Uma mãe é aquele ser estranho e louco capaz de heroísmos e dramas com a mesma intensidade;
Uma mãe escreve cartas ao Pai Natal, é fada dos dentes e coelho da páscoa.
Uma mãe pede autógrafos a artistas deploráveis, assiste a programas e shows horríveis, revê milhares de vezes os mesmos desenhos animados, conta as mesmas histórias centenas de vezes, vai à Disney e A D O R A!
Uma mãe faz escândalos, pede justificações aos professores, grita em público, arma barraca, envergonha-nos.
Uma mãe não dá espaço, é barulhenta, tendenciosa, leoa e dona dos seus filhos.
Uma mãe exalta extremos e ganas, irrita-se, enlouquece, mas… é mãe.
Uma mãe faz promessas, mete-se em prestações e horas extras para que nós tenhamos aquilo que precisamos e aquilo com que sonhamos.
Uma mãe passa-se, ultrapassa limites e diz-nos as verdades mais difíceis de ouvir.
Uma mãe pede desculpas, mortificada… Uma mãe é um bicho de 7 cabeças, louco pelas crias.
Uma mãe chora no espectáculo de balet, na competição de natação, chora quando os filhos se apaixonam, se casam e têm filhos.
Uma mãe quer arrancar a cabeça a todos os desgraçados que fizerem os seus filhos sofrer, enlouquece enquanto espera que cheguem a casa após a sua primeira saída à noite, morre por dentro quando perde um filho.
Uma mãe é uma espécie esquisita que varia entre uma fada e uma bruxa com uma naturalidade espantosa. É competente quando assume culpas e insuperável a distribuir amor, mas por vezes tem um lado B… ou até C, D e E.
Uma mãe é melosa, excessiva, obsessiva, repulsiva, comovente e até histérica. Mas não se é feliz sem uma mãe.
Uma mãe é um contrato irrevogável, vitalício e intransmissível.
Uma mãe lê o pensamento, tem premonições e sonhos estranhos. Reconhece uma cara de choro, cara de gripe ou cara de medo. Entra sem bater, telefona de madrugada, pede favores chatos, dá palpites e implica com os nossos amigos, namorados, com as nossas escolhas.
Uma mãe dá a roupa do corpo, dá o seu tempo, dá dinheiro, dá conselhos, dá cuidados e dá proteção.
Uma mãe dá um jeito, dá castigos, dá ralhetes, dá força.
Uma mãe cura cólicas, ressacas (e bebedeiras), tristezas, cura o pânico nocturno e os nossos medos. Espanta monstros, pesadelos, bactérias, mosquitos e perigos.
Uma mãe tem intuição e é “Messias”: Uma mãe salva. Uma mãe guarda tesouros, conta histórias e cria memórias. Uma mãe é arquivo!
Uma mãe exagera e extrapola. Uma mãe transborda, inunda, transcende. Ama, desmama, desarma, denota, manda, desmanda, desanda, demanda. Rumina o passado, remói dores, dá sempre troco, adora uma cobrança e um perdão em lágrimas.
Uma mãe abriga, afaga, alisa, lambe, conhece as batidas do nosso coração, o toque dos nossos dedos, as cores do nosso olhar e sente música quando nós nos rimos.
Uma mãe tem um coração de mãe! Gigante!
Uma mãe é uma pedra no caminho, é rumo, é pedra no sapato, é rocha, é novela mexicana, tragédia grega e comédia italiana.
Uma mãe é colo, cadeira de baloiço e cadeira de psicólogo…
Uma mãe é o deus-me-acuda, o graças-a-deus, o mãezinha-do-céu, o nosso Deus-me-valha.
Uma mãe é absurda e inexoravelmente para sempre e é, para cada um de nós, apenas uma: não há mistério maior! Só cabe uma mãe na vida de um filho. Às vezes, nem cabe inteira. Porque uma mãe é imensurável.
Uma mãe é a saudade instalada desde o instante em que descobrimos a morte.
Uma mãe é eterna, não morre jamais.

 

Baseado no poema de Hilda Lucas, adaptado por Up To Kids®
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Cheguei à creche para ir buscar a minha filha e ela segurou-me a cara entre as mãos, feliz como nunca, e disse com os olhos cheios de amor: “olá mamã, olá mãe”.

Estava feliz por me ver, como eu me sinto feliz só por saber que ela dorme no quarto ao lado depois de um dia agitado, cheio de brincadeiras.

Não há como explicar este amor. Desconfio até que deveria ser criada uma nova palavra para o definir, porque “amor” já é tão cheio de tantas coisas, tantas coisas que nada têm a ver com o que vivemos e sentimos por um filho. É um mundo à parte. Um compartimento fechado que se estende aos demais, quantas vezes erradamente se lhes sobrepõe, mas que não se mistura.

A minha filha, agora um papagaio autêntico, decidiu que é mais divertido chamar-me pelo nome do que tratar-me por mãe. Acho graça, mas corrijo, porque Marta sou para toda a gente: quem me quer bem, quem não me conhece, quem só comigo falou uma vez.

Mãe sou só dela. Para ela.

É com ela que partilho as minhas gargalhadas mais genuínas, algumas esquecidas desde a infância.

É com ela que canto a toda a hora, desde que nasceu, mesmo quando lhe quero explicar algo.

É para ela que tento ser um ser humano melhor.

É nela que tento aplicar o que me ensinaram, que tento não repetir os erros que vejo à minha volta, que me esforço por melhorar os meus.

Partilhamos a inicial dos nossos nomes, a nossa casa, o amor pelo pai, momentos de ternura e algumas chamadas de atenção.

Foi por ela que, grávida como um pinguim, me levantava da cama ao sábado de manhã para fazer a ginástica pré parto – quando só queria dormir mais um bocadinho (já sabendo que era melhor fazê-lo na altura que guardar para depois).

É por ela que hoje madrugo ao sábado de manhã para entrar na piscina com ela, para a ver aprender a mergulhar, para a ver destacar-se pela sua audácia, pela sua curiosidade de engolir o mundo.

É ela que me faz comer bem, cozinhar melhor, ter atenção a todas as minhas escolhas.

É com ela que converso de igual para igual porque sei que alguma coisa ficará lá dentro.

Foi para ela que inventei as minhas melhores histórias.

Ela não sabe, mas é a tal.

E até pode gastar-me o nome, mas nunca gastará o que significa aquela pequena palavra de três letras apenas.

Por mais que me chame, nunca deixarei de vir.

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Todos já ouvimos, num ou outro momento, a expressão “ colhes o que semeias ”. É válido para quase tudo da vida, excepção feita às injustiças que por aí se multiplicam.

Se sairmos de casa irritados porque estamos atrasados, teremos muito menos tolerância para a pessoa que parece andar em câmara lenta a atravessar a estrada em frente ao nosso carro, ou àquele carro que não nos deixa entrar na faixa nem por nada.

Também com os filhos, em muitas ocasiões é assim. Somos, em muito, energia. E energia positiva cria energia positiva.

Se estivermos sem paciência, naturalmente os nossos filhos vão sentir isso mesmo e “provocar-nos” mesmo que sem se aperceber.

Se não estamos disponíveis para eles é quase certo que vão chamar a atenção e, maioritariamente, de forma negativa. Sabem que assim olharemos para eles, nos daremos ao trabalho de ir ver o que se passa, chegar perto, falar.

Se acordam mal dispostos da sesta a nossa maior prova de amor é tentar que essa indisposição passe. Brincando, rindo, distraído ou, muitas vezes, dando-lhes espaço para resolverem o que os está a perturbar ou deixá-los recuperar por si mesmos. Se, ao invés disso, nos deixarmos absorver pela má disposição e perdermos nós o bom humor, avizinham-se horas difíceis, em que tudo é uma chatice, em que fazem asneiras atrás de asneiras, em que queremos puxar os cabelos de tão desesperados nos sentimos.

Amor gera amor.

Paz gera paz.

Um sorriso provoca outro sorriso.

Procurarmos estar zen mais vezes traz a paz a nossa casa.

Para a próxima vez que estiver numa altura difícil tente lembrar-se de como gosta que lidem consigo quando se sente frustrado. Ou irritado por qualquer motivo. Aja com os outros e, principalmente com os seus filhos, como gostaria que os outros agissem consigo e com eles na sua ausência.

A serenidade é um estado de alma mas pode ser trabalhado para ser um modo de vida.

Baixe o tom da conversa.

Não se ria das fragilidades do seu filho.

Não o acuse.

Não seja implacável.

Pratique a paz de espírito.

Se lhe passar esta lição hoje, então pode esperar o mesmo tratamento da parte dele.

Agora e no futuro.

Seja o melhor exemplo que ele pode receber – mais tarde orgulhar-se-á da pessoa em que ele se tornou.

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Com três letrinhas apenas nos referimos ao ser mais complexo e completo do Universo.

A mãe consegue rir e chorar ao mesmo tempo devido a uma mesma emoção quando confrontada com uma proeza de um filho.

Só uma mãe entende o risco que é pintar as unhas em casa, à noite, depois de deitar um bebé. Aprendemos a rezar baixinho para que se aguente pelo menos até à segunda camada estar seca – mas não somos tão exigentes que vamos logo pedir que haja espaço temporal para a aplicação do brilho…

A mãe é enciclopédia, motor de busca, banco, amiga, depósito de segredos.

É capaz de fechar os olhos a uma asneira para não dar cabo de uma tarde perfeita. É incapaz de deixar passar uma injustiça.

É leoa, tigre, elefante, galinha – dependendo da ocasião.

É consultora de moda e, se a genética e os gostos assim o permitirem, mais tarde ou mais cedo tem o roupeiro atacado pelas filhas. E olhar crítico dos filhos em relação a uma ou outra roupa.

A mãe inventa histórias, canta canções, reaprende a matéria da escola quantas vezes for preciso.

Preocupa-se com as horas: de deitar, de comer, do banho, mais tarde com as horas de sair, de chegar a casa. Com os amigos, os namorados, os professores.

Só uma mãe acorda a meio da noite a jurar a pés juntos que ouviu um bebé chorar. Mesmo quando o seu dorme como um anjo ou já não é tão bebé assim.

Estranha se tem a casa de banho toda só para si.

Estranha se não a chamam de cinco em cinco minutos.

Estranha se há demasiado silêncio.

Estranha se acorda só com o despertador.

É estranha quando partilha isso com quem não tem filhos.

Compreende melhor, com mais ou menos julgamento, a sua própria mãe.

Lembra-se de todas as datas das etapas importantes, até que estas se misturam e já não sabe dizer com certeza se foi de um filho ou de outro.

Tem a sorte de aprender todos os dias.

Tem a responsabilidade de ensinar todos os dias.

Não pode simplesmente decidir que quer mudar de vida e arriscar. Mas já não faz mal.

Porque as mães gostam de ter raízes.

As que elas próprias plantaram.

As que elas regam diariamente.

As que um dia as regarão a elas.

Ser mãe nunca acaba.

Como o amor de uma mãe por um filho.

 

Feliz Dia da Mãe para todas as mulheres que têm o privilégio de o ser (força e coragem para as que tentam) e para as que têm sorte de ainda a ter – ainda que saibamos que o dia da mãe, esse sim, é todos os dias.

 

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História da receita:

O tempo que temos é curto e passa a correr. A seguinte receita procura devolver alguma normalidade ao caos, lembrar que por muito pouco tempo que se tenha, às vezes temos de o usar melhor. Só saímos a ganhar.

Receita de 60 minutos para ser feliz

Ingredientes (para famílias pequenas ou numerosas):

– Disponibilidade q.b.

– Atenção

– Muito amor

– Sentido de humor moderado

 

Dificuldade: Fácil/Moderada

 

Tempo: Acessível

 

Preparação:

Esta receita está dividida em três partes iguais de vinte minutos. O ideal será que consiga conciliar as três diariamente. A ordem apresentada é apenas uma sugestão.

 

Primeira parte:

Converse com o seu companheiro sobre o seu dia. Nada de televisão ligada, nada de consultar o telemóvel de dois em dois minutos para ver o e-mail, nada de ter o tablet na mão, nada de “deixa cá ver o que é que os miúdos estão a fazer que estão muito calados”, nada de falar sobre problemas. Converse apenas. Partilhe algo engraçado sobre o seu dia. Não se queixe do trabalho nem do tempo que perdeu no trânsito nem a birra que o mais velho fez quando o proibiu de sair com os amigos por causa das notas. Só importam vocês.

Se não tiver companheiro, vale fazer uma vídeo chamada para a amiga que imigrou, ligar à sua mãe (relembre que o tema problemas é proibido), conversar com o seu irmão. O que importa é que fale, converse, partilhe o seu tempo com alguém, alimente as suas relações. Diariamente.

 

 

Segunda parte:

Dedique tempo ao(s) seu(s) filho(s) – Ajude-o a resolver o trabalho de casa, oiça o que ele tem a dizer sobre o seu dia, sobre o que aconteceu com os amigos, deixe-o contar uma piada e ria-se pelo esforço que ele fez (provavelmente inversamente proporcional ao nível da graça), brinque com ele sem ralhar nem lembrar que deixou os legos espalhados, a televisão ligada na sala, demorou imenso tempo no banho ou custou a comer a sopa. Este momento é para ser vivido numa bolha. São vinte minutos de puro amor. Aproveite-os.

 

Terceira parte:

É chegada a altura de se dedicar a si. Não se esqueça que são vinte minutos em que não deve preocupar-se com mais nada.

– Tome um banho demorado sem ser interrompida;

– Veja parte do episódio da série que começou a seguir em 2013 (é muito mais emocionante ver os episódios repartidamente, aumenta o suspense, não é?);

– Pegue no livro que tem na mesa-de-cabeceira e dedique-lhe a sua total atenção;

– Olhe-se ao espelho e veja quem lá está, converse com ela sem críticas;

– Adormeça no sofá sem culpa;

– Passeie com o cão pelas redondezas para fumar aquele cigarro da semana e ver a vista da cidade à noite;

– Todas as anteriores, se for capaz e se for importante para si.

 

Nota:

Para servir basta apenas um sorriso no rosto… E agradecer as coisas boas que tem – de certeza que encontra umas quantas.

Já tem meio caminho andado para ser feliz.

O nosso amor tem espaço para a novidade mas não se importa nada com a mesmice das rotinas.

Surpreende todos os dias porque cresce, aconteça o que acontecer.

É repleto de beijos e abraços, mas sei que nem sempre procurarás o meu colo.

Guardo todos os nossos momentos numa memória que extravasa o disco rígido a que chamamos cérebro porque haverá alturas em que as memórias serão aquilo que nos apaziguará as saudades.

Sinto saudades tuas por mais absurdo que seja e faço-te saber disso.

Não sinto ciúmes e sei que sentes amor por outras pessoas e isso é bom (tão bom!).

Aproveito, mesmo que ensonada, quando é a mim que chamas porque sou eu quem tem a oportunidade de te abraçar a meio da noite e sussurrar-te ao ouvido como és amada.

Zangamo-nos e eu ralho, mas depressa volta tudo ao devido sítio. Não guardamos rancores, só guardamos o que é bom e que nos faz bem.

Limpo as tuas lágrimas e evito que vejas as minhas.

Às vezes surpreendes-me com carinhos que não foram pedidos e esses são os que sabem melhor.

Ensino-te o que sei e deixo-me aprender contigo.

Conversamos e conversamos e conversamos.

Dançamos juntas e cantamos sem música de fundo. (Enquanto não te sentes ridícula a fazê-lo. Comigo).

Conheço todos os teus amigos e eles conhecem-me, como devia ser em todas as relações. Dou-te espaço para que a nossa não interfira na vossa.

Faço-te rir e o teu sentido de humor enche-me o peito.

Passeamos e conhecemos sítios novos.

Não nos cansamos uma da outra.

Tenho orgulho em ti e isso deixa-me sentir também um pouco de orgulho por seres minha filha.

Conhecemos os gestos uma da outra.

Conversamos sem palavras.

Contrario-te. Faço-te crescer. Digo muitas vezes sim mas também digo não.

Porque nunca te vou dar tudo aquilo que queres mas tudo farei para te dar tudo aquilo de que precisas.

É este o nosso amor.

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Dizem que ser mãe muda tudo. Na verdade, a maior parte das coisas à nossa volta permanece exactamente na mesma – nós e a nossa percepção do mundo e da realidade é que mudam.

A maternidade, no fundo, é uma aprendizagem: em relação a nós, à nossa família alargada, à família mais restrita que estamos a criar.

Coisas que uma mãe aprende…

Aprendemos afectos. Os que nos foram negados, os de que nos fomos esquecendo, aqueles que sempre nos rodearam. Tornamo-nos um poço de afeição mais ou menos contida.

A visão dos problemas dá uma cambalhota e aprendemos a dar prioridade ao que realmente importa.

Verbalizamos o amor de outra forma. Vemos o amor de outra forma. Sentimos o amor de outra forma.

Aprendemos a deslocar-nos pela casa totalmente às escuras, como ninjas, em direcção ao berço dos nossos bebés.

Tomamos como adquirido que os «Parabéns» podem ser considerados a canção preferida de uma criança.

Não conseguimos escapar ao facto de que toda a gente (e aqui é mesmo toda a gente, desde a prima em segundo grau que vemos apenas no Natal ao porteiro do prédio) tem uma opinião a dar. E um conselho grátis também.

Sentimos a dor de outra pessoa como se fosse a nossa. Contemos as lágrimas quando há algo que provoca as lágrimas dos nossos filhos, por eles tentamos ser mais fortes… e tentamos mostrar que não faz mal ser também frágeis, de vez em quando.

Aprendemos que é mais importante estar do que ser.

Que gostamos que elogiem os nossos filhos. Que mexe connosco quando são os outros a repreendê-los.

Aprendemos a ser mais ambivalentes. A dormir menos e a fazer mais.

A fazer ginástica mental, financeira, criativa, física.

A brincar como se tivéssemos outra vez três anos.

A ensinar coisas que não nos lembramos de ter aprendido.

A descobrir-nos dentro de quem sempre fomos.

Aprendemos que o tempo é mais valioso que qualquer fortuna do mundo.

Que os tempos mudaram e há muita coisa que não se faz da mesma forma, mas que o amor de mãe nunca muda.

Compreendemos que mesmo que aprendamos tudo temos tudo para aprender.

E ainda bem.

Não estamos sozinhas nesta viagem.

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Poema da mãe que eu não quero ser

Preparado o jantar, a roupa, o cão e a mochila,

depois do chefe, dos filhos, do pai e do supermercado,

eu nem sei.

Continuo  algures por aqui, entre a escola e o ballet.

Perguntam-me, chamam-me, pedem-me.

Preciso de ajuda?

Sim, se puder ficar com a pior parte.

Sou um movimento

que se deita tarde, se levanta cedo,

E os dias passam demasiado.

Avio expedições inteiras antes das nove,

faço-me em mil num brilharete,

e despacho tarefas em automático.

Mas tenho um segredo esquecido:

eu, nunca estou na lista de afazeres

(risquei-me às escondidas).

Assim, com um espaço livre na agenda,

pode ser que sobre tempo para procurar-me,

algures entre as outras coisas todas,

e encontrar-me, sem dar trabalho.

Antes que alguém dê pela minha falta.

imagem@vk.com

A ideia não é minha, não. Vi isto num blog estrangeiro, achei genial e claro, acrescentei um ponto meu ao conto. Porque, na verdade, a vida de Mãe é multifacetada! Tem parecenças com as profissões, crenças e religiões espalhadas por esse mundo fora.
Hoje é a vez da Rockstar. Porque se nunca é tarde para se ser Mãe, também nunca é tarde para se ser  uma Rockstar.
Descubram as diferenças (se é que as há…):
1. Andam sempre de um lado para o outro, com o carro cheio de pessoas e a casa às costas.
2. O seu nome é gritado várias vezes ao longo do dia, por vezes num tom quase histérico.
3. Nunca sabem muito bem se vão acordar com três ou mais pessoas na mesma cama.
 
4. Andam sempre ao sabor do jet lag e com poucas horas de sono.
5. Não conseguem fazer uma refeição decente, há sempre alguém que os interrompe.
6. Estão sempre com a agenda muito preenchida e nunca sabem muito bem o que é que vai acontecer no dia seguinte.
7. Têm pouco tempo para viver o casamento a dois.
8. Quando fazem bem o seu trabalho, as pessoas perguntam sempre quando é que vão produzir mais.
9. Têm que estar sempre a cantar, mesmo quando não lhes apetece.
10. As suas roupas estão constantemente a ser puxadas, mesmo quando pedimos para terem mais calma.
11. Chegam ao fim do dia com o cabelo desgrenhado e com um aspecto mal lavado.
12. Andam sempre com calças e t-shirts rotas.
13. Nunca vão à casa de banho sem ser rodeados de groupies.
14. São imitados pelos seus seguidores, mesmo quando não fazem bem as coisas.
15. Vivem quase obcecados com dietas e exercício físico.
Mesmo assim, não trocariam a sua profissão por mais nenhuma!
Por isso é que vos digo que:
rockstar
Oh yeah!

 

Ler primeiro “Mensagem que deixei ao meu filho adolescente na noite de Natal”

Olá mãe,

Pensavas que não tinha lido a mensagem que me escreveste no Natal? Apanhei-te! Li e reli, mas não me apeteceu logo falar contigo sobre ela. Eu sei que tens razão, mãe. Reparo como às vezes ficas a olhar para mim de longe, como se a tentar perceber. Quando fazes isso volto sempre atrás no tempo: tu sentada no banco do parque a olhar-me com muita atenção, para o caso de eu precisar de ajuda. Lembro-me de adorar que tu ficasses ali a observar-me, de fazer coisas só para exibir-me aos teus olhos. Mas agora sinto-me diferente e até um bocado parvo por ter feito essas gracinhas só para te conquistar.

Às vezes também não sei o que te dizer, por isso espero que esta resposta à mensagem que me deixaste no travesseiro nos ajude a melhorar para que possamos rir-nos dela daqui a uns anos. Tenho a certeza que tudo vai passar, porque tu fizeste tudo bem, mãe. Havemos de continuar a ser grandes amigos.

Há uns tempos – não te contei, sobreviverás – distraí-me com uma coisa que ia a ouvir a caminho das aulas e cortei caminho fora do passeio para atravessar a rua. Não vi,nem ouvi um carro que saiu de uma curva a grande velocidade. Quando dei conta já estava muito perto, saltei para voltar ao passeio, mas ainda me tocou na mochila. Caí. Apanhei um valente susto, muito maior do que aquele que estás a apanhar agora, acredita. Esses poucos segundos pareceram horas e durante o resto do caminho até a escola só pensava em ti, não sei porquê. Lembro-me das minhas mãos tocarem no chão, das pessoas correrem todas para me ajudar, e desta frase na minha cabeça: – Quero a minha mãe. Depois, não conseguia parar de imaginar-te a receber um telefonema, de ver a expressão na tua cara a mudar quando te dissessem que eu me tinha magoado a sério. Ainda bem que não foi preciso, porque ver o terror do teu rosto no meu pensamento, foi pior do que ter passado por aquilo tudo.

Quantas vezes me avisaste para não ouvir música com headphones na rua? Mil. Eu sei mãe, desculpa. Isso não interessa agora. O que me aconteceu serviu para perceber que tu és mesmo muito importante para mim. Esse foi um dos poucos dias em que tivemos contacto físico, porque quando cheguei a casa, pus os braços à volta da tua cintura e levantei-te no ar. Deves lembrar-te de ter respondido: – Olha, este meia leca já pode comigo! Prometo que vais dizê-lo mais vezes em 2016.

Não sei se consigo explicar-te o meu isolamento, mãe, nem a minha necessidade de ver um filme sossegado (podias fazer menos comentários bolas, já sei ler as legendas). Quando dou conta, já entrei no quarto, já fechei a porta e liguei o computador. Deve ser porque as aulas são muitas e barulhentas, porque há dias bem compridos. Muitas vezes, tudo o que me apetece quando chego a casa é distrair-me com alguma coisa. Não quero que fiques ainda mais preocupada, mas a maior parte dos dias não gosto nada da escola. Sei que tenho que estudar, já me chateia ouvir-te dizer isso, mas duvido que aquilo que ando a aprender desde setembro me vá servir de alguma coisa no futuro. Se ao menos me deixassem desenhar mais, tu sabes como eu adoro desenhar (e como detesto inglês). Eu podia ilustrar a matéria toda se me deixassem, toda! Dava muito mais trabalho, mas era muito mais interessante que fazer resumos. Depois não se deve falar nas aulas, mas ouvir o dia inteiro já se pode? Ando farto! Ninguém aguenta chegar a casa e ouvir cheio de vontade o que os pais têm para dizer, percebes?

Não sei se leres tudo isto é boa ideia, mas como tu costumas dizer, a verdade pode sempre ajudar.

Quero que saibas que se um dia eu precisar mesmo de ajuda, tu vais ser a primeira pessoa que eu vou procurar. E que também vou pensar em ti antes de me sentir tentado a fazer uma grande asneira, daquelas que todas as mães temem que os filhos façam (parece mesmo que te estou a ver a suspirar de alívio, também te conheço).

E por favor, guarda bem este papel juntamente com o que me escreveste no Natal. Quando eu já não for um meia leca e tiver preocupações destas com um neto teu, talvez me faça bem voltar a lê-los. Se isso me impedir de desabafar com outros pais sobre os dilemas do meu filho adolescente, esta nossa conquista terá valido bem a pena.

Claro que já te perdoei. És a maior.

Feliz Ano Novo, mãe.

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