Mãe, estás contente?

Os nossos filhos vêem-nos como somos e não como achamos que somos.

Muitas vezes, ao longo da vida, enganamo-nos. Enganamo-nos para continuarmos o nosso caminho sem nos sentirmos tão culpados por aquilo que fazemos e que sabemos que deveríamos fazer de outra maneira.

Ao longo da vida enganamos os outros, voluntária ou involuntariamente, pelo simples facto de aceitarmos a opinião que os outros têm de nós sem a corrigirmos, principalmente quando essa opinião é positiva.

Com os filhos não há nada disso.

Podemos saltitar de pedra em pedra mas eles sabem que não estamos a voar.

Vêem-nos como super heróis por fazermos coisas que a eles ainda são inacessíveis, vêem muitas vezes as nossas qualidades quando duvidamos delas, e muitas vezes apontam os nossos defeitos quando menos esperamos.

“Mãe, por favor, não fiques zangada. Não quero que fiques zangada”.

Esta frase tira-me metade do coração quando a oiço.

E às vezes ela chega para me lembrar que quando chamo a minha filha à atenção ela vê o que eu não vejo, porque estou dentro de mim. Ela vê o cansaço, ela vê alguma impaciência, ela vê alguma tristeza.

Acho que é importante que ela perceba que os seus actos têm consequências, acredito que ela tem de perceber que quando me magoa deve ter à sua frente alguém que demonstra os seus sentimentos sob pena de crescer a achar que a mãe foi sempre um muro de aço perante as coisas menos boas da vida e que demonstrar os nossos sentimentos é uma fraqueza. Não é, pelo contrário.

Mas quando ela me vê naquela culpa e tristeza sinto ainda mais culpa e mais tristeza, essa sina eterna das mães.

Quero que perceba que as coisas não desaparecem segundos depois de acontecerem, mas não quero que tenha receio que eu me zangue. Quero que faça as coisas, tome as suas decisões pelos motivos certos e não com medo de me deixar triste.

Sei, também, que há alguma inevitabilidade em crescermos a não querermos desiludir os nossos pais e que isso faz parte.

E por isso, ao ver-me ao espelho quando me zango, através dela, através da forma como ela me vê, sei de imediato aquilo que tenho de tentar mudar.

E é por isso que o diálogo é tão importante.

E é por isso que a pergunta “estás zangada?” nunca é seguida de um “mas é claro que sim”, um virar de costas e ir embora.

Eu fico. Eu baixo-me para falar com ela a olhá-la nos olhos. Eu explico o que estou a sentir e porquê. Explico o que acho que devia ter acontecido de outra forma, muitas vezes inclusivamente falando do eu EU deveria ter feito de outra forma, porque aqui não há só um culpado.

E depois abraçamo-nos. E ela, sem falhar, pede desculpa se tem de o pedir e jura que não volta a fazer.

Já percebi que uma das coisas que mais desespera a minha filha é sentir que me falhou.

Mas ela não me falha. Simplesmente está a crescer. E crescer custa, dá trabalho e é um percurso recheado de bons e maus momentos.

Seguimos caminhos errados, testamos limites, somos diferentes do que esperamos que sejamos.

E isso não vai mudar, porque hoje, aos trinta e dois anos, continuo a fazer o mesmo que ela aos quase quatro.

E por isso quero que ela sinta que não vou fingir que não vejo quando ela age de forma errada, mas quero que saiba, que sinta, que não tenha  menor dúvida que, principalmente nesses momentos espero por ela para lhe dar a mão e encontrarmos uma maneira de melhorar. As duas.

Ser mãe não é fácil, principalmente porque também nós estamos a seguir o nosso percurso, a evoluir, a mudar, a encontrar novas ferramentas, novas convicções.

Ser mãe não é fácil pelo que se espera de nós, pelo que esperamos de nós.

Mas sabermos que não fazemos esse crescimento sozinhas ajuda.

E eu não estou sozinha porque a tenho a ela, a aprender comigo e a ensinar-me mais do que dezassete anos de escolaridade me ensinaram.

E não, meu amor, não estou zangada. E se estiver, passará.

Porque tudo passa, menos nós.

image@weheartit

Quando a educação dói: mães tóxicas

Neste artigo vamos falar sobre mães tóxicas. No entanto, convém frisar que também há pais e avós tóxicos. São mestres em educar as crianças sem estimular o crescimento pessoal e a segurança. Com isto, no futuro poderão ter a sua independência física e emocional bastante prejudicadas.

O papel da mãe é quase sempre mais forte na educação dos filhos. É esta que define o vínculo de carinho e afeto com a criança que, com passar do tempo, sairá dos seus braços e saberá que tem uma mãe que a ama. A criança terá sempre a referência do amor incondicional da mãe, mas de forma saudável, pois amadureceu de forma inteligente.

As mães tóxicas oferecem um amor imaturo aos seus filhos. Projetam sobre eles as suas inseguranças para se reafirmar e, assim, obter um maior controle sobre a sua vidas e a dos seus filhos.

O que está por trás da personalidade das mães tóxicas?

Por mais estranho que pareça, por trás do comportamento de uma mãe tóxica está o amor. Agora, todos sabemos que quando se fala de amor, há dois lados da mesma moeda: uma dimensão capaz de promover o crescimento pessoal do indivíduo, seja a nível de parceria ou a nível familiar, e outro lado, mais tóxico, onde um amor egoísta e interessado é exercido, por vezes de forma sufocante, que pode ser completamente destrutivo.

O factor preocupante é que as famílias que exibem estas artimanhas de toxicidade fazem-no em crianças, indivíduos que estão em processo de amadurecimento pessoal, tentando estabelecer a sua personalidade e desenvolver a sua autoestimaTudo isto vai deixar grandes lacunas e  inseguranças nos filhos que, por vezes, se tornam intransponíveis.

Vejamos as dimensões psicológicas delineadas das mães tóxicas:

Personalidade insegura

Às vezes, possuem uma nítida falta de autoestima e autossuficiência que as obriga a ver nos filhos uma “salvação”, algo que devem modelar e controlar para ter ao seu lado, para cobrir as suas deficiências.

Quando notam que os filhos se estão a tornar independentes e capazes de construir as suas próprias vidas, estas mães sentem uma grande ansiedade, pois temem, acima de tudo, a solidão. Portanto, são capazes de implantar “truques hábeis” para as continuar a manter por perto, projetando desde o início, a sua própria falta de autoestima, as suas inseguranças.

Obsessão pelo controle

Estas mães têm o hábito de controlar todos os aspectos da sua vidas, não dão ponto sem nó. Passam então, a fazer o mesmo na vida dos filhos. Não conseguem respeitar os limites. Para as mães toxicas, controle é sinónimo de segurança, algo que faz com que se sintam muito bem.

O problema, é que estas mães convencem-se que as suas atitudes são reflexo do seu amor.

“Eu vou-te facilitar a vida e controlar as tuas coisas para te fazer feliz”

“Eu só quero o que é melhor para ti e com a minha ajuda não precisas de aprender pelos teus erros ou experiencia”

O controle é o pior acto de superproteção. Evita que as crianças sejam independentes, capazes e corajosas. E impede que aprendam com seus próprios erros.

A projeção dos desejos não realizados

“Quero que tenhas/faças tudo o que eu não tive/fiz

“Não quero que cometas os mesmos erros que eu”, “

As mães tóxicas projetam nos filhos os seus desejos não realizados sem pensarem duas vezes se é isso o que ele querem, sem lhes dar a opção de escolha. Refugiam as suas opções no amor incondicional, quando, na realidade, o que demonstram é um falso amor. Um interesse amoroso.

Como lidar com uma mãe “tóxica”?

É necessário estar consciente de que tem de se quebrar o ciclo de toxicidade. Tens vivido muito tempo neste ciclo, sabes as feridas que te causou. Mas agora precisas de abrir as asas e voar. Para seres feliz. Será difícil, mas deves começar por dizer “não” para pores as tuas necessidades em voz alta e aumentar as tuas próprias barreiras, aquelas que ninguém poderá ultrapassar.

Trata-se da tua mãe, e quebrar este ciclo de toxicidade pode causar danos. Às vezes, dizer a verdade pode parecer prejudicial, mas é uma necessidade vital. Isso significa deixar claro o que permites e o que não permites. Não queres causar nenhum dano, mas também não queres sofrer mais com esta relação; isto deve estar bem claro na tua cabeça. Lembra-te que uma mãe tóxica, transforma-se numa avó tóxica.

Reconhece a manipulação.

A manipulação por vezes é tão é tão subtil que não nos apercebemos, pois pode estar em qualquer palavra, em qualquer comportamento. E, acima de tudo, não caias na “vitimização”, um recurso muito utilizado pelas mães e pessoas tóxicas. Mostram-se como as mais sofredoras, as mais feridas quando, na realidade, o mais ferido és tu. Lembra-te sempre disto.

image@Anna Radchenko

Por A mente é maravilhosa, adaptado por Up To Kids®

“Mãe!” é a palavra mais dita em todo o mundo (aposto)

Eu, que já passei dos trinta, continuo a chamar pela minha mãe quando estou feliz, triste, desanimada, desesperada, sem rumo, quando recebo boas notícias, quando não sei de alguma coisa, quando preciso apenas de falar.

E é por isso mesmo que ainda que seja exasperante compreendo a minha filha, que repete o meu título honorário como se não houvesse amanhã.

Mas, afinal, para que servem as mães?

Dizem que ter filhos é andar com o coração fora do corpo. Por essa linha de raciocínio há um coração que nunca se sente completo, porque o corpo onde ele foi gerado inicialmente tem de viver sem ele, à margem dele.

Daí talvez esta relação próxima que existe com as nossas mães, a nossa com os nossos filhos.

Fomos feitos para sermos inseparáveis mesmo quando temos de seguir caminhos diferentes.

A nossa mãe é a garantia de que nunca estaremos sozinhos, mesmo quando ela já não estiver por perto. É a certeza que por mais que a vida nos derrube, haverá sempre aquela voz, do outro lado do telefone, mesmo à nossa frente, ou em memória, que nos garante que conseguimos dar a volta. Que somos capazes. Que ela vai torcer por nós.

Quem tem, ou teve um dia, uma boa mãe tem uma herança para a vida.

Tem um exemplo, tem um caminho já trilhado para ir tirando notas sobre o que fazer e o que evitar.

Tem um admirador número um, tem alguém que nunca o quis desiludir, mesmo quando não foi capaz de ser melhor.

Uma mãe nasce quando há a vontade de se ter um filho. E a partir daí a luta é conjunta. A corrida é feita de mãos dadas, a primeira vez que há um olhar, um toque, marca o início de um amor já palpável.

O amor entre uma mãe e um filho, por mais que se tenha tentado, é impossível descrever. Ainda está por inventar uma palavra que seja sinónimo da grandiosidade deste sentimento, desta forma de pertença, desta experiência cheia de altos e baixos em que por mais que haja falhas, nunca falha o amor.

Irei chamar a minha mãe sempre, enquanto tiver o privilégio de a ter por perto. E depois irei fazê-lo baixinho (como, confesso, às vezes já faço quando não estou preparada para lhe dizer algumas coisas).

E irei sempre responder ao chamamento da minha filha.

Porque não existe outra maneira de existir.

Afinal, sou mãe.

E mãe é mãe e basta.

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Dia da mãe – Vale mimar-me

Começamos logo de manhã. Corre para aqui, corre para ali. Prepara isto, pensa naquilo, faz malabarismos para encaixar todas as atividades extracurriculares, o nosso trabalho, os tpcs, a comida saudável, os banhos, as horas a que os miúdos precisam de estar na cama. Ufa!

Só quando aterramos no sofá, é que notamos como estamos exaustas. E dois segundos depois, já estamos a programar tudo o que é preciso para o dia seguinte. A nossa cabeça parece o gabinete da direção de uma multinacional. Uma autêntica loucura.

Sinceramente, não sei onde vamos buscar a energia. Não sei onde vamos buscar tanto amor e colo para dar aos outros. Não sei como conseguimos ter na cabeça frações complicadas, e onde estão as bolachas na despensa. Mas sei como me sinto exausta e zangada se não cuido de mim. Foi algo que fui notando com curiosidade. Percebi que não consigo ter tanta paciência quando estou esgotada. Que me zango mais facilmente. E que muitas vezes, depois do calor do momento, percebo que não era nada daquilo que queria dizer ou fazer.

Instruções

As instruções de segurança nos aviões são muito claras nos procedimentos a seguir. Primeiro, temos de colocar a máscara de oxigénio em nós, e só depois ajudar as crianças. O mesmo devia acontecer na parentalidade. Só conseguimos dar, se tivermos algo para dar. Caso contrário, estamos em esforço contínuo. Em desgaste contínuo.

Uma mãe precisa de cuidar de si. Cuidar sem culpa. Precisa de descansar, carregar a pilha, sentir-se inteira para ser capaz de cuidar e dar aos outros. Além disso, uma mãe ao cuidar de si, inspira nos filhos o autocuidado e a auto-valorização.

Pensei com carinho, no que te podia oferecer para começares a cuidar de ti. Pouco a pouco. A mimares-te como mereces. A sentires como faz toda a diferença.  Que isto do “cuidar de mim”, não faz de ti uma má “mãe”, mas sim uma mãe humana.

Pensei e decidi dar-te momentos. Momentos de auto-mimo para cortares, usares e mimares-te.

Lembra-te, vale mesmo a pena cuidares de ti todos os dias, e não só no dia da mãe.

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Quando nasce um bebé nasce, também,  muito mais do que uma vida.

Há uns dias vi uma imagem algures por aí na net dizia:

Quando nasce um bebé, nasce um coque! ”. Pensando bem, quando nasce um bebé nascem em simultâneo tantas coisas.

Nasce uma família! Todo um mundo de pessoas para conhecer e desejosos de conhecer o novo membro.

Nasce o coque. O tão prático coque, que permite mudar fraldas, pegar e evitar que eles se agarrem aos nossos cabelos.

Nascem nódoas. Um pouco por todo o lado, como se fossem cogumelos. Manchas de leite, de sopas, de fraldas sujas…

Nascem olheiras. Fruto da tão sofredora privação de sono. Do ter que estar acordada a cada 2/3 horas.

Quando nasce um bebé nasce, também, o cansaço. As obrigações são muitas e o descanso é curto, e um enorme cansaço instala-se para ficar.

Nasce um brilho nos olhos. Aquele brilho único de uma mãe que olha para o seu filho. É tão único. Tu sabes.

Nasce um encaixe perfeito. Aquele que costumo dizer: “Não há encaixe mais perfeito do que o de um bebé no colo de sua mãe”

Nascem dúvidas e incerteza. Tão características das mães, tão naturais, tão carinhosas. Afinal, estas dúvidas não são mais do que a busca do melhor para eles.

Nasce um cheiro. Aquele cheirinho que só um bebé tem, e que é tão delicioso.

Nascem novas aventuras todos os dias. Um banho salpicado, um xixi na cama, um primeiro gatinhar, uma primeira palavra, uma queda, um susto, um passeio em família… Uma nova aventura e algo para contar todos os dias.

Quando nasce um bebé nasce, também, uma mulher. Ela não sabe, mas renasce. A mulher é agora mãe, e a mãe é uma outra mulher. Uma mulher capaz de mover o mundo. Um mulher que tem a força de um super-herói e o coração a bater fora do peito.

Quando nasce um bebé nasce uma vida. O bebé! Já pensaram em tudo o que eles ainda vão viver… Tudo o que ainda vai acontecer… Haverá maior “milagre” que este?

Quando nasce um bebé, nasce um amor. O maior de todos. Sem fim, sem medidas. Incontrolável, imensurável. Tão grande e tão forte que dói, que nos faz chorar, e que faz de todas nós mães felizes, todos os dias!

imagem@comfort

Quando fores mãe vais ver o mundo com outros olhos.

Vais dormir menos e pior.

Vais ouvir conselhos desnecessários e uns poucos que realmente ajudam.

Vais perder minutos do teu dia à espera de atravessar a ruas porque se ensinaste que só se pode passar quando o sinal está verde, então é isso que fazes.

Vais ter novamente cinco anos, fazer coreografias de músicas, rir como se ninguém estivesse a ver.

Vais fazer planos e perceber que às vezes o melhor é não fazer planos.

Vais cozinhar mais sopas do que as imaginavas possíveis.

Vais gabar a imaginação da tua mãe, que conseguiu sempre fazer comida diferente para pôr na mesa.

Vais desejar ser tão boa como ela (se tiveres um bom exemplo) e trabalhar para chegar lá perto (ou para seres completamente diferente, se não tiveres tido a sorte de ter uma boa mãe).

Vais sentir o peso da gravidade, não só no corpo mas porque os teus filhos invariavelmente, quando te dão a mão, têm tendência para puxar os braços (o que é que lhes dá?? ?)

Vais mudar demasiadas fraldas e bater palmas quando essa fase chega ao fim.

Vais cantar para acalmar o teu filho, por mais desafinada que seja a tua voz.

Vais dormir com sentimento de culpa mais noites do que gostarias.

Vais sentir-te a pessoa mais afortunada do planeta por que ter um filho maravilhoso.

Vais rir-te sozinha quando te lembrares das saídas que os teus filhos têm.

Vais lembrar-te de quando eras miúda e de como as coisas mudaram tanto.

Vais ter medo.

Vais ter coragem.

Vais estar muitas vezes sozinha (metafórica e literalmente).

Vais estar a maior parte do teu tempo em casa acompanhada.

Vais ser chamada milhões de vezes por dia. Assim que parares para descansar dois minutos. Assim que entrares na casa de banho. Assim que pousares o livro e apagares a luz para dormir. Assim que puseres a série no play.

Vais ensinar a andar, a correr, a levantar depois de cair.

Vais ajudar a subir ao escorrega e a descer sem medos.

Vais limpar ranhos, feridas, lágrimas.

Vais sacudir poeira, desvalorizar nódoas, autorizar brincadeiras nas poças.

Vais medir a temperatura, dar beijinhos na testa, dar colo.

Vais ralhar e apontar o dedo.

Vais mandar arrumar, mas também vais brincar.

Vais sorrir e em alguns dias esses sorrisos serão o que te salva.

Vais dar a mão. Vais receber a mão dos teus filhos na tua mesmo quando não a pedes.

Vais ser abraçada. Vais receber carinhos. Vais ser amada.

Vais amar como nunca amaste antes.

Vais defender as tuas crias do mundo.

Vais aprender a vê-las de forma imparcial e a reconhecer as suas falhas.

Vais fazer o que estiver ao teu alcance para as falhas serem recuperadas.

Vais falhar.

Vais cair.

Vais ter arrependimentos.

Vais perder a paciência.

Vais ter vontade de virar costas e ir embora.

Vais ficar.

Porque é disso que as mães são feitas.

imagem@weheartit

Há dias em que nem os sorrisos dos filhos nos salvam.

Tecnicamente estou acordada desde as duas da madrugada.

O mais novo, como quase sempre, acordou a chorar e, como quase sempre, acordou a irmã e, como quase sempre, foram os dois para a nossa cama. O circo estava montado.

Ele vira-se de cabeça para baixo, destapa-se, deita-se em cima do pai, puxa os cabelos à irmã, nós vamos acordando e adormecendo, sem coragem para ir vendo que horas são. Resmungamos, ralhamos, batemos com a cabeça na parede. Ela tosse, eu levanto-me e dou-lhe xarope, ela continua a tossir, o pai levanta-se e volta a dar-lhe xarope. Estamos a ficar malucos. A tosse acalmou. Passo a noite toda destapada, desisti de lutar por um pedaço do edredão.

O despertador toca às seis horas e quinze minutos, desligo-o e deixo-me ficar até sentir os pés do meu marido a expulsar-me da cama. Tenho frio. Levanto-me, meto o café a fazer, enfio-me no banho, visto-me, o meu marido faz o pequeno-almoço, tomamos o pequeno-almoço sentados no sofá, enquanto vemos as notícias. Os pequenos demónios ainda dormem. E eu com uma dor de cabeça a querer rebentar. Já passa das sete horas, caraças, está na hora de irmos acorda-los.

Damos o leite, vestimos, lavamos a cara e os dentes, o pai penteia, eu faço o totó, tudo a passo de caracol. “Mãe, o que é que eu levo para comer na escola?”, vestimos os casacos, metemos os gorros na cabeça, “Está de noite, mãe?”, “Não está de noite, é o nevoeiro.” Dói-me cada vez mais a cabeça. Quando nos sentamos no carro e respiramos fundo já são oito e dez.

Adeus mãe, bom trabalho!”, “Boa escola, meus amores.” Beijos e sorrisos, até parece que dormiram a noite toda.

Chego ao terminal dos barcos e apetece-me cortar os pulsos. Centenas de pessoas do lado de fora dos torniquetes, é o nevoeiro, são os barcos suprimidos, é a porra de um gajo bipolar que manda naquela porcaria toda. Junto-me à multidão. Tomo um comprimido para a dor de cabeça. Há um homem que fuma no meio das pessoas, filho da mãe. Tomo mais um comprimido para a dor de cabeça, que o dia ainda não começou. Os torniquetes abrem, as pessoas empurram-se, pisam-se, ninguém quer ficar de fora. Os carneiros, como dizia alguém um dia destes: “Somos todos uns carneiros”. Que se lixe. Junto-me à carneirada, não me posso atrasar mais.

O barco atraca em Lisboa e vou a correr para o metro. Faltam nove minutos para o próximo metro, em hora de ponta nove minutos são uma eternidade, outro bipolar a mandar nesta porcaria. Mudo da linha azul para a linha verde. É a pior linha de todas, juro, as pessoas cheiram a areia de gato com uma semana misturado com óleo de fritar chamuças. Consigo sentar-me e tenho à minha frente dois homens saídos do “Feios, Porcos e Maus”, não sei a que cheiram, mas envolve vinho e apetece-me vomitar, levanto-me e vou em pé, com o lenço a tapar-me o nariz. Respiro o menos possível.

Chego ao destino, lembro-me para onde vou e apetece-me fazer todo o caminho de volta para casa. Arrasto-me, pico o ponto, sento-me ao computador e finjo que vou fazer alguma coisa que gosto.

Há dias em que nem os sorrisos dos filhos nos salvam.

 

De que são feitas as mães?

Que ingredientes colocaram na receita, para que o amor e a paciência estivessem em equilíbrio, quando tudo o resto parece ruir?
Poucas são as vezes que vacilo no Amor Maternal.

É certo que, algumas vezes, sou uma panela com pipocas a estalar e se se abrisse a tampa seria confetis em dia de festa!
Tenho aquele ingrediente secreto que me faz estar aqui sentada no carro durante duas horas a escrever, enquanto o meu filho luta pelos seus sonhos…
Tenho a poção que me permite dar voltas nas ruas, perdendo o número de quilómetros que faço mesmo quando o corpo grita pelo sofá e tantas vezes pela cama.
Tenho o comando que controla a voz quando a minha filha me tira do sério com as suas argumentações…

Quantas mães conhecem a experiência de dar e doar tempo envolvidas no amor incondicional?

O tempo passa e eles crescem mas as mães serão sempre o exemplo, o modelo. o guia dos pequenos e grandes passos.
Encarar a maternidade como uma etapa que passa, é iludir a vida!
Uma vez mãe, para sempre unidos pelo cordão que se corta mas que não se quebra, mesmo que a vida nos arranque os filhos e filhas dos braços. E quando partirmos estaremos pendurados nas asas dos anjos, para voarmos até eles, segurando cada passo num compasso de luta e esperança.

Os meus ingredientes são o Amor e a Paciência!

E os teus? Quais são?

Image@eyeni

Há coisas que só as mães é que sabem

Ser mãe é uma experiência única na vida de uma mulher. Não só porque passas a ver para além do teu umbigo, a entender o que de facto significa o amor, mas também porque “sentes na pele” coisas inimagináveis para uma mulher que não tem filhos. Passas a compreender que “saltar-te a tampa” é na verdade parte honrosa do mundo da maternidade e que por mais que dês o teu melhor, é impossível proteger um filho de tudo o que gostaríamos.

Tudo isto muda a tua maneira de ser e a forma como passas a olhar para as outras mães.

Porque há coisas que só as mães é que sabem.

Só nós é que sabemos o que são os enjoos “exagerados” de uma grávida. Há um dia que não te consegues levantar da cama sem passar pela casa da partida, neste caso pela casa de banho mesmo. E passas a manter um prato de bolachas na cabeceira, mesmo sabendo que não as vais aguentar muito tempo no estômago.

Só nós é que sabemos o que é ter medo do parto (mas se tantas mulheres já pariram, por que a preocupação?).

Só nós é que sabemos o alívio que é ouvir o filho a chorar depois de nascer e de contar cinco dedos em cada mão e pé.

Só nós é que sabemos o que é ficar uma noite sem dormir. Aliás, uma não, várias! E percebes como és uma pessoa completamente diferente, infelizmente, mais chorona e depressiva, depois de passares por fases de privação de sono.

Só nós é que sabemos que as mães não sabem sempre o que fazer com os filhos. O teu filho passa duas horas a chorar sem que consigas acalma-lo e isso não acontece uma, nem duas, mas muitas vezes no primeiro ano do seu filho.

Só nós é que sabemos o que é gastar mais do que a conta, porque quando se trata dos filhos não queremos que lhes falte nada.

Só nós é que sabemos que mais dia, menos dia, vais gritar com o teu filho. E não porque consideras a melhor forma de resolver o assunto – simplesmente porque não encontraste uma forma melhor de lidar com a birra ou crise de choro!

Só nós é que sabemos que fazer uma refeição quente é um verdadeiro luxo! E sentes saudade de engolir qualquer coisa acabada de sair do forno (porque a única forma de não comer comida gelada é aquecendo no microondas – mas o cansaço é tanto, que preferes comer frio e não teres que te levantar de novo da cadeira).

Só nós é que sabemos que se só houver tempo para uma coisa – comer ou dormir – tu dormes.

E que se na altura da escolha o teu filho estiver com febre, vais buscar forças ao fundo da tua alma e ficas acordada ao lado do berço.

Só nós é que sabemos que as mães que trabalham fora choram porque não podem estar mais tempo com o filho. E as que ficam em casa dariam tudo para estar sozinhas de vez em quando.

Só nós é que sabemos para que é que serve a festa de um ano do bebé. Claro que ele não se vai lembrar, mas tu nunca te vais esquecer!

Só nós é que sabemos que há alturas em que só o ombro de outra mãe será um lugar confortável para chorares as tuas dores. E se esse ombro for o da TUA mãe, melhor ainda!

Só nós é que sabemos de cor todos os defeitos que achavas que os teus pais tinham. Porque fazes tudo igualzinho, principalmente se o objetivo for o de proteger a cria.

Só nós é que sabemos que não há motivos para julgar a mãe que deixa o filho usar o tablet ou comer uma guloseima para ter cinco minutos de sossego. Que atire a primeira pedra a mãe que nunca fez isso!

Só nós é que sabemos que há poucas coisas mais irritantes do que um palpite mal dado. E há poucas mais gratificantes do que uma ajuda dada de coração aberto.

Só nós é que sabemos que depois do primeiro susto (“não, eu não vou ter mais filhos NUNCA mais!), dás contigo a pensar em ter um segundo filho.

Só nós é que sabemos que colo de mãe cura muitos males. E beijo de filho também.

Só nós é que sabemos que cada criança é única! E mesmo assim comparas o teu filho aos dos outros. Até teres provas concretas de que cada um tem seu tempo e que te preocupaste para nada!

Só nós é que sabemos que os livros sobre bebés ou resultam com o teu filho (e recomendas a toda a gente), ou  simplesmente são uma merda!

Só nós é que sabemos que as tuas amizades serão influenciadas pelo grupo de amigos do teu filho. E que também acabarás por influenciar as suas escolhas quando se refere às companhias.

Só nós é que sabemos que aquela história de que o tempo passa a voar é mesmo verdade!

Por isso não vale a pena abdicares do tempo com os teus filhos por dinheiro nenhum do mundo.

Só nós é que sabemos que não existe amor maior do que o de uma mãe/pai pelo filho. Nem sequer o que ele sente por ti é igual. E que quando nasce um bebé, nasce também uma razão pela qual se viver e lutar.

Só nós é que sabemos o que é que sentes quando o teu filho está infeliz. Como te salta o coração do peito se o põem de parte. Como tocarias de lugar com ele (sem hesitar) sempre que está doente. Como a preocupação te rói por dentro se o teu instinto te diz que algo não está bem. Como oras à noite, sendo ou não crente, quando ele se desvia do caminho.

Só nós é que sabemos que, mesmo que o mundo esteja a desabar à tua volta, se o teu filho estiver bem, tu estás feliz.

 

Baseado no artigo de Dicas de mãe, Blogger Nívia

Antes de ser mãe

Antes de ser mãe fazia as refeições quentes, não tinha nódoas na roupa e ficava horas a conversar tranquilamente ao telefone durante o serão.

Antes de ser mãe, dormia até me apetecer de manhã, não tinha horas para ir para a cama, e penteava-me e lavava os dentes várias vezes ao dia.

Antes de ser mãe, a minha casa era um brinco, e mesmo assim eu fazia limpezas diárias. Nunca tinha tropeçado em brinquedos espalhados, e sabia as letras das músicas todas.

Antes de ser mãe nunca me preocupei se as minhas plantas seriam ou não venenosas e nunca pensei muito sobre imunidade.

Antes de ser mãe nunca me tinham vomitado em cima, nem feito cocó ou xixi, cuspido, nunca me tinham mordido, e nunca tinha sido beliscada por dedos minúsculos que parecem pinças de lagostim!

Antes de ser mãe eu controlava totalmente os meus pensamentos, o meu corpo e a minha mente. E dormia a noite toda.

Antes de ser mãe nunca tinha pegado numa criança aos gritos para se auscultada ou vacinada. Eu nunca tinha ficado lavada em lágrimas só por ver alguém chorar. Nunca tinha ficado verdadeiramente feliz por ver alguém sorrir. Nunca tinha ficado acordada horas a fio a olhar para um bebé a dormir.

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