Como tornar-se no mãe mais paciente?

Ser mãe é ser uma espécie de super mulher. Uma super heroína cujo esforço ninguém realmente (re)conhece, que tem de pensar em tudo, de conciliar muitas-vezes-sem-saber-como os filhos, a lida da casa e a vida profissional. Ah, e que ainda tem de ser uma esposa perfeita, sempre impecável, arranjada, elegante e disponível para agradar ao marido.

Com tanta responsabilidade em cima dos ombros, é natural que a paciência não seja uma virtude fácil de cultivar. E quem é que normalmente paga por isso? Aqueles que estão mais próximos: os filhos.

Para a ajudar a lidar com a pressão do dia a dia, aqui ficam algumas dicas que podem ajudar a torná-la numa mãe mais paciente:

1 – Acalme-se antes de (re)agir

Sei que é fácil falar, mas leia até ao fim. É normal que, enquanto mãe, se irrite e perca a paciência com os seus filhos, quando se portam “mal”. Mas não desespere nem se sinta culpada.

Com algum treino é possível diminuir (e muito!) a quantidade de vezes em que isso acontece. E fazer com que isso seja a excepção e não a regra.

Quando o seu filho fizer algo que a deixe irritada, zangada, tente acalmar-se antes de (re)agir, respirando fundo ou saindo de cena, por exemplo. Neste último caso, informe a criança de que precisa de se acalmar mas que voltará para falarem tranquilamente sobre o assunto. Atenção ao tom de voz, que deve ser firme mas respeituoso ao mesmo tempo! Às vezes bastam segundos para reagruparmos os pensamentos e acedermos novamente à parte racional do nosso cérebro, o que não acontece nos momentos de conflito. O que pode tornar a sua reacção perigosa e com consequências negativas no longo prazo. Depois é tentar retomar a conexão perdida, conversar sobre o que se passou e procurar que dali saia uma solução conjunta.

2 – Avalie a dimensão do problema

Será que o que aconteceu foi assim tão grave? Quando estamos irritados, cansados, sem paciência, tendemos a dramatizar e as situações (as birras, por exemplo) ganham proporções que, em condições normais, não ganhariam. Depois de se acalmar, pense se vale a pena empolar as coisas ou se é algo que se resolve facilmente, com um abraço ou uma curta conversa, por exemplo.

3 – Reserve um tempo para si

Todas as mães precisam de parar e de ter algum tempo para si próprias. Já sei, não tem tempo livre… Ou talvez necessite de se organizar melhor, pense lá bem…

A maioria das mães esquece-se das suas necessidades para cuidar dos outros. Mas pense nisto: tal como as crianças, também os adultos agem melhor quando se sentem melhor. E o autocuidado é essencial. Cuide de si!

Às vezes, tirar meia hora para ir às compras, fazer um jogging, uma massagem, tomar um banho, ler um livro, ir ao ginásio, comer um gelado, por exemplo, é suficiente para lhe dar a energia de que precisa para estar mental e fisicamente bem para o enorme desafio de ser mãe.

Se há algo que adora fazer, arranje tempo para isso. Enquanto o bebé dorme ou as crianças estão na escola, por exemplo.

4 – Durma!

Sei bem como é fácil falar, também passei por isso enquanto pai a dobrar… Desde que é mãe acabaram-se as noites tranquilas, certo? Ainda assim, lembre-se que é essencial o descanso, sobretudo noturno. E é imperativo que as crianças tenham uma boa rotina de sono. Ponha-as a dormir cedo, até para depois poder também a mãe descansar…

5 – Planeie um tempo especial mãe-filho

É uma das “ferramentas” de Disciplina Positiva que melhor resultam cá em casa. Planeie um programa especial com os seus filhos, não precisa de ter muito tempo disponível. Um lanche a dois, uma ida ao parque infantil ou um simples passeio onde poderão ir a conversar pela rua. Vai ver como fará milagres pela vossa relação!

6 – Organize-se

Por vezes é complicado, com tantas tarefas, saber o que fazer para as conciliar a todas. Uma boa organização pode ajudar a acabar com o caos do dia a dia. Pode criar, com a ajuda dos miúdos, uma tabela de rotinas diária, que é ao mesmo tempo útil e divertida. A partir daí é a tabela que “manda”, que “diz” o que eles têm de fazer a seguir. O que evita muitas “guerras” desnecessárias.

Uma questão de prioridades!

Educar uma criança exige treino, tempo e paciência. Mas vale a pena. É uma escolha, entre perder a calma ou mantê-la. E uma questão de prioridades. Comece hoje a mudança, para colher os frutos amanhã.

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O tempo de qualidade é feito de rotinas, de momentos simples, de gargalhadas, de conversas, de amor, todos os dias.

Existe um mito que diz que os pais não passam tempo de qualidade com os filhos. E o que é isso do tempo de qualidade? Mais uma merda que alguém inventou para encher os pais de culpa. Como se o tempo de qualidade fosse apenas feito de experiências épicas ou de pais sentados no chão a brincar com os filhos de cronómetro na mão.

Não é.

Tempo de qualidade é quando estamos a tomar o pequeno-almoço no sofá e temos os miúdos à nossa volta a comer do nosso pão. É quando o pai está a pentear a mais velha com a delicadeza que eu não tenho, enquanto o mais novo lava os dentes sozinho. É vê-los a descer as escadas ao colo do pai e eu a pedir para falarem mais baixo porque os vizinhos estão a dormir.

Tempo de qualidade é quando chegamos a casa e os deixamos ver a Patrulha Pata e o Ruca e a Masha, enquanto o pai faz o jantar e eu lhes preparo o banho.
É dar banho aos dois ao mesmo tempo, lavar a cabeça dela, enquanto ela lava a cabeça do irmão, é tirá-los do banho e vesti-los na nossa cama.
Tempo de qualidade são as conversas com a mais velha durante o jantar ou quando jogamos à bola na sala antes de eles irem para a cama.
É estarmos as duas no sofá a colar cromos na caderneta da Bela e o Monstro ou vermos o E. T. até ao fim ou quando ela nos diz que sabe cantar em inglês as músicas do Música no Coração.
Tempo de qualidade é vê-los correr na praceta a chamarem os gatos da rua ou irmos ao parque dar pão aos patos. É vê-lo destemido a descer o escorrega pela primeira vez. Ou vê-la de caracóis ao vento no baloiço que a leva até à lua.

O tempo de qualidade é feito de rotinas, de momentos simples, de gargalhadas, de conversas, de amor, todos os dias.
Era bom que percebessem isso e deixassem de lixar a cabeça aos pais. Esta merda já é difícil o suficiente sem dedos apontados.

E quando o Gato lhes comeu a língua?

“– Ah e tal, dizem-me que o mais importante é falar com o meu/minha filho/a.

– Verdade.

– Mas e se ele não fala comigo?

– Pois…”

A mudança nos padrões de comunicação pode ser uma realidade, mais ou menos sentida, na maioria das famílias e é reflexo das muitas mudanças ocorridas na adolescência, que implicam uma maior introspeção e a necessidade de reorganização interna.

Ora para quem se habituou a ter dos filhos respostas rápidas sempre que os questionava sobre a vida e sobre a escola, pode ser especialmente difícil obter um vago e insípido “Hum, hum…”, sempre que tenta saber mais.

Ainda assim, mesmo que às vezes seja frustrante, vale a pena insistir e comunicar, pelo que aqui vão algumas propostas que talvez ajudem.

6 dicas para habituares o teu filho a comunicar contigo

1. Banalizar os momentos de conversa.

Falar no caminho para a escola, durante o jantar, enquanto fazem compras, durante uma caminhada… torna a comunicação parte da rotina e traz a naturalidade necessária para que os temas sérios aconteçam, sem que a sua seriedade seja entendida como solene… e chata. Criar momentos e rotinas especiais com cada filho, que procurem ir ao encontro daqueles que são os seus interesses, ajuda também a que se sintam importantes e estimula a que a relação se mantenha próxima e saudável.

2. Abrir as perguntas.

Ajuda a trazer respostas mais significativas e espontâneas.
– “O que foi mais interessante no teu dia hoje?”
– “O que gostarias que tivesse acontecido de forma diferente?”
Ou, de uma forma mais criativa:
– “Se fizesses o teu próprio filme que título lhe darias?”
-“Se pudesses mudar uma coisa no mundo o que mudarias?”…

3. Partilhar quem somos.

Falar sobre nós, sobre o desafio que estamos a atravessar no trabalho, sobre a ideia de tirar um curso de pintura, sobre o restaurante novo onde fomos almoçar, etc, contribui para que se sintam mais próximos e valorizados na sua presença.

4. Sermos honestos.

“Eu entendo que agora não te apeteça falar mas eu gostava de compreender melhor o que se passa e poder ajudar. Como achas que posso fazê-lo?” Mostrar-lhes que estamos atentos será sempre positivo. Dizer-lhes que sabemos que é difícil, torna-nos mais empáticos. Pedir-lhes ajuda sobre a melhor forma de apoiar, fá-los sentirem-se respeitados.

5. Não levar a peito. 

Podem existir dias em que, mesmo que te pintes de amarelo e faças o pino, não consigas sacar-lhe um sorriso ou uma frase completa. Não é um ataque pessoal nem significa que vocês não tenham uma boa relação, pode apenas querer dizer que aquele não é um dia bom (tu também os tens). Outros dias virão e com eles outras oportunidades. Eles precisam da segurança de que tu sabes disso. E entendes.

6. Dar asas à comunicação.

A comunicação faz-se de muitas formas e se a palavra não funcionar existe sempre a possibilidade de escrever. Podem fugir das conversas “tête-à-tête”, mas gostarão de encontrar um post-it num local estratégico a dizer: “Estou tão orgulhosa/o da forma como resolveste o problema com a Joana”, ou um email a dizer que o teste de Filosofia vai correr bem. Não é o meio que usamos para comunicar que é mais importante, mas sim garantir que a informação lhes chega e não os deixa esquecer que estamos por perto e nos importamos.

7. Propor alternativas.

Uma vez que estas coisas nem sempre vão funcionar ou até porque sabemos que há assuntos que são particularmente difíceis (para nós ou para eles), é importante que existam momentos com outros adultos significativos. Um almoço estratégico com uma tia com quem se identificam e têm boa relação, um pedido de ajuda a um professor de referência ou a sugestão de uma conversa com o psicólogo da escola, podem constituir canais de comunicação importantes e extremamente protetores.

E por fim, porque tu tens em mãos a mais incrível missão, esta é para ti: Senta-te, respira e confia.

Nem sempre a estrada é fácil, nem sempre estarás preparada/o, e vais ter medo… muitas e muitas vezes. Mas no meio deste turbilhão de emoções, existe a certeza de que ajudar alguém a crescer, é uma das experiências mais extraordinárias que a vida nos pode dar.

O resto, dar-te-ão eles, no sábio retorno e na doce sensação de que vive em vós o segredo de um amor maior.

“O meu filho não tem motivação para nada”.

Esta é uma das frases que mais oiço por parte de pais de adolescentes.

Do lado de cá, compreendo-lhes a angústia, tal como sou solidária com o lado de lá, que usa a inércia para mascarar o medo, a vergonha ou a incerteza de não se saber bem quem se é ou de não se estar à altura daquilo que esperam que se seja.

Quando nos nasce um filho, nasce-nos um sem fim de desejos, de projetos, de finais felizes, que servirão como uma luva (achamos nós) àquele pequenino ser. Nasce, ainda, a oportunidade única de nos redimirmos do nosso lado lunar, esperando que deles, seres de luz, venha sempre sol.

À medida que crescem e se tornam gente, vão dando pequeninos passos no sentido de nos ensinar a ajustar expectativas, a tropeçar nas certezas que criámos e a perceber que afinal por ali mora, tal como em nós, a lua, o sol e até a chuva intensa. E é precisamente aqui, nesta espécie de microclima tropical que é a adolescência, que tudo aquilo que sonhámos que seriam, dá lugar a tudo o que podem vir a ser e à necessidade de o perceber através de um caminho próprio, único e irrepetível.

O que se segue, é muitas vezes uma dança difícil entre pais e filhos, marcada pela tensão natural entre quem exige e quem é exigido e tantas vezes, pelo desejo secreto de que as coisas pudessem resolver-se outra vez com um pronto  “Anda cá que a mãe ensina…”.

E agora?” – perguntam vocês. “Como é que se ajuda a sair da tempestade, molhados, mas com vontade de enfrentar as próximas?” E eu respondo, outra vez: “Sendo porto de abrigo”, sempre que possamos tentar os passos seguintes:

Dar espaço.

Conviver com um filho que não parece interessar-se por nada, que não estuda, que não cumpre, que se perde nas horas do dia, pode ser extremamente desafiante para os pais, correndo-se o risco de transformar a sua inércia no tema de conversa preferido de toda a família (não que o prefiram, mas ele está sempre lá). Passa então a falar-se sobre isto constantemente, à refeição, na chegada a casa, antes de dormir, no carro à porta da escola… E com o tempo, a desmotivação passa a definir a sua atitude geral perante a vida e o que era passageiro, instala-se e perdura. É por isso importante desligar o modo “sermão” e centrarmo-nos naquelas que são as suas características positivas. Valorizar todas as oportunidades que possam tornar-se acendalha para lhes atear a chama outra vez. E é importante, sobretudo, deixar de falar deles e passar a falar com eles.

Compreender.

A falta de empenho é muitas vezes apenas a parte visível do iceberg. Um recurso para se defenderem de algo com o qual não se sentem capazes de lidar. Não liga nenhuma à escola porque acredita que os outros serão sempre melhores do que ele. Não investe no exame final porque acha que nunca vai conseguir ter uma nota que satisfaça a família. E assim, por evitamento, se vão confirmando todas as profecias, as dos pais e as do próprio.

É assim fundamental compreender que a desmotivação pode ser um sinal de alterações emocionais ou de uma baixa auto estima que, alimentadas por sentimentos de incapacidade ou de maior vulnerabilidade, acabam por impedir os jovens de explorarem as suas capacidades e de correrem atrás daquilo que desejam. Ouvir o que tenham para dizer (evitando o rótulo fácil), procurar ser empático com o que estão a sentir e partilhar quem fomos em momentos semelhantes, pode ajudar a desbloquear emoções associadas ao momento de impasse, tornando-as menos pesadas e logo, mais passíveis de transformação.

Exigir.

Compreender o que sentem e os desafios que atravessam. Isto não significa que sejamos coniventes com a distância afetiva que aumenta sempre que chegam tarde a casa por sistema ou sempre que evitam a todo o custo qualquer programa de família. Na adolescência, a experimentação de uma maior autonomia e independência, natural e altamente desejável, não pode sobrepor-se em larga escala ao tempo de todos e às regras de funcionamento do espaço familiar (horários, rotinas, divisão de tarefas…). Quer isto dizer que são de compreender e tolerar algumas escapadelas, mas o essencial deve manter-se, por mais contrariedade que às vezes provoque.

Acreditar.

Saber que a adolescência é um período de  aprendizagens riquíssimas e de aquisições determinantes para o resto da vida, ainda que às vezes a navegação pareça fazer-se ao sabor do vento, ajuda a não perder de vista a importância de valorizar e a incentivar todos os pequenos passos que possam dar em direção ao crescimento. Estimulá-los a que se envolvam ativamente nas diferentes alternativas de solução para os problemas com que se deparem, fá-los também sentir também que confiamos na sua capacidade para superar todos desafios, ajudando a agir.

Quando um filho nos diz que não tem motivação, pode estar a dizer-nos que precisa que o ajudem a compreender-se melhor. Que precisa que olhem para si tal como é (e não como as histórias que se contam sobre ele) . Que precisa, enfim, que lhe digam, muitas e muitas vezes, que a vida vale a pena e que neles mora tudo o que é preciso para conquistar o mundo.

Ainda que o passo firme e o brilho no olhar possam vir depois, e se instalem, para não mais os deixarem sair.

imagem@wapmia

As Crianças não são pombos correio

Há, e todos sabemos, situações familiares muito complicadas.

Há situações em que o diálogo é quase inexistente, outras em que a comunicação é feita através de acusações, gritos, ofensas.

Há pessoas que estão constantemente, por causa disso, a usar os filhos/netos/afilhados/sobrinhos, como mensageiros.

“O teu pai não é capaz de fazer isto bem feito”.

“Que mania que a tua mãe tem de mandar X ou Y”.

“Diz à tua mãe que isto ou aquilo”.

Todos os exemplos dados aqui em cima são errados. São de evitar ao máximo. Põem uma carga em cima das crianças que não lhes pertence.

Nenhum miúdo, tenha que idade tiver, deve ouvir comentários menos positivos em relação aos progenitores, por mais verdade que possa haver no que for dito (e isto vale a comentários feitos em relação a avós, tios, etc).

Nenhum miúdo deve sentir que tem uma mensagem a passar à mãe/pai quando regressa de um fim de semana com o outro progenitor.

Nenhuma criança deve sequer preocupar-se com assuntos de adultos, seja o assunto divergências em relação à educação, a como é passado o tempo, aos horários praticados, à roupa que é enviada ou o estado em que regressa, à situação amorosa dos pais (seja a nova seja a antiga: reconciliação entre os pais, impossibilidade de estarem juntos sem se aborrecerem, etc), aos problemas financeiros (contribuições ou falta delas).

As crianças devem ser crianças.

E se existe uma situação em que os pais ou não estão juntos ou não conseguem entender-se isso já coloca nas crianças um peso que preferencialmente todos os envolvidos gostariam que não acontecesse. Não é justo fazer as crianças levantar os olhos dos brinquedos, do seu mundo de fantasia e afectos para os ver a observar os pais com olhos analíticos, com vozes a ressoar na sua cabeça. Não é saudável, não é justo, simplesmente não se faz – seja qual for o recado.

Bem sei que muitas vezes até nem há maldade, os adultos envolvem as crianças nos seus pensamentos, arrastam-nos achando até que podem ser eles o catalisador de uma mudança positiva. Se forem, que seja por presença indirecta e não por estarem no meio do campo de batalha com  a bandeirinha branca na mão, a ser incessantemente agitada.

Se a mãe quer dizer alguma coisa ao pai, fale com ele.

Se a avó quer dizer alguma coisa à mãe, fale com ela.

Se o pai quer dizer alguma coisa ao sogro, fale com ele.

Se o avô tem alguma coisa a dizer, fale com o filho ou a filha.

De adulto para adulto.

Nos casos mais difíceis, em que simplesmente é impossível comunicar, procure-se ajuda de um intermediário, um assistente social, por exemplo.

Nunca as crianças.

Sempre o adulto.

Deixemos as nossas crianças viverem a sua infância sendo livres, leves e apenas tendo como preocupação os que as rodeiam naquilo que é realmente importante.

Mesmo que estejamos cheios de boas intenções.

Os adultos somos nós.

Façamos um esforço.

imagem@weheartit

Os teus filhos precisam de ti e não do teu dinheiro

Na sociedade de hoje em dia, há a ideia errada de que dar presentes é demonstrativo de amor e afeto. Assim, os gestos genuínos que representam amor e carinho são, muitas vezes, substituídos por presentes e diversas atividades.

Hoje, uma criança feliz é aquela que tem e faz de tudo, desde a natação, ao inglês, ao futebol. As nossas crianças sabem fazer muita coisa, mas têm pouco espaço dentro de suas próprias casas.

Pais demasiado ocupados para estar com os filhos e que, ao mesmo tempo, ocupam excessivamente os filhos, como forma de “suprir” essa falta. Não tentamos culpabilizar os pais, mas sim promover uma reflexão sobre a relação pais e filhos, a qual é muito importante e tem sido deixada, cada vez mais, de lado.

Porque é que os teus filhos precisam de ti

Por mais que uma criança tenha mil e uma atividades, uma conversa, um abraço e essencialmente o nosso tempo, não são dispensáveis nem substituíveis.

Nós, adultos e Pais responsáveis precisamos disso. Precisamos de saber que alguém zela por nós, precisamos de ter um lugar não só para descansar no fim do dia, mas alguém para conversar e partilhar a nossa vida.

Os filhos também precisam deste espaço. A atenção não deve ser apenas de fora, mas também (e principalmente) dos pais. Por isso, encheres o teu filho de presentes não significa necessariamente que ele se vá sentir amado. Presentes e dinheiro para comprar roupas ou ir a festas, ou simplesmente ser um pai-mãe liberal não resume, de todo, as necessidades básicas do teu filho.

Assim como uma relação amorosa não é sustentada por presentes e jantares, também as relações entre pais e filhos têm de ser diariamente regadas. É essencial dar espaço ao diálogo, permitir que os filhos partilhem histórias, medos e angústias que, muitas vezes, ficam retidos pela falta de tempo. A falta de tempo é muitas vezes falta de entrega e de disponibilidade emocional.

Por mais que os nossos filho não manifestem o desejo de se expressar, é preciso estimular estas relações positivamente.

As crianças querem ser ouvidas

A série “13 reasons why” mostra-nos a importância das relações não só no âmbito social, mas também familiar. As crianças e adolescentes precisam de ter um espaço de acolhimento dentro das suas casas. De ter alguém que os defenda em vez de apenas julgá-los e culpabilizá-los.

Vejo muitos adolescentes que têm de “tudo”. Têm o melhor telemóvel, roupa de marca, viajam por todo o mundo, mas  queixam-se de ninguém lhes dar ouvidos. Pessoas que estão angustiadas e não sabem lidar  com o seu sofrimento. Que procuram alguém com quem partilhar e acabam perdidos nesta procura incessante de alguém que os escute, e que acolha as suas angústias.

A culpa não é da família. Muitas vezes, os pais não se apercebem desta necessidade quer seja pela rotina, pela correria, ou por inúmeras razões.

O alerta vem no sentido de nos direcionarmos para estas relações. De nos empenharmos em fortalecer a relação com os filhos enquanto são crianças, não através do dinheiro, de presentes, agrados e permissões, mas através da escuta, do companheirismo e da nossa presença e empenho.

Nada disto supre a falta de um abraço caloroso. Nada paga o colo nem o ombro amigo que lhes permite chorar. Nada anula a nossa presença e o cuidado parental. Afinal, todos nós amamos sentir que alguém zela por nós, os teus filhos precisam de ti.

 

Publicado em ContiOutra, adaptado por Up To Kids®

Ao Pai do meu filho

Querido Pai do meu filho, não leves a mal que te chame assim, mas este é o teu papel que mais me encanta!

És muito mais que pai do meu filho… És meu amigo, meu ouvinte, companheiro de uma vida… Ouves os meus risos e desabafos, dás-me um terno beijo ou um simples ombro amigo.

Nem sempre foi fácil o nosso percurso até aqui. Mas o bom, é que mesmo os momentos difíceis, foram feitos de mãos dadas! Conseguimos chatear-nos apoiando-nos um ao outro sempre. E isso é bom!

Já lá vão uns anitos, mas os últimos têm sido sem dúvida, os mais desafiantes e em simultâneo os mais bonitos das nossas vidas.

Quero-te dizer que sonhei com este momento.

Sonhei com os dias em que me sentaria numa pedra ao sol, simplesmente a ver-te jogar à bola com o nosso filho.

Sonhei com as gargalhadas que dariam juntos e que eu ia ouvir à distância, enquanto preparava o jantar.

Sonhei com os sons a imitar carros ou animais que ias ensinar-lhe, com o som das vossas mãos no ar quando dão mais 5 um ao outro.

Sonhei que a nossa vida juntos daria frutos, e como sonhei, fez-nos mais felizes, mais completos e com mais sentido.

Têm sido uma batalha, é certo, mas uma batalha daquelas que só juntos superaríamos.

Chamo-te Pai do meu filho porque tens desempenhado este papel na perfeição!

És Pai, amigo, cuidador, educador, e companheiro e foi com isso que sonhei.

E se o papel da minha vida é ser a mãe, tu encaixas, sem dúvida, no papel de Pai do meu filho.

imagem@shutterstock

Pedir desculpa aos filhos não nos rebaixa, eleva-nos.

Há quem diga que as crianças não merecem um pedido de desculpa. De acordo com esta perspectiva, pedir desculpa a uma criança torna-a um pequeno ser maquiavélico que tenderá a abusar e a impor-se sobre os outros; é quase como se levasse à deturpação da inocência e bondade da criança.

Habitualmente quando sinto que preciso de pedir desculpa a alguém tenho de rever internamente a forma como o irei fazer. Possivelmente por ao longo da vida me terem pedido desculpa poucas vezes e ter aprendido que é difícil fazê-lo, este comportamento não ocorre naturalmente. As únicas pessoas com quem tal não se sucede são as que já me pediram desculpa antes, com essas existe abertura e espontaneidade no pedido de perdão – óbvio ou talvez nem por isso.

Quando alguém nos pede desculpa permite-nos conhecer as suas imperfeições e mostra-nos que as reconhece. Tal leva-nos a sentir que todas as nossas características (as boas e as menos boas) também serão aceites, uma vez que não faz sentido o outro exigir mais de nós do que exige de si próprio (se ele percebe que não é perfeito, aceitará que o mesmo se passa connosco). Além disso, o esforço do outro reconhecer atitudes das quais se arrepende dá-nos sinais de valorização e estima em relação a nós, caso contrário pouco se importaria do impacto que o seu comportamento tem.

Por quantas pessoas se sentem verdadeiramente aceites e valorizados? Provavelmente pelas mesmas que já mostraram amar-vos ao ponto de reconhecerem que não estiveram bem a dada altura (por vezes chega a ser um acto de altruísmo).

Pedir desculpa aos filhos

Desde cedo comecei a pedir desculpa à nossa filha, peço-o sempre que sinto ser necessário, de forma sincera, tal como pediria a um adulto. Como resultado, ela começou a modelar este comportamento, isto é, aprendeu a imitá-lo e com o tempo interiorizou-o ao ponto de pedir apenas quando sente que o deve fazer – depois de levar algum tempo a pensar, vem ter connosco e pede desculpa sem que ninguém lhe diga que o deve fazer.

Se cada vez que peço desculpa à nossa filha ela aprende que a amo, que a valorizo, que não sou perfeita e por isso ela também não terá de o ser, que a aceito como é, que amar os outros implica colocarmo-nos na pele deles e sair da nossa zona de conforto, então esta será uma competência que farei questão que a acompanhe pela vida fora e que acredito que a levará onde quiser chegar – o amor próprio e pelos outros implícitos no pedido de perdão não nos rebaixam, elevam-nos.

imagem@guiainfantilBrasil

Quando os adultos perdem a magia

A quando passamos muito tempo rodeados de crianças, a grande maravilha é que voltamos a sentir curiosidade pelas coisas mais pequenas, voltamos a desenvolver um sentido de exploração e de criação que parecia estar esquecido no mais ínfimo de nós. É absolutamente encantador a forma como, quase todas as crianças, são de uma sensibilidade e intuição fora do vulgar, ao mesmo tempo que, é absolutamente assustador a forma como a maior parte dos crescidos parece ter-se distanciado tanto de si próprio, ao ponto de ter perdido uma das suas facetas mais acutilantes.

É como se à medida que se cresce, toda a magia se fosse apagando… um dia deixamos de acreditar no Pai Natal, no outro dia, deixamos de acreditar nos nossos sonhos, depois, aos poucos, vamos deixando de colocar questões (e, a idade dos porquês – não tenha dúvidas! – sempre foi uma espécie de alavanca de nós próprios), passamos a piloto automático e deixamos de acreditar nos nossos sinais mais subtis e na nossa sensibilidade (ou, em circunstâncias limite, deixamos que desapareçam).

Quando as crianças perdem a magia

Às vezes, é como se os crescidos estivessem tão afastados de si próprios, que mais parecessem desligados, e este estado de estar ‘ausente’, pode tornar-se uma luta com as crianças que vivem perto de cada adulto, que de repente, saltam para o campo dos crescidos mais rápido e parecem, também elas, já ter deixado cair a sua luz e a sua capacidade de questionar e acreditar...

Nestas circunstâncias, os crescidos dessintonizam-se não só de si, mas também do mundo e das crianças, pois parece-lhes impossível alguns dos voos das crianças, por exemplo, que elas tenham medo de um fantasma – afinal, quem com juízo acredita num fantasma? – parece-lhes impossível que elas sejam capazes de construir histórias e fantasias, que sejam capazes de perceber que a mãe está triste, mais depressa que a própria mãe, ou que se sintam gratas pelas mais pequenas coisas. Assim perdem a magia.

Quando os adultos se desligam de si próprios

Quando os adultos se desligam de si próprios, é que tudo se torna confuso para as crianças que, a certa altura, parecem ter de explicar tudo aos adultos, parecem ter de falar e sentir por eles… E assim, aos poucos, crianças e adultos vão soltando as suas mãos! A não ser quando o mais trágico acontece (e não raras vezes acontece!), para se ligarem aos adultos que amam, as crianças perdem a sua criança e viram pequenos adultos… E não há dúvidas que, nenhuma criança devia crescer muito rápido para ser uma amostra de adulto, mas todos os adultos deviam – em alguns aspectos, continuar a ficar pequeninos – ser amostras de crianças.

Pois – acreditem! – só perdemos a ligação connosco próprios, só deixamos de ser sensíveis e intuitivos, só deixamos que a luz se apague, quando deixamos de acreditar em nós e no mundo à nossa volta, quando aos poucos nos fomos deixando amputar do melhor de nós.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

Crianças sem empatia

Desde que me tornei mãe há uma série de coisas que mexem muito comigo mas tudo o que diga respeito a crianças e maus tratos deixa-me de rastos.

Os maus tratos de que hoje falo não são de pai para filho, mas sim de filho para pai. Este tipo de comportamento existe e parece longe de estar erradicado.

Há, como em todo o tipo de relações, vários géneros de maus tratos, vários níveis, nenhum porém que não seja grave a meu ver.

Ontem estava no metro e entraram comigo uma senhora com os seus 40 anos e a filha adolescente, talvez de uns treze. Tinham muito bom aspecto (digo isto já porque há um preconceito, que muitas vezes também cruza a minha sensibilidade, em relação ao tipo de pessoas que está envolvida em algumas situações). Por defeito profissional estou atenta ao comportamento de quem me rodeia, gosto de “absorver” a forma como as pessoas lidam umas com as outras, o modo como o amor ou a rejeição se manifestam nas várias idades, entre pessoas diferentes, etc. Levantando os olhos do meu livro reparei que tanto a mãe como a filha estavam ambas focadas nos telemóveis. A mãe estava nas redes sociais, a filha a jogar. A primeira “chapada” que recebi aconteceu quando a filha, possivelmente ao falhar o objectivo do jogo, lançou um impropério cabeludo, daqueles palavrões que nunca a minha mãe disse ou me ouviria dizer nem que passasse uma eternidade. O meu olhar voltou-se para a mãe, que agiu como se nada se tivesse passado. Pensei que não tivesse ouvido. Fiquei a matutar e quando ambas se levantaram para sair na sua estação algo me escapou, algo que a rapariga disse à mãe e a que esta não respondeu. Recebeu como sentença:

“Para além de atrasada és surda”.

Estremeci. Fiquei paralisada no meu lugar, incrédula, à espera da reacção da mãe e não minto quando digo que esperava uma resposta do mesmo calibre. Mas não foi isso que aconteceu. A mãe demorou pelo menos trinta segundos a responder, sendo que a filha voltou a repetir a mesma frase, já numa impaciência tal que parecia que queria que toda a gente à volta dela concordasse. Por fim a mãe lá disse, num tom suave e discreto, sem qualquer sinal de estar a controlar os nervos:

-“ Vê lá se controlas a má educação, está bem? Ainda são cinco da tarde”.

E saíram.

Caramba, aquela miúda tratou a mãe abaixo de cão e ainda lhe passaram a mão pelo pêlo. Duas coisas me ocuparam de imediato o pensamento: quando é que a vida daquelas duas pessoas tinha chegado ao ponto em que era ok a filha chamar nomes à mãe? E teria havido um comportamento semelhante em que a filha se espelhasse? Se tivesse de apostar diria que sim, que a postura da mãe é passiva, que eventualmente nem nunca lhe chamou nomes ou a maltratou mas aposto que houve outra alguém (o pai, quem sabe) que terá passado a vida toda daquela miúda a rebaixar a mãe e a dirigir-lhe ofensas sempre que não correspondia ao que esperavam dela. Ou talvez nem tivesse sido assim, quem sabe? Às vezes as relações de abuso começam por a vítima mostrar uma fragilidade e o abusador aproveitar para a controlar. Mas aqui falamos de uma miúda e mexeu comigo.

São estes os filhos que quando os pais, já idosos, vão parar aos hospitais os abandonam à sua mercê? São estes os filhos que roubam os pais? São estes os filhos que maltratam fisicamente os pais, como tantas vezes vemos nas notícias, seja por violência física, seja por os deixarem à fome?

Como é que uma pessoa que não respeita a mãe (ou o pai, ou ambos) pode respeitar seja quem for na sua vida adulta? E falo de relações em que os pais merecem respeito, que também existem pais que de pais só detém o título.

Custa-me muito pensar nas memórias que estão a ser criadas, na falta de empatia que existe, porque aquela miúda não hesitou em magoar a mãe nem se preocupou sequer com o facto de estarem diante de outras pessoas. Quem faz isto de que mais será capaz?

Há todo um tipo de vivências de que estou muito distante, felizmente. Cresci num lar em que o respeito é pedra basilar, em que há amor, compreensão e sempre houve limites. É esse o mundo que estou a tentar recriar para a minha filha mas sei que irá deparar-se com pessoas com um background completamente diferente.

Pergunto-me se miúdos que têm uma relação abusiva com os pais são passivos de serem salvos mais tarde ou mais cedo, seja por força do amor, da convivência, de boas influências.

Quero acreditar que sim.

Gosto de acreditar que o bem triunfa sempre. E que aquela mãe, um dia, será amada como merece.

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