a ser mais distraídas.

6 – Crie um local de estudo, arrumado e sem ruído. Quanto menos distrações, melhor. Televisões e telefones não são bons aliados.

7- Incentive-o a privilegiar as atividades ao ar livre. Controle o tempo que o seu filho passa a ver televisão e a jogar em computadores e tablets. Atividades desportivas e o contato descontraído com outras crianças são de extrema importância.

8 – Celebre as conquistas. O excesso de críticas é prejudicial. Olhe para o elogio como um bom aliado e mostre satisfação sempre que o seu filho apresente bons resultados.

O psicólogo e especialista em terapia para crianças, o norte-americano Jeffrey Bernstein, deixa-lhe outras dicas importantes para ajudar uma criança distraída.

  • Tenha consciência
    Lembre-se que estas crianças muitas vezes se sentem diferentes das outras e precisam por isso de maiores incentivos.
  • Evite gritar
    Ao gritar só o confunde ainda mais, tornando-o mais propício à desconcentração.
  • Mantenha-se calmo, firme e não seja controlador
    Esteja tranquilo, não crie expectativas inalcançáveis e tente não dar demasiadas ordens.
  • Seja pro-activo e comunicativo com os professores
    As crianças desatentas desistem rapidamente quando têm de enfrentar obstáculos. Mantenha-se envolvido na vida escolar do seu filho para que o possa ajudar a superar eventuais dificuldades.
  • Incentive o seu filho
    Ensine-o a tornar as tarefas complexas noutras mais pequenas e viáveis. As crianças sentem-se mais motivadas ao alcançar pequenas vitórias.
  • Faça listas
    É estimulante para uma criança ‘riscar’ as tarefas já cumpridas.
  • Ajude, mas não faça por ele
    Ajudar demasiado uma criança a concluir um problema difícil pode fazê-la sentir-se bem momentaneamente, mas não estará a ajudá-la verdadeiramente.
  • Promova a auto-estima do seu filho
    A maioria das crianças desatentas sente-se inferior aos outros. Demonstre ao seu filho não só que gosta, mas que também acredita nele.

Os nossos filhos não são perfeitos.

Aos nossos olhos os nossos filhos têm mais qualidades do que as que o mundo eventualmente verá neles, mas muitas vezes erramos ao não permitir que o mundo aponte as suas falhas.

O facto de compreendermos que somos humanos, com espaço para crescer, para nos desenvolvermos e desafiarmos é o que nos faz chegar mais longe. É o que nos faz, eventualmente, às vezes mais tarde do que mais cedo, perceber qual o nosso limite.

Existe uma escola preparatória em Lisboa que está a desenvolver um projeto educativo que acho muito interessante. As turmas são divididas em três níveis: baixo, médio e alto. No início do ano é feito um diagnóstico e os alunos são encaminhados para cada uma das subturmas. Estas subturmas são permeáveis, o que significa que um aluno que comece o primeiro período no nível médio pode eventualmente no segundo período estar no nível baixo, ou vice versa. A intenção é que todos acabem o ano no mesmo nível: o alto. Isto permite que os alunos sejam acompanhados de acordo com as suas necessidades de aprendizagem. Há espaço para expor dúvidas, para “atacar” a matéria onde existem mais dificuldades, há o incentivo para que os alunos queiram chegar mais longe.

Naturalmente, isto significa que há mais trabalho para mais professores. Este é um dos maiores problemas que atravessamos no nosso país: turmas sobrelotadas enquanto milhares de professores continuam sem colocação. Aqui há a oportunidade de ter uma mesma turma dividida em turmas mais pequenas, onde mais professores podem actuar.

O maior problema enfrentado? Os pais, naturalmente.

Diziam que havia preconceito com os que estavam no nível mais baixo. Diziam que afectava a auto-estima. Diziam que é pôr rótulos.

Era legítimo que os pais se preocupassem, mas a escola pediu uma oportunidade. Pediu aos pais que compreendessem o que estava em causa, que incentivassem os filhos e os fizessem compreender que, em conjunto com o corpo docente, não havia discriminação. Era tudo por eles. Para poderem ir mais longe. Para poderem aprender mais e melhor. Para se sentirem vistos e ouvidos na sala de aulas.

O resultado? No final do ano havia apenas duas subturmas, dos dois níveis mais elevados. Funcionou porque se acreditou num sistema que tem como prioridade o aluno e não o debitar infindável de um programa feito para não ser cumprido.

As notas subiram, os alunos viram a sua auto-estima aumentar, sentiram-se valorizados e, acima de tudo, encararam as aulas como um desafio. Participaram mais. Deram largas às suas potencialidades. Porque acreditavam que eles podiam chegar mais longe. Trabalharam com esse objetivo e no fim saíram vitoriosos. Havia um incentivo maior do que o resultado: o caminho a ser percorrido.

Acredito que este modelo educativo acabará por se espalhar por mais escolas, mas apenas se os pais assim o permitirem.

Haverá sempre quem não reconheça que os filhos não vão ser os melhores alunos, as melhores pessoas do mundo, os colegas de trabalho mais atenciosos, os companheiros de relação mais fiáveis.

Os nossos filhos são produto de tantas coisas, a maior parte das quais não controlamos.

Por isso, acredito que naquelas em que temos uma palavra a dizer deveremos estar do lado da solução e não do problema. Deixemos os nossos filhos perceberem que podem mais, quando isso é verdade. Que estamos aqui para eles mesmo que não tenham 100% no teste, mesmo que falhem de vez em quando.

Serão adultos mais funcionais e mais sensíveis aos que os rodeiam se perceberem que não se espera deles que sejam máquinas.

Os nossos filhos são humanos e devemos aprender a gostar deles assim.

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As vossas notas não são o mais importante para mim

Meus filhos, meus Marias, meus amores maiores, as vossas notas não são o mais importante para mim. Vou repetir. As vossas notas não são o mais importante para mim. E se alguma vez eu disser que são, por favor obriguem-me a ler este texto em voz alta no mínimo 10 vezes. As vossas notas não são o mais importante para mim. No meio de tantas incertezas que envolvem as decisões da maternidade, aqui eu não tenho dúvidas.

Se quero que tenham boas notas? quero muito. Se quero que se esforcem e sejam bons alunos? quero muito.

Mas há 10 coisas (se calhar até mais) que para mim são mais importantes que as vossas notas e não têm necessariamente de ser por esta ordem:

1. Que entendam a ligação entre as palavras esforço e recompensa e que acreditem que essa ligação vai estar sempre presente em tudo na vossa vida, na escola, em casa, na amizade e no amor. Que aceitem que embora não exista recompensa sem esforço, poderá existir esforço sem recompensa.

2. Que saibam que o valor de uma pessoa está sobretudo naquilo que ela dá e recebe e que isso não se expressa em nenhuma escala de avaliação.

3. Que se cuidem e se protejam muito, cada um de vocês e entre vocês. Que sejam os melhores amigos e que confiem uns nos outros como em mais ninguém.

4. Que não me vejam como uma amiga mas como a vossa mãe

E que se apercebam que essa relação vai sempre ser mais forte que qualquer outra de amizade.

5. Que continuem a puxar-me para dançar na cozinha e que eu largue sempre tudo por uma dança a 2 ou a 5 (“a sério que até esta é mais importante que as nossas notas? mãeiiiii tem noção que a partir de agora vai ser ainda mais dançar e ainda menos estudar?”)

6. Que me peçam festinhas nas costas e que me surpreendam com abraços pelas costas.

7. Que continuem a invadir a minha cama pela manhã com beijos lambuzados e abraços prolongados.

8. Que aprendam que em casa todos devem participar nas tarefas e não apenas ajudar.

9. Que sejam honestos convosco e com os outros. Educados com os colegas e com os professores. Educados dentro da sala de aula, na cantina e no café em frente à escola.
Que respeitem outras opiniões ainda que contraditórias à vossa. Que não defendam a vossa opinião só porque sim, aceitem mudar se assim vos fizer mais sentido. Que denunciem o que não acharem correcto e que estejam atentos a quem precisar de ajuda

10. Que se lembrem sempre que EU ESTOU AQUI ♥

 

LER TAMBÉM…

Do diretor de uma escola em Singapura aos pais antes da época de exames

Carta aberta à direção da escola

Avaliações escolares ou Pedagogia Montessori

 

A época de exames já começou para muitos alunos. Dos mais novos aos mais velhos todos estudam, todos se preparam para prestar provas sobre o que aprenderam

Muitos pais já se esqueceram do que sentiram quando eles próprios passaram por isso, outros não sabem como ajudar nesta fase.

Para mim, como irmã de uma finalista do 12º ano, acho que há coisas básicas que todos podemos fazer e que por vezes são suficientes para que os nossos “alunos” se sintam mais calmos.

– Desdramatizar. Por mais importantes que os exames sejam, por mais ponderação que tenham na nota ou até na média, é preciso não fazer um bicho de sete cabeças – um exame é, no fundo, uma recapitulação do que foi dado. E eles estiveram nas aulas. Estudaram.

– Aceitar as suas dúvidas. É natural que elas existam e podemos orientá-los sobre como conseguir ultrapassá-las. Muitas vezes eles precisam de se sentir acompanhados, apenas isso.

– Ser companheiros no que respeita a espantar os nervos. Trocar experiências, dar dicas, fazer com eles exercícios de relaxamento ou simplesmente ajudá-los a encontrar uma forma de fazer uma pausa no meio de tanto estudo.

– Valorizar o que nos dizem. Por mais que achemos descabido, devemos ouvir. Desabafar é essencial para nos ouvirmos a nós próprios, porque expressamos os nossos pensamentos em voz alta. Sistematizar o que sentem pode ser a chave para que entendam onde precisam de trabalhar mais ou por qaue motivo estão a ter mais dificuldades numa matéria que noutra.

– Ter muita paciência.

– Não deixar os nossos próprios nervos transparecerem. Eles já têm os deles e basta.

– Ir acompanhando, mas dar-lhes espaço. Não fazer perguntas a toda a hora (já estudaste? Não devias estar a estudar? Como assim vais ter com os teus amigos com o exame daqui a 144 horas???), não exigir que eles tenham as respostas todas na ponta da língua.

É uma fase que é ansiada o ano todo e que passa num instante. Pode ser determinante para a definição do futuro deles, como pode também significar ficar mais um ano à espera.

Vejam as férias à espera no fundo do túnel.

Os miúdos vão ser capazes e vocês também!

A escola está a perder os rapazes

Uma corrente de pensadores na área da educação tem produzido investigação muito interessante acerca da tendência que existe nas escolas, para desaprovar a essência dos alunos rapazes.

Ao mesmo tempo, a OCDE, inspirada pela análise do último relatório PISA (programa internacional que avalia a literacia dos estudantes) lança um alerta claro sobre a desigualdade de género na educação. Claro que faz todo o sentido refletir sobre este tema.

Mesmo assumindo que os rapazes podem ser frenéticos, desorganizados e arrebatadores, no sentido em que absorvem muita da nossa energia, parece-me contra natura julgá-los à luz do bom comportamento das raparigas.

E porquê? Uma analogia à leitura explica-o bem: banda desenhada e poesia são diferentes, e isso pode ajudar a perceber porque é que os rapazes se estão a afastar da escola.

Se analisarmos os números, a preocupação cresce: eles abandonam a escola mais cedo, são expulsos da sala de aula com mais frequência, ganham menos prémios de honra, lêem pouco e (não menos importante) acham que estudar é uma seca.

Ser um rapaz normal nas escolas de hoje não é fácil.

O que há alguns anos era olhado como traquinice, hoje merece tolerância zero. Os tempos de recreio diminuíram dramaticamente e já não há espaço (nem agenda) para brincadeiras não estruturadas que permitam aos rapazes gerir a vontade física de explorar o mundo como gostam, à força de correria.

As escolas deveriam fazer uma análise cuidada desta realidade, percorrendo o caminho necessário para recuperar os rapazes que se vão afastando do seu núcleo.

Para combater a desigualdade de género é preciso conhecê-la bem.

Perspetivar o mundo do ponto de vista masculino, pode ser importante para perceber como havemos de envolver mais os rapazes na escola. Um exemplo nada ao acaso: se o objetivo é converter os meninos que lêem pouco, então guardemos a poesia para mais tarde. Os rapazes gostam de ação e aventura. Portanto, esse é o trunfo que devemos usar quando lhes indicarmos um livro para lerem, mesmo que isso vá rasgadamente contra aquilo que pais e professores estejam habituados a praticar.

O mesmo estudo da OCDE demonstra que, aos 15 anos de idade, as raparigas são mais evoluídas na leitura que os rapazes o equivalente a um ano letivo. Vale bem a pena repensar a prática para que diminua esta diferença entre níveis de desempenho.

E agora, as ilustres composições. Se escrever sobre piratas e naves espaciais é muito mais interessante para rapazes do que dissertar sobre a beleza do outono, porque não sugerir-lhes temas que cativam mais?

Admitamos: já sabemos quase tudo sobre o outono, e há muito pouco sobre ele que um rapaz de onze anos queira descobrir. Para além disso, corrigir o que diz o Capitão Gancho deve ser bem mais divertido do que repassar conteúdo sobre as cores da estação.

Ainda bem que não estão convencidos, porque a razão melhor ficou para o final: é preciso apostar na imaginação desta metade de alunos malandros, respondões e com a mania que são engraçados, porque um dia eles irão fazer vida com a outra metade,  serena, contida e metódica.

Desta missão fazem parte todas as filhas, mães e avós do mundo.

Nada como um pouco de poesia para percebermos porque é que a escola tem que chamar a si,os nossos rapazes.

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Faltar para Estudar

Nas minhas aulas de Aikido para crianças, a justificação mais frequentemente apresentada para o absentismo é de longe a necessidade de ficar em casa a estudar para um teste ou exame da escola. Dou aulas a crianças com idades entre os 6 e os 14 anos, idade a partir da qual passam a integrar as classes de adultos, e a criança mais nova a dar-me esta justificação tinha 8 anos.
Confesso que não consigo deixar de ficar perplexo por uma criança desta idade, inteligente e saudável, me dizer que tem que faltar a uma semana de Aikido — no caso foi o que aconteceu — porque tem testes na escola. Que matérias são pedidas na escola do meu aluno de 8 anos que justifiquem que este precise de abdicar de duas horas semanais de uma actividade física e mentalmente estimulante para obter boas notas? Não consigo imaginar. Um outro aluno, de 12 anos, disse-me um dia ao conversarmos no fim da aula: “Os meus pais obrigam-me a estudar duas horas por dia, todos os dias. Só no dia de Natal me deixam não estudar e o que eu acho estranho é que as minhas notas são positivas mas não são muito boas!”

Mesmo partindo do princípio de que os programas escolares possam em alguns casos ser demasiado exigentes, estou convencido de que estes casos são acima de tudo fruto de uma pressão cultural e do ambiente em que habita cada criança.

Pressão da família, da própria escola, por vezes dos amigos.

O clima de competitividade exacerbada em que vivemos será talvez o principal motor deste fenómeno, mas também o medo dos pais de um futuro incerto para os filhos pode aqui ter o seu papel. O medo de uma vida exposta aos perigos da rua, mas também de um tempo que virá em que os mecanismos de solidariedade do Estado se prevêem quase inexistentes, leva a que muitos vejam a competência nos estudos como a melhor garantia de uma idade adulta descansada.

Também a visão tipicamente ocidental do ser humano enquanto tal — uma separação clara entre corpo e mente, carnal e espiritual — contribui para este quadro. Caricaturando um pouco, é como se se considerasse que dentro de cada ser habitam duas entidades, uma regida pelo coração e outra pelo cérebro, sendo que aquela à qual é dado real valor, é a segunda. Considero esta concepção do Homem não só errada mas também perniciosa e, mesmo, filosoficamente insustentável. Nunca ouvi ninguém dizer que tinha mais amor pelo seu cérebro do que pelo coração, é certo, mas é assim que como sociedade, mesmo que de tal não nos demos conta, agimos.

Temos finalmente a evidente sub-valorização das actividades ditas físicas ou de educação física (sendo que o Aikido não é puramente nem uma nem outra) quando confrontadas com as restantes actividades académicas. A nossa sociedade coloca no topo de uma hierarquia implicitamente aceite as disciplinas das ciências e engenharias; dá um segundo lugar às humanidades; situa as artes abaixo das duas anteriores e, no fim da tabela, surgem as actividades físicas. É um sistema valorativo que tem tanto de cultural como de injusto e mesmo injustificado.

Que futuro desejamos para os nossos filhos?

À pergunta “que futuro deseja para o seu filho?”  Será muito mais provável ouvir-se respostas como “gostava que fosse médico” ou engenheiro, do que “gostava que fosse um ser humano apto para a vida”. Mesmo quem diz apenas “eu quero que ele seja feliz”, não está a grande maioria das vezes, quase de certeza, a equacionar a hipótese de o filho vir a ser profissional de Andebol ou técnico de jardinagem. E no entanto, se pensarmos bem, não há nada que nos permita relacionar directamente o grau de felicidade com os estudos que se tem. Projectar o futuro é humano e inevitável; perceber que aquilo que projectamos, mais ainda se o projectamos em função de terceiros, pode não acontecer, é desejável.

Chegado a este ponto, é preciso deixar claro que não falo neste texto de casos com necessidades específicas, sejam elas quais forem. Refiro-me apenas à grande maioria das crianças que tenho nas minhas aulas e que são em geral saudáveis e provenientes de um ambiente familiar estruturado. Há sempre casos particulares ou excepcionais. Estou convencido, evidentemente, de que uma criança mais bem preparada na escola terá à sua disposição mais ferramentas para a idade adulta; aquilo em que não acredito é que uma criança tenha um melhor desempenho académico se cortar nas actividades físicas normais para as trocar por horas de secretária. Não tenho dúvida de que há muito por onde cortar no dia-a-dia de grande parte das nossas crianças, antes de chegar às actividades físicas.

Acresce ao até agora dito, que tudo o que tenho consultado sobre a matéria é consensual no que diz respeito aos efeitos benéficos do exercício físico no desempenho escolar das crianças. A média de uma hora de actividade física diária surge, frequentemente, como desejável para que se façam sentir os seus efeitos nos resultados académicos (e na saúde em geral, embora não caiba aqui tratar esta matéria).

Os benefícios mais referidos de uma actividade física regular nos moldes acima descritos, são:

  • Maior oxigenação das células do cérebro, nomeadamente das implicadas nos processos de aprendizagem, por via de um aumento do fluxo sanguíneo a este órgão;
  • Aumento da produção das hormonas úteis no combate ao stress e para uma melhoria da disposição geral;
  • Maior capacidade de concentração.

Outro benefício geralmente referido, não directamente relacionado com questões de saúde, é o do papel da aprendizagem de regras em ambiente desportivo num melhor desempenho social das crianças (no caso do Aikido, não sendo embora um desporto, o conceito aplica-se plenamente). Um exemplo disto será a melhoria do comportamento verificado nas salas de aula.

As escolas têm, claro, uma oferta desportiva própria. Não só a incluída nos horários regulares, mas também a que algumas já hoje oferecem como actividades extra curriculares e que vão do Judo à Canoagem. Acontece que é tudo ainda muito insuficiente. A carga horária semanal da disciplina de Educação Física, variando conforme o ano, não andará muito longe das duas horas, duas horas e meia. Os intervalos não chegam para compensar e grande parte dos edifícios escolares não tem sequer boas condições para que tal pudesse acontecer. É por isso fundamental que as crianças complementem a sua actividade com disciplinas fora do horário académico, sejam elas na própria escola ou fora dela.

Não falei aqui, deliberadamente, dos benefícios próprios do Aikido. Fi-lo porque já escrevi sobre isso noutros locais e porque pretendo que este artigo sirva fundamentalmente para chamar a atenção dos pais para o erro que penso ser cortar nas actividades físicas dos mais novos a favor de muito pouco em estudo para testes ou exames. Não sendo um profissional de saúde infantil, estou profundamente convencido de que uma criança plenamente formada física e mentalmente é a condição essencial para um adulto apto para a vida. Cortar num dos factores será prejudicar o seu futuro.
A chave estará antes numa boa organização do tempo que, apesar da vida complicada dos nossos dias, estou convencido ser possível.

 

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A How To… tem como preocupação fundamental o bem estar da criança/jovem, pois é-nos impossível apresentar resultados escolares satisfatórios quando não existe estabilidade. Neste sentido dispomos de parceiros qualificados para intervir nas mais diversas áreas nomeadamente a Terapia Familiar.

A Terapia Familiar e o sucesso escolar

O (in)sucesso escolar pode ser multifatorial. Em algumas situações está associado a dificuldades de aprendizagem, as quais podem ser do âmbito cognitivo ou apenas emocional. Neste último caso, podem estar relacionadas com instabilidade e problemáticas vividas na família, aos quais as crianças e jovens não são alheios.

Ausências prolongadas dos pais, discussões frequentes e por vezes fervorosas entre os vários elementos da família, sentimentos de incompreensão ou rejeição por parte dos filhos e/ou mau estar generalizado no seio familiar, proporcionam sentimentos de insegurança e outras fragilidades, que se podem manifestar através de desmotivação e consequentemente em maus resultados escolares.

A Terapia Familiar surge como um espaço de partilha destinado à comunicação entre os diversos elementos da família, onde se pretende fortalecer o sentimento de união, para que a criança ou o jovem mantenha o seu investimento orientado para o sucesso escolar sustentado pelo equilíbrio familiar.

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Conceito de Família

Um dicionário de Língua Portuguesa define o conceito de família como um conjunto de pessoas com relações de parentesco. No entanto, existem muitas outras definições em redor do conceito de família e não há dúvida que se trata de uma rede complexa de relações e emoções, onde passam sentimentos, sendo também um bem precioso que merece suprema atenção e reflexão e que é muito maior do que se possa imaginar, pois representa o passado, o presente e também o futuro.

 O que é a Terapia Familiar e qual o “papel” do Terapeuta Familiar?

A Terapia familiar é um diálogo que se constrói e se desenvolve no tempo, envolvendo um terapeuta disponível e uma família, normalmente em “sofrimento”.

O papel do Terapeuta Familiar consiste entre outras coisas, em avaliar e intervir nos conflitos familiares, conjugais e em situações relacionais que apresentem dificuldades. Pode ainda facilitar a comunicação, evidenciando as competências da própria família e ativando a sua participação na resolução dos seus próprios problemas.

O processo de mudança proposto em Terapia Familiar passa por progressivamente devolver às famílias a sua competência e capacidade em ultrapassar as suas crises e por vezes apoiá-las na resolução dos seus problemas, tanto no âmbito da saúde mental, como nos contextos psicossociais, educativos e judiciais;

Metodologia das consultas de Terapia Familiar

Nas consultas de terapia familiar, reúne-se toda a família nuclear, ou apenas alguns dos elementos que vivem em conjunto, com o objectivo de retratar e situar toda a dinâmica daquela família. Outros familiares poderão ser chamados a participar nas consultas.

Em que momentos a família procura ajuda? 

  • De uma forma geral, é um dos elementos da família que procura ajuda quando, em algum momento específico do ciclo de vida da família acontece uma situação preocupante, ou quando alguns dos elementos apresentam problemas de relação.
  • Quando existem problemas conjugais/casal;
  • Na presença de comportamento antissocial de crianças ou jovens adolescentes, tais como isolamento, insucesso ou absentismo escolar, abuso de drogas, comportamentos pré-delinquentes e/ou comportamento violento;
  • Após insucesso de outro tratamento, por exemplo quando as sessões de terapia individual foram utilizadas para discutir assuntos da família

Nuno Eduardo Pereira – Psicólogo (I.S.P.A.) / Terapeuta Familiar (Sociedade Portuguesa de Terapia Familiar)
Colaborador – How To…

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