Deixem as crianças em paz

Ai, que o menino suja-se!” “Ai, que o menino cai!” “Ai, que o menino chora!” “Ai, que o menino aleija-se!” “Ai, que o menino estraga!

Ai, ai, ai que não me largam!

Deixem as crianças em paz, e deixem as mães serem mães!

Deixem-se de palpites e conselhos e avisos e histórias porque no final, todas fazemos o mesmo. Todos aprendemos as mesmas lições e lidamos com as mesmas situações.

Deixem os miúdos sujar-se, correr na lama, brincar na relva, apanhar insectos e comer areia!

Deixem-nos brincar com molas da roupa e tupperwares, ou tampas dos tachos mesmo que façam barulho. Logo se arruma!

Deixem os miúdos saltar, cair e esfolar os joelhos, arranhar as mãos e tropeçar nos próprios pés.

Deixem-nos espalhar o papel higiénico, brincar com a escova de dentes e espalhar creme no chão da sala!

Deixem que o vosso mundo se torne desarrumado, desordenado, barulhento e acima de tudo alegre e feliz!

O barulho e a desordem fazem parte da felicidade.

E se pelo caminho dermos umas quedas e esfolarmos uns joelhos. Assim seja.

Se esse é o preço a pagar pela cumplicidade de uma brincadeira entre mãe e filho, assim seja! Ficam as “marcas de guerra” mas não ficam sozinhas. Ficam gargalhadas, memórias e momentos felizes!

Deixem as crianças em paz! Deixem as crianças ser simplesmente crianças!

 

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O que se passa com o meu filho?

Aceitar que se passa algo e pedir ajuda é um passo extremamente difícil de dar.

Os pais ficam muito assustados quando os seus filhos apresentam um problema. Quando andam sempre tristes, quando são rebeldes ou têm comportamentos inadequados. Alguns pais demoram a pedir ajuda pois sentem vergonha pelos comportamentos inadequados dos seus filhos. Sentem-se responsáveis ou têm receio de ser vistos como “maus cuidadores”.

Aceitar que se passa algo e pedir ajuda é um passo extremamente difícil de dar. O que se passa com o meu filho? É a questão a fazer. No entanto, só demonstra o amor pela criança e como o bem-estar dela é significativo para os pais. Este é o primeiro passo e o mais importante.

A procura do psicólogo pode dever-se à criança estar recorrentemente zangada, triste, assustada com alguma coisa.

Ou então,  porque algo negativo aconteceu com ela e precisa de ajuda para ultrapassar essa situação. Quando as crianças ficam doentes ou magoam alguma parte do corpo (exterior) vamos ao médico para que este ajude a criança a sentir-se melhor. Quando a criança vai a um psicólogo, a função dele é ajudar a securizar as “feridas internas”, os seus sentimentos. Os pais devem explicar aos seus filhos o motivo real pelo qual eles decidiram leva-los a um psicólogo, comunicando-lhe as suas preocupações.

A recuperação das más experiências é facilitada em terapia pela relação que se estabelece entre o terapeuta e a criança, num ambiente que se torna seguro, confidencial e de confiança. Este espaço terapêutico é bastante diferente da escola ou da sua casa; naquele espaço a criança sente que pode expressar o que nos outros não se sente confortável. Ali é um local seguro onde ela pode mostrar os seus problemas e os seus sentimentos, sem se sentir julgada ou com receios de magoar os sentimentos de alguém.

A relação terapêutica ajuda a criança a integrar as experiências de vida a dar-lhe sentido e até a expressar os sentimentos mais difíceis através do brincar. O terapeuta vai ajudar a criança a sentir-se melhor sem, necessariamente, ela ter de explicar as coisas. Na prática as crianças demonstram muito mais os seus sentimentos nas brincadeiras do que a falar sobre eles. O brincar é o meio primário de comunicação, o discurso torna-se secundário. As terapias com mais sucesso (bons resultados) são aquelas onde a criança brinca. Nem sempre é fácil para as crianças colocarem em palavras os seus sentimentos.

Brincar é vital para o desenvolvimento social, cognitivo e psicológico.

Brincar é a forma mais simples que a criança tem de se expressar, é algo que vem “de dentro” da criança. Crianças que não brincam não se desenvolvem saudavelmente, fisicamente e psicologicamente. O brincar é a forma pela qual a criança contacta com o seu ambiente e dá sentido ao seu mundo.

O psicoterapeuta está treinado para usar o brincar (forma natural da criança se expressar) para dar sentido aos sentimentos, pensamentos e comportamentos da criança e ajuda-la a compreende-los. Ele é especialista em compreender e dar significado ao brincar da criança.

É crucial as crianças sentirem e saberem que os pais apoiam a terapia e o processo terapêutico. Estes devem ser consistentes e encorajarem as crianças indo as sessões regularmente, sem fazer perguntas sobre o que se passou nas sessões.

Através do suporte emocional a criança vai conseguir compreender sentimentos confusos e aprender a lidar, de forma mais apropriada, com situações de conflito nos vários contextos. A terapia vai promover a resiliência da criança e a esperança de descobrir novos pontos de vista. Vai ajudá-la a diminuir a ansiedade e a melhorar a sua auto-estima.

A psicoterapia permite à criança a oportunidade de explorar e de se conhecer, de dar sentido ao seu mundo. Vai ajuda-la a encontrar meios saudáveis de mostrar o que sente. A desenvolver relações mais saudáveis e a preparar-se para encarar as dificuldades futuras de forma mais assertiva e tranquila.

 

Por Joana Duarte, psicóloga clínica na Psicomindcare, baseado em: British Association of Play Therapists, para Up To Kids®

O brincar é um importante meio de aprendizagem: é divertido, focado na atividade e tem uma forte componente social.

Ser divertido é uma característica essencial para motivar as crianças a se envolverem nas atividades de forma autónoma e sistemática. Por outro lado, o foco na atividade em si mesma e não nos resultados, atenua as repercussões negativas dos erros.

Por fim, a componente social, envolvendo adultos ou outras crianças, potencia o impacto positivo na atividade.

Através do brincar são criadas oportunidades para que a criança possa praticar e desenvolver competências para a aprendizagem. Com a abordagem lúdica, as situações de aprendizagem ganham significado e contextualização para a criança, respeitando a sua vertente social.

“A brincar é que a gente também aprende!”  pretende favorecer o sucesso na aprendizagem, através de atividades lúdicas, atrativas, simples de dinamizar e pouco dispendiosas.

Os jogos a seguir descritos são exemplos de atividades dinamizadas, as quais podem ser realizadas em contextos formais e informais de aprendizagem, de forma autónoma ou coletiva e sistemática.

Spinner da Tabuada:

Objetivo: Promover a automatização de fatos numéricos.

Material: Dois spinners, 2 pratos de papel, autocolantes e caneta.

Como Jogar: Primeiro, divide-se cada um dos pratos de papel em 10 partes e escreve-se os números de 1 a 10 em cada uma das partes. Cola-se um autocolante numa das pontas de cada um dos spinners para serem as pontas indicadoras.
Coloca-se um spinner no centro de cada prato. Faz-se girar os dois spinners e, quando acabarem, pede-se à criança para dizer o resultado da multiplicação dos números indicados.

Jogo de Memória Ortográfico:

Objetivo: Promover a memorização da ortografia de palavras cujos sons assumem representações múltiplas.

Material: Folhas de papel, tesoura e caneta.

Como Jogar: Primeiro, selecionam-se 10 palavras que se representam de forma múltipla. Recortam-se 20 papelinhos de igual tamanho. Pede-se à criança que escreva cada uma das palavras duas vezes, em dois papelinhos. Distribuem-se os papelinhos em 4 linhas de 5 papelinhos, com as palavras escritas voltadas para baixo. Em cada jogada, a criança pode virar dois papelinhos: se encontrar o par joga novamente; se não encontrar o par, passa a vez à outra criança/adulto. No fim, ganha quem tiver mais papelinhos.

Leitura em Coro ou em Eco:

Objetivo: Promover a fluência leitora.

Como Jogar: Primeiro, selecionam-se os textos que irão servir de base para as leituras. Depois, formam-se pares (criança-criança ou criança-adulto).

Na leitura em coro, pede-se ao par para ler em voz alta um dos textos selecionados, como se fosse um coro. A leitura do texto selecionado pode ser repetida as vezes necessárias até conseguir uma leitura unânime. Na leitura em eco, enquanto que a uma das crianças é pedido para ler o texto selecionado por unidades de sentido, frases ou parágrafos, à outra criança pede-se
que repita como se fosse o eco, alternando depois os papéis.

Os jogos divertem as crianças, prendem o seu interesse e atenção, pela sua natureza e dinâmica. Quando se pretende promover o desenvolvimento de competências, deve-se então contemplar a complementaridade de estratégias, estruturadas e lúdicas, pois “A brincar é que a gente também aprende!”.

 

3 atividades divertidas para desenvolver a competência da escrita

Pais, avós e irmãos são os parceiros ideais para o sucesso da criança na aquisição e domínio da competência da escrita.

Se no seio familiar a criança tiver oportunidade de se envolver em atividades de escrita, começa desde cedo a compreender as suas diferentes funções e a identificar os diferentes suportes de escrita.

Ser capaz de identificar as funcionalidades da escrita permite à criança compreender para que serve escrever e aumentar a sua motivação para realizar esta tarefa. Em tempo de férias escolares, as famílias poderão realizar atividades divertidas. Assim permitem à criança identificar a escrita como um meio para transmitir informação, para organizar e registar informação e para dar instruções precisas.

Ficam aqui 3 actividades para as crianças desenvolverem a competência da escrita durante as férias, de forma descontraída e divertida.

(Nota: Estas atividades devem contar com a participação ativa da criança na decisão dos conteúdos e do registo escrito dos mesmos e ser adequadas ao seu nível de competência.)

1. Jornal de Parede Familiar

Objetivo:

Registar por escrito acontecimentos relevantes, das férias escolares da criança. É necessário um painel para afixar as notícias.

Um familiar poderá ser o editor do jornal, acordando com a criança a periodicidade com que as noticias poderão ser afixadas. Algumas das ideias que poderão ser exploradas são:

  • Fotografias legendadas de momentos passados nas férias (podem imprimir em casa, ou pedir ajuda aos pais para imprimir fora)
  • Ilustrações de passeios ou visitas acompanhadas de breves descrições
  • Anúncios de eventos festivos ou flyers .

2. Listas e Mapas de Registo em Família

Objetivo:

Registar informação útil à família, que pode ser consultada a qualquer altura.

As listas poderão ser afixadas na parede ou num quadro. Em conjunto, poderão ser elaboradas listas de compras a fazer no supermercado, listas do vestuário e de objetos a incluir na mala de viagem, listas de números de telefone e moradas úteis, mapas de registo dos aniversários familiares durante o Verão, e mapas de registo de tarefas durante as férias.

3. Caderno de Instruções para toda a Família

Objetivo:

Registar por escrito as instruções de atividades que podem ser dinamizadas no período de férias, mantendo-as sempre acessíveis a todos.

Num caderno, poderão ser escritas:

  • instruções de jogos de praia
  • instruções de cuidados a ter com o sol
  • instruções de receitas que possam ser confeccionadas pela criança
  • regras de utilização de piscinas ou parques aquáticos

Ao dinamizar atividades com os pequenos escritores lá de casa, as famílias terão a oportunidade de reforçar e valorizar as competências trabalhadas ao longo do ano letivo. Particularmente no domínio da escrita em tempo de férias!

A importancia de deixarmos que as crianças se sintam tristes

No nosso dia a dia, temos por hábito supervalorizar tudo aquilo que é bom e positivo. Querer sempre que as crianças estejam a rir e felizes.

É inquestionável que, é bom que as crianças estejam felizes e a rir, no entanto, só gostamos que estejam a assim, porque genuinamente o estão a sentir.

O que nos preocupa, é que, cada vez mais, na ânsia de querermos crianças felizes, exercemos uma grande força de bloqueio a tudo o que é socialmente considerado como negativo. Ou seja, é como se não permitíssemos que as crianças fiquem tristes, ou sintam medo, por exemplo.

Assim, aos poucos, as crianças vão interiorizando, ao longo do seu crescimento, que não devem chorar, que não devem estar tristes, que não se devem zangar com ninguém e que sentir medo é para os fracos. Estamos a abrir espaço à contenção daquilo que as crianças vão sentido, estamos subtilmente a ensina-las que não aceitamos esses estados  socialmente considerados como menos bons, com os quais elas se vão deparando. Estamos a fazer com que a criança se vá distanciado de si, e que só nos mostre os lados bons de si própria e todos os outros os atire para debaixo do tapete.

O grande problema é que ao atirar todos os outros lados para debaixo do tapete, embora nos pareça à partida que resolveu essas questões, todas elas estão a acumular-se dentro de si. Estão todas dentro do seu coração sem que ela lhe consiga dar sentido. Vão-se acumulando até ao dia em que a criança explode e de repente, uma criança que até aí parecia perfeita, desenvolve um quadro depressivo, perturbações do comportamento ou até a tão característica agitação, entre tantas outras fragilidades que vão comprometendo os seus recursos saudáveis.

As crianças e as emoções

As crianças – tal como os adultos – vivem com um sem fim de coisas dentro de si, que se não lhe permitimos em tempo real expressar, vão ficando a pairar dentro dela.  A criança não consegue dar um nome a estas emoções. Não consegue pensar sobre isso, e estas vão-se acumulando sobre a forma de ruído.

O essencial é que quando a criança está triste, permitamos que chore. Permitamos que se sinta triste e sejamos capazes de suportar essa tristeza. O mesmo quando a criança tem medo, ou se zanga – sim ela pode zangar-se, desde que à custa de se zangar não bata nos colegas, ou nos pais. A criança precisa de aprender que pode sentir tudo e que há uma linha que a permite expressar as suas emoções de forma a que não se magoe, nem aos outros.

No fundo, a premissa é simples: ninguém está feliz todos os dias.

Por isso, não o podemos exigir a uma criança, e temos de lhe ensinar que é normal e desejável que assim não seja, para que, de tristeza em tristeza, de decepção em decepção, de zanga em zanga, de medo em medo, a criança aprenda a expressar e reciclar em tempo real tudo aquilo que vai sentido.

Pois, só somos plenamente felizes se aceitarmos, integrarmos e dermos sentido a tudo o que se vai passando dentro de nós e na relação com os outros. Só assim nos estamos a respeitar e a criar um espaço de encontro com a felicidade e o bem-estar pessoal.

Só quando permitirmos que uma criança esteja triste sem dizermos “pára de chorar” estamos a permitir a verdadeira expressão das suas emoções e dar-lhe espaço para a verdadeira felicidade.

imagem@siraplimau

8 brincadeiras sensoriais que despertam os sentidos da criança

Vivemos na era do consumismo em que muitos pais tentam aceder aos pedidos de compras de brinquedos por parte dos filhos, principalmente em dias comemorativos como o de ontem. E, quando não o podem fazer, poderão sentir alguma culpabilidade.

A notícia que temos para vos dar é boa: as crianças são felizes com tão pouco… Não é preciso aquela mota espetacular ou aquela boneca que faz tudo. Para brincar, por vezes, só é preciso aproveitar umas coisas velhas que andam lá por casa, pôr uma pitada de afecto, outra de tempo de qualidade e…magia!

As brincadeiras sensoriais que despertam os sentidos da criança e que a envolvem são óptimas:

  • Fazer massa de pão com o seu filho e deixar que ele se suje;
  • Colocar grão dentro de uma garrafa para fazer barulho;
  • Encher uma luva com farinha ou arroz e permitir que ele explore;
  • Fazer bolinhas de sabão;
  • Rasgar papel de jornal;
  • Colocar a criança sobre um cobertor e arrastá-la pela casa.
  • Deixar que a criança explore vários materiais com diversas texturas, tal como algodão, lã, plástico, esponjas.
  • Explorar a natureza, saltar nas poças, cheiras flores, mexer na terra e, novamente, sujar-se!

Todas estas são brincadeiras que podem ser feitas com os mais pequenos, desde que com vigilância, pois poderão ainda estar a conhecer o mundo com a boca, e com os mais CRESCIDOS.

O contacto com estas experiências sensoriais, desconhecidas por muitos dos pais, tem inúmeros benefícios:

  • Melhoram a capacidade de concentração, a coordenação motora fina (pequenos movimentos com as mãos) e grossa (movimentos amplos)
  • A coordenação do olho com a mão;
  • Despertam a curiosidade, a imaginação e consequentemente a criatividade.

Acresce ainda que, a estimulação de todos os sentidos, permite um melhor conhecimento do próprio corpo, das suas partes e dos seus limites, contribuindo para o autoconhecimento da criança e promovendo um melhor relacionamento com os outros.

Permite também, aumentar as conexões entre os neurónios, criando novas redes neuronais, que contribuem para a melhoria do desempenho cognitivo da criança e consequentemente para um desenvolvimento global saudável.

Criam, acima de tudo, novas experiências significativas e fortalecem a relação pais-filhos.

Para assinalar o Dia Mundial da Criança, aproveite o fim de semana e experimente fazer algumas destas brincadeiras com o seu filho e vai ver como Pequenos e CRESCIDOS vão desfrutar de um bom momento… com tão pouco!

Os filhos não são uma segunda edição dos pais. Deixe-os viver os seus próprios sonhos.

Algumas mães – por terem o coração cheio de amor – têm a sensação que a partir do momento em que se tornam mães, tudo vai girar em torno dos seus filhos e, assim, de passo em passo,  as mães parecem perder a sua individualidade e o seu direito a sonhar por si, para sonhar pelos filhos, para crescer pelos filhos.

Sim, os filhos devem estar na linha da frente do coração dos Pais!

Sim, os Pais devem dar o seu melhor pelos filhos, devem questionar-se, devem lutar por eles! Mas nunca os pais devem desistir de si em prol dos filhos!

Quando assim é temos pais mais controladores e ansiosos do que tranquilos. Temos pais que projectam em massa os seus sonhos nos filhos, contaminando a individualidade e autonomia da criança. E se mais tarde a criança não se torna exatamente no adulto que os pais sonharam, acaba-se tudo o que é flexibilidade e abre-se espaço a conflitos abertos. Porque os pais, nessas circunstâncias têm dificuldade em aceitar que deram tudo àquele filho, para ele ser exactamente aquilo que eles sonharam e, esse filho, teve a ousadia de ser aquilo que ele próprio sonha.

Os filhos não são uma segunda edição dos pais. Deixe-os viver os seus próprios sonhos.

Não raras vezes, temos mães e pais que retardam o crescimento dos filhos tentando mantê-los no ninho para sempre, evitando que se tornem independentes e autónomos. Continuam a escolher a roupa que os filhos vestem mesmo aos 14 anos. Evitam que eles pensem por si, pois quando começam a pensar por si, esses filhos que amam profundamente os pais, começam a magoa-los sem querer, só porque sentem ou agem fora daquilo que os pais consideravam expectável.

Quando os filhos saem de casa

Mais tarde, esses filhos, saem de casa e vão atrás dos seus sonhos e os pais ficam de ‘ninho vazio’. Ficam com a ideia que aquele filho não está grato e a retribuir tudo aquilo que os pais lhe deram. Isto porque, no limite, aquele filho está a seguir os seus sonhos e não os sonhos dos seus pais.

E aí, um filho que sempre teve amor sente-se só pela primeira vez. Sente-se incompreendido, e entre a ingratidão que os pais sentem e a solidão deste filho tão amado, pais e filhos afastam-se de coração e soltam as mãos, ficando ambos os lados contaminados, enfraquecidos e tristes.

Em suma, os pais devem sempre investir em si em primeiro lugar. Pais realizados, melhores pais serão. Aprenderão a dar espaço à sua individualidade e aos seus próprios sonhos.

Os Pais são assim, como uma espécie de super heróis, com uma força inigualável e que, por muito que o caminho seja difícil não desistem, são guerreiros! Mas, o grande desafio na viagem da parentalidade é saber amar e proteger, ao mesmo tempo que se dá asas para a criança voar e ser aquilo que ela própria é na sua essência.

Assim, quando cresce, temos uma pessoa que voa sozinha, sempre com o coração ligado aos pais, em plenitude.

Por Cátia Lopo e Sara Almeida Psicólogas Clínicas

 

A meditação na escola é cada vez mais uma prática corrente nos Estados Unidos, Canadá, Bélgica e Suécia que são países vistos como referência nesta prática e está a dar os primeiros passos em Portugal. Os estudos já são inúmeros e as vantagens também já são visíveis.

Fique a saber mais sobre esta prática e conheça as escolas portuguesas que já o praticam!

Em que consiste a meditação?

É uma prática maioritariamente associada ao yoga ou budismo, mas é na verdade comum a várias religiões. No entanto a sua prática não tem de estar, necessariamente, associada a nenhuma delas.

O seu objetivo é treinar corpo e mente a viver no momento presente para que possamos apreciar cada momento em pleno.

Quais os benefícios de meditar?

Fortalece a capacidade cerebral – Aumenta o foco e concentração, o que por sua vez, melhora o processamento de informação nas salas de aula e durante o estudo

Ajuda a que os jovens se conheçam melhor – Através da meditação, as crianças podes descobrir melhor os seus interesses, avaliar quais as suas prioridades e compreender melhor a vida e o que os rodeia

Desenvolve o sistema imunológico – A meditação regular protege contra doenças, diminuindo o stress e a ansiedade que afeta tantos dos nossos alunos

Beneficia as relações – Ao aprenderem a viver no momento presente e ao sentirem mais calma e segurança, as relações com a família, amigos e professores acabam por sair beneficiadas e mais fortes

Melhora os índices motivacionais – Vários estudos já comprovaram que os jovens que praticam meditação aumentam a sua autoestima e confiança, o que se traduz em alunos mais motivados e criativos

Exemplos de escolas portuguesas

Em Gondomar, o Agrupamento de Escolas de Valbom já iniciou esta iniciativa no ano de 2015 com a introdução de reiki como parte do projeto “Escola em Movimento”.

Com o objetivo de ajudar os alunos a terem um melhor desempenho na escola, os docentes verificaram também que esta prática tinha outros benefícios, entre os quais ser uma atividade onde os alunos podem falar abertamente sobre o que os preocupa, já que muitos demonstraram essa necessidade. Assim, esta experiência já foi alargada com a introdução de yoga, meditação e tai chi.

O Agrupamento de Escolas da Marinha Grande já iniciou também esta iniciativa de introduzir a meditação em ambiente escolar. Os alunos do ensino básico já estão a ficar habituados aos 60 segundos de silêncio e concentração na respiração que os professores praticam com eles todos os dias.

As melhorias já começam a ser visíveis e os níveis de concentração, autoestima e confiança já se fazem notar. Com alunos mais motivados a aprender e professores mais tranquilos, este projeto vai continuar a fazer parte do dia-a-dia escolar.

Conheça aqui a história.

imagem@fotolia

Pode parecer estranho. Muitas vezes uma condição cerebral incompreendida. Não é preguiça mental nem falta de motivação. É considerado uma perturbação neurológica. Afeta especialmente a capacidade de entender, trabalhar com números e conceitos matemáticos. Se for o caso do seu filho, não desespere! Há formas de o ajudar.

Conheça os sinais da Discalculia  Uma criança com esta perturbação tem dificuldade em quantificar as coisas. Tende a apresentar dificuldades ao nível da perceção real entre o número e a quantidade. Como se 8 canetas fossem 15 ou 20. Apresenta dificuldades em compreender, por exemplo, que 8 é o mesmo que 4+4, ou 7+1.

São sinais que podem indiciar uma disfunção neurológica. Quanto mais cedo o diagnóstico, maiores as probabilidades de a ajudar.

Preste atenção ao comportamento do seu filho – Tome notas. Observe e registe as suas dificuldades. Tenha em conta que a Discalculia pode causar várias dificuldades, não apenas ao nível dos conceitos matemáticos. Esta Perturbação Específica do Cálculo também tende a manifestar-se através de dificuldades na noção do tempo e nas medidas de grandeza.

Discuta a vida escolar – Pergunte ao professor de matemática se o seu filho tem manifestado problemas na aprendizagem dos conceitos. Se a resposta for afirmativa, pergunte se está a implementar estratégias de ensino compensatórias. Os apoios informais também podem ser um importante contributo.

Crianças com Discalculia costumam ainda apresentar outras dificuldades de aprendizagem e também, de atenção. Considere solicitar uma avaliação educacional (nas áreas da psicologia e/ou psicopedagogia). As informações obtidas podem ajudar o seu filho. Marque de seguida uma reunião na escola. Apresente as respetivas conclusões aos professores que poderão ponderar a criação de um Plano de Educação Individualizado.

Fale com o médico do seu filho – Discuta todas as dúvidas e preocupações, sem a presença da criança. Transmita ao pediatra as notas diárias que foi recolhendo. Questione as opções de tratamento, incluindo a terapia psicomotora. Alguns alunos com discalculia têm dificuldades visuo-espaciais na leitura e escrita de números. Não se sabe, ao certo, qual a causa concreta da Discalculia. Alguns investigadores acreditam que poderá estar relacionada com vários fatores: herança genética, lesões cerebrais, nascimento prematuro, pouco peso e, por exemplo, exposição ao álcool durante a gestação.

Discalculia dura para a vida mas não impede o sucesso profissional. É possível minimizar as dificuldades com o acompanhamento certo e estratégias compensatórias. Todas as crianças com este distúrbio podem destacar-se em outras áreas.

Explore as capacidades do seu filho. Poderá surpreender-se.

Como diria Eduardo Sá, “a família é mais importante do que a escola e brincar é, pelo menos, tão importante como aprender”.

Mas afinal porque é que brincar é tão importante?

Os benefícios acontecem tanto a nível emocional como cognitivo e são tantos que podíamos ficar aqui até amanhã! Mas o objetivo, é que quando acabe de ler este artigo vá brincar com os seus filhos, sobrinhos ou vizinhos. Assim, vamos ser rápidos!

  • Benefício nº1: Desenvolve a criatividade e agilidade mental

É importante deixar as crianças explorarem e questionar-se sobre as coisas! É através dessas reflexões que elas vão perceber melhor o mundo e é também esta exploração que serve de inspiração para as suas fantasias.

  • Benefício nº2: Prepara para a vida em sociedade

Não é possível viver sem interações e por isso é importante que as crianças vão aprendendo como lidar com o próximo. Brincar é uma forma para aprender a confiar nos outros, a partilhar, a esperar e a trabalhar em equipa. Até mesmo a liderança e o pensamento estratégico podem ser desenvolvidos em simples brincadeiras como “O rei manda”.

  • Benefício nº3: Fortalece a relação com os pais, irmãos, amigos

Brincar é o tempo em que as crianças estão mais descontraídas e por isso estão mais propensas a estabelecer relações com quem brincam. Quem não se lembra das brincadeiras que tinha com a irmã mais velha ou os primos em casa dos avós? São estes momentos felizes que ficam facilmente na memória e que ajudam a fortalecer as relações.

  • Benefício nº4: Melhora a motricidade fina e capacidade motora

Brincar pode e deve ser didático e instrutivo, mas como em tudo na vida é preciso um equilíbrio. As crianças não podem só estar habituadas a jogar PlayStation e jogos educativos. É preciso correr, sair, pular, andar de bicicleta, pintar! Todas estas atividades melhoram os seus movimentos e tornam-nos mais “desenrascados”!

  • Benefício nº5: Aumenta a imunidade

É saudável as crianças saberem brincar sozinhas, mas a maioria das vezes a brincadeira é com outras crianças e muitas vezes não é no ambiente conhecido da própria casa. Ao ir para um jardim, para casa de um amigo ou para a escola e ao estar em contacto tanto com pessoas diferentes, mas também com ambientes diferentes, a imunidade acaba por ser reforçada.

E então, já se está a preparar para uma boa brincadeira?

Não são precisos grandes brinquedos nem muito tempo! É preferível ter meia hora de brincadeira por dia do que duas horas só ao fim de semana. E quanto aos brinquedos, às vezes nem são necessários, a verdade, é que qualquer coisa serve para brincar desde que exista interesse e criatividade!

  • Esteja presente!

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