A Dislexia – Manual de Instruções | Editora Psiclínica | Autor Rui Manuel Carreteiro

A Dislexia – Manual de Instruções | Editora Psiclínica | Autor Rui Manuel Carreteiro

Muitas vezes os pais preocupam-se porque os filhos manifestam baixo rendimento escolar desde o início do 1.º ano a par de dificuldades em manter a atenção e alterações de comportamento, tal como a recusa.
Antes de qualquer outra coisa, é importante perceber qual a causa destas dificuldades:
Imaturidade? Muitas vezes as crianças não estão preparadas para integrar o 1.º ciclo por questões que se prendem com terem interiorizado e definido as suas motivações para a aprendizagem e terem cumprido as tarefas de desenvolvimento necessárias para tal.
A idade para integrar o 1.º ciclo não é consensual. Em Portugal, entendemos que aos 6 anos as crianças estão aptas, ao passo que na Alemanha defendem que deve ser aos 7 anos.
Para além disso, as crianças desenvolvem-se a ritmos diferentes e é de crucial importância para o sucesso educativo que seja feita uma avaliação cuidada caso a caso. O insucesso pode refletir-se na autoestima e dar origem a ciclos de recusa e resistência que tendem a perpetuá-lo.
Dificuldades específicas de aprendizagem? Esta hipótese nunca deve ser descartada com leviandade. Frequentemente, e por imperativos diversos, a escola é pensada para a maioria, recorrendo-se a estratégias que servem ao grande grupo. Contudo, cada criança privilegia uma forma específica de aprender, pelo que a estratégia da maioria pode não ser a que lhe serve.
Perturbações específicas da aprendizagem, como é o caso da dislexia, manifestam-se desde cedo. O seu diagnóstico precoce é fundamental.
As hipóteses não se esgotam aqui. Por este motivo, é fundamental que as crianças sejam avaliadas tanto no domínio cognitivo como emocional.
Só assim poderemos apurar causas e, claro, definir estratégias que visem a promoção do sucesso educativo.
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A Psicomotricidade assume-se como uma nova vertente clínica em expansão no nosso país e apresenta-se como uma área de conhecimento transdisciplinar, que estuda e investiga as relações e as influências recíprocas e sistémicas entre as funções psíquicas e a motricidade.
Desta forma, a Intervenção Psicomotora permite que o indivíduo se conheça a si próprio e ao meio que o rodeia (Martins, 2001). O Psicomotricista é responsável por ajudar o indivíduo a adaptar-se e a corrigir aspetos comportamentais ou de aprendizagem (Fonseca, 2010), permitindo ao indivíduo desenvolver vários domínios e otimizar a ação, utilizando o corpo, o espaço e o tempo (Matias, 2005).
Dirige-se a todas as faixas etárias, com base em três modelos de intervenção: preventivo, educativo e reeducativo/terapêutico (Morais, Novais e Mateus, 2005). Ao nível preventivo é utilizada para estimular e desenvolver competências sociais; educativo porque promove o desenvolvimento psicomotor e potencia a aprendizagem; por fim no âmbito reeducativo/terapêutico é utilizada para adaptar o indivíduo com um desenvolvimento comprometido às suas alterações quer sejam motoras, psicológicas, afetivas e cognitivas (Morais, 2007; Morais, Novais e Mateus, 2005).
Nas sessões de intervenção Psicomotora é sobretudo utilizado instrumentos específicos, atividades lúdicas, técnicas de relaxação e consciencialização corporal, atividades expressivas e motoras e ainda permite experiências com o mundo exterior (Matias, 2005).
Através do corpo, desenvolve-se a atividade valorizando-se a intencionalidade e consciencialização da ação, explorado várias formas de expressão(Martins, 2001).
A Intervenção Psicomotora dá ênfase à qualidade da relação afetivo-emocional e têm como base sete fatores psicomotores: tonicidade, equilibração, lateralidade, noção de corpo, organização espácio-temporal, praxia global e praxia fina (Fonseca, 2001).
Psicomotricidade nas Necessidades Educativas Especiais
As atividades psicomotoras facilitam o acompanhamento e desenvolvimento de alunos especiais Psicomotricidade nas NEE. Ajudam a que a criança ponha em prática a sua capacidade de perceção, ação e contacto, de acordo com as suas possibilidades.
O trabalho dos fatores psicomotores, como é o caso do esquema corporal, lateralidade, estruturação espacial, orientação temporal e pré-escrita são fundamentais na aprendizagem (Magero e Moussa, 2011). Um défice num destes elementos irá prejudicar uma boa aprendizagem. E é aqui que a Intervenção Psicomotora vem dar o seu contributo, além de trabalhar em simultâneo a socialização e crescimento pessoal (Fonseca, 1988).
A Intervenção Psicomotora é uma aliada ao processo de inclusão educacional, pois permite observar as limitações do aluno, entendê-lo e verificar os seus avanços na aprendizagem, mesmo que sejam mais lentos que o normal (Bagatini, 2002). Através de atividades psicomotoras, as crianças e jovens têm a possibilidade de construir e vivenciar as relações entre corporeidade, afetividade e aprendizagem.
É uma ferramenta valiosa principalmente para os portadores de necessidades educacionais especiais, pois torna a ação mais significativa para eles. Dá-lhes a oportunidade de experienciar, de descobrir mais de si e do meio que o rodeia, propiciando o seu desenvolvimento (Magero e Moussa, 2011).
A psicomotricidade vai ajudar crianças com:
Joana Gonçalves, Psicomotricista e Explicadora na How to…
para Up To Kids®
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Bibliografia:
Bagatini, V. (2002). Psicomotricidade para deficientes. Editorial Gymnos: Madrid
Fonseca, V. (1988). Psicomotricidade: psicologia e pedagogia (2th edition). São Paulo: Martins
Fontes
Fonseca, V. (2001). Psicomotricidade: perspectivas multidisciplinares. Lisboa: Âncora editora.
Fonseca, V. (2010). Manual de Observação Psicomotora – Significação Psiconeurológica dos seus Fatores (3th ed.). Lisboa: Âncora Editora.
Magero, C. e Moussa, I. (2011). A Psicomotricidade no processo de aprendizagem de portadores de necessidades educativas especiais.
Martins, R. (2001). Questões sobre a identidade da Prática da Psicomotricidade – As práticas
entre o Instrumental e o Relacional. In V. Fonseca & R. Martins (Eds.) Progressos em Psicomotricidade (pp. 29-40). Lisboa: Edições FMH.
Matias, A. (2005). Terapia Psicomotora em Meio Aquático. A Psicomotricidade, 5, 68-75.
Morais, A., Novais, R. e Mateus, S. (2005). Psicomotricidade em Portugal. A Psicomotricidade,5, 41-49
Morais, A. (2007). Psicomotricidade e Promoção da Qualidade de Vida em Idosos com Doença de Alzheimer. A Psicomotricidade, 10, 25-33
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O toque tem na criança benefícios quer a nível físico e emocional, quer a nível social e cognitivo e é essencial para o crescimento e desenvolvimento saudável da criança, pois as que são privadas ao toque no início do seu desenvolvimento apresentam um crescimento e bem-estar emocional comprometido. É muito importante como forma de comunicação e adaptação do bebé ao mundo exterior e com os outros, facilitando assim a estabilidade do sistema nervoso central e a regulação da relação entre o cuidador/terapeuta e o bebé.
A massagem terapêutica, devido ao toque, promove a libertação de hormonas e neurotransmissores que acarretam melhorias ao nível da saúde positiva e mental. Estas substâncias neuro químicas são importantes ao nível cerebral, aumentando os sentimentos positivos e o humor, tal como a excitação e a atenção, que vai influenciar a própria avaliação dos estímulos externos que envolvem o toque.
Mas será que já parou para pensar que benefícios a massagem terapêutica pode ter para as crianças com PEA, que é vista como perturbação do neurodesenvolvimento, sendo que compreende alterações ao nível da comunicação, ao nível da interação social e do comportamento? A realidade é que a massagem é uma intervenção sensorial, que proporciona benefícios psicológicos e fisiológicos, quer para crianças com desenvolvimento típico, mas também para crianças com deficiência, como crianças com PEA.
A massagem terapêutica pode ajudar a criança com PEA a acalmar a ansiedade, a melhorar o contato visual, as vocalizações e a atenção, resultados estes que podem ser observados durante e após a massagem, através de um conjunto de técnicas, como é o caso de pressão profunda, utilização de objetos maleáveis, ou através de movimentos ritmados e balançados (e.g. numa rede ou plataforma).
Tendo em conta as várias queixas, doenças ou patologias, e de encontro aos efeitos que cada massagem oferece, existem alguns tipos de massagem mais indicadas para as crianças com PEA:
Compreendido de maneira resumida de que forma a massagem terapêutica, e algumas técnicas específicas podem ser um meio de intervenção recheado de benefícios para as crianças com PEA, importa agora apresentar o impacto positivo que este meio de intervenção apresenta para diversas características base desta perturbação:
De forma geral, para serem verificados resultados é aconselhável que sejam realizadas sessões bissemanais. Assim, pais, terapeutas e a todos os interessados, explorem as técnicas de massagem terapêutica com as vossas crianças com PEA, e descubram os benefícios que esta pode trazer na vossa vida diária. Assim a massagem terapêutica trará múltiplos benefícios para estas crianças, comprovados pela literatura e pelas opiniões dos profissionais. No entanto, são ainda necessários mais estudos, e recentes, que possam de certa forma clarificar melhor os benefícios que massagem terapêutica realmente promove na referida população.
De forma conclusiva, importa realçar, que o facto de a massagem levar a um aumento da resposta da criança com PEA e a uma estimulação social, pode facilitar a ligação com a mãe. Ou seja, através de um melhor apego e resposta à estimulação do outro, o comportamento social da criança também pode melhorar e, finalmente mostrar declínios dos comportamentos típicos da PEA.
Por Mariana Silva psicomotricista da Horas de Sonho, apoio à criança e à família,
para Up To Kids®
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