É urgente falar das lembranças das festas de aniversário das crianças

Bem sei que “urgente” pode ser algo excessivo, mas tem vindo a ser uma preocupação constante e crescente.

Na sala da creche da minha filha, que tem dois anos e oito meses, há mais dezoito crianças. Há semanas em que um dos amigos faz anos, já houve outras em que festejaram dois aniversários no espaço de três dias.

São dias diferentes e apesar das minhas preocupações com a alimentação o mais saudável possível, sei que estes dias existem e sou tolerante para o facto de haver bolo e sumos. A escola pede para serem bolos caseiros em vez dos de compra e há pais que têm essa preocupação. Muitos outros não têm.

Mas não é dos bolos, que são o centro da festa, que vou aqui falar.

É das lembranças que desde que me lembro, ainda criança, passou a ser moda oferecer. Um miminho para que os colegas e amigos possa recordar a festa que partilharam.

A ideia devia ser esta, mas não é, porque a maior parte das crianças (ou melhor, os pais das crianças) o que partilha são gomas, rebuçados, chupas e chocolates.

Entendo que é uma coisa que todos ou praticamente todos os miúdos gostam, e que acham que é dia de festa e por isso não faz mal. Entendo, mas não concordo e sou obrigada a lidar com esta situação mais vezes do que gostaria.

Nos primeiros dois aniversários desta creche fui agradavelmente surpreendida por lembranças didáticas. Uns fantoches de dedo e umas bolas saltitonas. Tão simples quanto isso.

Aplaudi, achei que é algo que fica, com que eles podem brincar, que os vai fazer recordar a dita festa em vez de engolirem em três tempos as cinco doses de açúcar que deviam consumir nos próximos dois meses.

Mas depois vieram as outras festas. Chocolates miniatura. Gomas açucaradas, gomas brilhantes, chupa chupas ácidos e por aí fora.

Podem chamar-me má mãe mas a Mariana nunca comeu nenhum deles. Minto, uma vez dei-lhe um rebuçado porque os amigos estavam todos a ver o que estava dentro do saco da Patrulha Pata e achei que podia ceder, mesmo sem ser preciso ela ficar triste.

A questão económica é óbvia, sai mais baratos comprar dois ou três pacotes de guloseimas no supermercado e dividir pelos saquinhos e nunca mais pensar nisso. Respeito. Mas custa-me. Porque vai contra os meus princípios, acho preferível não se dar nada (porque não tem de se dar!), a dar algo que não lhes faz bem.

Há lembranças que se podem fazer em casa, coisas mais ou menos criativas, mas não há tempo, não há pachorra, e afinal qual é o mal das crianças comerem um doce?

Gosto de dizer que não imponho o meu estilo de vida aos filhos dos outros e, por isso, também gosto que não imponham o estilo de vida dos deles aos meus, mas na verdade isso é impossível. Porque está presente em todas as nossas escolhas, no modo como orientamos as nossas crianças.

E é por isso que nos dias em que sei que vai haver aniversário levo de casa coisas que sei que a Mariana gosta de comer, porque ela é uma comilona, e antes de a ir buscar à sala tiro do saco as guloseimas que lá estão e substituo com as coisas que ela gosta (sim, também gostaria e muito de comer as batatas fritas de pacote!) para que quando ela abre o saco poder dizer: posso, mãe? E eu responder que pode, sim, à vontade. Sem dramas, sem ter de explicar que aquilo são doces e fazem mal, é só hoje e por aí fora.

Evito a situação enquanto consigo controlá-la e quando chegar a altura de ser a Mariana a soprar as velas as lembranças do seu aniversário serão isso mesmo: lembranças.

Quanto ao açúcar em doses extra, não serei eu a patrociná-lo.

Eles vão ter tanto tempo para comer todas as porcarias do mundo, com os pais longe e algum dinheiro na carteira. Todos o fizemos e sobrevivemos. Só espero que esta educação alimentar faça a minha filha fazer melhores escolhas do que eu fiz. E se não fizer, pelo menos os seus erros serão feitos na altura certa e não quando ainda nem sequer tem a dentição completa.

(Tinha um amigo que me dizia: Mas, Marta! Nós também comíamos porcarias! E os bolos com campos de futebol? Aquilo deviam ser só corantes! Está certo, tem toda a razão. Mas passaram-se quantos anos? Por que motivo devemos agir da mesma forma se há mais informação? Se estamos mais informados? Para além de que não havia festas de anos todas as semanas. Não havia tantos refrigerantes disponíveis, gomas à mão de semear, era tudo efectivamente quando o rei fazia anos. E o rei só fazia anos uma vez no ano :D.

Pais mais tradicionais, nada temam.

A Mariana é feliz, garanto-vos.

Porque a felicidade não está no tamanho da tablete de chocolate que ela come. Mas sim em quem está ao lado dela a partilhá-la.

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O SAL DA VIDA

Depois da festa acorda-se tarde. Para quem tem filhos, isto quer dizer pouco depois das nove da manhã.

Depois da festa vejo-o pela primeira vez. Lá está ele. Um cabelo branco.
Acordo, vou ao espelho e lá está ele.

Será que surgiu do dia para a noite? Será que ouviu o “parabéns a você” e apareceu como quem grita “Estou aqui! Apanhei-te!”?

Lavo a cara e ouço que os miúdos já acordaram todos. Todos. Um, dois três…Depois não quero estar a ficar ve…Talvez não seja bom usar a palavra. Peço um abraço com força aos três. Afinal, o pai está um ano mais ve…

Lembro-me de um filme em que a personagem interpretada por Tom Cruise, retira um cabelo branco com uma pinça depois de se observar ao espelho. A sorte é que não achei a cena ridícula. Achei premonitório. Recordo-me de ter pensado: “Serei eu a fazê-lo em breve?”.

E também me trouxe questões. Será que a personagem estará a levar o envelhecimento a mal? Será positivo o comportamento de arrancar o cabelo, porque denota preocupação com a imagem? É um pormenor? É um sinal?

A palavra que há pouco evitei era velho. Pesa um pouco. Antes ela (a palavra) do que eu…

Depois da festa, temos de continuar! Arrumar a sala, limpar e começar a pensar na próxima. Claro que não há duas iguais . Como não há dois filhos iguais.

A pinça, entretanto, foi usada. Menos um.

Amanhã há mais. Mais festas, mais abraços aos filhos, mais pinças…amanhã há mais marcas do tempo a passar. Que essas marcas sejam o açúcar da vida.

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O açúcar é a nova droga do século XXI

«O açúcar não tem qualquer valor nutricional e é directamente nocivo para a saúde (…) o açúcar é veneno para o metabolismo.» – Dr. Robert C. Atkins, cardiologista e autor de “A Dieta Revolucionária do Dr. Atkins”

Dizem que é um veneno, comparam-no a uma droga, culpam-no pelo aumento da obesidade, da diabetes, das doenças cardiovasculares, das cáries que assaltam os dentes das crianças. O açúcar, que transforma refeições sem interesse em iguarias, actor principal de sobremesas, usado na nossa gastronomia em doses elevadas à centenas de anos, passou a estar na lista negra dos alimentos. Multiplicam-se os estudos, as teorias, a literatura. Os consumidores mostram-se cada vez mais preocupados e a gigante indústria alimentar procura alternativas para adoçar a comida e manter as vendas.

Mas a culpa não é dele. É dos excessos.

No final do século XX, começou o consumo desenfreado e camuflado de refrigerantes, molhos processados, caldo de legumes, bolos, cereais, leites para crianças, ketchup, pão, comida para bebés, produtos embalados e enlatados … não há quase nada em que a indústria alimentar não ponha açúcar. Funciona para realçar sabor, preserva e é barato. Este é que é o verdadeiro problema, o excesso de açúcar nos alimentos.

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O açúcar é a nova droga do século XXI. O açúcar causa dependência, tal como a cocaína, a heroína, a nicotina e o álcool. Já se desconfiava disto há algum tempo mas parece que faltava a evidência científica. Em 2008, Nicole Avena, do Center for Addiction Research & Education da Universidade da Florida, publicou dados que confirmam que o açúcar afecta os receptores de ópio e dopamina do nosso cérebro, causando, portanto, adição.

A comida de plástico foi inventada para causar dependência e não tem qualquer valor nutricional. O açúcar presente nos refrigerantes é um autêntico veneno. Uma coca- cola e qualquer outro refrigerante de 33 cl tem cerca de 12-15 colheres pequenas de açúcar e o efeito que isso tem no nosso corpo é simplesmente devastador. Precisamos de 32 copos de água para anular o prejuízo de apenas um refrigerante!

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Este excesso de açúcar em tantos alimentos é também o motivo porque vemos crescer a obesidade e os diabetes nas crianças.

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A coca-cola tem um estimulante e um diurético (faz-nos perder água) que se chama cafeína. Tem também outro componente chamado sódio (sal). O que acha que acontece quando comemos alimentos demasiado salgados? Ficamos com mais sede!

Porque acha que a coca-cola tem tanto açúcar? Para esconder o sal e o ácido fosfórico presente que a torna mais ácida que o vinagre ou o limão. A quantidade de açúcar é tão grande que nem notamos o sal, nem o ácido!

E desengane-se se pensa que os produtos light ou zero calorias são mais saudáveis como tentam vender. Tudo o que é light é enriquecido com adoçantes artificiais como o aspartame (fenilanina), acesulfame K, sacarina, sucralose (E-955), xarope de glucose, isto só para citar os mais conhecidos. Além de obesidade e diabetes, estes produtos podem causar perturbações no sono, disfunção sexual, cancro, esclerose múltipla, lúpus, diabetes e outras doenças degenerativas.

É urgente e de grande importância para o nosso futuro, para o futuro das nossas crianças, que se leiam os rótulos dos alimentos comprados, que se reduza ao máximo o consumo de açúcar, de doces, de alimentos processados, que haja mais informação, para que haja mais consciência dos erros cometidos e se possam mudar maus hábitos, passando a fazer escolhas mais saudáveis, aumentando o consumo de frutas e vegetais, pela sua SAÚDE.

 

Fontes Público e Pedro Correia Training

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Embora não se saiba ainda claramente qual o mecanismo que leva a que uma criança tenha mais apetência para doces do que outras, sabe-se que assim que uma criança prova um alimento doce, retém uma memória desse paladar e busca-o em todos os alimentos a partir de então.

O açúcar faz falta e é essencial na nossa alimentação e na dos nossos pequenotes. Refiro-me aos açúcares presentes naturalmente nos alimentos, e não ao açúcar que existe nos frascos das nossas dispensas (a sacarose). Refiro-me à Glicose, rainha do nosso metabolismo. O nome Glicose vem do grego glykys (γλυκύς), que significa “doce”, mais o sufixo -ose, indicativo de açúcar. É responsável pela nossa energia além de ser precursora de outras moléculas importantes e essenciais à vida.

Estes açúcares naturais, denominados de oses, podem ser encontrados em quase todos os alimentos, por exemplo, no leite encontramos a lactose (..ose), na fruta encontramos a frutose (…ose), no pão encontramos o amido (..ose??) que será ao logo da digestão desdobrado em várias moléculas de glicose (Ah…. ose!!). Estes sim, são açúcares essenciais ao nosso corpo e deveriam ser estes os únicos açúcares na alimentação dos bebés e crianças.

E desengane-se se pensa que conhece bem todos os alimentos que oferece ao seu mais que tudo. Ler os rótulos hoje em dia é uma verdadeira acrobacia. Parece que as indústrias se uniram e criaram códigos perfeitamente indescodificáveis ao mais comum dos consumidores, leigos em literacia industrial. São “números E”, são aditivos, são conservantes, são estabilizantes e como se não lhes bastasse, ainda mascaram os açúcares com os seus nomes químicos que, de pouco ou nada, se parecem com alguma palavra comum. Faça um teste e consulte os ingredientes de alguns produtos nas prateleiras do seu frigorífico, ficará facilmente impressionado.

Eu encontrei melaço e glicose no meu molho inglês, lactose e dextrose no meu fiambre de peru, sacarose, frutose, xarope de glicose-frutose e amido modificado no meu Ketchup, levulose e dextrose e maltodextrinas nos meus enchidos (escolhidos a dedo com muitas reticências e com teores de gordura do mais em conta que pode existir), para não referir os cereais e sumos que são verdadeiras bombas. Doce em todo o lado! Keep it simple and organic.

Ser boa mãe não é conhecer estes malvados de cor e salteado, nem sequer saber onde os encontrar. É ter a genica de oferecer a maior variedade possível de alimentos puros ao seu mais que tudo. Mas se ainda assim quiser saber mais sobre os aditivos e os temíveis “E”, saiba que a Food Standards Agency (www.foof.gov.uk) tem uma publicação inteirinha à sua espera.

Os nossos conselhos para reduzir a ingestão de açúcares do seu pequenote e evitar o mecanismo da gula que daí advém, são:

 5 dicas para reduzir a ingestão de açúcares nos nossos filhos

• Reduzir ou eliminar o consumo de sumos industriais;

• Reduzir ou eliminar o consumo de produtos de elevada densidade energética;

• Reduzir ou eliminar snacks tipo barras de cereais;

• Reduzir ou eliminar consumo de molhos industrializados como ketchup, molhos de barbecue, entre outros;

• Reduzir ou eliminar sopas empacotadas, principalmente se o seu pequeno tesouro é ainda pequeno.

Comece por aqui que já é uma grande vitória.

É SEMPRE preferível oferecer às crianças sobremesas feitas de forma caseira sobretudo à base de frutos e tubérculos (naturalmente doces), em substituição do tradicional açúcar branco, chocolates, caramelos e outros alimentos artificialmente açucarados, para satisfazer os desejos de algo doce. Além destes não serem essenciais, trazem outras questões associadas nada benéficas, as cáries.

Garantir que tem sempre fruta à disposição ou uma sobremesa saudável e sem açúcar, para além de saciar o desejo por doces, vai numa fase posterior da vida, restringir muito o desejo por açúcar e o número de idas às pastelarias em busca de doces artificiais e prejudiciais.

Se pretender ajuda neste campo, saiba que a Bebé Gourmet oferece uma variedade de frutas frescas, frutas cozidas, sobremesas naturalmente doces (sem adição de açúcar) e até uma opção sem laticínios. Tudo isto, embalado com carinho e selado com saúde.

Ofereça saúde agora e no futuro ao seu bebé!