Os clássicos Disney e a mensagem para as nossas miúdas

Recentemente a actriz britânica Keira Knightely veio a público dizer que a sua filha de três anos está proibida de ver alguns clássicos da Disney, como a Cinderela, pela mensagem que passam, de que a mulher deve esperar que um homem venha salvá-la dos seus problemas.

Percebo o que ela quer dizer, é claro, mas acredito que esses filmes têm muito valor e são uma boa porta de entrada para a abordagem de vários tópicos e que podem ajudar a espalhar uma mensagem de igualdade de género, nem que seja pelo exemplo: viste o que ela fez e devia ter feito em vez disso?

Sou da opinião que o maior problema desses filmes é passar a ideia de um felizes para sempre, que bem sabemos não é assim tão plausível quanto isso. Porque a vida é feita de ciclos e depois de alguns obstáculos haverá outros e é isso que nos leva para a frente, nos fortalece ou nos machuca, faz de nós aquilo que somos. Nos ensina a valorizar a felicidade pelo que ela é, o que sentimos no momento – e isso deve ser mais valorizado do que a busca por uma felicidade inatingível que estará lá para sempre.

Ainda assim, aqui vai a forma como encaro os clássicos e como me ajudaram a conversar com a minha filha:

– A Branca de Neve e os Sete Anões: 

A vaidade é algo que tem o seu lugar mas se torna perigoso se se tornar uma obsessão. 

Se alguém vier ter contigo e te disser que alguém a mandou fazer-te mal, chama ajuda e não fujas. Não te escondas. Fala com alguém e conta o que aconteceu.

Nunca, mas nunca aceites coisas de estranhos.

Se alguém te disser “és tão bela, anda daí no meu cavalo em direcção ao horizonte” faz o favor de lhe perguntar primeiro o nome e de o conhecer antes de tomares qualquer decisão.

– A Bela e o Monstro:

A importância dos livros, porque ler é uma das maiores armas que uma mulher pode ter. Quando Gaston diz que não é certo para uma mulher ler porque pode ficar com certas ideias, não há nada mais certeiro que esse argumento para falar sobre a importância da cultura, da educação. Até mesmo da forma e do papel que a mulher teve na sociedade antes dos nossos tempos. De como as coisas mudaram. De como somos sortudas.

Não devemos ter vergonha de sermos diferentes, mesmo que isso faça os outros cochicharem sobre nós. Muitas vezes o problema está na pessoa que julga e não em ti.

A Bela era super especial por não querar casar com o rapaz mais bonito da aldeia só porque ele queria: ela não queria e isso basta. É importante saber dizer “não” mesmo quando há pressão para dizer “sim”.

Devemos sempre proteger os nossos pais, defendê-los e acreditar neles.

Devemos tentar conhecer as pessoas para lá da sua aparência – da boa (o caso do Gaston) e da má (o caso do monstro) e aí decidir se queremos que façam parte da nossa vida.

– Cinderela:

O nosso lado bom deve sempre prevalecer.

A maneira como os outros nos tratam não deve fazer com que nos tornemos maus como eles, nunca.

Devemos ser amigos dos animais.

Cantar pela manhã ajuda a começar o dia. ?

Se te disserem que não consegues fazer alguma coisa e acreditares que consegues, tenta até ao fim (se for bom para ti, se for bom para os outros e não faltar ao respeito a ninguém).

Se estiveres num sítio onde não te sintas bem nem feliz é legítimo que te vás embora. Talvez assim não vás àquela festa nem conheças o príncipe, mas o teu caminho pode passar bem longe daí.

– Pequena Sereia:

Nunca, mas nunca, abdiques da tua voz, seja qual for o teu objectivo, mesmo que ele pareça nobre e maior que tudo. A tua voz é a tua maneira de te fazeres ouvir e de continuares a ter um lugar neste mundo.

Aceita as tuas características, mas se sentires que elas te limitam não deixes de sonhar com um futuro em que é possível ultrapassá-las (sem nunca trocares esse sonho pela tua voz, mais uma vez).

Há coisas que manteremos sempre para nós. Há coisas que devemos contar aos nossos pais e falar com eles mesmo que tenhamos opiniões divergentes sobre os assuntos – esta partilha, esta comunicação pode evitar que nos metamos numa grande alhada.

Não é errado querer coisas diferentes. Mas sê cautelosa. E rodeia-te das pessoas certas. Sempre.

Sou apaixonada pelos clássicos da Disney e as interpretações que fiz deles tem mudado à medida que eu também mudo. E é por isso que não privo a minha filha de os ver, porque acho que a magia que transportam é essencial para os sonhos. E porque não sou antiprincesas, sou apenas da opinião de que nem todas deveremos ser princesas e não está escrito que todas queiramos o mesmo, vemos juntas. E conversamos.

Muito sobre como as coisas eram naquela altura, como são hoje.

O que mudou e o que ainda tem de mudar. Porque estes filmes são, acima de tudo, parábolas e se formos literais muitas vezes corremos o risco de perder o mais importante na mensagem.

A minha filha é uma princesa guerreira e tenho muito orgulho nisso.

O norte-americano Hal Taylor sempre gostou de ler. Quando teve filhos começou a ler-lhes histórias desde muito cedo, aliás,  quando ainda estavam na barriga da mãe.

Quando nasceu a sua 3ª filha, a hora do conto tornou-se na “hora da confusão” porque não havia colo suficiente para os três. Não querendo deixar a bebé de fora do grupo de leitura, teria de ser a mais velha a ficar numa posição menos privilegiada. Decidiu assim, criar uma cadeira onde conseguisse sentar os três filhos:

“Bem, eu construo cadeiras de baloiço, hei-de encontrar uma solução para isto” – Agora todos têm um lugar para si na hora do conto!

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A tem um custo aproximado de 7000 a 7500US$. É cara porque é toda esculpida à mão. Só para as costas da cadeira, é necessário cortar mais de 200 peças, o que são mais cortes do que aquilo que seria necessário para fazer 20 cadeiras de baloiço normais.

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“É muito dinheiro, sim. Mas questione-se: – De todas as coisas em que gastei dinheiro nos últimos 20 anos, quantas delas serão usadas pelos meus bisnetos? Esta cadeira será!”

 

Saiba mais no site oficial Hal Taylor | rock@haltaylor.com

 

 

 

Era uma vez …e assim começam as histórias lidas, relidas, e inventadas.

Histórias em prosa, histórias em verso, embrulhadas, ou não, em música …intemporais …que transportam as crianças nas asas da imaginação para tempos e lugares longínquos, onde grandes emoções são experimentadas …

No universo da fantasia, as histórias deliciam pequenos e crescidos. As personagens movimentam-se numa azáfama simbólica através da qual nos mostram que os valores existem.

A Amizade, a Solidariedade, a Ternura, a importância da existência de um lar, de uma Família e Amigos e a implementação de regras, são os condimentos utilizados nas histórias de encantar e na VIDA!

As histórias ensinam a criança a perceber, a detalhar, a raciocinar, a sentir, a analisar, sendo um canal de extrema importância para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo. É através das histórias que a dimensão simbólica da linguagem é experimentada, de mãos dadas, com o imaginário e o real.

Na era em que a tecnologia toma lugar na 1ª fila, as histórias e os contos tradicionais continuam, com os seus enredos e tramas a potencial um esclarecimento às crianças, tranquilizando os seus receios e medos mais primários e a enquadrar conceitos como “bom” e “mau”, “certo” e “errado”, entre outros.

As histórias passam-se em lugares esboçados fora do limite do tempo e do espaço, mas onde qualquer um de nós pode caminhar, percetível pelas crianças nos seus mais ínfimos detalhes. Elas contribuem para que a criança entre em contacto com diversos modos de ver e sentir o mundo à sua volta.

Sempre que a criança ouve uma história, enriquece a sua imaginação, aumenta o seu vocabulário, aprende a refletir, desenvolve o pensamento lógico favorecendo a memória e o espirito crítico, através da manifestação de humor e da sua curiosidade natural.

As histórias inventadas requerem eximia, por parte de quem as conta! A criança gosta de ouvir a mesma história muitas vezes, mas …deverá ser contada de igual forma para que a criança não se sinta “enganada”.

O contar e “recontar” da história por parte da criança, também deve ser fomentada. Esta prática pedagógica desenvolve a auto estima, a sociabilização e prepara a criança para o exercício da cidadania.

E por tudo que aqui foi dito e …muito mais, deliciemos as crianças ….

Vem …vou contar-te uma história!

Por Inês Clímaco, para Up To Kids®
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