6 coisas que os filhos adolescentes precisam de nós

“Não vale a pena. Na maior parte das vezes, ninguém lá em casa se interessa pela minha opinião ou sequer conhece as coisas que me preocupam. Simplesmente, já me habituei.”

Ela chama-se Joana. Tem 15 anos. Tem uma família que a ama. Sabe disso. Mas às vezes, sabê-lo não é suficiente, mesmo que nos digam que assim é. Às vezes (muitas vezes), é preciso sentir. É preciso que aqueles de quem mais gostamos parem a rotina dos dias, nos olhem nos olhos e perguntem: “Como estás?”. E depois sejam capazes de esperar pela resposta, e ouvi-la. Com o corpo todo.

A história da Joana, que se assemelha às histórias de muitos outros miúdos que conheço, faz-me pensar sobre aquilo que os nossos filhos podem precisar de nós, sobretudo quando entram na adolescência e lidam com um sem fim de mudanças, às vezes tão difíceis de integrar. Profundamente crente que a consciência que temos, enquanto pais e mães, destas necessidades pode ter um impacto importante na relação que com eles construímos todos os dias, melhorando-a, arrisco-me a propor que pensemos naquilo que os filhos adolescentes precisam de nós:

1. Os filhos adolescentes precisam dos nossos limites.

Poder-se-ia pensar que o que mais desejariam no mundo seria andar por sua conta e risco, sem horários, nem justificações. Nada disso (e são eles que o dizem!). Não existe sensação de maior segurança afetiva do que a de saber que existe alguém que se preocupa. Alguém que espera por nós, que se zanga quando pisamos a linha para além do aceitável. Faz-nos sentir amados. Estabelecer as regras da família, que incluem os horários de regresso, as tarefas em casa, mas também o respeito e a clareza dos diferentes papéis familiares, e acordar consequências para o não cumprimento do que foi definido, é fundamental para que se sintam mais seguros. De quem são e do que esperam de si.

2. Precisam que os libertemos.

Embora às vezes surja alguma confusão em relação a este assunto, permitir-lhes mais liberdade nada tem a ver com a ausência de limites. Tem a ver com deixá-los experimentar coisas novas, ser autónomos, conquistar responsabilidades, fazer amigos… É assim que conhecem o mundo e se preparam para se tornarem adultos.

3. Precisam que os saibamos ouvir.

Eles precisam de falar. Uns fazem-nos com mais facilidade e com mais pormenor do que outros, mas fazem-no sempre que lhes é dada oportunidade ou quando sentem que é o momento. Ouvir até ao fim, sem a pretensão de acharmos que já sabemos o que vai sair dali (mesmo que em 99% das vezes seja verdade…). Ouvir sem criticar e sem fazer piadas irónicas. Ouvir, tentando imaginar o que sentem. E sempre, entender os silêncios e não desistir.

4. Os filhos adolescentes precisam dos nossos mimos.

É natural enchê-los de beijos e de festas quando são pequeninos e fofos. À medida que crescem, podemos facilmente perder o hábito do toque. Ou porque eles rejeitam, ou porque nos sentimos sem jeito. É normal que não queiram andar a receber beijos constantes da mãe ou do pai (sobretudo se há amigos por perto), mas saber-lhes-á muito bem receber um beijo ou um abraço apertado de bons dias, ou uma festa na cabeça quando passamos por perto. O toque é importante e deve manter-se como forma de comunicação, ainda que com o devido enquadramento que esta fase de vida geralmente exige.

5. Precisam que os queiramos conhecer.

Sim, nós conhecemo-los melhor do que ninguém, mas eles continuam a mudar todos os dias. Saber mais sobre a música que ouvem, a pessoa de quem gostam, as dificuldades que têm na escola ou os projetos de vida, dá-nos muito tema de conversa e fá-los sentir que somos capazes de nos descentrar de nós e daquilo a que estamos habituados, e aprender.

E porque esta reflexão já vai longa, talvez porque enorme é o desafio de ajudar um filho a crescer, há uma coisa que eles precisarão sempre, por mais anos que passem:

6. Precisam que acreditemos, sem nunca desistir da pessoa que são.

A vida às vezes não é fácil e a adolescência não o é com toda a certeza (lembras-te?). É não sabermos bem quem somos e absorvermos tudo o que dizem de nós. É arriscar o que nunca se fez e, quando dá para o torto, achar que é o fim o mundo. É um sem fim de coisas novas a acontecer que constantemente desafiam e ameaçam a pessoa que queremos ser. E claro, no meio de todo este turbilhão de emoções e de incertezas, é preciso alguém que acredite, que insista e que diga: “Vai em frente!”. Todos os dias.

É pela importância disto que as bancadas da primeira fila estão reservadas às mães, aos pais, aos avós… É por causa disto que eles as procuram com os olhos e sorriem por dentro, sempre que as encontram cheias.

Limites na adolescência

“O meu filho não acata os meus limites!”

(Ponto de partida para este texto: os limites não se impõem. Compreendem-se, experimentam-se e constroem-se em conjunto.)

A questão dos limites e do seu (in)cumprimento por parte dos filhos é uma das dificuldades que mais as famílias partilham. E se a questão na infância era mais ou menos contornável, com maior ou menor criatividade, com maior ou menor flexibilidade, na adolescência pode tornar-se um verdadeiro desafio, sobretudo quando as ferramentas usadas anteriormente se basearam na intimidação, na ameaça ou na coação.

Sim, porque na adolescência eles já são do nosso tamanho e as características do pensamento formal já lhes permitem chegar a uma concepção das coisas e do mundo muito própria e mais refletida. E ainda bem.

Do lado dos pais, aumenta a frustração, a sensação de impotência e a reatividade, que muitas vezes se transformam em gritos, ordens e distância afetiva crescente.

Na verdade, ainda que saibamos que nada disto funciona, rapidamente corremos o risco de ficar sem recursos e entrar numa espiral de negatividade marcada por um padrão de comunicação corrosiva, que não trará com certeza bem estar a nenhum dos protagonistas desta história.

Pensar em limites na adolescência

Pensar em limites e na sua construção com os nossos filhos implica que tenhamos, antes de qualquer outra coisa, a lucidez de descobrir algumas coisas dentro de nós:

  • Reconhecer que o nosso único super poder enquanto pais é a capacidade de nos conectarmos com os nossos filhos.

Sabendo que é ela que nos permitirá criar um espaço de crescimento e entendimento conjunto, mesmo nos momentos mais desafiantes.

  • Libertarmo-nos do pensamento automático de que tudo o que nossos filhos fazem, tem como objetivo atingir-nos, desafiar-nos maltratar-nos. 

Não minha gente, não tem. Nem tudo é sobre nós. Na maioria das situações e em relação a vários aspectos, existem outras motivações por detrás do comportamento de um adolescente e elas não passarão pela maquiavélica tarefa de levar o pai ou a mãe aos arames. Desenvolver esta consciência, far-nos-á toda a diferença.

  • Saber que uma das grandes tarefas da adolescência é precisamente conquistar uma maior autonomia perante a família.

Isto permite-nos ser mais empáticos com a natural e desejável necessidade dos adolescentes de sentir que conquistam, progressivamente, um maior controlo sobre si próprios e sobre as decisões da sua vida. Da mesma forma, que saber que um córtex pré frontal ainda em desenvolvimento no cérebro adolescente interfere com a capacidade de organização e planeamento nesta fase de vida, deixando facilmente cair por terra o compromisso assumido de arrumar o quarto no dia seguinte (sem que tal tenha sido maquiavelicamente premeditado, lembra-te…). Já para não falar na também dificuldade no adiamento da recompensa (típica no cérebro adolescente), sempre que alguma atividade mais interessante se meta no caminho.

Voltamos assim ao ponto de partida deste texto: 

Os limites não se impõem.

Compreendem-se, experimentam-se e constroem-se em conjunto e enchem-se de sentido e de significado sempre que:

  • São respeitadores e espelham uma preocupação genuína:

“Reparei que estás a chegar mais tarde a casa. Para mim é importante saber que estás bem e quando te atrasas fico preocupada. Qual é a tua sugestão para consigamos respeitar-nos neste assunto?”

  • São flexíveis e resultam da nossa capacidade de sermos empáticos:

”Vejo que ontem foi o aniversário da Sara e que por estarem a divertir-se tanto foi difícil sair mais cedo. Na próxima vez é mesmo importante que me avises que é um dia especial e que têm outros planos. Assim podemos definir em conjunto qual a melhor hora e forma de regresso.”

  • São específicos e participados:

“Combinámos que tomarias o teu banho antes do jantar, pelas 19h30. Obrigada. Fico contente que tenhamos chegado a um acordo, com base naquele que é o melhor momento para ti.”

  • Recorrem ao humor e desdramatizam:

 “Olha, pareceu-me ver alguém alguém no quarto parecido com o João! Impossível, a esta hora o João já está no duche…”

Os limites e a família

Os limites são importantes às famílias porque traduzem aquelas que são as suas rotinas, tarefas ou tradições e por isso devem ser adaptados às suas características e dinâmica conjunta, atendendo também às necessidades e especificidades de cada um dos seus elementos.

A nossa reflexão enquanto pais e mães sobre os limites que reconhecemos como essenciais, permite-nos entender se efetivamente estamos em sintonia com os mesmos ou se, pelo contrário, obedecemos-lhes  e a eles recorremos apenas e só, porque os herdámos da relação com os nossos pais ou porque outro alguém os defendeu como importantes.

Aceitar que alguns deles podem não nos servir naquele que é o nosso propósito na relação com os nossos filhos e permitir que os mesmos possam ser refletidos, participados e construídos em conjunto, é o passo mais importante para que efetivamente se constituam como um bom apoio à navegação.

Afinal, não é o limite em si que garante que o mesmo seja respeitado, ou até que tenha alguma utilidade. É, sobretudo, a forma como o sentimos, como o identificamos e como o comunicamos.

É este entendimento que permite que, de uma forma conectada e respeitadora, as diferentes necessidades (de pais e filhos) possam ser atendidas.

E que todos se sintam parte importante da viagem de crescer.

Estaremos a preparar os filhos para a adolescência?

Pensando nesta viagem entre o planeamento do nascimento (quando o há)  até à vida adulta dos nossos filhos…

Já pensaram nesta questão em voz alta? Ou mesmo em silêncio?

Acredito que a maternidade e paternidade são muito mais do que dois cromossomas unidos e sobre isso já teci várias considerações .

A primeira infância

A primeira infância passa a correr. Entre mudas de fraldas, as primeiras colheres de sopa, algumas quedas e visitas frequentes ao centro de sáude. As febres, viroses e afins, as birras e as noites sem dormir. Passa a correr. E quando finalmente desacelaramos, a criança atingiu os dois primeiros anos de vida. Se o trabalho de casa foi bem feito (e deve ter sido), ela tem em si muitas ferramentas que facilitarão a etapa seguinte. Estou, evidentemente, a falar da estimulação do desenvolvimento global do bebé, que é crucial para o desenvolvimento futuro.

Apercebi-me, há alguns dias, que está novamente em desuso contar histórias em ambiente familiar, falar com a criança ou cantar. Permitir a brincadeira ao ar livre, as quedas, o sujar e o brincar…

Isto preocupa-me.

Entrada para a escola e 1º ciclo

Numa segunda fase, a criança transita entre o pré escolar e o primeiro ciclo e inicia-se a fase das aquisições consideradas importantes. A educação do currículo evedencia-se em detrimento das artes. Pintar, desenhar, dançar ou cantar são atividades de preenchimento de horários. Com sorte, terão pais e mães atentos que lhes permitirão trabalhar estas áreas de expressão em casa ou noutros contextos.

Surgem as atividades extra-curriculares que dão aso à liberdade da criança quando estas têm a possibilidade de as escolher por iniciativa própria e não por imposição de elites sociais, caindo no erro de não contribuírem efetivamente para as necessidades da criança.

A adolescência

O tempo passa a correr e logo o segundo e terceiro ciclo chegam e o bebé, é de repente, adolescente. E agora?
Foram criados os laços afetivos necessários na infância?
O jovem adolescente  sente a sua casa como um lar onde poderá partir e voltar, sendo acolhido nas suas escolhas?
Poderá partilhar as suas ansiedades, dúvidas e questões?
Irão respeitar o seu espaço, a sua integridade física e moral? Os seus silêncios…

Às vezes sim , outras não…E assim vamos modelando adultos que nunca ouviram um Acredito em ti , És capaz, Estou aqui se não der certo, Tenho orgulho em ti, Gosto de ti, Apesar do teu comportamento estou aqui contigo!

O verbo amar nem sempre se resuma a: tens fome, tens sede, tens escola, tens roupa, tens dinheiro…

O tic tac do relógio está a contar, já pensou neste caminho?

É igual ao seu? Talvez sim, talvez não!

Carta a um jovem universitário

Estás a começar uma etapa importante da tua vida.

Já ouviste dizer que é determinante, que vai mudar tudo e por isso sentes algum peso sobre os ombros.

O peso dos teus sonhos, o peso da responsabilidade, o peso de não teres a certeza na maior parte das vezes… Eu sei e quero que saibas que não estás sozinho.

Que o curso que escolheste pode definir o teu percurso, mas não é uma marca a ferro na tua pele que possa determinar de forma definitiva o que vais fazer com esse futuro.

Acredita que, se te permitires, vais fazer uns quantos bons amigos. A ilusão talvez seja de que vão ser dezenas, mas no fim, como em tudo na vida, só ficam os que importam.

Acima de tudo vais conhecer-te melhor. Vais ser confrontado com situações que são inéditas para ti e aprender com as respostas que vais dar a cada um dos desafios.

Vais sentir-te no topo do mundo e, em alguns momentos, sentir-te muito só.

Vais questionar as tuas escolhas. Afinal para que servem aquelas cadeiras teóricas cuja bibliografia em três línguas não te dizem absolutamente coisa nenhuma.

Vais pensar desistir. Vais pensar em levar até ao fim só porque é isso que esperam de ti.

Lembra-te que, acima de tudo, o que se espera de ti é que cresças. E isso significa pores os teus problemas em perspectiva. Pores as tuas relações na balança, os teus sonhos sob escrutínio (teu!!!), as tuas decisões na almofada à espera de uma resposta quando o sol nascer.

Deixaste para trás anos de ensino pensados para todos de igual forma e é-te dada a oportunidade, ainda que de forma algo generalista, de te encontrares nas páginas dos livros que lês, dos trabalhos que te são atribuídos, no convívio nas apresentações de grupo, nas aulas práticas e nas horas de estágio. Na partilha de apontamentos e truques, experiências sobre os professores e aquelas cadeiras que parece que nunca vais conseguir fazer.

E claro, fora dos anfiteatros, nas jantaradas, saídas, directas. Nas novas amizades, nas novas paixões, nas desilusões.

Espera-se de ti que cresças no meio desse turbilhão e, acredita, é possível.

Também é possível que te percas pelo caminho, que cometas um ou outro erro, que faças asneiras, que digas coisas que não devias ter dito, que bebas mais do que seria desejável. Seres confrontado com avanços indesejados, com substâncias que não te interessam, com pessoas que não te dizem coisa alguma. O importante é o que vais fazer depois de tudo isto acontecer. Saber pedir desculpas, tomar um banho de água gelada, nunca pegar no carro depois de beber nem com quem tenha bebido. Saber dizer não e fazer a tua voz ser ouvida.

Os anos que agora estás a começar são importantes. Irás olhar para trás, por cima do ombro, e lembrar-te deles. Faz os possíveis para que as memórias desses tempos sejam positivas, que te deixem um sorriso.

E lembra-te, esses anos não são iguais para ninguém. Não te sintas pressionado a viver o mesmo que os outros, mesmo que os outros sejam as pessoas mais importantes para ti.

Tenta descobrir quem és sem nunca desrespeitares os outros.

Sem nunca te desrespeitares a ti.

Estuda. Por mais difícil que seja.

Dedica-te, por menos perspectivas de futuro que existam.

Esses anos vão passar a voar. Aprende a deixa-te levar e a não remar contra a maré.

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“Se usada com bom senso a tecnologia pode ser uma ótima ferramenta… A negociação, mais do que a exigência unilateral, deve existir. O uso de tecnologias na cama é um enorme problema (presente na casa de muitas das crianças que acompanho). Pelo impacto negativo que tem no sono da criança/adolescente. “

Comecemos por refletir sobre quando deve a tecnologia ser apresentada aos mais pequenos e sob que forma…

Crianças pequenas, particularmente nos primeiros dois / três anos de vida, necessitam da exploração do mundo com as suas mãos. Necessitam da interacção social com cuidadores da sua confiança para o seu desenvolvimento cognitivo, motor, social e emocional. O seu cérebro é ainda muito imaturo, com competências limitadas quanto ao pensamento simbólico e à capacidade de concentração. Sendo os aparelhos digitais um fraco veículo de aprendizagens, quando comparados com as interacções com outros significativos. Nesse sentido, a exposição em idades precoces a aparelhos tecnológicos não acrescenta qualquer valor.

O contacto com os aparelhos tecnológicos deve depois ir sendo guiado, com bom senso, pelos pais e cuidadores. Evitando recorrer às tecnologias como amas tecnológicas, para manter as crianças quietas.

A melhor forma de pais e educadores conhecerem, controlarem e perceberem a adequação dos conteúdos é sentarem-se junto do filho e acompanharem o visionamento do vídeo, programa ou jogo, de modo a inclusivamente poderem dar resposta a questões que possam surgir. No caso da televisão pode ser útil limitar o acesso da criança apenas a canais cujo conteúdo seja conhecido e, à partida, ajustado ao nível de desenvolvimento da criança. No caso de sites a estratégia pode ser semelhante. Os videojogos, em princípio, serão mais fáceis de controlar dado que ou são os pais a comprar. Caso sejam oferecidos, antes de luz verde para serem usados, os pais poderão fazer uma pesquisa sobre os mesmos.

É possível que a criança não fique obcecada com a tecnologia?

Se uma criança for, desde pequena, educada no sentido diversificar os seus interesses e os seus passatempos e se a televisão e videojogos não tiverem sido usados como “amas tecnológicas” não é expectável que haja, à partida, um uso abusivo da televisão/computador/outras tecnologias. Também é importante o adulto recordar-se que é um modelo. Pelo que o uso que ele faz das tecnologias servirá de modelo à criança/adolescente. De que serve pedir que largue o telemóvel ou desligue a televisão se os pais estão “constantemente” dependentes dos mesmos?

Tecnologia no quarto? Talvez seja melhor não…

Mas tudo depende do uso que lhe é dado. Se uma televisão ou consola funcionar como uma ama tecnológica, para entreter a criança, para não incomodar os pais enquanto os pais fazem qualquer outra coisa, isso é errado. Se a criança na ausência da consola ou da TV não sabe como se entreter e fica com alterações bruscas e intensas de humor é porque algo de errado aconteceu no decorrer no processo de “apresentação” das tecnologias às crianças.

O uso ou presença de tecnologias no momento de fazer TPC é um grande problema.  

Dificultando a capacidade de concentração e diminuindo a motivação e eficácia do estudo.

O uso de tecnologias na cama é um enorme problema (presente na casa de muitas das crianças que acompanho). Pelo impacto negativo que tem no sono da criança/adolescente. Atrasa o momento de ir dormir e a luz, especialmente a radiação azul emitida pelos ecrãs, diminui a produção de melatonina, a hormona que induz o sono, controlando o ciclo sono-vígilia, dificultando o adormecer. Adicionalmente, o sono pode ser interrompido por alarmes de mensagens, por exemplo. Ora uma criança que não dorme o número de horas adequado à sua idade, ou que não descansa de forma conveniente, é uma criança com maior dificuldade em regular o seu comportamento e as suas emoções. Com maior dificuldade em concentrar-se e, consequentemente, poderá começar a manifestar dificuldades de aprendizagem.

Mas é possível haver negociações?

Se usada com bom senso a tecnologia pode ser uma ótima ferramenta. Contudo, dado que as crianças têm maior dificuldade em gerir o seu tempo e em regular os seus comportamentos é mesmo fundamental que o adulto ajude a gerir o uso das tecnologias de forma consciente e ajustada às necessidades e idade da criança. A negociação, mais do que a exigência unilateral, deve existir. A criança acaba por se sentir envolvida e mais responsável no uso das tecnologias. Havendo flexibilidade no momento de definir regras razoáveis do uso das tecnologias evita-se cair em “o fruto proibido é o mais apetecido”.

O excesso de horas de ligação à tecnologia interfere significativamente na vida dos mais novos…

Saliento três pontos:

1 – o uso abusivo, pode conduzir ao isolamento social e ao sedentarismo, com impacto na saúde física e emocional;

2 –  o uso em momentos desajustados. Como durante períodos de estudo ou na cama antes de se ir dormir, conduz a dificuldades como as anteriormente descritas;

3 – a exposição a conteúdos desadequados para o nível de desenvolvimento. Não conseguindo a criança elaborar/compreender os mesmos, pode gerar confusões, dúvidas e receios.

Com limites razoáveis e alguma flexibilidade a relação das crianças e jovens com a tecnologia não tem de ser difícil.

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imagem@the educator

É sempre uma forma de violência. Um crime que merece castigo, mas que, não raras vezes, resulta impune. Não deixa de ser uma tortura, exercida por contacto interpessoal, ou através de meios mais sofisticados, como a internet. Em inglês, o termo “bullying” derivada da palavra “bully”. Significa tirano, brutal.

O cyberbullying é um tipo de bullying que tem aumentado com a expansão das tecnologias de informação. Antes da Internet, as crianças eram vítimas de violência sobretudo na rua, na escola, na paragem do autocarro, no caminho para casa, entre outros. Mas, quando chegavam a casa, normalmente, o bullying parava. Há, todavia, casos, e não são poucos, em que as crianças são, também, vítimas de bullying por parte das próprias familias.

Agora, com as novas tecnologias, o cyberbullying pode acontecer em qualquer lugar a qualquer momento. 1 em cada 10 crianças portuguesas já sofreu ofensas através da internet. O número de casos reportados cresce ano após ano. Saiba o que fazer para proteger as crianças.

O que é Cyberbullying?

O cyberbullying caracteriza-se pelo ataque através de insultos, difamação, intimidação, ameaça ou perseguição intencional e sistemática na Internet.  Não acontece apenas entre jovens. É feito com intenção de prejudicar, recorrendo a tecnologias online.

Hoje, as crianças usam as redes sociais, mensagens de texto e e-mail para conversar com os amigos. Isto significa que o cyberbullying pode acontecer facilmente. Mensagens cruéis ou fotos pouco favoráveis podem ser enviadas a uma escola inteira com apenas um clique, de casa, na rua, a qualquer hora, dia, seja fim de semana ou feriado. O agressor costuma agir na sombra, através de um perfil falso, ou uma conta fictícia de e-mail. Fique atento.

Às vezes, o cyberbullying acontece de quem menos se espera. Não escolhe rostos, nem religiões. Uma criança solitária, por exemplo, pode transformar-se num agressor ou vítima, sem que os pais em casa sequer imaginem. Mas, o cyberbullying também, pode ser exercido por um grupo de crianças que decidem publicar textos cruéis e prejudiciais sobre outras crianças.  Rapidamente, essas mensagens multiplicam-se como um vírus pelas redes sociais e, depois…já é tarde. O mal está feito e as consequências podem ser devastadoras para as vítimas, refletindo-se ao nível do desempenho escolar e, no limite, provocar depressão e até mesmo suicídio.

O cyberbullying pode acontecer de várias formas. Eis alguns exemplos:

  • Enviar emails, textos ou mensagens instantâneas.
  • Enviar mensagens neutras a alguém até ao ponto de assédio.
  • Publicar conteúdos prejudiciais sobre alguém nas redes sociais.
  • Espalhar online rumores ou falsidades sobre alguém.
  • Denegrir a imagem de alguém através de conversas online, acessíveis a várias pessoas.
  • Atacar ou matar um personagem de um jogo online, constantemente e de propósito.
  • Fingir ser outra pessoa através de um perfil online falso.
  • Ameaçar ou intimidar alguém online ou através de mensagens de texto.
  • Tirar uma foto ou vídeo embaraçoso e compartilhá-lo sem permissão.

É importante saber que nem todos os conflitos online entre crianças são cyberbullying.

Às vezes, as crianças entram em discussões acesas nas redes sociais. A maior parte são conversas inofensivas, apenas de brincadeira, mas podem ser confundidas. Provocação e bullying são coisas diferentes.

Há maneiras de determinar se um comportamento configura um crime de bullying.  Se uma criança envia mensagens prejudiciais de propósito e de forma regular, então poderá ser considerado um ataque cibernético.

Cyberbullying e crianças com problemas de aprendizagem e atenção

Todas as crianças podem ser cibercriminadas. No entanto, crianças com problemas de aprendizagem e atenção enfrentam riscos especiais. Significa que são mais propensos a ser cibercéticos do que os seus pares.

Por exemplo, crianças que recebem apoios escolares ou estatais podem ser um alvo mais fácil, simplesmente, porque podem ser olhados de maneira diferente, quer em termos sociais como académicos.

As mensagens online podem ser complicadas para crianças com problemas de aprendizagem e atenção. A maioria das comunicações através da internet depende do texto, o que constitui uma dificuldade acrescida para alguém, por exemplo, que se debate com problemas de leitura e escrita.

Crianças com fracas aptidões sociais podem interpretar mal os e-mails ou os textos. Podem não entender o contexto de uma publicação nas redes sociais. Crianças com problemas de impulsividade ou PHDA podem reagir mal a uma mensagem.

Note que há também casos reportados de crianças com problemas de aprendizagem e atenção que, em vez de vítimas, assumem, também, o papel de vilão.

Como prevenir o ciberbullying

A melhor maneira de prevenir o ciberbullying é preparar a criança para saber interagir no mundo online. Negoceie regras de utilização da internet. Se não deixamos os nossos filhos andar sozinhos na rua, que sentido faz se os deixarmos em casa com a porta da internet escancarada, sem nenhuma proteção?  Eis algumas estratégias que podem ajudar:

  • Fale com a criança sobre o que é o ciberbullying.
  • Discuta com ela o que fazer se ela alguma vez for vítima.
  • Pratique as habilidades sociais do mundo real com a criança, verá que estará a ajudá-la online.
  • Mantenha linhas de comunicação abertas com a criança.
  • Ensine o respeito e a empatia pelos outros nas redes sociais.
  • Compreenda quais dispositivos, aplicativos e tecnologia que costuma  usar, guardando, por exemplo, as passwords de acesso às redes sociais.
  • Mantenha a tecnologia fora do quarto da criança, onde, poderá ser usada sem supervisão.
  • Use um contrato de telemóvel para ajudar a gerir o uso de tecnologia por parte da criança.
  • Mude o número de telemóvel, email, passwords, sempre que suspeitar que a criança é vítima destas situações.
  • Não partilhar informação pessoal, número de telemóvel, fotos, escola e/ou locais que frequenta.
  • Nas redes sociais, adicionar só as pessoas que conhece, ao vivo e a cores, e manter o perfil restrito.

“O meu filho não tem motivação para nada”.

Esta é uma das frases que mais oiço por parte de pais de adolescentes.

Do lado de cá, compreendo-lhes a angústia, tal como sou solidária com o lado de lá, que usa a inércia para mascarar o medo, a vergonha ou a incerteza de não se saber bem quem se é ou de não se estar à altura daquilo que esperam que se seja.

Quando nos nasce um filho, nasce-nos um sem fim de desejos, de projetos, de finais felizes, que servirão como uma luva (achamos nós) àquele pequenino ser. Nasce, ainda, a oportunidade única de nos redimirmos do nosso lado lunar, esperando que deles, seres de luz, venha sempre sol.

À medida que crescem e se tornam gente, vão dando pequeninos passos no sentido de nos ensinar a ajustar expectativas, a tropeçar nas certezas que criámos e a perceber que afinal por ali mora, tal como em nós, a lua, o sol e até a chuva intensa. E é precisamente aqui, nesta espécie de microclima tropical que é a adolescência, que tudo aquilo que sonhámos que seriam, dá lugar a tudo o que podem vir a ser e à necessidade de o perceber através de um caminho próprio, único e irrepetível.

O que se segue, é muitas vezes uma dança difícil entre pais e filhos, marcada pela tensão natural entre quem exige e quem é exigido e tantas vezes, pelo desejo secreto de que as coisas pudessem resolver-se outra vez com um pronto  “Anda cá que a mãe ensina…”.

E agora?” – perguntam vocês. “Como é que se ajuda a sair da tempestade, molhados, mas com vontade de enfrentar as próximas?” E eu respondo, outra vez: “Sendo porto de abrigo”, sempre que possamos tentar os passos seguintes:

Dar espaço.

Conviver com um filho que não parece interessar-se por nada, que não estuda, que não cumpre, que se perde nas horas do dia, pode ser extremamente desafiante para os pais, correndo-se o risco de transformar a sua inércia no tema de conversa preferido de toda a família (não que o prefiram, mas ele está sempre lá). Passa então a falar-se sobre isto constantemente, à refeição, na chegada a casa, antes de dormir, no carro à porta da escola… E com o tempo, a desmotivação passa a definir a sua atitude geral perante a vida e o que era passageiro, instala-se e perdura. É por isso importante desligar o modo “sermão” e centrarmo-nos naquelas que são as suas características positivas. Valorizar todas as oportunidades que possam tornar-se acendalha para lhes atear a chama outra vez. E é importante, sobretudo, deixar de falar deles e passar a falar com eles.

Compreender.

A falta de empenho é muitas vezes apenas a parte visível do iceberg. Um recurso para se defenderem de algo com o qual não se sentem capazes de lidar. Não liga nenhuma à escola porque acredita que os outros serão sempre melhores do que ele. Não investe no exame final porque acha que nunca vai conseguir ter uma nota que satisfaça a família. E assim, por evitamento, se vão confirmando todas as profecias, as dos pais e as do próprio.

É assim fundamental compreender que a desmotivação pode ser um sinal de alterações emocionais ou de uma baixa auto estima que, alimentadas por sentimentos de incapacidade ou de maior vulnerabilidade, acabam por impedir os jovens de explorarem as suas capacidades e de correrem atrás daquilo que desejam. Ouvir o que tenham para dizer (evitando o rótulo fácil), procurar ser empático com o que estão a sentir e partilhar quem fomos em momentos semelhantes, pode ajudar a desbloquear emoções associadas ao momento de impasse, tornando-as menos pesadas e logo, mais passíveis de transformação.

Exigir.

Compreender o que sentem e os desafios que atravessam. Isto não significa que sejamos coniventes com a distância afetiva que aumenta sempre que chegam tarde a casa por sistema ou sempre que evitam a todo o custo qualquer programa de família. Na adolescência, a experimentação de uma maior autonomia e independência, natural e altamente desejável, não pode sobrepor-se em larga escala ao tempo de todos e às regras de funcionamento do espaço familiar (horários, rotinas, divisão de tarefas…). Quer isto dizer que são de compreender e tolerar algumas escapadelas, mas o essencial deve manter-se, por mais contrariedade que às vezes provoque.

Acreditar.

Saber que a adolescência é um período de  aprendizagens riquíssimas e de aquisições determinantes para o resto da vida, ainda que às vezes a navegação pareça fazer-se ao sabor do vento, ajuda a não perder de vista a importância de valorizar e a incentivar todos os pequenos passos que possam dar em direção ao crescimento. Estimulá-los a que se envolvam ativamente nas diferentes alternativas de solução para os problemas com que se deparem, fá-los também sentir também que confiamos na sua capacidade para superar todos desafios, ajudando a agir.

Quando um filho nos diz que não tem motivação, pode estar a dizer-nos que precisa que o ajudem a compreender-se melhor. Que precisa que olhem para si tal como é (e não como as histórias que se contam sobre ele) . Que precisa, enfim, que lhe digam, muitas e muitas vezes, que a vida vale a pena e que neles mora tudo o que é preciso para conquistar o mundo.

Ainda que o passo firme e o brilho no olhar possam vir depois, e se instalem, para não mais os deixarem sair.

imagem@wapmia

Nesta época do ano aprecem as gripes, constipações e tantas outras doenças que se podem fazer acompanhar por febre.

E quando a febre surge, acaba muitas vezes por ser quase um drama para os pais, quando não sabem exactamente o que fazer.

Nesse sentido, e sendo este um tema tão comum nesta época do ano, este post vem tentar dar uma pequena ajuda. Não se pretende substituir nenhuma observação médica, apenas tentar capacitar um pouco mais os pais para este tema, e transmitir algumas noções importantes.

Ainda para mais porque as ajudas existem, nomeadamente normas e folhetos da Direcção Geral de Saúde (sobre este e outros temas) dirigidos aos pais, e onde foi baseada a maior parte da informação deste post (podem consultar o folheto da DGS aqui )

Então, vamos por partes.

Primeiro, o que é a febre?

De forma simplista, a febre, não é uma doença, mas sim uma manifestação do organismo, que resulta na elevação da temperatura corporal habitualmente em resposta a uma infecção.

A partir de que temperatura consideramos febre?

A temperatura varia consoante a localização onde é medida.

– Assim, se for avaliada a temperatura rectal, considera-se febre quando acima dos 38ºC.

– Quando se avalia a temperatura axilar, apenas se considera febre acima de 37,6ºC.

– Quando avaliada a temperatura timpânica (no ouvido), considera-se febre acima dos 37,8ºC.

Como deve ser medida a temperatura?

É importante ter a noção de que existem vários termómetros no mercado e que é fundamental uma utilização adequada dos mesmos. Apesar de já existirem outras opções no mercado, os mais frequentes, e por isso aqueles que irei abordar, são o  termómetro galinstan, o termómetro digital, e o termómetro timpânico (habitualmente utilizado nos serviços de urgência por maior rapidez e comodidade). Atenção que em seguida estão resumidas as principais indicações de uso, no entanto é fundamental lerem sempre primeiro o folheto informativo que acompanhe o termómetro que adquirirem.

Termómetro digital
Termómetro Galinstan

 

Termómetro timpânico

 

TEMPERATURA RECTAL
Quando se avalia a temperatura rectal,(já agora, é este o método mais rigoroso para avaliação da temperatura corporal), deve introduzir-se a ponta flexível do termómetro  em cerca de 3 cm no ânus, num trajeto paralelo às costas da criança. Se usado o termómetro digital, a temperatura é avaliada ao sinal sonoro. Quando utilizado o termómetro galinstan, a temperatura deve ser avaliada após 3min.

TEMPERATURA AXILAR
Quando se avalia a temperatura axilar, o termómetro deve ser colocados na axila, mantendo-se o braço firmemente encostado ao tronco. Se usado o termómetro digital, a leitura, mais uma vez, é dada aquando do sinal sonoro. Quando utilizado o termómetro galinstan, a leitura deve ser realizada ao fim de 5 minutos.

TEMPERATURA TIMPÂNICA
Quando se avalia a temperatura timpânica, a sonda deve ser orientada para a membrana do tímpano e não para a parede do canal auditivo. Devem ser sempre realizadas 3 determinações seguidas e deve adotar-se o valor medido mais elevado.

Já agora, a “mão da mãe” acaba por ser também um método muito fiável para perceber se existe ou não febre, apesar de não conseguir quantificar a mesma.

Sinais de alerta

Quando uma criança tem febre, quais são os “sinais de alerta”?

Existem sinais que, apesar de nem sempre traduzirem doença grave, nos alertam, e que obrigam, quando presentes, a que a criança seja rapidamente observada por um médico.

Assim, é importante estar atento a:

– Sonolência excessiva ou incapacidade em adormecer;

– Face/olhar de sofrimento;

– Irritabilidade e/ou gemido mantido;

– Choro inconsolável; não tolerar o colo;

– Dor perturbadora;

– Convulsão;

– Aparecimento de manchas na pele nas primeiras 24 a 48 horas de febre;

– Respiração rápida com cansaço;

– Vómitos repetidos entre as refeições;

– Recusa alimentar completa superior a 12 horas;

– Sede insaciável;

– Lábios ou unhas roxas e/ou tremores intensos e prolongados na subida da temperatura;

– Dificuldade em mobilizar um membro ou alteração na marcha;

– Urina turva e/ou com mau cheiro;

– Febre com duração superior a 5 dias completos.

Na presença de um ou mais destes sinais de alerta, a criança deve recorrer a um serviço de saúde.

Sinais “Tranquilizadores”

Quando uma criança tem febre, quais os sinais ”tranquilizadores”?

Estão de seguida descritos aqueles sinais que habitualmente nos tranquilizam dado que estão, em regra, associados a doença que, apesar de poder ser incomodativa e poder necessitar de observação médica, habitualmente não se faz acompanhar de grande gravidade:

– A criança brinca e tem atividade normal;

– Come menos mas não recusa os alimentos líquidos;

– Tem sorriso aberto ou fácil;

– Acalma ao colo e fica com um comportamento quase habitual;

– Tosse seca e irritativa muito frequente, sendo o sintoma que mais perturba a criança, mas sem quaisquer outros sintomas respiratórios nem sinais de dificuldade respiratória;

– Dor a engolir associada a congestão nasal, a olhos vermelhos e/ou a tosse;

– Diarreia ligeira (ou moderada) sem sangue, muco ou pus e sem vómitos;

– Manchas vermelhas dispersas que desaparecem quando comprimidas, que surgem só a partir do 4º dia de febre.

O que fazer para ajudar a criança/adolescente com febre?

– Oferecer água e/ou leite; adequar o vestuário e a roupa da cama à sensação de frio ou de calor; respeitar o apetite;

– Se está confortável não é preciso baixar a temperatura, mas sim vigiar se surgem os “sinais de alerta” anteriormente descritos;

– Se está desconfortável, deve tomar um antipirético (que também é analgésico, pelo que também aliviará a dor);

– Não se deve fazer arrefecimento (banho, compressas, ventoinhas) para baixar a temperatura dado que não contribui nem para a resolução da doença nem para o bem estar da criança;

– Se necessário, contactar a linha 24 (808 24 24 24), ou requerer observação médica.

Antipiréticos

No que concerne aos antipiréticos a administrar, habitualmente são administrados, segundo a posologia e indicação prescritas pelo médico, paracetamol ou ibuprofeno. Não me vou debruçar muito sobre este tema, mas gostaria no entanto de deixar duas informações importantes.

  1. Não se deve dar ibuprofeno nas seguintes situações:

– idade inferior a 6 meses;

– na varicela;

– perante diarreia e vómitos moderados a graves;

– se a criança tiver uma alergia a qualquer medicamento anti-inflamatório;

  1. O objetivo do antipirético é acima de tudo aliviar o desconforto da criança e não eliminar a febre a todo o custo. Mesmo não medicada, a temperatura acabará, em regra, por baixar espontaneamente algumas horas depois. Mas voltará a subir ao fim de poucas horas, e assim sucessivamente, até a doença passar.

Quando é que uma criança/adolescente deve recorrer a um serviço de saúde em caso de febre, sem outros sintomas acompanhantes?

– Se idade inferior a 3 meses de idade (de idade corrigida se nasceu prematura);

– Se idade inferior a 6 meses com temperaturas rectais iguais ou superiores a 40,0°C;

– Em qualquer idade se tiver temperaturas axilares superiores a 40,0°C ou retais superiores a 41,0°C;

– Na presença de um ou mais “sinais de alerta”;

– Se tem uma doença crónica grave concomitante;

– Se tem febre há 5 ou mais dias, ou se a febre reaparecer após 2 a 3 dias de temperaturas normais.

Esperemos que este post vos tenha ajudado. Um bom resto de estação a todos, e sem febre!!!!!

Orientação Vocacional: o que é e para que serve.

Jovens ou adultos podem, portanto, em determinada fase do seu percurso escolar e/ou profissional, deparar-se com situações de indecisão quanto ao caminho a seguir. Para melhor decidir quanto ao seu presente e futuro profissional, é fundamental ter um bom conhecimento sobre si mesmo, assim como em relação à realidade educativa e profissional. É neste contexto que surge a Orientação Vocacional: para clarificar todas estas questões, ajudar a pessoa a conhecer as suas aptidões e a tomar consciência daquilo que mais o entusiasma e, através disso, facilitar a definição de linhas directrizes que ajudem a tomar uma decisão quanto ao futuro profissional.

Orientação Vocacional: O QUE É?

A Orientação Vocacional e Profissional é uma área de intervenção que pretende dar resposta às necessidades e indecisões que surgem em jovens ou adultos quanto à direção a dar à sua carreira académica e/ou profissional. É feita uma avaliação que permite analisar, por um lado, tudo aquilo que o motiva (ou seja, os seus interesses), e por outro lado, tudo aquilo para o que tem maior facilidade em aprender (ou seja, as suas aptidões). A orientação vocacional pretende, enfim, valorizar a visão que o estudante tem sobre si mesmo, quais os seu aspectos que considera mais importantes, e as suas expectativas em relação ao futuro. Enfatiza-se a ideia de que a construção do futuro depende das suas vivências e escolhas do presente.

Orientação Vocacional: COMO DECORRE?

O processo de avaliação de Orientação Vocacional inicia-se com uma entrevista cujo objetivo é recolher informação sobre o historial da pessoa em termos de percurso escolar e/ou profissional, assim como dos seus planos e aspirações. O restante processo de avaliação é realizado através de três ou quatro sessões (dependendo dos casos, poderão ser necessárias mais de quatro sessões) onde, através da aplicação de diferentes provas estruturadas de avaliação psicológica, é traçado o perfil vocacional do jovem ou adulto.

As provas têm por objetivo avaliar o seu perfil cognitico, os seus interesses, as áreas que mais o motivam, assim como as suas capacidades de desempenho mais desenvolvidas. No final do processo de avaliação é entregue um relatório que apresenta o perfil da pessoa, assim como a delineação de um projeto académico e/ou profissional, onde são sugeridos cursos, formações e/ou áreas de estudo ou profissionais mais adequadas ao seu perfil vocacional.

Orientação Vocacional: QUANDO DEVE FAZER-SE?

Indecisões quanto à direção a tomar relativamente à carreira académica e/ou profissional podem acontecer em qualquer altura da vida de uma pessoa, pelo que não existe “data marcada” para a necessidade de recorrer à orientação vocacional. No entanto, o período correspondente ao final do terceiro ciclo (9º ano) é particularmente importante na vida do adolescente, na medida em que será esta a primeira vez na vida em que terá de decidir sobre o seu futuro profissional. É também nesta fase do desenvolvimento que ocorrem as transformações cognitivas e psicossociais mais visíveis e significativas e, ao mesmo tempo, em que o planeamento vocacional se torna intimamente ligado à construção da identidade do adolescente. Trata-se de uma escolha com grande impacto no percurso vocacional do adolescente e, portanto, é natural que surjam muitas dúvidas e incertezas relativamente ao caminho a escolher.

No final do 9º ano, o adolescente poderá optar por um de três caminhos: Curso Científico Humanístico, Curso Profissional ou Curso Artístico Especializado. Embora qualquer uma destas vias permita concorrer ao ensino superior, importa realçar que uns são mais orientados para isso do que outros.

1. Curso Científico Humanístico

O Curso Científico Humanístico é a opção mais adequada para o jovem que pretenda prosseguir um percurso académico ao nível do ensino superior, já que é este o curso que melhor o prepara em termos de aprendizagens teóricas. Nesta fase, é importante que o jovem escolha uma de quatro áreas principais, para a qual revele simultaneamente interesse e aptidão: Ciências e Tecnologias, Línguas e Humanidades, Ciências Socio-Económicas ou Artes Visuais.

2. Curso Profissional

O Curso Profissional é a melhor opção para quem prefira quer ir directamente para o mercado de trabalho, já que este apresenta uma componente mais prática, preparando mais eficazmente o jovem para o trabalho concreto (por exemplo: administração, serviços e comércio, agroalimentar, ambiente e recursos naturais).

3. Curso Artístico Especializado

O Curso Artístico Especializado será o caminho a seguir para o jovem que pretenda uma carreira mais relacionada com a área artística e creativa (por exemplo: artes do espetáculo, dança, música) .

Mais tarde, no final do ensino secundário (12º ano), os estudantes já estão nos últimos anos da adolescência e, portanto, numa fase de desenvolvimento mais amadurecida, com uma visão mais realista acerca de si mesmos e daquilo que os rodeia. Para quem escolheu o Curso Científico Humanístico, o jovem tem agora a hipótese de candidatar-se ao Ensino Superior, para o qual terá de realizar exames nacionais às disciplinas que se adequam ao curso que pretende desenvolver. Também nesta fase o jovem poderá sentir dúvidas quanto à escolha da especialidade profissional, assim como em relação às oportunidades de formação e cursos existentes. Nestes casos, a orientação vocacional poderá ser útil para tornar mais eficaz qualquer tomada de decisão e ajudar a fomentar o desenvolvimento da carreira que melhor se adeque aos seus interesses e aptidões.

Orientação Vocacional: ONDE SE FAZ?

O Centro SEI conta com uma equipa de técnicos especializados na área da Orientação Vocacional. As sessões decorrem nas instalações do SEI, e também em escolas, para pequenos grupos de alunos.

Links úteis

Currículo e programas do Ensino Secundário

Rede de Cursos Profissionais – 2013/2014

Acesso ao Ensino Superior

 

A Matemática é uma das disciplinas de que mais tens medo? Perdes-te no meio de tantas equações, cálculos e raciocínios? Não te preocupes mais! Temos aqui as melhores dicas para que o teu estudo se torne mais fácil.

Ficam 6 dicas para te ajudar a estudar matemática!

1- Faz esquemas com a matéria

Isso irá facilitar o raciocínio e desta forma percebes mais facilmente onde deves colocar os números e os passos que tens de seguir. Algo muito importante, é também verificares sempre os teus resultados.

2- Lê ativamente

A Matemática, apesar do que a maioria das pessoas pensa, não é só sobre números e fórmulas. Muito do que precisas para resolver as questões está disponível nos enunciados. E por isso, Matemática, exige interpretação de texto. Lê com calma, sublinha e faz anotações daquilo que está no enunciado do problema.

3- Estuda a teoria

O estudo da teoria é importante não só para matemática, como para todas as outras disciplinas. Se não entenderes a teoria, é muito provável que tenhas mais dificuldades em resolver os exercícios. Assim, lembra-te que uma parte do teu tempo de estudo deve ser reservado para a leitura e compreensão da teoria.

4- Trabalha regularmente e não estudes apenas em cima dos testes

A prática leva à perfeição e com a Matemática não é diferente. Esta disciplina exige um trabalho contínuo e fazer exercícios diariamente faz a diferença. Mesmo que seja apenas uma ou duas alíneas de um exercício, é importante que tentes estudar um bocadinho todos os dias.

5- Livros de preparação

Os livros de preparação para os exames são ótimos para entender a matéria. Já vêm com uma explicação direta, simples e com vários exemplos e opções de exercícios para colocares em prática.

6- Faz um plano e aponta o que já sabes e as matérias em que ainda tens dúvidas

Pergunta ao teu professor quando tiveres dúvidas ou quando não conseguires terminar um exercício e não saias da aula sem saberes o que deves fazer. Não tem problema se errares alguns exercícios desde que tentes procurar ajuda e perceber como podes melhorar!

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