Tira as fotografias mais giras no regresso às aulas em 3 passos:

  1. Clica na Imagem para aumentar;
  2. Clica no botão direito do rato e guarda a imagem;
  3. Imprime e cola num cartão!Agora é só tirar as fotos mais giras. Em casa, antes de ir para o colégio, ou à porta da escola! Não se esqueçam de partilhas as fotos connosco! Divirtam-se

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Setembro sem medos: O regresso às aulas

Socorro!

É só o que tenho vontade de dizer agora que chega Setembro. Normalmente já estou a dar pulos de alegria quando se aproxima vagarosamente. Agosto para mim é terrível. Colégio fechado, sem férias o mês inteiro, a busca incessante de tempos livres e ocupações semanais, a incerteza e o coração partido ao deixá-las em sítios diferentes, com pessoas diferentes durante um mês que parece não ter fim. O cansaço acumula e por isso Setembro é desejado com fervor, como o mês em que volta a rotina, os horários certos, a sesta da tarde e os almoços na escola. “Fim das lancheiras á vista! Viva o Colégio!“ São frases palpitantes no meu coração ansioso.

Mas este ano, Setembro adquire uma nova e preocupante dimensão. A mudança de escola assusta-me, será que estão preparadas? O que vão sentir quando não virem as caras conhecidas e de sempre para as receber? E os Amigos? O Didi? A Babá e a Cacá?

A decisão foi equacionada ao máximo e medida ao pormenor, mas por muito que repita para mim mesma que vai correr tudo bem, que as crianças tem capacidade sociais superiores às nossas, fico inquieta e sem certezas de ter optado corretamente.

Na verdade como é que sabemos? Como é que podemos ter a certeza se estamos a agir corretamente? “Eu penso, eu sinto, eu acho” Eu … Eu … Eu que sou tão diferente da minha filha, que embora pequena tem uma personalidade tão distinta da minha, embora pequena sente de maneira tão diferente e encara o mundo com olhos que não são os meus.

E o pequeno mundo dela está prestes a mudar. E fui eu que decidi que estava na hora de mudar. E para mim muda tudo o resto: novas rotinas, horários, vou ser recebida por pessoas diferentes, vou levar uma eternidade para saber de cor o nome de todos aqueles que vão partilhar comigo a tarefa de educar as minhas filhas.

Quando procurei uma escola nova tentei encontrar, em cada uma que visitava, um elemento diferenciador. Á partida excluí todas as que conhecia como “Escolas Ranking”, queria uma escola que abraçasse a diferença, que se preocupasse mais com a individualidade da criança e menos com resultados quantitativos. Chorei lágrimas de desespero quando percebi que são muito poucas.

Chegava a uma entrevista e perguntava: ”As crianças têm trabalhos de casa quantas vezes por semana?”, Do outro lado, quase sempre, uma expressão incrédula quando referia que não queria que as minhas filhas tivessem trabalhos de casa. Que em casa quero que brinquem, que desarrumem, quero que tenham tempo para ir ao parque ou andar de bicicleta. Quero que esqueçam a escola quando não estão lá. Quero que sejam crianças porque não há forma melhor de aprenderem a vida.

Pudesse eu voltar o tempo atrás e teria demorado mais tempo a crescer, teria batido o pé a cada vez que me diziam para ser crescida.

Mas Setembro está à porta, é tempo de cartolinas sem fim, lápis de cor, canetas e mochilas, preparar a farda nova, ensaiar o caminho da escola para casa e do trabalho para a escola. Organizar horários de atividades, reuniões de pais e convívios familiares.

É tempo de ser crescida e encarar Setembro de frente. Sem Medos.

imagem@Tuchique

Férias escolares – descanso total vs TPC de férias

Quando se aproxima o mês de Junho, pais e filhos começam a sentir as mochilas a cair das costas e, com isso, o alívio da carga de testes, trabalhos e aulas. Aproxima-se a passos largos o fim de um longo ano lectivo. Crianças e adolescentes trabalham tantas ou mais horas do que adultos e as férias traduzem-se num merecido descanso. E é merecido por todos os meses antecedentes de luta, mas também porque é reparador de energias para o ano seguinte.

Acontece que, cada vez mais, as escolas, sempre focadas no desenvolvimento cognitivo, no alcance das metas (ou, idealmente, na superação dessas metas), contaminam o ambiente leve e descontraído que as férias devem ter, com mais Trabalhos Para Casa, neste caso os TPC de férias.

Entrámos num ritmo frenético de estudo, de conhecimento, de atividades, de saber-fazer e superação de capacidades, que tudo se quer antes do tempo. Antigamente, as aulas começavam em Outubro. Agora é em Setembro. O ano lectivo inicia-se em meados de Setembro, nalguns colégios privados começam logo no início. Aprendia-se a ler a partir dos 6 anos. Agora, muitas das vezes, é aos 5. Desenhava-se a figura humana a partir da representação mental que cada um desenvolvia dentro de si. Atualmente, as crianças são ensinadas a desenhar, passo a passo, cada detalhe e… sem esquecer de desenhar sempre um sorriso nos lábios (como se a felicidade fosse mais um membro do corpo e não um estado de espírito flutuante). E, com tantos objetivos a cumprir, não há tempo para relaxar! Há que trabalhar!

Dizem os defensores dos TPC, que as metas curriculares são muito exigentes e que, se não houver estudo durante as férias, “os miúdos” esquecem. Argumentam os opositores que, se as férias não servirem para esquecer a tensão do ano letivo e pôr em prática a socialização, com brincadeiras individuais e conjuntas, e entretenimento diferenciado (do que é possível fazer durante o ano), não se repõem energias suficientes para abarcar o novo ano, as novas responsabilidades e tarefas. Inicia-se o ano já com algum desgaste e, não raras vezes, já em desânimo. Logo, faz-se um crescimento em desequilíbrio emocional e deficiente em interação e conhecimento do mundo envolvente.

A semana que antecede o início das aulas poderá servir para rever alguns conceitos base. Agora, fazer das férias uma rotina diária que, como dizem os professores amigos dos TPC, “são só 30 minutos a 1 hora por dia”, é ensinar os miúdos a “não desligar da ficha”. E esta é a postura que se condena, durante o ano letivo, quando algumas crianças se revelam mais agitadas. E critica-se também, na idade adulta, quando observamos aqueles a quem chamamos workaholic ou, simplesmente, “fuga para a frente” (pessoas que não conseguem parar e se envolvem em actividades constantes).

À laia de sugestão, quando a escola sugere o livro de fichas a comprar, para que o trabalho seja entregue no início do ano letivo (e, enquanto Encarregado de Educação, concorda ou está num registo de “se não podes com eles, junta-te a eles”):

  1. Defina um número de páginas a fazer por dia
  2. Evite deixar para os últimos dias para que não haja um grande volume de trabalho acumulado
  3. Reserve uns dias que sejam de puramente de férias, idealmente um mês completo

Para os pais que discordam destes trabalhos e estão dispostos a remar contra a maré:

  1. Aceite a sugestão do livro escolhido pela escola
  2. Desse livro, escolha os exercícios que sabe poderem suscitar mais dúvidas, e peça que sejam feitos, em dias definidos, na semana que antecede o início do ano letivo. Servirá para treinar as matérias essenciais e recordar conceitos chave.
  3. Explique, ao seu filho, que discorda de completarem o livro de trabalho durante as férias, para que tivesse a possibilidade de descansar mas que, o ano está a iniciar e a decisão sobre os trabalhos a executar regressa ao poder da professora / escola.

imagem@forbes

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Vai visitar uma escola?

9 perguntas indispensáveis para fazer ao director

Embora a maior parte dos pais já tenham escolhido a escola onde irão colocar os seus filhos no próximo ano letivo, há também muitas escolas que já estão a para marcar visitas para o ano a seguir, aproveitando assim a interrupção letivas do verão.

Se ainda não tem uma opção definida para os seus filhos e vai visitar uma escola brevemente, este artigo é para si!

Escolher uma nova escola pode ser uma saga . Agora que domina a ciência complexa que está na origem desta decisão, queremos mesmo que faça boa figura no primeiro contacto com as escolas que seleccionou para o seu filho. São nove perguntas essenciais que o vão tornar um especialista na matéria aos olhos do director, e nove respostas que vão pesar na balança.

Ficam as nove perguntas indispensáveis a fazer ao diretor quando vai visitar uma escola:

1. O que distingue esta escola das outras?

Porque a resposta a esta pergunta pode ser vital na sua decisão, o director deve conseguir estruturá-la com a clareza e energia de um apaixonado. Uma escola segue o caminho que a direcção marcar.

2. Como asseguram a comunicação escola-família?

Este é dos aspectos interessantes de avaliar se pretende saber qual a abertura da escola à família. Há um sem número de ferramentas tecnológicas que permitem que os pais acedam com facilidade a tudo o que acontece na escola: visitas, actividades, projectos, avaliações, assiduidade. Não usufruir deste recurso é uma limitação séria a ter em conta.

3. Existe um programa de acolhimento para os novos alunos?

A integração numa nova escola pode ser problemática especialmente se não for planeada do lado de lá. No caso das crianças mais novas, deve existir uma forte articulação com a família. No das mais velhas, o envolvimento do director de turma e do representante dos alunos é essencial.

4. Qual o nível de rotatividade do corpo docente?

A estabilidade é fundamental para a qualidade do ensino. Uma instituição em que os professores estão constantemente a mudar de rosto talvez não os valorize tanto quanto deveria. Se o rendimento dos professores é afectado o do seu filho também, acredite.

5. Os colaboradores fazem formação contínua?

Uma escola lida com uma multiplicidade grande de serviços: alimentação, ensino, transporte, higienização dos espaços. É importante que cada área possa usufruir de um plano de formação planeado de acordo com as necessidades, e que contribua para a melhoria contínua das práticas.

6. A escola pratica inquéritos de satisfação com regularidade?

A opinião dos mais directamente afectados pelo serviço educativo não deve ser menosprezada. Por norma as crianças, os pais e os colaboradores reconhecem com bom rigor quais os pontos fortes e as práticas a melhorar numa escola. Este procedimento é também um bom caminho para fomentar hábitos de cidadania e para democratizar a gestão.

7. Em média quantos vigilantes existem por grupo?

O tamanho dos grupos e o ratio adulto-criança são elementos chave na manutenção da segurança física e emocional das crianças. Questione a direcção acerca dos recursos humanos que a escola disponibiliza para o nível de ensino que procura, e para os diferentes momentos da rotina: aulas, refeições e pausas.

8. Quantas vezes os alunos podem sair para o exterior?

Ter tempo e o espaço coberto que permita respirar ar puro ou esticar as pernas mesmo no Inverno, é muito importante para ter bom desempenho. Uma criança precisa de movimentar-se mais que um adulto e essa necessidade deve ser respeitada. Para além disso, as salas de actividade precisam de arejamento frequente durante estes intervalos para que sejam evitados os habituais contágios.

9. Que áreas são contempladas pela avaliação dos alunos?

Se é exigido aos estudantes que adoptem uma determinada linha de conduta ao nível do comportamento, da cidadania, dos valores e dos hábitos, não incluir esses elementos na avaliação é boicotar a sua importância na formação global do aluno. Que incentivo terão os mais novos em envolver-se em projectos sociais relevantes, se eles tiverem um efeito nulo nos resultados?

Era a intuição de Santo Agostinho de que as palavras são ‘etiquetas’ que servem para nomear e representar coisas no mundo por via da linguagem. As ideias de Santo Agostinho estão longe de se aproximar das noções mais contemporâneas sobre a linguagem, mas inauguram uma discussão muito interessante sobre o estatuto da ‘palavra’. Uma das concepções que julgo ser extremamente interessante, no seio da psicologia e da filosofia, é de que não existem depressões em tribos ou culturas onde não existe a palavra ‘depressão’. É como se, sem código linguístico, as experiências e coisas do mundo, não existissem.

Foi isso a que todos assistimos com o aparecimento do termo Bullying. Ele sempre existiu, e as pessoas que aqui se encontram acima dos 45 anos sabem-no muito bem (o termo Bullying só surge nos anos 70 com as investigações do psicólogo sueco Dan Olweus).

Na alçada dos eventos decorridos relativos ao Bullying, gerou-se uma onda de indignação nas redes sociais e na imprensa. Na nossa opinião, contudo, pouco se aprofundou acerca do tema. Uma boa parte das reacções iam ao encontro do aforismo ‘olho por olho, dente por dente’, os mais conservadores não se coibiram de tecer considerações parecidas com ‘miúdas a bater num rapaz!? Se fosse meu filho chegava a casa e levava mais‘. No outro extremo surgiu a opinião de um psiquiatra que afirmava que os agressores também estavam em sofrimento. Esta última afirmação, não há dúvida que suscitou muita polémica. Pareceu inconcebível à maior parte das pessoas a possibilidade de empatizar com o agressor.

A afirmação deste médico psiquiatra pode ter sido controversa, e por isso mesmo somos obrigados a reflectir sobre ela.

O que é que faz com que alguém seja agressivo? O que é que faz com que alguém desenvolva este verdadeiro sadismo moral?

Transformemos pois a afirmação deste psiquiatra numa lógica aristotélica de tipo dedutivo:

Todos os agressores sofrem
As crianças do vídeo são agressores
Logo as crianças do vídeo sofrem

Muitos contestariam desde logo com a primeira premissa pela impossibilidade de identificação ao agressor. Neste sentido, retomemos pois à questão: porque agredimos?

Habitualmente agredimos quando nos sentimos ameaçados ou quando o nosso desejo é frustrado. O facto das ameaças poderem pertencer à ordem do real ou da fantasia aumenta exponencialmente as nossas possibilidades de análise. E, de forma semelhante, a natureza dos desejos que um ser humano possa sentir é igualmente abrangente, pelo que, o nosso universo analítico torna-se praticamente infinito.

Nesta análise encontramos implícitas algumas das funções da agressividade, a saber: proteger, adquirir e castigar.

A agressividade, como os vectores, também tem uma direcção, ela pode ser dirigida para o exterior (para alguém ou alguma coisa) ou por retornar para o interior (para o corpo), habitualmente sob a forma de culpa, comportamentos de risco, auto-mutilações e até, veja-se bem, hipocondria.

Uma das dinâmicas chave da agressividade está ligada à sua possibilidade de transformação/modificação das representações mentais que temos de nós próprios e dos outros. Imaginemos o seguinte cenário (com a consciência de que não se trata de uma condição universal): os pais de uma criança são agressivos e, através da sua força e da potência, conseguem o que desejam dentro da constelação familiar. Podemos imaginar que esta criança vê frustados os seus desejos, podemos supor que estes pais causam angústia e sofrimento e que têm um impacto negativo na construção da auto-estima da criança. Uma possibilidade defensiva desta criança hipotética seria a de mobilizar a sua agressividade como forma de transformar a dinâmica das representações vítima-agressor. Nas relações com os pais e adultos, mas muito mais facilmente com os pares e ainda mais facilmente com crianças que considere mais vulneráveis, ela poderá encarnar o papel de agressor e colocar o outro no lugar de vítima. Assim fechasse a ciclo de modificação das representações mentais, a criança já não é mais a vitima-fraco e passa a ser o agressor-forte. Se esta dinâmica estiver ao serviço das defesas da criança, o trabalho terapêutico é facilitado, mas se esta agressividade está ao serviço da obtenção de prazer e se é encarada como instrumento omnipotente para obter o que se deseja, estes traços irão constituir-se como obstáculo à terapêutica. Como dizia um psicanalista argentino: ‘a verdade jamais poderá tomar o lugar do prazer’.

De forma não premeditada acabámos por introduzir o que se passa com a vítima, quando afirmámos que o agressor vai preferir pessoas que tenham características mais frágeis e que, aos seus olhos, são fracos.

Muitas vezes o agressor pode ganhar um maior sentido de potência se se inscrever num grupo de indivíduos que nutrem a mesma cultura agressiva com a qual todos se identificam. E assim, que passa a ser objecto de identificação é a idealização da agressividade como instrumento omnipotente para a obtenção do que se pretende.

A ideia de que existem traços da personalidade de uma vítima que a empurram e mantêm em situações de violência é controversa. Pensar a vítima como masoquista equivaleria e assumir esta interpretação como mais um ataque à vítima. Mas a realidade é que a natureza desconhece a moralidade, e como tal, devemos olhar, sem preconceitos para o que ela nos demonstra todos os dias.

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Não queremos cair aqui nas falácias típicas da lógica indutiva ao tornarmos universal uma verdade que apenas é encontrada em alguns casos. Nem toda a vítima é masoquista. Mas a realidade é que a investigação nos demonstra a existência de um conjunto abrangente de traços da personalidade que se encontram associados à emergência de situações de bullying.

Apesar do sofrimento não ser manifesto no agressor não podemos cair na tentação ingénua de negar a sua dor. Apesar do sofrimento ser manifesto na vítima (depressão, ansiedade, distúrbios alimentares, insónia, enurese, baixo rendimento escolar…) não podemos negar a existência de traços da personalidade que a empurram para a posição de vítima.

Estas são apenas algumas das vicissitudes das moções agressivas que se encontram nas relações de Bullying na criança e, é importante não esquecer, nos adultos. Apesar da complexidade do tema, que vai muito além do que aqui escrevemos, de uma coisa não nos podemos esquecer, existe sofrimento, desespero e agressividade em ambos vítima e agressor. Neste sentido, é urgente sensibilizar e informar o público sobre a importância das intervenções psicoterapêuticas com ambos. Se transpusermos e desvirtuarmos o dito de Michel Foucault a propósito da linguagem, aqui para o nosso projecto de sensibilização, ‘se os textos sobre bullying fossem tão ricos como as intervenções psicoterapêuticas, eles seriam o seu duplo mudo e inútil’.

Por isso se o seu filho é o terror da escola ou se o seu filho é vítima de bullying procure apoio especializado.

Dr. Fábio Veríssimo Mateus

imagem@good-citizen.org

Se é verdade que não há pais perfeitos, é também certo haver professores com muito a melhorar. São 18 temas importantes, que às vezes ficam por conversar, 18 coisas que os pais deviam dizer aos professores:

  1. Quando leio as avaliações do meu filho sinto que preciso de saber mais ao nível pessoal e social. Como é o seu comportamento com os colegas, com os adultos, o que é que o apaixona mais na escola ou o que o torna mais desmotivado. Todas as coisas que os testes não dizem.
    2. Comece as reuniões por dizer o que os nossos filhos fazem bem e termine com uma mensagem de encorajamento. Se pelo meio tiver que nos puxar pelas orelhas, não será tão difícil lidar com os problemas.
    3. O dever de confidencialidade deve ser rigorosamente cumprido junto das crianças, dos pais e dos seus colegas professores. Debater em grupo os problemas que os mais novos têm em casa não é ético, nem profissional. Usar os alunos para satisfazer a sua curiosidade, menos ainda. Incomoda-me que o meu filho saiba pormenores (que ouviram dos professores) sobre outras famílias que eu não gostaria que soubessem da minha.
    4. Só reclamo quando a situação o justifica, por isso agradeço que me mantenha informado sobre o que está a ser feito para diminuir ocorrências graves. Os problemas não desaparecem só porque deixamos de falar sobre eles.
    5. As crianças precisam de aprender a brincar e isso poderia acontecer mais vezes. E também fora da sala de aula.
    6. A maioria dos conflitos entre as crianças surge em momentos como a entrada ou saída, os intervalos e pausas para almoço. Se a supervisão de um professor é suficiente o bastante para atenuar maus comportamentos, talvez fosse melhor agir por antecipação. De nada serve chamar o professor depois do pior já ter acontecido. Porque é que nunca se vê um professor no recreio?
    7. Nunca teci comentários sobre os TPC em frente ao meu filho, mas quando ele me diz que traz três fichas para fazer, confesso que respiro fundo.
    8. O meu filho é um excelente aluno, agradeço-lhe por isso. Pode encontrar outra forma de o desafiar que não passe apenas por ajudar os alunos com dificuldades? Ser solidário é importante, mas aprender coisas novas todos os dias também.
    9. Manter o controlo disciplinar do seu grupo é um investimento essencial. Esperar pelo momento de dar a nota para punir comportamentos é tarde (para quem não cumpre regras mas também para quem quer aprender).
    10. Os estudantes mudam a cada ano que passa, as formas de ensinar também. Acomodar-se a modelos de ensino desfasados da realidade não é vantajoso para ninguém. Atualize os seus conhecimentos.
    11. Por mais difícil que lhe possa parecer, por favor lembre-se que o meu filho é só uma criança. Na generalidade das situações, se ele não sabe é porque ainda não aprendeu – e todos temos o dever de lhe ensinar.
    12. Não confunda asneiras de criança com afrontas pessoais. Volte à sua infância e perceberá que os maiores disparates cometidos por si não foram premeditados com malvadez.
    13. Seja assertivo mas discreto nas reprimendas. Educar nada tem que ver com humilhar publicamente.
    14. Use o seu sentido de humor. Entrar na brincadeira pode fazer dos alunos seus parceiros em vez de opositores.
    15. A avaliação de desempenho promove a melhoria contínua e acontece em todas as áreas profissionais, independentemente do cargo que se ocupa. Resistir-lhe pode passar a mensagem de que há algo para esconder.
    16. Trabalhe em equipa com os vigilantes e operacionais de ação educativa e esclareça-os bem quanto aos seus deveres. Muitas vezes são estes elementos que fazem a ponte entre a escola e a família.
    17. Pertenço à associação de pais com algum sacrifício pessoal, para melhorar o serviço prestado aos alunos. Recorra a ela sempre que precisar de ajuda, mas saiba usar o dom da reciprocidade. Não há parcerias unilaterais.
    18. Não penso que os professores têm vida fácil, embora admita que todas as profissões causam desgaste. Ainda assim, peço-lhe um esforço para humanizar mais o ato de ensinar, sempre que lhe for possível. Assim vale bem mais a pena ir à escola.

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Se é verdade que os pais não nascem ensinados, também é verdade que às vezes precisavam de um quadro de regras. Deixamos aqui 14 Verdades que os professores deviam dizer aos pais:

  1. O seu filho não é um amigo de circunstância, é alguém que deve receber dos pais formação de qualidade, sobretudo ao nível das atitudes e dos valores. Rirem-se juntos do colega que começou a usar óculos não é bom sinal.
  2. As crianças não são máquinas. Adaptar-se a uma nova realidade escolar ou familiar pode levar tempo e prejudicar as notas. Os testes não são a única coisa que importa no desenvolvimento.
  3. As capas de revista, os rappers e alguns super heróis animados são modelos normais para as crianças, se em dose controlada. Permitir que o seu filho se comporte como uma personagem de ficção o tempo inteiro é bem diferente.
  4. Os videojogos e a TV cumprem uma função de entretenimento, não são reguladores de comportamento. Os jovens não aprendem a viver socialmente se não se relacionarem com as outras pessoas.
  5. Existe uma hierarquia bem clara entre pais e filhos. Invertê-la não é natural.
  6. Dizer à boca cheia que o seu filho não consegue, é admitir que desistiu de o ajudar. Especialmente se ele estiver a ouvir.
  7. A educação física é tão importante como qualquer outra disciplina curricular. Se o seu filho inventa desculpas para não praticar exercício e os pais assinam em baixo, estão a errar duplamente: promovem o sedentarismo e ao mesmo tempo ensinam a mentir.
  8. Não marco trabalhos de casa se me garantir que (sem eles) vai acompanhar na mesma a matéria que o seu filho está a estudar. E as dificuldades.
  9. Desculpar-se pela falta de material como se de um erro seu se tratasse nunca irá tornar o seu filho responsável.
  10. Estacionar em segunda fila e perder-se na conversa com outros pais, enquanto eu espero, é de mau tom.
  11. Se o seu filho tem problemas sociais com colegas que não consegue resolver, procure a ajuda do professor. Não lhe compete abordar diretamente outras crianças pelas quais não é responsável. Disputas que não afetem o bem-estar físico e psicológico devem ser resolvidas entre os mais novos.
  12. Passar todos os dias à porta da escola e nem sequer entrar para perguntar como correu o dia, dá a entender que a educação ocupa o último lugar da sua lista de prioridades.
  13. Mesmo que tenha o dom da palavra, apoderar-se dela durante toda a reunião de pais perturba a minha gestão de tempo. Prometo dar-lhe toda a atenção numa reunião individual.
  14. Evite comentários impróprios sobre os professores em frente ao seu filho. Se pensar um pouco, verá que é ele quem está a afetar primeiro.

imagem@inspectorinsight

 

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Todos nós sabemos que organização facilita e agiliza o nosso dia-a-dia, o quanto são importantes e essenciais a criação de hábitos e rotinas diárias, para que as crianças tenham uma vida regrada e disciplinada e assim consigam de uma forma mais independente, enfrentar o mundo quando forem adultos.

A organização é uma qualidade que deve ser incutida e realçada nos mais novos e claro, nós pais, temos que dar o exemplo. A probabilidade do seu filho ser organizado é muito maior se você for uma pessoa organizada, até porque eles tendem a copiar o que os pais fazem.

Os pais têm muitas vezes erradamente, a tendência de fazerem certos trabalhos delegados às crianças, até porque muitas vezes não têm paciência para esperar que a criança acabe determinada tarefa, prejudicando assim o desenvolvimento da própria criança.

Para que as crianças aprendam a ser organizadas em casa são necessários dar alguns passos fundamentais.

  • Estabeleça uma rotina diária e siga-a, isto vai criar na criança estabilidade e segurança.
  • Tenha o cantinho de estudo organizado e só com o material de estudo necessário, de maneira a que não haja lugar a distrações. Depois de fazerem os deveres incentive as crianças a prepararem a mochila para dia seguinte e certifique-se que tudo está em ordem (caso sejam pequenos).
  • Tenha as roupas e brinquedos das crianças de fácil acesso, organizadas de uma maneira funcional e prática de modo, a que com o tempo possam ser totalmente autónomas.
  • Sempre que for organizar as roupas e brinquedos peça ajuda às crianças. Explique-lhes que os brinquedos e roupa que estiverem em boas condições são para doar a Instituições e assim fazerem outras crianças felizes. É importante criarem o sentimento de solidariedade desde novos.
  • Ensine à criança a importância do tempo, e incentive-a a aproveitá-lo de uma maneira eficaz e inteligente, explicando-lhe através de exemplos que se o tempo for bem gerido mais tempo há para a diversão e para fazerem o que lhes apetecer.
  • Envolvê-los e incentivá-los nas atividades domésticas é fundamental, para assim, adquirirem um certo grau de responsabilidade e independência, tais como, guardar os brinquedos quando acabar de brincar, começar a fazer a cama, deitar a roupa suja no cesto, em suma pequenas tarefas que devem ser obrigatórias e penalizá-los caso não sejam executadas.
  • Torne as tarefas divertidas, criando jogos e brincadeiras para que os afazeres sejam uma diversão e não uma “chatice”, use a sua criatividade!

Todas estas dicas, regadas com muito amor = crianças felizes e organizadas!

Atualmente, a distância que existe entre a escola e a família é uma questão difícil de explicar. Na maioria dos dias, entre o momento que toca para entrar e a última aula da tarde, não há comunicação. É fácil de concluir como nesta relação silenciosa perdem os dois elementos: ficam os pais privados de assistir, mesmo que à distância, a tudo o que de extraordinário acontece na escola com os filhos, e a escola negada de mostrar à sua comunidade e ao mundo, o valor do trabalho que desempenha.

Por vezes, o trabalho da escola dos filhos ocupa o tempo que é dos pais em casa, porque tem que ser, e o trabalho dos pais ocupa o tempo em casa que é dos filhos, porque também tem que ser. É tudo muito importante.

Entre a casa, a escola e o trabalho, o tempo vai-se extinguindo e dá por si a lidar com o sentimento de que não tem estado por perto tanto quanto desejaria. E de repente, tudo o que parecia realmente importante no dia-a-dia, torna-se secundário se comparado com o que pode deixar de estar a viver com os mais novos.

Os pais não conseguem multiplicar-se mais entre a gestão da vida familiar e profissional. Participar e intervir ativamente no percurso escolar dos filhos parece ser uma realidade imaginável apenas para alguns privilegiados aos quais o tempo sobra, incompreensivelmente.

Depois os miúdos passam por aquela fase em que tudo o que querem é afastar-nos, e a sensação de alienação cresce. Deixa-o à porta da escola e fica a observar os seus movimentos. Para onde ele se dirige, com quem começa a falar. O tempo em que conhecia bem os amigos do seu filho e os pais deles, ficou parado na sala de jardim-de-infância. Se ao menos pudesse entrar para olhá-lo da janela, só por um momento…mas perder-se-ia no edifício. Costuma reunir com a diretora de turma duas vezes no ano, sempre no mesmo espaço, e mesmo esse tem dificuldade em encontrar.

Tantas engenhocas nos dias de hoje, e ainda ninguém se lembrou de inventar alguma coisa virtual para encurtar a distância entre aquela sala de aula e o seu trabalho à secretária. Umas janelas virtuais para a escola.

Toda a gente passa por isso, mas não tem de ser sempre assim.

Vai ver que alguém já se lembrou dessa engenhoca, você é que ainda não inventou tempo para a descobrir.

imagem@tumblr

A escola está a perder os rapazes

Uma corrente de pensadores na área da educação tem produzido investigação muito interessante acerca da tendência que existe nas escolas, para desaprovar a essência dos alunos rapazes.

Ao mesmo tempo, a OCDE, inspirada pela análise do último relatório PISA (programa internacional que avalia a literacia dos estudantes) lança um alerta claro sobre a desigualdade de género na educação. Claro que faz todo o sentido refletir sobre este tema.

Mesmo assumindo que os rapazes podem ser frenéticos, desorganizados e arrebatadores, no sentido em que absorvem muita da nossa energia, parece-me contra natura julgá-los à luz do bom comportamento das raparigas.

E porquê? Uma analogia à leitura explica-o bem: banda desenhada e poesia são diferentes, e isso pode ajudar a perceber porque é que os rapazes se estão a afastar da escola.

Se analisarmos os números, a preocupação cresce: eles abandonam a escola mais cedo, são expulsos da sala de aula com mais frequência, ganham menos prémios de honra, lêem pouco e (não menos importante) acham que estudar é uma seca.

Ser um rapaz normal nas escolas de hoje não é fácil.

O que há alguns anos era olhado como traquinice, hoje merece tolerância zero. Os tempos de recreio diminuíram dramaticamente e já não há espaço (nem agenda) para brincadeiras não estruturadas que permitam aos rapazes gerir a vontade física de explorar o mundo como gostam, à força de correria.

As escolas deveriam fazer uma análise cuidada desta realidade, percorrendo o caminho necessário para recuperar os rapazes que se vão afastando do seu núcleo.

Para combater a desigualdade de género é preciso conhecê-la bem.

Perspetivar o mundo do ponto de vista masculino, pode ser importante para perceber como havemos de envolver mais os rapazes na escola. Um exemplo nada ao acaso: se o objetivo é converter os meninos que lêem pouco, então guardemos a poesia para mais tarde. Os rapazes gostam de ação e aventura. Portanto, esse é o trunfo que devemos usar quando lhes indicarmos um livro para lerem, mesmo que isso vá rasgadamente contra aquilo que pais e professores estejam habituados a praticar.

O mesmo estudo da OCDE demonstra que, aos 15 anos de idade, as raparigas são mais evoluídas na leitura que os rapazes o equivalente a um ano letivo. Vale bem a pena repensar a prática para que diminua esta diferença entre níveis de desempenho.

E agora, as ilustres composições. Se escrever sobre piratas e naves espaciais é muito mais interessante para rapazes do que dissertar sobre a beleza do outono, porque não sugerir-lhes temas que cativam mais?

Admitamos: já sabemos quase tudo sobre o outono, e há muito pouco sobre ele que um rapaz de onze anos queira descobrir. Para além disso, corrigir o que diz o Capitão Gancho deve ser bem mais divertido do que repassar conteúdo sobre as cores da estação.

Ainda bem que não estão convencidos, porque a razão melhor ficou para o final: é preciso apostar na imaginação desta metade de alunos malandros, respondões e com a mania que são engraçados, porque um dia eles irão fazer vida com a outra metade,  serena, contida e metódica.

Desta missão fazem parte todas as filhas, mães e avós do mundo.

Nada como um pouco de poesia para percebermos porque é que a escola tem que chamar a si,os nossos rapazes.

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