A minha mulher descreveu-me há dias uma reportagem que a deixou assustada. A organização erradamente conhecida por Estado Islâmico (não têm nada de Estado, nem representam o islamismo), tortura, filma, produz, cria terror, ensina terror, partilha nas redes…enfim, algo assustador para quem estiver atento e para quem é preocupado com o futuro.

Como abordar este tema com as crianças? Como evitar que os nossos jovens se sintam impelidos a aderir a estes movimentos pérfidos?

Bem, em primeiro lugar, é útil pensarmos sobre os perigos de imaginarmos logo que isto são apenas problemas dos outros.

Apresento então algumas pistas para abordarmos a questão com as nossas crianças e jovens. Não abordo (ou pelo menos tento não o fazer) as questões políticas. Naturalmente, este é um problema complexo. Várias causas, várias formas possíveis de o combater, desde um reforço da educação, até ao descobrir as fontes de financiamento e agir com coragem política para as secar. Estes temas não são do âmbito desta reflexão. Esta reflexão aborda a questão da prevenção do ponto de vista psicológico.

  • Tal como a minha mulher fez (ela contou-me a reportagem à frente dos nossos filhos) converse em família sobre estas temáticas. Eles ouviram-nos falar do tema. Sentiram as nossas preocupações. Sentiram os nossos receios. Fomos humanos e não hesitámos em deixá-los ver o mundo através das nossas ideias.
  • Precisamos de crianças e jovens com a consciência desenvolvida. Enquanto as máquinas, tais como os computadores, estiverem a ganhar espaço, enquanto as redes forem virtuais, enquanto o diálogo não for considerado dos mais nobres tesouros da nossa espécie, torna-se perigoso o rumo da evolução.
  • Estamos atentos? Hoje fomos surpreendidos com a notícia de que um turista passou por alguns controlos de aeroporto com o passaporte do irmão. Ninguém reparou. Estamos verdadeiramente atentos ao outro? Olhamos nos olhos? Tentamos ver a alma?
  • Entendemos verdadeiramente a força da natureza que existe na nossa espécie enquanto seres biológicos? Se a entendermos, mais facilmente podemos ajudar os jovens a lutar contra os aspectos negativos desta natureza. Enquanto pensarmos que só os outros podem ser “maus”, enquanto pensarmos que há “maus”, fica complicado podermos prevenir problemas deste tipo.
  • Ajudamos as nossas crianças e jovens a refletir? Vejamos o nosso exemplo. Conseguimos mostrar-lhes o nosso processo de reflexão? Olhamos para dentro? Conseguimos estar? Estar aqui. Estar agora. Estar. Se o fizermos, eles terão mais facilidade em estarem (bem) consigo próprios.
  • Damos valor à Psicologia? Estarei a puxar a brasa à minha sardinha? Não faz mal, sei que é dos peixes mais saudáveis… E a Antropologia? Valorizamos? Será difícil entender a ligação de jovens com capacidade intelectual (muitos com cursos superiores) a este tipo de movimento hediondo, e a falta de perspetivas de futuro e à falta de conhecimento de si e do outro?
  • Conversar com um jovem não significa dizer as coisas certas. Não significa ter todas as certezas. Significa mais. Significa dar e receber. Significa ajudar a desenvolver a consciência, a linguagem (e como elas estão relacionadas!), significa ajudar o outro a crescer no sentido mais profundo da palavra.

Todo os que auguram futuros felizes, todos os que dão o seu melhor, todos nós (espero!) façamos então um esforço! Um esforço pelas nossas crianças e jovens.

Pelo futuro.

Um esforço doce. O esforço doce da tomada de consciência.

Vamos então:

  • Falar mais;
  • Conversar melhor;
  • Ajudar a desenvolver a consciência das crianças e jovens;
  • Entender que uma coisa é “saber” outra é ter consciência;
  • Dar espaço e tempo às crianças para falarem;
  • Colocar os jovens a debater e a refletir;
  • Promover os clubes, as tertúlias,…
  • Investir mais na Psicologia, na Antropologia e na Sociologia;
  • Ser obreiros da consciência e honrar este “milagre” que é a evolução.

Um adulto com mais consciência educa melhor. Uma criança com mais consciência, cresce melhor. Um jovem com mais consciência será mais feliz e, esperamos todos, mais ativo na cidadania positiva. Para que o mundo não seja refém de movimentos sórdidos.

Tem feito a sua parte?

imagem@tumblr

Todos precisamos de avançar. É a vida que é curta, o mundo em mudança abrupta, as exigências das relações interpessoais cada vez maiores, e, como um rio, nós devemos avançar.
A natureza do ser humano é forte. O poder dessa natureza é incrível. Avançar faz parte de nós.
Na empresa, os trabalhadores têm que avançar. Em casa, os Pais precisam continuar a ser pessoas e precisam avançar. Nos casais, a relação deve avançar. As crianças devem ver o raciocínio e competências avançar.
Faz sentido? Espero que sim.
Exercer a parentalidade exige avanço. Ser mulher, homem, amiga, colega, ser cidadão ativo, necessita de capacidade para avançar.
Parar não é nada. Parar é…isso mesmo que está a pensar…
Apresento Trinta e três obstáculos ao seu desenvolvimento pessoal. Pode ser que reconheça alguns, e que isso o ajude a avançar!
Preparado? Diga trinta e três…

1 – Tira um dia de folga só porque sim. Não preparou nada. Todos tiram. Fica em casa e…nada.

2 – Irrita-se com um colega de trabalho porque ele “deu graxa” ao chefe. Fala disto a um Amigo. O Amigo afinal é apenas um amigo e concorda com tudo o que você disse. Não levou a nada.
3 – Ralha com as crianças que o rodeiam. Ralha outra vez. E outra. E nada. Não serviu de nada…
4 – Entedia-se com aquele jogo que tem no telefone. Continua a jogar.
Já sabe: esse jogo não o leva a lado nenhum!
5 – Diz que “segunda é que é”. E segunda…fica parado…
6 – Encontra um amigo numa rede social. Diz que têm que ir jantar. Mas passado um tempo, desativa as notificações, porque a ideia não levou a nada.
7- “Zorro! Este ano, no carnaval, volto a mascarar-me. Recupero a criança que há em mim.” Chega o carnaval e fica parado no sofá. Sem máscara, sem nada.
8 – Mente quando questionado sobre os planos profissionais. Diz que vai mudar de emprego, mas não procura.
9 – Inicia uma dieta da moda. Mas não conclui.
10 – Nega estar parado no tempo. Nega sugestões de quem o interpela. Prefere os interlocutores com discursos redondos.
11 – Utiliza a televisão para tempo em família.
12 – Tira a loiça especial só no Natal.
13 – Olha para os irreverentes com pena. Pode ser inveja. Inveja não leva a nada.
14 – Suspira ao olhar para as capas das revistas.
15 – Pede desculpa por tudo e por nada.
16 – Orienta-se só pelos mapas. Não arrisca sair sem gps.
17 – Ri-se da desgraça alheia.
18 – Dúvida das suas capacidades.
19 – Inicia um Workshop de zamba (uma mistura de zumba com samba) mas era só em sonho.
20 – Atrapalha-se perante situações novas.
21 – Pensa no pior. Atrai o pior. Deseja o pior.
22 – Atira-se de cabeça. Mas com capacete, joelheiras, seguro, plano de proteção…e é para a cama.
23 – Realiza sonhos dos outros.
24 – Acaba os dias exausto.
25 – Prefere esperar por “melhores dias” para começar algo diferente.
26 – Engasga-se ao falar de amor. E de sexo.
27 – Não idealiza um futuro melhor.
28 – Sabe mas não faz. Só saber, não leva a (quase) nada.
29 – Atura as birras sem fazer nada.
30 – Ri dos sonhadores, dos otimistas e dos utópicos.
31 – Enfrenta cada dia como apenas mais um.
32 – Mostra-se interessado em assuntos aborrecidos, para ser politicamente correto.
33 – Manter tudo como está parece-lhe perfeito.
E agora, como prometido, apresento uma solução para ultrapassar estes obstáculos.
Tento ser o mais claro possível.
As iniciais maiúsculas deste texto (a começar no nº 1 e contando com as destas linhas finais) são a:
Solução…

 

Nos anos 80 do século passado, uma série de televisão marcou uma geração. O Sport Billy era um rapaz extraterrestre que tinha um saco desportivo muito especial. A sua nave gigante em forma de despertador, ainda faz parte das minhas memórias.

Hoje, se pudesse reescrever esta história de modo a passar uma mensagem pedagógica aos meus filhos, colocaria outro tipo de ferramentas nesse saco mágico. E em vez de salvar os desportos, gostaria que a sua missão fosse: Salvar a capacidade de Ser Feliz.

Assim, neste Sport Billy reinventado, a inimiga, em vez de ser a Rainha Vanda, seria a Rainha Zanga. Estar zangado com a vida é uma verdadeira perda de tempo.

O Sport Billy tinha dois ajudantes, uma rapariga chamada Lily e um cão de nome Wily. Este cão, até porque falava, seria substituído pela voz da consciência. A rapariga Lily (em homenagem a uma amiga chamada Liliana, que acaba de ficar noiva – parabéns! – ) representaria os amigos de qualidade.

Acredito que estes dois elementos serão fundamentais para o futuro dos meus filhos: Amigos de qualidade e a gestão da sua própria voz interior. Estes elementos, em articulação com algumas ferramentas, farão a diferença.

Então e que ferramentas colocaria eu nesta história reescrita à luz da psicologia?

Ferramenta 1 – Perante uma situação negativa, o herói iria ao saco e retirava uma ferramenta capaz de o fazer viver melhor essa experiência negativa. As experiências negativas são inevitáveis. E até serão úteis, porque a frustração faz parte da vida. Gerir essa frustração é fundamental. Neste episódio imaginado, a Rainha Zanga cria um momento negativo, um acontecimento desagradável, e o herói aplica essa ferramenta especial que o ajuda a entender:

  • O que posso aprender com esta situação ?
  • Quais as soluções ?
  • O que posso fazer para resolver o problema?

Ferramenta 2- Neste outro episódio, a Rainha Zanga, instalou o caos numa situação de rotina do nosso herói. Daquelas situações que todos vivemos nas nossas vidas agitadas. É hora de jantar e tudo parece desmoronar-se. Há um a chorar, o outro entorna o sumo, outro ainda não veio para a mesa, a comida parece estar a arrefecer…

O herói pega no seu saco e retira uma ferramenta que o ajuda a lembrar-se dos momentos calmos de outros dias. Essa calma está dentro de cada um. Basta lembrarmo-nos dela, tentarmos respirar fundo, e, aos poucos, o caos vai dando lugar à ordem.

Ferramenta 3- Desta vez a Rainha Zanga veio com uma arma de destruição poderosa. O sermão. O sermão tira energia, seca a alma, aborrece, o sermão corta a criatividade. Ligeiro, o herói pega na mala e retira o antídoto. Um ponto de interrogação bem colocado. Qual foi a parte do teu dia que gostaste mais? Como podes ajudar o teu colega de escola? Quais são as marcas positivas que temos cá em casa? Temos uma jarra de beijinhos? Onde está o nosso quadro de fotografias de momentos alegres?

Ferramenta 4- A Rainha Zanga parece ter desistido. A última ferramenta (a pergunta positiva colocada no momento certo) parece que a fez desistir. Está calma. A dormir. Parada. Que engano ! Afinal era manha dela! Neste episódio, assim que o herói é alertado pela amiga, ele vai ao saco mágico e retira a ferramenta que o faz avançar no desconhecido. A Rainha Zanga estava a deixá-lo adormecido, mole. É urgente sairmos dos nossos sofás. Arriscar é um imperativo. Devemos ler livros novos, conhecer pessoas novas, viver experiências novas.

Os bons amigos empurram-nos para isso.

Ferramenta 5- O nosso herói está demasiado crítico consigo mesmo. A Rainha Zanga aproveita para colocar na cabeça dele, algumas “minhocas”. Minhocas são pensamentos ruminantes, cíclicos, tristes, negativos…é hora de ir buscar ao saco uma ferramenta especial. Nós temos que ser os nossos melhores amigos. Se a nossa consciência não nos ajuda, se temos um mau diálogo interior, há que trabalhar para o alterar.

Ferramenta 6 – A rotina começa a fazer marcar negativamente o dia-a-dia do nosso herói. Ele começa a sentir-se aborrecido. As rotinas não podem acabar. Elas fazem parte. Por isso, o saco tem a ferramenta que ajuda a resolver as questões:

  • Quais são as rotinas mais aborrecidas que temos?
  • O que podemos fazer para as tornar mais divertidas?
  • Vamos fazer um acordo familiar para tornarmos as rotinas momentos divertidos!

Ferramenta 7 – A Rainha Zanga conhece as suas características. Ela é pouco corajosa, não gosta de agradecer. Não sabe elogiar. Ela é injusta e não tem sentido de humor. Mas o nosso herói tem mérito. Ele tira tempo para refletir sobre as suas próprias Forças.  Quem conhece as suas Forças, quem pensa sobre elas, tem mais facilidade em exercitá-las de forma consciente. Este é mais de meio caminho para a Felicidade. Esta é uma ferramenta determinante para ter no saco.

Ferramenta 8 – O herói descobre uma nova anti-arma. Todas as noites ele adormece com pensamentos bons. Todas as noites antes de adormecer, vai ao saco mágico e há uma ferramenta que o ajuda a rever os momentos mais bonitos e vibrantes do seu dia. Durante o sonho, o nosso herói vai alimentando um dia mais produtivo. A Rainha Zanga bem tenta trazer tristeza para os últimos momentos do dia. Mas as ferramentas ajudam o herói a entender:

  • Se adormecermos com ideias positivas, a noite corre melhor;
  • Pensar no que correu mal, pode ser positivo, desde que seja para ver uma solução;
  • Planear a aplicação da solução é uma excelente ideia positiva.

Ferramenta 9 – A Rainha Zanga consegue arranjar uns parceiros. São maus como ela. Ela está forte com esta ajuda. O saco mágico (que não tem nada de mágico, como já reparou!) resolve a situação. O nosso herói tem uma ferramenta que faz com que as pessoas à volta dele entendam:

  • As crianças são muito sensíveis aos exemplos dos adultos;
  • As crianças são muito atentas;
  • A capacidade de atenção das crianças surpreende os adultos.

Ferramenta 10 – Ela não conseguiu vencer, por isso está a juntar-se ao nosso herói. Já o elogia. Ele é bonito. Ele é forte. Ele é esperto. O herói quase vai na cantiga. Alcança o saco e retira uma ferramenta capaz de dividir os elogios em bons e maus. Elogiar é uma arte. Elogie o esforço, a determinação, em vez de elogiar a inteligência.

Eu elogio o seu esforço por ter lido com atenção até aqui. Parabéns.

Nota final (ou será um começo?): Este artigo é inspirado numa mítica sessão de (trans) Formação dinamizada pelo Educadoras Brilhantes em Santa Catarina da Serra (Fátima). Educadoras de Infância, Professoras, Pais e Psicólogos, encheram a Sala da Junta de Freguesia para uma manhã de reflexão sobre a Educação para a Felicidade. A impulsionadora desta iniciativa positiva foi a Drª Susana Laranjeiro. São pessoas assim, que arriscam, que avançam destemidas e capazes de mudar o mundo, são pessoas assim, a fonte da inspiração, o pináculo da integridade, o exemplo e a esperança. São pessoas assim que vão fazendo as Escolas locais positivos e a educação dos nossos filhos tão significativa quanto possível.  

Vamos fazer do mês de Maio,  o mais positivo de sempre. Visite Maio mais Positivo de Sempre.

Complicamos o início da semana quando:

…não entendemos que um elogio, não é um elogio. Há elogios e elogios. Não só pelo forma, mas sobretudo pelo tipo emissor!

Não devemos buscar o elogio daquele que só sabe dizer mal. Até pode acontecer uma análise verdadeira sair da boca destas pessoas, só que esse tipo de pessoas só estão bem a dizer mal. É um (mau) hábito que têm (muito) entranhado na alma.

Às segundas-feiras estas pessoas estão com o sentido do bota abaixo ainda mais exacerbado.

Como terá sido o seu domingo? Vibrante ? No aconchego do mar? Ouvindo o doce reboliço das crianças? Na brisa do lar? Praticando um desporto, principalmente por estar a chover? Duvido. Geralmente o domingo deles foi triste…

Por vezes, reconheço-os logo. Ai o preconceito, Alfredo…ai o preconceito…

Usam os óculos como se fossem o fim e não o meio. Os olhos são mortiços.Têm mãos frias. São todos frios. Franzem a testa e esperam que sejam os outros a dizer bom dia.

Sentem-se mais importantes (máscara!) do que os outros.

Quando são homens, usam a roupa a combinar, mas fazendo de conta que não ligam ao que vestem. Usam uma ganga antiga. Por vezes, também usam barriga. Outras vezes, são incrivelmente magros.

Têm sempre muitos anos. Ou de vida, ou de experiência, ou de vitórias…

São muito bons a ficar sentados de longe à espera que o caldo entorne. Guardam muitos papéis.

Um dia, vi um destes entrar numa sala e uma flor murchou à sua passagem. A sério.

As vitórias deles são pessoais. Deviam ter sido de grupo!

O mundo para eles evoluiu mal. Deviam era adaptar-se!

As crianças para eles, têm que estudar e pronto. Os pais deles tiveram oportunidade de os pôr a estudar num bom colégio.

Tentemos então “agradar” aos bons. Aos puros. Aos dinâmicos. É urgente termos locais de trabalho à altura das mudanças no mundo. Levar uma flor e melhorar o ambiente, levar um bolo e melhorar a alma. Impedir que os bota abaixo passem junto da flor para não a matar.

Se trabalharmos para pessoas, se melhorarmos as atividades significativas, se surpreendermos, elas melhoram e nós melhoramos também.

Quantas vezes o colega de trabalho “mais difícil”, não é também o mais inseguro? Ai velho do restelo, como andas por aí!

Quero ouvir elogios dos bons. Aos frios, algum desprezo. Alguma dureza. Não tenho medo. Pode ser pedagógico.

Há pessoas lindas que precisam da nossa energia. Vamos gastá-la com os cínicos?

“Passei então a marcar, com uma caneta verde os grafismos mais perfeitos para que se pudesse concentrar nas suas vitórias e não nas derrotas.”

Princípio da caneta verde

A minha filha não foi para a escola na infantil e pré-primária como a maioria das crianças. Ficou comigo em casa, e eu própria desenvolvi diariamente os conteúdos pretendidos, em casa.

Quando começamos a trabalhar os grafismos na motricidade fina, apercebi-me de que, ao corrigir os seus trabalhos com uma caneta vermelha estava a valorizar os seus erros, e não aquilo que estava correto. Aquilo que tinha conseguido realizar com esforço e concentração.canetavermelha

Passei então a marcar, com uma caneta verde os grafismos mais perfeitos para que se pudesse concentrar nas suas vitórias e não nas derrotas.

Ela gostou muito disso. Queria sempre melhorar e quando acabava de preencher uma linha com um grafismo ou uma letra, perguntava-me qual era a letra mais bonita da linha. E ficava ainda mais feliz quando me via a rodear a letra perfeita com a caneta verde.

Qual a diferença entre as duas abordagens?

No primeiro caso estamos a concentrar-nos no erro. Ora, uma criança com uma memória visual aguçada está a reter uma imagem errada no seu subconsciente e a assimilar que é errado, para não voltar a repetir. Ou seja, a criança vê-se obrigada a ter uma atitude diferente daquela que memorizou e que sabe estar errada. Vai da próxima vez, tentar evitar o erro. Mas há infinitas maneiras diferentes de errar… A aprendizagem nem sempre funciona por exclusão de partes.

No segundo caso estamos a concentrar-nos no objetivo. A criança memoriza o símbolo ou letra, e tenta reproduzi-la o mais idêntico possível. Ou seja, em vez de tentar evitar um erro, irá tentar alcançar um objetivo.
Parece a mesma coisa, mas a emoção e perceção da criança é totalmente diferente. Trata-se de uma motivação própria e não o desejo de evitar um erro. Se procurarmos estimular a criança a repetir algo bem feito, os resultados serão muito positivos.

Como é que esta abordagem de evidenciar os erros pode (e vai) influenciar futuramente na vida de adulto?

A resposta é óbvia: desde crianças que somos habituados a concentrar-nos naquilo que está errado. Na escola corrigem-nos os erros a caneta encarnada, em casa somos chamados a atenção quando não arrumamos os brinquedos, e quando crescemos, sabemos que se falharmos seremos apontados por isso. No entanto, raramente somos parabenizados por tudo o resto que fazemos corretamente.

 

Veja a última linha da imagem acima: das 18 bolinhas desenhadas, a tendência é marcamos apenas uma. Ou seja, 19 estavam corretas e apenas uma não estava. Vale a pena concentrarmo-nos nela?

Destacar o erro

Destacar o erro é uma abordagem que está tão intrínseca na nossa cultura e educação, que dificilmente nos livramos dela na idade adulta.  Esta é uma das razões da nossa sensação de insatisfação na vida. 

Este exemplo pode ser extrapolado para a vida de um casal, por exemplo. O seu marido tem 19 características incríveis, mas vão acabar por discutir porque você está constantemente a destacar aquela que não gosta, e que acha errada. Esta é uma das causas do insucesso das relações e do aumento exponencial dos divórcios.

É normal moldamos a vida dos nossos filhos com o mesmo molde que usaram connosco, sem pensar muito na questão e isso nem sempre é positivo.

Se colocar em prática o método da ’caneta verde’, vai ver que não precisa de mostrar aos seus filhos os erros dados, pois por vontade própria, com esforço e dedicação da criança, estes acabarão por desaparecer pouco a pouco. Notará diferenca ao níel do empenho e da auto-estima deles. Experimente!

 

Por Tatiana Ivanko, publicado originalmente em Real Parents

Traduzido e adaptado por Up To Kids®.
Todos os direitos reservados

 

 

 

Estamos mesmo a tempo de parar e refletir sobre a nossa postura face a tudo o que nos rodeia. Parece que a almejada felicidade que todos sonhamos para nós e para os nossos filhos, passa por um caminho que podemos fazer! Precisamos de seres humanos mais positivos e, por conseguinte, mais criativos, com bom sentido de humor, mais tranquilos e capazes de identificar mais oportunidades nas suas vidas.

Sabemos que pessoas mais positivas e felizes são mais produtivas nos seus trabalhos, estabelecem relações mais profundas e estáveis com os outros, são mais solidárias e saudáveis.

Vamos, então, ajudar os mais novos a combater a negatividade que tanto limita o nosso potencial de crescimento e afeta as relações que estabelecemos com o mundo. Não é preciso inventar a roda, para sermos mais positivos precisamos apenas de encher o nosso dia-a-dia com boas experiências, das pequeninas às maiores, tudo conta para que grão a grão encha a galinha o papo!

Eis um cérebro negativo:

1

Se reparar, neste cérebro cheio de “negatividade”, não existe espaço para boas experiências. É tão versado em situações negativas que se torna especialmente hábil a ver apenas negativo à sua volta e as boas experiências não só não têm lugar, como dificilmente são reconhecidas na sua linha de horizonte.

E agora, um cérebro positivo:

2

De forma inversa, um cérebro carregado de experiências positivas limita o espaço para experiências negativas e fica muito mais apto a encontrar oportunidades, onde outros avistam fracassos.

Posto isto, escolher entre viver o positivo ou sobreviver ao negativo é uma escolha que acarreta, ainda assim, algum esforço pessoal, uma vez que herdamos dos nossos antepassados uma tendência negativista que nos molda o cérebro. A necessidade constante de estar alerta para os perigos e antecipar onde estariam os tigres escondidos foi fundamental na proteção e sobrevivência da espécie. Contudo, nos dias de hoje, esta tendência negativista é muito mais  bloqueadora do que promotora de potencial evolutivo. A parte positiva é que, com trabalho, podemos contraria-la!

Positividade ​a la carte:

1) Agradecer: é relativamente comum estarmos focados naquilo que não temos e darmos por adquirido aquilo que temos; quando assumimos esta posição é também fácil sentir permanente insatisfação e negatividade, porque a galinha da vizinha é sempre maior que a minha! Apreciar e valorizar tudo aquilo que temos e conseguimos até ao momento cria em nós um sentimento de harmonia e reduz a sensação de estarmos sempre com algo em falta. Ajude o seu filho a pensar e a enumerar as muitas coisas que tem e já conseguiu, seja uma cama fofinha onde dormir à noite, uma refeição quente quando tem fome, um copo de água quando tem sede, a possibilidade de correr, a capacidade de imaginar um mundo de brincadeiras infinitas, o facto de ter uma família que o ama e faz tudo para que seja feliz… a lista pode ser mesmo infindável quando olhamos com o nosso “cérebro verde”, ao invés de um “cérebro vermelho”.

2) Rir: recomenda-se para todas as ocasiões e não, apenas, para quando o rei faz anos! Quantas vezes por dia comunica através do riso? Afogados na correria do dia-a-dia, muitas vezes esquecemos de rir e tornamo-nos demasiado sérios. Quando rimos estamos a emitir uma expressão positiva, a aliviar a tensão muscular, a diminuir o stress e a ansiedade, a reforçar o nosso sistema imunitário e até a diminuir a dor. Sempre que rimos o nosso sistema cardiovascular ativa-se, pelo que tanto a frequência cardíaca como a pressão arterial aumentam, o que eleva o fluxo de oxigénio no sangue, bem como o fluxo sanguíneo nos órgãos; depois das artérias tanto dilatarem, a pressão arterial e a tensão muscular diminuem até que perdemos a força de tanto rir! Lembra-se da sua última barrigada de riso? Ensine o seu filho a rir, a rir dos seus próprios erros, a rir com as suas dificuldades, a rir de momentos embaraçosos… o riso torna a vida mais leve, para além dos múltiplos benefícios para a saúde em geral. Sempre que ri pinta o seu cérebro de verde!

3) Ajudar: dar sem esperar nada em troca, oferecer um sorriso, um abraço ou mesmo uma mãozinha é mesmo muito gratificante. É nestes laços solidários que vamos criando com as pessoas (pertençam ao nosso mundo de conhecidos, como ao mundo dos desconhecidos) que constatamos muitas vezes o nosso valor, pelo que, quando cuidamos dos outros, estamos igualmente a cuidar de nós e da nossa existência. Ensine o seu filho a fazer diariamente algo por alguém… seja ouvir com atenção alguém está ávido de falar, seja ceder o lugar a alguém com menos vitalidade, seja fazer um recado importante, seja carregar um saco de compras a alguém que está muito carregado… é no detalhe que o seu 3 filho se evidencia por fora mas, sobretudo, cresce por dentro. É neste crescimento interno que semeamos mais positividade no cérebro.

4) Reciclar pensamentos: nada como centrifugar pensamentos negativos, até porque pensamentos são processos electroquímicos que acontecem na nossa cabeça e, muitas vezes, de forma bastante diferente da realidade. Deixar ser, ao invés de pensar como deveria ser… uma vez que pensar de forma negativa é muito mais corrosivo do que benéfico! Quantas vezes nos focamos apenas nos detalhes negativos das situações, generalizamos situações como se fossem a base de toda a realidade, tiramos conclusões precipitadas, amplificamos experiências ou vivemos aprisionados com os “deves” e “não deves”? Ensine o seu filho a reciclar pensamentos e a libertar-se do tóxico: sempre que for assaltado por um pensamento negativo, registe e tentem reformular em conjunto, acrescentado algo positivo. Ex. “Eu não sou capaz de...” para “Eu tenho tido dificuldade em fazer___, mas vou continuar a tentar e aos poucos conseguirei sempre fazer melhor… afinal se fosse fácil todos o fariam!”.

5) Desbloquear problemas: por vezes ficamos encalhados numa situação que nos cega a racionalidade, esconde soluções e paralisa a nossa ação. Lembre-se que existe sempre um caminho para seguir perante um problema: comece com uma pausa, respire profundamente e, quando estiver mais calmo, esboce um plano de hipóteses para começar a dissolver o problema. Aqui o objectivo é mudar o foco do nevoeiro negativo que paira na nossa cabeça, para um olhar atento na procura de soluções. Ajude o seu filho a definir problemas, criar planos, implementar os diferentes passos e depois a avaliar resultados. A excessiva preocupação não impede a ocorrência de problemas, apenas limita a vivência positiva e quando algo acontece, é na busca ativa de soluções que cultivamos positividade.

6) Assumir o comando da vida: percebendo que temos um papel ativo na nossa vida (podemos mudar e criar) e abandonando o nosso lado passivo que sofre pelo infortúnio do destino. Encontrar culpados para os nossos problemas, ou dificuldades, apenas serve para nos vulnerabilizar e limitar no nosso potencial de transformação da realidade. Não deixe de lembrar o seu filho que é ele quem escolhe a forma como sente e reage a realidade, bem como, também é ele que pode fazer algo para a mudar algo negativo para positivo. Se podemos escolher… porque não escolher o positivo?

7) Experimentar coisas novas: aumentando o nosso repertório de bem-estar ou identificando facilmente aquilo que não nos faz bem e não queremos repetir. Muito mais positivo do que um conjunto de bens materiais novos é o impacto de experiências na nossa vida. Vivenciar experiências é criar memórias, um álbum de fotografias que faz a diferença na hora de ver e sentir o mundo que nos rodeia. Estimule a vivência de novas experiências na vida do seu filho: um passeio num local desconhecido, o contacto com artes diferentes, uma conversa com alguém de outra cultura, a criação de algo fora da sua 4 zona de conforto, a participação num projecto social, a conquista de um desafio jamais imaginado… várias são as possibilidade de colorir o positivo dentro de nós.

8) Apreciar as experiências: o mindfulness, ou a consciência momento-a-momento, é a arte de saborear profundamente tudo aquilo que fazemos. Dirigindo a nossa atenção para o momento presente, sorvemos plenamente o aqui e o agora, retirando um partido único da atividade com que estamos implicados e intensificando a memória da experiência, quando ela já faz parte do passado. Ajude o seu filho a usar todos os seus sentidos sempre que experiencia algo. Como seria ver​, reparando em todos os pormenores, cores e efeitos; como seria tocar sentindo todas as texturas, temperatura e peso; como seria cheirar tentanto decifrar todos os aromas; como seria ouvir discriminando todos os sons e melodias; como seria degustar sentindo todos os sabores, temperaturas, consistências… já pensou em aplicar a atenção plena às boas experiências, amplificando o impacto do positivo que elas nos proporcionam?

9) Modelar: a melhor forma de ensinar o seu filho a ser positivo é ser positivo! 🙂 Se implementar a positividade no seu dia-a-dia vai contagiar os que estão à sua volta, nomeadamente o seu filho, que cresce rodeado de boa energia e percebendo que a felicidade é um caminho e não uma meta; é um processo que se constrói passo a passo, em pequenas coisas, todos os dias!
Um pensamento positivo pela manhã pode mudar todo o seu dia, uma mudança diária pode mudar toda a sua vida…
Seja positivo, fica o desafio a toda a família!
Por Vera Barroso, para Up To Kids®
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Sei que hoje não acordaste bem. Sentes-te estranha. Nada te fica bem. Dizes tu…
Tem calma. É natural. Nem interessa muito pensarmos nas razões. Há dias assim.
Lembra-te: é quase tudo da tua cabeça. Não quero dizer com isto que não é verdade, ou que não é importante. Claro que é. Gosto tanto de ti e quero ajudar. Ou tentar ajudar.
Há dias assim. Parece que o fim de semana não foi retemperador, parece que os miúdos estão a fazer mais barulho do que habitual. O choro parece estar mais alto. Parece que a nossa canção não toca em lado nenhum.
Hoje deves fazer tudo!
Tudo o quê?
Vou ajudar-te a ires ao ginásio (nunca se falta à segunda feira), vou lembrar-te que aquelas calças de ganga e a tal blusa branca te ficam sempre a matar, vou render-me ao barulho da máquina de fazer sumos da moda e vou mandar uma mensagem à tua amiga para ela ligar, ou para se encontrarem.
Como um barco enfrenta várias correntes, também nós enfrentamos dias com ventos contra. Há que ter calma. Como dizia aquela música do Abrunhosa, lembras-te?
Não forçar até partir. Não desistir de remar. E amanhã já está um dia melhor.
Vou ajudar-te a fazeres o rabo de cavalo. O rabo de cavalo tem o condão de te dar logo aquele ar mais…
Mais quê?
Mais leve? Se já és uma nuvem…
Mais jovem? Se ainda apanhas pingos de chuva com a boca aberta…
Mais interessante? Se ainda embalas a menina com melodias das músicas do momento, mas com letras inventadas por ti…
Há dias assim. São como aquelas pessoas estranhas, capazes de sugar energia. Pessoas tóxicas, sabes? Há dias tóxicos. Mas amanhã já passou. Amanhã já está um dia melhor.
E escuta. Consegues ouvir. A nossa música… Está a tocar. Anda, enquanto o amanhã não chega, vamos contar (outra vez) aos miúdos o porquê dela ser “a nossa música”.

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