A casa pode esperar, a minha filha não!

Foi facílimo escrever este título, saiu naturalmente, sem precisar de pensar muito. Contudo, posso-vos dizer que foi das aprendizagens mais duras que fiz.

Como se não fosse suficientemente exigente ser boa mãe, companheira, irmã, filha, amiga, entre outros, ainda esperam que sejamos excelentes donas de casa (às vezes não são os outros, somos nós).

No meio das horas a dar de mamar ou a preparar refeições com o equilíbrio perfeito de nutrientes e sabor, a mudar fraldas, a dar banho, a lutar para pôr o soro, a inventar brincadeiras super giras em que fazemos vozes e caras que até aí desconhecíamos ser capazes de fazer, a pensar nas melhores maneiras de estimular o seu desenvolvimento cognitivo e motor, a dar mimo, a embalá-los, a embalá-los e a embalá-los (para captar o número de horas que passamos nisto acho que tinha de escrever esta palavra pelo menos mais 52 vezes), ainda pensamos ou fazem-nos pensar que temos de ter a casa impecável, como se ao final do dia fosse aparecer aquele senhor do anúncio que passa uma luva branca no móvel para verificar se existem resíduos de pó.

Talvez algumas pessoas entrem em nossa casa e pensem  que “esta esteve o dia todo em casa e não fez quase nada“. Que “a maternidade a deixou desleixada“. Que “a Dona Maria da Luz tinha 5 filhos, vivia sem água potável e mesmo assim tinha  a casa sempre a brilhar“. Na verdade, pouco importa.

Lá em casa a felicidade mede-se pelo brilho dos olhos da minha filha, não pelo brilho do chão. Essa é a prioridade, a nossa missão!

Se isto não chega, vamos a factos!

Já alguma vez pensaram na duração do ciclo de vida de um filho? Imaginem um gráfico em que o número de horas de convívio começa bem lá em cima, mas depois disso vai descendo gradualmente até chegar à adolescência, altura em que desce a pique por, naturalmente, os pares (amigos, colegas, namoricos) passarem a ser prioridade.

Ainda que actualmente os jovens adultos vivam mais tempo com os pais, acabam por passar pouco tempo em casa. Bem espremido, isto talvez nos dê um total de 25 a 30 anos de convívio diário, sendo que apenas  12 ou 14 desses anos – na melhor das hipóteses – são de grande contacto; depois disso claro que continua a existir proximidade, mas não nos mesmos moldes.

Nessa altura, sabem quem é que estará à vossa espera? As tarefas de casa!

Essas vão conviver connosco até ao final dos nossos dias. Teremos montes e montes de tempo para elas. Até demasiado, e contrariamente ao que acontece com os nossos filhos, estas não se sentirão pouco amadas.

Ainda que por vezes te possa custar olhar para a roupa por passar, para a loiça do almoço por lavar, para aquele cotão no cantinho da porta que está sempre a aparecer lembra-te que é uma fase.

Acredito que a maternidade exija que façamos esta aprendizagem de viver feliz no meio do caos.

Mais para a frente terás milhões de horas para investir em ti enquanto dona de casa para andar a esfregar os cantos da banheira com uma escova de dentes.

A casa não sente a tua falta, não chora por ti, não vai um dia, dizer em voz alta que lhe proporcionaste uma excelente infância, não vai cuidar de ti quando um dia precisares.

Estás a investir em ti enquanto mãe, no teu bebé que precisa de tanto de ti para se sentir amado. Estás a construir uma relação sólida (vinculação) que determinará o futuro do teu filho de uma maneira que talvez nem antecipes. Estudos mostram que o vinculo dos pais com a criança condiciona a relação que esta irá estabelecer em adulto com os outros. Como irá lidar com adversidades, e moldará as expectativas relativamente ao mundo. Se é um lugar que nos acolhe cheio de potencialidades, ou um lugar assustador, recheado de obstáculos.

No fundo, diariamente ajudas alguém a construir-se, a descobrir-se e a descobrir o mundo, vives com o futuro nas mãos. Em relação ao resto das tarefas, amanhã também é dia! A casa pode esperar, a minha filha não!

imagem@thebump

 

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Bebendo uma bebida fresca, escutando ao fundo os sons das ondas na escuridão. Retirámo-nos para uma pequena cidade costeira. Encasulámo-nos no sofá com as nossas pernas entrelaçadas. Os nossos filhos dormem connosco. Temos um raro momento de silêncio juntos.

O meu marido segura na sua mão, a mão da nossa filha, envolvendo as suas duas grandes palmas em volta da mão macia da Mia. Hamish levanta a sua pequena mão e aperta-a  firmemente entre as suas. A sua mão pequenina dentro da sua. Beija-a gentilmente. Posso ver as lágrimas a formarem-se nos seus olhos enquanto ele se inclina, admirando-a a dormir pacificamente.

Quase sem emitir som, Hamish murmura, a sua voz quebra-se ligeiramente “Que desperdício“.

Ela é tão bonita.

Ela ter-nos-ia dado água pela barba!”,  gracejo levemente.

Hamish ri e relembramos a nossa filha de sete anos e espírito ferozmente livre. E como nunca procurou a aprovação de ninguém. Em comparação com seu irmão Toby.

Mia nunca foi de agradar os outros e sabia exactamente o que queria e como lá chegar. E fazia-nos rir a todos pelo caminho. Bem, a maior parte do caminho.

Desde o momento em que chegou ao mundo, foi uma bebé saudável e uma criança selvagem. Desafiou-nos e realizou-nos.

Recordamos com alegria a nossa menina confiante, divertida e aventureira antes de começar a ficar doente. Pouco antes de celebrarmos o 4º aniversário da Mia, os médicos confirmaram o nosso pior medo. O pior medo de todos os pais.

Estamos a falar de anos não décadas. Provavelmente a Mia não vai chegar ao ensino secundário“, disse ele. “Não há cura ou tratamento para a doença de Batten“.

Enrolados juntos no sofá, longe dos hospitais e do caos do diagnóstico da Mia, as nossas caras sorriem e os nossos corações elevam-se ao imaginarmos a pessoa maravilhosa, determinada que a Mia era suposto tornar-se. Não a criança que o meu marido segura nos seus braços agora. A Mia depende de nós para cuidar dela. É completamente dependente de nós todos os dias. Todo o dia. Toda a noite. Já não consegue falar, ver, comer ou mexer-se. E esta doença neurológica rara Tira-nos um bocadinho da nossa filha a cada dia que passa.

Ela deveria andar por aí a dar ordens ao seu irmão mais novo, a dar-me respostas acesas e a gritar pela casa. A dançar, a mascarar-se, a aprender a ler. A acelerar na sua bicicleta e a entregar-nos centenas de desenhos e projectos de trabalhos feitos com as suas mãos.

Passámos a tarde a rir-nos, apesar na nossa mágoa. A jogar às damas, a dançar com o Toby e a segurar a Mia nos nossos braços. E decidimos declarar este o melhor Sábado que já alguma vez tivemos.

A presença da Mia é preciosa. Quase sagrada. A sua vulnerabilidade é uma poderosa força. E a sua capacidade de comunicar o amor sem usar palavras é única para mim. Singular. Estar com a Mia é positivo de formas que eu não consigo racionalmente compreender. Ela é capaz de diminuir tudo o que é trivial e irrelevante. Para nos focarmos no que é realmente importante.

A Mia tem-me ensinado a ser mais carinhosa, paciente, a aceitar, a ser mais ousada, presente, mais generosa. Especialmente com os que são mais vulneráveis.

Eu não tenho palavras sábias acerca de como iremos viver sem a nossa filha um dia. Seja quando for esse dia. Suponho que iremos tentar lembrar-nos o quão profundamente amámos, o que sentimos ao abraçá-la.

E o privilégio, a alegria e a dor de ter uma filha tão bonita.

Texto original publicado em Your Zen Mama (com prefácio de Teresa Palmer), Tradução: M.J. Silva

Peta Murchison e a doença de Batten

Peta Murchison vive nas Northern Beaches de Sydney, com o seu marido Hamish, os seus filhos Mia e Toby e o seu adorado Labrador Bon Bon. Uma mãe dedicada a abrir a consciência  acerca da doença de Batten. A doença de Batten é uma doença genética degenerativa que afecta crianças saudáveis que conseguem cantar, dançar e saltar. As crianças afectadas começam a perder a sua capacidade de andar, falar, ver e sorrir. Não há cura para as crianças afectadas e eventualmente tira-lhes a vida. O conhecimento e pesquisa acerca desta doença rara são imperativos para encontrar uma cura. A filha mais velha de Peta, Mia, sofre desta condição.

Bounce4batten

‘Bounce4Batten’ foi lançado em 2014 pela família e amigos de Mia, com o intuito de consciencializar as pessoas de todo o mundo sobre esta doença. A Bounce4Batten desafia as pessoas a saltarem pela Doença de Batten e a postarem as fotos nas redes sociais. A alegria de saltar fez ressoar esta mensagem, e a reação foi fantástica. Passou da família para amigos, e amigos de amigos de amigos de toda a Austrália e outros mais distantes como Nova York, Singapura e Paris. Neste momento, estão a tentar entrar para o Guinness World of Records com o maior álbum do mundo de fotografias on line com os pés no ar.

Um dia em breve esperamos desempenhar um papel na busca de uma cura através do apoio à investigação.”

 Desafio #Bounce4batten Portugal

Agora chegou a vez de Portugal apoiar a Peta e a sua família. Se leu este artigo até aqui, acabou de ser desafiado a publicar uma foto sua ou dos seus filhos com os pés no ar, e com o hashtag #bounce4batten. (A principal regra é que os dois pés (ambos portanto) Têm de estar no ar!

Se pretender ajudar a família a entrar para o Guinness Book, então terá de fazer o upload de foto aqui

Então? Vai ficar de braços cruzados, ou vai tirar os pés do chão?

bouce4batten
#bounce4batten #uptokids

 

Instagram @bounce4batten

Facebook bounce4batten.com

Website http://www.bounce4batten.com

ImagemCapa@Julie Adams

 

Um brinde a nós, mães.
Que nos desdobramos, que acumulamos tarefas, obrigações, roupas por passar, peças do puzzle por arrumar e “caraças que pisei o brinquedo pontiagudo!”.
A nós que temos casa, pessoas pequeninas e emoções para cuidar, para abraçar e para gerir, respectivamente, e tudo ao mesmo tempo.
A nós que temos noites que se confundem com dias de tanto rebuliço e preocupações e ranhos e tosses e xixis na cama. A nós que damos tanto, sem pedir nada em troca – um sorriso basta.
A nós que temos um trabalho de 24 horas por dia, que choramos às vezes na almofada o cansaço acumulado, para depois nos assoarmos com um bocado de papel e seguir em frente.
A nós que sabemos bem que o mais importante é o amor, a educação, as cócegas e brincarmos ao leão da selva, mas que não conseguimos viver na porcaria e que prolongamos as noites no meio da tábua de passar e a louça por arrumar.
A nós que vestimos calças para tapar os pêlos das pernas e “também não era preciso tanto desleixo, que raiva!”, mas não arranjámos trinta minutos entre os banhos, o levar e buscar, os jantares e o vomitado que nos obrigou a mudar a roupa da cama outra vez e a roupa toda.
A nós que às vezes não sabemos o que se passa no mundo porque o nosso mundo nos rouba o tempo todo e temos ali um livro à espera que o leiamos mas “vai ter de esperar”.
A nós que nem sempre temos a ajuda que precisamos, nem sempre temos coragem para a pedir, porque “ninguém tem de levar com o circo que montámos em nossa casa”.
A nós que queremos estar com bom ar, passear, sair, estar com pessoas, mas nem sempre temos como e “esta foi a vida que eu escolhi, por isso aguenta e espera, esses tempos virão”.
A nós que queremos ser melhores todos os dias e que sabemos que nem sempre o somos, nos culpamos, julgamos que piramos – às vezes sentimo-nos mesmo a endoidecer – mas sabemos que cá estaremos amanhã para a luta.
E que nos perguntamos como é que as nossas mães foram tão corajosas, aguentaram tanto e nem sequer estavam para aqui com estes mimimis todos.
Um brinde a nós, mães. Não temos de ser perfeitas, podemos pirar de vez em quando, chorar, ter pêlos por tirar, nem ter tempo para nos coçarmos. Um dia, conseguiremos equilibrar tudo. Um dia, até nos sobrará tempo. Mas sabem o que vai acontecer? Vamos ter saudades. Porque nesse dia, teremos ido levá-los ao comboio que os leva para a faculdade. Porque nesse dia, teremos ido ao casamento dela. Porque nesse dia, estaremos de regresso a nossa casa, depois do almoço de domingo em casa dele, e ele já não está na parte detrás do carro a cantar. E chegaremos a casa e o quarto que foi dele, e sempre será, estará vazio. Aí teremos tempo. A mais. E uma nostalgia que nos deixará um travo agridoce na boca. 
Um brinde a nós, mães. Aproveitemos tudo: a loucura, o mimo, as noites de colo sem fim. Eles por agora, não sendo (nunca são), são nossos.
Publicado originalmente em A mãe é que sabe.

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Meu querido, ser mãe não é fácil. Nada mesmo.

Querer que tudo te corra na perfeição é uma aventura para toda a vida. Ao longo deste percurso, chamado maternidade, temos muitas duvidas e incertezas. Não te posso prometer que tudo será fácil. Aliás, os obstáculos fazem parte do crescimento, mas há coisas que quero que saibas que te prometo.

Prometo abraçar-te sempre que queiras. Sempre que precisares e que quiseres mesmo que seja por capricho. Vou abraçar-te com todo o carinho que tenho por ti, por todo o tempo que precises. Nada poderá interromper um abraço nosso.

Prometo secar-te todas as tuas lágrimas. Não as vou poder evitar, mas secá-las-ei todinhas, com beijos, abraços e consolo.

Prometo brincar contigo todos os dias. Para o resto da minha vida. Não há obrigações que me tirem esse momento de alegria. Vamos brincar juntos, todos e cada dia até que o corpo mo permita. Quando não permitir, brincaremos com palavras.

Prometo ouvir-te. Ouvir tudo o que tenhas para me dizer. Seja um pedido, uma justificação, um desabafo ou uma piada. Tudo aquilo que me queiras dizer, eu vou ouvir.

Prometo gritar, junto contigo, sempre que te sentires frustrado. Prometo ajudar-te a libertar tudo o que te chateia. Se for para gritar com o mundo, gritaremos em conjunto.

Prometo proteger-te. Ser um porto seguro. Fazer-te saber que comigo estarás sempre a salvo, porque eu derrubarei tudo e todos para te proteger.

Prometo dar-te colo. Mesmo quando fores maior que eu. Sempre que ambos quisermos, teremos estes momentos de mimo entre nós. E o meu colo, nunca será pequeno, nunca estará cansado, e estará sempre aqui para ti.

Prometo procurar sempre o melhor para ti. Procurar tudo o que te interesse, e tudo o que sirva melhor os teus interesses. Nunca vou desistir de querer para ti o melhor.

Prometo não te obrigar a fazer o que não queiras. Prometo compreender-te e ouvir-te assim como sei que me vais ouvir a mim. E se não queres, não será! Cumprirei a tua vontade.

Prometo apoiar todas as tuas decisões. Por mais descabidas que possam parecer, se é o que decidiste em consciência, podes contar com o meu apoio.

Prometo tratar-te como igual. És meu filho, és a pessoa mais importante para mim, e nunca deixarei que sejas tratado de forma diferente. Como igual, tal como eu…

Prometo ser tua mãe acima de tudo o resto.

Ser o teu abraço, o teu consolo, a tua amiga, a tua confidente, a tua compincha, o teu porto seguro, o teu colo, o teu incentivo, o teu respeito, a tua igual, e tudo o mais que precises de mim.

Estarás sempre acima de tudo! E ser tua mãe, é o papel da minha vida!

Obrigada por mo permitires!

 

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As mães são a espécie mais fascinante e intrigante que irás conhecer. Na verdade, chegam a ser um bocado estranhas, é preciso tornares-te parte da “manada” para as compreenderes melhor (e mesmo assim, ui ui!).

Existem 10 síndromes que quase todas têm e que justificam os seus comportamentos peculiares (talvez não existam, mas tenta acreditar que sim, torna-se mais fácil lidar com elas).

10 síndromes que caracterizam as mães

1 – Síndrome do Sono de Golfinho

Tal como os golfinhos, que por não poderem adormecer no meio do mar ao longo do dia vão desligando alternadamente cada hemisfério cerebral durante 17 segundos, as mães que se vêem impossibilitadas de dormir várias horas seguidas vão poupando recursos ao manter  um hemisfério cerebral activado de cada vez. Isto pode explicar o motivo de não saberem onde estão as coisas (“viste onde pousei o creme da cara do bebé?“), o facto de repetirem a mesma coisa dezenas de vezes (“já tinha dito isto?“), a emissão de grunhidos em vez de respostas (hummmm), e as respostas que não se lembram de ter dado (“eu tenho a certeza que nunca disse isso“). O cérebro não está a funcionar em pleno, apenas metade está activada de cada vez, por isso haja compreensão (ou então fiquem vocês acordados a cuidar do bebé e irão ver o golfinho virar sereia).

2 – Síndrome das Celebrações Bizarras

“Fez cocó até ao pescoço, fiquei mesmo feliz por o ver tão aliviado“, “Pus o soro e era ranho a sair por todo o lado, que bom!“. Estas e outras frases são ditas diariamente por mães, eu própria já fiz danças da vitória que envolviam a macarena e o moonwalk por motivos destes. Sejamos sinceras – para quem vê de fora estas comemorações são muito maradas.

3- Síndrome do “Nem Contigo Nem Sem Ti”

Ora queremos que os nossos filhos acordem pois estamos cheias de saudades, ora olhamos fixamente para o relógio enquanto torcemos para que seja hora da sesta; ora queremos que vão brincar sozinhos, ora nos vamos meter nas brincadeiras; ora queremos que comecem a ser mais autónomos, ora tentamos fazer com que voltem a precisar de nós; ora temos vontade de os atirar janela fora (salvo seja), ora choramos por termos pensado isso e nos agarramos a eles enquanto fazemos promessas de amor. A maternidade é assim, uma montanha russa em que vamos do ponto mais alto ao ponto mais baixo (e vice-versa) em segundos. Por vezes sentimos que não sabemos o que queremos, queremos tudo e ao mesmo tempo não queremos nada – deixem lá, é da síndrome!

4- Síndrome do “Over and Out”

A comunicação das mães nos parques é das coisas mais hilariantes que existem:

– Olá, tudo bem?

– Sim e com vocês? (entretanto já um dos bebés correu para a ponta oposta do parque)

(passado 5 minutos)

– Connosco também. Ontem vi uma reportagem muito gira era sobre…(lá o bebé a puxa para o baloiço)

(passados outros 5 minutos volta a conseguir aproximar-se da amiga)

– …era sobre a amamentação no primeiro ano de vida.

– Ah, não vi, deu em que canal? (já nem consegue ouvir a resposta, é puxada para ir atrás de uma bola)

Acreditam que conseguimos passar uma tarde nisto? É verdade, uma conversa que na esplanada de um café duraria menos de 10m, no parque rende 2 horas. Se têm dificuldade em arranjar assunto e manter uma conversa, arranjem uma criança e vão até ao parque mais próximo.

5- Síndrome do “Será que?”

Apesar do síndrome de golfinho, as mães dedicam tempo e recursos à procura de respostas para várias questões criadas por si: “Será que ele devia entrar mais cedo/tarde para a creche? Será que lhe estou a dar uma boa educação? Será que devia dar-lhe mais/menos colo? Será que devia praticar outro tipo de alimentação? Será que sou boa mãe?Será…será…será?“. Estas e outras questões assombram a maioria das mães, surgem repentinamente e entram na festa sem serem convidadas; algumas causam um sentimento enorme de angústia e frustração. Embora de início seja difícil lidar com tantas incertezas, com o tempo vamos conseguindo responder com convicção a cada uma destas perguntas.

6- Síndrome de Doraemon (ou para quem se lembra, Sport Billy)

Lembram-se do Doraemon? Aquele gato azul vindo do futuro que tinha uma bolsinha mágica de onde tirava todo o tipo de objectos e engenhocas para ajudar o seu amigo humano Nobita. Pois é, as mães também têm este poder. Faz o teste – experimenta pedir um objecto qualquer a uma mãe, como uma chave estrela ou um palito, vais ver que depois de ela revirar a bolsa do bebé irá encontrar o que acabaste de pedir. Pensando bem, começo a achar que estas bolsas devem ter um fundo falso.

7- Síndrome do Nervo Óptico Latejante

“Já não mama? Ai, eu tinha leite suficiente para alimentar 5 bebés”.

“Ainda não fala? Os meus começaram a falar ainda eu estava no recobro”.

“Faz birras? Eu sempre consegui educar os meus para que não me fizessem passar vergonhas”.

Se repararem, enquanto as mães ouvem estas pérolas um dos olhos começa a ficar semicerrado e vai tremendo, enquanto aumenta e diminui de tamanho (não consigo escrever sobre isto sem que a síndrome dê um ar de sua graça). Esta síndrome é activada com questões descabidas, comentários inoportunos e comparações desnecessárias. Solução: não chatear as mães com conversas da treta.

8 – Síndrome do “Vou só comprar umas calças mas afinal volto com um saco de roupa de bebé”

Um título gigante mas que capta a essência da síndrome. Quantas de nós abrem o armário, reparam que precisam urgentemente de ir comprar umas calças, deslocam-se até ao centro comercial com esta missão e voltam cheias de sacos com roupa para o filho e sem uma única peça para si, inclusive sem as tais calças que tanto precisavam? Tão típico que até dói!

9 – Síndrome de Culpa

Infelizmente, a maternidade e a culpa andam frequentemente de mãos dadas. Essa culpa resulta da própria apreciação das mães, mas também lhes é frequentemente apontada pela sociedade. A criança come pouco? A culpa é da mãe que não faz sopas saborosas. A criança atira-se para o chão no hipermercado? A culpa é da mãe que não a soube educar. A criança adoeceu? A culpa é da mãe que não a agasalha convenientemente.  Os nossos filhotes têm cérebro e, consequentemente, vontade própria, logo nem tudo depende de nós. Além disso, “a culpa” também é nossa cada vez que eles sorriem, que cantam alegremente, que brincam livres, que mostram que são felizes – esta sim é uma “culpa” que nos vai marcar eternamente.

10- Síndrome do Sorriso Babado

Experimentem olhar para uma foto do vosso bebé e tentem não sorrir. Impossível! O mesmo se passa quando os vemos dormir, quando nos olham nos olhos, quando passam aquelas mãos gulosas pelos nossos rostos ou até enquanto se espremem para fazer cocó. Ao falarmos deles, até das coisas que nos agradam menos, acabamos por ficar com os olhos brilhantes e lá vem o sorriso babado. Nós amamos tanto estes seres pequeninos que quase tudo o que fazem nos enche de felicidade, às vezes nem conseguimos explicar o motivo de tanta alegria. Sinceramente, nunca sorri (e ri) tanto como desde que sou mãe.

imagem@weheartit

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No decorrer apressado dos dias, pouco tempo temos para desacelerar e pensar em quem vem ao nosso lado ou atrás de nós, a seguir-nos os passos: os nossos filhos e filhas.

Tenho noção clara do papel dos pais e mães na educação dos filhos e das filhas e como os exemplos influenciam a formação dos novos cidadãos e cidadãs. Contudo, nem sempre penso nisso nas minhas atitudes no dia a dia.

Apercebi-me que a minha filha imita todos os meus passos e, se por vezes acho engraçado, outras torna-se desconfortável. Com os rapazes nunca assimilei tal comportamento…

A minha filha observa-me ao pormenor: a roupa que uso, o que faço no trabalho, como penteio o cabelo, como uso maquilhagem (as poucas vezes que uso) e principalmente o batom. Fica atenta aos meus passos como fosse a minha sombra.

Observa o que gosto de fazer e tenta repetir os meus atos com uma facilidade que me surpreende. Tenta escrever como eu e já ensaia poemas qu,e ao contrário dos da mãe, rimam. Já aprendeu a fazer Zumba e agora tenta fazer Pound Fitness. E não é que consegue?! E foi neste momento que descobri que sou o seu exemplo de referência, e consequentemente, apercebi-me do cuidado que devo ter com as minhas atitudes.

As mães são os espelhos das filhas e a nós mães cabe o papel de sermos “bons modelos” criando Mulheres que no futuro saberão lidar com o mundo modificando estereótipos enraizados na sociedade.

Quando ela crescer quero que seja uma Mulher independente, corajosa, forte e sobretudo que se ame, valorizando todas as suas qualidades. Espero que a sua vontade prevaleça e que as suas asas voem sempre mais além, sem que seja colhida num dos seus voos … Pois, a liberdade é preciosa!

Enquanto isso terei de ser a Mulher que quero que a minha filha seja…

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imagem@paylaGoble

A mãe que hoje sou é uma.
A mãe que eu achava que ia ser é outra.
A mãe que eu serei daqui para a frente outra será.
Todas nós já enchemos, pelo menos uma vez na vida, o peito e dissemos, do alto da nossa segurança, que não iríamos ser como “aqueles pais”. “Filho meu não fará aquilo” ou “eu não serei assim”. Depois, na prática, muitas coisas mudam. Antes ainda de os conhecermos, o quarto deles ganha forma, compra-se o berço, monta-se a estante e erguem-se, também, muitas teorias de como iremos reagir, educar e orientar.
Depois, quando eles nascem e a nossa vida muda, caem também por terra muitos dos preconceitos que criámos. Passamos a entender outras escolhas, passamos a compreender que há excepções à regra e que se calhar, daquela vez, naquele restaurante, estávamos perante uma excepção ou daquela vez, no supermercado, aquele pai falou mais alto para o miúdo, excepcionalmente. Descobrimos que, afinal, também nós gritamos. Mesmo que excepcionalmente. E que isso é humano.
Seja porque tentámos outras opções e todas elas falharam e queremos testar também essa (mesmo que não nos faça muito sentido, mas já estamos por tudo), seja porque nem sempre conseguimos ser a melhor versão de nós próprios e também erramos, os pais que somos afastam-se – às vezes até demais – daquilo que delineámos.
A mãe que eu achava que ia ser é diferente da que hoje sou. Achei que fosse ser mais paciente, achei que nunca iria mandar a minha filha parar de chorar (e já o fiz, várias vezes até), achei que – vejam só o optimismo [e puro desconhecimento das fases de crescimento de uma criança] – a minha filha não faria birras.
A mãe que hoje sou é uma mãe com mais experiência, mas com muito por aprender.
A mãe que serei daqui para a frente será uma mãe mais confiante, mas cheia de dúvidas. Porque já percebi que estes pólos vivem lado a lado, sempre, pela vida fora.
A mãe que serei daqui para a frente é alguém em permanente melhoria, mas alguém que já decidiu deixar de tentar ser perfeita, simplesmente porque isso não existe.
Agora? Julgo menos, muito menos.
A Mãe que sou e que serei?
Uma mãe cheia de amor para dar.
Cheia de empatia, carinho e mimo.
Cheia de “sins” e de alguns “nãos”, os que forem precisos.
Uma mãe que fala baixo, que desce ao nível delas, que olha nos olhos, mas que às vezes também solta um ou outro grito.

 

Artigo publicado originalmente em A mãe é que sabe

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Se, antes de ter filhos, eu soubesse

Será que sou má mãe?

 

Sabe o que há de maravilhoso em ter filhos? Só tem quem quer. Não é obrigatório! Isso mesmo, ter ou não ter filhos é uma escolha absolutamente racional. Não é uma decisão que se tome porque se está apaixonado por alguém, ou porque está à procura de um sentido para a vida, ou porque se esteja a sentir solitário e ande a sonhar com uma família daquelas dos anuncios. Tornar-se pai ou mãe envolve um enorme compromisso que é responsabilizar-se cem por cento pela vida de uma outra pessoa que, não escolheu ser a sua extensão, continuação, inspiração ou coisa que o valha.

E sabe o que há de terrível em ter filhos? É que um grande número de homens e mulheres tomam essa decisão para cumprir um papel social ou fazem-no, simplesmente, por acidente, ou porque fizeram sexo sem proteção ignorando o facto de que é exatamente assim que nós, seres humanos, nos reproduzimos. E o que se pode esperar de pessoas que trouxeram outra pessoa a este mundo por pressão social ou por imprudência?

Seguindo esta linha de raciocínio, passemos a uma necessária reflexão sobre o que é responsabilizar-se pela existência de um ser humano. Nascemos filhotes, exatamente como as outras espécies animais, só que com uma pequena diferença: dependemos dos nossos pais para absolutamente tudo; e se formos abandonados sem cuidados, morremos; tão simples quanto isto!

Ao contrário das outras espécies animais, permanecemos dependentes durante grande parte das nossas vidas. Bem, na verdade, alguns  ficam dependentes eternamente. Mas, voltando ao fulcro da questão, os seres humanos costumam depender dos seus progenitores até que sejam capazes de prover seu próprio sustento e responsabilizar-se por si mesmos. E antes disso acontecer, os seres humanos passam pela infância e não há o que se possa fazer para alterar esse fato.

Sendo assim, fica claro que ter filhos é um projeto e uma tarefa de longo prazo. Passados os primeiros desafios de cuidar de um bebé, o que envolve noites sem dormir, alterações importantes na rotina de vida, choros indecifráveis, um amor de tirar o fôlego, fraldas sujas, intercorrências de saúde inesperadas, alegrias desmedidas e mais um tanto imenso de outras variáveis que ocupariam páginas e mais páginas de texto, esse bebé vai crescer e passará a ser uma versão de ser humano tão encantadora quanto desafiadora, chamada criança.

As crianças são seres humanos na fase mais interessante da vida. Costumam ser inquietas, curiosas, desconcertantemente espontâneas, algumas vezes cruéis, muitas vezes apaixonantes e são um mistério quase completo para os adultos que teimam em não admitir que já foram crianças um dia.

As crianças precisam de atenção, de carinho, de cuidados físicos, de autoridade amorosa, de exemplos vivos de comportamento ético, de coerência entre ação e discurso, de um ambiente alegre e saudável para se desenvolver. Uma criança precisa de educação e educar é uma função intransferível daqueles que se responsabilizaram por ela, seja por vias biológicas ou não.
Educar uma criança não é tarefa fácil, sendo muito exaustivo tanto do ponto de vista físico quanto emocional e psicológico. Há crianças que necessitam de mais de cuidados, exatamente pelo facto de serem mais difíceis de se lidar porque acreditam que o mundo lá fora terá dificuldades em amá-las e é, exatamente por isso que precisam de ser amadas dentro desse núcleo familiar que ESCOLHEU tê-la.

Não se bate nas crianças. Nunca. De jeito nenhum. Sob nenhum pretexto. E, não, não pode dar nem uma palmada na hora certa, nem uma chinelada no rabo. Não pode e pronto! Quando o adulto responsável chega ao cúmulo de desejar ferir uma criança, é porque perdeu completamente a dimensão da sua missão em relação a ela. O adulto responsável que recorre a gritos, ameaças e agressões (por menores que sejam), passam para a criança a seguinte mensagem: “Estou perdido. Não sei o que fazer contigo.”

Além disso, o facto de se descontrolar perante uma criança porque está a desafiar a sua autoridade, seja ela parental ou não; ou porque parece ter muitas dificuldades em seguir regras ou porque teima em não cumprir as combinações e está constantemente a testar a sua paciência, equivale a ensiná-la que é isso que ela deve fazer perante os inúmeros e variados desafios ao longo da vida.
Educar uma criança requer que o responsável se lembre SEMPRE que ele é que é o adulto da relação. Que as crianças são seres em formação e o seu comportamento pode e vai ser difícil muitas vezes. Corrige-se uma criança com firmeza e doçura ao mesmo tempo, olhando nos olhos, em voz baixa e calma. Corrige-se uma criança, oferecendo-lhe meios de transformar o seu comportamento a partir de exemplos de conduta estável e coerente. Corrige-se uma criança em privado, nunca à frente dos outros. Corrige-se sem humilhar.

Portanto, se fez a escolha de se responsabilizar por uma criança, entenda de uma vez por todas que essa escolha redefinirá a sua vida a partir do nascimento, ou melhor, desde a concepção deste bebé.  Esqueça as expectativas de trazer uma bonequinha ou um bonequinho para casa e aproveite a oportunidade para trazer à tona a sua melhor versão de si mesmo, para que esse filho se possa sentir seguro, amado e respeitado.

E, assim possa ter orgulho dos pais que optaram por tê-lo.

 

Por Ana Macarini, para A Soma de Todos os Afetos

adaptado por Up To Kids®

Querida filha,

Chegaste oficialmente à idade dos porquês. Chegaste também à fase em que achas que tudo será maravilhoso quando cresceres.

Dizes que quando cresceres vais pintar os olhos como eu.

Respondo-te que a beleza não está na maquilhagem que usamos, que deverás aprender a gostar de ti como és.

Dizes que vais ter barba, como o pai.

Respondo-te que o que tens dele e o que dele deverás querer honrar não tem nada a ver com isso, mas com a bondade do teu coração.

Dizes que vais andar de trotinete.

Repondo que verás o mundo com a ajuda de muitos meios de transporte, mas o que mais importa são os teus olhos: o que eles vêem, a forma como eles apreendem o que está à sua volta.

Dizes que pintarás também as bochechas.

Respondo que talvez, quem sabe se vais ligar a esse tipo de coisas?

Dizes que vais ler livros sem desenhos.

Respondo que te ajudarão a sonhar de olhos abertos, a viajar a sítios desconhecidos, a rir e chorar sozinha.

Dizes que irás de mota para o trabalho, como o pai.

Respondo que logo veremos, que o meu coração fica pequenino de te imaginar a passar por entre os carros.

Dizes que vais correr ainda mais depressa.

Respondo-te que não corras depressa demais, sob pena de perderes as coisas importantes por que vais passar.

Dizes que vais finalmente descer pelo poste que está no parque, qual bombeira.

Respondo-te que às vezes a espera sabe bem e nos faz apreciar as pequenas conquistas.

Dizes que vais conseguir andar no baloiço sem ser empurrada.

Respondo que, se fores como a mãe, gostarás dessa sensação até seres velhinha.

Dizes que vais chegar ao céu.

Respondo que tocamos o céu todos os dias, um bocadinho, quando temos a sorte de estar com quem amamos.

Contigo, chego ao céu. E estarei aqui para te ir respondendo a todos os teus porquês, para ouvir os teus planos e aquilo que acreditas que vais fazer quando cresceres. Quando lá chegares, nem te lembrarás de metade das metas que traçaste porque o segredo é viver, querida filha.

Vive.

Vive o agora.

Quando cresceres logo tens tempo de ser crescida.

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Um dia ensino-te…

Não tenhas medo

O valor das coisas

 

imagem@stocksy

Querida mãe de primeira viagem,

ainda me lembro quando estava no teu lugar. Os medos, os receios, as dúvidas, os “ses ”…

Sim, tal como tu, também tinha essa necessidade de saber todas as estatísticas e explicações para o valor de cada exame e cada análise, mas acredita, basta saberes que está tudo a correr bem, confiar no médico que te acompanha e preocupar-te com assuntos como a decoração do quarto. Podes guardar a médica e enfermeira que há em ti para quando o bebé nascer.

Vive a tua gravidez com serenidade, longe de perguntas, de medos e do Dr. Google.

Controla essa tendência de querer planear tudo: o dia em que o bebé vai nascer, o tipo de parto ou a amamentação em exclusivo. Não te preocupes com o desconhecido, há coisas que só saberás depois de acontecerem. Deixa os dias acontecerem, um a seguir ao outro, um de cada vez.

Vais ter medo da dor, do parto, da amamentação, das noites mal dormidas, da exaustão e da responsabilidade de ter de cuidar de alguém 24h por dia para o resto da tua vida. Sim, vai ser para o resto da tua vida, e ainda bem.

Quando um dia deres por ti atrás de uma porta de casa de banho a chorar e sem saber porquê, não fiques preocupada, acredites ou não, faz parte e é normal. Aos poucos, as coisas vão entrando nos eixos, começas a criar a tua/vossa rotina, vais conseguir tirar o pijama, tomar banho, dormir 3 horas seguidas, e responder a perguntas básicas como: como é que te chamas?

Não acredites que vais ter dificuldades para cuidar do teu bebé ou para manter a tua sanidade no turbilhão que é ter um bebé em casa (sim não é mito, é mesmo!). Existe uma coisa chamada instinto que nunca te vai falhar e que se vai manifestar em TODOS os momentos que precisares.

Também vais morder a língua: todas nós mordemos em algum momento, mas também está tudo bem, até porque não podes nem deves cobrar-te nunca. Não deves ler tudo o que existe, nem absorver tudo o que ouves sob pena de enlouqueceres com tanta opinião, conceitos e valores que muitas vezes nem vestem a tua pele, mas como a vizinha fez também vou fazer.

Não vais nada!

Tenho a certeza que tu vais construir a tua própria maneira de viver a maternidade e acredita que será única, pessoal e intransmissível.

Ah sim, claro que vais andar cansada, aliás, esgotada é o termo mais apropriado, e se deres por ti a perguntar-te: “O que eu fui fazer da minha vida?” também é normal.

Vais conseguir superar os dias difíceis e saborear os bons, até porque, quando aquele gordo mais querido cor de rosa solta um gemido e encosta a sua mão minúscula de pele macia e cheirosa na tua pele, o teu mundo vai parar e vais esquecer tudo ali, naquele momento.

O tal amor arrebatador, incondicional, encantador, total, absoluto e integro que tudo explica é o único sentido de toda esta experiência.

E lembra-te, as horas podem parecer muito longas, os dias podem parecer intermináveis, mas confia em mim quando te digo que os anos são curtos. É mesmo, mas mesmo verdade, que passa e crescem num instante.

Boa viagem!

Vais ser capaz ♥️

imagem@fotolia

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