Hoje vou falar de um tema um pouco difícil para todos nós, pequenos e graúdos.

Todos nós já nos zangámos com alguém. Podem ter sido zangas de maior ou menor importância, mas a verdade é que se há uma coisa muito difícil de fazer em certas situações, é ter a capacidade de perdoar.

Falo por mim, falo por todas as pessoas que conheço. Falo pelas crianças também, que por vezes se envolvem em conflitos de difícil resolução. Para elas talvez seja mais fácil perdoar, pois uma brincadeira que desvie o assunto, um presente, um abraço, um “esquece lá, não ligues”, é mais fácil de encarar, do que para nós, adultos.

Mas a verdade é que perdoar é extremamente importante.

Tenho lido um livro que se chama “O Livro do Perdão”, de Desmond Tutu e Mpho Tutu, da Editorial Presença. Este livro é escrito pelo Arcebispo Emérito Desmond M. Tutu, que foi distinguido com o Prémio Nobel da Paz em 1984, e pela sua filha Mpho, sacerdote episcopal. Nele expõem as verdades simples sobre o significado do perdão.

Esta é apenas uma dica de leitura, que acho que vale verdadeiramente a pena.

Quanto aos nossos filhos, ainda ontem me deparei com uma situação entre dois dos meus sobrinhos, em que houve uma ofensa aparentemente inconsciente por parte dum deles, com uma interpretação gravíssima do outro que a ouviu. A situação avizinhava-se complicada, com interpretações que poderiam despoletar reacções mais sérias nos pais.

Existiu uma intervenção dos adultos que os rodeavam, no sentido de os ajudar a resolver a situação. Para começar, ambos teriam de perceber porque era importante perdoarem-se mutuamente. Porque é que era importante que a situação não crescesse de forma a que mais pessoas da família estivessem envolvidas.

Sim, porque muitas vezes podemos não nos aperceber, mas quando nos chateamos com alguém, além de as duas pessoas ficarem incomodadas com a situação, e porque estamos todos interligados por laços (familiares, de amizade, de núcleos sociais, profissionais, etc), mais pessoas saem magoadas do contexto do desentendimento.

Isto é importante percebermos, para que saibamos até que ponto a situação é realmente irreversível.

Então, numa segunda fase, foi explicado às crianças, que as interpretações de cada um são muito únicas, e que devemos sempre conversar para ter noção da intenção e do que se passa na cabeça do outro.

Assim, por exemplo, se eu vejo chuva lá fora, para mim o dia pode estar estragado, mas para o meu filho pode ser uma boa razão para ficar mais tempo em casa comigo, e para o meu marido pode apenas ser uma situação passageira, pois já se vê um pouco do sol a espreitar.

Se eu digo que vou sair para apanhar um pouco de ar, para mim pode ser mesmo para desanuviar a cabeça das preocupações do dia-a-dia, mas para o meu marido pode ser mais uma “birra”, e para o meu filho um sinal de que a mãe está chateada.

Às vezes parece tão simples para nós: “Porque é que não me entendem?” – porque ninguém está dentro da cabeça do outro, não tem as mesmas experiências das diversas situações diárias, nem a mesma perspectiva sobre alguns aspectos da vida.

E sobretudo, porque não tem os mesmos pensamentos que nós.

E daí a importância de falarmos uns com os outros e explicarmos quando podemos ser mal interpretados. A importância de perdoar, para continuarmos todos unidos. A importância de não nos esquecermos de quem nos rodeia e que pode sair magoado por danos colaterais, que em nada lhe dizem directamente respeito.

Tal como li no livro, o caminho da raiva e da vingança não nos permite ter conhecimento dos nossos verdadeiros problemas e sentimentos. Ripostamos no outro aquilo que nos aconteceu e a raiva não desaparece, apenas se esfuma momentaneamente.

O caminho do perdão não é fácil, mas também não é uma fraqueza. Pelo contrário, termos a capacidade de nos conhecermos, de assumirmos os nossos sentimentos e pensamentos, é de uma coragem muito maior. E termos a capacidade de perdoar alguém que nos fez sofrer muito, é meio caminho para alcançar maior paz de espírito e harmonia na nossa vida.

Uma boa semana!

 

Esta semana estive na escola dos meus filhos, na festa que normalmente é preparada entre alunos e professora para celebrar o dia da mãe. Nestas reuniões temos sempre a oportunidade de nos cruzarmos com umas espécies, também elas mães, que encaram a maternidade como uma corrida. Uma verdadeira corrida contra o tempo e contra a criança. Trata-se de uma competição renhida que disputa o troféu “Estatuto de melhor mãe“. O problema é que é considerada “a melhor mãe” aquela que apresentar o número mais rico neste concurso de talentos e destrezas do filho, como se se tratasse de um concurso de saltos de pulgas amestradas.

“A minha filha de 4 anos sabe o alfabeto completo, soletra 10 palavras, e sabe fazer contagem decrescente desde o 100. Anda de bicicleta, monociclo e faz surf. Mas claro, o surf é só nos dias que não vai para o Ballet, porque a dança é mesmo a sua paixão desde os 2 anos… E a sua filha, o que é que faz?”

A minha filha brinca!”

E vejo aquela cara de suspense à espera que eu acabe a frase, como se fosse obrigatório acrescentar mais qualquer coisa.

Esta moda de que crianças têm de saber fazer várias coisas para se tornarem adultos de sucesso e, devem frequentar várias atividades para desenvolver mais competências (e o tempo para brincar, onde fica?) não podia ser mais absurda.

Resolvi fazer uma pesquisa para perceber se havia ou não “metas” que as crianças deveriam alcançar com esta idade.

Encontrei um artigo de uma mãe de 5 filhos que escreve o blog A Magical Childhood, que vai exatamente ao encontro deste meu pensamento. Alicia Bayer criou uma lista simplesmente deliciosa que define o que uma criança de 4 anos deve saber e outra, que considera mais importante, que define o que os pais devem saber.
Foram traduzidas e adapatdas pela Up To  Kids®:

Uma criança de 4 anos deve saber que:

    • É amada total e incondicionalmente , todo o tempo.
    • Está segura. Deve saber regras de segurança para se manter segura em público, com outras pessoas, e em situações diferentes. Deve saber que não tem de fazer coisas que não quer ou que com as quais não se sente bem, independentemente de quem lhe peça para o fazer.
    • Deve saber rir com vontade, ser pateta quando lhe apetece, e ser criativa. Deve saber que o céu pode ser pintado de cor de laranja se quiser, e que pode desenhar gatos de 6 pernas. Deve saber usar a imaginação.
    • Deve saber de que é que gosta, quais são os seus interesses e deve poder descobri-los e desenvolvê-los. Se não se interessa por números, os pais devem perceber que vai aprende-los sem querer, vai acabar por tropeçar neles e mergulhar nesse novo mundo deixando para trás os dinossauros, as bonecas ou as sopas de lama.
    • Deve saber que o mundo é mágico e ela também. Deve saber que é maravilhosa , brilhante , criativo, compassivo e única. Deve saber que é tão importante fazer colares de flores, castelos na areia, e casas de fadas como praticar a fonética.

Ler também…

 

Os pais precisam de saber que:

  • Cada criança aprende a andar, falar, ler e fazer contas no seu próprio ritmo e isso não terá qualquer influência sobre a forma como ele vai andar, falar, ler ou fazer contas.
  • Que o único grande preditor de alto desempenho académico é a leitura para as crianças. Não são livros de atividades, não são infantários da moda, não são brinquedos com luzes ou computadores, mas sim a mãe ou o pai (ou os dois) a passarem tempo com os filhos todos os serões e ler-lhes uma história.
  • Que o melhor aluno da turma nem sempre é o mais feliz. Não há nada que relacione o bom desempenho escolar nestas idades com a felicidade de cada criança. Às vezes estamos tão envolvidos a tentar criar vantagens na educação dos nossos filhos que acabamos por sobrecarrega-los com atividades, tornando o seu dia a dia tão stressante e preenchido como o nosso. Uma das maiores vantagens que podemos dar aos nossos filhos é uma infância simples e despreocupada.
  • Que os nossos filhos merecem crescer rodeados de livros, natureza, fontes da arte e ter a liberdade para  explorá-las. A maioria de nós poderia livrar-se de 90% dos brinquedos dos nossos filhos que não faria qualquer diferença, mas há algumas coisas que são importantes: brinquedos construtivos, como legos e blocos, brinquedos criativos, como todos os tipos de materiais de arte, instrumentos musicais ( reais e uns multiculturais ), vestir roupas e disfarces e livros , livros , livros. 
  • Que os nossos filhos precisam mais de nós. Mais do nosso tempo. As revistas para pais recomendam que consigamos dedicar 10 minutos diários a cada filho e que as famílias devem organizar pelo menos um sábado de atividade conjuntas. Isso não é o suficiente! Os nossos filhos não precisam das consolas, dos computadores, das atividades extra-escolares, das aulas de ballet ou do futebol como precisam de nós.
  • Precisam de pais que se sentem e conversem com eles sobre como foi o dia, de mães façam trabalhos manuais com eles. Precisam de pais que leiam histórias com eles e façam figuras de parvos a criar diferentes vozes para os personagens, só porque é mais divertido.
  • Precisam de pais que passeiem com eles e não se importem de fazer o trajeto a velocidade caracol, e se necessário uma parte ao colo. 
  • Precisam de pais que tenham tempo para os deixar ajudar a fazer o jantar, ainda que muitas vezes só atrapalhem.
  • Precisam de saber que são uma prioridade para nós. Que estão à frente de tudo, e que nós, pais, gostamos realmente de passar tempo com eles.

Afinal, que precisa uma criança de 4 anos?

Muito menos do que no apercebemos, e muito mais…

Por Up To  Kids®, Todos os direitos reservados

imagem@Tricae

São inúmeros os estudos que têm sido realizados ao longo dos anos no sentido de melhor compreender a importância do brincar para o desenvolvimento global do ser humano. Será, de facto, tão fundamental a brincadeira para o crescimento adequado das nossas crianças?

Considera-se brincar toda a atividade que pressupõe divertimento e espontaneidade, realizada sem um fim intrínseco. É uma das formas mais comuns do comportamento humano, essencial para o desenvolvimento do individuo, sobretudo durante a infância.

As atividades lúdicas pressupõem a vivência do prazer de agir e de representar. Estas atividades podem ser brincadeiras livres, jogos, trabalhos manuais, atividades rítmicas, entre outras. Correspondem a momentos de encontro entre fantasia e realidade, diversão e aprendizagem. Na atividade lúdica, o que importa não é somente o produto da atividade, mas o processo experienciado, que possibilita a quem o vivencia momentos de encontro consigo e com o outro. O ato de brincar é fundamental para a formação do indivíduo.

Ao brincar, a criança, de forma lúdica, vai-se apropriando da realidade, estabelecendo as suas relações sociais e utilizando toda a sua corporeidade, nas suas dimensões motora, cognitiva e afetiva.

Experimenta, assim, novas situações, desafios e aventuras. No espaço lúdico formam-se conhecimentos, adquirem-se valores, aprendem-se limites, testam-se capacidades físicas, superam-se medos, adquire-se confiança, ganha-se resistência à frustração, desenvolve-se a autoestima, aperfeiçoa-se a linguagem não-verbal e verbal.

Brincando, aprende-se a conviver, a partilhar, a cooperar, a competir, a liderar, a ganhar ou a perder.

Brincar não é apenas uma dinâmica interna da criança, mas uma atividade dotada de um significado social que necessita de aprendizagem. É através do brincar que a criança consegue adquirir conhecimentos, superar limitações e desenvolver-se como indivíduo. As atividades como os jogos são cada vez mais consideradas estratégias didáticas, facilitadoras da aprendizagem, sendo frequentemente planeadas e orientadas por profissionais ou adultos. As atividades lúdicas que visam a aprendizagem proporcionam à criança a construção de algum tipo de conhecimento ou o desenvolvimento de alguma habilidade. O lúdico enquanto recurso na aprendizagem deve ser encarado de forma séria, competente e responsável. É importante que o adulto brinque com a criança, a fim de a conduzir a um maior número de aprendizagens, quer cognitivas, quer psicomotoras. Estes momentos são também ocasiões privilegiadas de interação entre pais e filhos, em que de forma descontraída e prazerosa são estreitados laços.

Considerando-se a sua importância na aprendizagem, brincar favorece o pleno desenvolvimento das potencialidades criativas das crianças, a partir das suas formas próprias de sentir, pensar e agir. Consequentemente, revela-se primordial estabelecer uma aliança entre o brincar e o processo interativo de aprendizagem, tornando a criança mais ativa e participativa neste processo. Os tipos e formas de brincadeira deverão estar direcionados para a idade, etapa de desenvolvimento e necessidades de cada criança. Brincar é uma atividade fundamental para o desenvolvimento da identidade e da autonomia da criança.

No Gymboree utiliza-se a brincadeira como forma de aprendizagem lúdica e criativa, adaptada à idade e interesses da criança, proporcionando-lhe a possibilidade de desenvolver amplamente as suas potencialidades motoras, sócio-emocionais e cognitivas.

Por Francisca Diogo, Gymboree Play & Music Carnaxide
para Up To Lisbon Kids

Muitas das crianças hoje em dia têm dificuldades em puxar pela criatividade e encontrar temas sobre os quais brincar, escrever, desenhar ou falar. Noto isso diariamente, seja em crianças que frequentam o 1º e 2º Ciclo, ou até adolescentes.

Isto pode dever-se ao excesso de estímulo visual dos jogos, da televisão, e até dos próprios brinquedos. Os brinquedos actuais não dão grande margem para imaginar para além do que ali está.

Antigamente pegávamos num ramo de uma árvore e construíamos uma fisga, ou uma varinha mágica, ou construíamos uma casa em lego e imaginávamos as diferentes divisões, onde seria a cama, a mesa, e até as portas.

Hoje em dia os brinquedos já vêm com todas estas partes incluídas, que nos dão espaço para a construção, mas pouco para a imaginação do contexto e do brinquedo em si.

As bonecas e todos os brinquedos são incontáveis, com vestidos elaborados, pormenores físicos em detalhe e todos os acessórios necessários à disposição.

Quem é que ainda faz vestidos para as suas bonecas?

Quem é que ainda faz casinhas com paus ou ramos, ou panos a fingir de tendas para brincar aos índios?

Quem é que ainda recorta caixas de cartão, usa revistas velhas ou faz uma papa de terra e folhinhas para fingir que é uma bela sopa?

Quem é que prefere inventar estas brincadeiras em vez de brincar com os brinquedos que já estão feitos?

Tenho a certeza que há muitas crianças que gostariam de o fazer, e algumas provavelmente já o fazem. No entanto, quando chega à parte da imaginação, muitas delas têm dificuldade em desenvolver um tema específico.

E isto torna-se muito evidente em contexto escolar.

Hoje proponho a realização de duas actividades muito simples, em que podemos utilizar um brinquedo ou objecto, ou simplesmente puxar pela imaginação sem nenhum suporte.

São duas actividades que estimulam a criatividade e ao mesmo tempo desviam o pensamento de pormenores que podem estar a influenciar de forma negativa o dia-a-dia, ou podem mesmo reflectir a emoção ou pensamento da criança numa determinada altura:

  1.  Pedir à criança que pense num local que seja sinónimo de tranquilidade e segurança para si. Depois pedimos para fechar os olhos e imaginar que se encontra nesse local (ex: a praia, o campo, a escola, casa, etc). O pensamento positivo pode ser explorado “até à exaustão”. Isto é, como se sente nessa altura (física e emocionalmente), o que tem vestido, com quem está, quais são os sons que ouve, as formas e cores que vê, o que sente na pele (o que consegue tocar com as mãos ou os pés, se está frio ou calor…), os cheiros à sua volta, se consegue saborear alguma coisa. O objectivo é redireccionar os cinco sentidos para um momento de relaxamento e criatividade, para que a criança perceba que pode imaginar aquilo que quiser dentro da sua cabeça, sendo o pensamento um momento só seu. Os detalhes não precisam de ser verbalizados pela criança, mas a orientação do adulto neste tipo de tarefa é importante.
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  2. De seguida podemos experimentar ir um pouco mais longe. Vamos pegar numa imagem ou objecto simples (por exemplo uma maçã, uma goma, um desenho de um animal, ou uma planta, uma paisagem, ou uma pessoa) e criar/ contar uma história a partir da mesma. As perguntas podem ser várias, sendo o objectivo, a criação de uma história original. Podemos pedir para pensar no nome da personagem ou objecto, quantos anos tem, onde vive, a quem pertence, o que gosta de fazer, o que come, o que bebe, quem são os seus amigos, se anda na escola, o que esteve a fazer antes e o que irá fazer a seguir, o que está ali a fazer, em que estação do ano está… Enfim, todas as perguntas possíveis que permitam criar um ambiente que rodeie aquela imagem ou objecto. Podemos no final sugerir um desenho que envolva a imagem/objecto, tendo em conta os pormenores que foram dados.

Ao realizar estas actividades simples, estamos a promover a criatividade na criança, a vontade e o desejo de imaginar para além do que lhe é imposto diariamente.

Este ou outro tipo de brincadeira pode ser muito útil para tarefas futuras, em que a criança deve puxar pela imaginação para escrever uma história ou simplesmente para brincar num mundo que é só seu.

Todos os pais estão convidados a experimentar fazer o mesmo para si próprios.

Todos os pais estão convidados a voltar ao seu tempo de infância, a dar largas à imaginação e a brincar com os seus filhos de forma livre e descontraída.

Vamos ver como se sentem no final.

Afinal, o exemplo é o melhor caminho para a educação!

imagem@institutoinsight

Muito se tem falado e estudado, nos anos mais recentes, sobre a estimulação precoce e sobre o desenvolvimento infantil. Contudo, será a estimulação um tema assim tão importante?

Quando falamos em estimulação falamos, sobretudo, na criação de condições facilitadoras para a aquisição de determinadas competências, de modo a evitar ou minimizar atrasos no desenvolvimento global, ou simplesmente para que a criança adquira as suas competências na sua totalidade e da forma mais plena. Por outro lado, a falta de estimulação pode ter efeitos muito nefastos para o desenvolvimento, podendo resultar até mesmo na não aquisição de competências fundamentais.

Para contextualizar, percebamos que o desenvolvimento está dependente não apenas das potencialidades, como também de processos pré-determinados, que devem ter o seu surgimento naquilo a que chamamos de “períodos críticos”. Estes referem-se ao período ideal para a aquisição de determinada competência; por exemplo, o bebé tem o instinto de sucção ao nascimento, mas apenas passa pela aquisição da marcha perto dos 12 meses de vida. Ambos os conceitos estão relacionados, pois um pode levar ao outro, isto é, as potencialidades da criança podem ser reforçadas por serem estimuladas nos seus períodos críticos, de modo a que todos os parâmetros do desenvolvimento (motor, cognitivo, afectivo, emocional, social) sejam adquiridos no período em que estas competências estão prontas a atingir o seu potencial máximo.

Hoje em dia, já estamos longe da teoria do The Alarm Clock Theory, na qual se acreditava que nascíamos com um despertador biológico, que acordava as nossas competências no tempo certo, sem a necessidade de estimulação. Muito pelo contrário, hoje sabemos que o cérebro necessita de estímulos e que a privação desses estímulos poderá trazer dificuldades específicas em áreas fundamentais.

Competências como a motricidade fina (que permite que a criança, com o tempo, aprenda a pegar na colher para comer sozinha, e, no futuro, é esta a competência que a vai permitir pegar numa caneta da forma correcta, de modo a poder escrever, desenhar e pintar) a resolução de problemas, a aquisição da linguagem e a percepção visual (não só a própria competência visual, como também a atenção e a memória) são competências que o bebé e a criança só adquirem através da aprendizagem, que surge pela estimulação. Outro exemplo de uma competência fundamental é o gatinhar ou o arrastar-se, nos bebés antes da aquisição da marcha. Esta é uma competência fundamental do desenvolvimento motor, que, se não for atingida no seu período crítico, pode ter consequências negativas ao nível da leitura ou da visão (pois o cérebro não formou as conexões necessárias para a aquisição da competência do gatinhar, as quais são necessárias para a aquisição de outras competências futuras).

Não menos importante, é necessário levar em consideração que cada criança tem o seu próprio ritmo de desenvolvimento e que nem todas as crianças adquirem as competências com a mesma idade. Até porque, quando uma competência se está a desenvolver, por regra uma outra está “à espera da sua vez”. Seja como for, a criança desenvolve-se, na sua natureza, pelo exemplo. Ela vê e quer imitar. Para exemplificar, questione-se: seria possível uma criança aprender a falar, se nunca tivesse ouvido palavras? Provavelmente, balbuciaria sons, mas falaria com intenção?

Assim, a melhor forma de estimular o seu filho é por ser o seu melhor modelo.

Para que ele fale e converse, seja o primeiro a conversar com ele. Para que ele brinque, seja o primeiro a brincar com ele. Para que ele aja com um objectivo e intenção, mostre-lhe que também o faz intencionalmente e por um motivo. Para que ele seja equilibrado e calmo, estabeleça rotinas saudáveis.

Assim, percebemos que, quanto mais estímulos recebidos, mais sinapses o cérebro fará e, por sua vez, quanto mais sinapses, mais inteligente será o bebé, a criança e o futuro adulto. Sim: os pais podem contribuir para que os seus filhos sejam mais inteligentes.

As relações e as experiências que ocorrem nos primeiros anos de vida têm um grande impacto no futuro da criança, pois o cérebro está mais activo nos primeiros três anos, nos quais crescerá até 80% do seu tamanho adulto. É, assim, fundamental que os pais e cuidadores promovam o desenvolvimento da criança durante esta fase.

 

Por Cláudia Machado, Psicomotricista, Professora Gymboree

 

O programa de aprendizagem do Gymboree é um meio por excelência para apoiar este desenvolvimento. Com mais de 30 anos de experiência, este programa centra-se na criança como um todo, com o objectivo de as ajudar a adquirir as competências chave – capacidades motoras, sociais e de auto-estima – de que irão necessitar para se tornarem adultos confiantes, felizes e bem-sucedidos. Lembre-se: o responsável pela estimulação do seu filho é você mesmo, e é em casa que tudo começa. Brincar é a melhor forma de pesquisa e, enquanto o seu pequenote estiver motivado, ele estará a aprender.

“Never forget that when you are giving a child visual, auditory, and tactile stimulation with increased frequency, intensity, and duration that you are actually physically growing his brain.

How does the brain grow? The brain grows by use. Just like the biceps, the brain grows by use. Those who use their biceps very little have small, undeveloped, weak biceps. Those who use their biceps an extraordinary amount have extraordinary biceps. There is no other possibility. The same is true of the brain, because the brain grows by use.” [Glenn Doman]

No fim de semana fui almoçar com uma amiga, e enquanto estávamos a conversar uma com a outra, olhei para um casal na mesa ao lado que se encontrava também a conversar. Mas era uma conversa muito diferente, não falavam um com o outro, mas sim com as novas tecnologias: enquanto ela estava agarrada ao tablet, ele estava agarrado ao smartphone. Não olharam um para o outro nem trocaram uma palavra durante todo o tempo que ali estiveram.

Tenho reparado, como todos nós, em situações crescentes deste género, em que as novas tecnologias se sobrepõem ao convívio e ao relacionamento saudável entre as pessoas, tanto adultos, como crianças, e sobretudo adolescentes!

Concordo que todas estas novas possibilidades de contacto com o mundo exterior nos trazem oportunidades de relacionamento com pessoas que não vemos há muito tempo, com o que se passa lá fora, com novos projectos e novidades dos nossos amigos e conhecidos. E ao mesmo tempo acompanhamos a evolução da sociedade actual.

Mas não andaremos nós demasiado presos ao que os outros fazem e a esquecermo-nos de conviver com aqueles que nos são mais próximos?

A nova tecnologia torna-nos pessoas menos sociáveis, mais isoladas, menos empáticas, menos verdadeiras, mais consumistas.

http://educ305jenmini.blogspot.pt/

 

  1. Menos sociáveis e mais isoladas, porque já não convivemos tanto como antigamente, convivemos através das novidades das redes sociais, da internet e do que os outros andam a fazer. Olhamos para o que está no ecrã à nossa frente, não ouvimos o que a outra pessoa nos diz, pois estamos mais ocupados a enviar uma mensagem ou um post do que foi o nosso almoço, ou a partilhar o nosso dia para uma máquina.
  2. Menos empáticas, porque passamos cada vez mais tempo ligados à televisão e aos jogos e tornamo-nos imunes à forma como os outros se sentem e não conseguimos empatizar com eles, piorando o comportamento e gerando comportamento antisociais. A violência dos jogos e da televisão gera a falta de empatia entre os adolescentes, que se tornam menos sensíveis relativamente aos pensamentos ou consequências que podem afectar o outro, ao mesmo tempo que condiciona a adequação no relacionamento.(Antisocial Teenagers Unable to Empathize)

  3. Phubbing-3
    Stop Phubbing



  4. Menos verdadeiras, porque temos a liberdade de nos escondermos atrás de um ecrã e de mostrarmos apenas aquilo que achamos que os outros querem de nós. Não socializamos directamente e o facto de termos um mediador, torna tudo mais fácil e “camuflado”.
  5. Mais consumistas, porque deparamo-nos com uma oferta tão grande, que não conseguimos parar para distinguir o que é realmente essencial e nos faz falta, daquilo que é apenas um capricho. A informação entra “gratuitamente” no nosso cérebro e temos vontade imediata de adquirir, de ter. É excesso de ruído, excesso de efeitos especiais, excesso de gírias, de ironia, muitas vezes excesso de bullying e excesso de publicidade. Até os próprios filmes incentivam o consumo.

E o que fazer quanto a isto?

Sei que os nossos empregos e as nossas vidas actuais não nos permitem muitas vezes que desliguemos totalmente do que se passa no mundo, mas e o “nosso mundo” em particular?

Sei que na nossa altura, quando éramos pequenos(as), também passávamos horas ao telefone com os(as) nossos(as) amigos(as) e que as contas de telefone eram gigantescas. Mas será que não convivíamos directamente um pouco mais?

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Sei que todos gostamos de nos distrair e ver um pouco de televisão, mas a oferta é tanta que a certa altura, não a deveríamos desligar, para descansar a cabeça com o excesso de informação?

Sei que gostamos de saber o que os outros estão a fazer naquele momento, mas não será muito mais interessante saber o que é que a pessoa à nossa frente, ou a nossa família, está a fazer naquele momento?

Cada um de nós pode chegar às suas próprias conclusões e arranjar a melhor forma de diminuir um pouco a carga de tecnologia e aumentar um pouco o volume do relacionamento humano na nossa vida.

Como li em algum sítio num destes dias:

Passamos nove meses agarrados ao cordão umbilical, depois passamos o resto da nossa vida agarrados ao carregador do smartphone…

Pensemos nisto!

 

imagen@CelineMahou

Quantas vezes pensamos que não somos os pais ideais, que se tivéssemos mais tempo, se não tivéssemos que trabalhar tanto, tudo seria mais simples?

Teríamos mais tempo para estar com os nossos filhos, para lhes dar mais atenção, para simplesmente brincar com eles.

E quantas vezes pensamos que já não aguentamos os miúdos, estão sempre a portar-se mal, a desobedecer, a testar os limites, a recusar fazer os trabalhos, a amuar, a fazer birras, a ter más notas, etc, etc, etc?

E quantas vezes já parámos para pensar que os nossos filhos seguem o nosso exemplo, aprendem por modelagem e imitação?

Se pensarmos nisto, chegamos a uma conclusão: os nossos filhos transformam-se no espelho de nós próprios…

São desatentos ou desconcentrados, pois são. E nós, damo-lhes a atenção devida?

São muito agitados, não param quietos. Pois não. E nós, paramos para estar com eles tempo de valor?

São malcriados, respondem mal, não obedecem às nossas ordens. Pois… E nós, respondemos sempre num tom de voz calmo, cumprimos as promessas que lhes fazemos, ou simplesmente cedemos a um pedido simples, como contar uma história antes de dormir?

Às vezes até o fazemos, mas é sempre tudo tão rápido, que mal damos pelo tempo em que estamos com eles, provavelmente nem nos damos conta, mas foram cinco minutos de uma história corrida, lida num livro que já tem as folhas rasgadas, às vezes não lhes mostramos sequer as imagens (para não perder tempo!!) e não damos aso a que imaginem, que puxem pela criatividade, que sonhem, e que sobretudo interajam em amor connosco.

Estes factores interferem em diversos campos da vida, não só na vida das nossas crianças, como nas nossas próprias vidas.

E é esta a nossa vida. Será que é assim que a queremos viver? Será que nós podemos fazer alguma coisa para modificar este ciclo vicioso?

E a resposta é: Sim, podemos.

Se pararmos para pensar nestas situações, durante cinco minutos, tudo nos faz sentido. Se estamos todos interligados, mas estivermos todos em sintonia, então, sim, é possível mudar tudo.

Esta semana proponho uma actividade muito simples: fazer uma lista (por escrito) de todas as coisas boas pelas quais estamos agradecidos na nossa vida. Podemos agradecer pela família, por termos saúde, emprego, ou pelo carro, pela casa, pela comida. O que quisermos, somos livres de estarmos felizes pelo que quisermos.

Vamos sugerir aos nossos filhos que o façam também, ou que o digam. Que pensem em coisas que os fazem sentir-se bem no dia-a-dia.

Podemos depois pendurar, por exemplo no frigorífico, as nossas listas, e vamos seleccionando, um dia de cada vez, uma coisa que queremos fazer e que nos faz sentir bem. Cada um escolhe a sua (dentro dos padrões possíveis, obviamente).

Façamos isto todos os dias, e quando não é possível, prometemos uns aos outros que vamos fazer no fim de semana.

O objectivo é celebrarmos diariamente as coisas boas da nossa vida. Podemos ir comer um gelado, ou ver um filme há muito prometido, ou dançar um pouco, ou brincar àquela brincadeira especial, ou encher a casa de flores, ou estar com um amigo que não vemos há muito tempo…

Proponho isto, e posso com alegria dizer que já o fiz. Agradeci por 50 coisas na minha vida, e muito mais conseguiria fazer. Durante 50 dias senti-me no auge da felicidade. O amor retorna sempre, quando estamos de coração aberto.

Uma boa semana!

LER TAMBÉM…

Dar qualidade à quantidade de Tempo

Dar tempo aos filhos

Já agradeceste hoje, pela a sorte que tens?