Os TPC estão a destruir os nossos filhos: a pesquisa é clara. É urgente banir os trabalhos de casa no 1º ciclo.

“Não há nenhuma evidência de que qualquer tipo e quantidade de TPC melhore o desempenho académico dos alunos do ensino básico.”

Independentemente da opinião do leitor sobre o tema TPC, esta declaração do investigador Harry Cooper é reveladora. Será que as horas de brincadeira perdidas, as lágrimas e todo o esforço e empenho dos miúdos têm sido em vão? Que milhares de famílias andam há anos a reboque dos TPC para nada?

Os TPC são uma prática tão enraizada que só recentemente alguns pais e educadores começaram a questionar o seu valor. No entanto, quando analisamos os factos, concluímos que os TPC têm benefícios, mas esses benefícios variam de acordo com a idade da criança.

Para crianças do 2º ciclo, a pesquisa sugere que o estudo num ambiente de sala de aula obtém resultados de aprendizagem, e que os TPC são apenas trabalhos extra.

Mesmo no 3º ciclo, a relação entre os TPC e o sucesso académico é mínima, na melhor das hipóteses.

Já no secundário, os TPC trazem benefícios, desde que a quantidade atribuída pelos professores seja moderada. Duas horas por noite é o limite máximo (dos máximos). Passado esse tempo, os benefícios são escassos. “A pesquisa é muito clara”, refere Etta Kralovec, professora de Universidade do Arizona. “A nível da escola primária, os benefícios são nulos.”

Para começar, vamos dissipar o mito de que estas conclusões são resultado de um punhado de estudos mal construídos. Na verdade, é exactamente o contrário: Cooper compilou 120 estudos em 1989 e outros 60 estudos em 2006. Esta análise abrangente de vários estudos não encontrou qualquer evidência de benefício académico no 1º ciclo. No entanto, confirmou um impacto negativo nas atitudes das crianças relativamente à escola. Mais preocupante, é saber-se que os TPC sempre têm um impacto sobre os alunos, mas é um impacto negativo. Uma criança que está a iniciar a sua vida de estudante merece, no mínimo, ter a hipótese de desenvolver gosto pela aprendizagem. Em vez disso, os trabalhos de casa nesta idade, fazem com que muitas crianças percam o gosto pela escola, pelos TPC futuros e pela aprendizagem académica. Uma criança que entra para a primária tem pela frente 12 anos de trabalhos de casa à sua frente, por isso, espera-lhe um longo caminho que não queremos que seja percorrido com esforço e sem gosto.

Desgaste das relações parentais.

Em milhares de casas em todo o país, as famílias debatem-se com os TPC todas as noites. Os pais pressionam e persuadem. As crianças, cansadas, protestam e choram. Em vez de se criarem vínculos e conexões, de se apoiarem uns aos outros no final do dia, muitas famílias encontram-se encurraladas no ciclo “Já fizeste os TPC?“.

Quando as crianças têm trabalhos de casa desde o 1º ano, é difícil de perceberem os objetivos de forma independente e, por isso, precisam da ajuda de um adulto para os realizarem. As crianças acabam por criar hábitos de estudo que dependem sempre do apoio de um adulto.  Muitas vezes, os pais assumem o papel do polícia dos trabalhos de casa, o que é uma função chata e não desejada, e que frequentemente acaba por perdurar ao longo dos anos do ensino básico. Além do mais, quando os pais assumem este papel, um dos propósitos dos TPC fica automaticamente comprometido: a responsabilidade.

Os defensores do método, referem que os TPC aumentam o sentido de responsabilidade, reforçam a matéria dada nas aulas, e criam uma ligação casa-escola com os pais. No entanto, os pais podem envolver-se, se quiserem, consultando livremente os cadernos diários e conversando com os filhos sobre o que aprenderam na sala de aula.

A responsabilidade é uma aprendizagem contínua, e que pode ser adquirida de diversas formas. Os animais de estimação são óptimos para desenvolver esta competência. A responsabilidade faz com que uma criança de 6 anos traga a lancheira e o casaco diariamente para casa. A responsabilidade faz com que uma criança de 8 anos se vista sozinha e faça a própria cama.

Quanto ao reforço das matérias dadas, há outras formas de o fazer sem ser com TPC obrigatórios e excessivos.

As prioridades não académicas, nomeadamente as relações familiares, a brincadeira livre e as horas de sono, são vitais para o equilíbrio e bem estar da criança. Estes factores têm um impacto direto na memoria, concentração, comportamento e aprendizagem da criança. A matéria é ou pelo menos deve ser reforçada diariamente na escola.

O tempo depois das aulas é preciso e essencial para o descanso da criança. O que resulta melhor do que trabalhos de casa é a leitura. Até podem ser os pais a ler em voz alta para os filhos numa fase inicial, e depois criar hábitos de leitura. A chave, é garantir que esta se torne numa actividade prazerosa. Se, depois de um dia de escola, a criança não quiser praticar a leitura, deixe-a ouvir uma história.

Quaisquer outros projetos enviados para casa devem ser ocasionais e opcionais. Se estes projetos não promoverem o interesse em aprender e consequente gosto pela escola, então não têm lugar no dia a dia de uma criança do 1º ciclo.

Sem qualquer benefício académico, há definitivamente coisas melhores para fazer no tempo a seguir às aulas.

Artigo publicado em Saloon, trazido e adaptado por Up to Kids®

imagem@emaze.com

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Alunos do 1º ano já podem escrever e pintar nos manuais escolares gratuitos

Quem tem filhos no 1º ano, lembra-se da polémica declaração do Ministério da Educação quando avançou com a notícia de que os manuais escolares para o 1º ano do 1º ciclo distribuídos gratuitamente aos alunos. Posteriormente foi explicado minuciosamente todo o processo: os pais deveriam levantar os livros no início do ano, e assinar uma declaração comprovativa de que iriam devolver os referidos manuais (Português, Matemática e Estudo do Meio) em bom estado no final do ano letivo, para que fossem reutilizados pelas crianças do ano a seguir. Até aqui tudo bem. (Quer dizer, tudo mal, porque muitos pais já tinham assumido que receberiam os manuais de forma gratuita, ponto. Quando perceberam que teriam de devolver no final do ano, independentemente do plano  ser beneficiar outras crianças, reciclar, poupar dinheiro aos cofres do estado, ou salvar as baleias do planeta, os pais ficaram zangados. Mas isto dava para outro artigo!) Ora, então a questão é que os manuais deveriam ser devolvidos em bom estado. Mas quando percebi que os manuais continham exercícios para preencher, autocolantes para colar, figuras para destacar, questionei-me como iriam fazer esta gestão. Na secretaria da escola descansaram-me: “Mãe, ele faz no livro a lápis” – e assim tem sido.

Obviamente, que já me estava a ver no final do ano a entregar os manuais, e ser informada de que não estavam em condições para outra criança utilizar (e não estão. Estão preenchidos e com autocolantes colados). Nesse caso, o que aconteceria, é que eu teria de pagar os manuais na íntegra, e acabava por ficar com eles.

Hoje, o Público avançou com a notícia de que  “O Ministério autoriza alunos a escrever e pintar nos manuais gratuitos”. A questão agora é saber como poderão os livros ser reutilizados nestas condições, conforme intenção inicial do governo.

Segundo o Público “Pais e professores são unânimes na resposta: tal não vai ser possível. E não só com os manuais do 1.º ano, mas igualmente com todos os outros anos do 1.º ciclo que, segundo a proposta de Orçamento do Estado para 2017, serão gratuitos já no próximo ano lectivo.”

Conclui-se que apesar do pressuposto ser uma boa iniciativa, todo o processo deverá ser revisto nomeadamente a criação de manuais cujos exercícios se preenchem num caderno à parte!

 

 

 

 

Alguns aspetos a considerar sobre a Maturidade Escolar

Decidir se um filho já está pronto para ingressar no 1º ano ou se deve aguardar mais um ano para desenvolver certas capacidades/competências não é uma tarefa fácil.

Partindo do panorama geral:  na maioria dos países, a criança entra na escola por volta dos 5 e os 7 anos. No entanto, uma criança com 5 anos tem características substancialmente diferentes de uma de 6, tal como uma de 6 tem de uma de 7.  Há crianças com 5 anos que aparentemente estão “aptas” para ingressar no 1º ano, mas muitos são os casos em que os pais acabam por perceber que seria benéfico ter esperado mais um ano. A pressão escolar é muito grande e o tempo para brincar e até para dormir é mais reduzido.

Panorama geral

Em alguns países, como por exemplo na América ou nos países nórdicos como a Finlândia ou Suécia, há cada vez mais pais com filhos de 5 anos que optam por aguardar mais um ano, pois a criança de 5 será das mais novas na turma, o que traz as suas consequências negativas, enquanto que entrando com 6 ou até 7 anos faz com que esteja em pé de igualdade e seja respeitada pelas outras crianças e reconhecida pela professora, como sendo mais velha e tendo outra responsabilidade.

Tipicamente, a maturidade escolar significa que durante a pré-escola a criança já atingiu um nível de desenvolvimento que permite a sua adaptação aos desafios da escolarização formal – que é capaz de aprender. E há aspetos sociais e emocionais do desenvolvimento da criança que constituem elementos importantes de sua maturidade  escolar, assim como da sua aprendizagem e do grau de sucesso no futuro.

Nas escolas convencionais, apesar de não existir concretamente uma lista de sinais de maturidade escolar, há vários aspetos que são considerados de maneira a avaliar a maturidade da criança para a entrada na etapa escolar.

Entre os quais:

  • conhece as figuras geométricas básicas?
  • conhece as letras do abecedário?
  • é capaz de escrever com lápis?
  • sabe escrever o nome?
  • até quanto consegue contar?
  • já sabe ler?

Assim, vale muito a pena observar com dedicação/atenção a criança que ponderamos se é a altura certa de a levar para a escola.

Existem mais aspetos que nos podem ajudar a perceber se chegou a hora da criança ingressar no 1º ano:

1. A mudança da silhueta

  • os braços e as pernas estão alongados, cada vez menos arredondados
  • a barriguinha, outrora redonda, retrai-se
  • a cintura fica mais definida (evidenciada entre tórax e abdómen)
  • o ângulo das costelas sobre o estômago é agudo
  • a silhueta começa a ganhar as proporções de um adulto

2. Troca dos dentes

  • Aparece o primeiro molar permanente ou ocorre a troca de um dos incisivos

3. Pensamento abstrato

  • ânsia de aprender
  • voluntariamente consegue dirigir as lembranças, sem que estas sejam fruto de imitação ou de hábito/ritmo (por exemplo, pode recontar uma história que dias antes foi narrada no jardim-de-infância)

4. Maturidade social

  • capacidade de integração numa turma/grupo (com a ajuda da educadora, é capaz de aprender a harmonizar os seus interesses com os dos demais)
  • consegue sossegar as pernas e os braços voluntariamente para ouvir, sem ser por mera imitação do adulto.

A maturidade social, porém, é gradualmente conquistada na transição para o 2º ano escolar.

 

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Trabalhos para casa no 1º Ciclo

Hoje é quarta-feira, dia de ir à psicóloga. Para mim é mais um dia em que chego a casa às 20h, mais um dia em que tenho quatro páginas de trabalhos de casa para fazer, sem saber se os vou conseguir fazer e com medo de levar mais um recado na caderneta. Sinto-me triste e irritado porque até me esforço para tirar boas notas, mas cada vez que chego a casa estou tão cansado que já nem consigo pensar direito. Muitas vezes não percebo o exercício e acabo por pedir ajuda à minha mãe, que depois de olhar e ficar a pensar sobre o que lá está escrito, responde que não me consegue ajudar porque não percebe como se ensina a matemática de hoje em dia. Nesta altura, penso: “como faço isto?”. Já frustrado por não perceber, passam-me duas coisas pela cabeça: invento uns números para fingir que fiz as contas ou deixo os exercícios em branco. Acabo por escolher a primeira opção.

Hoje estou então, nervoso e com medo de não conseguir fazer os trabalhos todos, mas principalmente de não os conseguir fazer bem. Quando dou por mim tinha acabado de contar tudo isto à minha psicóloga, à frente dos meus pais que ficaram espantados a olhar para mim.

A minha psicóloga esteve a contar as horas que passo na escola e chegou à conclusão que passo cerca de nove horas por dia na escola. Cinco dias por semana dá um total de quarenta e cinco horas por semana. Ela disse que até compreendia que fosse importante e necessário fazer os trabalhos de casa, que servem para consolidar os conteúdos dados na aula, para desenvolver a memória de trabalho (ou lá o que isso quer dizer), esclarecer dúvidas e trabalhar a autonomia. Depois, ela disse aos meus pais que ia falar com a minha professora e colocar-lhe algumas questões importantes (vou tentar escrever tal e qual como a minha psicóloga disse):

  • “Como é que às 20h da noite uma criança consegue ter disponibilidade mental, disposição ou capacidades (e.g. raciocínio, memória, atenção/concentração) para consolidar algum conhecimento dado na aula? “
  • “A realidade é que os trabalhos para casa que a maioria dos professores manda, são as fichas do livro que as crianças estiveram a fazer todo o dia na sala de aula. Não podem as crianças fazer essas fichas no dia seguinte?”
  • “Os professores não podiam apenas escolher um dia por semana para mandar umas atividades relacionadas com a matéria dada, e depois no fim-de-semana enviavam então as ditas “fichas” ?”
  • ”É um facto que a maioria dos pais não consegue ajudar os filhos com os trabalhos de casa, ou porque não têm tempo e estão cansados, ou já não se lembram, ou porque a maneira de ensinar e até os conteúdos das disciplinas de português e matemática são diferentes da forma como eles aprenderam. Vão os pais constantemente à escola pedir explicações da matéria à professora para depois poderem ajudar os filhos em casa?”
  • Ela ainda disse que ia colocar um desafio aos professores da minha escola: “Fica a questão de saber, se os professores estão dispostos a cumprir os desafios que esta nova realidade (carga horária) impõe para alcançar o sucesso escolar dos alunos. Se conseguem transformar as horas em que os alunos estão na escola, em horas de verdadeira aprendizagem e motivação, de forma a que não seja necessário tanto trabalho extra de segunda a sexta-feira. Pelo menos, só enquanto as crianças ainda estão no primeiro ciclo e só têm entre a seis a nove anos de idade.”

No fim, perguntou o que eu achava.

Fiquei de boca aberta com tantas horas que passava na escola, nem fazia ideia…com tantas perguntas que ela ia dizendo aos meus pais, até me baralhei. Fiquei um pouco confuso, mas lembro-me de lhe ter perguntado se podia acrescentar mais uma pergunta.

A minha pergunta é simples: Nesta vida de adulto, quando tenho tempo para ser criança?”

Esta semana é de testes e, apesar de serem só três… não deixo de ficar nervosa.
Isto acontece porque sou uma mãe neurótica?
Isto acontece porque quero que a minha filha tenha boas notas?
Não.
Nada disso.
Acontece porque me deixo ser vítima do sistema.
Porque sei que a minha filha, apesar de ainda estar no primeiro ano, e só agora ter começado a sua vida escolar já é avaliada com percentagens para aqui e para ali, e para tudo e mais alguma coisa.
Porque recebo um papel descritivo com o que têm de estudar para cada teste.
Aquando do teste do quarto ano ouvi na rádio que os pais é que ficam nervosos e passam os nervos aos filhos. Os nervos dos testes são passados pelos pais?
A pergunta é: e o sistema e os professores (muitos contrariados) não passam esses nervos aos pais?
Sabemos que os miúdos têm de mostrar se estão a aprender ou não. Mas também sabemos, agora, que já somos adultos e carregamos o peso da responsabilidade de ter um trabalho e pagar contas, o stress que implica ter que corresponder e cumprir metas, sem falhas.

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Em que altura é que é certo imputar isto aos miúdos?
Sinceramente custa-me que aos 6, 7, 8 anos façam isto aos miúdos.
Têm uma vida pela frente de responsabilidades e desafios. Não precisam de tão cedo sentirem a pressão da análise da sociedade em tudo o que sabem ou não.
Acho que os miúdos têm de ser ensinados e têm de existir testes como sempre existiram.
Sei bem que há 60 anos existia o teste de admissão e agora há o do quarto ano.
Não me lembro é que a escola tivesse sido para mim uma pressão de testes. Lembro-me bem de na primeira classe até os fazer sem aviso.
Congratulo os professores que, no meio deste sistema exigente, conseguem fazer com que os miúdos gostem da escola e de estudar. Não é tarefa fácil.
Aprender tem de ser um processo natural e sem pressão, porque só assim se assimilam conhecimentos com facilidade.
A discussão já andou acesa no início do ano letivo, mas uma vez mais o tempo baixou a temperatura das brasas.
Resta saber até quando vamos continuar a insistir numa educação pela exigência e não pelo criar o gosto de aprender e saber cada vez mais.

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O seu filho vai entrar para o 1º ciclo? Quando pensa nisso, como é que se sente? Fica com um brilho nos olhos, sente um aperto no estômago ou dá-lhe um friozinho na barriga?
 
Esta etapa na vida de uma família, costuma trazer consigo entusiasmo, expectativas e sobretudo, muitos receios. Todas as etapas de transição implicam, por natureza, expectativas, dúvidas, medos e às vezes até alguma angústia. Todos os elementos implicados no processo sabem que têm um papel a assumir e querem cumpri-lo melhor que ninguém. No entanto, todos se debatem com as suas próprias dúvidas e inseguranças e é isso que torna estes “grandes” momentos tão ambivalentes.
Não pretendo alongar-me acerca do que vai mudar da realidade do pré-escolar para o 1º ciclo. Até porque na realidade esse será um factor de menor importância em todo o processo. Ainda assim, importa referir que existem efectivamente diferenças relevantes como a forma como o seu filho vai passar a viver o espaço (agora e cada vez mais, centrado numa mesa, num quadro, em folhas/ cadernos) e adquirir novos hábitos de trabalho e novas regras. Passarão a existir sobre a criança expectativas de um certo “bom” comportamento e de aprendizagem e é aí que, subtilmente (ou nem por isso), se introduz o conceito de sucesso (e insucesso) escolar. Os critérios de avaliação do percurso do seu filho deixam de se centrar no domínio sócio-afectivo (linguagem, capacidade de estabelecer boas relações com os pares e com o adulto, persistência, autonomia, etc.) e passam a centrar-se em critérios académicos (produção escolar e atitude face ao trabalho e às regras). Mas, como dizia, mais importante do que estes aspectos, hoje sabe-se que o sucesso ou insucesso escolar corresponde (muito) frequentemente a uma adaptação escolar bem, ou menos bem, sucedida. Ou seja, sucesso escolar é na realidade sucesso no processo de adaptação escolar e, o contrário, é igualmente válido.
Como é que os pais podem ajudar?
Antes de mais, é fundamental que toda a família reconheça e compreenda que medos, dúvidas e insegurança não são vividas exclusivamente pela criança, antes pelo contrário. Também os pais transportam para o processo as suas próprias vivências, medos e inseguranças. Por isso mesmo, este talvez seja um momento interessante para que os pais se recordem de como foi vivida a sua própria escolaridade em todas as suas etapas. A tendência será para projectar muito do que é nosso nos nossos filhos. É importante compreender que este é um novo caminho que se inicia. Pensar se o seu filho vai fazer amigos com facilidade, gostar do professor, ter dificuldades com esta ou outra disciplina, é viver hoje o que ainda não existe. E quando vivemos no que poderá, eventualmente, estar para vir, temos menos disponibilidade para viver o que hoje está a acontecer.
Depois, é necessário ter em linha de conta que também os seus próprios receios e inseguranças como pais poderão interferir. Isto porque deixar crescer os nossos filhos não é um processo necessariamente pacífico e livre de conflitos internos. A entrada de um filho para a escola é mais um confronto com o facto de que a vida dele não nos pertence, e que a nossa função é apenas a de o preparar para que um dia possa seguir o seu caminho (de preferência, com a qualificação máxima de doutoramento em amor).
Posto isto, a verdade é que se estivermos alerta para as nossas próprias emoções, então estão criadas as condições para separarmos as águas e evitar que as mesmas interfiram no processo de adaptação do nosso filho, que deve ser livre e vivido apenas à sua imagem.
Ficam algumas dicas…
  1. Sinta que é fundamental que o seu filho aprenda a crescer. E para aprender a crescer, é importante que viva conflitos e aprenda a ultrapassar os seus desafios. Proteger demasiado o seu filho de frustrações e dificuldades pode torná-lo mais frágil e vulnerável. Vai entrar para a escola? Que desafio maravilho que aí vem!
  2. Incentive e fale sobre a entrada para a escola, mas evite longas e insistentes explicações que poderão gerar desconfiança e ansiedade;
  3. Evite mensagens contraditórias como dar recompensas ao seu filho por ter ido à escola. Se ir para a escola é bom e normal, então porque é que tem que ser (re)compensada? Estas prendas revelam muitas vezes a culpabilidade dos pais e a sua ambivalência;
  4. Seja carinhoso mas firme mostrando que não tem dúvidas de que o seu filho vai ficar bem;
  5. Organize a rotina de forma a garantir alguma tranquilidade (nada pior do que chegar à escola depois de uma manhã de correrias e zangas por causa de atrasos);
  6. Para uma boa adaptação é imprescindível que a criança esteja estável física e emocionalmente (se existirem conflitos latentes ou abertos em casa, a criança tenderá a transportar essa desarmonia para a escola);
  7. Converse com o seu filho sobre o seu dia-a-dia. A melhor estratégias será falar do seu próprio dia de forma emocional (e não apenas sob a forma de relato). Assim estará a ensinar-lhe a fazer o mesmo (por exemplo “hoje fiquei triste com X” ou “aconteceu Y que me deixou muito feliz e orgulhosa”);
  8. Dê sempre, prioridade à pessoa que o seu filho é e não aos resultados que obtém. Se se esforçou muito e os resultados não foram os desejados, então o mais importante no processo foi de facto o esforço. Os resultados podem ser bons hoje e maus amanhã. Continuar a esforçar-se e aprender a corrigir o que não correu bem é a única forma de chegar onde pretende.
  9. O seu filho entrou para a escola mas continua a ser uma criança, precisa acima de tudo de brincar muito e sentir-se profundamente amado, sempre;
  10. Saiba que o conceito de sucesso escolar está sobrevalorizado. Não existe uma relação directa entre sucesso escolar e sucesso na vida (principalmente se considerarmos que ter sucesso na vida é ser feliz);
  11. Mantenha-se focado no que é verdadeiramente importante. O seu amor e atenção serão os dois factores mais estruturantes ao longo de todo e qualquer processo de adaptação pelo qual o seu filho possa passar. Mais do que isso, são os elementos mais protectores da vida dele.
Agora chegou o momento para perguntar: Sente-se preparado/a para que seu filho entre no 1º ciclo?
imagem capa@moreto.net

Como mãe tenho seguido atentamente o percurso escolar da minha filha, e foi com alguma surpresa que me apercebi do extenso programa curricular do 2º Ano e suas metas curriculares completamente desadequadas ao interesse das crianças.

No meu ponto de vista estas metas curriculares, que foram aprovadas no despacho n.º 5306/2012, de 18 de abril de 2012, são uma atrocidade cometida contra os direitos das nossas crianças. Verifico que o conteúdo programático ao invés de estar a ser lecionado a um ritmo adequado aos alunos, esta a ser “debitado a alta velocidade” para que se atinjam os objetivos programáticos, e sem qualquer preocupação para com a apreensão e consolidação dos conhecimentos que devem ser adquiridos.

Estamos a falar de crianças com idades entre os 6 e os 10 anos, e não de máquinas. Crianças que cumprem além de um horário escolar extenso, que trazem para casa trabalhos escolares extra, que lhe ocupam o resto do serão e o tempo lúdico em família, nas atividades extra-escola ou de lazer, que lhes dão prazer e também são importantes para o seu desenvolvimento físico, social e cognitivo fica comprometido.

As crianças de hoje serão os jovens do futuro, futuro esse que vejo seriamente comprometido, futuro esse onde a frustração irá reinar, porque a não obtenção de resultados irá comprometer jovens que terão um futuro escolar promissor completamente arruinado. Eu não quero a minha filha nesse leque de jovens; quero que a minha filha tenha gosto em aprender, em descobrir o mundo e que a sociedade a veja como um ser pensante, que se questiona, que levanta questões e não uma máquina de aquisição de dados para fins estatísticos, de ranking de escolas, por exemplo.

É no ensino do 1º ciclo que as nossas crianças vão adquirir as ferramentas necessárias, à vontade de estudar, de ir à escola e conseguir os melhores resultados, e com estas metas está-se a minar toda essa aprendizagem.

Acho que deveria ser do conhecimento de toda a população que este programas foram proposto por um grupo de professores Universitários, secundário, não havendo um único professor de ensino básico do 1º ciclo, esses sim com conhecimento teórico e prático da realidades das nossas crianças, para poderem realizar um programa adequado e funcional.
Por todos estes motivos e porque acho que vale a pena lutar pela Educação das nossas crianças, eu acho que estas metas têm que ser alteradas.
Sou a proponente de uma petição pública com esse sentido, se pensam do mesmo modo, assinem, e partilhem com o máximo de pessoas, vamos quebrar o silêncio, vamos dar voz às nossas crianças.

Assine aqui a Petição Pública para Alteração das metas curriculares do 1.º ciclo

Consulte Programa Matemática Básico | Metas Curriculares 14 Ago’13

Por Vânia Azinheira, sigam a evolução na página Alteração das Metas Curriculares do 1º Ciclo

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Entrada para o 1º Ciclo | Retenções no pré-escolar

O sucesso nos primeiros anos de escola prediz o sucesso escolar a longo prazo
 Rimm-Kaufman & Pianta, 2000

A entrada de um filho para o 1º ciclo é um momento muito importante na vida da criança e dos pais.

Os pais encaram esta mudança como uma transição do lúdico para o trabalho. “Agora é a sério”– Transmitem como se o período pré-escolar não fosse essencial para o amadurecimento da criança e o desenvolvimento das competências necessárias para prepará-los para este momento.

A criança passa agora a ser um aluno.

Cada vez mais, o bom desempenho escolar dos filhos faz parte das objetivos dos pais. Muito pais, acabam por elevar as expectativas e privilegiar o aluno em detrimento da criança. Se a criança é um bom aluno, muito bem. Se não é, está o caldo entornado. É-lhe exigido mais e melhor. É criada muita tensão à volta dos resultados escolares. Muitas vezes são-lhe atribuídas horas extras de trabalhos e actividades que não deixam tempo para descansar, muito menos para brincar. Todas estas sobrecargas físicas e emocionais podem levar a uma consequente diminuição do desempenho do aluno, e o aumento de uma baixa autoestima derivada do sentimento de falhanço perante os pais.

É essencial que os pais ajustem as suas expectativas em relação à escola, e que dêem tempo para que os filhos progridam. Não se esqueça, que as crianças absorvem todos os sentimentos e atitudes dos pais. Se os pais se apresentam stressados e ansiosos com a entrada no primeiro ano, também para elas esta transição será tensa, e com uma adaptação difícil, vindo a piorar a obtenção de bons resultados.

Crianças Condicionais

Em Portugal, “A matrícula no 1.º ano do 1.º ciclo do ensino básico é obrigatória para as crianças que completem 6 anos de idade até 15 de setembro. As crianças que completem os 6 anos de idade entre 16 de setembro e 31 de dezembro podem ingressar no 1.º ciclo do ensino básico se tal for requerido pelo encarregado de educação, dependendo a sua aceitação definitiva da existência de vaga nas turmas já constituídas (..)”[Despacho n.º 5048-B/2013]

Há umas décadas atrás, os pais de crianças de matricula condicional, ou seja, que completam os 6 anos entre 16 setembro e 31 dezembro, preocupavam-se em que os filhos não perdessem um ano letivo, apenas por terem nascido uns meses mais tarde do que as restantes crianças do mesmo ano civil.

Se não houvesse vaga no agrupamento de escolas da área de residência, dava-se a morado dos avós, dos tios ou outra pessoa qualquer. Escreviam-se cartas ao Ministro da Educação. Reuniam-se condições para inscrevê-los num colégio particular, mesmo quando o orçamento familiar não o permitia.

Porque nessa época havia uma certeza: perder um ano era atrasar os estudos.

Nessa altura, ainda não tinha sido criada qualquer relação entre o fraco desempenho escolar e a entrada precoce na escola.

Nos anos 80, Steve Biddulph, desenvolve uma teoria em que defende que atrasar estas crianças um ano para que iniciem a sua vida de estudante apenas após os 6 anos concluídos, será a opção mais benéfica para o aluno. Sugere que as crianças mais novas se sentem inseguras, ansiosas e inadaptadas. Que retê-las por um ano, proporcionando-lhes mais um ano de brincadeira, é uma boa forma de lhes dar uma vantagem em relação aos mais velhos. Que os pais, ficam menos tensos em relação a resultados, pois estão a apostar numa criança mais confiante mais autónoma e mais madura.

Muitas vezes, a diferença de idades entre crianças que frequentam a mesma turma é de quase um ano.

Steve Biddulph defende que os alunos mais novos não estão fisicamente, emocionalmente ou linguisticamente preparados. Muitas vezes não são suficientemente autónomos ou não têm maturidade para passar a esta fase. Refere ainda o facto de não terem as motricidades finas e motora desenvolvidas como os mais velhos, vindo apresentar-se como uma dificuldade acrescida no aprender a escrever, por exemplo.

Tais factos, vão reflectir-se na sua (não) progressão ao longo do ano letivo. Um desempenho escolar esforçado, sobrecarregado e com resultados medianos pode desenvolver outras características negativas na criança: a baixa auto-estima, falta de confiança, desinteresse escolar, isolamento etc.

Mas decisão de não colocar os nossos filhos na escola, e optar por retê-los, numa espécie de chumbo no último ano do pré-escolar,  nem sempre é fácil…

No entanto, é importante notar que, apesar da crescente popularidade dessa teoria, as opiniões não são unânimes no que refere benefícios a curto e a longo prazo da aplicação desta medida.
Reter uma criança, oferecendo-lhe tempo para amadurecer, também pode ter impactos significativos a longo prazo. Especialmente no que refere ao desenvolvimento emocional e autoestima da mesma.

Nos estudos que têm vindo a ser realizados, conclui-se:

  • O atraso no ingresso parece não ter quaisquer vantagens; pelo contrário, as crianças retidas apresentam autoconceitos diminuídos e atitudes negativas perante a escola . Revela-se ser uma metodologia ineficaz, e não se veio a verificar quaisquer diferenças nas competências académicas destas crianças após a retenção, para além de que contribuiu para a estigmatização social das crianças com dificuldades. (Carlton & Winsler)
  • Em vez de fornecer um impulso para o desenvolvimento do capital humano das crianças, esta teoria simplesmente adia a aprendizagem. A longo prazo não se verificam vantagens nesta opção, sendo que, o ano perdido já não se recupera. (Elder & Lubotsky )

Cada criança é uma criança

Todas as opções que tomamos relativamente aos nossos filhos têm sempre prós e contras. Numa situação como o desenvolvimento físico ou intelecto, não podemos pautar duas crianças diferentes por padrões como a idade.

Cada criança é única. Os pais devem tomar a sua decisão relativamente ao facto do filho estar ou não pronto para ingressar o 1º ano, tendo em conta as características da criança. Enquanto que para uma criança pode ser benéfico atrasar um ano, para outras pode ser prejudicial, por isso, deve tomar esta decisão de acordo com o perfil do seu filho. Não existe uma regra. Há de facto competências que se estiverem mais desenvolvidas podem ajudar a realizar esta transição de forma tranquila. Mas também há crianças que chegando aos 6 anos (quase 7anos)  ainda não têm estas mesmas competências desenvolvidas.

Idade cronológica e idade emocional

Também é importante lembrar que a idade cronológica nem sempre equivale a maturidade emocional ou mental, e que o tempo não é o único factor de desenvolvimento do seu filho. Na verdade, se há alguém que pode ajudar no desenvolvimento dos nossos filhos, somos nós, pais.

Se até à idade de ir para a escola os ensinarmos a brincar, se os estimularmos, se lhes lermos histórias, se fizermos atividades plásticas e atividades ao ar livre, eles desenvolverão muito mais a maturidade do que em qualquer ano extra na escola.

Sabemos que cada vez temos menos tempo para estar com os nossos filhos. Por isso temos de transformar este crescimento em momentos de qualidade realizando actividades divertidas, e que os ajude a crescer.  Partilhar do crescimento deles, e ter noção real das suas características e capacidades, é essencial para os ajudar na transição para o 1º ano.
Lembre-se, essa transição deverá ser um grande momento para os nossos filhos. Não um momento de stress e tensão para toda a família.

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Quem não se lembra do seu primeiro dia de aulas no 1º ciclo? Ou quem não se lembra de levar o seu filho ao primeiro dia de aulas da “escolinha primária”? Não há dúvida, que a entrada no 1º ano é um marco importante tanto para a criança como para a família, deixando para ambos recordações para a vida.

Com a entrada no 1º ciclo muita coisa muda – horários que devem ser respeitados, pontualidade e assiduidade que assumem (ou pelo menos deviam assumir) um papel mais rigoroso e postura na sala de aula mais exigente com períodos de atenção mais longos.

Enfim, uma grande mudança!

É importante que em família se faça uma preparação inicial, no entanto não há necessidade de ser exagerada.

Não há necessidade de tornar este processo natural, num complicado e problemático. A maioria das crianças já se empolgam por si só com a entrada para a escola dos mais crescidos, ou seja, para além de saberem que vão fazer novas descobertas e novas aprendizagens, entusiasmam-se bastante com o facto de se poderem igualar ao irmão ou ao amigo mais velho. Basta então, aproveitar este entusiasmo e mostrar à criança todas as mais valias que terá à sua espera com a entrada para o 1º ano – amiguinhos(as) novos(as), professores que a ajudarão em tudo o que precisar, novas aprendizagens nas mais diversas áreas (português, matemática, ciências…), entre outros.

A única alteração que merece um pouco mais da nossa atenção, e que por isso também deixámos para o fim, tem a ver com o quotidiano da família, principalmente no que respeita aos “horários”. Há que dar especial atenção aos horários do deitar e do levantar, das refeições e, principalmente a partir desta nova etapa, aos do estudo.

É fundamental ajudar a criança, logo desde o 1º ano de escolaridade, a criar hábitos e métodos de estudo – 30/45min diários após a escola para fazer os chamados t.p.c’s ou, por exemplo, para contar ao pai/mãe o que aprendeu de novo naquele dia.

Márcia Fidalgo, Professora de 1º Ciclo e de Educação Especial

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